Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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O Dinamarquês Cristiano Lauritzen e sua família, no ano de 1913. Ao lado da sua esposa Elvira e rodeado pelos filhos (esquerda para direita, em pé) Ernani, José e Luiz e das filhas Maria Christina, Christina, Inah e Maria Amélia.

Um fato curioso à imagem é a compenetração de pesar em que se encontrava a família, em luto pelo recente falecimento do filho primogênito, Alexandrino.

Fonte Consultada:
Anuário Campina Grande, 1982




Por Rau Ferreira

Cristiano Lauritzen e Família

 A figura do dinamarquês Cristiano Lauritzem (1847/1923) foi aparecer nas patriarcais fazendas do sertão paraibano por volta de 1870, mercadejando jóias e quinquilharias. Campina era seu ponto obrigatório de pouso, e aí cortejou e casou-se com uma das filhas do Coronel Alexandrino Cavalcante de Albuquerque, Delegado da Villa Nova da Rainha.

A moça, de nome Elvira, contava vinte e três primaveras e o estrangeiro já alcançara a idade de trinta e seis anos.

Alexandrino era senhor da fazenda cabeça-do-boi, situada a cinco ou seis léguas de Campina Grande, numa das regiões mais ásperas e pedregosas da Província. A antiga sesmaria do cabeço fazia fronteira com os atuais municípios de Esperança e Pocinhos.

Em Campina, o sogro construiu para o genro a casa inglesa, servindo-lhe de loja e residência. E preocupando-se tão somente com os carnavais, entregou-lhe também a chefia política local.

Cristiano falava bem o inglês e tinha relações com firmas estrangeiras, tornando-se em pouco tempo o maior comerciante da cidade, vendendo fazendas e retalhos em grosso e a varejo, e fornecendo mantimentos ao governo, aos ingleses e aos fazendeiros da região.

Irineu Joffily era seu ferrenho adversário político e o descrevia como uma figura curiosa, muito alta e loura.

A Gazeta de Irineu só o tratava por “Gringo”. Em contrapartida, Cristiano dizia que Joffily não era católico, apondo-se as suas aspirações políticas. Talvez por esta razão, tenha fundado em 1911, o jornal “Correio de Campina”, que circulou até 1932.

Após perder a cadeira de Deputado Estadual e ser destituído da chefia do Conselho da Intendência em Campina (1890/1892), foi eleito prefeito em 1904, permanecendo no cargo até 1923, ano de sua morte. Nessa época, o sub-prefeito era Manuel Cavalcante Belo e o delegado de Polícia o major Lino Gomes da Silva.

Cristiano dava apoio ao governo de João Lopes Machado (1908/1912) e chefiava a política epitacista na Rainha da Borborema, sendo ele o responsável direto pelo prolongamento da estrada de ferro Great Wetern, que teve seu fim na cidade de Campina Grande.

O ramal foi inaugurado em 1907, cujo empreendimento na opinião de vários autores alavancou o progresso daquele município.

Cristiano Lauritzem faleceu aos 76 anos de idade.


Rau Ferreira


Fontes Consultadas:

- FILHO, Lino Gomes da Silva. Síntese histórica de Campina Grande, 1670-1963. Grafset: 2005.

- JOFFILY, Ireneu. Notas sobre a Parahyba: fac-símile da primeira edição publicada no Rio de Janeiro, em 1892, com prefácio de Capistrano de Abreu. Thesaurus Editora: 1977.

- JOFFILY, José. Entre a monarquia e a república. Livraria Kosmos Editora: 1982.

- MOTA, Leonardo. Violeiros do Norte. 5 ed. Livraria Editora Cátedra: 1982.

- SERTÃO, Gazeta do. Campina Grande, edição de 19 de dezembro. Parahyba do Norte: 1880.

- SUASSUNA, Ariano. Romance d'a pedra do reino e o principe do sangue do vai-e-volta: romance armorial-popular brasileiro. 2 ed. Livraria J. Olympio: 1972.
Por Emmanuel Sousa


Após inserirmos o assunto "Miss" em um dos posts anteriores do nosso Blog, devemos enaltecer a figura do ilustre cronista social campinense Josildo Albuquerque, o "Jô", que caracterizou-se por ser o grande incentivador dos concursos de misses na Rainha da Borborema, além das badaladas "Festas das Debutantes" que reunia todas as garotas que, durante o ano, debutaram em glamourosos Bailes de 15 Anos.

Durante as décadas de 1980/1990, Josildo Albuquerque ilustrava a Coluna Social do Jornal da Paraíba com os campinenses que se destacavam no cenário social. Na foto acima, em um dos seus característicos eventos realizados em Campina Grande, o colunista aparece ladeado por um dos símbolos sexuais brasileiros dos anos 80, a modelo Márcia Gabrielli, além do ator global Lauro Corona, falecido em 1989.

A vida de Josildo Albuquerque foi encerrada por iniciativa própria, durante os anos 90, quando o mesmo se lançou ao vazio do último andar do Hotel Serrano, pondo um fim na evidência do brilho dos socialites da Serra da Borborema, o "crème de la crème",  como diria com suas próprias palavras.

O também colunista Edson Félix, falecido em 2006, desenvolvia um trabalho biográfico sobre Josildo, porém, a obra ficou inconclusa.

P.S.#01: Comentário Enviado por Gustavo Ribeiro:
"Josildo antes de ser colunista social foi atleta e professor de natação. A depressão por conta do diagnóstico recebido, motivou o salto para a morte. Por ironia do destino, o ator Lauro Corona, que aparece ao seu lado na foto, contraiu o mesmo vírus.
É bom lembrar que Josildo Albuquerque foi o primeiro colunista social de Campina Grande a fazer sucesso também na Capital, monopolizando o setor de grandes festas e concursos.
Era um batalhador."


