Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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Por décadas e décadas o campinense brincou animadamente o seu Carnaval.  Acredite: em seus clubes e ruas já foram vistos pulando alegremente, desengonçadamente, democraticamente, um faraó e uma Chiquita Bacana, um pierrô e uma nega-maluca, muitos palhaços, papangus, índios,  um pirata e uma colombina, muitos  'carregos'  e uma nega-do-cabelo-duro. 

Fizesse o tempo que fosse: sol ou chuva, vento ou mormaço, frio ou calor. Antigamente tinha festa em toda a cidade. Nas ruas, no centro da cidade e nos clube sociais espalhados por todos os bairros e comunidades. Cantando as machinhas que a turma toda sabia de cor, e saía cantado, antes, durante e depois do carnaval.

Hoje não se vê mais isso, nossos bons e antigos carnavais foi extinto, talvez as musicas de hoje, por razões várias, não sejam mesmo mais tão empolgantes – e, note bem, não escrevo “bons”, ou “bonitos”, mas “empolgantes”. Talvez seja por conta da perda de espaço para outros gêneros “musicais”, tais como a axé-music, o fanque-carioca, o sertanejo e destas Bandas de Forrô de Plástico e sem conteúdo nenhum, entre outros equívocos. Ou, quem sabe, eu é que estou ficando velho e nostálgico. E implicante.

Todo esse antelóquio, na verdade, serve apenas para falar com saudade dos nossos dos bons-velhos-tempos, daqueles que o folião e a foliona não esquecem mesmo com o tempo a riscar o chão.

Pois é amigos, falar sobre os antigos carnavais de Campina Grande  nos anos que regaram a minha juventude é como dissertar sobre mim mesmo. Eles foram como um perfume inebriante que se dissipou no tempo, mas deixou sua fragrância em nossos sentidos, e onde quer que estejamos, ao lembrá-los, sentiremos que existirá sempre um pierrô e uma colombIna jogando confetes e serpentinas no salão da saudade.

Bate uma saudade grande... Uma tristeza imensa por não poder viver mais aquele tempo que ficou perdido no espaço. 

Os antigos Carnavais da nossa cidade tinham uma inocência peculiar, uma tradição, um amor próprio tão grande... Éramos felizes e sabíamos... Com certeza nossos amigos moradores de outras cidades irão pensar da mesma maneira, que saudades dos antigos carnavais e tempos antigos...   

Tenho ainda muito vivas em minha memória recordações deliciosas das comemorações que eram feitas durante o carnaval aqui na nossa cidade. Refiro-me aos anos 60, quando eu vivia minha infância, e 70, já na minha juventude. Sinto, sim, saudades daqueles carnavais. Lembro-me dos papangús que passavam pelas ruas e brincavam com as crianças. 

Era impossível sair ás ruas da cidade, lá pelos idos dos anos 50, sem se deparar com essa figura curiosa, mascarada, com o corpo todo coberto, andando sozinho ou em bando. Amado e muitas vezes temido, os papangus faziam a festa, ora assustando, ora divertindo, num misto de palhaço e bicho papão. 


Na minha rua os papangus eram pessoas normalmente sisudas. E a meninada, assustadas ou não, saíam atrás dos papangus, esses brincantes de indumentária rústica, improvisadores de mímicas e palhaçadas, atraindo as atenções por onde passavam. Da La Ursa e os foliões mascarados que saíam pelos bairros a alegrar e a divertir a todos. 

São lembranças que com o passar dos anos ficam mais vivas na minha memória. Sinto saudades dos vesperais carnavalescos dA AABB, onde bricamos junto a amigos e amigas do bairro do São José conforme foto abaixo:

Parece que quanto mais o tempo passa a nostalgia aumenta. Era uma festa alegre, o clube ornamentado com máscaras, serpentinas, um cheiro agradável de lança perfume, à orquestra tocando marchinhas (Algumas músicas são tão marcantes, que até mesmo nos dias de hoje são cantadas em momentos de alegria. Entre elas estão: “Allah-lá-ô“, “Cachaça”, “Cabeleira do Zezé”, “Abre Alas”, “Ô Balancê” “Mamãe eu quero”, “O teu cabelo não nega”, “Me dá um dinheiro aí” entre outras), samba e frevo, a garotada pulando, jogando confetes, serpentinas e jatos de água para todos os lados. Momento mágico, guardado na memória como uma relíquia.

