Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa

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Em matéria proposta pelo Instituto Histórico de Campina Grande, o projeto de lei apresentado à Câmara Municipal de Campina Grande, de autoria do vereador Miguel Rodrigues (PSC), de tornar obrigatório o ensino da História de Campina Grande para alunos do 9º ano da rede municipal de ensino foi aprovado e sancionado pelo prefeito Romero Rodrigues. 

Com a sansão, o projeto tornou-se a Lei 5916/2015 e entrará em vigor neste ano mas, cabe à Secretaria de Educação do município regulamentar e implementar a metodologia na rede.

Em entrevista à Rádio Campina FM, a presidente do Instituto Histórico de Campina Grande (IHCG), Ida Steinmuller, explicou que a 4ª edição do trabalho do Dr. Elpídio de Almeida sobre a história de Campina, que será publicado em junho deste ano, será o livro referência para pesquisadores e os estudantes da rede, entretanto, ela ressaltou que cabe à secretária de Educação do município, Iolanda Barbosa, regulamentar e implementar a metodologia na rede.

Clique abaixo para ouvir a matéria veiculada no Jornal Integração da Campina FM, apresentado por Lenildo Ferreira e Kalilka Vólia, no dia 11 de Fevereiro de 2016.


Vencedor em primeira audição do Prêmio Esso Standard do Brasil, em 1954, o então menino Gabimar Cavalcanti Albuquerque foi homenageado pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, maior veículo de comunicação do Brasil na Era de Ouro, no dia 21 de Julho daquele mesmo ano com a execução da música “Sonhando”, samba-canção de sua própria autoria, executada ao acordeom.

Este áudio histórico foi cedido ao Blog RHCG pela equipe do Programa Mesa de Bar, da Rádio Cariri AM, nas pessoas de Gustavo Ribeiro, Joacir Oliveira e Léo Montanha, a partir da cessão pretérita do radialista Hugo Alves da Rádio Caturité que resgatou essa preciosidade dentre seu acervo pessoal.




COBERTURA JORNALÍSTICA:

A imprensa local aproveitou o fato da presença do músico Gabimar Cavalcante na Cidade Maravilhosa para desenvolver reportagens, à exemplo das fotos a seguir, do acervo do jornal "Última Hora", do dia 19 de Julho de 1954.

Gabimar foi um dos fundadores do célebre conjunto de bailes "Ogírio Cavalcante", que tanto animou festas em nossa cidade e em todo o Nordeste.







Cliquem abaixo para ampliar, a reportagem do dia 20-07-1954 publicado no jornal "Última Hora":


Nosso colaborador José Ezequiel do blog Tataguaçu, achou outro "recorte" da Revista "O Cruzeiro" relatando o então jovem campinense:



CAMPINA GRANDE ANTIGA-JORNAL CORREIO DE CAMPINA-12 DE JUNHO DE 1927

Pesquisa de Jônatas Rodrigues Pereira

Sim pessoal, existiram bondes à gasolina em Campina Grande. De acordo com minhas pesquisas matinais no acervo do Museu Histórico de Campina Grande-PB, isto aconteceu no ano de 1927, de acordo com o extinto jornal campinense "Correio de Campina", que tinha o diretor o Sr. Ernani Lauritzen. 

De acordo com minhas pesquisas, a circulação de bondes em Campina Grande teve vida efêmera, durando apenas um ano entre 1926/27, inaugurado em 15 de novembro de 1926, existiam duas linhas que circulava na urbe, a das Areias (atual Rua João Pessoa) e a do Açude Velho, que terminava em frente a estação ferroviária. 

