Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?

Hoje, 12 de Junho, data em que se comemora o Dia dos Namorados, transcrevemos parte da matéria da coluna de Adelson Barbosa dos Santos, publicada no jornal Correio da Paraíba do último dia 10/06/2018, que citou a curiosidade digna de clichês de telenovela, o namoro dos filhos de dois adversários políticos de Campina Grande; Argemiro de Figueiredo e Elpídio de Almeida!

Iara Figueiredo e Orlando Almeida - Acervo Familiar

"Orlando Almeida, filho do ex-prefeito de Campina Grande Elpídio de Almeida, e Iara Figueiredo, filha do ex-governador da Paraíba Argemiro de Figueiredo, iniciaram um namorico em plena "Guerra" política entre seus pais, na cidade denominada Rainha da Borborema, entre fins da década de 1940 e início/meados dos anos 1950 do Século XX.

O namorico evoluiu para namoro sério sem a aprovação dos pais adversários políticos. mas o casal não se intimidou com a briga. Insistentes como Elpídio e Argemiro, Orlando e Iara resolveram apostar no namoro e ver até onde chegariam. E, para surpresa e felicidade do casal, Elpídio e Argemiro fizeram as pazes entre 1954 e 1955. "Eles se apaixonaram e namoraram durante a guerra, se casaram na paz e eu nasci na união", disse o filho do casal, o ex-daputado estadual Guilherme Almeida, neto dos dois líderes políticos que morreram há 36 anos (Argemiro) e 47 anos (Elpídio)."

Orlando Augusto César de Almeida, nascido em Campina Grande no dia 17 de setembro de 1927, era filho do ex-prefeito da cidade Elpídio de Almeida. Foi Engenheiro químico e técnico do Ministério de Minas e Energia, sendo eleito deputado estadual em 1963 e vice-prefeito na chapa encabeçada por Ronaldo Cunha Lima em 1968.

Com a cassação de Ronaldo, assumiu o cargo de prefeito de Campina Grande em 14 de março de 1969, exercendo-o até 14 de maio de 1969, quando foi substituído pelo interventor federal Manoel Paz de Lima.

Argemiro de Figueiredo foi governador da Paraíba entre os anos 1935 e 1940.  Elpídio de Almeida foi prefeito de Campina Grande, por dois períodos: 1947 a 1951 e 1955 a 1959.

Fonte:
Adelson Barbosa dos Santos, Jornal Correio da Paraíba;
10/06/2018


Para celebrar o ápice do "Maior São João do Mundo", nada melhor do que assistir a este documentário de Machado Bittencourt, gravado nas dependências do "Clube dos Caçadores" em 1980. Agradecimentos a Mario Vinicius Carneiro Medeiros, por nos ceder esta raridade:


Ficha Completa (www.cinemateca.com.br)

FESTAS JUNINAS
Categorias
Curta-metragem / Sonoro / Não ficção

Material original
16mm, COR, 8min, 88m, 24q


Data e local de produção
Ano: 1980
País: BR
Cidade: Campina Grande
Estado: PB


Sinopse

    "Uma das mais tradicionais festas populares do Nordeste Brasileiro sob a ótica do cineasta. Com a participação dos alunos do curso de comunicação social da URNE, o filme flagra uma festa junina realizada num arraial montado no Clube dos Caçadores. Um trabalho de caráter informativo e didático." (ECJP/SMB)

Gênero

    Documentário

Dados de produção

Companhia(s) produtora(s): Cinética Filmes Ltda.
Produção: Bitencourt, Machado
Direção: Bitencourt, Machado
Direção de fotografia: Bitencourt, Machado
Identidades/elenco:
Alunos da URNE

(por Adriano Araújo)

“Grande festa nordestina
Forró a cada segundo
Nós fazemos em Campina
O Maior São João do Mundo”

(Ronaldo Cunha Lima)


Iremos contar aqui, neste pequeno especial, algumas curiosidades do período de 1983 a 1986, que fez com que a festa de Campina Grande mudasse o calendário turístico do Estado.

Em que pese a importância do Parque do Povo na construção do evento, Campina Grande sempre teve um São João forte, chegando Luiz Gonzaga a afirmar em entrevista a TV Borborema, que o forró tinha nascido aqui em Campina Grande (utilizem nosso mecanismo de busca para escutar a entrevista).

Clubes como Caçadores, Gresse, Campestre, Campinense Clube e até mesmo o velho Ypiranga, fizeram eventos juninos antológicos, além é claro, do São João de rua, das Quadrilhas juninas e dos movimentos culturais em geral, que traziam uma grande animação a cidade.

Todavia, o evento São João em Campina tomou um novo rumo a partir de 1983, aproveitando-se o espaço de um "Palhoção", criado pelo ex-prefeito Enivaldo Ribeiro, no local em que hoje se encontra o Parque do Povo. No vídeo abaixo, feito pela TV Itararé e apresentado por Pollyane Mendes, Eraldo César e Margarida Motta Rocha, narram esses primeiros eventos pré-parque do povo:



A festa seria denominada “Maior São João do Mundo”, caindo logo na graça popular. Desta forma, acabaria sendo escrita no calendário da Embratur em 1984.

Ronaldo Cunha Lima abrindo o festejo de 1984

No ano de 1985, com a criação da casa de shows “Forrock”, Campina Grande teve a oportunidade de receber grandes shows. Por outro lado, o Palhoção do Centro Cultural era amplamente utilizado pela prefeitura, como pode ser visto abaixo em fotos do Diário da Borborema:


O Palhoção



É dessa época também, a famosa música do artista Capilé, que se tornou uma espécie de hino do evento “Maior São João do Mundo”, lançado em compacto:


 Cliquem abaixo e escutem os temas do disco:



Seria necessário agora, um local aberto para que o “povão” se aproximasse da festa, ou seja, o foco do evento seria o de atingir todas as classes sociais.  Foi então que surgiu a Pirâmide e o próprio Parque do Povo, projetado pelo arquiteto Carlos Alberto de Almeida, que na época recebeu o nome de “Forródromo”.