Saudade imensa, sim, das famosas “batalhas de jogar Talco, maizena, colorau ou água nos componentes do corso que eram formados pelas pessoas jovens e adultos que iam em cima de veículos, especialmente jipes e caminhões, que levavam os citados blocos, grupos de amigos, para as ruas seguindo os carros e aos clubes. Todas as pessoas, mascaradas ou não, mas sempre com suas vestimentas e com uma disposição fantástica para brincar de forma saudável, sem precisar de “estimulantes”.

A cidade, especialmente o centro formado pelas ruas: Maciel Pinheiro, Floriano Peixoto Marquês do Herval,  Cardoso Vieira e Beco do 31, fervilhava de foliões de todas as classes sociais. Era comum cruzarmos com pessoas conhecidas que, usando fantasias, tentavam brincar conosco sem se deixar reconhecer. 

O Corso - Nas décadas de 1960 e 1970 o corso da cidade era outra atração, um dos veículos mais utilizados no corso era o Jipe, sem capota. Havia também muitas camionetes e caminhões, por serem veículos abertos, essenciais para a brincadeira. Diversos foliões preparavam carros só para o desfile do corso. Serravam a lataria de fuscas, por exemplo, para que ficassem  conversíveis e os decoravam com pinturas carnavalescas e frases engraçadas.









A folia nos Clubes

No Salão dos clubes o  trajeto dos foliões consistia em uma movimentação em círculo, obedecendo ao sentido horário – mas também havia alguns sujeitos cheios de “ birita”, que preferiam brincar no sentido anti-horário, o que era sinônimo de confusão. As garotas desacompanhadas ficavam nas bordas do salão, observando aquela alegre confusão. De repente, uma mão saindo do meio da massa  lhe alcançava o pulso e a puxava para o salão. Se houvesse interesse recíproco, a foliona enganchava no sujeito e ia pra guerra. Se não, ela dava um jeito de liberar o pulso das mãos do “enxerido”. Essas efêmeras conquistas carnavalescas se constituíam na glória (ou “toco”) de qualquer moleque que buscava as folias de Momo.


Os foliões  se movimentavam no salão de acordo com a música. Havia as marchinhas para uma evolução rápida – leia-se correria desenfreada e trombadas entre os participantes –, como os frevos as mais frenéticas de todas, que costumava causar algumas quedas coletivas no salão. No dia seguinte, após a ressaca carnavalesca, a turma se reunia para contar vantagens sobre as conquistas efetuadas e fazer planos para os bailes do dia seguinte. Só cascata, evidentemente, ninguém tinha “ficado” com ninguém. Aqueles beijinhos pueris eram somente isso, beijinhos pueris. Mas na nossa adolescência, com os hormônios à flor da pele, a mentira era  nossa mais perfeita aliada. E não deixava de ser um bom aprendizado para a idade adulta.


No final dos anos 70, face final dos grandes carnavais de clube. Participei dos últimos carnavais em nossa cidade no Campinense Clube com a orquestra de maestro Cipó. Carnaval animado com a boa orquestra, tocando frevos, machinhas e o velho samba, com a presença de blocos de salão, muita fantasia e grande animação. Nesse período o carnaval de bairro já estava em decadência, não só em Campina Grande, mas na maioria das cidades Nordestinas. 

Na década de 80 foi o início da ocupação das bandas baianas e a comercialização dos grandes carnavais, fim da era romântica, da espontaneidade, da irreverência, do deboche e da critica. Infelizmente, acabou nosso Carnaval em salões, desapareceram as velhas marchinhas, ninguém passa mais brincando e cantando feliz. Assim era o nosso Carnaval ou velhos e antigos carnavais da nossa terra “Rainha da Borborema”, reminiscências de um passado glorioso que fica para registro da história. 

Alguns já se encontram em dimensões mais elevadas. Outros, porém, continuam percorrendo os outros caminhos. E agradeço a Deus por ter me dotado de tão boa memória, de me conservar ainda lúcido, para reviver a alegria de um passado, que se perde nas brumas do tempo! Quando encontro amigos, que durante muito tempo.