A princípio a empresa funcionou regularmente, contendo seis bondes de passageiros e quatorze reboques para a condução de mercadorias. Não obstante o privilégio no serviço de transporte, que que resultaram em algumas greves e sabotagens dos donos de caminhões prejudicados com o contrato. Meses depois de instalados em Campina Grande, por deficiência técnica, os bondes passaram a descarrilhar na ladeira da Estação (atuais ruas Irineu Joffily e Miguel Couto). O comércio reagiu contra o monopólio dos reboques e o povo, como medida de segurança pessoal, abandonou os bondes. Infelizmente nenhum estudo aprofundado de instalação e segurança dos elegantes bondes movidos à gasolina foi posto em prática, isso de certa forma acelerou sua desativação repentina na cidade, já que não conseguiu suprir a demanda e concorrência com outros setores automotivos.




Graças ao resgate memorialista do ex-vereador campinense, jornalista Assis Costa, hoje o BlogRHCG disponibiliza um áudio histórico, relembrando o inesquecível comunicador Geraldo Batista, em sua despedida das rádios da Rainha da Borborema, anunciando sua saída para assumir novos desafios profissionais, gerenciando a TV Mearim, da cidade de Bacabal, no estado do Maranhão.

Em transmissão gravada da Rádio Panorâmica FM, participam do áudio: Marcial Lima, Walmir Lima e o  Deputado Damião Feliciano, além do próprio Geraldo Batista, que marcou época no Rádio e TV de Campina Grande.

Geraldo nasceu em Juazeiro do Ceará em 16 de setembro de 1950 e faleceu em Campina Grande, no Hospital da FAP, no dia 27 de junho de 2008, estando sepultado no Campo Santo Parque da Paz.


Para escutar é só clicar no "player" abaixo:


Nossos agradecimentos a Assis Costa.

Geraldo Batista - TV Borborema

Uma alegria daqueles que fazem o blog “RHCG” é o de tomar conhecimento que o conteúdo desta página está servindo de ajuda para a elaboração de várias obras, como por exemplo, a excelente monografia “Modernização e Modernidade: Uma Leitura sobre a Arquitetura Moderna de Campina Grande (1940-1970)” de Adriana Leal de Almeida Freire. Foi justamente nela que encontramos uma foto que chamou nossa atenção, que é o antigo abrigo para passageiros de coletivos urbanos e interurbanos, que se localizava no bairro da Conceição. A imagem, que pode ser visualizada a seguir foi encontrada nas páginas do Diário da Borborema de 19 de julho de 1959:


Por certo tempo ficou a dúvida para os autores deste blog, o local exato do abrigo. Ela foi encerrada após a observação da figura a seguir, foto de autor desconhecido (entrem em contato conosco para crédito):


A priori, a identificação ainda está prejudicada, porém como pode ser visto a seguir, uma coluna em “Y”, comum em ambas as obras, soluciona toda a dúvida:


No local exato do abrigo de 1959, localiza-se hoje uma Farmácia, nas esquinas da Rua Índio Piragibe e Ponto Cem Réis.

A Rua Índio Piragibe por sua vez é um dos locais mais antigos de nossa cidade. Segundo a obra “Memorial Urbano de Campina Grande”, Piragybe significa Braço (Jyba) do peixe (Pirá). O braço vem a ser a barbatana do peixe. O Índio a que se refere à rua, foi o chefe Tabajara, aliado dos portugueses no rio São Francisco desde 1573 e na Paraíba em 1585. Morreu centenário, no começo do século XVII, aliado com os seus, perto da cidade da Paraíba (João Pessoa).

A Rua do Bairro da Conceição foi o ponto de encontro de inúmeras gerações de campinenses. Até o poeta Ronaldo Cunha Lima em sua obra “Roteiro Sentimental” foi inspirado pelo logradouro:

Índio Piragibe

Rua Índio Piragibe,
no bairro da Conceição,
ainda hoje exibe
um cenário de emoção.
Das janelas, pelas brechas,
nós dois trocamos flechas
de amor no coração

(Ronaldo Cunha Lima)

A Rua Índio Piragibe atualmente está feia, mal cuidada, esperando um melhor futuro como pode ser visto abaixo:



Pedimos ao Poder Público Municipal, hoje famoso por seus recapeamentos, que recupere a tradicional via de nossa cidade.