Etapas da Construção da Pirâmide:



“Campinenses, declaro aberto o festejo junino do ‘Maior São João do Mundo’, que fazemos em Campina Grande. Declaro inaugurado o Parque do Povo, obra monumental e multifuncional, construído com recursos próprios do município”, disse o prefeito Ronaldo Cunha Lima em 1986, quando inaugurava o “Quartel General do Forró”.

Imagens da Inauguração do Parque do Povo:



Não é preciso dizer, que o evento se tornou um sucesso, além de servir de exemplo para as várias festas juninas do país, que procuraram imitar o modelo campinense. Em 1986, diversas redes de televisão se interessaram, talvez atraídas pela curiosidade, em mostrar reportagens sobre o acontecimento fazendo com que a festa de Campina Grande ficasse conhecida em todo o Brasil, sendo este fato, um dos motivos que consolidaram o evento como a maior festa junina do país.

 Parque do Povo em 1986

Fontes Utilizadas:

-Diário da Borborema (fotos-preto e branco)
-TV Itararé (vídeo-reportagem)
-www.forroemvinil.com (Áudio de Capilé)
-Acervo de Welton Souto Fontes (foto do Parque do Povo em 1986-cor)
-Comunidade de Campina Grande no Orkut (foto da placa-cor)


O Inesquecível Posto Esso foi inaugurado mais precisamente na manhã de 15 de fevereiro de 1949. Constituía em um dos mais belos e importantes postos de combustíveis e serviços da cidade e de todo o Estado. Localizado em frente a Praça Clementino Procópio, nos cruzamentos entre a Rua Vidal de Negreiros, Avenida Floriano Peixoto e Rua Afonso Campos. Pertencia a firma T. Alves de Souza.

No dia 15 de fevereiro de 1949 foi a data escolhida para sua sua inauguração oficial. A importância deste posto foi tal, até uma nota no renomado jornal Diário de Pernambuco foi publicado no dia de sua inauguração. 

O evento de inauguração na manhã daquele dia histórico, foi presidida pelo então Prefeito na época, o Dr. Elpídio de Almeida e o representante da companhia Standard Oil Company of Brazil, o Sr. Harold Cecil Morrissy, gerente da região Norte dessa empresa norte-americana e funcionários da mesma. Realmente foi uma bela celebração. 

Na década de 1970 foi vendido e o prédio passou por reformas em sua estrutura, alterando completamente do belo padrão em Art Decó original para um em estilo moderno sem maiores destaques, com o nome de Posto Futurama. Fechou suas portas por volta de 1999 e em seguida demolido. Resta apenas a cobertura no local, este transformado em estacionamento.

Matéria do jornal Diário de Pernambuco
de 14 de fevereiro de 1949.


Com a reforma da Praça Clementino Procópio empreendida em meados dos anos 80, durante a administração do prefeito Ronaldo Cunha Lima, a parede do Cine Capitólio que "olha" para a praça ganhou as cores de um trabalho artístico em um belíssimo painel expressando e rememorando as divertidas brincadeiras infantis que, àquela época, já se encontravam em desuso como bolas de gude, pião e pipa.

A arte em questão é creditada ao artista plástico Pedro Corrêa. Em comentário anexado nesta mesma postagem, uma filha sua nos descreve o seguinte:

"Pedro Correa era um pintor campinense que viveu 40 anos no Rio de Janeiro, onde era respeitado como artista plástico.
Foi o então prefeito Ronaldo Cunha Lima quem convidou o pintor para pintar o mural.
Uma curiosidade: Pedro Correa contou certa vez que quando estava pintando o mural, foi advertido pelo conhecido lavador de carros "Pontaria"(que lavava carros no estacionamento do Capitólio)para que pintasse na cena uma criança negra.
O artista atendeu ao "pedido" e pintou uma criança negra correndo em segundo plano na bela cena retratada.
Dá pena verificar hoje, que não se preocuparam em restaurar e preservar a pintura,para as novas gerações conhecerem o trabalho do pintor."

Mais uma vez, contando com a colaboração de Welton Souto Pontes, recebemos uma foto da citada arte, com a "tinta ainda fresca", da vista lateral do prédio do Cine Capitólio em sua visibilidade plena.

Cine Capitólio - Vista Lateral - Anos 80 (Acervo: Welton Souto Pontes)


Da série "uma das maiores raridades já postadas", a imagem acima mostra o Açude Novo, manancial construído por volta de 1830 para suprir a necessidade de água da população campinense, quando o Açude Velho se mostrava insuficiente para atender a demanda.

As nomenclaturas surgiram, justamente, após sua construção quando passou a fazer sentido a conotação de antigo e novo.

Enquanto reservatório d'água, o Açude Novo marcou época em nossa cidade; era um local de lazer da população campinense. As jovens desta foto ficaram eternizadas na história, assim como essa paisagem, de um passado muito distante. Segundo comentário postado por Marconi Alves, "Nesse local, onde as pessoas estão sentadas, era um pluviômetro. Ficava ao lado da casa de dr. Bonald Filho."

A foto, que ainda mostra parte do Convento das Clarissas ao fundo, pertence ao acervo pessoal de Leonice Arruda Alcântara, cedida ao BlogRHCG por intermédio da Colaboradora Soahd Arruda.


O dia 03 de fevereiro de 1917 ficara marcada na vida de Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, para graça da Paróquia de N. S. da Conceição de Campina Grande. 

