Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa

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Apesar da pouca nitidez e definição da foto acima, sua intenção é demonstrar parte da Rua Marquês do Herval na Década de 1930.

Nela vemos o prédio dos Correios ao fundo, parte da torre da Igreja do Rosário e, em primeiro plano, ao centro, a sede do Instituto Pedagógico Campinense, o atual Colégio Alfredo Dantas.

O Instituto contava no ano de 1931 com uma seleta equipe de professores, composta por: Almeida Barreto, Moisés Araújo, Dr. Severino Cruz, Ten.Alfredo Dantas, Lino Fernandes, Dr. Elpídio de Almeida, Dr. Antonio de Almeida, Professoras Erundina Campêlo, Sinhazinha Schuller, Teté Campêlo, Ester Dantas, Yaiá Dantas, Francisquinha Amorim, Maria Coutinho e Sizênia Galvão, conforme dispostos, nesta ordem de citação da esquerda para a direita, na foto abaixo:



Jornal O Século, 1928
Esta foto, publicada na edição nº 5 do jornal O Século, dirigido por Lino Gomes, em 18 de Agosto de 1928, compunha a matéria principal sobre a veneração que havia em Campina Grande ao Monsenhor Sales, que, neste período se completava um ano de seu falecimento.

A imagem registrada se trata de um monumento, ou melhor um mausoléu, em homenagem ao antigo pároco, construído do lado externo da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, onde se depositariam os restos mortais do Monsenhor.

Contando com o auxílio do Professor Mário Vinicius, obtivemos o argumento abaixo.

"No livro 'História Eclesiástica de Campina Grande', o autor Boulanger Uchôa aborda :

"O Cônego João Borges Sales, sobrinho e afilhado do Monsenhor Luís Francisco de Sales Pessoa, que o educou até ordenar-se Sacerdote, como fez igualmente com os dois outros sobrinhos José Borges de Sales e Antônio Galdino de Sales, em testemunho da sua veneração e gratidão ao virtuoso tio, construiu atrás da Matriz um belo mausoléu em cuja base se acham ois restos mortais do Monsenhor Sales". (História  Eclesiástica de Campina Grande - Boulanger Uchôa - 1964 - pg. 104)"

1ª Página - Jornal O Século, 18-08-1928
De acordo com o Pe. Márcio Henrique, atual pároco da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, este monumento estava localizado na parte posterior ao templo, onde hoje está edificado o Centro Pastoral. Quanto ao seu desaparecimento, não há ciência de quando fora destruído mas, com certeza, as relíquias do Monsenhor Sales foram transladadas para o Jazigo do Clero Diocesano, no Cemitério do Monte Santo.

Leia mais sobre Luís Francisco de Sales Pessoa, o Monsenhor Sales, clicando AQUI e AQUI.

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Série de Recortes
Gentilmente cedido pelo colaborador Jônatas Rodrigues
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

O longínquo ano de 1907 é sempre lembrado no contexto histórico como o ano da inauguração da Estação Ferroviária da Great Western, bem como a consequente chegada do trem à Campina Grande.

Esta chegada também simboliza o marco do progresso e do desenvolvimento econômico da nossa cidade! Muitos são os saltos numéricos na quantidade de casas residenciais e comerciais após esta data à Rainha da Borborema.

Para que tenhamos uma noção do quão pequeno era a área urbana central, vejamos a transcrição do mapa acima, com destaque para a legenda das localidades numeradas à direita.

Nessa época, a chefia do Poder Executivo estava à cargo do dinamarquês Cristiano Lauritzen.
Por Maerson Meira       

Travessa Almirante Alexandrino, popularmente conhecida como POROROCA. Situada no coração de Campina Grande, tendo uma entrada na Rua Vidal de Negreiros e duas outras na Rua João Tavares. Coincidentemente, as suas entradas ficam de frente a dois importantes estabelecimentos históricos da cidade: Na da Rua Vidal de Negreiros, olha meio que de ladinho para O Salão Campinense, barbearia muito antiga e tradicional; E nas outras duas da Rua João Tavares, miram à antiga clinica e hospital SAMIC, que é um capítulo aparte, e que deve ser contado em outro episódio.

A Pororoca - Arte de Marcus Nogueira

Morada de inúmeros ilustres cidadãos e pessoas comuns de mesma importância, esta rua teve relevância fundamental para algumas pessoas, inclusive para este autor que vos escreve, que jamais serão esquecidas. Cito: Foi moradia do deputado Rômulo Gouveia, onde além de sua própria casa, seus pais tinham uma vila de casas numa ramificação do beco chamado de “Boa Boca”, na verdade é um correr de quartos com um banheiro ao fundo. Lugar muito peculiar, e com algumas características de um bairro muito pobre.

