Segundo as palavras de Abdalah Rached que cedeu a foto: "Essa é dos meu tempos de produtor de radio (Programa Alto Astral). Entrevista com o cantor Eduardo Dussek. Da esq p/dir., Dussek, Eu (detalhe pra camisa do Pink Floyd, fase Meddle), Toninho Lima, Nagib e Romulo Azevedo. Inicio da decada de 80".
O Jornal da Paraíba também registrou o momento em uma edição de 1983:
Como curiosidade, observem a camisa de Dussek. Tempos de rebeldia em fins de Ditadura Militar. Para saber mais sobre o cantor, clique
AQUI.
A reportagem da Revista "O Cruzeiro", de 18 de fevereiro de 1950, nos traz mais uma grande raridade para o acervo Blog RHCG; a matéria reportou as festividades de inauguração da lendária Rádio Borborema, pertencente aos Diários Associados, ocorrida em 08 de Dezembro de 1949, estabelecendo-se como a segunda emissora da cidade, que já contava com a Rádio Cariri.
No ano de 2008, mais precisamente em 18 de maio de 2008, os 'Associados' iniciaram suas transmissões em rede, formando a Rede Brasil Clube de Rádio, com isso em 20 de agosto de 2008, a Rádio Borborema passou a integrar esta rede, o que marcou também, a troca do seu nome e da sua identidade histórica, passando a se chamar Rádio Clube AM.
Em 19 de janeiro de 2015, porém, a emissora teve 57,5% das suas ações vendidas pelos Diários Associados ao Sistema Opinião de Comunicação, pertencente à Cândido Pinheiro, fundador do Grupo Hapvida, de Fortaleza-CE. Restabelecendo a história, em 16 de março de 2016, a emissora voltou a se chamar Rádio Borborema!
As lembranças da sua inauguração, registradas nas páginas da revista nacional "O Cruzeiro", pode ser lido abaixo, clicando-se nas imagens:



Fontes:
Revista O Cruzeiro (Acervo)
Wikipedia
Diários Associados http://www.diariosassociados.com.br/
Em dezembro de 1970, a Revista "O Cruzeiro" fazia a cobertura das ampliações dos serviços dos Diários Associados em Campina Grande, com melhorias nas TV Borborema, Rádio Borborema etc. Para ler a reportagem é só clicar no link abaixo:
Fonte: Revista O Cruzeiro
A Gazeta do Sertão, um dos jornais mais famosos da cidade, foi fundado por Irineu Ceciliano Pereira Joffily e Francisco Soares Retumba, com o primeiro número circulando na cidade em 01 de agosto de 1888. Na primeira fase da Gazeta do Sertão, o jornal era político, fato este que acabou culminando em seu fechamento pelo primeiro governador (presidente) da Paraíba, Venâncio Neiva.
Edição nº 10 de 02/11/1888
Hortênsio Ribeiro, advogado e jornalista, tentou em 1923 dar continuidade ao importante veículo, porém, novamente o mesmo seria fechado no ano seguinte.
Hortênsio Ribeiro

Em 25 de maio de 1981, quase 100 anos após ser fundado, a Gazeta do Sertão retornava as suas atividades. Com a direção de Edvaldo do Ó, na liderança de um grupo formado por Alberto Macedo, Silas Marinho e José Luis Júnior, o jornal tinha como proposta ser "reivindicatório", como bem disse Itan Pereira em sua obra “Edvaldo do Ó: Um Tropeiro da Borborema”. Na mesma obra, Itan cita os valores que o jornal revelou: Helder Moura, William Monteiro, Severino Medeiros, Maciel Gonzaga, Jesimiel Ferreira, entre outros.
O jornal em sua última fase, até seu fechamento em definitivo, esteve localizado na Rua Cazuza Barreto, na Estação Velha, no prédio onde hoje está situado a STTP (Superintendencia de Transito e Transportes Públicos, de Campina Grande).
Antiga sede do jornal (atual STTP)
O prédio em 2009
Fontes Pesquisadas:
-Arquivos Pessoais
-Edvaldo do Ó – Um Tropeiro da Borborema de Itan Pereira

O "Programa Silvio Santos" tem certa parceria com a cidade de Campina Grande. Não raro, a cidade foi alvo de participações em gincanas no programa do “Patrão”, de uma participação no Caminhão do Baú, uma espécie de loteria com eletrodomésticos promovida pelo empresário, do
"Teleton" e outra que não poderia deixar de ser lembrada, uma série de pegadinhas gravadas na cidade, em que até o folclórico
“Biu do Violão” foi alvo das brincadeiras.
O Cidade x Cidade, uma das gincanas de Silvio Santos, era uma espécie de competição cultural, quando cidades se enfrentavam na busca pelo grande prêmio, que era uma ambulância. Em 1979, a cidade foi representada por integrantes de vários seguimentos, que se encontrariam com Silvio Santos ainda na TV Tupi, que na época, tinha suas imagens geradas para a cidade pela TV Borborema. Abaixo, do acervo de professor Mario Vinicius Carneiro, uma reportagem da época (cliquem para ampliar):
Outra participação foi no começo da década de 90, quando um Caminhão do Baú da Felicidade distribuiu um carro (FIAT UNO BRANCO) e toda a mobília de uma casa em evento promovido no Parque do Povo. A banda jovem “Polegar”, no auge de seu sucesso, tocou para uma multidão que compareceu ao local na esperança de ter seu cupom escolhido.
