Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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Equipe RHCG

O Clube dos Caçadores localizado na entrada de Campina Grande (saindo de João Pessoa) era um dos clubes sociais mais tradicionais de Campina Grande.



Logotipo
A Associação surgiu de um grupo de caçadores que tinham como hobby a caça, permitido à época e que era em sua grande maioria, praticada pela elite de Campina Grande e cidades circunvizinhas.

Assim, os primeiros sócios se reuniram na primeira metade do século passado para a fundação do Clube dos Caçadores, que tinha o objetivo de oferecer lazer não só aos próprios caçadores, bem como aos familiares destes.

Nossa colaboradora, professora Soahd Arruda Rached Farias nos cedeu algumas fotos históricas, que retratam um pouco deste começo do clube. A primeira imagem do acervo é raríssima, espetacular e segundo a professora é uma fotografia da primeira diretoria do clube:


A própria Soahd nos explicou a foto: “Diretoria do clube dos Caçadores (segundo minha mãe foi à primeira gestão) e na foto os presentes devem ser sócios fundadores, meu avô Manoel Antonio de Arruda (extremo direito da foto com terno escuro), era um dos diretores (caça e pesca), também na mesma gestão tinha Jaime Coelho, Presidente (escondido atrás do troféu) e José Damião (ao seu lado), ela lembra que fazia parte Rosil Cavalcanti, Belizio Motta, Antonio (Toinho) Alves... infelizmente não tenho mais referencias das pessoas da imagem, porém imagino que foi registrada em meados dos anos 40”.

Jaime Coelho, o primeiro presidente dos Caçadores morreu em 1994, sendo inclusive alvo de uma pequena reportagem do Diário de Pernambuco, que pode ser lida a seguir:

Fonte: Diário de Pernambuco

Retornando a foto da primeira gestão, a professora Soahd ainda enfatizou: “Observando os detalhes, vejo a placa pedindo para que seja retirado o chapéu quando entrasse no recinto, vejo imagens que podem ser da diretoria pioneira ou de homenagem a sócios fundadores, coletânea de imagens, provavelmente durante as caças, inclusive tenho fotos de caçadores, que meu avô acompanhava, porém, não sei se são os mesmo que fundaram o clube dos caçadores”. As fotos podem ser visualizadas a seguir:

Presença de um veado campeiro abatido
 (coisa rara hoje em dia de ser encontrado na região, ou talvez nem exista mais)


Sr. Manoel Antonio de Arruda
com possíveis pássaros abatidos na mão



Grupo de Caçadores

Com o passar dos anos e a consequente expansão da cidade de Campina Grande, o Clube dos Caçadores foi deixando de ser um clube exclusivo dos caçadores para se tornar um Grêmio Recreativo, com a realização de festas, dos famosos carnavais do passado, das festas juninas ou apenas um local para se reunir com amigos, como por exemplo, a foto abaixo cedida ao blog RHCG por Maria Augusta Vilar:

Jovens no Clube dos Caçadores: Entre os presentes, Hugo Bala, Lamarques (Macaxeira), Manoca e Expedito Vilar

Com a chegada dos anos 80, o clube tentou se modernizar como demonstrou a reportagem abaixo, publicada em um dos jornais de nossa cidade e que infelizmente não temos a informação de qual seja (Cliquem para ampliar):


Foi também instalada uma sauna para seus associados, conforme a placa abaixo datada de 1981, na gestão de Manoel Rodrigues Nascimento:


Nesta época, o clube tentava resgatar os antigos sócios e conquistar novos associados:

Material cedido ao RHCG por Bruno Cunha Lima Branco

Uma das maiores atrações do clube era seu parque aquático, retratado a seguir:




Em 2011, nós que fazemos o blog RHCG estivemos visitando as dependências do clube e fizemos as fotos a seguir, que transformamos em clipe e que encerra nossa postagem de hoje:

 

Se quiserem saber mais sobre o Clube do Caçadores, vejam nosso “VIDEOCAST 2”.


O tempo é uma ranhura que traz o passado para o presente e seu reflexo de costas vislumbrando uma saudade. São os olhos da vontade, do desejo que faz da graça de ver de novo o que se fora sem pedirmos. No soneto Saudade de Augusto dos Anjos, ele se revela tocado pela soledade que lhe invade a alma, trazendo lembranças que o fogo da vida e suas mágoas lhes povoam. E ele diz no último terceto do poema: - [...]“Da saudade na campa enegrecida / Guardo a lembrança que me sangra o peito, / Mas que no entanto me alimenta a vida.”

E na estrada da vida que às vezes nos limita e nos arrasta acabrunhando o que é nosso e o que nos avizinha: a ausência de quem gostamos de quem admiramos de quem temos amizade e de quem amamos. A lembrança foca na visão do acontecido e nos deixa perdido no vazio da busca de nos encontramos novamente com aquilo que se distanciou ou perdemos. Assim, pelos caminhos da cidade me vem à mente: Os Coqueiros de Zé Rodrigues; a Rua das Imbiras,rua onde nasci; a Bodega de Biu Cuité; D. Elisa,e meus primos: Dão, Paulo, Nenê, Lulu e Socorro Soares;Uray outro morador, conhecido jogador do Treze;Noaldo Nery do Bar - “O Buracão;” uma rua estreita, animada e enfeitada com bandeirolas coloridas para as festividades de São João, as quadrilhas comandadas por Dona Nuca (Maria Luiza), uma senhora risonha, simpática, amiga e comadre de minha mãe. Lembro-me do pé de Groselha no seu quintal que escalava com certo esforço para tirar os frutos maduros e saía com os dentes desbotados. Como é doce a lembrança.

A saudade é o elo entrelaçado entre nós que muitas vezes não desatam e nem se rompem, mas estão frequentes entre um peito e outro para a emoção contida no coração. A saudade é a falta de tomar banho no Açude de Bodocongó e quando se aprende a nadar sem instrutor. Ir aos bingos com os pais e vizinhos às margens do Açude Velho, ladeado por barracas cheias de quitutes e guloseimas. Esse misto de sentimentos que relembramos de uma época, e há o vazio que nada contém e, há também, uma melancolia daquilo que ficou no passado. A sensação de não sabermos por que perdemos uma boa amizade, porque perdemos o amor de nossas vidas, a mulher querida, o irmão, nossos pais.  A felicidade se foi e nada nos anima, a saudade nos sufoca e nos força a pensar no que deixamos no passado.


 Vista parcial de Campina Grande, anos de 1950. -  Acervo de José Edmilson.