P.S.#02: Comentário Enviado por Clotilde Tavares:
"Eu conheci Josildo quando ambos éramos adolescentes. Tínhamos 15, 16 anos. Ele dançava muito bem, com aquelas pernonas compridas, muito magro, o cabelo na testa bem antes da moda lançada pelos Beatles. Era um garoto diferente dos outros e como sempre gostei dos diferentes vivia colada com ele, uma espécie de namoro inocente e bobo. Dançávamos a noite toda nas festas do Gresse, Caçadores... Por causa do cabelo na testa e do rosto miúdo, Mamãe o chamava de "Macaquinho", e é assim que ele está mencionado nos meus diários daquela época. Fui muitas vezes à piscina do Clube dos Caçadores torcer por ele. Em 1964 ele ganhou um campeonato de natação naquele clube, lembro bem porque era o ano do Centenário de Campina, e saímos da área da piscina abraçados, ele todo molhado... Depois que ele ficou adulto e se tornou cronista social, nunca nos distanciamos e sempre eu o via nas festas em Natal. Josildo Albuquerque, "Macaquinho": uma das mais doces recordações da minha adolescência." 


Cléa Cordeiro, Ivan Gomes e Josildo Albuquerque - Club Campestre

Nasceu Luiz Gil de Figueiredo em Santa Luzia/PB, em 17 de setembro de 1895. Com quatro anos de idade acompanhou o tio Gil Braz de Figueiredo numa viagem à Lábrea, cidade amazônica, onde passou dois anos residindo e aprendeu muito com os ameríndios. 

Em 1909, retorna ao Nordeste, onde se estabelece no Rio Grande do Norte desempenhando dois ofícios: professor e almocreve. Após trabalhar em Ouro Branco, Currais Novos e Caicó, migra para a Paraíba no lombo de animais.

Aportou em Esperança por volta de 1915, tornando-se “Mestre-Escola”, tendo sido nomeado Adjunto da Cadeira do Sexo Masculino em maio de 1931.

Casou-se, então, com a Srta. Sebastiana Diniz, sobrevindo-lhe os seguintes filhos: Guiomar Irene, Milton Luiz, Wallace e Wagner. 

Na década de 30, do Século passado, organizou o bloco esperancense “Coronel nas ondas”, ao lado de personalidades como Silvino Olavo, Teotônio Costa, Manuel Rodrigues, Teotônio Rocha e Juvino Brandão. 

A experiência adquirida junto ao jornal “O Tempo”, órgão que era dirigido por José de Andrade, com gerência de Teófilo Almeida, ajudou-lhe a funda, ainda em Esperança, o semanário “O Rebate”, que levou na bagagem para Campina Grande, quando veio morar nesta cidade em 1932.

Na “Rainha da Borborema”, foi diretor de Escola e lecionou história e geografia no Colégio Pio XI. 
Casou-se em segundas núpcias com a Srta. Maria Ester Cavalcanti, de cujo matrimônio nasceram os filhos: José, Maria das Graças, Marluce, Mozart e Aristóteles. 

Em Campina, onde se radicou, participou da “Sociedade Beneficente dos Artistas” e da “Academia dos Simples”, esta última com sede honorária na Fruteira de Cristino Pimentel; tornando-se conhecido como orador e poeta. 

Transcrevo, a seguir, um poema de sua autoria, retirado do livro “Coletânea de Autores Campinenses”:

Vozes proletárias

Latifundiário! Latifundiário!
Sabes quem vai morto naquele caixão?
Não importa o nome, foi um proletário.
Latifundiário! Latifundiário!
- Rebentou de tísica, deu tudo ao patrão.

Era um belo homem que na flor da idade
A cavar a terra fora em Briareau,
Enricara o amo, e... perversidade!
Quando volte os olhos para a Eternidade
Deixa a prole rota lá de léu em leu!...

Quando o milharal o pendão levantava
Nele se enroscava os braços do feijão
Era ao seu esforço que ele se elevava!
E os paiós se enchiam se enchiam e as arcas pejavam,
No Te-Deum das messes! Que feroz Tilão!...

Passaram-se os dias. Rebentou a guerra.
Calça-se, o Direito. Viva a tirania.
Cidadão, às armas. O Capital berra:
“Eu agora ensopo em sangue toda a terra
Meto a liberdade dentro da enxovia”.

Naquela época, “O Rebate” era o único jornal em circulação em Campina, cujas oficinas funcionaram, inicialmente, na rua Marques do Herval; depois passou para a Rua Bartolomeu de Gusmão, para em seguida sediar na Rua Getúlio Vargas.

Os principais colaboradores do semanário foram: Lopes de Andrade, Luis Soares, Cristino Pimentel, Pedro d’Aragão, Wallace, Zé da Luz, Bióca, Antonio Telha, Murilo Buarque e Mauro Luna. Ingressando na política, engrossou as fileiras do PRP e depois do PSD, candidatando-se a Deputado Estadual sem lograr êxito.

Foi cidadão Campinense e homenageado pela primeira turma de Comunicação da antiga Furne.

O professor Luiz Gil faleceu a dois de maio de 1960. Pela sua dedicação e telúrica ligação com este município, prestamos esta breve homenagem.

Rau Ferreira

Fontes:
- Coletânea de Autores Campinenses. Comissão Cultural do Centenário. Prefeitura de Campina Grande. Campina Grande/PB: 1964.
- DINOÁ, Ronaldo. Revista tudo. Edição de 11 de novembro. Campina Grande/PB: 1990.
- FERREIRA, Rau. Banaboé Cariá: Recortes da Historiografia do Município de Esperança. A União. Esperança/PB: 2016.
- MEDEIROS, Jailton. História de Esperança. s/d. Trabalho escolar. Produção do corpo docente.



José Celino da Silva
Eutique Loureiro
A antiga rede de supermercados campinense ServeBem tinha suas lojas mais conhecidas em pontos estratégicos como na Praça do Trabalho, no São José e no Calçadão da Cardoso Vieira, no Centro da Cidade.

Eram proprietários da rede os comerciantes Eutique Loureiro e José Celino da Silva, ambos egressos da cidade de Itaporanga, estabelecidos comercialmente em Campina Grande há várias décadas.

Eutique Loureiro era presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Campina Grande, e faleceu aos 56 anos de problemas cardíacos; desde sua chegada à Campina Grande, estabeleceu comércio na Feira Central.

