Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

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No dia 29 de Maio de 2011, em matéria assinada pelo jornalista Márcio Rangel, o Diário da Borborema nos trouxe uma curiosa e interessante história do homem responsável pelo transporte das gigantescas estátuas componentes do Monumento "Pioneiros da Borborema", localizada às margens do Açude Velho, erguido em homenagem ao Centenário de Campina Grande.

O cidadão em questão é o caminhoneiro aposentado José Firmino dos Santos, de 74 anos, que no ano de 1964 foi contratado para transportar do Rio de Janeiro para Campina Grande, as três peças que pesam, em média, 1.500kg cada uma, utilizando um caminhão Chevrolet 1963!

José Firmino dos Santos (Foto Márcio Rangel/DB)
"Eu estava no Rio de Janeiro, aguardando a chegada de algum serviço para retornar à Paraíba. Me lembro quando o meu patrão me informou que a minha missão seria transportar três estátuas de pedra que foram adquiridas pela prefeitura para serem instaladas no Açude Velho. A recomendação e o cuidado com a carga era imensa. Para vocês terem ideia, apenas para colocar as três peças em cima do caminhão foi necessário um dia inteiro de atividades com o auxílio de um guincho."

Vários foram os fatores que obstacularam o trajeto até seu destino. A viagem durou 10 dias no mês de maio daquele ano. Porém, a recomendação era de que houvesse o maior cuidado possível com a carga, nem que o percurso fosse feito o mais lento possível, para que nenhum dano fosse provocado às peças.

Ao chegar em Campina Grande, outro entrave fora o descarrego das peças, uma vez que não havia estrutura adequada na cidade, tendo sido necessário alugar o maquinário para para fazê-lo.

"Demoramos mais tempo aqui pra descarregar. Aqui nesta área do açude velho não existia nem calçamento, nem asfalto, tudo era barro. Naquela época, o Açude Velho não era tão poluído e as pessoas lavavam até carros aqui dentro"  

O jornalista  Márcio Rangel, além de prestar um excelente serviço de resgate histórico, prestou uma homenagem à esse bravo ex-caminhoneiro, hoje morador do bairro Vila Castelo Branco, na Zona Leste, que se emociona toda vez que contempla o Monumento, com suas lembranças e, claro, com todo orgulho que seu feito pode lhe conferir.

"É a primeira vez, em 46 anos, que alguém lembra de mim. Certo que meu serviço não foi tão relevante, mas foi fundamental para a chegada dessa obra aqui na cidade. Todas as vezes que passo aqui, olho, contemplo e lembro de muita coisa." (José Firmino dos Santos)





Em 1924 aportava em Campina Grande, cidade de economia pujante e de desenvolvimento promissor, o senhor José Carlos da Silva, egresso do vizinho estado de Pernambuco.

A partir da fabricação de ancoretas e barris de madeira, que serviam para armazenar e transportar água, vinho e cachaça, o José Carlos “pai” fez capital necessário para, mais tarde, montar um restaurante, que o levou a investir na torrefação e moagem de café. Desse intento, surgiu seu primeiro produto, o Café Especial e mais tarde, o Fubá Águia de Ouro, já diversificando a produção com o milho.

No ano de 1938 o empreendimento adquiriu e assumiu a marca de uma empresa concorrente, o Café São Braz, marca forte que representa o Grupo até os dias de hoje. Nessa época, a produção era totalmente manual, o café era empacotado, pesado e colado um à um!

Durante o período da II Guerra Mundial (1938-1945), o colapso no sistema de distribuição de gasolina fez com que o transporte, que era realizado por camionetas, fosse substituído por carroças, fazendo surgir o bordão popular “Lá vem a burra da São Braz” quando os transportadores se aproximavam dos distribuidores.

Diante da linha cronológica da indústria São Braz, o ano de 1979 marca o início das suas atividades no pólo de recepção e distribuição estadual em Cabedelo, favorecendo a consolidação da marca em virtude da estratégia logística, com a presença do porto local.

O sucesso do Grupo São Braz é dedicado ao empenho de José Carlos da Silva Júnior, que apesar de formado em Contabilidade, preferiu unir-se ao seu pai ajudando a transformar a pequena empresa de torrefação e moagem de café em uma indústria de alimentos amplamente condecorada pela qualidade dos seus produtos.

A “São Braz” era uma das indústrias que mais sobejavam o orgulho de Campina Grande, como empreendimento inato da nossa cidade. Desde que a fábrica foi instalada em definitivo na cidade portuária de Cabedelo, o popular “Café São Braz” perdeu a identidade com nossa cidade, já que as instalações atuais que produzem o Vitamilho pertencem ao Grupo ASA, de Pernambuco.


Abaixo, um recorte de jornal enviado pelo Historiador Thomas Bruno Oliveira, datada de 09 de Julho de 1973, mostrando o tradicional "Café São Braz" que funciona no Calçadão da Cardoso Vieira.



Fonte Consultada:
ALVES, Camila. “Uma Saga Nordestina”. Encarte Especial Jornal da Paraíba




Hilton Motta (Foto: Site da Campina FM)

Houve um tempo, em nossa Rainha da Borborema, em que a passagem do ano era comemorada de uma forma muito peculiar... as novas gerações com certeza não vivenciaram alguns momentos marcantes do passado de Campina Grande, quando à 0:00h do novo ano, precisamente e regressivamente contado segundo à segundo, apagavam-se todas as luzes da cidade.

Não estamos exagerando não! Quem viveu lembra e sente saudades do tempo em que as famílias campinenses, em suas confraternizações corriam e se aglomeravam junto aos rádios de pilha, ou do som do carro para não perderem nenhum segundo da emocionante contagem regressiva comandada pelo radialista Hilton Motta, direto do antigo estúdio da Rádio Campina Grande FM, que junto à CHESF/CELB, ditava o comando para "desligar a chave geral" no fim da contagem.

Hilton Motta comandava um verdadeiro "Show da Virada" quando, desde cedo da noite de 31 de Dezembro integrava toda a cidade com mensagens de felicitações dos ouvintes e amigos.

Após zerada a contagem, a cidade permanecia às escuras por alguns minutos, período em que a emoção aflorava em todo que confraternizavam em qualquer parte da cidade... Garantimos que arrepia só de lembrar!

Essa prática durou até meados da Década de 1990, sendo desestimulada pela companhia elétrica por já apresentar possibilidades de problemas técnicos e transtornos no regresso da força em carga máxima.

Como já se tornou tradição esta postagem, hoje podemos (re)lembrar essa época!

O colaborador Leandro Bráulio cedeu ao Blog RHCG, há alguns anos, o áudio gravado de uma desses inesquecíveis viradas de ano, mais precisamente em 31 de Dezembro de 1990, fruto de um arquivo em fita K-7 de seu acervo particular.

É emocionante... Ouçam e (re)vivam!

De todos os que fazem o BlogRHCG, Feliz Ano Novo...