A casa do Seu Zuzu: pai do Rômulo, ficava vizinho a uma vendinha, que sua dona além de conferir o dinheiro várias vezes, não recebia em hipótese nenhuma uma cédula riscada, amassada ou muito menos rasgada, devolvendo-a imediatamente antes de entregar a mercadoria. Logo mais a frente e na mesma calçada, ficava a mercearia do senhor Apolônio: pai do distinto professor universitário de matemática “Brito”. O Seu Apolônio tinha no quintal da mercearia um depósito de carvão: Um quartinho bem escuro com uma montanha do produto. Quem fosse comprar carvão no centro da cidade, obrigatoriamente era no seu Apolônio, e invariavelmente sairia sujo do local. Neste mesmo lugar, funcionou durante algum tempo o Bar do Brito, frequentado por intelectuais e amantes das músicas de Chico Buarque.

Local da antiga mercearia do Seu Apolônio. Fotos de 1996 e 2011, respectivamente

Outra figura de tamanha importância que residia na Pororoca, era o finado Chico do Tiro: Pai do jornalista e colunista Rogério Freire, que posteriormente assumiu um simpático sobrado na Rua. Pessoa muito bem humorada e de simpatia invejável, Chico do Tiro era semianalfabeto e bem afortunado, tinha um bar na antiga quatro de Outubro, e quando ia cobrar as contas, olhava para o numero de pessoas na mesa e dizia: É 15 pra cada. Todos riam e alguém dizia: Inteire os 20 de picado e mais duas saideira. Kkkkkkkkk. Gargalhada na certa.

Rita, Lêda e Amâncio dividiam a mesma casa na frente da mercearia de seu Apolônio. São três personalidades inesquecíveis: Rita e Lêda eram zeladoras da Igreja Nossa Senhora do Carmo. A irmã mais nova, Lêda, cantava no coral de beatas e tinha uma voz bem particular e destacada, dava para ouvir seu tom quando dobrávamos a esquina da igreja. Rita ficava na calçada de casa com um ferro à brasa, e claro, com carvão do seu Apolônio, passando roupas para toda vizinhança. E finalmente Amâncio, é conhecido artista local, tocando ainda hoje pelos bares e eventos em Campina. Um operário da música local.

Seu Rosielio Gomes e D. Salomé, donos da Cotecil, importante indústria de beneficiamento de couros, foram moradores respeitados por seu alto poder aquisitivo. Moravam numa casa ampla bem no ‘cotovelo’ da Pororoca e convidavam muitos moradores para fartas festas que havia no lugar, ou em sua granja fora da cidade.

Vamos para a boemia, falar de pessoas que embora não tivessem o mesmo valor perante a sociedade, imprimiam sua importância de forma mais ‘intimista’. Refiro-me a Maria Garrafa ou Maria Garrafada como queiram. Esta pessoa muito vaidosa, cheirosa e glamorosa, desfilava elegantemente pelas ruas de Campina arrasando corações, e de certa forma destruindo lares, não por sua culpa, pois, estava apenas cumprindo seu papel de “prostituta vip”, mas, pelas “puladas de cerca" (se é que posso assim dizer), das pessoas que se “deitavam” com Maria.

Morou também durante muito tempo e ainda mora neste lugar: Rosilda. Também muito festeira e produzida, era e ainda é mestra na arte culinária, nesta época não se falava em ‘chefe de cozinha’ do sexo feminino’, era tratada mesmo como cozinheira. Elaborava as refeições das mais ricas famílias Campinenses, fazia jantares homéricos na casa de Dona Jesus Freire: Esposa de Artur Freire e Mãe de Pedro Freire; Ceias de encher a boca d’agua na casa de Zé Carlos do Café São Braz; Lanches da tarde incríveis na residência de Raimundo Lira da Cavesa, e de muitas outras residências poderosas. 

Na Pororoca, construiu-se um dos pilares de sustentação da minha personalidade. Lá, aprendi com “Time Ruim”, nome do moleque mais traquino de todo centro da cidade, que mais tarde morrera de raiva felina, lições sobre arruaça e traquinagem. Aprendi com Anacleto e Laercio a jogar peão de madeira no chão de terra batida do lugar. Com Neném, Tutucha e Joselito, construíamos pipa e carrinhos de rolimã. Foi lá também, que me foi ensinada as primeiras “bolinagens” sexuais com “Batonzinho e Nicinha” (Por motivos óbvios são apenas apelidos fictícios). Bola de gude e cuscuz eram brincadeiras que só eram possíveis em ruas não pavimentadas. São por estes e outros motivos que a Pororoca: uma “ponta de bairro” no centro da cidade tem sua importância fundamental para toda uma comunidade.