José Celino, 81 anos, também era proprietário do Mini-Box Tropeiros e sócio da Associação Comercial de Campina Grande. Era avô dos irmãos Rodrigo Celino e Celino Neto. Inclusive, consta em nota publicada em jornal da época do seu falecimento que o agravante da sua morte fora em decorrência do choque emocional pelo falecimento do seu filho o Engenheiro José Celino Filho, pai dos jovens citados.

O material fotográfico acima nos foi enviado pelo colaborador Jônatas Rodrigues Pereira, sendo o anúncio acima retirado de uma edição do Jornal da Paraíba, no ano de 1971.

Outra imagem, que colabora com esta postagem é a foto disponibilizada e gentilmente cedida por Antonio Ailson Costa, ex-funcionário do estabelecimento ServeBem que identificou a foto abaixo, com a seguinte descrição:

1974 - Supermercados Serve Bem do grupo Celino & Loureiro contava com cinco lojas em Campina Grande e uma em Patos. Foto - Loja na Rua Independência bairro do São José, o radialista Severino Quirino locutor responsável pelo cerimonial de entrega de um automóvel sorteado entre os seus fregueses na ocasião se encontrava toda diretória do Grupo Serve Bem.


Ainda com dados fornecidos por Sr. Ailson, estão presentes na foto, da esquerda para a direita: Antônio (contador da empresa) Antônio Ailson, Severino Quirino (locutor); pai e filho da cidade de Patos recebendo a chave do carro sorteado dos empresários José Celino e Eutique Loureiro, respectivamente.




Egresso da capital cearense, Fortaleza, em 1942, Raymundo Yasbeck Asfora aporta em Campina Grande aos 12 anos de idade em companhia dos pais libaneses. Aos 18 anos já militava nos movimentos estudantis, atuando bravamente na restauração de um dos maiores instrumentos de defesa da classe discente, o Grêmio Estudantil Campinense.

Foi luta sua o início da construção da Casa do Estudante, mais tarde nomeada de Casa Félix Araújo.

Aos 18 anos, parte para cursar a Faculdade de Direito na cidade de Recife, em Pernambuco, retornando a Campina Grande no ano de 1952 para assumir a Secretaria de Serviço Social na gestão do prefeito Plínio Lemos. Sua colaboração na administração municipal lhe confere a oportunidade de ser eleito vereador pelo PTB, em 1955,  tornando-se líder da oposição ao prefeito eleito Elpídio Josué de Almeida, com mandato findo em 1959.

Aliando sua atuação como legislador à prática forense, Asfora, um dos maiores tribunos que Campina Grande já contemplou, foi aclamado o mais popular advogado em 1957 pela realização de grandes júris populares.
Foi eleito deputado estadual em 1958, agora pelo PSB, quando em projeto de sua autoria nomeou aquela Casa Legislativa de Casa Presidente Epitácio Pessoa.

Na década de 60, foi  Assessor do Ministro João Agripino, quando do governo do presidente João Goulart, em 1961, procurador da Fazenda Estadual-PB, em 1962 e em 1964 assumiu, como suplente, mandato na Câmara Federal de Deputados, para onde voltaria em 1982, desda feita pelo PMDB.

Compondo a chapa majoritária, em 1976, elege-se vice-prefeito de Campina Grande pela ARENA, ao lado de Enivaldo Ribeiro, cumprindo mandato de 1977 a 1982.

No ano de 1986, durante a escolha da chapa que disputaria as eleições daquele ano, aceitou a indicação do seu nome para vice-governador, neste mesmo ínterin, surge a figura, quase que infante de Cássio Cunha Lima herdando seus votos, como representante do povo paraibano no Congresso Nacional.

A aliança de grandes nomes peemedebistas elege Tarcísio Burity governador e Raymundo Asfora seu vice em 15 de Novembro de 1986.
Sob clima de muito mistério, Raymundo Asfora é encontrado morto em sua residência, à Granja Uirapurú (Antiga Biblioteca Central Campus I-UEPB), no Bairro de Bodocongó no dia 06 de Março de 1987, à  nove dias da sua posse, tendo sido lhe atribuído suicídio.

Até hoje existem duas correntes entre os campinenses acerca dessa tese: suicídio, ou assassinato.

Entre suas admirações estavam Argemiro de Figueiredo como político, o Treze FC como  time de futebol , o Restaurante Manoel da Carne de Sol, nas Boninas, e o Clube Ipiranga, ás margens da Av. Canal.

Raymundo Asfora é co-autor de uma das maiores composições musicais da região, em parceira com Rosil Cavalcante, na música "Tropeiros da Borborema" uma verdadeira ode às origens da nossa querida Campina Grande, considerada hino extra-oficial da nossa terra.

"A morte está enganada, eu vou viver depois dela" (Raymundo Asfora)

Fontes Pesquisadas:
Discurso proferido pelo Dep. Fed. Rômulo Gouveia na Câmara dos Deputados
em 06.03.2007 - 15:58hs (www.camara.gov.br)
Fotos: SILVESTRE, Josué. "Nacionalismo e Coronelismo"

Vejam Mais:

Em 11 de fevereiro de 1988, o Diário da Borborema publicou as seguintes matérias sobre a morte do tribuno (Cliquem para ampliar):


Reportagem da TV Borborema sobre a história do tribuno:

Campina Grande, atualmente está sendo bastante documentada pelos jovens diretores do cinema campinense. A rica história de nossa cidade nunca foi tão visitada, a exemplo da tragédia ocorrida no bairro de José Pinheiro em 1974, quando um botijão que enchia balões de gás explodiu, bem como a história do Trem em Campina Grande, o descaso com o patrimônio histórico e tantos outros “docs.”, que vez ou outra se tem notícia.

Porém, não escutamos nada ainda, em relação à vida e morte de Félix Araújo, que sem dúvida, merece um documentário. Fica ai a dica aos cineastas paraibanos, para aproveitarem que alguns importantes personagens daquela família ainda estão vivos, com saúde e aptos a registrarem para a posteridade seus conhecimentos sobre tão nobre político e personagem da história campinense.