A foto datada do ano de 1957 mostra ex-seminaristas do Seminário Diocesano São João Maria Vianney, localizado no bairro do Alto Branco, em Campina Grande, promovendo a tradicional malhação de Judas na Semana Santa.
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A foto faz parte do acervo do Seminário, e foi cedida por Anselmo Costa, ex-aluno da instituição.



Raríssima, a foto é do ano de 1912; retrata uma procissão religiosa, a transitar pela Rua Maciel Pinheiro, mais precisamente na altura da antiga Praça Epitácio Pessoa.

Dentre os detalhes da imagem, entre estandartes e crucifixos, note-se o respeito dos homens e meninos reverenciando o cortejo, retirando os chapéus. Outro ponto notado encontra-se ao fundo da imagem: no centro da foto, pode ser identificado o antigo mercado de Baltazar Gomes Pereira Luna, o chamado 'Mercado Velho', construído em 1826 e demolido em 1921 para construção do Grupo Escolar Solon de Lucena, hoje o Museu de Artes Assis Chateaubriand, da Furne.
Após um pequeno atraso no cronograma, o Campeonato Paraibano de Futebol 2020 teve início nesta terça-feira, dia 21 de janeiro.

O calendário de competições nacionais encurtou e antecipou os campeonatos estaduais. Para a maioria dos torcedores do estado o Campeonato Paraibano, que hoje dura pouco mais de três meses, é a única competição disputada pelos seus times de coração, portanto, sua única chance de acompanhar seus desempenhos nos estádios. Nesse pouco tempo, as equipes buscam não só o título, bem como uma das poucas vagas disponibilizadas para nosso estado na Série C do Brasileirão deste ano, ou na Copa do Brasil (para o ano que vem!!!) 


Enfim, nosso Campeonato Paraibano promove há mais de sessenta anos, o acirramento do chamado Clássico dos Maiorais, entre nossos tradicionais clubes locais Treze FC e Campinense Club. Na disputa oficial, os dois se enfrentaram pela primeira vez no ano de 1956. Para comemorar 50 anos do Clássico dos Maiorais, em 2006, o extinto jornal Diário da Borborema publicou um encarte especial saudando o jubileu, exaltando nossas equipes.

Os recortes abaixo nos foram disponibilizados por Leandro Bráulio, a quem muito agradecemos . 









Entrevista concedida a Thiago Acácio Raposo, estudante de pós-graduação em História pela Universidade Federal de Campina Grande e Professor de História, Arte e Filosofia na rede pública e privada, como parte integrante do seu Trabalho de Conclusão de Curso.

Entrevistado: Emmanuel Sousa – Bel. Ciências Contábeis; Bel. Administração; Pós-Graduado em Contabilidade Pública e Lei de Responsabilidade Fiscal; Contador CRC 10.070-PB; Prof. Universitário; co-criador do Blog Retalhos Históricos de Campina Grande.

Thiago Raposo: Bom dia, Emmanuel.

Emmanuel Sousa: Bom dia, Thiago.

Thiago Raposo: Gostaria de fazer algumas perguntas a respeito do Retalhos Históricos de Campina Grande. Primeiro, gostaria de saber quais foram as motivações que levaram à criação do blog?

Emmanuel Sousa: As motivações foram pessoais. Eu tinha a prática de colecionar algumas fotos históricas e alguns livros que contavam parte da história política de Campina Grande. Por coincidência, o Adriano, que já era amigo meu da época de escola, também tinha esse mesmo hobby de colecionar assuntos e materiais de história. Porém o dele mais voltado para o lado do esporte, especificamente do futebol. Na época, eu tinha um blog pessoal com alguns amigos que falava sobre entretenimento. A gente discutia quadrinhos, cinema e toda essa área mais geek, essa área mais nerd. Ele sugeriu que, por eu já ter a prática, a gente se juntasse para fazer uma publicação desse material que a gente tinha de história. Não tinha em Campina Grande nenhuma forma de acessibilidade de assunto histórico, nem foto, nem nada. Dificilmente você encontrava. Em 2009 era novidade inclusive a plataforma blogger. A plataforma estava começando. Nessa época não era tão disseminada. Então, a gente aproveitou o boom da época, juntou as duas coleções que a gente tinha, aumentou as pesquisas e começou a buscar mais assuntos específicos em livros. Começou também a fazer muita visita ao Museu Histórico – ele, principalmente, fez muita peregrinação ao Museu, aos arquivos do museu. Juntou um banco de dados e a gente já tinha para começar, assunto para quase um ano, por conta de pesquisa própria. Naquele momento que a gente disponibilizou, a intenção da atividade a sociedade correspondeu. O que a gente queria era que o próprio campinense participasse da história e a gente conseguiu isso. Aos poucos a gente foi conseguindo a participação e a colaboração dos próprios leitores. Então, à medida que o leitor tomava ciência da informação, ele lembrava que tinha uma foto guardada, que tinha alguma coisa que podia contribuir. Isso daí foi o que fez a sinergia do blog.

Thiago Raposo: Na visão de vocês, qual a função social que o blog representa? Ele foi criado com esse intuito? Eu me refiro o seguinte: vocês criaram com um objetivo, ele condiz com o que ele hoje? Vocês veem dessa maneira ou ele sofreu algum tipo de transformação?

Emmanuel Sousa: Não, não. A intenção do blog era divulgar as informações da história de Campina Grande, coisa que, desde o início, a gente sabia que era do desconhecimento da população. Muita coisa que aconteceu ao longo da história de Campina Grande pouca gente sabe, porque o assunto "História de Campina Grande", pelo menos naquela época que a gente

começou, era algo que você só ia procurar saber uma coisa ou outra na semana do aniversário da cidade, para fazer trabalho de escola. A própria imprensa era carente de informação, de dados, de fotos, de vídeos, de tudo isso. A nossa pretensão era condensar tudo isso num canto só e fazer uma facilitação do acesso. A gente trabalhou mais como um informativo, do que até como uma ferramenta acadêmica que a gente nunca foi, mas acabou se tornando. E aí eu vou para sua pergunta de trás para frente. Hoje em dia a gente tem noção do tamanho que se tornou esse trabalho justamente por conta da receptividade da comunidade acadêmica, principalmente, tanto aluno quanto professor de vários cursos, principalmente de história, comunicação e arquitetura. A imprensa, que sempre está pedindo material para a gente. Os constantes acessos que são feitos por e-mail com pedido de informação, de colaboração. Esse tipo de coisa, a gente, no início, não pensou que chegaria a esse ponto. Também não deixamos que isso subisse a nossa cabeça. Tanto que pouca gente conhece quem são os autores do blog. Ali não tem uma cara, o blog não tem uma cara. Então, desde o início a nossa intenção era fazer aquele trabalho de ir buscar uma informação que tivesse lá atrás no passado da cidade, colocar à disposição através da internet, que é um meio que na época já era um facilitador e hoje é ainda mais. E por conta disso a gente conseguiu isso, eu diria, que seria o lucro desse trabalho, que é o reconhecimento de todo esse esforço que foi feito ao longo desses anos.