Foi lá também, onde tivemos (eu e minha então namorada e hoje minha mulher) nosso primeiro empreendimento comercial: O Bar Escambo. Durante algum tempo na década de noventa, revitalizou-se a Pororoca com uma série de bares e restaurantes. O Escambo, ironicamente, funcionava no mesmo local aonde foi à mercearia do seu Apolônio e posteriormente o bar de Brito. Por irresponsabilidade de um dono de bar, a Pororoca veio a perecer, mas isto também é um outro capítulo.

Nesta imagem dos anos 90, cedida ao RHCG por Fidélia Cassandra, podemos visualizar os famosos bares da Pororoca

Como denomina o próprio nome “Pororoca”: Uma grande onda que se forma pelo encontro das águas do mar com o rio e logo se desfaz, a Travessa Almirante Alexandrino também teve sua grande onda glamour e se desfez. Talvez pelo choque cultural, ou pela agitação noturna, quebrando o silêncio daquela pacata vila.

Fica aqui minha saudosa impressão dos bons tempos vividos na infância 



Em Janeiro de 1984 o extinto Jornal Gazeta do Sertão trazia a matéria retratando a utilização de um avião, sob o Projeto Modart, que provocava chuvas na região árida do nosso estado.

A equipe do Projeto Modart era capitaneada pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado, com apoio da Sudene, se encarregava de bombardear nuvens no período de 6 horas por dia em todo interior paraibano.

Como localização estratégica, Campina Grande sediou o núcleo do programa.


A foto acima é parte de uma panorâmica da área de 46.875 m² do (antigo) Açude Novo, já seco e aterrado!

O Açude Novo foi construído em 1830 com o objetivo de abastecer a população de Campina de água potável. Em 1976, foi transformado em parque pelo então Prefeito Evaldo Cruz, que lhe deu o nome de Parque do Açude Novo. Após a sua morte, em 1985, a área de lazer passou a ser chamada de Parque Evaldo Cruz, uma homenagem póstuma a seu idealizador. No entanto, ele continua sendo mais conhecido pelo antigo nome.

No plano central, além do grande descampado chamado "bacião" pelos jogadores de 'pelada' da época, está as costas do Teatro Municipal Severino Cabral - ainda não possuía a arte no painel posterior, creditado ao artista pernambucano Aluízio Magalhães.


Voltamos a falar do assunto "Rock Campinense" no blog RHCG. A parte 1 de nosso especial fez bastante sucesso e recebemos mais arquivos dos colaboradores Valfredo Farias e de Maerson Meira, que publicaremos a seguir.

Valfredo nos enviou o seguinte texto: "No dia 17 de julho de 2014 foi publicado o post "Lembranças do Rock Campinense". Na ocasião fiz um comentário tentando identificar alguns amigos constantes nas fotos e lamentando a não menção de dois grupos que fizeram parte de todo aquele movimento que tomou conta de Campina, como acontecia nos grandes centros brasileiros, naquela época. Os grupos eram o Delito e o Das Bandas da Parahyba, este último com videoclipe gravado e participação no Abril Pro Rock. O amigo Maerson Meira, baterista dessas duas bandas, viu os meus comentários no RHCG e agora vem com farta munição (fotos e mensagens abaixo) para que o post seja atualizado com a sua citação. Certos de sua atenção, agradecemos, na certeza do Retalhos Históricos de Campina Grande continuar sendo essa bússola que nos situa nas entranhas do passado de nossa cidade".

Corrigindo a não menção do RHCG as duas bandas, relembramos primeiramente a "Dasbandas da Paraíba", em histórico enviado por Maerson Meira:

Dasbandas da Paraíba

Dasbandas da Paraíba
Banda formada em 1995 tinha como integrantes os músicos: Ricardo Moura (voz), Kennedy Costa (baixo e voz), Maerson Meira (bateria), Pablo Ramirez (percussão), Lucas Sales (voz e violão) Clovis Neto (guitarra), Cassiano de Sá (guitarra).