E antes de voltar ao presente, mergulho no pensamento do ontem e visualizo a Palhoçano primeiro semestre de 1983,margeando a Rua Sebastião Donato, de chão batido,estruturada por Francisco Chaves, mais conhecido por “Chico Trambique,”Aluísio Lucena (do carro de som), Roberto Cunha Lima e das tocadas de Edmar Miguel, ainda nos Coqueiros de Zé Rodrigues. A feirinha de Artesanato beirando o Açude Novo. A barraca de Cunha ao lado do Teatro Municipal, a Feira Centrale o seu colorido, o picado de Dona Carminhae, mais para o centro:a Boate Skina, o Futurama, o Bar de Seu Ferreira, o Caldo de Peixe, o Bar de Edgar, a Rodoviária Velha, seus transportes Urbanos e interestaduais. Ah, ainda no vigor da juventude: O CEU – Clube dos Estudantes Universitários;e os bailes nas quartas-feiras e domingos no Clube do Flamengo em José Pinheiro;O Cave e a Boate Maria Fumaça; O Chopp do Alemão; A Riviera; A Cabana do Possidônio; O Ceboleiro; O Refavela;o Beco do 31,as lembranças invadem e a mente nos enriquece no presente de boa memória.


Campina Grande, Cartão Postal de 1959 – Acervo de José Edmilson

Memória e afeto da antiga Feira da Prata, do Castelo mal assombrado, das sessões de cinemas Bacurau, Capitólio e Coruja, Babilônia, além dos cinemas dos bairros, Cine Art, em José Pinheiro, conhecido como “Cine Puiga,”do Cine São José, no bairro do mesmo nome; e Cine Avenida. E as Boninas recheadas de casas de encontros, jogos, salões de animados boêmios e de belas mulheres, e na Rodagem onde fui criado, rodeado de mulheres avulsas e seus lupanares. Saudade do menino ingênuo que passeava de coração solto.

A saudade do poeta Zé Laurentino, que cantava a vida com maestria e amor; de José Pedrosa, da Livraria Pedrosa, “Faça do livro o seu melhor amigo”, homem generoso e cultor das letras; de Rômulo Araújo Lima, poeta, sociólogo, o maestro do Direito Administrativo, professor de bem com a vida; do Dr. Virgílio Brasileiro, médico pediatra, guardião da memória afetiva de Campina Grande, um grande cavalheiro; Dr. Adhemar Dantas, médico e teatrólogo, sensível, educado; Dona Lourdes Ramalho, autora, mulher além do tempo, dramaturga premiada; Clóvis de Melo, jornalista, radialista, o humor em pessoa; Wilson Maux, (Bom dia para você) jornalista e teatrólogo, voz que ecoava na madrugada com força cultural; de Joacil Oliveira, “O Cabeção,” jornalista/radialista, a simplicidade e a amizade;Henrique do Vale, carnavalesco, espontânea musicalidade, artista eclético, bem humorado; a irreverência e perspicácia do cronista Altamir Guimarães, o grande Mica; a espontaneidade e vida buliçosa bôemia em Francisco Lopes –“Chico Campanheiro;”a altivez e inteligência do jornalista Fernando Soares.

O presente nos deixa sempre pensativo, no entanto, o cérebro nos envia mensagens de idas e vindas. São imagens incrustadas na memória da cidade e de seus personagens, do que ficou para trás; são lembranças retornadas e ressurgidas como saudades. Um desejo de ver de novo. Efígies, representações que no futuro não cabe.



Um dos pontos nostálgicos da Campina Grande de outrora é, sem dúvida, o antigo carrossel que havia na Praça Clementino Procópio, um dos locais de passeio público mais visitados pelas crianças de gerações pretéritas.

Rosimar Miranda, em contribuição enviado ao BlogRHCG, no Facebook, nos enviou do seu acervo particular uma bela recordação que tocará muitos dos nossos leitores.

A foto é de 1962 e, em primeiro plano vemos um dos carrinhos do carrossel, que ela trata como "os carrinhos de D. Maria" e, logo atrás dela, a outra criança é Emmanuel Augusto Miranda.

Como ela mesma descreve, ao fundo as propagandas da Vodka Autêntica e da Cera Parquetina. Nós acrescentamos que a casa em que aparece parte na foto ainda encontra-se de pé (miraculosamente), situada na Rua Treze de Maio, e era de propriedade do Sr. Lívio Wanderley, dono do Cine Capitólio.
Texto originalmente publicado no portal Pagina1PB

     O meu primeiro endereço foi Rua Desembargador Trindade, número 216, Centro, Campina Grande. Nasci, cresci e fui feliz ali por exatos 28 anos. Os três quarteirões entre as Ruas Severino Cruz e João da Mata (beira do Açude Velho e início do setor comercial da cidade) faziam parte do raio de abrangência demarcado por minha mãe para meu ir e vir quando criança. O detalhe de até onde podia “bater perna” perambulando mundo afora, registro para mostrar que sou do lugar e tenho intimidade com a área.

       A verticalização naquele setor teve início no final da década de 80 com a edificação de um condômino residencial. O “Porto Belo”, na esquina das Ruas Álvaro Gaudêncio com Cel. Salvino Figueiredo. Edificado pela Construtora Belfran de propriedade do Dr. Austro França. Na época, além da óbvia falta de opção, existia em Campina desconfiança das famílias em mudar para o tal do apartamento. A violência era só de ouvir falar e o privilégio de morar em casa prevalecia ante a novidade do regime coletivo de morada.

       Bom, vamos de volta para o presente…

       Um passeio hoje naqueles quarteirões é de rasgar o coração. Só na rua que morei já não existem em pé as casas de Jaime Barbosa, Chico Maria, Rildo Fernandes, Doquinha  Cabral, Tota Barreto, Roberto Pinto, João Pequeno, Nô Gomes, Sr. Leite do Banco do Brasil, a Escola Regina Coeli, Sr. Miranda, Luís Ribeiro, Zé Carlos do Café São Brás, Evaldo Cruz, Ribeirinho, Tico Lira… Na Rua Severino Cruz, entre outras foi pro chão a casa de Walter Britto (depois ali morou Dadá Targino), o Aliança Club 31. Na Rua Álvaro Gaudêncio caiu a mansão construída por Roberto Pereira (que também pertenceu a Dr. Emílio Pires), a de Wellington Barreto, a de Geraldo Dias, a de Buega Gadelha, a de Dr. Gióia. Na Rua José Bonifácio não existe mais a casa que morou Juracy Palhano. Na Rua João Tavares derrubaram a casa de Pedro Ivo, a de Têca de Jair, e o hospital infantil SAMIC. Na João da Mata já não está mais lá a casa de Álvaro Gaudêncio Filho, como algumas outras que não recordo a propriedade, também já não estão.