Thiago Raposo: Porque vocês escolheram o nome retalhos?

Emmanuel Sousa: Porque na verdade, a proposta é fugir de uma cronologia. Você vê que o blog não é um livro, ele não está capitulado. Ele tem fatos que hoje é postado um assunto de 1930, amanhã um de 1990, depois de amanhã um de 1950. Então ele tem uma anarquia cronológica, ele não tem uma sequência lógica, não tem um roteiro. Ele não tem um início, meio e um fim. Ele é um conjunto de fatos agrupados. Ele mais se assemelha a um almanaque. Não é uma história contada. São fatos e por conta disso ele parece uma colcha de retalhos. Pega num pedaço daqui, juntando aqui e no final das contas você tem um contexto. Você tem um assunto, só que a história seria a grande colcha, mas teriam os retalhos que são os fatos que cada um vai juntando para formar aquilo ali, sem a obrigação de se entrelaçar ou daquilo fazer uma conotação de continuísmo, continuidade ou cronologia.

Thiago Raposo: Qual foi o sentido atribuído ao Banner no topo do blog? Como é que ele foi confeccionado? Qual foi o sentido que vocês atribuíram aquela imagem?

Emmanuel Sousa: A logo principal?

Thiago Raposo: Isso!

Emmanuel Sousa: Foi legal. A princípio aquilo ali tinha uma foto da cidade, uma foto que eu acho que era de autoria de Liedson ou era de Júlio, filho dele. Aí era muito simples, era uma foto do Açude Velho com aqueles prédios do entorno e só o nome escrito. Eu encontrei aquela foto que hoje está como logo. Ela não era naquele formato. Ela era um livro, uma tesoura e uma xícara. Aí eu aproveitei. Vi que dava para aproveitar, então eu mesmo complementei. Eu botei ali as fotos da cidade e aproveitei que ali tinha um recorte, tinha uma xícara de café, e tinha o livro. Então juntando tudo aquilo ali, ele dava exatamente o conceito do blog. Ali tinha as fotos do visual; tinha a tesoura que eram os recortes, quer dizer que nossos quadros ali estão sendo

recortados e trazidos para a exposição; o livro, que demonstra o fato da leitura e o fato da informação; e o café que é um deleite. Então em todos os aspectos, aquela logo ali conversou bem com o propósito do blog.

Thiago Raposo: O que vocês entendem por história?

Emmanuel Sousa: Isso é tão interessante que as pessoas até se surpreendem quando sabem que nós não somos historiadores. Nem eu, nem Adriano, nem mesmo a professora Soahd - que é um braço forte que nos ajuda, principalmente, na plataforma do Facebook. Não temos formação em História. Porém nós temos uma sensibilidade que cabe a qualquer historiador: o amor por um assunto, o amor por uma causa e algo que a gente faz em troca, simplesmente, de colocar o nosso esforço em torno de um bem maior, em torno de um objetivo maior. História para gente é fazer com que as novas gerações, as atuais e as futuras, passem a entender melhor essa nossa situação. Como ela chegou até aqui, como se configurou e se constituiu no presente. A que futuro esse presente vai nos levar e com base em quê. Esse com base em quê, é justamente os fatos que a gente vai buscar na história e disponibiliza através desse canal de informação. Portanto, história para gente tem sentido: é você traçar um debate na atualidade, daquilo que aconteceu lá atrás, para entender o que é que está acontecendo hoje em dia e onde isso vai nos levar.

Thiago Raposo: Existem outras pessoas envolvidas no processo de administração do Blog? O senhor falou da professora Soahd.

Emmanuel Sousa: Na verdade não tem. Porque o acontece, você e os leitores sabem que o blog completou dez anos agora em agosto. Desde o início foi criado por Adriano e por mim. De lá até cá, ninguém mais se associou ao projeto. Então a gente criou e manteve durante todo esse tempo a plataforma juntos. Claro que hoje em dia o ritmo de postagem não é mais o mesmo que era até alguns anos atrás. Nós não temos mais a mesma disponibilidade que tínhamos anteriormente para fazer pesquisa, disponibilização e caracterização do blog. Pode ver que, de muito tempo para cá, o blog não tem mais nenhuma novidade e tem o visual até desatualizado. A gente precisa até pensar na melhoria no visual. Algumas ferramentas que a gente usa estão deixando de funcionar. Então isso aí já começa a nos preocupar. A gente está recebendo, de vez em quando, os avisos do Chrome e do Windows de que alguns players que a gente usa lá vão deixar de funcionar em 2020. Então a gente vai ter uma perda de conteúdo muito grande. Então quem vem nos ajudando ao longo de todos esses anos: em primeiro lugar os colaboradores, apesar deles não participarem da edição nem da manutenção, mas todos eles tiveram sua participação ao longo desses anos quando nos deram alguma informação ou nos passaram alguma foto, algum conteúdo. A gente considera que essas pessoas fizeram parte da construção desse material. Mas em termos de braço, em termos de atividade e edição, continua, no blog eu e Adriano, no Instagram praticamente sou eu sozinho – foi uma novidade da gente pegar tudo o que já está postado no blog e rememorar através do Instagram e deu muito certo. A gente está atingindo um público bem mais novo do que aquele que a gente tinha na época do blog. Até porque blog hoje em dia praticamente ninguém acessa mais, não é mais o conteúdo de leitura diária como era antigamente. E por conta dos smartphones, o Instagram ele trouxe mais essa dinâmica. Então que eu tenho feito: indo buscar aquilo que já foi publicado em mais de 2100 postagens, algumas fotos das mais curiosas e que tem a ver com a disponibilização no Instagram, e colocando lá. E tem a professora Soahd

que toda vez que foi convidada a colaborar conosco, se dispôs a manter a parte do Facebook. Então a gente tem esse conjunto de informações mais ou menos dessa forma.

Thiago Raposo: Como é que esses materiais chegam até vocês?

Emmanuel Sousa: Sempre chegou através de e-mail. Dificilmente a gente teve algum contato físico com algum colaborador. Todos eles tiveram a boa vontade de nos confiar fotos pessoais, fotos de arquivo de família, texto de família, trechos de artigos científico e acadêmico. Tudo isso através de e-mail. Foi o canal que nos fez aumentar nosso acervo.

Thiago Raposo: Percebi, certa vez, uma postagem em que houveram comentários que sugeriam alterações no texto. Isso é algo comum?

Emmanuel Sousa: Exato! Hoje em dia não tanto. Mas como havia uma quantidade de leitores muito grande até há alguns anos, na época do boom da plataforma blogger, a gente pôde contar justamente com essa colaboração e nos sempre gostamos muito dessa resposta dos leitores, porque uma informação com um erro, uma informação ou um dado incorreto e o leitor vinha e corrigia. A gente fazia o seguinte: pegava o comentário dele, corrigia na postagem principal e dava o crédito: "com o auxílio de fulano nós estamos corrigindo a postagem". Isso aí ajudou muito, porque a gente nem se mantinha como “dono da informação”, como senhor da razão, muito pelo contrário a gente se colocava na humildade de aceitar a correção e ainda assim passava a informação correta mediante um apontamento de um leitor.