Finalmente, outro encontro do programa Silvio Santos com a cidade foi uma série de pegadinhas gravadas na cidade. Detalhe para a pegadinha em que o folclórico Biu do Violão aparece:
Fontes Utilizadas:
blogpanoramatv.zip.net (Caricatura de Silvio)
Acervo de Professor Mario Vinicius Carneiro
Comunidade de Campina Grande no Orkut
Programa Topa Tudo por Dinheiro - SBT (Vídeo)
Cartão da antiga Rádio Borborema, possivelmente dos anos 50. Na época, a estação tinha grande força, devido aos programas de auditórios e shows com grandes estrelas nacionais. Por isso, o fato de se produzir cartões para seus diversos fãs, era uma preocupação da emissora.
Segundo a colaboração do nosso leitor Paulo Gomes, a quem agradecemos muito, a imagem "Trata-se cartão de confirmação de recepção (QSL), enviado aos ouvintes que solicitavam. Consta no mesmo o prefixo ZYJ21 com o qual a Borborema operava em ondas curtas na faixa de 3.325 Khz ou seja na banda de 90 metros também conhecida como Ondas Tropicais.
Era com esta emissão que a saudosa emissora alcançava inclusive a Europa com suas ondas. As emissoras brasileiras estão há muito tempo desativando este tipo de emissão, restando apenas umas poucas que ainda a utilizam (a exemplo da Radio Nacional da Amazônia).
O fim das radios AM está decretado uma vez que estarão migrando no futuro para a faixa de FM, tumultuando ainda mais o verdadeiro balaio de gatos que já é esta faixa. Em meados da década de 70 as recém instaladas emissoras de FM prometia ser a evolução do rádio através de melhor qualidade técnica e de conteúdo. Infelizmente isto nunca aconteceu e hoje somos obrigados" a ouvir emissoras com péssima qualidade técnica e programação de péssimo mau gosto (para ser delicado). "
Natural da cidade de Macaparana (PE), nasceu no Engenho Zebelê, em 20 de Dezembro de 1915, registrado Rosil de Assis Cavalcanti.
Cursou o primário e ginásio na cidade de Recife. Em 1936 entrou para o 22º Batalhão de Caçadores da 7º Região Militar na cidade de Aracaju, em Sergipe. Em 1937, licenciou-se do Batalhão de Caçadores e passou a trabalhar no Fomento Agrícola de Sergipe. Durante essa época, atuou como jogador de futebol, tornando-se tri-campeão sergipano pelo Cotinguiba Sport Clube. Em 1941 foi trabalhar na Secretaria de Agricultura da Paraíba, na cidade de João Pessoa.
Desembarcou em Campina Grande no ano de 1943, acatando transferência como servidor público. Aqui desempenhou as atividades de compositor e apresentador de programas de rádio e TV, adotando o codnome de "Zé Lagoa", atuando nas Rádios Borborema, Caturité e TV Borborema.
Do auditório da Rádio Borborema, que localizava-se na Rua Cardoso Vieira, o Programa era transmitido ao vivo. Foi realizado concurso de sanfoneiro, de dançarino, de beleza, de teatro, etc.
O carisma de Rosil cativava e conquistava.
Compôs cerca de 130 músicas, sendo algumas de memoráveis parcerias com Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.
Falando em parcerias, junto a Raymundo Asfora, compôs o hino extra-oficial de Campina Grande "Tropeiros da Borborema".
Entre suas músicas mais famosas estão "Sebastiana", "Na Base da Chinela" e "Quadro Negro".
Rosil notáva-se pela dinamicidade musical. Foi autor de todos os gêneros da música reginal nordestina, como baião, xote, e côco. Pessoalmente não se achava detentor de "voz" para cantar e, portanto, nunca gravou nenhuma das suas canções.
Na Rádio Borborema ainda apresentou um programa policial com viés humorístico chamado "Radar".
Nos anos 40 formou a famosa dupla "Café com Leite", ao lado do imortal Jackson do Pandeiro, apresentando-se na Rádio Tabajara.
Segundo palavras do Professor João Duarte, para o Blog O Nordeste, "No dia 10 de julho de 1968, no início da tarde, Rosil se sentiu mal quando descansava sob a sombra do Umbuzeiro e da Quixabeira. [...]Na noite daquele dia, [...] Em vez da música introdutória na voz vibrante de seu parceiro Café, dizendo: se você não viu, vá ver que coisa boa, em Campina Grande, o Forró do Zé Lagoa, se ouviu uma fúnebre anunciando o falecimento do poeta da caatinga, dos cariris, do Nordeste. O Nordeste parou. Campina Grande assistiu a mais profunda comoção que a atingira. Desaparecera subitamente sua síntese poética, suas alegrias e suas tristezas. Os contornos da feira central ficaram sem graça. A feira da Prata perdeu o charme. Macambiras e xiquexiques murcharam. Juritis, asas brancas, ribaçãs arribaram. O povo, a população simples e pobre das periferias de Campina e dos municípios visinhos se encerrou em luto. Campina Grande não comportou a quantidade de pessoas para o último adeus ao poeta que a cidade adotou."
Na foto acima, datada de fevereiro de 1952 durante festejo momesco, enviada e autorizada sua publicação pela Professora Clotilde Tavares (http://clotildetavares.wordpress.com) é possível ver a casa em que morou Rosil Cavalcante em Campina Grande, vendida e descaracterizada após o falecimento da sua viúva, D. Nevinha.