       Não foi um tufão que varreu tudo. Foi a metamorfose no conceito de morar. Todas as casas dos vizinhos acima citados deram lugar para edificações com vários pavimentos.  As pessoas simplesmente resolveram aderir entre outros itens, à praticidade e segurança dos condomínios. Claro que essa tendência impulsionou o comércio das áreas, os empreendimentos imobiliários multiplicaram e a verticalização tornou-se realidade, produzindo inclusive efeito de imponência e beleza paisagística.

       Mudando o teor nostálgico da prosa vou direto para o X da questão:

       Esta citada parte da Cidade está preparada para receber esse mega povoamento?

      Fiz uma continha baseado no espaço que antes foi a mansão de Zé Carlos da Silva Jr. para fundamentar esta minha curiosa apreensão.

      Ali, estão duas torres de 23 e 25 pavimentos (se houver alguma imprecisão nos dados, desconsiderar por minha inconveniente posição em pé na calçada quando da contagem dos andares. Com certeza se faltou ou sobrou, é irrelevante e sem qualquer prejuízo para o resultado do que está aqui sendo apresentado). Uma com 3 apartamentos por andar, outra com 4. São 169 novas residências onde antes existia apenas 1. Um carteiro entrega mais correspondências nesses dois prédios do que antes entregava na rua toda. Considerando que cada apartamento tem direito a 2 vagas na garagem, prevejo mais de 300 automóveis a desafiar a tal Mobilidade Urbana no mesmo lugar que no máximo 6 carros estacionavam. Se a média em cada casa for de 4 moradores, serão  perto de 700 novos residentes no mesmo espaço que antes numa projeção superestimada viviam cerca de 10 pessoas.  Cada unidade com no mínimo 3 banheiros funcionando com vasos, pias, mangueirinhas e chuveiros. Mais as torneiras do lavabo, cozinha e área de serviço.

       Pergunta deste leigo: o velho sistema de esgoto e galeria de águas pluviais suportarão com relativa funcionalidade essa demanda?  Importante lembrar que estou falando apenas de 2 entre os mais de 20 edifícios concluídos, iniciados, em fase final ou projetados para o setor. Sentiram o drama literal da pressão?

       Diz a lenda que Mao Tse Tung teria decidido ameaçar o mundo dando ordem para que todo cidadão Chinês subisse e saltasse ao mesmo tempo de uma cadeira e que esse ato simultâneo  seria suficiente para fazer tremer o planeta. Baseado nessa lendária “doidiça” oriental, já imaginaram se todos os atuais e futuros moradores dos quarteirões da velha “Palestra” resolvessem apertar o botão da descarga no mesmo instante?  … Ia ser pra todo lado!

       Excluindo agora a tirada cômica da descarga sincronizada, registro nesta crônica a apreensão com o nosso longevo sistema de esgotamento sanitário. Os buracos e remendos feitos nas vias, pela companhia de água e esgoto, sinalizam uma fadiga na tubulação. Com a palavra os que devem planejar a cidade hoje observando as possibilidades do amanhã.

       – Finalizo agora lembrando um espaço público urbano que também foi modificado no quarteirão que morei. A Praça do Sesquicentenário da Independência. Seus mastros e bandeiras foram trocados por estátuas em tamanho natural de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga. Obra belíssima, toda em bronze do artista paraibano, membro da Academia Brasileira de Belas Artes, Joás Pereira dos Santos, que produziu um cenário temático/interativo onde pessoas posam para fotos, integradas ao ambiente criado.

       Sim, ia esquecendo, o número 216 da Rua Desembargador Trindade, como se tivesse sido tombado pelo instituto da saudade, surpreendentemente ainda é o da mesma casa construída por meu velho e querido pai. Talvez esperando que um dia eu tenha grana para comprá-la de volta.

           Vamos em frente!

Rua Des. Trindade (parte) - (c) Google


Postagem Relacionada: 
Vídeo Histórico: Imagens da Administração Williams Arruda em 1965
Uma das lembranças que gostaríamos que estivesse no RHCG e que foi alvo de muitas mensagens e emails ao longo da existência do blog, foi sem dúvida a "Boite Skina". Até então só tínhamos esta foto que foi cedida por José Roberto Rocha:


Graças a intervenção de "Jorgito DJ", que foi radialista na Campina Grande FM e que também foi "DJ" da Skina, entramos em contato com Fernando Lima, que por muitos anos foi o responsável pelas músicas daquela inesquecível "Boite".

Liane e Gilberto
Já de cara, reproduzimos o seu belo texto sobre a Skina: "Gilberto e Liane, pioneiros na vida noturna campinense fizeram da boite SKINA o point classe A; onde os jovens curtiam o melhor dos fins de semana.Trazendo sempre THE BEST em som e luz, também foram responsaveis diretos pela minha vinda de Recife naquele momento,entregando-me a responsabilidade de fazer da pista de dança momentos magicos e inesqueciveis.Com hits de Queen, Madonna, Michael Jackson, U2, Dire Straits, The Police, Donna Summer, Barry White, Billy Paul, Bee Gees, passando também por Ritchie, RPM, Paralamas, Blitz, Cazuza, Kid Abelha e muitos outros que marcaram epoca e a vida de muitos amigos. Como DJ; eu fui vinculado à familia SKINA como amigo e sempre retribuí com competencia toda confiança profissional que me atribuíram passando assim a ter um laço de amizade,carinho e respeito que perdura até os dias atuais."

É do acervo fotográfico de Fernando Lima as fotos que serão reproduzidas a seguir:

Entrada da Boite Skina

A Boite Skina ficava na rua Maciel Pinheiro no centro de Campina Grande. Suas festas eram com foco na "Era Disco" dos anos 70, inclusive com um piso futurista, semelhante ao do filme "Embalos de Sábado à Noite".


Também os hits dos anos 80 tiveram vez na famosa casa de eventos. Nomes como Michael Jackson e de Madonna, rei e rainha do pop daquela época, tiveram ampla divulgação de suas músicas para os campinenses antenados.

Interior da Boite


Na "Skina" além das festa dos digamos, adultos, também tinham as matinês que ocorriam nos domingos, proporcionando aos mais jovens também curtirem a moda da discoteca.

Interior da Boite
Agradecemos a Fernando Lima, que nos proporcionou mais este "retalho" da história de nossa querida Rainha da Borborema.