Feliz de quem contemplou os bons tempos que se passaram, onde tudo era mais difícil, tudo era mais suado, mas sem dúvidas, fomos mais felizes! Hoje as coisas são mais fáceis, ao alcance de todos, mas o homem se destrói com o passar do tempo, simplesmente a conseqüência mais atroz da inversão de valores.

As noites de carnaval já não são como antigamente, quando milhares de foliões iam às ruas e lotavam os clubes para atravessar a madrugada no embalo das marchinhas carnavalescas. A tradição do carnaval está se perdendo a cada ano, os jovens que freqüentam as festas em alguns clubes querem “curtir” à noite com músicas eletrônicas nas baladas, às quais são acostumados. 

Finalmente se eu tivesse a cidade e a chave do Carnaval de Campina Grande em minhas mãos, certamente que eu faria um Carnaval aos moldes dos anos 60 e 70. O frevo tomaria o seu posto de antes; retomaria as escolas de samba e os “corsos e os blocos de rua; as ruas como antigamente seriam enfeitadas com amostra próprias da festa de Rei Momo; poria um policiamento ostensivo, contrataria boas orquestras de frevos e impediria, através de um acompanhamento fiscalizador, que “aqueles blocos” ficariam proibidos de tocar. Quem quisesse tocar o seu “axé” que o fizesse distante do nosso Carnaval.


FOTOS DE BLOCOS DOS ANTIGOS CARNAVAIS DE CAMPINA GRANDE

Para muitos campinenses, as mais remotas lembranças do carnaval são feitas de confetes, serpentinas e tubos de lança-perfume.  Alguns ainda se recordam, em fotos já amareladas, imagens de alguns blocos, ou dos bailes promovidos pelos tradicionais clubes da cidade. Outros guardam apenas na memória passagens dos bons momentos vividos nos dias de folia.
Relembre a partir de hoje, e durante todos os dias de festa, imagens de antigos carnavais.

Ver fotos antigas de antigos blocos de Campina Grande é viajar no tempo, é voltar à saudade e resgatar a inocência perdida. Deparei-me com fotos da década de 30, 40, 50, 60, e até a amada década de 70. As fotos, quase todas em preto e branco, me fizeram viajar no tempo e foi impossível não sentir uma enorme saudade, de fatos que, inclusive, sequer vivenciei ou mesmo estive presente das décadas de 20, 30 e 40.


Esta 3 primeiras fotos abaixo são do grande fotografo Soter Carvalho



 

Estas 3 fotos abaixo são do acervo da familia de Neco Miranda


















Nesta foto mostra os atletas Leucio 0 Terceiro) e Tadeu de Erinete (ultimo a direita)













Texto e acervo fotográfico do saudoso Jóbedis Magno de Brito Neves
Por Jobedis Magno de Brito (in Memoriam) *

O Cine São José – Na década de 40 na Rua Lino Gomes, no bairro São José, começou a construção do Cine São José e que foi inaugurado em 1945, com a exibição do filme “Sempre no Meu Coração”. Logo no inicio a pesada cortina de veludo vermelha, começava a deslizar se abrindo para mostrar a tela branca em que se projetava, em seguidas vinham os trailers das futuras atrações. Parte da população do bairro assistia aos filmes exibidos no cinema. A divulgação dos filmes se dava por meio do serviço de cartazes espalhados pelos bairros e no centro da cidade. As sessões aconteciam todos os dias e nas sextas feiras exibiam um seriado (o cinema neste dia lotava quase sempre).


O Cine São José nos tempos áureos


Na Sessão da noite, desafiava-se a presença de "Seu Assis" o gerente, do Cabo Gedeão e do Guarda Beiro, quantas vezes eles chamavam a atenção do bagunceiro.  Cine São José de tanta saudade, de filmes como: "O gordo e o Magro" e filmes do Carlitos (cinema mudo, mas muito engraçado e comovente), “Crepúsculo dos Deuses”, “O Ébrio”, “A Última Carroça”, Ben-Hur, Sansão e Dalila, a “Paixão de Cristo” (este “religiosamente”, na Semana Santa), as “Chanchadas”, ”Marcelino Pão e Vinho”, ‘Luzes da Ribalta”, “E o Vento Levou”, O “Poderoso Chefão”. Os seriados: os de Tarzan; Mandrake, o Mágico; Flash Gordon. Os famosos filmes de cowboys; Jim das Selvas; Entre outros.