A residência era localizada no começo da Rua Afonso Campos, de frente ao antigo Posto Futurama, onde vê-se um garoto à sua porta e mais duas janelas. Na casa vizinha, morava um outro campinense notável, já detentor de post em nosso blog, o barbeiro Francisco de Almeida Batista, o
Chico B.
O local onde estão os protagonistas da foto, é a Praça Clementino Procópio, onde pode ser vista a antiga fonte existente, onde hoje está o
playground.
Vídeos:
Convidamos aos amigos a assistirem os vídeos abaixo, feitos pela TV Paraíba. O primeiro conta um pouco da história de Rosil e o segundo é uma entrevista, com o autor de um livro sobre a vida de um grande amante da cultura de Campina Grande.
Fontes Consultadas:
Site Forró em Vinil: http://www.forroemvinil.com
Site O Nordeste: http://onordeste.com
DUARTE, Jonas. "Jackson do Pandeiro e Rosil Cavalcante". Prof. Doutor Dep. Históriada UFPB, João Pessoa. Reproduzido por Ivan Moreira em, http://www.onordeste.com
Blog Umas & Outras (Profa. Clotilde Tavares), em: http://www.umaseoutras.com.br/boletim/19_08_2007/
O Blog "RHCG" presta uma homenagem a Joacir Oliveira, famoso radialista da cidade, que infelizmente nos deixou neste mês de outubro. É uma reportagem encontrada no jornal "A Palavra" pelo nosso amigo do blog "Tataguassú", José Ezequiel, que vem fazendo um brilhante trabalho no resgate histórico da cidade vizinha de Queimadas. A reportagem pode ser visualizada a seguir:
Joacir foi um dos primeiros divulgadores do RHCG, no programa "Mesa de Bar" da Rádio Cariri. No arquivo do blog, temos alguns programas disponíveis, bastando procurá-los em nossa busca de arquivos.
Abaixo, um trecho do jogo Treze x CRB, pela Série C do Campeonato Brasileiro de 2013, gol narrado por Joacir Oliveira, que também marcou o rádio campinense na transmissão esportiva.
Guilherme Jorge Dantas, o "Jorgito DJ", marcou seu nome na radiofonia de Campina Grande durante os anos 80 e 90. Na Rádio Campina Grande FM, apresentou programas inesquecíveis e mesmo radicado hoje em João Pessoa, não esquece a cidade natal e colocou-se a disposição do “Retalhos Históricos de Campina Grande” para responder a série de perguntas abaixo, relembrando uma época áurea do rádio FM da cidade.
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| Guilherme Jorge Dantas "JORGITO" |
BLOG RHCG: Primeiramente queremos que você se descreva para os leitores do Blog RHCG:
JORGITO: Nasci em agosto de 1969, em Campina Grande, filho de José Carneiro de Farias (administrador de empresas) e Violêta de Lourdes Castro Dantas de Farias (professora de língua estrangeira). Sou formado em Comunicação Social e estou concluindo o curso de Direito.
Fui locutor da
Campina Grande FM por 10 anos. Também atuei na Jovem Pan FM e na Arapuan FM, ambas em João Pessoa, além da Top FM em Recife - PE.
BLOG RHCG: Como iniciou sua carreira no rádio de Campina Grande? No início de sua carreira inspirou-se em algum radialista?
JORGITO: Sempre fui apaixonado por música. Meus pais compravam muitos discos e era hábito ouvir em casa artistas e estilos tão diversos como Luiz Gonzaga, Nat King Cole, Ray Connif, Sivuca e Roberto Carlos. Reuniões de amigos, festas, encontros familiares em minha casa sempre eram motivo para ouvir boa música.
O “vírus do rádio” já estava em meu sangue. Meu avô, Sebastião Dantas Bezerra, foi patrocinador cativo da Rádio Borborema. Também nesta emissora, minha mãe participou como cantora em programas de auditório apresentados por
Hilton Motta. Ainda garoto, eu brincava de imitar os locutores usando um lápis como microfone e tocando os discos dos meus pais numa “radiola” Philips.
Minha estréia no rádio se deu em meados dos anos 80, através do convite de uma agência de publicidade. Eles adquiriram um espaço na programação da Campina Grande FM e eu fui convidado para apresentar o programa Rádio Pirata, que ia ao ar todos os sábados à tarde. Aceitei, sem avisar a meus pais, que temiam que essa minha paixão pelo rádio atrapalhasse meus estudos. Depois que ouviram minha voz no ar, acabaram aceitando numa boa, desde que meu boletim na escola não tivesse nenhuma nota vermelha! Depois de 3 anos no ar, o programa acabou e eu fui contratado pela emissora.
Na época, minha inspiração eram os locutores do sul do país, cuja locução tinha uma pegada mais moderna, mais acelerada ou, como se dizia, mais alto astral.
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| Jorgito na Campina FM |
BLOG RHCG: Já que você citou o programa “Rádio Pirata”, nosso colaborador do RHCG, Manoel Leite, que é colecionador musical, mandou uma pergunta sobre este programa, questionando se você guardou alguma edição do mesmo e também sobre seu hobby de colecionador de Cds?
JORGITO: Tenho algumas edições do Rádio Pirata gravadas em fita K-7. Nunca voltei a ouvir estes programas e não sei como está a qualidade destas gravações. A digitalização desse material será um passatempo para quando estiver aposentado (risos).