Fernando Lima na Skina
Ainda pretendemos retornar a este assunto, pois é do agrado de nossos visitantes. Enquanto isso, terminamos com a música "Disco", como um tributo a inesquecível "Boite Skina". Cliquem abaixo:

Recebemos dos colaboradores, algumas imagens do passado campinense e reproduzimos logo abaixo:

Foto 01:



Turma de Campinenses Ilustres. Em pé: Newton Rique, Felix Araujo, Antonio Lucena, Petronio Figueiredo, Alvaro Araujo, Não identificado, Toinho Cabral, Fernando Arruda, Dr. Souza Assis.
Sentado: Raimundo Asfora. (Provavelmente em Recife, início dos anos 50)

Imagem cedida por Saulo Araújo

Foto 02:


Nosso colaborador de sempre, Saulo Araújo, nos envia mais esta imagem do acervo de seu pai Álvaro Araújo, que retrata uma foto tirada pela "Foto Studio" na Praça Clementino Procópio, com o Cine Capitólio ao fundo provavelmente no final dos anos 40. Na imagem pode-se ver Álvaro Araujo; William Tejo; Aníbal Porto; NR (não reconhecido).

Foto 03:


O "Beco da Pororoca", mais precisamente os bares que estavam ali. Foi marcante para a geração dos anos 90. A imagem de 1996 foi cedida ao RHCG por Fidélia Cassandra a quem agradecemos.

Foto 04:


Um registro e recordação fotográfica das jovens Zelia Figueiredo a Jacira Sobreira, na Praça Cel.Antonio Pessoa. Anos 50.

Foto 05:


A foto 05 não é antiga, mas sim um agradecimento do blog RHCG. Recebemos da aluna do "Petrônio Colégio e Curso": Thayanne Silva, a imagem que publicamos aqui. Trata-se dos jogos internos daquele colégio, realizado este ano, e que em homenagem a Campina Grande, acabou homenageando também o blog "RHCG" ao desfilarem com uma faixa com a imagem do logo do Retalhos. Ficamos muito gratos e agradecemos aos alunos e a já tradicional escola de nossa cidade.

No ano de 1922, o Brasil estava a comemorar o 1º centenário de sua independência. As manifestações de civismo em todo o país eram constantes na época e Campina Grande, que vivia sua melhor fase econômica dos áureos tempos do algodão, não poderia ficar de fora.

Assim, no dia 07 de setembro de 1922 foi inaugurado no largo da Matriz (hoje Avenida Floriano Peixoto), um obelisco em forma de pirâmide. O monumento ficava em frente ao antigo “Paço Municipal”, ao lado da Catedral da cidade, como se pode visualizar nos registros fotográficos abaixo:



Não conseguimos coletar dados completos do monumento, quem construiu, o significado de sua forma etc. Aguardamos colaboração de nossos leitores.  No desenho abaixo, feito a bico de pena por José Raimundo dos Santos, podemos vislumbrar que era uma bela obra:


A revista "Era Nova", que circulou na Paraíba entre o período de 1921 a 1926, publicou em suas páginas uma reportagem mostrando a inauguração do monumento. Graças ao colaborador José Ezequiel do blog Tataguaçu, que conta a história da cidade de Queimadas-PB, podemos observar as fotos publicadas, que infelizmente estão com baixa qualidade de imagem:

Inauguração do Monumento

Missa Campal

Outro aspecto da Inauguração

Juramento a Bandeira em frente ao Paço Municipal

Juramento a Bandeira


Em 24 de outubro de 1933, 11 após sua inauguração o obelisco viria abaixo, em virtude da necessidade de se alargar a Avenida Floriano Peixoto. Ficou apenas a memória fotográfica.

Fontes Utilizadas:

-Datas Campinenses – Epaminondas Câmara – RG Editora e Gráfica
-Imagens Multifacetadas da História de Campina Grande – Eliete de Queiroz Gurjão, Josefa Gomes de Almeida e Silva, Keila Queiroz e Silva, Léa Amorim, Maria José Silva Oliveira, Marisa Braga de Sá, Martha Lúcia Ribeiro Araújo, Silêde Leila Oliveira Cavalcanti
-Acervo Pessoal
-Revista Era Nova, agradecimentos a José Ezequiel do blog "Tataguaçu"


"Foto do bando feita a exatamente 86 anos atrás, na cidade de Limoeiro do Norte, Ceará, no dia 16 de junho de 1927. O original desta foto me foi presenteada pelo meu avô materno no ano de 1952. Ele, como fazendeiro e tendo vivido toda a sua existência na zona rural, era um grande estudioso de LAMPIÃO a quem conheceu pessoalmente."

Edmilson Rodrigues do Ó

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BEM ALI MORREU LAMPIÃO! (por Roberto Pereira)

Não conheço ninguém que seja tão nordestino como eu.

Venho de duas vertentes visceralmente nordestinas:   meu pai, sertanejo alagoano da Ribeira do Ipanema, afluente do São Francisco;  minha mãe, legítima sertaneja,  nativa  das terras do Cariri da Paraiba, centro do polígono da seca;  dos carrascais e dos espinhos, das baraúnas, dos facheiros, da macambira, do rompe-gibão; das lindas e  frias noites de lua-cheia.

Talvez daí  o interesse natural que desde cedo em mim se manifestou  por essas coisas que falam de perto dos costumes, da  vida, da história, principalmente da história, tão rica e sofrida  história desta nossa terra e dos que a fizeram através dos tempos.

Nasci em Campina Grande, onde  vivi a adolescência e em seguida fui residir no Recife, pela necessidade de ingressar no curso superior então inexistente na  nossa cidade. E apesar de hoje residir em João Pessoa, jamais perdi o contato com a minha cidade e os meus velhos amigos, com quem me encontro frequentemente para boas conversas e bons whiskys.

Aos 14 anos conseguí  ler  Os Sertões, depois de cinco ou seis tentativas. E ficou para sempre  carimbada  em meu pensamento  a narrativa  dos episódios épicos  maravilhosos,  da coragem, da decisão, do estoicismo, da grandeza  daquele bronco  Mestre   Conselheiro,  herói  tosco, pobre, mas  detentor de  uma força espiritual  monumental,  indestrutível e  amedrontadora.

Daí para  as histórias do cangaço foi um passo. 

Ligado ao  pessoal da Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais em Recife, um dia recebo um convite do escritor Frederico Pernambucano de Melo, presidente daquela fundação, para participar de uma mesa de debates sobre o tema cangaço, com a presença de uma mulher, ex-cangaceira, chamada SILA, testemunha presencial  e participante daquele episódio crucial  do cangaço ao qual  se denominou como  “a ultima batalha” contra o bando de Lampião, em que o bandido tombou pelas balas da volante alagoana  do tenente João Bezerra.

Naquela noite, até bem tarde,  estivemos debatendo, conversando, perguntando, principalmente perguntando muito a essa preciosa protagonista desse episódio fundamental, todos aquêles detalhes que muitas vezes são esquecidos nas narrativas que nos chegaram às mãos  até então.