ATUALIZAÇÃO - 05 DE FEVEREIRO DE 2016

(Rua Indios Piragibe em 2016)


Em 06 de Maio de 2012, publicamos esta matéria relembrando a Rua Índios Piragibe no bairro da Conceição, uma das ruas mais tradicionais de nossa cidade e pedindo a intervenção do poder público na restauração de seu recapeamento. Em 2016, tal feito foi concluído e sabemos da importância desta postagem no processo, destacando assim a importância do blog como um Serviço de Utilidade Pública. Ficamos envaidecidos e agradecemos.

Fontes Utilizadas:

-Modernização e Modernidade: Uma Leitura sobre a Arquitetura Moderna de Campina Grande (1940-1970) de Adriana Leal de Almeida Freire.
-Diário da Borborema (Acervo)
-Memorial Urbano de Campina Grande, obra de José Edmilson Rodrigues; Edmundo Oliveira Gaudêncio; e Silvestre Almeida Filho – Editora A União
-Roteiro Sentimental de Ronaldo Cunha Lima – Editora Grafset
-Agradecimentos a Manoel Leite pela ajuda na identificação da foto de 1959

Através da colaboração de Alberto Soares, que postou em sua página pessoal do Facebook, trazemos para o BlogRHCG uma foto do ano de 1963, que retrata a Casa Paroquial anexo à Matriz de São José, no Bairro de José Pinheiro.

A Casa Paroquial é a residência 'oficial' dos padres que recebem a responsabilidade de assumir a Paróquia, antes da sua construção, estes párocos moravam no 1º pavimento do Círculo Operário Católico, localizado nas proximidades da Igreja.

O terreno para edificação da Casa Paroquial, bem como da Igreja de São José, foi fruto da doação do Sr. Pedro da Costa Agra, que era detentor de toda a extensão territorial de onde hoje é o Bairro de José Pinheiro.


Discursa Argemiro Figueiredo, tendo ao seu lado esquerdo (no centro da foto) o então candidato à prefeito Ronaldo Cunha Lima. Figuram, ainda, na imagem à direita, Eraldo César e Orlando Almeida, candidato à vice-prefeito de Ronaldo. Vê-se parte do rosto do fotógrafo Sóter Carvalho, à esquerda, que disputou uma vaga na Câmara Municipal.

Com a ajuda de Felipe Borborema Cunha Lima, também identificamos que a criança que Ronaldo abraça é seu filho Ronaldinho, atual vice-prefeito de Campina Grande, enquanto o garoto loiro à direita próximo à Eraldo César, é Ivanhoe, filho de Ivandro Cunha Lima.

Agradecemos ao jornalista Marcos Marinho, que nos enviou o excelente registro fotográfico, de profundo valor Histórico.
Rau Ferreira*



HORTÊNSIO de Souza RIBEIRO nasceu em Campina Grande no dia 31 de janeiro de 1895, filho de João Maria de Souza e de Minervina de Miranda Lima. Escritor, advogado e jornalista, foi o mais campinense dos campinenses.

Iniciou seus estudos primários no Colégio São José, e fez o curso preparatório no antigo Grêmio de Instrução, na Capital.

Em 1903, matriculou-se na Faculdade de Direito do Recife, não chegando a fazer os exames de final de ano por motivos de saúde.

Não mediu esforços para tentar reabrir as prensas da Gazeta do Sertão, jornal editado em Campina por Irineu Jóffily e que foi empastelada em 1891.

Em 1910, viajou para o Recife na tentativa de reunir recursos para fazer circular esta folha. A esse respeito, noticiava A Província de Pernambuco:

“Visitou-nos hontem à noite o Sr. Hortencio Ribeiro, que se acha há dias nesta cidade tratando de reunir elementos indispensáveis à publicação de um jornal em Campina Grande, onde reside.

Esse periódico, que começara hebdomadário, denominar-se-à Gazeta do Sertão, a qual, assim reaparecerá em segunda phase, pois a sua primeira épocha pertenceu ao dr. Irineu Jóffily que foi o seu fundador.