Aproveitando a efervescência do movimento “Mangue Beat” o Dasbandas realçou sua musicalidade misturando Rock’n roll com pitadas de Baião, Forró e Coco sempre com letras fincadas na cultura regional. Em sua primeira gravação, contou com a participação de Biliu de Campina na parceria de voz com Kennedy Costa, que interpretaram a música Coco do Cão do Saudoso Manezinho Silva e D. Martins, que infelizmente terminou houve outra gravação para melhorias técnicas, que não foi possível novamente à participação de Biliu, entrando no CD apenas com Kennedy no vocal.

A "DASBANDAS" gravando seu clip

No único CD gravado, composições como “Carcará” de João do Valle e José Candido e “Pescaria em Boqueirão” de João Gonçalves e Messias Holanda, fizeram grande sucesso com as interpretações energéticas da Banda.

Participaram de vários festivais e concursos de músicas e composições com excelentes resultados: Abril Pro Rock em Recife, Saindo como melhor banda revelação do evento; Festival universitário de Pernambuco na cidade de São José do Egito por três edições, ganhando prêmios em todas; Skol Rock no Centro de Convenções do Recife abrindo o show dos Titãs entre outros. Teve um clip gravado da música “A feira” no mercado central, e premiado num festival de cinema em São Luis-MA.

DASBANDAS NO BATATA COUNTRY 1997 COM CAPILÉ

O Dasbandas da Parahyba, percorreu vários estados fazendo shows com grande repercussão, em dado momento, tocando em Recife na antiga Soparia do Pina, se fazia presente na plateia o cantor e líder dos Paralamas do Sucesso: Herbert Viana, quando chamado ao palco cantou com o Dasbandas o estourado nacionalmente sucesso de Chico Science e Nação Zumbi “Manguetown” levando o publico a loucura na capital pernambucana, também com a participação de alguns músicos do Nação Zumbi. Nesta ocasião convidados por Herbert, o Dasbandas rumou para o Rio de Janeiro para uma sequência de shows começando pelo evento “CD EXPOR” no Rio Centro. Foram vários eventos tocando com bandas do cenário carioca como “Forro sacana” Raimundos, Totonho e os Cabras entre outras, sendo inclusive convidado para um show de reinauguração do Circo Voador com a participação de Planet Hemp, fato que não ocorreu devido problemas particulares da banda.

MAERSON E HERBERT VIANA

MAERSON E HERBERT VIANA

PABLO RAMIRES, MAERSON E HERBERT

RICARDO MAERSON E HERBERT

RICARDO, PABLO, MAERSON E HERBERT
VIAGEM RIO DE JANEIRO 1997

Dasbandas teve seu estado de “stand by” decretado no final de 1997 para repensar a então formação, fato que culminou com um longo período de inatividade e posteriormente a extinção do grupo, deixando uma lacuna na música Paraibana daquele estilo.

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Já a Banda "DELITO" é um pouco mais antiga, datada do ano de 1987, porém ainda se encontra em atividade. O histórico também nos foi enviado por Maerson:


Banda formada em 1987 por estudantes, com intuito de dar vazão ao que acontecia na cena musical na década de 80: Uma explosão do Rock nacional vindo de todo o país, e Campina Grande não poderia ficar de fora.

Banda Delito

Com um Rock energético de letras contundentes, os então garotos do DELITO: Ricardo Moura, Maerson Meira, Kennedy Costa e Giuliano Santos, além das próprias músicas, reproduziam outras bandas como: Paralamas do Sucesso, Titãs, Legião Urbana, Capital inicial, Camisa de Vênus, Plebe Rude entre outras.

Banda Delito

A banda ficou por oito anos com a mesma formação, até que o guitarrista Giuliano Santos precisou se afastar, dando lugar ao experiente Fábio Rolim, onde deram sequencia aos shows.

Foram vários eventos importantes como: Campina Grande Rock, onde abriram o show de João Penca e seus Miquinhos Amestrados (atração nacional do evento); Inauguração da Panorâmica FM, abrindo para Capital Inicial; Várias participações no Festival de Inverno de Campina Grande e cidades vizinhas, além de tocarem em todos os lugares onde se fervia a cena musical Paraibana.

DELITO NO CAMPINA GRANDE ROCK

Hoje com 27 anos na estrada e uma formação sólida e experiente, conta quase com a mesma formação original, com exceção de Kennedy Costa, mas, com Sandro Mangueira o atual baixista, e da mesma época, cumpre com excelência todo peso dos baixos, por beber na mesma fonte dos demais integrantes.