E  dalí nasceu também uma amizade com  aquela bela   sertaneja   simples, modelo fiel  da  nordestina  pobre, nascida numa época  de costumes primitivos e absoluta ausência  de um Estado que assegurasse o   mínimo de  cidadania numa região varrida pela seca, a violência  e a miséria.

Em  cerca de uma centena  de  obras que tenho na  minha estante   sobre o cangaço   eu, não sei por quê,   sempre  me detenho  no episódio que narra a  dificuldade da tropa de assalto para embarcar à noite  e descer o Rio São Francisco, à partir da cidade ribeirinha  de Piranhas,no Estado de Alagoas  numa  improvisada  embarcação,  em demanda do local aonde  se escondia o bando de Lampião e todo o seu estado-maior,  para a batalha final.

Todas as vezes que releio alguma  dessas narrativas, sinto  como se  me transportasse  para aquêle  ambiente;  e, pondo-me no meio deles, procuro  imaginar e ao mesmo tempo  analisar o estado de espírito daqueles  militares, semi-analfabetos, pobres,  mal nutridos, amedrontados diante da missão gigantesca e cheia de perigos a que estavam implacavelmente ligados,  até o fim das suas vidas. Que sensação apavorante, quanta expectativa, o medo estampado naquelas faces mal-tratadas, o frio  de uma noite invernosa, silenciosa, tétrica  naquela  lenta e incerta  viagem  rio abaixo.

Isso me impressiona até hoje. E nunca me saiu da cabeça a idéia de um dia, por minha própria conta, refazer exatamente aquêle  itinerário.  Para mim aquilo chegou a ser quase uma  obsessão.Ah, eu haveria sim,  de repetir aquela saga. Descer o rio até a praia onde se deu  o desembarque. Eu queria sentir na pele ao menos a grandeza da paisagem.

A VIAGEM
Daquêle encontro na Fundação Joaquim Nabuco restou uma  boa amizade com Sila, que dalí por diante passou a ser  minha hóspede, nas  vezes em que vinha ao Recife, geralmente convidada para eventos regionais  e  palestras, principalmente junto às prefeituras municipais e  às  universidades , onde  invariavelmente os estudantes, curiosos acerca dos assuntos do cangaço,  adoravam  ouvir aquêle  depoimento feito em linguagem simples e despojada,  o que inevitavelmente criava um  clima de empatia,  animado,  contagiante  e entusiasmante  acima de tudo. Os estudantes adoravam-na. E ela aproveitava para   fazer noites de autógrafos de um livro biográfico  que recentemente  ditara   para um escritor paulista.

Um dia convidei-a para conhecer a minha cidade natal, Campina Grande. E logo nessa primeira visita ela ficou  apaixonada pela  cidade. Foi mesmo amor à primeira vista.  A tal ponto que, com o meu próprio incentivo, logo mostrou o desejo de arrendar uma barraquinha na época do Maior São João do Mundo, para comercializar pratos típicos, no preparo dos quais  era uma  verdadeira mestra, como também  comercializar os famosos embornais usados pelos cangaceiros,  que ela  bordava como ninguém e, evidentemente,   atrair com a sua história, toda a população que certamente afluiria ao seu quiosque. Visitei  o então Secretário de Turismo de Campina Grande, Dr. Gleriston Lucena   a quem narrei o projeto.Êle mostrou-se receptivo a idéia e disse-me não haver nenhum problema. Sería até proveitoso para o turismo da cidade. Como a essa altura o Dr. João Dantas já estava  entusiàsticamente integrado  ao projeto, ficou a seu cargo as tratativas para o caso, uma vez que eu tinha viagem marcada para o Sul.

Residindo em João Pessoa, a partir de 1996, hospedei-a  em minha casa três  ou quatro vezes;  e  através do saudoso amigo Dr. Amauri Vasconcelos,  e do Dr. João Dantas, levei-a  para palestras  em Campina Grande, junto ao meio  universitário, como também  em  João Pessoa, onde  a  acompanheI;  ela sempre fazendo muito sucesso.

Uma noite, já bem tarde, recebo um seu telefonema. Muito contente com o resultado do  lançamento de mais um livro, SILA, MEMÓRIAS DE GUERRA E PAZ, desta vez editado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco com   patrocinio da Petrobras.

“Roberto, dizia-me,  estou enviando  de cortezía uns exemplares do novo livro para você.Na página 89 cito o seu nome com muito prazer. Nunca lhe falei, mas desde o dia em que você me levou a Campina Grande, aquela sua  cidade maravilhosa, parece que as portas se abriram para mim. Várias Universidades , do Ceará, do Rio Grande do Norte, Piauí, e Maranhão começaram a me convidar para palestras e o certo é que estou com agenda cheia. Você foi o meu anjo desde aquele dia. Muito obrigada, mais uma vez”.

Mas aquela idéia de refazer o trajeto da  força alagoana continuava me perseguindo.E nada melhor--- pensei  eu --- do que agora,  na companhia de alguém que protagonizou o episódio. 

Expliquei    a Sila  o meu desejo e a minha curiosidade. Então, convidei-a para me acompanhar;   e ela, prontamente, atendeu ao meu convite.

Na verdade Sila não viveu o auge do cangaço,  é bom que se diga;  pois, jovem que era, só pelo fim da década de 30 ingressou nas lutas.  Digo mais,  que apenas  por  um período de tempo relativamente curto  ela participou dos combates;  mas a sua presença junto ao casal Lampião-Maria Bonita, na sua  última noite,   lhe confere uma importância fundamental, pois que foi  vivida  na intimidade do casal, e ela como  ouvinte atenta   das derradeiras palavras e lamentos da rainha dos sertões.

Partimos então  do Recife numa madrugada  chuvosa  e convidamos para nos acompanhar o casal Paulo Marques, então pro-reitor da Universidade Rural de Pernambuco, sociólogo e grande estudioso da saga do cangaço. Nosso destino: a margem esquerda do Rio São Francisco, precisamente a cidade de Piranhas, um romântico lugarejo, cheio de beleza e história, engastado em pleno  canyon  do médio São Francisco, onde os Estados de Alagoas e Sergipe se dividem.



A ROMANTICA PIRANHAS 
Rompemos  esses 450 quilometros de percurso em cerca de 6 horas, em meu automóvel, com paradas para lanches, conversas sertanejas e, principalmente  evocações de lugares familiares  à memória da ex-cangaceira. Em Santana do Ipanema revi parentes por parte do meu pai, fomos festivamente homenageados e seguimos em frente.