Os seriados: Assistíamos a um filme, e junto vinham os desenhos e um seriado. E os seriados eram aqueles produzidos nos Estados Unidos. Eles eram filmados com cerca de 15 capítulos em média, cada um. No finzinho de cada capítulo, o mocinho ou a mocinha (ou os dois juntos, pra ficar mais emocionante!), ficavam numa enrascada em que a morte era certa e pimba: Continua na Próxima Semana! E tínhamos que voltar, para ver como eles se safavam da situação. E voltávamos todas as semanas até o "The End" do último capítulo.

E tinha mais: não vimos que se assemelhasse à torcida no cinema de então... Quando o mocinho acabava com o bandido, ou a cavalaria chegava pra salvar a família de pioneiros cercada pelos índios, o cinema inteiro virava a maior bagunça. Era uma barulheira só, com nós, crianças, batendo os pés, berrando e gritando.

O Cine  José era o romantismo: Os anos cinqüenta e sessenta no Bairro do São José foram assim de uma efervescência épica do ponto de vista cultural, social e intelectual. O serviço de som do Bairro, naquele tempo, comandada pelos nosso agitadores culturais  José Borges Filho e David Jorge foram alguns dos ícones dessa revolução que acontecia no bairro de São José e na cidade.

Vieram, portanto, os espetáculos e o Cine São José fora, necessariamente, um ponto de encontro significativo no contexto social daquela fase romântica. A presença de figuras ilustres era indispensável naquele momento e o bairro do São José expressava emoções, alegria e, evidentemente, uma certa vaidade.Esse apogeu fora revolucionário e podemos admitir que aqueles acontecimentos ficaram registrados na memória daqueles que viveram tudo aquilo.

Precisamos criar, dessa forma, uma demanda com a velha guarda, apanhar esses depoimentos que ainda devem estar vivos por aí e colocá-los na pauta do dia. Precisamos registrar essas emoções que ainda restam, para o bem da história do nosso querido bairro. Reduto de crianças e adolescentes dos anos 40 aos anos 80, para vibrar com seus filmes de guerra e comédia, em suas matinês de fim de semana, e os filmes românticos das seções noturnas.  No tempo em que ainda não existia televisão em Campina Grande, o cinema era a grande atração de crianças adolescentes e adultos. Passava também o Canal 100 com noticias diversas,  mas com exclusividade o futebol.

Foi fechado, estava abandonado e foi invadido por uma família. Houve uma  batalha pelo seu resgate, promoveram  shows para arrecadar  dinheiro, tudo isso para não ver o antigo cinema transformado em igreja ou invadidos pelos sem-tetos. Foi  elaborado um projeto para sua utilização como Cine-teatro e Escola para crianças e adolescentes em estado de risco social, a ser construída na sua área de fundo, que alcança a Rua João Moura. Até agora ficou só no papel.


O Cine São José abandonado nos dias atuais

* O texto acima foi cedido pelo colaborador Jobedis com exclusividade para o blog.

SAIBAM MAIS:


Reportagem da TV Itararé (Programa Diversidade), sobre a história do cinema do bairro de São José:


Por Jobedis Magno

Nasci na década de 50 no bairro do São José em Campina Grande. Sou saudosista e por isso gosto de evocar lembranças, sobretudo aquelas vinculadas à infância e a juventude. Muitas lembranças do passado chegaram-me em grandes quantidades à minha mente. São momentos diversificados da existência, cujo cenário principal era a Rua Felipe Camarão no bairro do São José, onde ainda está de pé resistindo ao tempo a casa onde nasci. Lembranças das antigas Bodegas de Seu Leopoldo Menezes e de Giovane Barbosa (pai dos meus amigos de infância Nego Gilson e Geraldo Leal). Lembranças do  banco da Praça do Trabalho que serviam de ponto de encontro para bate-papo da juventude de minha época. Veio-me à memória os bate papos e debates salpicados de um tom à vezes pitorescas, às vezes intelectualizadas dos nossos contadores de causos: Raul de Melo, Sabará, Fubá Vei. Sem esquecer o folclórico Zé Neguim ou Zé Balbino como era também chamado, verdadeiro guru, que sem alarde nos alegrava com suas inocentes participações. As acirradas pelejas de porrinha valendo tira gosto e cervejas do Bar Cristal de Wamberto Pinto Rocha, onde quem não pagava suas “contas” ia parar no famoso “quadro dos Velhacos”.