Entrava o trem do Recife na estação do Entroncamento, quando os passageiros foram surpreendidos por sinal alarmante de perigo: um trem de carga que a toda força vinha em sentido contrário. O prelado não se fez alterar, invocando a interseção da Virgem da Guia cuja imagem era conduzida nesse mesmo comboio.

O choque das máquinas foi enorme, ficando avariados e completamente desarticulados os vagões de carga, porém nenhum desgaste sofreu o que levava a imagem, assim como o vagão de passageiros, cujos ocupantes saíram ilesos, atribuindo aquela ação milagrosa a N. S. da Guia. 

Devoto da Virgem Medianeira, o Arcebispo da Paraíba com o coração ainda mais cheio de confiança, atribuiu à santa aquele livramento. Já estava em seus planos erigir um santuário, e por essa razão a imagem, depois de alguma demora no Palácio Arquiepiscopal, seguia para Campina Grande, onde lhe seria construído o santuário sob a direção do Monsenhor Luiz Francisco de Sales Pessoa.

A precariedade de recursos fizera que se lhe construísse um santuário provisória e, em novembro daquele ano, já se erguia aquele edifício sem suntuosidade ou originalidade de estilo, no mesmo lugar onde se acha hoje a Igreja da Guia.

O terreno havia sido doado pelo major Lino Gomes da Silva e dona Minervina Gomes da Silva no largo de uma praça no São José.

 Campina já naquele tempo era a “hinterland”, a metrópole do Sertão, e sob esse título, poderia desviar do Juazeiro as levas de romeiros. Um dos seus objetivos era desarraigar a ignorância religiosa, circundada nas superstições consagradas ao Padre Cícero, mas também aos devotos de Antônio Conselheiro, Bento Milagroso e outros religiosos.

Assim noticiava o órgão católico:
“O projeto do santuário terá ademais o ótimo efeito de satisfazer à natural inclinação dos fiéis às romarias, desviando-os de penosas viagens para cultos proibidos ou duvidosos” (A Imprensa: 1917).
A benção eclesial foi concedida em 18 de novembro de 1917, inaugurando Dom Adauto o pequeno órego no dia seguinte. A imagem foi conduzida em veículo aberto, acolhendo o povo campinense em grande multidão os Reverendos Luiz Sales, José Cabral e Zeferino Ataíde. À noite, pelas seis e meia, celebrou-se a missa em preparação para a inauguração. 

No dia 19, pelas sete horas, nova celebração da vida, apresentando o Arcebispo a imagem copiosa da Virgem, pregando o Cônego Manuel Maria de Almeida belo e piedoso sermão em praça pública. Às quatro e meia da tarde, em préstito se dirigiram ao bairro de S. José conduzindo a imagem, procissão essa que foi calculada entre 10 e 15 mil pessoas.

Permaneceu Dom Adauto em visita pastoral por quatro dias em Campina Grande onde, entre os dias 18 a 23 de novembro de 1917, crismou 5.175 cristãos (2.421 homens e 2.754 mulheres), distribuiu 7.400 comunhões e realizou 40 casamentos e 48 batizados.

Participaram dos trabalhos espirituais: Monsenhor Sales, Pe. Manuel de Almeida, Cônego Antônio Galdino, Padres José Paulino Duarte, Francisco Coelho, Joel Fialho, José Vital Ribeiro Bessa, Firmino Cavalcanti, Manuel Tobias, José Tribueiro de Brito, José Alves, Luiz Gonzaga de Araújo, Padres João Borges e João Batista e os seminaristas Severino Miranda e Oscar Cavalcanti. 


Referências:
- A IMPRENSA, Órgão católico. Ed. 08 de fevereiro. Parahyba do Norte: 1917.
- A IMPRENSA, Órgão católico. Ed. 26 de novembro. Parahyba do Norte: 1917.
- FILHO, Lino Gomes da Silva. Síntese histórica de Campina Grande, 1670-1963. Ed.
- LIMA, Francisco. D. Adauto: subsídios biográficos (1915/1935). 2ª ed. Unipê. João Pessoa/PB: 2007.
Grafset: 2005.

Foto: Josué Cardoso

A imprensa fotográfica da Paraíba perde um de seus ilustres integrantes, estamos falando do amigo William Pereira Bezerra Cacho, muito conhecido na região de Campina Grande. Cacho, como era comumente chamado, respira o mundo da fotografia desde a infância, quando via o seu pai José Bezerra Cacho marcar época em Campina Grande com seu studio, revelando e imortalizando passagens históricas da cidade.

Extremamente orgulhoso da história do seu pai, sempre me contava com emoção algumas passagens de sua vida e seus feitos memoráveis, fotógrafo oficial do então Prefeito Severino Bezerra Cabral, o memorial ao ex-prefeito exibe hoje suas fotografias.

O conheci há 13 anos no bar Ferro D’Engomar, sempre trajado de calça social preta e camisa social branca (com bolsa à tira colo), era interessadíssimo pela história de Campina, sempre tratávamos inúmeras conversas, sobretudo no tocante a preservação do patrimônio da cidade. Se havia uma mudança em algum prédio, em algum lugar, ele fotografava e me ligava para fazer o mesmo. Certa vez, na demolição de um casarão na Av. Rio Branco, ele recolheu um tijolo manual inteiro e me deu de presente: – Já que não conseguimos impedir a demolição, vamos ficar com uma lembrança! Era passar na calçada do Ferro e ser chamado por ele: – Professor, venha aqui conhecer fulano de tal. E assim conheci uma série de pessoas longevas, figuras históricas de nossa cidade.

Trezeano apaixonado, íntegro, simpático, emotivo, de fino trato, Catchô (É assim que se lê seu sobrenome italiano: – Rapaz, até hoje só você professor me chamou da maneira correta) era uma figura extremamente simples e amiga, e seu escritório; o Ferro D’Engomar. Todas as fotos que estão nas paredes do bar foram de sua lavra, em todas as festas e no Bloco carnavalesco Ferro Folia (do qual ele e eu estamos entre os fundadores) as fotos oficiais eram dele.