Thiago Raposo: Aí bastava o leitor falar algo ou era preciso apresentar algum tipo de prova?

Emmanuel Sousa: Não, porque geralmente essas informações não eram tão contraditórias ou tão pesadas. Era uma modificação sobre algo que a gente colocou e que não demandaria tanta contraprova. A gente sempre assimilou isso aí.

Thiago Raposo: Quais são os critérios de escolha desse material publicado?

Emmanuel Sousa: Não tem critério não, a gente só faz questão - como nunca aconteceu - de não politizar com contextos atuais e fazer com que o que esteja postado lá sejam realmente fatos que de ontem para trás, que foram registrados na história e não fatos presentes que geram polêmica e necessidade de criação juízo de valor, coisa que a gente também nunca fez. Sempre tivemos esse cuidado de não colocar o nosso ponto de vista, era sempre o que a história trouxe. Tanto que tem muito recorte de jornal e, sempre que há alguma informação jornalística, é colocado lá que aquela informação na postagem foi feita com base no que o jornal publicou e no que o autor do arquivo quis dizer com aquilo. Era sempre um ponto crucial separar o nosso ponto de vista daquele que estava postado.

Thiago Raposo: Você fala a questão do juízo de valor, de evitar polêmica, mas alguns temas normalmente provocam...

Emmanuel Sousa: Provocam. Muitos deles provocaram um debate muito interessante, dos quais eu cito algumas postagens bem polêmicas que despontam como as mais acessadas do blog até

hoje, que são os assuntos: Mão Branca e os Borboletas Azuis, por exemplo. Então vai sempre suscitar uma quantidade de comentários muito grande, sejam para, no caso de Mão Branca, ser a favor, contra, para ver pelo lado dos Direitos Humanos ou pelo lado do popular, do civil. Então isso foi bem interessante porque a gente também estabelecia um ponto de discussão naquele ambiente.

Thiago Raposo: O que é que vocês desejam destacar da história de Campina Grande? Qual o público que vocês desejam alcançar com as publicações?

Emmanuel Sousa: Para ser bem sincero, o público que a gente queria alcançar, eu diria que não conseguimos alcançar, que era a maioria da população. A gente não conseguiu. Até porque nossa proposta inicial era que todos os leitores rebuscassem seus acervos familiares, seus baús de fotos e de fatos e disponibilizassem. Mas o alcance, apesar de tanto tempo, não foi tanto quanto a gente esperava, mesmo com a mídia sempre divulgando, mesmo com entrevistas em rádio e televisão. Nós temos 400 mil habitantes e eu tenho certeza que a gente não conseguiu atingir 10% dessa população como público fiel. Então, por conta disso, eu acredito que o nosso objetivo maior só foi alcançado em parte. Os leitores que se engajaram, colaboraram, mas a gente queria ter alcançado muito mais. Então, não deixa de ser uma "frustração", por não ter alcançado a amplitude que eu imaginava que a gente fosse chegar.

Thiago Raposo: Em junho de 2019, nossa pesquisa fez um levantamento das publicações que foram feitas pelo blog, tentando enquadrá-las em áreas temáticas. Foram analisadas 2140 publicações, cujos temas que se destacaram foram o futebol, personalidades - sejam elas político, literário ou algo do tipo - e a questão do urbanismo.

Emmanuel Sousa: O fato do urbanismo é bem interessante porque os maiores pontos de curiosidade do blog foi mostrar como era Campina Grande ontem e como é hoje, o quanto mudou, principalmente, no final da década de 1930. Então essas fotos do urbanismo servem justamente para isso, não só para informar, mas para impactar. Eu acho que o ponto mais curioso de todas as fotos que foram postadas era justamente esse impacto de ver o que aconteceu, no de termo metamorfose para nossa cidade, principalmente no centro da cidade.

Thiago Raposo: Existem alguns temas que são prediletos para vocês?

Emmanuel Sousa: Não, não.

Thiago Raposo: Quais são as pessoas que mais colaboraram com o envio de textos, imagens ou vídeos? Vocês têm mais ou menos alguma ideia?

Emmanuel Sousa: Eu não vou saber precisar agora, porque vou pecar por omissão. Mas tivemos pessoas que em determinados momentos colaboraram muito conosco, foi muito por períodos. Eu destacaria aqui, de lembrança, uma estudante acadêmica de Direito chamada Gabriela Duarte. Ela é da família “do Ó”, daqui de Campina Grande, muito tradicional, e nos forneceu muito material. Jônatas Rodrigues que é um pesquisador dos assuntos que interessam ao contexto de ferrovias aqui no estado da Paraíba, é um cara espetacular que sempre colaborou muito com a gente. O colaborador Raul Ferreira de Esperança, que inclusive fundou o Instituto Histórico de

Esperança, um cara que ajudou muito a gente. Quem eu citaria mais: o professor Thomas Bruno, aqui no Instituto Histórico de Campina Grande; o professor Wanderley de Brito, atual presidente do Instituto Histórico. Então, todos esses nomes e mais tantos que eu vou pecar por omissão, colaboraram muito com o nosso conteúdo e a gente toda a vida foi muito grato a eles por isso.

Thiago Raposo: Gostaria de saber se existe alguma rotina para que aconteça as publicações. Quais são os aparelhos que você utiliza? Se você toma um café antes de fazê-las, se existe um horário do dia especifico...

Emmanuel Sousa: Na verdade não tem não. Eu sou bem sincero em dizer que nosso blog é uma coisa muito artesanal, um trabalho que é todo feito com base mais boa vontade do que em profissionalismo, desde o início. Então, a maioria das postagens, eu e Adriano sempre fez cedinho da manhã, era a primeira coisa que a gente fazia quando chegava no trabalho. Eu no meu escritório e ele no dele. Cada um fazia a sua postagem. De acordo com sua conveniência. Ele toda a vida deixou uma coisa muito pré-preparada. Sempre teve essa coisa de ir montando a postagem e quando tivesse toda pronta ele jogava no ar. Eu não, eu era muito do imediatismo, como eu ainda sou. Muitas vezes eu estou no trabalho, vem uma lembrança e eu vou buscar foto, uma informação e faço a postagem. Então eu não tenho um ritual, eu não tenho uma liturgia para seguir. Eu sempre vou pelo intuito. Hoje em dia, como estou mantendo só o Instagram, a minha necessidade é a de todo dia trazer um assunto interessante. Pela manhã, ao chegar no escritório eu vou ler as notícias e depois disso eu vou buscar no que já tem no acervo de postagem, aquilo que pode ser interessante para ser trazido hoje, como curiosidade de hoje. Então mesmo sendo coisas que já estão postadas lá, como você até já citou mais de 2100 postagens, para esse novo público agora que está se engajando pelo Instagram é novidade. Então não deixa de ser uma pesquisa naquilo que já está postado, é sempre uma rebusca daquilo que já está lá. Então não há um ritual, não há rotina. É uma coisa muito feita para atender a necessidade da postagem.