O próximo número deverá surgir no domingo vindouro sob a exclusiva direcção do Sr. Hortencio Ribeiro, que à referida Gazeta pretende imprimir uma feição accentuadamente opposicionista, de combate franco às oligarquias.

Ao Sr. Hortêncio Ribeiro agradecemos a visita e ao seu futuro jornal desejamos todas as prosperidades” (A Província: 20/03/1910).

Esta empreitada só veio à lume em 1923. Contudo, o periódico teve vida efêmera, circulando na cidade Rainha da Borborema, em sua segunda fase, por tão somente um ano.

Em 1914, transfere seu bacharelado para a então Capital da  República, colando grau em 1918. Ainda no Rio, tentou estudar medicina, mas abandonou o curso no segundo ano, retornando para Campina Grande.

Embora fosse afilhado de Christiano Lauritzen, não seguiu a mesma ideologia política, preferindo a corrente filosófica de Augusto Comte.

Na sua terra natal, passa a exercer a advocacia, cujo escritório era referência para jovens que desejam ingressar nas artes literárias, participando ativamente de diversos grêmios, citemos: “Gabinete de Literatura Sete de Setembro” e “Centro de Estudos Campinenses”.

Convolou núpcias em 1939 com a Senhora Maria de Moura Ribeiro, com quem teve quatro filhos: Maria de Molina, Rosália Maria, João Hortênsio e Jacinta de Fátima.

Colaborou com diversos jornais paraibanos, publicando crônicas e ensaios.

N'A Imprensa – jornal da Arquidiocese da Paraíba – manteve por muitos anos a sua coluna “Nota do Dia”, escrevendo ainda para A União, A Voz da Borborema, Revista do IHGP e Jornal do Comércio, do Recife.
Ingressou no magistério, lecionando História Geral e do Brasil em diversos educandários da Paraíba.

Ao lado de Matias Freire e Coriolando de Medeiros, fundou a Academia Paraibana de Letras, ingressando em seus quadros em 14 de setembro de 1941.

Faleceu em 15 de novembro de 1961, sem deixar livros no prelo. Todavia, sua esposa reuniu em um único compêndio, intitulado “Vultos e Fatos”, parte de suas crônicas e coletâneas de perfis biográficos dos mais destacados personagens da história campinense e paraibana, cuja obra foi lançada pelo Governo do Estado em 1979.



Em Campina, uma estadual de ensino fundamental e médio no bairro do Catolé, foi denominada em sua homenagem.

(*) Cidadão esperancense, bacharel em Direito pela UEPB e autor dos livros SILVINO OLAVO (2010) e JOÃO BENEDITO: O CANTADOR DE ESPERANÇA (2011). Prefaciador do livro ELISIO SOBREIRA (2010), colabora com diversos sites de notícias e história. Pesquisador dedicado descobriu diversos papéis e documentos que remontam à formação do município de Esperança, desde a concessão das Sesmarias até a fundação da Fazenda Banabuyê Cariá, que foi a sua origem.

Referência:
- A PROVÍNCIA, Jornal. Ano XXXIII. Edição de Domingo, 20 de março. Recife/PE: 1910.
- ARAÚJO, Maria de Fátima. Paraíba, imprensa e vida: jornalismo impresso 1826 a 1986. 2ª. Edição. Editora e Jornal da Paraíba: 1986.
- COSTA, Cláudio Santa Cruz. O campinense Hortênsio Ribeiro. In: Revista da APL, Nº 08. João Pessoa: 1978.
- FILHO, Lino Gomes da Silva. Síntese histórica de Campina Grande, 1670-1963. Grafset: 2005.
- GAUDÊNCIO, Bruno. Quem foi Hortênsio Ribeiro? In: http://almanaquecampinagrande.blogspot.com.br/. Acesso em 10/09/2012.
- RIBEIRO, Hortênsio de Souza. Vultos e fatos. Governo do Estado. João Pessoa/PB: 1979.