Recentemente, já com sintomas de uma doença obscura e indomável, Cacho me entrega uma caixinha de doce tic-tac com um cartão de memória dentro, e disse: – Guarde Professor... Olhei pra ele e, em um diálogo mudo, só de olhares e acenos, pus em minha bolsa. Após uma notícia que se espalhava como rastilho de pólvora nas redes sociais, entrei em contato com seu sobrinho Diego Alves Cacho, que me confirmou a partida do amigo, que esteve internado algumas vezes nos últimos meses. No último domingo, houve a confraternização de Natal do Ferro D’Engomar e ele foi homenageado não só na camisa como também não houve foto oficial em respeito à sua ausência. Parece até que estávamos adivinhando o que viria ocorrer dois dias depois...

A escritora Susan Sontag é brilhante quando afirma que fotografar é atribuir importância, era exatamente o papel que Cacho desempenhava na cidade, para além do lado profissional, dedicava-se ao registro de instantes da cidade, sem preocupações comerciais, herança de seu pai.

Olhando o cartão de memória que ele me entregou, me deparo com uma série de fotos de eventos e as últimas são exatamente do monumento Os Pioneiros localizado no Açude Velho, mas não aquelas fotos tradicionais, são fotos que mostram sua base sendo desfigurada por formigueiros e outras mostrando partes quebradas e ausentes. Nesse momento entendi o que meu querido amigo disse com o seu olhar e um gesto labial, apaixonado por sua cidade como sempre foi, me denunciara o triste estado daquele que é um dos mais importantes monumentos da cidade.

Que Deus dê o céu ao amigo Cacho, seus 56 anos o imortalizaram, na mente ficará sem sorriso 
largo. Vá em paz, meu amigo, o fotógrafo da cidade. 

(William Cacho faleceu em 19 de dezembro de 2017)

Quando o encanto tece um canto,
Quando o canto é acalanto
Da fé que forja o trabalho,
me encanta o ouvir e vê-la,
ouvindo e vendo uma estrela
na voz de Elba Ramalho

(Por Ronaldo Cunha Lima)

Elba Ramalho por alguns anos morou em Campina Grande, chegando a atuar em peças teatrais na "Rainha da Borborema", como pode ser visto na imagem abaixo:

Elba Ramalho em Morte e Vida Severina sob direção de Elisabeth Marinheiro-Campina Grande-1973
(Acervo do site: www.lourdesramalho.com.br)

No “RHCG” podem ser encontrados alguns registros em alusão a Elba, inclusive uma reportagem em vídeo de 1992, quando a artista recebeu o título de cidadã campinense.

O grande momento de Elba Ramalho, sem dúvida, pertenceu aos anos 80. Chegou a posar nua para a Revista Playboy, devido a seu forte apelo sensual.

Para demonstrar o grande sucesso da cantora nascida em Conceição do Piancó, recuperamos nos arquivos digitais da Revista Veja, uma edição de 1983, em que Elba era o assunto principal, sendo ainda a capa da conceituada e histórica revista. Nossos leitores podem ler a reportagem, clicando nas imagens em miniaturas a seguir:
Como curiosidade, outro paraibano aparece na matéria, o multimídia Bráulio Tavares.
Portal A Palavra Online

Uma citação incidental ocorrida em publicação do Portal A Palavra Online no último dia 02/04/2018, promoveu surpresa e, ao mesmo tempo, dúvidas acerca de um fato ocorrido há mais de 40 anos, que envolveu a cantora Elba Ramalho e o empresário Ivan Batista, vereador em exercício de mandato na Câmara Municipal de Campina Grande.

Em uma matéria que apontava a sugestão do vereador sobre uma oportunidade de apresentação artística no Parque do Povo para Eduarda Brasil, paraibana de São José de Piranhas, destaque no Programa 'The Voice Kids' da Rede Globo, o jornalista Marcos Marinho discorreu, quase que "despropositadamente", que o vereador Ivan Batista seria o responsável por ter dado à Elba Ramalho, seu primeiro violão!

A viralização da postagem só aumentou a curiosidade dos leitores sobre o fato, até agora desconhecido do público campinense.

Pois bem... Marinho tem razão, porém o fato é uma referência cruzada! 

"Morte e Vida Severina", Campina Grande 1973
No final dos anos 60 a Rainha da Borborema respirava muita cultura, principalmente nas expressões teatrais, berço das primeiras incursões artísticas de Elba Maria Nunes Ramalho.

No início dos anos 70, o empresário Ivan Batista era proprietário de uma loja de discos chamada "Lojinha dos Sucessos", que ficava localizada na Rua Cardoso Vieira, em Campina Grande. Em 1972, fora procurado por um dos produtores do Festival Campinense de Música Popular Brasileira, realizado pela FACMA e, como apoio ao evento, doou um violão para ser o prêmio do vencedor que viria a ser Elba Ramalho, que já ganhava notoriedade nos palcos campinenses.

Ivan Batista sempre se notabilizou por suas investidas empresariais, haja vista ter sido proprietário da famosa e saudosa Boite Maria Fumaça, na década de 1980.  
A imprensa nacional vem destacando os constantes ataques sofridos pela caravana do ex-presidente Lula, em viagens pelos estados da região Sul do Brasil.

Diante do lamento e da indignação da comitiva e dos seus aliados políticos, o BlogRHCG relembra o dia em que grupos partidários e movimentos sindicais ligados ao ex-presidente também agiram com a mesma deselegância e desrespeito ao então Presidente da República, em visita oficial a Campina Grande, em Maio de 1995.