Revi todo o cenário de nossa infância e juventude. E agora me chega às lembranças dos antigos carnavais da cidade. Mas, isso faz parte das reminiscências de todos. Claro, cada geração tem as suas lembranças. Em regra geral, tem saudades do seu tempo de adolescente, época marcante na vida de qualquer pessoa.

Tenho ainda muito vivas em minha memória recordações deliciosas das comemorações que eram feitas durante o carnaval aqui na nossa cidade. Refiro-me aos anos 60, quando eu vivia minha infância, e 70, já na minha juventude. Sinto, sim, saudades daqueles carnavais. Lembro-me dos papangus que passavam pelas ruas e brincavam com as crianças. Da La Ursa e os foliões mascarados que saíam pelos bairros a alegrar e a divertir a todos. 

São lembranças que com o passar dos anos ficam mais vivas na minha memória. Sinto saudades dos vesperais carnavalescos do AABB, parece que quanto mais o tempo passa a nostalgia aumenta. Era uma festa alegre, o clube ornamentado com máscaras, serpentinas, um cheiro agradável de lança perfume, à orquestra tocando marchinhas (Algumas músicas são tão marcantes, que até mesmo nos dias de hoje são cantadas em momentos de alegria. Entre elas estão: “Allah-lá-ô“, “Cachaça”, “Cabeleira do Zezé”, “Abre Alas”, “Ô Balancê” “Mamãe eu quero”, “O teu cabelo não nega”, “Me dá um dinheiro aí” entre outras), samba e frevo, a garotada pulando, jogando confetes, serpentinas e jatos de água para todos os lados. Momento mágico, guardado na memória como uma relíquia.

Saudade imensa, sim, das famosas “batalhas de jogar pó, maizena, colorau ou água nos componentes do corso que eram formados pelas pessoas jovens e adultos que iam em cima de veículos, especialmente jipes e caminhões, que levavam os citados blocos, grupos de amigos, para as ruas seguindo os carros e aos clubes. Todas as pessoas, mascaradas ou não, mas sempre com suas vestimentas e com uma disposição fantástica para brincar de forma saudável, sem precisar de “estimulantes”. A cidade, especialmente o centro formado pelas ruas: Maciel Pinheiro, Floriano Peixoto Marquês do Herval,  Cardoso Vieira e Beco do 31, fervilhava de foliões de todas as classes sociais. Era comum cruzarmos com pessoas conhecidas que, usando fantasias, tentavam brincar conosco sem se deixar reconhecer. 

Blocos, Corsos e as Batalhas de Confetes, pó e água

Eu sou da época em que realmente se brincava carnaval em Campina Grande. Os blocos formados por amigos, parentes ou amigos de amigos saiam pelas ruas, visitando casas para o “assalto”, uma tradição de blocos carnavalescos. Consistia em fazer visitas a diversas residências, cujos proprietários ofereciam bebidas e comidas aos participantes do Bloco. A organização fazia antecipadamente um levantamento de quem poderia ser “assaltada” e definia os locais onde o bloco deveria passar. O carnaval era uma espécie de congraçamento dos jovens e das pessoas de Campina Grande que se organizavam em blocos para empreender visitas nas casas previamente escolhidas. Lembro dos Blocos:


Bloco Lambe – Que participavam os seguintes componentes:

Raimundo Asfora, José Lopes de Andrade, Lauro Lima, Seu Pedrosa da Livraria, Edvaldo do Ó, Valter Camboim e Lúcio Rabelo.

Gentes Muito Importantes - Da Qual participavam os irmão Dureira e Ademir, Nego Nildo, Macaxeira entre outros.

Bloco os Desajustados – De qual participavam os amigos: Hérmani Mauricio, Geraldo Nunes Sobrinho (gatinho), Tadeu de Erinete, leucio Barbosa, Roberto Pai da Negas, Rubens, Zé Modesto, Adelgisio entre outros.