Quanto à coleção de CDs, resolvi deixar de lado por uma questão prática: falta de espaço. Quando os discos começaram a dividir espaço com meus livros jurídicos, precisei parar a coleção senão ia acabar fatalmente morando em cima de uma pilha de CDs. Também colecionei muitos vinis que até hoje estão aí em Campina, na casa de meus pais.
PERGUNTA: Os anos 70/80 foram marcantes para a radiofonia campinense pelo advento das FMs, com uma linguagem mais jovial. Quais os programas que você apresentou na Rádio Campina FM e se era muito assediado por fãs à época?
JORGITO: Apresentei quase todos os programas da Campina FM: “A Música do Ouvinte”, “93 By Night”, “O Fino da MPB”, “Campeões do Ouvinte”, “Radiação 93”, “Alegria Geral” e tantos outros. O que mais me marcou foi realmente o “Rádio Pirata”. Eu tinha apenas 15 anos e o programa era bem inovador, o primeiro a trazer para o rádio campinense uma linguagem mais jovem, uma locução mais rápida e músicas que não tocavam nas programações tradicionais. O rock nacional começava a invadir as emissoras de FM e nós trouxemos, em primeira mão para os ouvintes do “Rádio Pirata”, bandas então desconhecidas do grande público como: Titãs, Legião Urbana, Capital Inicial, etc. Recebíamos centenas de cartas por semana, era muito gratificante.
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| Promoção da Rádio Campina FM com Jorgito e a Banda Ultraje a Rigor |
Quanto ao assédio, era normal a todos os locutores daquele tempo. Algumas ouvintes tinham uma curiosidade natural em nos conhecer. Sempre encarei como algo que fazia parte da diversão.
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| Jorgito em Programa da Rádio Campina FM |
BLOG RHCG: Você trabalhou na emissora de um dos pioneiros da Rádio de Campina Grande, Hilton Motta. O que você pode nos contar sobre esta lenda de nossa imprensa? É verdade que ele era muito exigente?
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| Hilton Motta |
JORGITO: Foi o melhor e mais preparado professor que já tive nessa área. Hílton Motta tinha muito amor pelo rádio e, notadamente, pela Campina Grande FM. Um sentimento tão forte e verdadeiro que não dá pra descrever em palavras. Você tinha que ouvi-lo falando. Seus olhos brilhavam, ele se empolgava e invariavelmente cativava o interlocutor discorrendo sobre suas experiências e contando “causos”, uma figura! Foi com ele que aprendi sobre o poder único do rádio em estimular a imaginação das pessoas.
Outra característica marcante de Hilton Motta era o respeito que ele tinha pelos ouvintes. Havia um esmero, um cuidado, uma preocupação constante com o nível do que era levado ao ar. Era isso que fazia a sua fama de exigente. Tínhamos que nos expressar de forma impecável, observando o emprego correto do português, falando apenas o necessário. Não se admitia que o locutor falasse, por exemplo, um “palavrão” nos microfones, coisa até corriqueira em alguns programas que existem atualmente.
Hilton Motta incentivava-nos o estudo, a busca constante pelo aperfeiçoamento, pelo desenvolvimento pessoal.
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| Jorgito na Rádio Campina FM, fundada por Hilton Motta |
BLOG RHCG: Lembramos que a Rádio Campina Grande FM era grande divulgadora do Maior São João do Mundo e da Micarande. Inclusive, lembramos de você com um microfone colado ao trio elétrico para transmitir nosso carnaval fora de época. O que você lembra-se deste período?
JORGITO: Eu tinha o melhor trabalho do mundo! Normalmente, trabalho e diversão são coisas diferentes, mas não pra mim. Eu trabalhava me divertindo e me divertia trabalhando. Fizemos a cobertura de grandes shows no Spazzio e no Forrock. Íamos aos camarins e podíamos ver as apresentações lá em cima, no palco. Na Micarande, tínhamos trânsito livre em todos os blocos e até em cima dos trios elétricos. Quando não estávamos transmitindo as emoções da festa ao vivo, gravávamos e fazíamos programas especiais na rádio. Tenho alguns shows daquela época gravados em fitas K-7. Talvez algum dia digitalize-os.
No São João, além de usarmos a “unidade móvel” para cobrir os principais eventos juninos em todos os pontos da cidade e os já mencionados shows, passávamos os 30 dias instalados no Parque do Povo, fazendo flashes ao vivo da “Caipira FM”, um estúdio montado com modernos equipamentos e o layout de uma casinha do sertão. Era lá que entrevistávamos os convidados sentados numa rede (brincávamos com o trocadilho: “transmissão em rede”).
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| Eliane, Jorgito e José Orlando na rede da Campina FM, durante o Maior São João do Mundo |
BLOG RHCG: Já que falamos nas duas maiores festas da história de Campina Grande, outro colaborador do RHCG, Johan van Haandel, também nos enviou uma pergunta para você: “Ele (Jorgito) viveu a fase de transição do rádio mais eclético para o rádio mais popularesco (início da década de 1990, acompanhando o sucesso do São João e o boom da Micarande), pergunto como ele vê hoje o que o rádio fazia naquela época em relação ao repertório e qual foi a contribuição dele”?
JORGITO: Naquela época, havia uma maior preocupação com o conteúdo, com a qualidade do que era transmitido. Não raro, tínhamos programas apresentados por professores, pesquisadores, colecionadores de discos, gente muito preparada e apaixonada pela música e pelo rádio. Havia uma pacífica e natural convivência entre as esferas lúdica e educativa nas programações.