Hoje, 30 de janeiro, é comemorado o Dia da HQ Nacional. Somos um país com uma diversidade enorme de profissionais consagrados nesta área, à exemplo do quadrinista Maurício de Sousa.

Um orgulho nosso, da terra, mais precisamente de Campina Grande, é o desenhista Mike Deodato, filho do saudoso Deodato Borges, que fez carreira na área dos quadrinhos e é um dos mais conhecidos em todo o mundo pela sua arte. 

Atualmente é contratado da Marvel Comics, dos EUA, empresa hoje pertencente a Disney.

Em comemoração à data, postamos abaixo a entrevista concedida por Mike Deodato à Adriano Araújo, com exclusividade para o Blog Retalhos Históricos de Campina Grande.

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Por Adriano Araújo

Um dos dois desenhistas brasileiros mais conhecidos internacionalmente (o outro é Mauricio de Souza), já foi o responsável pela arte de heróis como Homem-Aranha, Batman, Thor, Vingadores e Mulher Maravilha. É filho de uma lenda do rádio campinense, Deodato Borges o criador do Flama, que infelizmente faleceu no ano de 2014. O Retalhos Históricos de Campina Grande tem a honra de bater um papo com o desenhista e quadrinista Mike Deodato, gente da terra que faz sucesso lá fora.

BLOG RHCG: Você nasceu em Campina Grande, nos conte como era sua vida na Rainha da Borborema, bairro que morava e o que você lembra de sua infância na cidade?

MIKE DEODATO: Brincadeiras no meio da rua, sem preocupação com trânsito, assaltos ou violência. Um tempo lindo que não volta mais.

Mike Deodato, último da esquerda para a direita, brincando com seu irmão Deni (segundo da esquerda para a direita)
 e suas irmãs: Delba e Denize   (primeira e terceira na foto, da esquerda para a direita)
(ACERVO PESSOAL FAMILIA DEODATO)

Obs: Segundo Mike, "a foto em preto e branco deve ser de 1968. De acordo com minha mãe, era um conjunto habitacional no bairro de Santa Rosa, perto de uma linha de trem e perto de um empresa chamada Fumetil- Fumetal Fundicao e Metalurgica SA", disse ao RHCG.

BLOG RHCG: Existe um vídeo no Youtube, em que você fala que a sua lembrança mais clara de Campina é o edifício "Abdallah", que se localiza no Centro de Campina Grande. Qual o motivo? 

Edifício ABDALLAH,  na esquina da rua Padre Ibiapina no Centro de Campina Grande
(FOTO: Adriano Araujo)

MIKE DEODATO: O tempo que morei no Edifício Abdallah foi o que mais me marcou. Havia uma pracinha no topo que era nosso canto mágico. Lá brincávamos de bola, pega, esconder, bicicleta. Visitei-o recentemente e a emoção foi fantástica. 

NOTA DO RHCG: As fotos da visita ao edifício podem ser visualizadas a seguir, fotos do acervo de Mike Deodato.




BLOG RHCG: O seu pai, Deodato Borges, fez a primeira revista em Quadrinhos do Nordeste, “As Aventuras do Flama”, editada pela gráfica de Júlio Costa de Campina Grande, e que acabou saindo pelo Diário da Borborema. Existe projeto para uma futura reedição da revista?

MIKE DEODATO: Estou produzindo, junto com a Fundação Espaço Cultural uma reedição da revista exatamente como foi publicada 51 anos atrás. Deve sair muito em breve.

A REVISTA FLAMA
(FOTO DIVULGAÇÃO)

Para a alegria dos fãs dos quadrinhos, a Revista Flama em breve será reeditada
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Já que falamos em Deodato Borges, não podemos deixar de mencionar que ele é um verdadeiro ícone do Rádio de Campina Grande. Suas “Aventuras do Flama” começou na Rádio Borborema e depois foi transmitida também pela Rádio Caturité. Quais suas lembranças deste período?