Sem dúvida nenhuma, a morte de Félix Araújo está entre os três maiores acontecimentos da história de Campina Grande. Não iremos ter a audácia de querer citar os outros dois, fica por conta dos historiadores, mas se elencarem os três maiores acontecimentos, pelo menos a morte de Félix será uma unanimidade.

O “Jornal de Campina”, que tinha como diretor William Tejo, comprou a briga com o então prefeito de Campina, Plínio Lemos, que segundo este jornal foi o mandante do crime ocorrido no mês de julho de 1953. Abaixo, disponibilizamos a primeira página do Jornal de Campina, um dia após o tiro. Cliquem para ampliar:


Félix Araújo passou 15 dias entre a vida e a morte, quando finalmente veio a óbito. O Jornal de Campina novamente noticiou (cliquem para ampliar):


Nos dias que se seguiram, o Jornal de Campina fez férrea campanha contra Plínio Lemos. O assassino de Félix, João Madeira, acabou assassinado na prisão.

Em 2011, no programa da Rádio Cariri “Mesa de Bar”, o colunista social Celino Neto, que realmente é neto de Félix Araújo, fez a revelação que a casa de Maria de Félix, viúva do tribuno, foi dada pelo povo de Campina Grande para que ela morasse com seus filhos, em virtude da comoção ocorrida na época. Celino revelou também, que até hoje consta no boleto de IPTU a denominação “Viúva de Félix”.

Para saber mais sobre a vida de Félix Araújo, cliquem AQUI e AQUI.
Félix Araújo nasceu na cidade de Cabaceiras, no Cariri Paraibano, filho de Francisco Virgolino de Souza e Nautília Pereira de Araújo, casou-se com Maria do Socorro Douettes, em janeiro de 1947, com quem teve dois filhos: Maria do Socorro Tamar Araújo Celino e Félix Araújo Filho. Cursou o primário em Cabaceiras e prosseguiu seus estudos no Colégio Diocesano Pio XI (Campina Grande) e no Liceu Paraibano (em João Pessoa), concluindo o curso clássico em 1949. Foi aluno da Faculdade de Direito do Recife, porém, em virtude do seu falecimento, não foi possível concluir o curso.

Aos dezesseis anos, Félix de Souza Araújo já publicava artigos em jornais.

É autor dos poemas “Tamar”,  ”Dor",  "Fraternidade",  "Poemas Soltos” e “Carrossel da Vida”.

Foi pracinha voluntário da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Lutou nos campos da Itália contra o nazifacismo, em 1943. Foi correspondente de guerra e fundou o jornal "Cruzeiro do Sul". Ao voltar, fixou residência em Campina Grande.

Criou o programa "A Voz dos Municípios" na Rádio Borborema de Campina Grande. Também, durante muitos tempo, manteve o programa "Carrossel da Vida", com leitura de crônica diária na Rádio Caturité.

Filiou-se ao PCB, disputando, por este partido, duas eleições: em 1946, para deputado federal e 1947 para deputado estadual. Deixou o PCB em 1948.

Instalou livraria – a “Livraria do Povo” (1946) - incendiada, criminosamente, por adversários ideológicos, sectários de extrema direita.

Em 1947, Félix liderou a campanha de Elpídio Josué de Almeida a prefeito de Campina Grande. Foi secretário de Educação e Cultura deste governo, introduziu o "Cinema Educativo". Coordenou a campanha eleitoral de José Américo de Almeida a governador da Paraíba (1950).

Elegeu-se vereador mais votado de Campina Grande em 1951, pelo PL (Partido Libertador). Integrou as comissões de Justiça, Legislação e Redação e de Educação e Cultura (1951 a 1953). Denunciou a corrupção. Rompeu com o prefeito Plínio Lemos e com o governador José Américo de Almeida. Escreveu o "Acuso", manifesto contra o governo de José Américo de Almeida. No mesmo ano, em 13 de julho de 1953, foi baleado, pelas costas, por João Madeira, guarda-costas do então prefeito de Campina Grande, Plínio Lemos. Momentos após o atentado, João Madeira foi encontrado - e preso - escondido na residência do citado prefeito. Félix Araújo faleceu aos 30 anos de idade em decorrência dos ferimentos, na Casa de Saúde Dr. Francisco Brasileiro, em Campina Grande – Paraíba.
Fonte Consultada: Wikipedia


Saibam mais:

Áudio:

Reportagem do jornalista da Rádio Cariri, Lenildo Ferreira, sobre a morte de Félix Araújo:


Vídeo:

Reportagem da TV Borborema sobre a história de Félix Araújo:



Elpídio Josué de Almeida nasceu em Areia (PB) em 1º de setembro de 1893, filho de Rufino Augusto de Almeida e de Adelaide de Almeida.

Cursou o Colégio Pio X na cidade da Paraíba, atual João Pessoa. Transferindo-se para o Rio de Janeiro, ingressou na Faculdade de Medicina, diplomando-se em 1918.

Integrou o Conselho Municipal de Campina Grande (PB) de 1929 a 1930 e o comitê de apoio ao programa da Aliança Liberal. Deixou o cargo de conselheiro após a vitória da Revolução de 1930, quando foram extintos os mandatos parlamentares de todos os níveis no país.

Com a redemocratização após a queda do Estado Novo (1937-1945) e o surgimento de novas agremiações, filiou-se ao Partido Libertador (PL). Foi eleito prefeito de Campina Grande no pleito suplementar de janeiro de 1947, exercendo o mandato até 1950. Desincompatibilizou-se para concorrer à Câmara pela Coligação Democrática Paraibana, formada pelo PL e pelo Partido Social Democrático (PSD). No pleito suplementar de março de 1951 elegeu-se deputado federal, com 17.283 votos, o segundo mais votado da coligação e do estado. Assumiu em setembro.

Em outubro de 1954 voltou a se eleger prefeito de Campina Grande. Exerceu o mandato até 1959. Desincompatibilizou-se e voltou a se candidatar a deputado federal pelo PL em outubro desse ano, mas não conseguiu se eleger. Dedicou-se, a partir de então, à medicina.