Confirme noticiou Xico Sá, enviado especial da 'Folha de São Paulo' para cobertura do evento, "o ônibus que conduzia o presidente Fernando Henrique Cardoso foi apedrejado por manifestantes no início da noite de ontem em Campina Grande (PB), momentos antes de a comitiva deixar a cidade com destino a Natal."

Os organizadores do protesto, que gritavam impropérios que atingiam a honra e a dignidade do Presidente, negaram a responsabilidade pelas pedradas, informando que a orientação foi de que os militantes promovessem uma manifestação pacífica. 


O recorte abaixo é do 'Diário de Pernambuco', que também noticiou o fato, em 21/Maio de 1995:



Fonte: Diário de Pernambuco (Acervo)
No dia 23 de março o Conjunto Álvaro Gaudêncio em Campina Grande, mais conhecido como Bairro Malvinas, comemora o seu 35º Aniversário de "fundação", quando teve a ocupação das suas residências no episódio narrado como "A invasão das Malvinas".

Segue abaixo o texto descritivo postado no Wikipedia, acrescido dos vídeos que ilustram o assunto discutido, inclusive com dois vídeo-documentários com imagens registradas durante o processo de 'tomada' das residências, no ano de 1982. 



Wikipedia:

As Malvinas é um bairro brasileiro localizado na zona oeste da cidade de Campina Grande, na Paraíba.

O Bairro divide-se por zonas populacionais, Dinamérica, Novo Cruzeiro, Conj. Mariz, Conj. Humberto Lucena, Cinza, Conj. Rocha Cavalcanti, Conj. Ana Amélia, Conj. Raimundo Asfora, Conj. Bárbara, Conj. Grande Campina, Conj. Alto das Malvinas.

As Malvinas é o bairro mais populoso de Campina Grande. Sua população é superior a 80 mil moradores, número semelhante à população de cidades como Guarabira, Souza, Cajazeira, Bayeux e, pequenas ilhas e países do Caribe.

História

No início da década de 1980, as casas do conjunto habitacional Bodocongó II, intitulado por Conjunto Álvaro Gaudêncio, começavam a ser construídas pela CEHAP (Companhia Estadual de Habitação Popular), seguindo ordens do então Governador Wilson Braga, que na ocasião havia conseguido verbas do governo federal para este fim.

Ao término das construções, no início de 1983, o Conjunto não apresentava infra-estrutura (água, luz, esgoto sanitário) para que fossem entregues as casas, por meio de sorteio, aos servidores estaduais devidamente cadastrados.

No dia 23 de março de 1983, iniciou-se a invasão das casas por pessoas não cadastradas na CEHAP, que alegavam abandono das casas e que portanto estariam naquele momento apossando-se das mesmas. Na tentativa de impedir a invasão, foi formado um cerco policial que não obteve resultados positivos. Naquele instante, o então governador do estado Wilson Braga, ordenou que as forças policiais impedissem que mais pessoas entrassem no conjunto, que até então ainda estava cercado (com arame farpado) e só existia uma única entrada (por meio de uma espécie de "porteira").

Logo após, pensou-se numa forma de retirar os invasores da seguinte maneira: seria proibido que alguém saísse ou entrasse do conjunto, fazendo com que os invasores ficassem isolados, sem alimento e água, e, assim, desistissem das casas recém invadidas. Na época, o governo municipal impediu que esse plano fosse concretizado, e enviou alimentos e água através de carros-pipa para os invasores.

Alguns meses depois, a CEHAP viu que não haveria outra maneira a não ser cadastrar os invasores e fazer com que eles pagassem as prestações das casas. Foi feito então o cadastro de cada morador num posto de atendimento instalado nas proximidades, mais precisamente na Escola Estadual Alceu do Amoroso Lima. Funcionários passaram de casa em casa avisando aos moradores que fizessem o cadastramento e assim regularizassem sua situação junto à CEHAP.

Em seguida, por reivindicação dos moradores, foi instalada a rede elétrica, seguida da rede de água e esgotos, fazendo com que o Conjunto tivesse a infra-estrutura mínima para que pudesse atender os moradores.

Na mesma época da invasão (1983) estava acontecendo um conflito militar nas Ilhas Falkland, popularmente conhecidas como Ilhas Malvinas, localizadas ao extremo sul da América Latina, daí a origem do nome do bairro: Malvinas.

Durante os últimos anos desde a invasão, o bairro das Malvinas obteve grande crescimento populacional além da grande quantidade de novas construções nos arredores do bairro, fazendo com que o mesmo se tornasse ainda maior. Com todos esses acontecimentos, surgiu a necessidade de melhorias na infra-estrutura do bairro, como pavimentação das ruas e recuperação da rede de drenagem pluvial (bueiros coletores das águas de chuva). Durante anos foram feitos pedidos junto ao governo municipal para que a rede de canais construídos no bairro fossem cobertos. Depois de muitas tentativas, finalmente, foi feita a obra de cobertura dos canais, que fez com que o bairro ficasse mais limpo, proporcionando aos moradores mais um ponto de lazer, onde podem ser feitas caminhadas e outras atividades.

Abaixo, uma excelente reportagem do Programa Diversidade da TV Itararé, com imagens históricas da época da invasão:


Documentário sobre a história das Malvinas:

1ª Parte:


2ª Parte:


Alvino Pimentel era natural de Alagoas, aportou na Rainha da Borborema e tornou-se um abastado exportador de algodão na época áurea da cultura algodoeira e detinha relações estreitas com grandes personalidades políticas do Brasil. Entre eles, o ex-presidente JK, o qual recebeu e hospedou o mesmo em sua confortável residência situada na Rua Getúlio Vargas, quando o mesmo visitou Campina Grande pela segunda vez, para inauguração da Adutora de Boqueirão, atendendo ao famoso pedido de Alvino: "para mim não quero nada, mas para Campina Grande peço uma adutora".