Hoje, a busca frenética pelos melhores índices de audiência relegou a qualidade das programações a um plano inferior. Com raríssimas exceções, temos emissoras comerciais fazendo suas programações com o mesmo nível do que se fazia em décadas passadas.
Creio que minha modesta contribuição (se é que pode se ver dessa forma) foi a quebra de alguns paradigmas no que diz respeito à forma de fazer locução naquela época, trazendo um pouco mais de informalidade, uma maior proximidade do locutor com os ouvintes.
BLOG RHCG: Você ficou famoso também como DJ, tocando em algumas boates de Campina Grande que fizeram história, a exemplo da Skina e da Vogue. Também lembramos de outra marcante, a Discovery. Gostaríamos que você lembrasse aos leitores do RHCG como eram essas boates?
JORGITO: Curiosamente, a atuação no rádio e nas festas guarda algumas semelhanças. Em ambas, a música é o principal instrumento de trabalho, enquanto que a diversão, o entretenimento, a satisfação de seu público, o fim a ser atingido. Eu sempre quis estar ali do outro lado, nos “bastidores” ou no “palco”, fazendo as pessoas felizes.
Minha ligação mais forte foi com a Skina, a primeira boate que frequentei e onde trabalhei como DJ por mais tempo.
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| Boite Skina (Acervo Fernando Lima) |
Não cheguei a tocar na Discovery, mas acho interessante mencioná-la aqui porque foi um projeto muito avançado para a época. Até hoje as pessoas se impressionam quando falo que Campina Grande teve uma boate em forma de nave espacial, com paredes de alumínio, onde os garçons se vestiam como os personagens de Star Trek.
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| Boite Discovery (Acervo André Barros) |
Também participei de muitas festas na Vogue em Campina, como DJ convidado. Todas elas foram importantíssimas para a juventude campinense. Eram espaços de muita diversão e descontração, onde nasceram amizades duradouras e até namoros despretensiosos que culminaram em casamentos.
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| Boite Vogue (Acervo Marcelo Arruda-DJ Mostarda) |
BLOG RHCG: Temos em nossos arquivos, um trecho de sua participação no programa do humorista Shaolin na TV Borborema (PARA ASSISTIR CLIQUE AQUI). Você lembra?
JORGITO: Aquele vídeo foi algo absolutamente inesperado, quase um improviso. O programa de Shaolin fazia muito sucesso na TV. Eu estava no estúdio para fazer a locução de um comercial e acabei entrando naquela brincadeira. Lembro que a gravação foi interrompida inúmeras vezes porque nós não conseguíamos parar de rir. Conheci Shaolin ainda como cartunista do Jornal A Palavra. Ele sempre foi muito talentoso. Nos tornamos grandes amigos.
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| Jorgito e Shaolin |
BLOG RHCG: Você hoje está radicado em João Pessoa. Gostaríamos que você nos contasse como ocorreu esta mudança de Campina Grande para a Capital do Estado e quais as principais diferenças das rádios das duas cidades?
JORGITO: No auge das casas de shows em Campina Grande, eu gravava muitos comerciais para o Spazzio e o Forrock. João Gregório, proprietário do Forrock, adquiriu a Rádio Arapuan e me convidou para apresentar alguns programas durante os finais de semana. Eu ainda era locutor da Campina Fm e fiquei um bom tempo fazendo essa ponte Campina - João Pessoa. Virei workaholic!
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| Jorgito na Rádio Arapuan em 1996 |
Depois, surgiu a afiliada da Jovem Pan, com programação essencialmente transmitida via satélite. Havia um interesse em dar uma “cor local” à emissora e eu fui chamado para coordená-la. Foi a partir daí que precisei me instalar definitivamente na capital.
Quanto às diferenças entre as FMs pessoenses e campinenses, vejo essencialmente duas: a primeira é que em Campina, como há um número menor de emissoras - e para atender a um espectro mais abrangente do público - as programações são segmentadas por horários, ou seja, uma mesma rádio toca, por assim dizer, forró, música eletrônica e MPB. Aqui em João Pessoa, a segmentação se dá por emissoras, já que existem em maior número. Temos algumas rádios que tocam só forró, outras que tocam só música para o público adulto, outras só transmitem notícias, etc.
Outra coisa que me chama atenção é que em Campina, a maioria dos radialistas das FMs são da própria cidade. Aqui em João pessoa, boa parte dos profissionais é oriunda de cidades como Sousa, Cajazeiras, Guarabira e também Campina Grande, como é o meu caso.
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| Jorgito na Rádio Campina FM em 1996 |
BLOG RHCG: O que você está fazendo atualmente?
JORGITO: Sou coordenador da Rádio Cabo Branco FM, pertencente ao Sistema Paraíba de Comunicação, e estou concluindo o curso de Direito (que havia iniciado ainda nos anos 90 em Campina, na UEPB, e nunca havia terminado). Pretendo seguir a vida acadêmica nessa área. Ainda atuo como DJ, mas diminuí significativamente a quantidade de festas. Os estudos e o convívio familiar ficam bem prejudicados quando você passa todas as noites dos finais de semana trabalhando. A qualidade de vida passou a ser prioridade.
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| JORGITO COMO DJ NA "RECORDANDO A SKINA" EM 15-05-2009 |
BLOG RHCG: Pensa em voltar a Campina Grande para trabalhar em nossas rádios?