MIKE DEODATO: Lembro de ficar em frente do rádio imaginando os cenários fantásticos descritos pelo narrador. Era tudo muito excitante e, as vezes, assustador, dependendo do tema.

BLOG RHCG: Nosso colaborador, o professor universitário Mario Vinicius Carneiro Medeiros, autor do livro que conta a história do Treze FC e profundo conhecedor das “Coisas de Campina”, nos enviou uma pergunta: “Gostaria de saber se Mike Deodato recorda de um programa da TV Borborema, em que o seu pai iniciava assim: E agora, vamos ver o que acontece nesta cidade de quase duzentos mil habitantes...”?

MIKE DEODATO: Eu confesso ter muito pouca memória da época. Quando ouvi um dos poucos episódios do Flama depois de grande, me vieram pedaços de lembranças ao ouvir os comerciais de bicicleta e chocolate, mas, infelizmente, tudo muito vago. Forte ficou a sensação de uma infância feliz.

BLOG RHCG: Qual o motivo que fez sua família se mudar para João Pessoa?

MIKE DEODATO: Acredito que Painho veio para trabalhar no Jornal O Norte, isso em 1972/73.

BLOG RHCG: Infelizmente, Deodato Borges faleceu este ano (2014) e pelas suas entrevistas, observamos que você era um grande admirador dele. Você pretende nos próximos anos fazer alguma homenagem, a exemplo de uma história atual do Flama?

MIKE DEODATO: Tenho uma história escrita por Rodrigo Salem com uma releitura do Flama em andamento e também estamos tentando recursos para um filme dirigido por Sílvio Toledo.

O Flama na arte de Mike Deodato
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: O seu interesse pelos quadrinhos, sabemos que veio de seu pai, porém, como você percebeu que tinha talento e como é seu processo de criação?

MIKE DEODATO: Foi à partir dos treze anos que decidi que seria um desenhista de quadrinhos. Meu processo é muito instintivo: eu dou uma primeira lida no roteiro pra “sentí-lo”, depois faço pequenos rabiscos nas margens durante a segunda leitura. Depois disso passo pros esboços. Depois que estou satisfeito com eles, faço os lápis usando uma mesa de luz pra então fazer a arte-final em nanquim. O mesmo processo ocorre digitalmente, mas com ferramentas digitais

Hulk e Mulher Maravilha desenhados por Mike Deodato
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Como você já disse em entrevistas, seu primeiro projeto pago foi “A História da Paraíba em Quadrinhos” nos anos 80. O material artístico desta produção, hoje uma grande raridade de colecionadores, em nossa opinião é de primeira linha. Foi à única parceria entre você e seu pai?

MIKE DEODATO: De maneira nenhuma. Fizemos dezenas de outras histórias juntos, de diversos temas.

O "História da Paraíba em Quadrinhos" patrocinado pelo Governo do Estado nos anos 80. Mike ainda era "Deodato Filho"
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: O seu nome é Deodato Taumaturgo Borges Filho. Porque a mudança para “Mike Deodato Jr.”?

MIKE DEODATO: Foi sugestão de meus agentes na época em que comecei que acharam que haveria menos resistência ao meu nome por parte de editores e leitores.

Assinatura de Mike Deodato Jr.
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Gostaríamos que você nos contasse um pouco, sobre seu começo no mercado internacional de quadrinhos e como é hoje trabalhar para uma Editora tão grande quanto a Marvel?

MIKE DEODATO: Foi bem parecido com meu começo no Brasil, em pequenas editoras e, vagarosamente, abrindo caminho para editoras maiores. Eu tenho uma excelente relação com a Marvel depois de trabalhar por tanto tempo por lá. Existe um respeito e admiração mútua.

BLOG RHCG: Você tem acesso as mais diversas celebridades, seja do Brasil, sejam internacionais. Como é para um campinense, ser tão reconhecido neste meio?

MIKE DEODATO: Eu nunca penso muito sobre isso. Eu faço o que gosto e me sinto muito sortudo por todo este reconhecimento.