O livro "Folclore Político", de Sebastião Nery, reúne uma série de contos que foram absorvidos pela História de políticos brasileiros. Entre estes contos, na seção dedicada ao ex-presidente Juscelino Kubitschek, encontramos a seguinte narrativa:

"Candidato a presidente, hospedou-se em Campina Grande, na casa do coronel Alvino Pimentel, industrial e homem refinado. Tratou JK como um rei: queijos da França e caviar da Rússia. Cinco anos depois, no fim de seu mandato, Juscelino retornou a Campina Grande para inaugurar o serviço de água, promessa de campanha. Quando a porta do avião abriu, a primeira pessoa que apareceu lá embaixo foi um senhor de cabelos brancos. Chamou Abelardo Jurema:
- Quem é aquele de cabelos brancos ali no pé da escada?
- É o compadre Alvino, onde o senhor se hospedou.
Juscelino desceu sorrindo, os abraços abertos:
- Coronel Alvino, e os queijos?"
Hugo Felinto, bisneto do entusiasta Alvino Pimentel, produziu o curta "Compadre Alvino" como resultado do Trabalho de Conclusão do Curso de Arte e Mídia, da UFCG, após disponibilização do autor na rede social YouTube, reproduzimos esta grande contribuição á memória política e empresarial de Campina Grande:


 


Um de nossos grandes colaboradores, o professor universitário Mario Vinicius Carneiro Medeiros*, convida os leitores e visitantes do RHCG a conhecer o seu novo livro: "O CRIME DE CARLOTA LÚCIA DE BRITO - A VERDADE DOS FATOS"       

Este livro narra a história de Carlota Lúcia de Brito, mulher que mandou matar o  Dr. Trajano Chacon, um ex-Vice-Presidente da Província da Parahyba, em Areia, no ano de 1849.

Mario Vinicius Carneiro Medeiros
O texto se desenrola como se fossem cenas de uma peça teatral, apresentando três grandes atos e um entreato, que é a descrição da ilha de Fernando de Noronha. O primeiro ato é o histórico dos personagens; o segundo é o processo e o julgamento destes, seguido pelo entreato. Por fim, o  terceiro ato trata da vida de Carlota na ilha, trazendo um novo desfecho para seus últimos dias, desfazendo o final aparentemente feliz, outrora narrado por outros escritores que também trataram  do referido assassinato.

O livro conta com mais de 400 páginas. Tem por fundamento o processo judicial, documentos oficiais e as notícias publicadas pelos jornais da época, Ao trazer novos dados ao Caso Carlota, o autor termina por desmistificar o destino da mulher fatal, contrariando a história construída por Horácio de Almeida e engordada pela memória da cidade de Areia e sua região. Carlota Lúcia de Brito é aqui mostrada apenas como uma mulher forte que, numa sociedade controlada por homens, sofreu ameaças e teve a coragem de revidá-las. Sua personalidade já foi estudada em diversas universidades brasileiras e até de outros países, a exemplo dos Estados Unidos, Inglaterra e Argentina.  

Declamação do cordel sobre a história, pela poetisa Anne Karolynne

Mário Vinícius Carneiro Medeiros é formado em Direito e em Licenciatura Plena em História pela UEPB. É Mestre em História do Direito pela Universidade de Lisboa, Portugal. É professor da UEPB, UFPB e UNIFACISA e autor do livro Treze Futebol Clube: 80 anos de história (2006)


O livro está à venda no Catalivros da Praça Clementino Procópio.




Em 14 de março de 1966, entrou no ar oficialmente a primeira televisão da Paraíba, a TV Borborema, fruto do ideal de Assis Chateaubriand que escolheu Campina Grande para a sede de uma TV do grupo dos Diários Associados.

Tudo começou em 1961, quando um engenheiro francês contratado pelos Diários Associados visitou Campina Grande. Seu objetivo era encontrar um local para que fosse implantando um projeto de instalação dos transmissores. O equipamento foi doado pela TV Tupi, a emissora chefe dos Grupo Associados e o local escolhido o Edifício Rique, na Venâncio Neiva.

A TV entrou em operação em fase experimental, em 15 de setembro de 1963, quando apresentou um programa social, com apresentações de artistas pernambucanos e de Campina Grande. Também houve um telejornal, que obteve certo sucesso na época. Na transmissão inaugural realizada no Edifício Rique, personalidades locais estiveram presentes, a exemplo de José Noujain e esposa, João Lira Braga e esposa, Otávio Queiroz e esposa, Gilberto Ribeiro, Edval Carvalho, Zuilson Oliveira, Cláudio Cisneiros e esposa, Pedro Sabino e esposa, Hailton Sabino e esposa, Francisco Assis Vieira Melo e esposa, Alonso Arruda, João Nogueira de Arruda, Nilo Tavares, Severino Cabral, Ibrahim Habib, Michel Mozales, Kalina Lígia Duarte Nogueira, Gladys Emerenciano, Hilton Motta, Genésio de Souza e Ariosto Sales.

A primeira imagem da emissora foi a de Hilton Motta. Suas palavras históricas foram as seguintes: “Boa noite, telespectadores de nossa cidade rainha da Borborema, tem início, nesta festa de gala, que conta com a presença da mais ilustre ala da sociedade a pré-estréia em caráter experimental do canal 4, a nossa TV Borborema de Campina Grande, marca do pioneirismo de nossa gente. Não se trata, pois, de uma idéia, de um esboço, de uma vontade de realizar. Nossa TV, a TV de todos os campinenses e paraibanos já é uma realidade indiscutível e vai se incorporar ao patrimônio artístico e cultural da cidade como força maior do seu desenvolvimento e do seu progresso, integrando-se também, de forma distinta, às solenizações do centenário de Campina Grande, no próximo ano de 1964. É Campina Grande não pode parar. Nada detém. E ao lado de sua marcha para o futuro, progressistas e dinamicamente, estão os Diários e Rádios Associados com a parcela de seu esforço e a contribuição de sua capacidade organizadora”.