Thiago Raposo: Qual a formação de vocês? Tanto a sua quanto a do Adriano.

Emmanuel Sousa: Em termos profissionais, nós somos contadores. Eu opero na contabilidade do setor público, ele opera na contabilidade do setor comercial. Quando começamos o trabalho do blog eu era graduado em administração, ainda não tinha o curso de Contabilidade e Adriano também era graduado em Administração e em direito. Então, se juntar tudo, a gente tem praticamente uma faculdade à disposição; Adriano tem graduação em administração, direito e contabilidade. Eu sou graduado em Administração e em contábeis. Em história, como já falei, só tem esse trabalho de pesquisa, de leitura e de divulgação, nós não somos graduados na área.

Thiago Raposo: Em 2011, a página do Retalhos Históricos de Campina Grande foi reconhecida como serviço de utilidade pública pela Câmara Municipal de Campina Grande. O que significou para vocês?

Emmanuel Sousa: Na verdade, esse foi o primeiro grande reconhecimento que a gente teve. A sensibilidade do vereador Olímpio Oliveira, que na época me encontrou por acaso. A gente estava em um evento da aluna Rebecca Cirino, do curso de Arte e Mídia. Ela estava apresentando um Trabalho de Conclusão de Curso espetacular, que ela fez sobre a identidade morta de Campina Grande, a arquitetura de Campina Grande que praticamente não conta mais

nada da nossa história e o vereador ali estava. Lá ele me conheceu. Aliás, depois que eu me apresentei, ele também se apresentou e mostrou uma afinidade muito grande com o nosso conteúdo. Disse que era um leitor ávido. Também disse: "vocês merecem uma medalha, vocês merecem um reconhecimento por isso". Na época a propositura que ele apresentou foi para tornar aquele blog como um serviço de utilidade pública. A partir daquele momento, bem no início ainda, porque gente só tinha dois anos de atividade, criou em 2009 e em 2011 recebeu o serviço. Então foi colocado nas nossas costas a necessidade de continuar um trabalho, de aumentar essa carga de trabalho e ter sempre essa responsabilidade social. Então, aquele reconhecimento que até hoje carregamos com muito orgulho, é nosso principal predicado por esse serviço. Fez com que a gente tivesse sempre essa responsabilidade por conta desse reconhecimento.

Thiago Raposo: Nesses dez anos de atividades, vocês já pensaram em encerrar suas atividades alguma vez?

Emmanuel Sousa: Várias vezes. E uma delas, agente encerrou. Justamente por conta de divergência de ideias, você sabe que toda sociedade ela nasce, mas um dia acaba. Infelizmente, nem tudo dura para sempre. E essa nossa parceria, entre eu e Adriano, tem altos e baixos todos os dias. Inclusive somos parceiros profissionais, dividimos um escritório junto na atividade contábil. Mas toda sociedade é difícil. Aí justamente por conta de divergências entre uma coisa e outra, no ano de 2014 a gente encerrou o blog. Então praticamente foi dado baixa no trabalho. E foi a partir daí que a gente sentiu o tamanho do trabalho e a necessidade que havia de que aquilo não se encerrasse. Foi como se a gente precisasse ter passado por aquela experiência, foi preciso ter levado a lapada que levou. Todo mundo que nos encontrava, cobrava, perguntava e dizia que não. E todo mundo começou a mandar e-mails, mandar correntes de positividade para que o trabalho não fosse encerrado. Então, sentimos ali que havia uma necessidade de que aquele trabalho não fosse encerrado, que ele fosse continuado e acima de tudo, que a parceria não fosse desfeita. Eu tenho certeza que aquele trabalho não vai se manter nunca se depender só de mim ou só dele. Tem que haver essa coparticipação. A partir dali nós retomamos as atividades. Foi bem interessante, porque nós não só retomamos a atividade, como futuramente nos formatamos como parceiros comerciais também. Então, a partir dali, o trabalho foi mantido. E aí eu repito e lamento, não com a constância de pesquisa que a gente fazia antes, não com a constância de postagens de novidade que a gente tinha antes, mas o trabalho está mantido, a fonte de pesquisa está mantido e ainda nos envaidece muito saber que é um poço onde muitos vão beber daquela fonte.

Thiago Raposo: Você falando do ano de 2014 e, de fato, é quando temos uma queda no número de publicações. O ano de 2009, vocês começaram em agosto, teve 83 publicações, 2010 teve 342, em 2011, 313. Tínhamos uma média. O ano de 2012 se sobressai com 450 publicações. Esse ano teve alguma coisa especial?

Emmanuel Sousa: O ano de 2012 foi o boom do blog. Posso dizer com toda sinceridade que foi o ano em que o blog teve mais postagens, como você cita, teve mais acesso e foi o ano em que a gente foi disputar o Campeonato Nacional do Top Blog. Então, foi em 2012 que a gente colocou o blog à prova. "Vamos ver até aonde a gente tá indo". A gente se inscreveu em um concurso nacional chamado Top Blog que havia na época, que era centralizado lá em São Paulo. Você

escrevia os blogs em determinadas categorias e a intenção era ver os níveis de acesso que tinha cada um. O blog de política, primeiro saiu os cem mais acessados; categoria Cultura, os cem mais acessados; categoria de culinária; categoria Entretenimento; assim por diante. Quando a gente venceu a primeira fase, venceu não, ultrapassou a primeira fase, dos 100 mais acessados, aquilo já nos deu um impacto. Eu disse: "eita, o negócio é pesado". Passamos dos cem. Passamos da fase dos 50. Chegando na fase dos 10 a gente estava sacramentado. Eu disse: "nosso alcance aqui é muito maior do que a gente imagina". Então, naquela época nós colocamos o "medidor" de popularidade. O intuito daquele concurso era premiar os três blogs mais acessados de todo o Brasil em cada categoria. Nós estávamos ali em uma categoria que nem era nossa. A gente estava em Arte e Cultura porque não existia história ou alguma coisa voltada para esse tipo de conteúdo. Nós ficamos entre os três. Então ali sacramentou nosso trabalho, sacramentou o nosso esforço naquela época. E com a ajuda da Prefeitura Municipal, secretária Marlene Alves na época, que era secretária de Cultura de Campina Grande, nós fomos a final do concurso lá em São Paulo. Éramos um dos três finalistas, mas infelizmente não fomos o campeão. Mas aquilo ali também não nos desmotivou de jeito nenhum, a gente já era vencedor só por estar e ali. De todo o Brasil, a gente estava, como diz o Toy Story, falando de nossa aldeia. A gente não tinha um assunto vasto, não falava de política, nem entretenimento, nem de cinema, nem de novela, nem fofoca. Falava da história de Campina Grande e aquilo ali nos levou a um terceiro lugar de uma categoria de Cultura. Acho que tinha mais de 80 mil blogs inscritos ao total do concurso e aquilo ali, com certeza, foi o que fez essa grande quantidade de postagens subir tanto no ano de 2012. É porque nós realmente estávamos empenhados em levar o nome do blog lá para cima e a gente conseguiu isso.

