Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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A foto acima, datada do ano de 1957, mostra ex-seminaristas do Seminário Diocesano São João Maria Vianney, em Campina Grande, promovendo a tradicional malhação de Judas na Semana Santa. A foto faz parte do acervo do Seminário, e foi cedida por Anselmo Costa, ex-aluno da instituição.
NOTA.: A ilustração visual desse caso só nos foi possível através da colaboração do fotógrafo campinense Júlio Vasconcelos que nos enviou as imagens utilizadas na postagem que se segue.

Aspecto original da Igreja do Rosário (Anos 40)
O ano era 1956 quando o 'novo' templo da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, localizada no Bairro da Prata, fora acometido de um incêndio, de grande proporção, dito criminoso. 

A igreja, que havia iniciado suas atividades litúrgicas no ano de 1949, sob a direção do Padre Cristóvão Ribeiro da Fonseca, segundo pároco nomeado para a paróquia, envolveu-se em chamas de forma que foi impossível a sua contenção, tendo o fogo consumido tudo que se encontrava acomodado na Capela-Mor e na Sacristia.


Segundo o relato exposto no site oficial da Igreja do Rosário "O fogo devorou tudo [...] cômodas, armários, paramentos, missais, alfaias, etc. O forro e o teto da Capela-Mor vieram abaixo. [...] Escapou, por milagre, a imagem de Nossa Senhora do Rosário no altar-mor."


 
Ato criminoso, haja visto a profanação de peças sacras, como o arrombamento do Sacrário, confeccionado em mármore com portas de metal, além do sumiço das âmbulas que acomodavam as hóstias consagradas, a polícia deteve o indenciário que assumiu sozinho a autoria do delito em função de furto.


Cidadão que Provocou o Incêndio na Igreja do Rosário (não identificado)
Após a destruição da igreja, teve início uma grande mobilização popular entre os fiéis paroquianos para soerguer o templo e recuperar o que fora destruído pelas chamas, sendo concluídas as obras de reforma no ano de 1959, inclusive com a modificação da torre fronto-central tendo recebido um relógio, doado pelos irmãos Roldão Mangueira e José de Medeiros Camboim, abençoado por Dom Manuel Pereira da Costa, o terceiro bispo de Campina Grande.


Para os frequentadores da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, é possível identificar os nomes das famílias que participaram dessa empreitada pela reforma da igreja através dos belíssimos vitrais que ornam todo o entorno do templo.



Fotos Históricas Enviadas por Júlio Vasconcelos
Fotos Vitrais: Acervo Blog RHCG
Fonte Pesquisada: Site da Paróquia do Rosário: http://rosario.org.br


Uma das coisas que me fascina é andar pela cidade. Não ter hora para voltar e, como um flâneur, dar asas a uma caminhada errante, fluindo ao sabor do vento. Há um quê de mágico em se misturar àquela multidão, ao movimento, ao infinito de gente, prédios e coisas; é uma forma de enxergar algo além do vai e vem de pessoas que, aos montes, tangem suas bagagens e mentes, suas dificuldades e alegrias. Gosto de observar o cotidiano, a ‘mise en scène’ que forma a cidade com todas suas personagens e idiossincrasias. Uma dessas observações, numa sexta-feira, me levou à Rua Maciel Pinheiro no coração de Campina Grande, polo comercial mais importante da cidade.

Estava na Av. Floriano Peixoto admirando o prédio do antigo Grande Hotel, hoje adaptado para o funcionamento das secretarias de administração e finanças da prefeitura municipal. O pensamento me levou para a década de 1940, momento em que era implantado no centro da cidade o estilo arquitetônico art déco na maioria de suas edificações, uma nova roupagem com a qual Campina encararia o futuro, deixando para trás o passado colonial e imperial: “afinal estamos em uma república!”.

Cheguei à calçada do edifício Anézio Leão, prédio onde funcionou a câmara legislativa e hoje é nossa biblioteca municipal, atravessei a rua, na outra esquina pude me abrigar do sol na sombra que o Palácio do Comércio e da Indústria me ofertara. Esse prédio é a sede da Associação Comercial e Empresarial de Campina, antes chamado de Palácio e até início dos anos 1980 sede também da Federação das Indústrias da Paraíba. Nestes dois prédios, que abrem alas para a Rua Maciel Pinheiro, muitas decisões importantes para o destino da cidade foram tomadas.