Bloco os Anões – Que tinha entre seus componentes: Cinebaldo Mota, Nelson Gaudêncio, Lourival Tavares, Darlon, Marcão entre outros.

Bloco da Vepel – tinha Bolinha do DER, Roni e Raw, Artur e Glauco Monteiro, Edson do Foto e Bolinha da Guri.

Bloco do Bacurau- (Açude Novo) Renan, João da Penha, Zé Maria, Chico Comuna, Zezito, Pibo e sula,

Bloco Irmãos Metralhas – Que tinham como componentes os seguintes amigos: Leonardo Tavares, Helder Sinfrônio, Paulo Jorge Zilly, Francisco Alfredo Bandeira, Ronaldo Nóbrega Tavares, Sergio Pinto, Lucio Cunha Lima, Marcos Antonio Lucas e José Cavalcante Maia.

O Bloco “Os Vadios do São José” que participavam: O seu amigo aqui o Jóbedis, Fernando Canguru, Glauco Kardec, Marcos Machado, João Enganei Mãe, Som, Firmino, Naldo, Decio Pedrosa, Beri, Patricia e Socorro Dantas, Nice entre outros. Existiram outros blocos que me fogem da memória  

O Corso - Nas décadas de 1960 e 1970 o corso da cidade era outra atração, um dos veículos mais utilizados no corso era o Jipe, sem capota. Havia também muitas camionetes e caminhões, por serem veículos abertos, essenciais para a brincadeira. Diversos foliões preparavam carros só para o desfile do corso. Serravam a lataria de fuscas, por exemplo, para que ficassem  conversíveis e os decoravam com pinturas carnavalescas e frases engraçadas.

Eram bastante comuns, nessa época, grupos de jovens desfilando em jipes sem capota, ornamentados e abastecidos com confete, serpentina, maisena, talco e tonéis cheios de água, onde as bisnagas eram abastecidas para molhar uns aos outros. Além das bisnagas de plástico, havia ainda um artefato artesanal, muito popular, construído com cano de PVC e cabo de vassoura, uma espécie de “bisnaga-gigante”, que era cheia com água e, por pressão, fazia com que jatos fortes molhassem os escolhidos para a brincadeira. Funcionava como uma mangueira portátil para dar banho nas pessoas.

 Além da água, as pessoas eram “presenteadas” também com “nuvens” de colorau, maisena, talco ou farinha de trigo, quer estivessem nos veículos em movimento (marcha lenta) ou nos “points” onde paravam para apreciar o desfile, comer, beber e paquerar. Na década de 1970, era bastante consumida nesses “points” uma “Cuba Libre” coca cola com Rum Montila. 

As fantasias mais usadas na época eram pierrô, colombina, arlequim, mas tinha muita gente fantasiada de Papangus, de urso, índio entre outras coisas mais. O Carnaval de antigamente não era como hoje, as pessoas mascaravam-se, gozavam com as outras pessoas, pois estando disfarçadas podiam fazê-lo sem serem reconhecidas. Faziam-se assaltos, que era irem ter com alguém em especial e fazer-lhe a vida negra para se gozar com essa pessoa até se fartar, deixando tudo em confusão. Além dos índios, do boi, tinha os papangus, que faziam um medo tremendo às crianças e até adultos.

O carnaval de antigamente era mais democrático, hoje pouco resiste em algumas cidades. Das maiores, Recife, Olinda é um bom exemplo. Salvador também, certo, só que lá já existe toda uma estrutura profissional a comandar as festas nas ruas lideradas sempre por imensos trios elétricos.

Lembro da Avenida Floriano Peixoto, uma verdadeira avenida dos antigos carnavais. Os corsos e cortejos carnavalescos desembocavam na Rua Maciel Pinheiro, dançando e cantando as machinhas e frevos, caminhava pelas ruas centrais da cidade, momento mágico que ficou gravado nas minhas reminiscências. Era uma verdadeira bagunça organizada.