Em outubro de 1963, novas intervenções ao vivo. Foi transmitida a festa das debutantes no Campinense Clube, a parada cívico-escolar-militar em homenagem ao aniversário da cidade e acreditem: a partida Treze x Campinense no Estádio Presidente Vargas, 25 anos antes do jogo Treze x Botafogo, a primeira transmissão de um jogo ao vivo da Rede Paraíba e 36 anos antes da transmissão dos jogos do Campeonato Paraibano pela TV Correio, iniciada em 1999.

No começo da TV Borborema, toda a programação da televisão local se resumia a duas horas diárias. Segundo o Diário da Borborema: “a partir das 20h, os receptores recebiam as primeiras imagens locais, começando com a abertura e seguindo com a imagem padrão, apresentando o logotipo da TV. A partir daí a programação era dividida em tempos que variavam entre 10, 15 e 45 minutos. Às 20h15 a emissora começava a transmitir o "Cineminha", com desenhos animados e séries; às 20h30, era a vez do "Tele Esportes Borborema", apresentado por Amaury Capiba; às 20h45, o "Musical", com Arlindo e seu conjunto; às 21h30, Divertimentos em filmes, com apresentação de seriados. A programação era encerrada às 22h”.

Também é dessa época o programa “Zé Lagoa na TV”. Atrações do porte de Rosil Cavalcanti, Enildo Siqueira, Amaury Capiba, Marilda Ferreira, além do conjunto do famoso personagem capitão Zé Lagoa, se apresentavam no programa.

A festa de Momo de 1964 foi outro evento transmitido pela TV Borborema. Amaury Capiba comandou a equipe que trabalhou no evento.

Nos primeiros anos da TV Borborema, quando não existia o videotape, o jornalismo era apresentado de forma precária. Eram apresentados slides com fotos principalmente do Diário da Borborema, que ilustravam as notícias. É dessa época o jornalista Geraldo Batista, que apresentou o noticiário chamado “Factorama”: “Havia muito improviso, mas trabalhávamos com dedicação e isso compunha a qualidade dos telejornais”, relatou Batista ao Diário da Borborema em 2006.

Cenas do jornalismo da TV Borborema

Um dos nomes marcantes da TV Borborema foi o de Graziela Emerenciano, que entre 1966 e 1988, apresentou um programa de entretenimento, com atrações políticas, sociais, musicais e de variedades, bem antes dos programas de Amaury Júnior, Otávio Mesquita e afins. Graziela recebeu em seu programa, personalidades como Nelson Gonçalves, Jair Rodrigues, Jorge Amado e toda a nata da sociedade local.

Graziela

Outro programa de destaque da TV Borborema e que já foi alvo do nosso blog, foi o do palhaço Carrapeta, que se destinavam as crianças. Luiz Holanda, o Carrapeta, tornou-se uma celebridade local, tudo graças a sua visibilidade na TV. Nos anos 90, o palhaço Pipokinha também realizaria um programa nos moldes do de Carrapeta.

Nos anos posteriores, o canal da emissora mudaria do 4 para o 9. Os logotipos também mudariam, como pode ser visto nas imagens a seguir:


Anos 90
Atual

A TV Borborema desde sua estréia extra-oficial em 1963 até 1980, retransmitiu para a cidade o sinal da TV Tupi. Em função do encerramento das atividades da primeira emissora do país, a TV Borborema retransmitiu as imagens da TV Record e em setembro de 1980, fez parceria com a Rede Globo. O evento de afiliação com a poderosa global, foi marcado com um coquetel na cidade, contando com as presenças do prefeito de Campina Grande, Enivaldo Ribeiro, o diretor regional da Rede Globo Leopoldo Collor de Melo (ele mesmo, o irmão do ex-presidente Fernando Collor) e outras personalidades. O então superintendente da TV Borborema, Jonatas Mahon, discursou na solenidade demonstrando a importância da associação entre as duas emissoras.

No começo de 1987, a TV Borborema assinou um contrato com a emergente Rede Manchete, marcando uma nova fase em sua história. A final do Campeonato Brasileiro de 1986, que terminou apenas no ano seguinte, foi mostrada com exclusividade para Campina Grande pela emissora, além de mostrar também, os famosos Carnavais do Rio de Janeiro. Não se pode esquecer, é claro, a programação local, já que não tinha mais que seguir o padrão globo, ou seja, teria um horário mais alternativo para a realização de seus programas locais. A partir de 1989, assinou contrato com o Sistema Brasileiro de Televisão do grupo Silvio Santos e mantém até os dias atuais, essa parceria de sucesso.

Os programas da TV Borborema mereciam um espaço a parte. No seu começo, a emissora de Campina Grande tinha o privilégio de ser a geradora das imagens das famosas novelas da Tupi para a região nordeste. Os programas locais também ficariam marcados na história da televisão paraibana. A Hora do Povo na TV começou em 1991. Em 1996, uma versão para a TV do programa “A Patrulha da Cidade”, sucesso na Rádio Borborema. No ano de 2000, seria criado o “Momento Junino”, talvez o programa de maior sucesso e expressão da história da TV Borborema. Apresentado por Abílio José, nomes do quilate de Marinês, Santanna, Flávio José, Mastruz com Leite, Alcymar Monteiro, Dominguinhos entre outros, foram destaques no programa, que é exibido durante a época do “Maior São João do Mundo”.

Não se pode esquecer também, das transmissões ao vivo do Maior São João do Mundo e principalmente da Micarande, pois na transmissão dessa última, a TV Borborema passava as madrugadas mostrando os pontos altos do evento que ficou marcado na memória de Campina Grande.