Mike Deodato ao lado da lenda dos quadrinhos, o norte-americano Stan Lee, criador dos grandes heróis da Marvel
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Queremos que você nos conte de sua relação atual com Campina Grande. Você visita a Rainha da Borborema? Acha que merecia ou não, um maior reconhecimento na cidade?

MIKE DEODATO: Eu sou Campinense, como muitos outros. Feliz de ter nascido eu um lugar tão lindo e acolhedor e isso me basta. 

BLOG RHCG: Pretende no futuro fazer alguma obra em homenagem a Campina Grande?

MIKE DEODATO: Um dia, sobre minha infância no Abdallah.

O "ABDALLAH" poderá ser eternizado em história em quadrinhos por Mike Deodato
(FOTO: Adriano Araújo)

BLOG RHCG: Campina Grande fez 150 anos em 2014. Gostaríamos que você deixasse alguma mensagem para a cidade, que tem tanto orgulho de você, filho da terra:

MIKE DEODATO: Saudades!! Um dia eu volto!

Homenagem de Mike ao aniversário de Campina Grande
(DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Agradecemos sua entrevista, nos sentimos honrados e finalizando gostaríamos que você deixasse sua opinião sobre o resgate que o Retalhos Históricos de Campina Grande vem fazendo?

MIKE DEODATO: Incrível! Parabéns!

Scan da Publicação Original (Clique para Ampliar)
Uma curiosidade da qual as gerações contemporâneas de Campina Grande não atenua é a de que Deodato Borges, profissional da radiofonia local nos áureos tempos do rádio desenvolveu um personagem que se tornou sucesso entre as crianças através das aventuras narradas no formato de radionovela.
Deodato Borges

O personagem era o Flama, que ao lado de outros coadjuvantes como o Comissário Laurence, sua noiva Eliana, Bolão e seu amigo Zico, revolucionaram o público infantil no contexto radiofônico na década de 60.

Em seu blog, Deodato Borges explica que o personagem foi uma investida sua, no ano de 1961, como diretor geral da Rádio Clube de Recife buscando manter o nível da audiência da emissora que sofria a concorrência da Rádio Jornal do Comércio, também de Recife, com a transmissão da radionovela “Jerônimo, o Herói do Sertão”, produzida no Rio de Janeiro.

O sucesso de “As Aventuras do Flama” foi imediato.

Voltando à Campina Grande, três anos mais tarde, aceitando o convite do Prof. Stênio Lopes, então diretor da Rádio Caturité, os episódios foram levados ao ar diariamente, de segunda a sexta, às 13:00hs tornando-se sucesso também na Rainha da Borborema, fazendo surgir, inclusive, o Clube do Agente Secreto do Flama, que identificava seus integrantes com carteirinhas que lhes rendiam prêmios e acesso ao auditório da Rádio. 

"As Aventuras do Flama" #01 (1963)
Aproveitando a alavancagem do programa de rádio, Deodato Borges escreveu e desenhou seu personagem na forma de História em Quadrinhos, com clichês confeccionados pelo Diário da Borborema e impressos pela tradicional Gráfica Júlio Costa, vizinhos na antiga sede à Rua Venâncio Neiva.

“As Aventuras do Flama” foi o primeiro seriado radiofônico do Estado da Paraíba e sua publicação impressa foi a pioneira no eixo norte-nordeste no gênero.

Review do Flama por Mike Deodato Jr.
 O personagem Flama faz parte do projeto de “review” a ser desenvolvido pelo seu filho, o quadrinista internacionalmente conhecido como Mike Deodato Jr, famoso desenhista de heróis das gigantes Marvel Enterteinment e DC Comics.

Aos saudosistas, deliciem-se com um dos episódios de "As Aventuras do Flama", postado no Blog Shuffle, cedido por Mike Deodato Jr:



Fontes:
Blog Bloco de Notas: http://deodatoborges.blogspot.com
Blog Shuflle: http://contigo.abril.com.br/blog/shuffle/
 
BlogBlogs.Com.Br