Thiago Raposo: Em 2014, você mesmo cita, tem uma queda, são 127 publicações, mas no ano de 2015 tem novamente uma elevação, não no mesmo ritmo de postagens anteriores, mas é um pouco maior. Você tem 201 publicações. Em 2016 temos 125, em 2017, 107, em 2018, 49 e em 2019, até junho, tínhamos 15.

Emmanuel Sousa: Eu confesso que essas publicações de 2019 é simplesmente alguma coisa que eu coloco lá no Instagram e trago para cá também, porque não tenho conseguido nem Adriano tem conseguido trazer mais novidade para colocar no blog. Não por falta de informação, mas mais por falta de disponibilidade e empenho nesse trabalho. É tanto que os 10 anos que a gente completou esse ano, não fizemos nada de especial. Foi praticamente passado em branco. Até porque, por mim, nós teríamos comemorado esses 10 anos com um fecho simbólico dessas postagens de blog. Um fecho oficial, não encerrando o blog, mas um fecho oficial desse ciclo de postagens e uma publicação das maiores ou melhores assuntos postadas lá, em um livro. Essa teria sido minha intenção nesse ano. Não foi possível até porque, infelizmente, quem seria nosso braço nesse intento seria a editora da UEPB, que a gente sabe que não funciona mais. Infelizmente, nem eu fui buscar outros órgãos nacionais ou internacionais para isso. Infelizmente, por conta dessa impossibilidade ou dessa disponibilidade nossa a coisa não tem sido atualizada.

Thiago Raposo: Então, no caso, existe um pensamento de substituir o blog? De mantê-lo lá, mas assumir uma outra característica ou outra reconfiguração?

Emmanuel Sousa: Na verdade isso já aconteceu. Você fez aí já a estatística dos últimos anos da publicação e nos últimos anos a gente tem "preferido" manter o Facebook mais atualizado do que o blog, porque os leitores não correspondem mais. Então quem é que tem ido ao blog hoje em dia? É o pesquisador, estudante, imprensa. Então não tem mais aquele público ávido que tinha em 2010, 2011 e 2012, de todo dia abrir um blog para ler. Todo mundo ia ler o blog do Diogo Mainardi. Todo mundo ia ler o blog do Retalhos Históricos de Campina Grande. Todo mundo ia ler o blog de política de fulano, de sicrano e beltrano. Hoje não tem mais isso, porque as redes sociais, através dos smartphones, foram condensados tudo em um canal só de informação. Então, está tudo lá no Facebook, está tudo lá no Twitter - que ainda tem uma força muito grande de informação - e principalmente no Instagram, que é a novidade, ele faz com que a informação vá mais rápida, ela tem um alcance mais rápido. Então por conta disso, ao longo dos últimos anos, essa plataforma blog foi um pouco esquecida. O nome foi mantido, o conteúdo tá lá mantido, mas não interessante mais a gente manter, até porque sentimos também que o público não tinha mais a avidez que tinha antigamente de buscar a informação lá. Então, nós mantivemos o Facebook em atividade, que ainda tem um giro bem interessante e uma dinâmica bem interessante de disseminação de informação. E ano passado, especificamente, eu entrei com o conteúdo no Instagram para a gente ingressar nessa nova rede e é onde a coisa está sendo divulgada atualmente. Por isso que tem tão pouca publicação nos últimos anos, principalmente 2019 lá no blog.

Thiago Raposo: Mas você se referindo a questão material, houve uma queda no envio para vocês?

Emmanuel Sousa: Também, com certeza. A grande diminuição das postagens, porque a gente tinha uma prática de priorizar aquilo que chegava para a gente. Então, nós tínhamos um acervo, nós tínhamos uma pesquisa nossa, mas a partir do momento que havia uma colaboração, essa colaboração passava na frente. O nosso sempre ficava para segundo plano. E a medida que isso daí foi deixando de acontecer, o nosso também foi diminuindo, a frequência com que a gente preparava o material. Então, foi uma coisa que foi acontecendo gradativamente, ao passo que diminui a colaboração, a gente também não correspondeu do lado de cá com a mesma intensidade para tentar equilibrar. Então ela foi diminuindo.

Thiago Raposo: Muito obrigado!

Emmanuel Sousa: Eu que agradeço. Sou sempre grato por esse tipo de contato.

Thiago Raposo: Mas surgiu agora uma dúvida... você falou que o Adriano tem um acervo muito rico em termos de futebol. E você?

Emmanuel Sousa: Mais política. É interessante porque toda a vida fui muito interessado na história de Campina Grande pelo lado político. Quando eu era criança, lá em casa papai tinha os livros de José Silvestre. Quer queira, quer não, é um historiador de Campina Grande. Ele também não é historiador de formação, mas a história de Campina Grande pelo lado político ele contou. Da década de 30 pra cá, o que você procurar sobre a história política de Campina Grande vai estar lá e no contexto você vai entender o que acontecia na cidade naquela época também. Eu era apaixonado por esse tipo de história. Então tudo que me levava ao assunto política, me

chamava a atenção por isso, porque por eu ter esse acesso aos livros dele, eu me sentia parte interessada no assunto. Aquilo ali chamava a minha atenção também.

Thiago Raposo: A parte religião, foram vocês que produziram ou foi enviado?

Emmanuel Sousa: Não, religião foi a gente também. O que tiver de religião lá, foi pesquisa nossa. Nenhum religioso se comprometeu a nos ajudar, à exceção do padre Márcio com quem eu tive uma aproximação há alguns anos e que nos mandou algumas fotos antigas que um paroquiano dele lhe deu. Então, a gente postou um tempo desses umas fotos da catedral na década de 1960, antes das reformas, e foi o padre Márcio que me mandou aquelas fotos, porque ele recebeu de um paroquiano de outra cidade. Não era nem acervo da Catedral, passando a ser quando ele recebeu. Ele fez esse grato compartilhamento conosco dessa informação. Mais recentemente uma outra aproximação que eu tenho tido com o padre Luciano Guedes, o atual pároco da catedral, me fez e me empolgou a repostar os textos que ele vem fazendo em homenagem aos 250 anos da catedral. Então, não deixa de ser um trabalho que ele está desenvolvendo em termo de resgate histórico que claro, eu apropriei para o blog né não? Não lhe desmerecendo os créditos e com a parceria anuência dele também.

Thiago Raposo: Muito obrigado.