Na Rua Maciel Pinheiro moravam famílias tradicionais e seu destaque comercial se deu pela instalação da feira livre através de esforços do pernambucano Alexandrino Cavalcanti de Albuquerque, primeiro líder comercial de Campina que construiu um edifício para um novo mercado público concorrendo com o mercado (velho) de Baltazar Luna que funcionou onde hoje é a FURNE. O mercado novo se localizava próximo ao entroncamento com as grandes estradas do Seridó e também do Sertão, num ponto elevado, chegada dos cereais brejeiros (largo entre Maciel Pinheiro e Sete de Setembro). Alexandrino ainda ergueu umas vinte outras casas comerciais centralizando todos os negócios naquela rua; eram quitandas, bodegas, armazéns, etc. A feira passou a ocupar a extensão da Rua Maciel Pinheiro à sombra de frondosas gameleiras de 1864 até sua mudança para o lugar atual em 1939.

Sentado em um de seus bancos, olho os contornos do art déco de hoje e me vem o exercício de identificar onde foi o Cine Theatro Apollo (1912) e o Cine Fox (1918), cujos proprietários eram adversários políticos e usavam seus empreendimentos nas disputadas campanhas políticas. Interessante é que na época do cinema mudo no Cine Fox, os filmes eram acompanhados pelo piano de Lourenço da Fonseca Barbosa, o famoso Capiba. Ao longe eu estimava onde seria o Mercado Novo e a Casa Inglesa de 1877; a padaria de Neco Belo (mecenas de antigos carnavais); a fruteira de Cristino Pimentel e suas animadas reuniões; o Bar Macaíba, organizado pelos irmãos Francisco e Assis Macaíba, para onde iam personalidades como Elpídio de Almeida, Félix Araújo, Severino Cabral e Plínio Lemos. Rua que pulsou e pulsa a história da cidade.

Rua sede dos desfiles carnavalescos, d’onde rios de serpentinas desciam das sacadas tornando-se cordas onde os rapazes subiam para admirar os sorrisos das senhoritas mascaradas. Sobre o carnaval, recolhi uma história bem interessante de dona Efigênia Farias, me relatou que no carnaval de 1941, durante o desfile de corsos, ela

estava acompanhada e “um belo moço passou por mim e jogou confetes, ele sorriu e eu sorri também. Marminina, meu namorado morreu de ciúmes e pouco tempo depois ele foi me deixar em casa”. Rua do Natal nos idos de 1970, atraindo a população que participava das festividades na Matriz e seguia para o passeio onde admirava vitrines enfeitadas e iluminadas; Rua da Boate Skina e da Livraria Pedrosa, da antiga sede do Treze F. C., do calçadão que tomou toda a rua nos tempos do Prefeito Enivaldo Ribeiro.

Rua Grande, Rua da Feira, Rua das Gameleiras, Rua (ou estrada) do Seridó, Rua do Comércio, Rua da Independência, Rua Uruguaiana e Praça Epitácio Pessoa, todos esses foram nomes que a Rua Maciel Pinheiro ganhou ao longo dos tempos, marcas da historicidade de uma cidade que sempre esteve em modificação. Fui embora olhando para seus quatro cantos, admirado com sua história, reverenciando sua importância para a Rainha da Borborema.

"Campina Grande, 1980.
Um policial veterano e um jovem jornalista deixam suas diferenças de lado para descobrir quem atua em um perigoso grupo de extermínio. 
Ao mesmo tempo, um super-herói aposentado e amargurado enfrenta um triste dilema."

Esta é a ideia central de uma trama que está sendo desenvolvida, em quadrinhos, a partir dos argumentos e arte de Klayner Arley e roteiro de Astier Basílio e Willy Marques, com foco na Campina Grande da Década de 1980, na época do grupo de extermínio 'Mão Branca'.

O projeto está em sua fase inicial de execução e, desde já, esperamos ansiosos por este lançamento que trará vários elementos do cotidiano pretérito da nossa Rainha da Borborema, no formato de uma História em Quadrinhos.



Recebemos a foto acima, gentilmente cedida por Gilmara Rodrigues, à quem agradecemos, e já nos surpreendemos pela inusitada presença da famosa estátua da Samaritana, do artista plástico pernambucano Abelardo da Hora! 

Surpresa, sim, pois em postagens mais antigas, com fotos da Década de 1960, vemos a citada estátua do outro lado da Praça!

Ao longo do tempo, entre reformas ocorridas, esta área funcionou as Praças Índios Cariris e José Américo na Praça da Bandeira e, esta foto nos mostra parte do seu aspecto no ano de 1975, onde vemos uma fonte com a sugestiva estátua da Samaritana com o pote na cabeça ao lado e ao fundo o abrigo de ônibus onde, hoje, se encontra o famoso ponto de encontro do Café Aurora.