Era casado com Adalgisa Almeida, com quem teve quatro filhos, dois dos quais, Orlando e Antônio Almeida, foram deputados estaduais na Paraíba.

Publicou "Esquistossomose mansônica", sua tese de doutorado, além do raríssimo "História de Campina Grande", em 1962, como membro do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba.

Elpídio de Almeida faleceu em Campina Grande em 26 de março de 1971.

Várias são as homenagens pelo seu importante papel desenvolvido na nossa cidade, à exemplo da Maternidade Pública Municipal que leva seu nome (ISEA: Instituto de Saúde Elpídio de Almeida), além do "viaduto" construído na Av. Floriano Peixoto.

Antiga Residência - Elpídio de Almeida - Av. Floriano Peixoto esquina com Rua Peregrino de Carvalho


Elpídio de Almeida e o Jornalista Marcos Marinho



No último dia 06 de Março postamos um trecho do programa Autoshow VDCar; o quadro apresentado por Flávio Evangelista, que trouxe uma matéria sobre a loja Noujabib e dois modelos Ford-T mantidos em seu galpão sob sua conservação.

Um leitor anônimo do BlogRHCG deixou o seguinte comentário:


"Uma curiosidade: o Ford T conversível aparece no filme "Menino de Engenho", filmado aqui na Paraíba em 1965, dirigido por Walter Lima Júnior. O carro foi emprestado pelo cônsul Noujaim para as filmagens na região de Pilar e adjacências. Outro detalhe: no filme quem dirige o carro é Wilson Maux (já falecido) que fazia o papel (uma ponta) de um usineiro que queria comprar o engenho Santa Rosa(e terminou comprando)."

Seguindo a dica do leitor, fomos em busca do trecho citado do filme e, eis que selecionamos a participação do saudoso Wilson Maux no filme Menino de Engenho, de 1965, na cena citada com o FORD T retratado por Flávio Evangelista na loja do Cônsul Joseph Noujaim.





Comentário anônimo: "O filme "Menino de Engenho" começou a ser produzido em 1965 (produção de Glauber Rocha que era cunhado de Walter Lima então casado com a atriz Anecy Rocha irmã de Glauber), mas só foi filmado e exibido em 1966. O filme teve uma "avant-première" no cine Municipal de João Pessoa e só depois entrou em cartaz no Capitólio. A sessão de gala em Campina foi promovida pelo critico Wills Leal, que tinha feito a mesma promoção em JP."

Cartaz original do filme, lançado em 1970


O Professor José Edmilson Rodrigues, conhecedor da nossa História e detentor de um grande acervo fotográfico já disponibilizado em parte aos leitores do BlogRHCG, nos apresentou as fotos recentes, datadas de Fevereiro de 2015, com as ruínas da antiga Casa dos Arcos, Granja Santo Antonio, localizada nas imediações do Bairro de Bodocongó, local onde residiu o ex-prefeito Bento Figueiredo.



Antigo portal com nome da Granja Santo Antonio, destruído por vândalos!
Foto disponibilizada na 'fanpage' do Blog RHCG no Facebook por Hugo Pedrosa

Bento Figueiredo era filho do Cel. Salvino Figueiredo e irmão do também próspero político Argemiro de Figueredo. Foi Secretário Municipal e assumiu a Prefeitura de Campina Grande pela primeira vez durante um curto período de três meses, de 12/09/1935 a 18/12/1935. 

Retornou ao cargo, desta vez nomeado pelo irmão Argemiro quando era Interventor do Estado, para cumprir o mandato de 04/01/1938 a 20/08/1940, antecedendo o segundo mandato de Vergniaud Wanderley.

Entre suas ações administrativas mais marcantes estão a construção do Mercado Público Municipal (na Feira Central), a Biblioteca Pública, o Matadouro Público, bem como a reforma e ampliação do Cemitério do Monte Santo.

Pref. Bento Figueiredo

Natural da cidade de Macaparana (PE), nasceu no Engenho Zebelê, em 20 de Dezembro de 1915, registrado Rosil de Assis Cavalcanti.

Cursou o primário e ginásio na cidade de Recife. Em 1936 entrou para o 22º Batalhão de Caçadores da 7º Região Militar na cidade de Aracaju, em Sergipe. Em 1937, licenciou-se do Batalhão de Caçadores e passou a trabalhar no Fomento Agrícola de Sergipe. Durante essa época, atuou como jogador de futebol, tornando-se tri-campeão sergipano pelo Cotinguiba Sport Clube. Em 1941 foi trabalhar na Secretaria de Agricultura da Paraíba, na cidade de João Pessoa.

Desembarcou em Campina Grande no ano de 1943, acatando transferência como servidor público. Aqui desempenhou as atividades de compositor e apresentador de programas de rádio e TV, adotando o codnome de "Zé Lagoa", atuando nas Rádios Borborema, Caturité e TV Borborema.

Do auditório da Rádio Borborema, que localizava-se na Rua Cardoso Vieira, o Programa era transmitido ao vivo. Foi realizado concurso de sanfoneiro, de dançarino, de beleza, de teatro, etc.

O carisma de Rosil cativava e conquistava.

Compôs cerca de 130 músicas, sendo algumas de memoráveis parcerias com Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.

Falando em parcerias, junto a Raymundo Asfora, compôs o hino extra-oficial de Campina Grande "Tropeiros da Borborema".

Entre suas músicas mais famosas estão "Sebastiana", "Na Base da Chinela" e "Quadro Negro".

Rosil notáva-se pela dinamicidade musical. Foi autor de todos os gêneros da música reginal nordestina, como baião, xote, e côco. Pessoalmente não se achava detentor de "voz" para cantar e, portanto, nunca gravou nenhuma das suas canções.

Na Rádio Borborema ainda apresentou um programa policial com viés humorístico chamado "Radar".

Nos anos 40 formou a famosa dupla "Café com Leite", ao lado do imortal Jackson do Pandeiro, apresentando-se na Rádio Tabajara.