Formação atual:
Ricardo Moura: Voz e vocais;
Maerson Meira: Bateria;
Fábio Rolim: Guitarra e vocais;
Sandro Mangueira: Baixo, vocais e voz;
Giuliano Santos: Guitarra.

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Correção feita e o RHCG agradece a Valfredo Farias e Maerson Meira pelo rico material disponibilizado e aproveitamos para nos colocar a disposição para quem queira enviar mais material sobre o rock campinense.

Por Jobedis Magno

Nasci na década de 50 no bairro do São José em Campina Grande. Sou saudosista e por isso gosto de evocar lembranças, sobretudo aquelas vinculadas à infância e a juventude. Muitas lembranças do passado chegaram-me em grandes quantidades à minha mente. São momentos diversificados da existência, cujo cenário principal era a Rua Felipe Camarão no bairro do São José, onde ainda está de pé resistindo ao tempo a casa onde nasci. Lembranças das antigas Bodegas de Seu Leopoldo Menezes e de Giovane Barbosa (pai dos meus amigos de infância Nego Gilson e Geraldo Leal). Lembranças do  banco da Praça do Trabalho que serviam de ponto de encontro para bate-papo da juventude de minha época. Veio-me à memória os bate papos e debates salpicados de um tom à vezes pitorescas, às vezes intelectualizadas dos nossos contadores de causos: Raul de Melo, Sabará, Fubá Vei. Sem esquecer o folclórico Zé Neguim ou Zé Balbino como era também chamado, verdadeiro guru, que sem alarde nos alegrava com suas inocentes participações. As acirradas pelejas de porrinha valendo tira gosto e cervejas do Bar Cristal de Wamberto Pinto Rocha, onde quem não pagava suas “contas” ia parar no famoso “quadro dos Velhacos”.

Revi todo o cenário de nossa infância e juventude. E agora me chega às lembranças dos antigos carnavais da cidade. Mas, isso faz parte das reminiscências de todos. Claro, cada geração tem as suas lembranças. Em regra geral, tem saudades do seu tempo de adolescente, época marcante na vida de qualquer pessoa.

Tenho ainda muito vivas em minha memória recordações deliciosas das comemorações que eram feitas durante o carnaval aqui na nossa cidade. Refiro-me aos anos 60, quando eu vivia minha infância, e 70, já na minha juventude. Sinto, sim, saudades daqueles carnavais. Lembro-me dos papangus que passavam pelas ruas e brincavam com as crianças. Da La Ursa e os foliões mascarados que saíam pelos bairros a alegrar e a divertir a todos. 

São lembranças que com o passar dos anos ficam mais vivas na minha memória. Sinto saudades dos vesperais carnavalescos do AABB, parece que quanto mais o tempo passa a nostalgia aumenta. Era uma festa alegre, o clube ornamentado com máscaras, serpentinas, um cheiro agradável de lança perfume, à orquestra tocando marchinhas (Algumas músicas são tão marcantes, que até mesmo nos dias de hoje são cantadas em momentos de alegria. Entre elas estão: “Allah-lá-ô“, “Cachaça”, “Cabeleira do Zezé”, “Abre Alas”, “Ô Balancê” “Mamãe eu quero”, “O teu cabelo não nega”, “Me dá um dinheiro aí” entre outras), samba e frevo, a garotada pulando, jogando confetes, serpentinas e jatos de água para todos os lados. Momento mágico, guardado na memória como uma relíquia.

Saudade imensa, sim, das famosas “batalhas de jogar pó, maizena, colorau ou água nos componentes do corso que eram formados pelas pessoas jovens e adultos que iam em cima de veículos, especialmente jipes e caminhões, que levavam os citados blocos, grupos de amigos, para as ruas seguindo os carros e aos clubes. Todas as pessoas, mascaradas ou não, mas sempre com suas vestimentas e com uma disposição fantástica para brincar de forma saudável, sem precisar de “estimulantes”. A cidade, especialmente o centro formado pelas ruas: Maciel Pinheiro, Floriano Peixoto Marquês do Herval,  Cardoso Vieira e Beco do 31, fervilhava de foliões de todas as classes sociais. Era comum cruzarmos com pessoas conhecidas que, usando fantasias, tentavam brincar conosco sem se deixar reconhecer. 