Emmanuel Sousa: Eu agradeço de novo.
por Thomas Bruno Oliveira (thomasbruno84@gmail.com)
  
Desde que meu pai, seu Paulo Roberto Oliveira, abriu uma assistência técnica em conserto de eletrodomésticos, lá nos idos de 1996, que sou ativo frequentador e caminhante da Avenida Presidente Getúlio Vargas no Centro de Campina Grande, onde inicialmente partilhava os turnos entre estudo no Colégio Alfredo Dantas e o trabalho como office boy e depois com “a mão na massa” no conserto de ventiladores e toda sorte de aparelhos elétricos, aprendendo o mister com os funcionários mais experientes. 

Sociedade Beneficente dos Artistas de Campina Grande – SBA (RHCG)

Num certo período de carnaval, quando Papai e eu passamos na rua a caminho de casa, nos deparamos com a demolição de um prédio antigo, bonito, de linhas arquitetônicas robustas e marcantes; “como podem destruir um prédio tão bonito” balbuciou Papai e eu, em meus 13 ou 14 anos, vendo aquela gigantesca máquina destruindo tudo, fui tomado pelo incômodo da revolta. O prédio era a Sociedade Beneficente dos Artistas, fundada em 1929 e oriunda da antiga União Beneficente dos Sapateiros, sociedade filantrópica que oferecia cursos para pessoas de baixo poder aquisitivo. Naquele momento nem pensava em vestibular, quanto mais em ser historiador e jornalista, mas hoje vejo que aquela sensibilidade pueril foi o fio condutor para me guiar até aqui.

O Bar e Mercearia Ferro d'Engomar 

A antiga Avenida Brandão Cavalcanti, hoje Pres. Getúlio Vargas, possui um nicho patrimonial interessante, resistiram ao tempo a sede dos Correios, o tradicional Ferro d’Engomar (e seus boêmios!), a antiga Faculdade de Administração, o Memorial Severino Cabral, o casarão e a antiga fábrica Marques de Almeida, o acesso às Boninas, o antigo Colégio Pio XI, o castelinho onde funciona a clínica Dr. Maia, a casa de Alvino Pimentel e o Cine Avenida, só para citar o trecho entre a Praça da Bandeira e a esquina com a rua Siqueira Campos.

Cine Avenida (RHCG)

E eis que caminhando na mesma avenida, há alguns anos, vi o abandono seguido de demolição da casa do exportador de algodão Alvino Pimentel, residência onde se hospedou Juscelino Kubistchek. Lembro que o amigo Prof. Daniel Duarte esteve à frente de uma verdadeira campanha para evitar a demolição desse prédio histórico, mas o poder da especulação imobiliária venceu; é a “força da grana que ergue e destrói coisas belas” como bem afirmou Caetano Veloso. Neste caso, um grande empreendimento residencial e comercial está sendo erigido, modificando todo aquele ambiente; na descomunal escavação para fundações sequer foi permitida a averiguação de possível existência de vestígios arqueológicos que podia muito nos contar sobre o passado de nossa terra.

Antigo DTOG, ao fundo a Estação Nova

Tempos depois, ao caminhar pela Getúlio Vargas, senti falta de um prédio, o Cine Avenida. No seu lugar, tapumes altos, mas suficientes para perceber que ele não mais estava ali. Foi aí que conversando com um operário descobri que como se não fosse suficiente o tamanho da destruição da casa de Alvino Pimentel, o empreendimento causou sério comprometimento da estrutura do prédio vizinho, justamente o Cine Avenida, cinema inaugurado em 17 de março de 1945 em estilo Art Déco e que estava funcionando a sede da igreja evangélica universal. O Cine é patrimônio sentimental da cidade e mantinha seus traços arquitetônicos. Por fotografias existentes no blog Retalhos Históricos de Campina Grande se percebia que o interior contava com poucas modificações. O fato de não estar dentro da delimitação do Centro Histórico da cidade dificultou a sua preservação e com o abalo causado pelo empreendimento, o Avenida foi adquirido e anexado ao projeto imobiliário.

Estação Nova (?), abandonada

A nossa Rainha da Borborema não sabe mesmo conviver com “seus diversos passados”, essa ânsia pelo futuro e pelo novo me assusta, assim como o desrespeito a sua história. Perdemos o Cine Avenida e a sensação que fica é em forma de pergunta: qual será o próximo a tombar? Será a construção eclética da família Agra defronte a Feirinha de Frutas (vizinho ao antigo Posto de Enfermagem do saudoso Manoel Barbosa) ou o antigo Departamento de Transporte, Oficina e Garagem (DTOG) às margens do Açude Velho? Comemorar 155 anos de emancipação política é também refletir sobre seus problemas e uma chaga que não se fecha é a demolição de seu patrimônio histórico.

Texto do Pe. Luciano Guedes, publicado originalmente no site http://diocesecg.org/  



A obra do Padre Ibiapina fez surgir em Campina Grande a Casa de Caridade em 25 de agosto de 1868. Como observa-nos Câmara Cascudo, em todo século XIX estes mensageiros da fé católica pregaram a Palavra de Deus e socorreram os desertados da seca e da fome nos interiores mais isolados da Província,  gente  que estava privada  da assistência direta do poder público.

Desta maneira, os missionários itinerantes conquistaram o respeito e a admiração das populações nordestinas, “enchendo com os sinais da sandália humilde os caminhos do sertão bravio”. Na Paraíba existiram dez Casas de Caridade, situadas em nossos distritos e cidades. Em Campina, esta tomou lugar na atual Avenida Assis Chateaubriand, onde se instalou mais tarde o Parque Industrial da SANBRA (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro).

Ali havia um conjunto construído no modelo de casa grande em forma retangular, contendo capela, salas, refeitório e dormitórios. Tudo providenciado para o acolhimento das moças órfãs que recebiam o devido cuidado humano, social e religioso. Faziam trabalhos manuais, aprendiam a tecer, ler e contar.

Com o desparecimento do Padre Mestre Ibiapina a partir de 1883, coube ao Monsenhor Sales, recém-designado para a Paróquia de Campina Grande, a tarefa de grande defensor e incentivador da obra caritativa e espiritual. O vigário trouxe para a Casa instrutores encarregados da profissionalização das beatas, capacitando-as para o artesanato, costura e confecção dos materiais destinados ao culto sagrado.

O número de beatas atingiu trinta residentes, além das órfãs e jovens abandonadas. O externato matriculou mais de trezentas alunas entre 1918-1920 com o curso primário, aulas de corte e costura, canto, religião e arte culinária. Uma espécie de escola doméstica feminina.

No período do seu paroquiato, as beatas exerceram um relevante papel e apostolado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.  Foram elas que aos sábados ornamentavam com zelo e delicadeza o altar da padroeira e dos santos, com as flores recolhidas do próprio jardim da igreja.