Segundo palavras do Professor João Duarte, para o Blog O Nordeste, "No dia 10 de julho de 1968, no início da tarde, Rosil se sentiu mal quando descansava sob a sombra do Umbuzeiro e da Quixabeira. [...]Na noite daquele dia, [...] Em vez da música introdutória na voz vibrante de seu parceiro Café, dizendo: se você não viu, vá ver que coisa boa, em Campina Grande, o Forró do Zé Lagoa, se ouviu uma fúnebre anunciando o falecimento do poeta da caatinga, dos cariris, do Nordeste. O Nordeste parou. Campina Grande assistiu a mais profunda comoção que a atingira. Desaparecera subitamente sua síntese poética, suas alegrias e suas tristezas. Os contornos da feira central ficaram sem graça. A feira da Prata perdeu o charme. Macambiras e xiquexiques murcharam. Juritis, asas brancas, ribaçãs arribaram. O povo, a população simples e pobre das periferias de Campina e dos municípios visinhos se encerrou em luto. Campina Grande não comportou a quantidade de pessoas para o último adeus ao poeta que a cidade adotou."



Na foto acima, datada de fevereiro de 1952 durante festejo momesco, enviada e autorizada sua publicação pela Professora Clotilde Tavares (http://clotildetavares.wordpress.com) é possível ver a casa em que morou Rosil Cavalcante em Campina Grande, vendida e descaracterizada após o falecimento da sua viúva, D. Nevinha.

A residência era localizada no começo da Rua Afonso Campos, de frente ao antigo Posto Futurama, onde vê-se um garoto à sua porta e mais duas janelas. Na casa vizinha, morava um  outro campinense notável, já detentor de post em nosso blog, o barbeiro Francisco de Almeida Batista, o Chico B.

O local onde estão os protagonistas da foto, é a Praça Clementino Procópio, onde pode ser vista a antiga fonte existente, onde hoje está o playground.

Vídeos:

Convidamos aos amigos a assistirem os vídeos abaixo, feitos pela TV Paraíba. O primeiro conta um pouco da história de Rosil e o segundo é uma entrevista, com o autor de um livro sobre a vida de um grande amante da cultura de Campina Grande.



Fontes Consultadas:
Site Forró em Vinil: http://www.forroemvinil.com
Site O Nordeste: http://onordeste.com
DUARTE, Jonas. "Jackson do Pandeiro e Rosil Cavalcante". Prof. Doutor Dep. Históriada UFPB, João Pessoa. Reproduzido por Ivan Moreira em, http://www.onordeste.com
Blog Umas & Outras (Profa. Clotilde Tavares), em: http://www.umaseoutras.com.br/boletim/19_08_2007/
Atualização da Postagem, em 13/10/2014:




Fruteira de Cristino Pimentel (ao centro)
Encontrada a foto acima, nas postagens de Antonio Ailson Costa, digníssimo cidadão esperancense, porém radicado em Campina Grande, com serviços prestados no comércio onde operou o antigo Supermercado Feijão Verde, vem à calhar concomitar o texto abaixo, de autoria do ex-deputado federal Evaldo Gonçalves, que faz um resgate memorial da antiga 'Fruteira de Cristino', estabelecimento outrora existente no Pavilhão Epitácio, vizinho à Livraria Pedrosa. 

Será um deleite para nossos leitores nomear cada um dos ilustres figurantes desta foto, onde começamos por Seu Pedrosa, terceiro da direita para a esquerda.

Segue abaixo, o texto publicado no site Vitrine do Cariri, em 06/06/2011, escrito por Evaldo Gonçalves.

Sábados Mágicos de Hildeberto

Deliciei-me lendo neste final de semana a crônica de Hildeberto Barbosa sobre os seus sábados no Mercado da Madalena, em Recife, quando se tornavam mágicos ao se encontrar com Jomar Muniz, Bráulio Tavares, e ainda na Barraca de Aluízio com Alice, Antônio e Janilto, e, por via deles, com Drumond, Augusto, Bandeira e Ledo Ivo. Para o consagrado crítico, todo sábado é mágico, sobretudo, “quando estamos no Mercado da Madalena, em Recife, e é São João”.
   
Sua leitura me fez lembrar os meus sábados na antiga Fruteira de Cristino Pimentel, depois transformada em Bar, nos fundos da Livraria Pedrosa, do grande poeta José Pedrosa, no Beco 31, em Campina Grande. Ali, religiosamente, nos encontrávamos aos sábados, eu, Hélio Soares, Orlando Almeida, Waldecir Villarim, Chico Maria, Geraldo Dias, e, quando o trabalho permitia,José Carlos da Silva Junior. Ali, as conversas giravam em torno da política, da economia e do cotidiano campinenses.
   
Não eram tais sábados mágicos com os de Hildeberto, com certeza. Todavia, para mim serviam de tônico para as minhas reservas emocionais, exauridas com as caminhadas que fazia, a título de assinatura do “ponto”, na rua Maciel Pinheiro, Cardoso Vieira e parada obrigatória no Calçadão do café São Braz, antes de chegar na rua Monsenhor Sales, onde ficava o Bar do Beco  31, de cervejas bem geladas e atraentes aperitivos.  
   
Dali, reconfortado com as conversas e piadas, viajava ou para o cariri ou o curimataú, onde permanecia na noite do sábado e durante todo o domingo em contato com as tais bases eleitorais, que, por conta da minha presença e do meu trabalho, foram responsáveis por seis mandatos consecutivos nos parlamentos estadual e federal, durante os 24 anos em que integrei o Poder Legislativo da Paraíba e do País.
   
Eram, sim, menos lúdicos. Porém, igualmente sábados mágicos, pois nos retemperavam a todos os que deles participavam, e nos mantinham com esperança de dias melhores e saldos maiores em termos  das nossas aspirações cidadãs. Ademais, se constituíam tais encontros em momentos de atualização de problemas, reivindicações, assuntos de natureza política e social, com os quais permanecíamos comprometidos, todos, independentemente de nossas tarefas rotineiras e posições políticas.
   