Blocos, Corsos e as Batalhas de Confetes, pó e água

Eu sou da época em que realmente se brincava carnaval em Campina Grande. Os blocos formados por amigos, parentes ou amigos de amigos saiam pelas ruas, visitando casas para o “assalto”, uma tradição de blocos carnavalescos. Consistia em fazer visitas a diversas residências, cujos proprietários ofereciam bebidas e comidas aos participantes do Bloco. A organização fazia antecipadamente um levantamento de quem poderia ser “assaltada” e definia os locais onde o bloco deveria passar. O carnaval era uma espécie de congraçamento dos jovens e das pessoas de Campina Grande que se organizavam em blocos para empreender visitas nas casas previamente escolhidas. Lembro dos Blocos:


Bloco Lambe – Que participavam os seguintes componentes:

Raimundo Asfora, José Lopes de Andrade, Lauro Lima, Seu Pedrosa da Livraria, Edvaldo do Ó, Valter Camboim e Lúcio Rabelo.

Gentes Muito Importantes - Da Qual participavam os irmão Dureira e Ademir, Nego Nildo, Macaxeira entre outros.

Bloco os Desajustados – De qual participavam os amigos: Hérmani Mauricio, Geraldo Nunes Sobrinho (gatinho), Tadeu de Erinete, leucio Barbosa, Roberto Pai da Negas, Rubens, Zé Modesto, Adelgisio entre outros.

Bloco os Anões – Que tinha entre seus componentes: Cinebaldo Mota, Nelson Gaudêncio, Lourival Tavares, Darlon, Marcão entre outros.

Bloco da Vepel – tinha Bolinha do DER, Roni e Raw, Artur e Glauco Monteiro, Edson do Foto e Bolinha da Guri.

Bloco do Bacurau- (Açude Novo) Renan, João da Penha, Zé Maria, Chico Comuna, Zezito, Pibo e sula,

Bloco Irmãos Metralhas – Que tinham como componentes os seguintes amigos: Leonardo Tavares, Helder Sinfrônio, Paulo Jorge Zilly, Francisco Alfredo Bandeira, Ronaldo Nóbrega Tavares, Sergio Pinto, Lucio Cunha Lima, Marcos Antonio Lucas e José Cavalcante Maia.

O Bloco “Os Vadios do São José” que participavam: O seu amigo aqui o Jóbedis, Fernando Canguru, Glauco Kardec, Marcos Machado, João Enganei Mãe, Som, Firmino, Naldo, Decio Pedrosa, Beri, Patricia e Socorro Dantas, Nice entre outros. Existiram outros blocos que me fogem da memória  

O Corso - Nas décadas de 1960 e 1970 o corso da cidade era outra atração, um dos veículos mais utilizados no corso era o Jipe, sem capota. Havia também muitas camionetes e caminhões, por serem veículos abertos, essenciais para a brincadeira. Diversos foliões preparavam carros só para o desfile do corso. Serravam a lataria de fuscas, por exemplo, para que ficassem  conversíveis e os decoravam com pinturas carnavalescas e frases engraçadas.

Eram bastante comuns, nessa época, grupos de jovens desfilando em jipes sem capota, ornamentados e abastecidos com confete, serpentina, maisena, talco e tonéis cheios de água, onde as bisnagas eram abastecidas para molhar uns aos outros. Além das bisnagas de plástico, havia ainda um artefato artesanal, muito popular, construído com cano de PVC e cabo de vassoura, uma espécie de “bisnaga-gigante”, que era cheia com água e, por pressão, fazia com que jatos fortes molhassem os escolhidos para a brincadeira. Funcionava como uma mangueira portátil para dar banho nas pessoas.

 Além da água, as pessoas eram “presenteadas” também com “nuvens” de colorau, maisena, talco ou farinha de trigo, quer estivessem nos veículos em movimento (marcha lenta) ou nos “points” onde paravam para apreciar o desfile, comer, beber e paquerar. Na década de 1970, era bastante consumida nesses “points” uma “Cuba Libre” coca cola com Rum Montila. 

As fantasias mais usadas na época eram pierrô, colombina, arlequim, mas tinha muita gente fantasiada de Papangus, de urso, índio entre outras coisas mais. O Carnaval de antigamente não era como hoje, as pessoas mascaravam-se, gozavam com as outras pessoas, pois estando disfarçadas podiam fazê-lo sem serem reconhecidas. Faziam-se assaltos, que era irem ter com alguém em especial e fazer-lhe a vida negra para se gozar com essa pessoa até se fartar, deixando tudo em confusão. Além dos índios, do boi, tinha os papangus, que faziam um medo tremendo às crianças e até adultos.