Interessante imagem encontrada na Revista Manchete de 1972, mostrando uma foto ampla da cidade de Campina Grande:




Imagem histórica extraída da extinta Revista Manchete de 1990:




Ao longo da história do "RHCG", já publicamos um farto material sobre o movimento messiânico "Borboletas Azuis", que fez o Brasil inteiro se interessar pelo Bairro do Quarenta, que abrigava a "Casa de Caridade Jesus no Horto". 

Nas páginas da já extinta Revista Manchete da Editora Bloch, encontramos as reportagens que publicamos a seguir. A primeira do ano de 1979, relata para os leitores brasileiros o que era o movimento,a qual podemos visualizar abaixo (Cliquem para ampliar):









Em 1980, a Revista Manchete novamente voltou a cidade, para contar o que aconteceu com o movimento (cliquem para ampliar):







Para ler as outras matérias sobre o movimento:

http://cgretalhos.blogspot.com/2009/08/os-borboletas-azuis.html

http://cgretalhos.blogspot.com/2012/12/os-borboletas-azuis-no-diario-da.html

http://cgretalhos.blogspot.com/2012/05/com-roldao-mangueira-nem-pedro-afunda.html

http://cgretalhos.blogspot.com/2012/05/memoria.html

O registro foi encontrado em uma edição da Revista Machete da Editora Bloch do ano de 1957:



A modernidade do Edificio da Associação Comercial, contrastava com os jumentos caminhando tranquilamente pela Avenida Floriano Peixoto.
por Rau Ferreira

O Monsenhor João Borges de Sales nasceu em Esperança, no dia 27 de novembro de 1872. Foram seus pais José Francisco Borges Pessoa e Belisa Maria Pessoa. 

Viveu aqui até os 13 anos, quando foi morar com o seu tio e padrinho, Luiz Francisco de Sales Pessoa, que era vigário de Campina Grande. Este padre lhe educou e o fez ingressar na escola eclesiástica por volta de 1894. 

Formou-se padre em 26 de março de 1898, prestando serviços em diversas cidades do interior da Paraíba e do Rio Grande do Norte (a exemplo de Jardim dos Angicos). 

Retornando à Campina em 1899, foi auxiliar o tio, Vigário Sales, inclusive ajudando-o a reformar a Igreja do Rosário.

Falecendo o Monsenhor Sales, em 15 de agosto de 1927, assumiu no dia 28 daquele mês e ano, o paroquiato de Nossa Senhora da Conceição, o agora Cônego João Borges, que até então era vigário coadjutor em Campina Grande. Permaneceu naquele cargo até 21 de janeiro de 1929. 

Por essa época, foi responsável pela reformulação da Igreja da Guia, no bairro de São José.

Consta, ainda, da história eclesiástica campinense, que um ano após o falecimento do tio, o Padre João Borges erigiu um mausoléu para servir de depósito de seus restos mortais. Este monumento se localizava na parte posterior da Matriz, onde hoje é o Centro Pastoral. 

Ofertou parte da sua propriedade Antas, possibilitando a criação da Diocese de Campina Grande; a outra parte foi dividida entre os posseiros, tornando-os pequenos proprietários.

Por seis anos permaneceu a cargo do Bispo Diocesano, D. Otávio de Aguiar, entre os anos de 1956 e 1962. Ascendeu ao título de Monsenhor quando foi nomeado Camareiro Secreto do Santo Padre Pio XII.

Cristino Pimentel, em uma de suas crônicas, traçou o seguinte perfil do velho Monsenhor Borges:

“Era um bom servo de Cristo. Poucos assemelhavam-se a ele no cumprimento do dever sacro. Mansas eram as suas palavras. Manso era o seu andar quando algum dever o obrigava a sair de casa. Ninguém sabia o que fazia a sua mão direita quando a estendia em benefício de um pobre” (Edições Caravela: 2001, pág. 113).

De fato, com idade avançada, movia-se com dificuldade e perdeu a sua visão, na mansão de seu tio, fechando o livro da vida em 1º de janeiro de 1961, aos 88 anos de idade. Foi sepultado no Cemitério de N. S. do Carmo, em Campina Grande. 



Referências:
- DEPUTADOS, Anais da Câmara (dos). Volume XVII, 4ª Edição. Imprensa Nacional. Brasília/DF: 1991.
- O Seminário da Arquidiocese da Paraíba e o jubileu de diamante de sua fundação. Imprensa Oficial. João Pessoa/PB: 1954.
- PIMENTEL, Cristino. Mais um mergulho na história campinense. Edições Caravela. Campina Grande/PB: 2001.
- UCHÔA, Boulanger. História  Eclesiástica de Campina Grande. Campina Grande/PB: 1964.

 
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