A Fruteira de Cristino Pimentel, o grande cronista campinense, fechou com o seu falecimento. O Bar, que nos acolhia com os nossos sonhos e ilusões, fechou para dar lugar a uma casa menos cultural e mais pragmática. Resta-nos, sobreviventes desses momentos mágicos dar estes testemunhos, agradecendo pelos tonificantes eflúvios por eles propiciados, como forma de gratidão por terem existido. Fica explicada a magia de que fala o Mestre Hildeberto Barbosa. Repitamos: todo sábado é mágico, mesmo que não sejam iguais aos do Mercado da Madalena.


Escritor, figura de proa da cultura campinense e historiador, Cristino, que nasceu em 22 de julho de 1897, morreu há exatos quarenta anos, 31 de dezembro de 1971. Ele é autor de obras como “Abrindo o livro do passado”, “Mais um mergulho na história campinense” e o raríssimo “Pedaços da História de Campina Grande”, que precisa ser republicado. Aliás, vai o apelo às editoras da Universidade Federal de Campina Grande e da Universidade Estadual da Paraíba, que muito bem fariam em presentear os campinenses com a reedição da obra.

Há pouca informação sobre a vida de Cristino Pimentel que, na condição de grande historiador, esteve mais preocupado em registrar a história da cidade que em falar de si. Ele é citado pelo compositor João Gonçalves, na música “Campina Grande de outrora”, que, listando “coisas boas que passaram”, fala do “bate papo de Cristino Pimentel”. Também no clássico “Saudade de Campina Grande”, do magnífico Rosil Cavalcanti, que lembrou o empreendimento comercial do cronista, ponto de encontro de literatos, intelectuais e boêmios: “Saudades de Cristino e de sua fruteira”. A “Fruteira de Cristino” fechou as portas em 1953, segundo Sérgio Pimentel, neto do historiador.

Cristino Pimentel foi figura marcante em todos os círculos da Campina do seu tempo, inclusive o político. Um tempo em que destacavam-se homens brilhantes, muito mais do que na atualidade, em que não é necessário ter brilho próprio para brilhar. Ele foi personagem de um tempo em que nossa cidade podia gabar-se de ser lar de figuras do porte de Félix Araújo e Raymundo Asfora. Um tempo em que, apesar dos pesares, não era proibido pensar. Cristino, cujo corpo repousa no Monte Santo, foi um escavador do passado, um contador da história de Campina Grande. Pela contribuição que deu ao nosso torrão, merece ter seu nome conhecido e respeitado por todas as gerações.
Foto: Acervo Pessoal Cléa Cordeiro

Foto interessante captada em dado momento de desfile comemorativo de Sete de Setembro, em ano não informado, mostrando as margens do Açude Velho.

A comitiva de vaqueiros mostrada na foto, de forma oficiosa, encerrava os desfiles cívicos. Esta, em questão, era liderada pelo imbatível lutador Ivan Gomes, que figura na primeira fila de cavaleiros (o de barba, à direita).

Agradecemos a cessão da foto pela Profª. Cléa Cordeiro.



por Rau Ferreira
 
Nasceu ELPÍDIO Josué de ALMEIDA na cidade de Areia, mas preferiu radicar-se na Cidade Rainha da Borborema. Formado em Medicina pela UERJ, aportou em Campina em dezembro de 1925, para integrar o corpo médico do Posto de Profilaxia Rural "Lafaiete de Freitas".

Com 36 anos foi eleito Conselheiro Municipal e, por suas vezes prefeito desta Cidade (1947/51 e 1955/59), assumindo ainda uma cadeira na Assembléia Federal em 1951.

Como adido cultural, participou da criação da Revista Campinense de Cultura lançada em comemoração ao centenário de Campina Grande, e escreveu duas obras de grande importância: “Areia e a abolição da Escravatura: o apostolado de Manoel da Silva” (Oficinas gráficas do Jornal do Commercio, 1946) e “História de Campina Grande”, que é o nosso foco.

O livro – editado pela LIVRARIA PEDROSA e impresso no Recife em 1962 - trás o prospecto da cidade desde a antiga Aldeia Velha até o período revolucionário de ‘30. Contém 424 páginas, divididas em 32 capítulos, com destaque para a sua origem, vultos e personalidades. 

Em seu prefácio, enfatiza o autor:
“(...) impunha‐se a elaboração deste trabalho, sem mira a prêmio ou ajuda oficial, como contribuição espontânea às festividades de 1º centenário da cidade, a comemora‐se em 11 de outubro de 1964. Como realizá‐las com afeição e ufanias sem um caderno descritivo do seu passado? Sem um depoimento exato sobre os homens que a fundaram? Sem uma narrativa dos principais sucessos ocorridos em seu território, desde o tempo da fundação da aldeia, velha de quase três séculos? Aparece essa publicação para evitar a falha” (Elpídio de Almeida).

O compêndio destaca a dificuldade no abastecimento d’água e a seca no primeiro século, os fatos políticos – como as Câmaras que dirigiram o Município de 1853 a 1866, e as que sucederam até 1930 – os acontecimentos até a Proclamação da República (1889), o surgimento do Grupo Escolar “Solon de Lucena” (1924), dentre outros aspectos:

A água para as necessidades domésticas era difícil, mas com despesa e trabalho se obtinha. As fontes do Lozeiro, não muito distante, acudiam aos habitantes nessas emergências” (págs. 119 e 159).

Em Campina, foram muitas as homenagens ao médico areiense que instalara seu consultório na Av. Marechal Floriano, citemos: A maternidade municipal, o viaduto na entrada da cidade e a denominação do instituto histórico campinense.
Elpídio é patrono das Cadeiras n° 11, da Academia de Letras de Campina Grande; e n° 5 do IHGP.


Referências:
-  SILVEIRA, Regina Paula Silva da. O papel de Elpídio de Almeida para a construção da história de Campina Grande. IX Seminário Nacional de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil”. Realizado em 31/07 à 03/08/2012. ISBN 978-85-7745-551-5. Disponível em <http://www.histedbr.fae.unicamp.br>. Acesso em 08/11/2012.
- ELISIÁRIO, Ailton. Doutor Elpídio. Disponível em <http://paraibaonline.com.br>. Publicado em 04/09/2012. Acesso em 08/11/2012.
- GUIMARÃES, Luiz Hugo. História do IHGP. Editora Universitária. João Pessa/PB: 1998.
- PIMENTEL, Cristino. Mais um mergulho na história campinense. ALCG. Edições Caravela. Campina Grande/PB: 2001.
- ALMEIDA, Elpídio. História de Campina Grande. 2ª ed. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB: 1978.