Durante o dia era todo mundo junto... Não tinha essa história de mortalha, abada para separar o povo. Agora... A noite tinha os clubes... Claro... Tinha os clubes dos menos favorecidos que era o Flamengo de Zé Pinheiro, o Ipiranga e o Paulistano. Tinha o Clube do Trabalhador que era uma classe mais ou menos e tinha os clubes maiores e da elite que eram: Campinense Clube, AABB, Gresse, Campestre, Caçadores e o Clube 31.
 (Vídeo - Carnaval em clube de Campina Grande: anos 60 - IMAGEM: JOSÉ CACHO)

O carnaval de antigamente era para o povo, famílias inteiras participavam em praticamente todos os bairros todo mundo, de criança a idosos, podiam participar da folia, pois se gastava pouco dinheiro e havia muita alegria e respeito; e lógico, não existia essa violência. O carnaval de rua não tinha separação como estes carnavais existentes no Brasil. Esse carnaval de fora de época de algumas cidades do Brasil e até alguns anos em Campina Grande não é nosso é um modelo industrializado da Bahia.

(Fim da Primeira Parte)
Por Jobedis Magno

A folia nos Clubes 
No Salão do clube o  trajeto dos foliões consistia em uma movimentação em círculo, obedecendo ao sentido horário – mas também havia alguns sujeitos cheios de “ birita”, que preferiam brincar no sentido anti-horário, o que era sinônimo de confusão. As garotas desacompanhadas ficavam nas bordas do salão, observando aquela alegre confusão. De repente, uma mão saindo do meio da massa  lhe alcançava o pulso e a puxava para o salão. Se houvesse interesse recíproco, a foliona enganchava no sujeito e ia pra guerra. Se não, ela dava um jeito de liberar o pulso das mãos do “enxerido”. Essas efêmeras conquistas carnavalescas se constituíam na glória (ou “toco”) de qualquer moleque que buscava as folias de Momo.

Os foliões  se movimentavam no salão de acordo com a música. Havia as marchinhas para uma evolução rápida – leia-se correria desenfreada e trombadas entre os participantes –, como os frevos as mais frenéticas de todas, que costumava causar algumas quedas coletivas no salão. No dia seguinte, após a ressaca carnavalesca, a turma se reunia para contar vantagens sobre as conquistas efetuadas e fazer planos para os bailes do dia seguinte. Só cascata, evidentemente, ninguém tinha “ficado” com ninguém. Aqueles beijinhos pueris eram somente isso, beijinhos pueris. Mas na nossa adolescência, com os hormônios à flor da pele, a mentira era  nossa mais perfeita aliada. E não deixava de ser um bom aprendizado para a idade adulta...

Nesta foto de 1966 na AABB vemos os amigos Wallace (falecido), o vosso amigo (Jóbedis),
Naldo, Hérmani, Maribondo e Lula Peão (falecido).


No final dos anos 70, face final dos grandes carnavais de clube. Participei dos últimos carnavais em nossa cidade no Campinense Clube com a orquestra de maestro Cipó. Carnaval animado com a boa orquestra, tocando frevos, machinhas e o velho samba, com a presença de blocos de salão, muita fantasia e grande animação. Nesse período o carnaval de bairro já estava em decadência, não só em Campina Grande, mas na maioria das cidades Nordestinas. 

Na década de 80 foi o início da ocupação das bandas baianas e a comercialização dos grandes carnavais, fim da era romântica, da espontaneidade, da irreverência, do deboche e da critica. Infelizmente, acabou nosso Carnaval em salões, desapareceram as velhas marchinhas, ninguém passa mais brincando e cantando feliz. Assim era o nosso Carnaval ou velhos e antigos carnavais da nossa terra “Rainha da Borborema”, reminiscências de um passado glorioso que fica para registro da história. 

Alguns já se encontram em dimensões mais elevadas. Outros, porém, continuam percorrendo os outros caminhos. E agradeço a Deus por ter me dotado de tão boa memória, de me conservar ainda lúcido, para reviver a alegria de um passado, que se perde nas brumas do tempo! Quando encontro amigos, que durante muito tempo estiveram ausentes sinto a mesma alegria, o mesmo calor de bons tempos de íntimo e freqüente convívio.