Pois é, são 45 anos de história da TV Borborema com nossa cidade, todavia um fato a se lamentar, a não preservação da memória da emissora, pois em virtude dos altos custos dos videotapes, os mesmos eram reutilizados e programas históricos não tiveram nenhum registro preservado. Se a emissora tivesse tido a preocupação de manter algumas imagens, momentos históricos de Campina Grande teriam seu registro. Outro motivo de preocupação é uma nova idéia que está surgindo nos Diários Associados, através do objetivo de unificar o registro do nome do grupo. Por esse motivo, a Rádio Borborema e a TV O Norte já desapareceram. Se o mesmo fato ocorrer com o nome da TV Borborema será um desrespeito à cidade, um verdadeiro “tiro no pé”. Esperamos que tal fato não ocorra.

Imagens históricas:




Assista:

Antiga Vinheta da TV Borborema:


Fontes Utilizadas:

-Arquivos do Diário da Borborema
-Arquivos do Diário de Pernambuco
-Arquivos Pessoais
-TV Borborema

(Texto originalmente postado no Portal A Palavra)

No ano de 1953 a Áustria era um país em escombros, dividido e ocupado pelas tropas dos aliados desde o fim da Segunda Guerra Mundial, pois pertencia ao Reich Alemão de Adolf Hitler. A incerteza, o desemprego e a fome compunha o cenário vienense quando o jovem Wilhelm Gustav Steinmüller, já casado a pouco mais de três anos e com três filhos pequenos, decidiu deixar sua terra natal e tentar a sorte no Brasil, que era considerado na época uma terra de oportunidades.

Somente com a cara e a coragem o jovem austríaco desembarcou no Recife. Imaginem o que é estar em terra estranha e sem saber se comunicar. Mas, felizmente, Willy (como ficou conhecido) arranjou emprego num frigorífico e logo que teve a documentação de permanência regularizada, mandou buscar a família para junto de si. Assim, em 01 de novembro de 1953, sua esposa Margareth Straznicky reuniu filhinhos Renate, Helga e Viktor, e embarcou no navio Toscanelli, numa penosa viagem de doze dias rumo ao Brasil.

Foi um recomeço difícil para o casal austríaco na capital pernambucana, até que Willy ouviu falar de Campina Grande, cidade em desenvolvimento que oferecia oportunidades para negócios, e então, com o pouco dinheiro que ainda lhe restava da venda de sua casa em Viena e a indenização do frigorífico onde trabalhava, resolveu ousar e mudou-se para Campina Grande com a família, chegando em 14 de maio de 1954, no intuito de começar um negócio de conservas e frios na cidade.

Num prédio de propriedade da senhora Maria Cunha, Willy se fez inquilino e adaptou o imóvel para iniciar sua fabricação de salsicha, linguiça, mortadela, salame e presunto, que produzia por meio quase artesanal, e assim nascia a Salsicharia Vienense.

Carismático e muito ativo, em pouco tempo Willy fez amizades, conseguiu empréstimo junto ao Banco do Nordeste para adquirir os primeiros maquinários e gerir o empreendimento. Todavia, embora o casal tivesse feito muitos amigos, o negócio não prosperava porque os produtos embutidos causavam estranheza, pois ainda não faziam parte dos hábitos alimentares dos campinenses.

Mas Willy era perspicaz, não aceitou o fato de ter apostado todas suas economias e esperanças num negócio estéril. Observou o povo, conversou aqui, proseou ali, e percebeu que os campinenses gostavam mesmo era de beber, e, já que Maomé não vinha à montanha, lhe veio à ideia de levar a montanha a Maomé. Foi ao Recife, comprou um barril de chopp, que gelava na época com uma serpentina, reorganizou o ambiente com mesas e cadeiras simples e no dia 12 de novembro de 1955 inaugurava a primeira choperia da cidade, o Chopp do Alemão, como ficou conhecido porque os campinenses não sabiam diferenciar um austríaco de um alemão, afinal eram todos galegos e falavam a mesma língua.

Sem dúvidas Willy foi genial, pois seu objetivo de transformar a salsicharia em lugar também de encontros alegres para consumo de chopp, tinha a estratagema de habituar os campinenses a comer seus embutidos, que entravam a pretexto de aperitivo. Com chapéu de feltro com uma peninha verde, típico de tirolês, o chopp servido com espuma e em canecas de vidro e numa arquitetura interna semelhante as tabernas, com arcos e tijolinhos à mostra (em branco e vermelho para representarem as cores da Áustria), Willy criou um ambiente da tradicional cultura dos povos germânicos em Campina Grande, uma novidade exótica e atraente que logo cativou os boêmios, poetas, bancários, advogados, jornalistas, radialistas, médicos e estudantes, nomes de destaque como Ramalho Filho, William Tejo, Félix Araújo, Ronaldo Cunha Lima, José Pedrosa, Déa Cruz e, noutros tempos, Chico Maria, Firmino e Virgílio Brasileiro, Arlindo Almeida, Stenio Lopes, Flamarion Leite, Gilson Souto Maior, Bráulio Tavares, Carlos Alberto Azevedo e mais uma infinidade de pessoas que se tornaram frequentadores assíduos desta choperia que entrou para a história da cidade.

Desse modo, há 64 anos a família Steinmüller se estabeleceu em definitivo na Rainha da Borborema, onde nasceram mais cinco filhos do casal: Ida, Otto, Roberto, Elisabeth e Franz, e até hoje o Chopp do Alemão permanece em funcionamento num prédio em estilo de arquitetura enxaimel no centro da cidade, à Rua Barão do Abiaí, 158, atualmente sob a gerência dos filhos do casal Otto e Roberto Steinmüller, que pretendem criar nos salões do Chopp um memorial fotográfico registrando todos os frequentadores do lugar desde sua fundação até os dias atuais e vindouros.


 
BlogBlogs.Com.Br