Um dos ícones ‘cult’ dos anos 90 na cidade de Campina Grande foi, com certeza, o ator Alberto Moraes de Lucena, que caracterizava o Palhaço Pipokinha.

Ídolo da criançada, o Palhaço Pipokinha consolidou seu sucesso artístico com a apresentação diária de um programa de televisão, o “Show do Pipokinha” exibido pela TV Borborema no horário de 11:00, que contava com a participação de vários artistas locais, entre eles os lançados pelo próprio Pipokinha em seus shows realizados nas casas de espetáculos, que aos poucos foram se tornando conhecidos em toda cidade, como por exemplo o cantor Adilson, a cantora Sandra Paula e o cantor Rickson que hoje faz sucesso no sudeste do país, além das auxiliares de palco denominadas ‘Pipoketes’.

Nessa mesma época, a Micarande ainda era um evento viável e, aproveitando a consolidação de um dos seus dias dedicados ao público infantil, foi criado o Bloco Pipokinha-Maravilha, tendo como atração principal a cantora baiana Mara Maravilha. Em 1995, a revista Veja considerou-o como o melhor bloco de carnaval infantil do Brasil, segundo consta em sites dedicados à cantora baiana.

Apesar do sucesso profissional, o ator Alberto Lucena sofria de depressão, o que levou a algumas atitudes irresponsáveis diante de público e outras tentativas contra a própria vida, dentre elas um mergulho nas águas do Açude Velho.

Por fim, no dia 12 de março de 2003, saltando do 3º andar do Edifício sede do Banco do Brasil de João Pessoa, depois de dizer “-Adeus” à quem se encontrava em uma lanchonete de frente à agência, Pipokinha encontra o “êxito” nesta que já não fora a sua primeira tentativa de suicídio.

Com Mara Maravilha, Bloco Pipokinha-Maravilha
Segue alguns vídeos postados no YouTube com lembranças do Palhaço Pipokinha na TV:





Fontes Pesquisadas:
O Norte OnLine (12/03/2003);
http://www.youtube.com/user/melchiades1
Através de uma composição de estudantes, boêmios e profissionais liberais afins, no ano de 1961, Campina Grande vivenciou um dos fatos mais memoráveis da História da nossa política: O Fenômeno Chico B.

Francisco de Almeida Batista, figura de extrema simpatia, de muitos amigos e freqüentador da boemia local, desenvolvia a profissão de barbeiro (daí derivava-se o “B” do seu apelido) naqueles anos quando foi alçado à condição de pré-candidato a Deputado Estadual representando as minorias ditas cansadas de eleger políticos “inoperantes”.

De acordo com o staff de colaboradores à época, Chico B representava a figura do homem simples, a quem se poderia credenciar como símbolo de honestidade por não possuir os vícios políticos, além de ser uma candidatura emanada do próprio povo.

Se soou como ironia no início, o propósito da idéia tomou conta da cidade!

Vários foram os eventos promovidos para arrecadação de fundos para campanha: passeatas, carreatas, comícios... Em todos havia garrafões gigantes onde eram depositadas as contribuições financeiras utilizadas na pré-campanha.

Diante da proporção com que o intento “tomava corpo” nas ruas e conquistava a simpatia dos comerciantes e dos populares locais, a alta cúpula política agia nos bastidores para que o pretenso candidato não conseguisse filiação partidária que lhe fornecesse legenda permitindo-lhe efetivar-se candidato em 1962.

Às custas de várias tentativas vãs de obter tal filiação, a candidatura de Chico B não procedeu, frustrando assim a possibilidade da gênese de uma candidatura surgida do próprio seio popular.

Vários foram os manifestos pró-Chico B editados nos jornais da época, tanto em apoio à causa, como de crítica a postura dos “caciques” dos partidos políticos por não concederem o direito da postulação. Entre as personalidades locais que expediram suas opiniões nos periódicos estão o jurista Agnello Amorim e o professor Stênio Lopes.

A TV Itararé, grande incentivadora da cultura local, desenvolveu sob a produção da jornalista Fernanda Lacerda no programa Diversidade a matéria que reproduzimos a seguir, a partir do resgate histórico promovido pelo blog Retalhos Históricos de Campina Grande.


A seguir o vídeo histórico da campanha de Chico B na íntegra. O vídeo é do começo dos anos 60 do século passado:

Disponibilizadas nas redes sociais pelo acadêmico de Direito Raymundo Asfora Neto, as fotos abaixo retratam dois momentos na vida do seu avô, o tribuno Raymundo Asfora. 

Na primeira imagem, bastante peculiar em seu registro histórico, mostra o jurista deixando o prédio que trás à placa indicativa de "2ª Delegacia de Polícia - Investigações e Capturas". Com o auxílio do Colaborador Mário Vinicius, grande conhecedor dos detalhes da nossa História, o local pôde ser identificado como sendo o antigo casarão do Cel. Honorato Agra, outrora localizado onde hoje se encontra edificado o Supermercado Bompreço, na Av. Floriano Peixoto.

O professor Rômulo Azevedo corrobora com a informação e, acrescenta, que no local também funcionou o escritório da SANESA, antiga companhia de água e esgotos de Campina Grande.

Acervo Particular - Asfora Neto (postada no Twitter, utilização autorizada)


Antigo Casarão Cel. Honorato Agra (Acervo D. Passinha Agra)
A segunda foto se reporta à campanha eleitoral do ano de 1986, onde ladeado pelo senador Humberto Lucena e o então Presidente da República José Sarney, anunciava a corrente de grandes forças do PMDB para sua conseqüente eleição como vice-Governador, na chapa encabeçada por Tarcísio Burity.

Acervo Particular - Sheyner Asfora (postada no Twitter, utilização autorizada)
Agradecimentos:
Raymundo Asfora Neto
 
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