Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?

Rau Ferreira (*)


D
om Frei João da Purificação Marques Perdigão, quando de seu Episcopado em Olinda/PE (1831/1864), a cuja Diocese Campina Grande pertencia, empreendeu uma grande viagem no ano de 1839. Esta havia se iniciado no dia 1º de maio daquele ano, passando pelas diversas paróquias de sua jurisdição.
Após um grande percurso, a caravana eclesiástica chega dia 10 à povoação de Ingá onde ficou hospedada em casa do Alferes Dionízio, pernoitando naquela residência. Dia seguinte, pelas 5:30 horas da manhã, segue viagem “passando a calma” na casa de João Francisco, no Logrador.
Adentra Campina pelas sete horas da noite, vindo a seu encontro o “tenente coronel Manoel Pereira de Araújo e o padre coadjutor, que goza muito bom nome, pois que o pároco me acompanhou desde Goiana, e em cuja caza fui hospedado” (R.IHGB: 1892, p. 114), comentou o bispo.
A Paróquia de Campina Grande estava a cargo do Padre José Ambrósio da Costa Ramos, que dirigiu os trabalhos paroquiais de 1839 à 1854.
No dia 12 o Sr. Bispo e sua comitiva assistem a uma missa celebrada pelo Padre Ambrósio. A seu termo, admoesta o povo acerca dos deveres dos fiéis para com Deus e convida a nação católica à comparecer ao Crisma que iria realizar nos dias 13, 14 e 15.


Serviço pastoral

Dia 13 de maio de 1839

O dia 13 inicia com o Ofício cantado pelas 11 horas, conforme as cerimônias prescritas no pontifical em presença do vigário e seu coadjutor, participando ainda o Padre Lourenço, estando ausentes, em causa legítima, os sacerdotes Herculano e Antonio Manoel Cirilo d’Oliveira. Pela tarde foram crismadas cem pessoas, fazendo-se em seguida uma preleção. Ato contínuo, o bispo chamou dois “amancebados” persuadindo-os à união conjugal.

Dia 14 de maio de 1839

No dia 14 foi autorizado por D. Perdigão que o Pároco de Campina visitasse as capelas, remetendo os respectivos instrumentos. E determinado que os sacerdotes não administrassem sacramentos sem licença do pároco, a quem deviam enviar as certidões no prazo máximo de quinze dias, sob pena de suspensão. Pelas cinco da tarde, foram crismadas mais 400 pessoas com prática no final.

Dia 15 de maio de 1839

Em seu 5º dia de visitação à Paróquia de N. S. da Conceição, o Sr. Bispo crismou mais de oitocentas pessoas. Este ato sacramental teve início às cinco e se estendeu até às onze horas, admoestando ao final que se transferisse o dia da feira e encaminhando esta objeção ao sub-prefeito municipal.
Sabe-se que a feira de Campina, tradicionalmente, realizava-se aos domingos. Contudo, por solicitação de D. João Perdigão quando de sua visita a esta paróquia, foi transferida para os sábados.
Nessa mesma data, despachou vários requerimentos de despesa matrimonial e confessores, visitando a Capela de N. S. do Rosário.
Em suas notas de viagem, D. João Perdigão faz as seguintes observações acerca da Matriz e da Igreja do Rosário:

A Matriz, com o título de Nossa Senhora da Conceição, é mui grande, porém não está acabada, attento o que excitei os povos a concorrerem para o seo acabamento. O sacrário esta mui decente, os paramentos etc., com bastante uso. [...]. Fui visitar a capella de Nossa Senhora do Rozario, que achei indecente, e satisfeita a esmola de costume, mandei, que a guardassem para ajuda da despeza, que se deve fazer com a descencia da mesma capella.” (R.IHGB: 1892, p. 114).

Os reparos da Matriz somente aconteceriam em 1848, havendo concorrido para tal a dispensa de dois contos de réis do governo da Parahyba (Lei Provincial nº 07, de 23/09/1848). A reforma estruturante, contudo, seria levada a cabo pelo Padre Sales muitos anos depois.

Dia 16 de maio de 1839

O 16º dia inicia com 50 crismas às 10 horas da manha e outras doze no período da tarde. Em visita ao Revmo. Bispo compareceram os vigários de Brejo d’Areia e Alagoa Nova, que receberam a determinação de enviar ao Padre Gama a pauta dos benzeres etc., sendo-lhes permitido reservar para si 4 patacas de cada capela que visitasse e autorizado que até o último de dezembro do corrente ano, por justo motivo, se fizessem as crismas.
Dom João da Purificação deixou Campina no dia 17 de maio de 1839, pelas nove horas da manhã. Demorou-se um pouco em casa do tenente coronel Manoel Pereira no Logrador, onde ainda realizou cem crismas.
Durante a sua viagem episcopal foi muito bem recebido em todas as vilas, freguesias e paróquias por onde passou.


Ele próprio chega a afirmar a esse respeito:

Em todas as freguezias, por onde tranzitei, houveram repiques de sinos e outras demonstrações de satisfação pela minha presença” (R.IHGB: 1892, p. 113).

Em Campina, o Sr. Bispo de Olinda e da Diocese ainda tomou outras medidas mais enérgicas, a exemplo da que transcrevemos a seguir:

Campina Grande – officio do bispo d. João Perdigão, da diocese de Olinda, ao vigário geral, declarando excomungando Rosalina Maria, da freguesia de Campina Grande. 1866. Est. A. Gav. 18” (R.IHGAP: 1926, p. 222).

O Padre José Ambrósio da Costa Ramos foi o 13º vigário da relação dos párocos de Campina Grande. A seu pedido, Dom Perdigão fez o 4º desmembramento da Diocese de Campina, com a criação da Paróquia de Alagoa Nova a que ficou pertencendo o povoado de São Sebastião. Após renunciar ao seu paroquiato em 1854, foi residir na sua fazenda na Boa Vista.
Em seu lugar foi nomeado o cônego Francisco Alves Pequeno.

Rau Ferreira*



(*) Cidadão esperancense, bacharel em Direito pela UEPB e autor dos livros SILVINO OLAVO (2010) e JOÃO BENEDITO: O CANTADOR DE ESPERANÇA (2011). Prefaciador do livro ELISIO SOBREIRA (2010), colabora com diversos sites de notícias e história. Pesquisador dedicado descobriu diversos papéis e documentos que remontam à formação do município de Esperança, desde a concessão das Sesmarias até a fundação da Fazenda Banabuyê Cariá, que foi a sua origem.

Referência:
- COSTA, Antonio Albuquerque de. Sucessões e Coexistências do Espaço Campinense na sua Inserção ao Meio Técnico-Científico-Informacional: a Feira de Campina Grande na Interface desse Projeto. UFPE. Recife/PE: 2003.
- PIO, Fernando. Apontamentos Biográficos do Clero Pernambucano (1535 - 1935). Vol. II. Arquivo Público. Recife/PE: 1994.
- R.IHGAP. Volume XXVII. Edições 127-130. Recife/PE: 1926.
- UCHÔA, Boulanger de Albuquerque. História Eclesiástica de Campina Grande. Departamento de Imprensa Nacional: 1964.

0 comentários



Postar um comentário

 
BlogBlogs.Com.Br