Ao chegarmos finalmente na cidade ribeirinha,  saí desesperado a procura de uma embarcação para enfrentarmos a empreitada de descida do rio; e não foi fácil a tarefa pois que as rústicas “canoas” como são chamadas aquelas embarcações  à  vela,  típicas da região do médio São Francisco   inexistiam na ocasião, pelo que tive de contratar um barco de carga,movido a diesel  com tripulação de 4  homens,  o que encareceu bastante a jornada de navegação. Mas, tudo bem, tudo maravilhoso, pois o que me alegrava  era exatamente a realização daquele meu sonho antigo, acalentado durante décadas e que finalmente haveria de  se materializar e, principalmente, de uma forma especial, na companhia de uma testemunha presencial do grande  assalto.


O GRANDE RIO 
Embarcamos e começamos a descida do rio. A visão é majestosa,  incomum, misteriosa. A  calha por onde navegamos esmaga-se entre penhascos  monumentais ;  e  as  curvas sinuosas que faz o caudal,  transformam o percurso numa aventura  diferente  e grandiosa , por entre as muralhas gigantescas  e amedrontadoras. Cada metro navegado  naquelas águas  verde-escuras  esconde algum mistério não  se sabe bem de quê, nem de onde. 

Eu não cansava de contemplar  aquela paisagem  tão conhecida dos personagens do passado, e nela inseria os meus sonhos, a minha imaginação quase infantil, a minha criatividade. E me via como um soldado amedrontado  descendo o rio para a ultima batalha.

NA PRÔA  DA EMBARCAÇÃO 
Sila, na proa da embarcação, cabelos açoitados pelo vento, erguia o seu olhar  para aquelas muralhas gigantescas e se deixava sonhar, como se o tempo tivesse voltado. As lágrimas escorriam pelo seu rosto e ela, vaidosa, com um lenço procurava dissimular a sua emoção. Tirava os óculos, enxugava as lágrimas e voltava a sonhar.Às vezes focava o seu olhar nas águas do rio, como se quisesse conversar com a natureza e mandar alguma mensagem para o fundo das águas.

Navegávamos    a baixa velocidade em virtude  de rochas que em alguns pontos daquele trecho do rio afloram  a superfície, motivo pelo qual só bons e experientes  condutores  com amplo conhecimento do trecho , se atreviam a  conduzir embarcações daquele porte.

Quase  uma hora durou a viagem;  até o momento em que os tripulantes, conhecedores de toda a região ancoraram numa praia à margem direita do grande rio.Aí aportamos,   para logo iniciarmos,   a pé,  a  subida  da grande montanha. Na frente, três   dos  experientes tripulantes  abrindo caminho à foice e  facão, rompendo a vegetação,  verdadeira muralha de cactos de toda espécie, da jurema ao rompe-gibão, das  urtigas traiçoeiras aos  quipás e unhas-de-gato;   enfim, uma variadissima  flora, boa parte ainda desconhecida para mim.  Logo atrás  em fila indiana,  vínhamos nós, sempre revezando,  passando  um  à  frente do outro, dependendo de quem caísse, vitima dos tropeços nas pedras do caminho  inclinadíssimo  e  tortuoso. O calor era intenso e as dificuldades  da caminhada  aumentavam a cada metro. O clima abafado e sufocante nos tirava o ar  e o   suor  ensopava os nossos corpos. Cerca de 1 hora demorou essa viagem exaustiva e desgastante montanha acima,  até que  num determinado momento os guias pararam e nos avisaram que abririam uma  clareira na mata afim de que pudéssemos ter acesso  a gruta. Assim foi feito.


AQUI O HOMEM  MORREU 
 De repente descortina-se diante de nós  um cenário  diferente: um mundo  feito de rochas pontiagudas dos mais variados formatos e tamanhos, sombreadas  por gigantescos e centenários  pés de anJicos, que dão ao lugar um aspecto de cenário teatral, escuro,  misterioso, solene. Parece uma tela  de pintura antiga. O silencio profundo  aumentava a sensação de coisa misteriosa, mágica,esquisita.   E lá num canto,  fixada  numa das rochas,ao pé de uma cruz,  uma lápide de mármore  onde se lê  uma mensagem anônima de homenagem aos que ali tombaram, com  seus respectivos nomes.


UMA SINGELA ORAÇÃO 
Sila  aproxima-se   daquele tosco monumento  lê vagarosamente a mensagem de homenagem gravada na rocha e começa a chorar. Um choro sentido, emocionado, cheio de dor. Eu a seguro pelo braço e procuro afastá-la   dalí, comovido com a sua emoção. Sentamo-nos então ao abrigo de uma grande pedra, em baixo da qual  Maria Bonita, segundo Sila, foi degolada viva. Para  todos os locais onde voltávamos a vista, Sila rememorava algum fato: ora a pedra de onde ela, juntamente com Maria Bonita  enxergou  um brilho de luz  na noite escura, ora o local onde estavam  ela e o marido no interior da sua tolda, de onde, surpreendida pela fuzilaria, correu sem sequer calçar suas sandálias, o que lhe deixou os pés feridos e ensangüentados;  mais na frente um pequeno tanque natural  cavado na rocha onde o primeiro cangaceiro foi surpreendido apanhando água e sumariamente fuzilado; mais atrás o recanto onde ficou para sempre um seu irmão, o Mergulhão, tão animado, tão carinhoso  que era;  por traz dos anjiqueiros a brecha por onde ela com os demais conseguiram escapar; finalmente o local exato em que Lampião armara a sua tolda e de onde  sequer conseguiu sair para responder  ao  ataque fulminante. Alí, o grande comandante, o herói dos sertões, o cavaleiro do desespero, como lhe chamaram então, fora abatido como uma ave no ninho: indefeso, frágil, exatamente da forma  como ele nunca desejara morrer. Tudo naquele lugar  lhe era familiar. Era como se ela retornasse no tempo e se   re-inserisse  naquele cenário. Tudo muito  emocionante, comovente  e inesquecível.Precisamente  do local onde Lampião foi baleado, apanhei três pequenas  pedras e as coloquei no bolso,  para servirem de lembrança daquele lugar. Guardo-as comigo até  hoje.


TRISTES EVOCAÇÕES 
Permanecemos  ali, como se  estivéssemos hipnotizados,  por quase 1 hora, quando finalmente minha mulher propôs que  todos  se reunissem em torno do pedestal e rezássemos  em voz alta  uma oração em homenagem aos infelizes  que ali tombaram. Em seguida começamos vagarosamente  a nos afastar do local, agora com um solene e emocionante respeito. Então iniciamos  a viagem de descida da montanha. Sila, ainda compungida, chorava baixinho.  Enquanto perfazíamos todo aquêle trajeto de descida, avistávamos lá embaixo, soberbo e silencioso o velho Rio São Francisco;  e nos afastávamos   devagar   daquele lugar misterioso. E eu, tal qual uma criança, não conseguia a partir daqueles momentos,  esquecer aquela aventura verdadeiramente fascinante  que ficou na minha memória para sempre.