JORGITO: Confesso que nunca parei para pensar a respeito. Tudo em minha vida aconteceu repentinamente. Minha única preocupação sempre foi curtir o presente, fazendo de maneira honesta e responsável aquilo que gostava, o que me trazia felicidade. Hoje, sou pai de um garotão de 5 anos de idade. É a felicidade dele e de minha família que me movem agora. Todas as noites, entrego os meus passos seguintes, o meu destino, nas mãos de Deus.
Mas já que surgiu a pergunta, não descarto essa possibilidade. Confesso até que senti um frio na barriga só em pensar. Fazer locução (ou qualquer outro trabalho) em Campina Grande é motivo de muita emoção, muita alegria pra mim. É minha terra, é onde estão minhas raízes e minha ligação com a cidade é muito forte.
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| Jorgito entrevistando o cantor Fábio Jr. para a Rádio Campina FM |
BLOG RHCG: Agradecemos a participação e gostaríamos de saber sua opinião sobre o resgate que o Retalhos Históricos de Campina Grande está fazendo?
JORGITO: Trata-se de um trabalho de valor inestimável, tanto para os campinenses como para qualquer pessoa que queira conhecer, com a maior fidelidade possível, a história de nossa Campina Grande. Outro dia estava vendo sua lista de colaboradores. É muito bacana ver tantas pessoas empenhadas em preservar a memória de nossa cidade. Sempre acompanhei o blog e costumo passar horas lendo as postagens, sentindo-me como se estivesse viajando em uma máquina do tempo, recordando personalidades, lugares e fatos que me são bastante familiares.
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| ENTREVISTANDO REGINA CASÉ - SÃO JOÃO DE CAMPINA |
Deodato Borges marcou época em Campina Grande nos anos 60, pois seus programas no rádio ficaram na história da comunicação campinense.
Deodato mantinha um espaço na Internet, no endereço:
http://deodatoborges.blogspot.com.br/. Lá, escrevia crônicas, relembrava sua vida e contava curiosidades de sua passagem em Campina Grande. Exemplo do fato, são as fotos abaixo:
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1a. foto: Deodato, Ary Rodrigues e Epitácio Soares - 2a. foto: Deodato (auditório)
Montagem: Mike Deodato |
Reproduzimos a seguir, um destes relatos encontrados em seu blog:
"As fotos acima, acompanhadas de áudios da antiga Rádio Borborema, numa montagem feita pelo meu filho Deodato (Mike Deodato, Jr.), despertaram, de repente, dentro de mim, recordações de uma época que passou, mas que fez parte da minha vida e ficou para sempre gravada em minha alma.
Elas remontam ao início da década de sessenta, quando, no alvorecer dos meus vinte e cinco aninhos, em plena juventude, portanto, como produtor da antiga Rádio Borborema de Campina Grande, desdobrava-me na realização de um trabalho que era, ao mesmo tempo, o meu sonho profissional, preparando uma programação para a emissora mais importante daquela região paraibana.
Na época, cabia ao rádio (já que a TV apenas engatinhava e não existia internet) marcar presença em todos os eventos importantes, como carnaval, natal, ano novo, aniversário da cidade e da emissora, etc. e tal. E cabia a mim, como chefe de programação das emissoras associadas locais, produzir programas que agradassem a todo tipo de ouvintes.
Para a criançada e para os adolescentes de então foi que surgiu o seria-do “As Aventuras do Flama”, que ia ao ar, de 2ª. â 6ª. Feira, às 13.00 horas, estendendo-se por mais de de 2.200 capítulos, dando nome e força ao herói paraibano. Para os adultos, programas variados, como “Bom Dia Para Você” (crônica diária, que ia ao ar às 11.00 hs., sempre enaltecendo uma figura de alguém em destaque), “Encontro com o passado” (programa diário, às 5 da manhã, feito com músicas antigas, com legendas e atendimento aos ouvintes), “A Semana em Revista” (aos domingos, às 19.00 horas), “Epopéia do Samba” (às 20.00 horas, também aos domingos), “Teatro do Outro Mundo” (Rádio-teatro, com peças fantasmagóricas, às 22.00 horas, encerrando a programação domingueira), “O Cinema em Sua Casa” (filmes famosos em rádio-teatro, com trilhas autênticas), “Patrulha da Cidade” (fazendo com a bandidagem, mas sem deixar a peteca cair, de segunda a sábado, ao meio-dia), “Seu Encrenquinha” (divertidas criticas, enfocando problemas da cidade, às 12.45 hs., diariamente) e “Linhas Cruzadas” (humorismo, envolvendo cenas do cotidiano), tudo escrito e produzido com extrema, a fora as novelas que iam ao ar no horário nobre, às 20 horas, de segunda a sábado, variando entre as de minha autoria e as de Fernando Silveira, um verdadeiro gênio da dramaturgia, com quem aprendi quase tudo o que sabia sobre rádio.
No período carnavalesco, o bom mesmo era criar algumas marchinhas em cima de temas de novela, como “Paixão de Cigano”, ou envolvendo o disse-me-disse sobre óvnis, como é o caso do “Disco-Voador”, e deixar que intérpretes como Silvinha de Alencar, Maria do Carmo, Vicente Andrade e tantos outros cantassem, sob a regência do maestro Nilo Lima e sua orquestra Borborema.
A fora tudo isso, ainda existiam os momentos especiais, como na sexta-feira santa, quando eram transmitidas peças bíblicas devidamente radiofonizadas e com interpretação impecável do nosso “cast” de rádio-teatro.