O carnaval de antigamente era mais democrático, hoje pouco resiste em algumas cidades. Das maiores, Recife, Olinda é um bom exemplo. Salvador também, certo, só que lá já existe toda uma estrutura profissional a comandar as festas nas ruas lideradas sempre por imensos trios elétricos.

Lembro da Avenida Floriano Peixoto, uma verdadeira avenida dos antigos carnavais. Os corsos e cortejos carnavalescos desembocavam na Rua Maciel Pinheiro, dançando e cantando as machinhas e frevos, caminhava pelas ruas centrais da cidade, momento mágico que ficou gravado nas minhas reminiscências. Era uma verdadeira bagunça organizada.

Durante o dia era todo mundo junto... Não tinha essa história de mortalha, abada para separar o povo. Agora... A noite tinha os clubes... Claro... Tinha os clubes dos menos favorecidos que era o Flamengo de Zé Pinheiro, o Ipiranga e o Paulistano. Tinha o Clube do Trabalhador que era uma classe mais ou menos e tinha os clubes maiores e da elite que eram: Campinense Clube, AABB, Gresse, Campestre, Caçadores e o Clube 31.
 (Vídeo - Carnaval em clube de Campina Grande: anos 60 - IMAGEM: JOSÉ CACHO)

O carnaval de antigamente era para o povo, famílias inteiras participavam em praticamente todos os bairros todo mundo, de criança a idosos, podiam participar da folia, pois se gastava pouco dinheiro e havia muita alegria e respeito; e lógico, não existia essa violência. O carnaval de rua não tinha separação como estes carnavais existentes no Brasil. Esse carnaval de fora de época de algumas cidades do Brasil e até alguns anos em Campina Grande não é nosso é um modelo industrializado da Bahia.

(Fim da Primeira Parte)
Por Jobedis Magno

A folia nos Clubes 
No Salão do clube o  trajeto dos foliões consistia em uma movimentação em círculo, obedecendo ao sentido horário – mas também havia alguns sujeitos cheios de “ birita”, que preferiam brincar no sentido anti-horário, o que era sinônimo de confusão. As garotas desacompanhadas ficavam nas bordas do salão, observando aquela alegre confusão. De repente, uma mão saindo do meio da massa  lhe alcançava o pulso e a puxava para o salão. Se houvesse interesse recíproco, a foliona enganchava no sujeito e ia pra guerra. Se não, ela dava um jeito de liberar o pulso das mãos do “enxerido”. Essas efêmeras conquistas carnavalescas se constituíam na glória (ou “toco”) de qualquer moleque que buscava as folias de Momo.

Os foliões  se movimentavam no salão de acordo com a música. Havia as marchinhas para uma evolução rápida – leia-se correria desenfreada e trombadas entre os participantes –, como os frevos as mais frenéticas de todas, que costumava causar algumas quedas coletivas no salão. No dia seguinte, após a ressaca carnavalesca, a turma se reunia para contar vantagens sobre as conquistas efetuadas e fazer planos para os bailes do dia seguinte. Só cascata, evidentemente, ninguém tinha “ficado” com ninguém. Aqueles beijinhos pueris eram somente isso, beijinhos pueris. Mas na nossa adolescência, com os hormônios à flor da pele, a mentira era  nossa mais perfeita aliada. E não deixava de ser um bom aprendizado para a idade adulta...

Nesta foto de 1966 na AABB vemos os amigos Wallace (falecido), o vosso amigo (Jóbedis),
Naldo, Hérmani, Maribondo e Lula Peão (falecido).


No final dos anos 70, face final dos grandes carnavais de clube. Participei dos últimos carnavais em nossa cidade no Campinense Clube com a orquestra de maestro Cipó. Carnaval animado com a boa orquestra, tocando frevos, machinhas e o velho samba, com a presença de blocos de salão, muita fantasia e grande animação. Nesse período o carnaval de bairro já estava em decadência, não só em Campina Grande, mas na maioria das cidades Nordestinas. 

Na década de 80 foi o início da ocupação das bandas baianas e a comercialização dos grandes carnavais, fim da era romântica, da espontaneidade, da irreverência, do deboche e da critica. Infelizmente, acabou nosso Carnaval em salões, desapareceram as velhas marchinhas, ninguém passa mais brincando e cantando feliz. Assim era o nosso Carnaval ou velhos e antigos carnavais da nossa terra “Rainha da Borborema”, reminiscências de um passado glorioso que fica para registro da história. 