Campina Grande, hoje, não tem Carnaval - Esta afirmativa é verdadeira, pois até a Micarande a prefeitura atual extinguiu. Entretanto. Podemos ir diretamente ao assunto principal. Reconheço que o carnaval fora de época  aglomera todas as classes sociais, mas de forma bastante segmentada e até certo ponto preconceituosa. Esclareço que não defendo o fim dos blocos baianos, nem mesmo a retirada das cordas e, sobretudo não defendo o fim da Micarande. No entanto, exijo respeito a uma tradição onde o que sempre imperou foi à harmonia e a irreverência. Hoje se vê a elite rica ou iludida em blocos e camarotes e os pobres esmagados entre as cordas e os muros dos camarotes tomando empurrão da polícia e até sendo maltratadas pelos seguranças.

Vai ter quem reclame, por certo, da postura saudosista. Mas nem por isso vou deixar de dizer, com bastante ênfase, que os carnavais de outrora, dos bons e irrecuperáveis anos 60, eram infinitamente mais joviais e prazerosos. Quem não viveu aquele tempo deverá ter dificuldade para entender o meu grande entusiasmo por aqueles carnavais. Infelizmente hoje em dia muita gente só consegue participar de festas, inclusive populares, ingerindo e/ou cheirando “motivação”, uma lástima. Aqui em Campina Grande quando  ainda existia a Micarande, todo ano oferecia tristes espetáculos provocados por quem não conseguia  alcançar o verdadeiro e autêntico espírito de uma alegria sem excessos.

Jobedis Magno de Brito Neves
Colaborador do RHCG

Recebi algumas fotos de amigos do fundo do baú de alguns blocos de moças e rapazes, agremiação carnavalesca sócio-etílico-cultural que animou o carnaval de Campina Grande nas décadas de 60 e 70. Aproveitem. Se você sabe algo sobre estes foliões  retratados aqui,  mande seu comentário, por favor.

Do meu amigo  Honório Pedrosa Recebi esta relíquia abaixo do Bloco: A Turma do Lambe Lambe:

--> Da esquerda para direita: Raimundo Asfora, José Lopes de Andrade, Lauro Lima,
Seu Pedrosa da Livraria, Edvaldo do Ó, Valter Camboim e Lúcio Rabelo.


-->
 Os Amigos do Bloco “Vadios do São José: Maika, Jobedis, Nice, Verônica (irmã de Naldo), Naldo, Beri, Lourdes Galega atrás de Beri, Patrícia e  Som no carnaval da AABB na década de 70

  A foto é do Bloco MAMÃE NÃO DEIXA de noite tinha o nome MAMÃE DEIXOU.
Na foto vemos os amigos: David Mangueira, Roni, Alcindo Souto, Gilberto Borrachão, Mamede, Dailton  (Coelho) Abaixo: Alfredo, Tadeu ( 2  de Ouro) Orlando e Pirra. 
Solicito aos foliões de antigamente que ao lerem este documentário histórico
mandem suas fotos para que a gente mate as saudades aqui.


 Bloco As Marinheiras – Carnaval de 1966 no AABB –
Na foto vemos; Hildete Brito, Ivanilde, Gloria, Terezinha, Nilreide Feitosa e Margareth Brito entre outras pessoas.

-->
Bloco do Palmeirinha: Flávio  Cirne, Antônio Lídio, Luiz Helder, Deka, Aldanir,
Paulo Cirne, Fábio, Sobral  e Marcílio Soares


A BATUCADA NO CARNAVAL DE 1974 NA CASA DE DR. FIÚZA


Da esquerda para direita: Evandro Sabino, Hebe (Nego Chapa), Pedrosinha, Othonzinho, Ricardo Maverik, Hermininho Soares, (os dois galeguinho por trás de Hermínio, Denival e Denilvon, vizinhos de Tércio), Túlio, Roberto Agra, Tércio, (atrás de Tércio, Eliú), Zé Carlos, Marcílio, Antônio Fernando, Cacau (no bombo), Cartaxo e Zé Magno Brasil(Gerente do Banco do Brasil, pai de Zé Gás), o casal em pé por trás é nada mais nada menos do que Antônio Hamilton (Burra cega) e sua esposa na época aquela da família Hamad!

Colaboração de Jobedis Magno (in memoriam), estudioso da história campinense. Registros de momentos do outrora glorioso carnaval de nossa cidade, tempos que não voltam mais:


















 
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