São momentos que fizeram parte da minha vida e que preciso, de vez em quando, relembrá-los, antes que os esqueça". (Por Deodato Borges)
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Pode deixar. O "Retalhos Históricos de Campina Grande, não deixará ser esquecido, inesquecível Deodato Borges, a começar pelo áudio que você citou, que todos podem escutar clicando abaixo:
Infelizmente, Deodato Borges se foi em 25 de agosto de 2014, após seu filho, o consagrado desenhista Mike Deodato, assim noticiar em sua página no Twitter:
Não. Nem Deodato morreu, nem tampouco o Flama. Sempre existirão na memória daqueles que escutaram suas aventuras no rádio.
DEODATO BORGES é mais um retalho da história de Campina Grande!!!!

O áudio que disponibilizamos a seguir é histórico. O conhecido radialista de Campina Grande, Zé Lira, entrevistou em 2004 o saudoso cronista esportivo Humberto de Campos, figura marcante da história da comunicação de nossa cidade. No áudio do programa "Encontro Marcado", Humberto contou sua história, curiosidades do passado, do nosso futebol, do cinema e causos do cotidiano campinense. Agradecemos a Toninho Lima, que cedeu o arquivo sonoro a Manoel Leite, o "Leitinho", colaborador do RHCG. O áudio pode ser escutado a seguir:
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| José Lira, radialista (Foto cedida por Denise Lira, sua filha) |
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| Humberto de Campos |
Recebemos do colaborador Manoel Leite, o "Leitinho", um arquivo do acervo de Toninho Lima, conhecido locutor da Rádio Campina Grande FM e a quem agradecemos a confiança. Trata-se de um pequeno trecho do programa "Falando de Cinema" da Rádio Borborema, na voz do saudoso e inesquecível
Humberto de Campos.
Como o próprio nome diz, o programa falava sobre os filmes clássicos e os lançamentos do período em destaque, por exemplo, o programa que disponibilizamos é o de maio de 1977.
Para escutar é só clicar abaixo:
(por Rau Ferreira)
Dotado de grande intelectualidade,
Mauro da Cunha Luna (1897/1943) destacou-se em Campina pelas suas publicações culturais.
Professor, contador e diretor da Biblioteca Municipal, redator d’A Voz da Borborema, fundou em 1915 o “Renascença”, que circulou por três anos.
Autor de “Horas de Enlevo”, compôs o hino do Colégio das Damas.
O poema a seguir permaneceu quase que inédito, pois a publicação a seguir não teve muita circulação na Parahyba.
CAMPINENSE CLUBE
Ouço um brando rumor pela amplidão em fora,
Um rumor que, sublime,
Com doçuras idéaes, todas as almas vence...
Ouço. E meu coração, que se agita em plethora,
Esquece de repente o mundo, - dor e crime.
Para saudar cantando o egrégio Campinense!
E me fico a scismar e o rumor mais se agita,
Recresce e vibra mais,
Como se, para mim, rompesse, de momento.
Uma bella alvorada, esplendida, bêmdita,
Plena de olor, de som, de accordes festivaes,
Dando-me força ao estro e seiva ao pensamento.
Mas, senhores, que força estranha, incomprehendidida,
Faz-me vibrar assim?
Cheia de alacridade,
Como um mimo do CEO descido para mim?!
- Neste instante, eu me sinto alegre e satisfeito,
E, satisfeito e alegre, à egrégia sociedade,
Venho render, um canto, as véras do meu preito!
É, que no seio ideal do Campinense altivo,
Onde o riso esplandece,
Foi erguido um altar à Belleza e à Poesia...
O espírito, a subir e a subir mais, floresce
Em risos de esperança e cantos de harmonia!
Vêde. Pelo salão anda uma alegria intensa...
Cada rosto traduz os sentimentos d’alma...
Bem haja, pois, a crença
Excelsa, salutar,
Que nos brilhou no peito e nos mandou a palma
Dessa grande Victoria esplendida buscar!
Campinense altaneiro! Eu te saúdo a glória!
Eu te saúdo e exalço, olympico colosso!
- quero ver-te seguir, de Victoria em Victoria,
Para graudio do meu áureo ideal de moço!
São guardas ao teu lado, - esse mancebos fortes,
Para te soerguer, - eis outras sentinelas.
- Refiro-me às liriaes e cândidas cohortes
Das pláscidas donzellas,
Em cujo coração, rindo e cantando, impera
A crença que illumina a tua primavera!
Recebe, pois, o canto insulso, mas sentido,
Que, com viva alegria, eu te offereço, - e vence!
Vence! Vence o torpor, a insipidez, o olvido,
E sobe, e sobe mais... Assim, ó Campinense!
MAURO LUNA
(Campina Grande – Parahyba)
Referência:
- Site Retalhos Históricos de Campina Grande – RHCG, disponível em: http://cgretalhos.blogspot.com.br, acesso em 20/04/2013.
- LUNA, Mauro. O Campinense. O Malho, Ano XIX, N. 929. Rio de Janeiro/RJ: 1920.
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| Logo da TV Paraíba |
Em comemoração ao dia mundial das telecomunicações, publicamos um registro do pioneirismo da TV Paraíba nas transmissões ao vivo e de seus colaboradores. Os documentos são oficiais dos arquivos de Aídes Brasil de Arruda, que entende como poucos o objetivo do RHCG e a quem agradecemos.