Alguns já se encontram em dimensões mais elevadas. Outros, porém, continuam percorrendo os outros caminhos. E agradeço a Deus por ter me dotado de tão boa memória, de me conservar ainda lúcido, para reviver a alegria de um passado, que se perde nas brumas do tempo! Quando encontro amigos, que durante muito tempo estiveram ausentes sinto a mesma alegria, o mesmo calor de bons tempos de íntimo e freqüente convívio.

Campina Grande, hoje, não tem Carnaval - Esta afirmativa é verdadeira, pois até a Micarande a prefeitura atual extinguiu. Entretanto. Podemos ir diretamente ao assunto principal. Reconheço que o carnaval fora de época  aglomera todas as classes sociais, mas de forma bastante segmentada e até certo ponto preconceituosa. Esclareço que não defendo o fim dos blocos baianos, nem mesmo a retirada das cordas e, sobretudo não defendo o fim da Micarande. No entanto, exijo respeito a uma tradição onde o que sempre imperou foi à harmonia e a irreverência. Hoje se vê a elite rica ou iludida em blocos e camarotes e os pobres esmagados entre as cordas e os muros dos camarotes tomando empurrão da polícia e até sendo maltratadas pelos seguranças.

Vai ter quem reclame, por certo, da postura saudosista. Mas nem por isso vou deixar de dizer, com bastante ênfase, que os carnavais de outrora, dos bons e irrecuperáveis anos 60, eram infinitamente mais joviais e prazerosos. Quem não viveu aquele tempo deverá ter dificuldade para entender o meu grande entusiasmo por aqueles carnavais. Infelizmente hoje em dia muita gente só consegue participar de festas, inclusive populares, ingerindo e/ou cheirando “motivação”, uma lástima. Aqui em Campina Grande quando  ainda existia a Micarande, todo ano oferecia tristes espetáculos provocados por quem não conseguia  alcançar o verdadeiro e autêntico espírito de uma alegria sem excessos.

Jobedis Magno de Brito Neves
Colaborador do RHCG

Recebi algumas fotos de amigos do fundo do baú de alguns blocos de moças e rapazes, agremiação carnavalesca sócio-etílico-cultural que animou o carnaval de Campina Grande nas décadas de 60 e 70. Aproveitem. Se você sabe algo sobre estes foliões  retratados aqui,  mande seu comentário, por favor.

Do meu amigo  Honório Pedrosa Recebi esta relíquia abaixo do Bloco: A Turma do Lambe Lambe:

--> Da esquerda para direita: Raimundo Asfora, José Lopes de Andrade, Lauro Lima,
Seu Pedrosa da Livraria, Edvaldo do Ó, Valter Camboim e Lúcio Rabelo.


-->
 Os Amigos do Bloco “Vadios do São José: Maika, Jobedis, Nice, Verônica (irmã de Naldo), Naldo, Beri, Lourdes Galega atrás de Beri, Patrícia e  Som no carnaval da AABB na década de 70

  A foto é do Bloco MAMÃE NÃO DEIXA de noite tinha o nome MAMÃE DEIXOU.
Na foto vemos os amigos: David Mangueira, Roni, Alcindo Souto, Gilberto Borrachão, Mamede, Dailton  (Coelho) Abaixo: Alfredo, Tadeu ( 2  de Ouro) Orlando e Pirra. 
Solicito aos foliões de antigamente que ao lerem este documentário histórico
mandem suas fotos para que a gente mate as saudades aqui.


 Bloco As Marinheiras – Carnaval de 1966 no AABB –
Na foto vemos; Hildete Brito, Ivanilde, Gloria, Terezinha, Nilreide Feitosa e Margareth Brito entre outras pessoas.

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Bloco do Palmeirinha: Flávio  Cirne, Antônio Lídio, Luiz Helder, Deka, Aldanir,
Paulo Cirne, Fábio, Sobral  e Marcílio Soares


A BATUCADA NO CARNAVAL DE 1974 NA CASA DE DR. FIÚZA


Da esquerda para direita: Evandro Sabino, Hebe (Nego Chapa), Pedrosinha, Othonzinho, Ricardo Maverik, Hermininho Soares, (os dois galeguinho por trás de Hermínio, Denival e Denilvon, vizinhos de Tércio), Túlio, Roberto Agra, Tércio, (atrás de Tércio, Eliú), Zé Carlos, Marcílio, Antônio Fernando, Cacau (no bombo), Cartaxo e Zé Magno Brasil(Gerente do Banco do Brasil, pai de Zé Gás), o casal em pé por trás é nada mais nada menos do que Antônio Hamilton (Burra cega) e sua esposa na época aquela da família Hamad!

 
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