O sol já se escondera quando embarcamos de volta. E navegamos durante quase o resto do trajeto rio-acima, em plena escuridão, contemplando  do nosso barco  aquelas luzes fraquinhas  nas margens do rio, indicativas da existência de vida.

Pernoitamos na cidade de Paulo Afonso e na madrugada seguinte rumamos para a cidade de Poço Redondo, já no Estado de Sergipe, de grande significação para mim, pois, além de ser o berço de nascimento de Sila, foi, na época do cangaço, a cidade que mais contribuiu para a formação dos contingentes cangaceiros, através de seus filhos, rapazes e moças da cidade, muitos ainda adolescentes, como foi o caso de Sila,  outros casados e com suas mulheres, alguns filhos de famílias importantes da cidade, tudo  como se o cangaço fosse uma atividade, digamos, esportiva.

Explica-se: naqueles confins do mundo, onde as noticias não chegavam, reinava  absoluto,  um exército  diferente, de homens valentes, desafiadores,  ricos, fortes, vestidos de forma extravagante,chapéus de aba virada,  corajosos, ostentando jóias preciosas pelo corpo e temidos por todas as populações. Tudo isso em caráter  ” oficioso” , pois que, apesar de perseguidos pelas policias de todo o Nordeste, desafiavam-nas abertamente chamando-as  para as lutas, tal qual guerreiros de um mundo  encantado, diferente,  surreal,  onde Deus  era o Padim Cicero, e esse mesmo Deus os abençoara;   e  mais, conferira-lhes patentes de oficiais do chamado Exército Patriótico, criado pelo governo federal, imagine,  para  defender a Patria  da ameaça comunista;  e assim  transformara-os  também em defensores da Pátria.

Tudo isso confundia aquela juventude sertaneja  desavisada, principalmente  as adolescentes, que facilmente se apaixonavam  por aquêles  belos legionários  e partiam com eles, em busca de emoções. Foi assim com Sila e com várias amigas suas, todas nascidas e criadas ali em Poço Redondo, às margens do São Francisco.

Ultima remanescente daqueles grupos, ela visitava vez por  outra a sua querida  cidade, onde  era recebida como uma raínha. Nessa  viagem  conosco ela foi homenageada pelo prefeito da cidade, em casa de quem almoçamos. Varias pessoas foram vê-la, inclusive um seu irmão, que permaneceu na luta da agricultura por toda a vida, e nunca saiu da sua querida cidade.

Ela circulava  pela pequena cidade e revia os lugares aonde passou parte da sua juventude. Observava a pracinha,onde no passado  passeava com as amigas, as casas  pobres que ainda resistiam a ação do tempo e que tiveram alguma  significação na sua vida. Olhava aquilo tudo  com um ar de tristeza e saudade.Parava, fixava o olhar para o alto e deixava as lágrimas lhe molharem   a face.

De Poço Redondo seguimos para Aracajú, onde Sila mantinha um pequeno  apartamento, e ali  encontramos  o seu filho Wilson, fotógrafo profissional  em   São Paulo. Alí pernoitamos  e no dia seguinte empreendemos a viagem de volta ao  Recife.

SILA
Sila não teve um casamento feliz. E nem podia ser: seu marido era um homem rude, primário, vítima como ela, da pobreza de uma região. E as feridas ficaram pela  vida à fora, desde o  primeiro encontro de amor  com o seu violento companheiro  quando foi estuprada .Ela, como toda honrada sertaneja, sujeitava-se a minimizar as grosserias contra  si e seguia criando os 

HOMENAGEM DO PREFEITO 
seus filhos,  todos êles pessoas do bem, integradas a vida social e excelentes profissionais. Sofreu terrivelmente com a morte do seu filho mais velho, num acidente de carro em Santos, e jamais conseguiu se recuperar desse golpe.  Mas cumpriu integralmente a sua missão com a maior dignidade. Quedou-se ao lado do pai dos seus filhos até o seu respiro final.

Ela detestava a mentira, o engodo, a dubiedade. Era rudemente positiva.

Entrou no cangaço por mera imprevisão  sobre o futuro que a sua vida errante lhe podia reservar. Jamais  cometeu uma perversidade com alguém, mesmo nos tempos brabos da juventude, quando seu marido era envolvido  nas lutas do cangaço e ela teve de reprimir as ameaças de morte que rondavam sua vida, em algumas vezes usando as armas de fogo.

Um dia recebo um telefonema de uma emissora de São Paulo que preparava uma festa de homenagem a Sila; e, a seu pedido,  solicitava  que eu desse um testemunho sobre a sua pessoa, para ser lido na ocasião. Meio sem jeito, mandei-lhe, entre outras, estas palavras via fax: ...“ .. Você, ao lado do seu  companheiro, caminhou pelas caatingas do Nordeste; galgou as suas serras, desbravou suas planícies, percorreu os seus  varjados, ocultou-se em seus desertos, e deixou escrita nas  suas pegadas a mais autentica página da epopéia nordestina. Porisso afirmo com a mais absoluta convicção: quanto mais pobre a vida que lhe empurrou para a luta do cangaço, mais rica a História que você escreveu para o futuro”. Depois me disseram que ela mesma  leu a mensagem, chorando.

Conservou na velhice os traços de beleza  agreste da juventude, quando era cantada nos versos  dos poetas  de   cordéis e repentistas  como uma das mais formosas cangaceiras  que o sertão já viu. “De Lampião quero Maria, de Sereno eu quero Sila” versejavam os poetas populares e cantavam os violeiros nas suas  pelejas magistrais  desde a Bahia até os confins do Maranhão. E no imaginário popular falava-se na imagem de uma sereia que nas noites de luar emergia das profundezas do Rio São Francisco e encantava os pescadores. Era Sila, quase uma lenda sertaneja.

Isso constatamos quando, ao embarcarmos para a descida do rio, aproximou-se de nós um velhinho simpático, vivido e criado à beira do rio, de onde,  pescando,  tirava o seu sustento hà quase 80 anos. Perguntou: “ Seu doutor, me desculpe a liberdade; mas essa mulher que está aí com o senhor não é a  Sila de Zé Sereno?” Diante da minha resposta afirmativa ele, chorando  de  emoção, afirma: “ Foi a mais linda cangaceira que o sertão já viu. Eu era rapazinho e a vi  uma vez atravessar o rio para Sergipe. Era uma santa de tanta beleza”. Aqui tinha um coronel muito rico que naquele tempo dizia pra todo mundo que daria sua fortuna para tomar a Sila do Zé Sereno”.   Eu então chamei  Sila que aproximando-se do velhinho lhe deu um  beijo  carinhoso  na face. O pobre pescador tremia muito e as lágrimas corriam-lhe nas faces. Foi uma cena inesquecível.