UM MARCO HISTÓRICO
Às 16:00 hs do dia 07 de agosto de 1988, diretamente do Estádio Amigão, a TV Paraíba realizou um fato inédito na história da televisão paraibana, quando fez a primeira transmissão ao vivo de uma partida realizada na cidade de Campina Grande, para outra cidade, João Pessoa, a capital do Estado.
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| Estádio Amigão em 07 de agosto de 1988 |
Nos anos 60, a TV Borborema realizou uma transmissão de um Treze e Campinense, porém o jogo ficou restrito a cidade de Campina Grande. Este jogo de 1988 não, foi para outra cidade, o que representou um marco na história da televisão do nosso Estado.
Era a decisão do Campeonato Estadual e para ser possível a transmissão, o Departamento Técnico da emissora de Campina Grande teve de se desdobrar, para instalação em tempo recorde de um link ligando o Estádio Amigão, a Telpa e a Televisão Cabo Branco.
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| O Cinegrafista Josué Luz, operando a sua M-3 durante a partida Treze x Botafogo | | |
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Os trabalhos foram comandados pelo Diretor-Técnico Ednaldo Barbosa, a frente de quase todo pessoal técnico da Emissora. O apoio da Telpa foi imprescindível, que instalou uma linha telefônica direta na cabine, para prevenir possíveis eventualidades.
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Equipe de cinegrafistas, postados em na cabine de locução.
Em primeiro plano: Edinaldo, Silvio, Valdeci, Josué Luz (cinegrafista) e Silvio Vieira |
A narração da partida foi de Roberto Hugo, com comentários de Clélio Soares. O repórter de pista foi José Vieira Neto.
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| O narrador Roberto Hugo com binóculos |
A partida que teve o árbitro carioca Aluísio Viug, foi assistida por 9.258 pagantes, que gerou em moeda da época a renda de Cz$ 2.022.250,00.
A partida terminou empatada em 2 a 2, tendo a equipe do Treze como a representante de nossa cidade na final. A equipe trezeana jogou com Jorge Hipólito; Santana, Dão, Edvaldo e Marco Antônio; Ita, Carioca (Wiltinho) e Lula; Bosco (Santos), Isaías e Rildo. Técnico: Caiçara.
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| A equipe do Treze em 1988 |
Seria realizada no domingo seguinte, uma nova partida, novamente no Amigão e igualmente transmitida pela TV Paraíba. No jogo, o Botafogo de João Pessoa sagrou-se campeão estadual ao derrotar o Galo por 2 a 0, gols de Henrique.
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| Botafogo campeão da Paraíba em 1988 |
"O repórter cinematográfico Josué Luz é natural de Campina Grande e recentemente esteve trabalhando no jogo ao vivo do Campinense Clube x Flamengo do Rio de Janeiro. Aí vai um registro de nosso encontro no amigão após 25 anos. Nosso ilustre companheiro, além do futebol, trabalha para o programa Globo Universidade e outras matérias para a rede Globo", nos disse Aides. A foto pode ser vista a seguir:
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| Josué Luz e Aides Brasil |
Mais um "Retalho" de nossa história.
Fonte Utilizada:
Diário da Borborema (Acervo)
Através do repórter cinematográfico Aídes Brasil de Arruda, o blog RHCG disponibiliza alguns registros da memória do jornalismo de Campina Grande: "Resolvi fazer uma homenagem a todos estes profissionais de imprensa, inclusive em funções que não existem mais como o Op. de Vt (profissional que trabalhava com um vt de fita do tipo u-matic, pesando 7kg e que se conectava com a câmera através de um cabo),como veremos nas fotos anexas", relatou Aídes ao blog. Então, vamos as imagens, com texto de Aídes Brasil:
FOTO-01 (julho de 1988); "minha foto de arquivo de jornalismo mais antiga. Um evento no auditório da FIEP.Da esq. p/dir. (o entrevistado,o repórter da Tv Borborema e hoje profº de comunicação social em Caruaru, Carlos Tanouss,o repórter cinematográfico Rogério e eu como iluminador com apenas 18 anos de idade).
FOTO-02 (1991); um evento no teatro. Da esq. p/dir. (gov.Antônio Mariz,o repórter da Tv Paraíba e hoje chefe de jornalismo da Tv Itararé, Anchieta Araújo,o repórter cinematográfico Assis Silva e eu como Op.de Vt), função que foi extinta em 1997 com a chegada, na Tv Paraíba, das câmeras betacam 637.
FOTO-03 (1993); redação do jornal da paraíba. Naquela época todo final de tarde íamos gravar uma chamada com os repórteres do caderno de política,economia,esporte,etc...,com as manchetes do jornal para o dia seguinte. A chamada era exibida à noite durante os intervalos da novela das 20hs na Globo. Da esq.p/dir. (eu, profº Rômulo Azevedo,o iluminador Roberto e o repórter cinematográfico Joacil de Brito).
FOTO-04 (outubro de 2008). Aí vai uma homenagem in memorian ao nosso querido companheiro da Tv Paraíba Walace Alves,que é irmão de Marconi Alves colaborador do nosso Blog.Walace era auxiliar de câmera e motorista da Tv Paraíba por quase 25 anos até a sua aposentadoria.Ele nos deixou a poucos meses,mas estará sempre conosco na nossa memória. Da esq.p/dir.(os repórteres cinematográfico Joacil de Brito,Aídes Brasil e Altair Silva; Walace,ao centro e os assistentes Henrique,Salvan e Alberto,além do repórter cinematográfico Damião Tomé).