CONVERSANDO COM O FILHO WILSON 
Sila  Interessava-se pela vida moderna e procurava sempre se atualizar acerca de todos os assuntos, desde a moda até  as noticias do mundo político. Se,  ao se expressar  algumas vezes tropeçava na busca das palavras adequadas, compensava  a carência através de uma expressão  facial  limpa, convincente,  que comovía e  agradava a todos. Fumava moderadamente, tomava algumas caipirinhas  e era adorada pela juventude, principalmente os universitários. 


Não perdia uma festinha de  forró;   mas adorava mesmo aquêle forrozinho  simples, singelo, com sanfona, zabumba e triangulo,  ou seja, o legítimo pé-de-serra  mesmo, como hoje se chama; e a dança era  um dos divertimentos que mais a faziam feliz, oportunidade em que  voltava aos tempos da  sua juventude  lá na beira do São Francisco, relembrando  seus amigos e parentes  que se foram.
Em São Paulo, onde sempre morou, trabalhou em varias atividades, desde costureira do setor de teatro  da Rede Bandeirantes de TV, até como secretária da atriz Regina Duarte.

INTEGRADA A VIDA  SOCIAL 
Conservava  os hábitos sertanejos : educou os filhos na cartilha sertaneja: tomando a benção, tratando pai e mãe de senhor e senhora.
Certa vez  visitou-me em Recife e expressou sua revolta: é que no fim da semana que passara,a convite de uma prefeitura do interior do seu estado, Sergipe,  viajara para um evento  regional e uma feira de artesanato, onde iria fazer uma palestra. Em sua companhia, no automóvel   da prefeitura  viajavam: uma cantora nordestina  famosíssima e premiadíssima que também iria se apresentar  e mais   uma jornalista que cobriria o evento.  Iam  todos conversando animadamente quando, ao cair da noite fez-se extranho silencio dentro do carro. Sila então, ocupando o lugar do passageiro na frente do veículo  voltou-se para  o banco de trás, quando flagrou as duas damas abraçadas  num beijo lascivo e  apaixonado. ” Tomei um enorme susto e pensei em mandar parar o carro e pô-las para fora. Mas em seguida lembrei que elas eram duas e bem poderiam me pôr para fora no meio da estrada  deserta. Assim preferi  silenciar. Ao chegarmos na cidade chamei o prefeito  e apenas lhe disse que queria voltar só. Êle me atendeu. E as duas, tal qual duas pombinhas, danaram-se por aí,”  contou-me ela. “ E se Lampião visse isso, Sila”? Perguntei. “ Lá no sertão ninguém sabia nem que isso existia, Roberto. .Êle, seguramente, não admitiria isso”, respondeu-me.

“Sila,  a pessoa  de  Lampião ainda  é um enigma. Ninguém sabe como ele  era realmente, a sua altura, o seu peso, a sua voz, o seu jeito, o seu humor, a sua forma de tratar, enfim, você tem como me informar”?  

Perguntei-lhe.
E ela:” Lampião tinha exatamente o seu tipo, Roberto”. (Naquela época os meus 1,76m  carregavam  saudosos e inesquecíveis 74 quilos). “Êle falava muito pouco. A sua voz não era grossa e grave, como a sua aparência sujería. Meio fina e fanhosa.  Não ria com facilidade, mas era uma pessoa alegre e se comunicava bem com os que lhe eram próximos. Agora, a grande característica era o seu poder de liderar. As pessoas, ao vê-lo, parece que diminuíam de tamanho e  ele  era uma espécie de pai. Imprimia um respeito  indiscutível. Só para você ter uma idéia, Maria, sua mulher, não fumava na sua presença”. Escondía o cigarro tão logo sentia a sua aproximação, tal qual  uma criança diante do velho pai”.

“E Maria Bonita,  Sila”? Como era? Era bonita mesmo, como sujere o nome? “ Olhe Roberto, você não sabe esse tipo de sertaneja  quase baixinha, da bunda batida? Pois ela  era assim. Era apenas engraçadinha. Igual a milhares de caboclas que habitam esse sertão. Não tinha nada de fora-do-comum, como se apregoa.  Tem mais: esse nome de Maria Bonita nunca existiu. Foi um apelido dado pela policia e a imprensa, que se espalhou, mas que nunca chegou aos bandos. Ela era conhecida como Maria, simplesmente, ou Dona Maria de Lampião, como chamavam os seus comandados. Ela era uma pessoa simpática, me dava muitos  conselhos sobre as coisas da vida, e lamentava muito a  vida de aperreios e perigos que vivia. Chegou a me dizer que eu não devia ter entrado para a vida do cangaço. Aqui  prá nós,vez por outra  ela também fazia uma fofoquinha. Mas nada que lhe tirasse a grandeza e abalasse a amizade que passei a ter por ela. Chorei muito a sua morte violenta e covarde, pois foi degolada viva, pedindo pelo amor de Deus para não  lhe matarem.”

Já morando em João Pessoa, um dia recebo um seu telefonema informando que passava na cidade seguindo para Mossoró, onde no dia posterior  iria participar de um evento, a convite do governo do R.G. do Norte.  Convidei-a    e ela terminou pernoitando em minha casa, na companhia da esposa do cineasta e jornalista pernambucano Fernando Spencer. À tarde saímos, mostrei-lhe o farol do Cabo Branco, as lindas praias  paraibanas, jantamos na praia do Poço e por fim fui cobrado por ela sobre uma festa de forró que eu lhe havia prometido hà tempos atrás, na minha propriedade do Carirí  paraibano  em sua homenagem. “ Sila, disse-lhe eu: Pode marcar a data para o mês de junho, quando você estiver disponível. Só quero que me ligue uma semana antes, que eu vou providenciar tudo.  Pode estar certa”.

Quando o carro que a levaria a Mossoró chegou, arrumamos a sua bagagem, nos despedimos, o carro deu partida e, cerca de 30 metros  adiante, parou. Ela abriu a porta trazeira e me chamou.  Imaginei que houvera esquecido alguma coisa e parara para reaver. Na verdade ela queria apenas falar comigo para me lembrar: “Olhe Roberto, não esqueça de fazer um forrozinho bem pé-de-serra,na sua fazenda  como você me prometeu.   Bem  pé-de-serra mesmo, viu? Do jeito  que eu gosto”. “ Fique tranqüila, Sila, disse-lhe.  Vou tratar disso”. 

Sila então  deu-me um aceno pela  janela do carro e sumiu na estrada.

Não a ví  mais.

Sila morreu no dia  14 de abril de 2005.       

 
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