Confeccionavam as toalhas, vestes, hábitos, paramentos sacerdotais e as demais alfaias relacionadas à celebração da Eucaristia e dos sacramentos. Recebiam encomenda de outras paróquias e das redondezas que, por sua vez, contavam com os seus serviços, ao tempo em que se obrigavam com o sustento, apoio e manutenção da Casa de Caridade.

Outra participação das beatas a ser lembrada diz respeito ao canto coral na Santa Missa por elas executado. Conta-se que até homens indiferentes às coisas sacras, adentravam a Matriz para atentamente ouvi-las cantar aos domingos. Na realidade, parece-nos que o oficio delas espalhava na cidade um frescor de leveza e de bondade, capaz de tocar as almas mais arredias e resistentes.

Neste ano em curso – momento em que celebramos 250 da Igreja Matriz – é importante recordar o seu significado histórico na defesa da vida e da dignidade humana.  Oportuno também é conceber que se faz história não para alimentar saudosismos ou para tecer a simplista glorificação de um passado distante. Não é esta a sua necessidade e tarefa.

A história se conta para compreender os dinamismos humanos dos quais somos resultado e partindo disto olhar novas possibilidades. Narra-se o passado para colocar o homem sempre responsável pelo seu presente. História é compreensão da temporalidade, do tempo vivido que não é estático, porque se renova continuamente.

Neste sentido, a Igreja de Campina Grande tem um bonito caminho feito e por fazer.   Hoje existe em nossa Diocese, doze Casas que são obras de caridade e dezoito pastorais ditas de fronteira e de promoção da vida, acompanhadas pelo Vicariato Episcopal da Caridade, Justiça e Paz.

Essencialmente, a obra de tornar o evangelho próximo dos pobres, sofredores e desvalidos continua sendo a mesma que estava na intuição dos curas de almas Ibiapina e Sales, naturalmente, respondendo às demandas impostas pelo nosso tempo, como por exemplo, as situações de rua, os dependentes químicos, o acesso à justiça, a sobriedade, as pessoas idosas, os cadeirantes, os hospitais, etc.

As beatas da Casa de Caridade em Campina Grande anunciaram no seu contexto a força transformadora do evangelho pelo testemunho da misericórdia e da doação.  Inspiração e exemplo para nossa pastoral de saída no encontro com o rosto sofredor de Cristo na carne dos irmãos fragilizados.

No aniversário jubilar da Igreja Matriz, porta que testemunhou tamanha entrega, mova-nos o Espírito Santo de Deus para socorrer os corações atribulados da nossa época. E novas vozes entoem o divino canto que se concluirá um dia no Céu!



(Por Pe. Luciano Guedes, texto originalmente publicado em http://diocesecg.org )

Contar a história da Igreja Catedral de Nossa Senhora da Conceição que caminha para a celebração dos seus 250 anos no próximo dia 08 de dezembro deste ano em curso, confunde-se com o fazer a narrativa da própria cidade de Campina Grande em suas origens, evolução e contemporaneidade.

Até 1769, ano de fundação da Matriz, a povoação nascida pelo aldeamento dos tapuias trazidos do sertão de Piranhas pelo capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo e aqui denominados de ariús, continha um pequenino templo dedicado à Nossa Senhora da Conceição e construído em taipa no alto da colina, virado para o noroeste. Somente em 1791-93 com a grande seca que assolou a região da Borborema, avivando o sentimento religioso dos habitantes locais, a igrejinha primitiva recebeu melhoramentos de alvenaria em tijolos, fabricados no sítio do Lozeiro, onde não faltava a água.

A Igreja Matriz de Campina Grande aí instalada pelo Bispado de Olinda, permaneceu com esta modesta estrutura física até o ano de 1887, quando o Monsenhor Luís Francisco de Sales Pessoa  reuniu esforços para dotar a acanhada construção – na expressão do próprio vigário – de uma remodelação capaz de dignificá-la ao ritmo da habitação e do estatuto de Vila elevada à condição de Cidade.

Herdamos desse momento a atual fachada externa em linhas neoclássicas; as duas torres, uma com agulha direcionada ao infinito e a outra sem agulha para o hasteamento da bandeira da padroeira e dos demais santos de devoção confome fossem reservados no calendário anual; o relógio, marcador das horas; os corredores laterais e a abertura do corpo da igreja em arcos. A este conjunto adicionou-se o altar-mor construído em mármore Carrara, com seus três nichos na parte superior, dedicados à Imaculada Conceição, São Luís Gonzaga e São Francisco de Assis. Além do altar principal, mais dezesseis altares laterais foram construídos para o culto dos santos, entre eles destaque para o da Sagrada família, onde se abençoava os casamentos e do Mártir São Sebastião, posto nesse lugar para agradecer-lhe a superação do surto de cólera, drama vivido pelos habitantes da vila no século XIX.

Com este conjunto patrimonial e simbólico, a Igreja Matriz, adentrou ao século XX, testemunhando os tempos modernos, com o seu processo de urbanização e de reconfiguração do centro urbano. O apogeu do algodão, a linha férrea, os veículos automotores, o telégrafo, a luz elétrica e a avenida aberta pela reforma urbanística da década de 1940, indicaram o programa do progresso e da higienização pela qual atravessava a cidade em plena expansão e desenvolvimento. Contudo, permaneceu no mesmo lugar o templo católico primeiro, nascido ali, desde os tempos da colonização portuguesa.

A terceira fase da configuração do templo data de 1969, quando já sede do Bispado campinense, o recinto sagrado passou por adaptações à Reforma Litúrgica empreendida no Brasil pela realização e recepção do Sagrado Concílio Vaticano II, momento em que se instalou o novo altar ao centro do presbitério, direcionando o culto e a comunicação da Palavra divina para a assembleia dos fiéis.

Podemos falar de uma quarta e última etapa que nos traz aos dias atuais. Por ocasião do Jubileu áureo dos cinquenta anos de fundação da Diocese de Campina Grande, celebrado em 1999 pela presidência de Dom Luís Gonzaga Fernandes (4º Bispo diocesano), construiu-se nova Capela do Santíssimo Sacramento e nova Pia Batismal, belas obras artísticas do Frei Dimas Marleno e sua equipe.

Celebrar 250 da Matriz será uma oportunidade histórica para reconhecer através do templo a fisionomia humana e espiritual do querido povo campinense. Visitar o passado do nosso marco primeiro, viajando pela Capela da aldeia, Matriz da Vila Nova e finalmente a Catedral na cidade moderna, conduz-nos à compreensão das pessoas, dos seus sentimentos, afetos, cotidiano e o testemunho de fé que fez existir Campina Grande até os nossos dias. Como nos conta o texto sagrado nas Escrituras: “Não se pode esconder uma cidade situada sobre o monte” (Mt 5,14). Cidade esta que guarda um templo santo, casa de oração – lugar de renovação e de saudade – porta pela qual a Virgem Santíssima abençoa os seus filhos.
NOTA.: A ilustração visual desse caso só nos foi possível através da colaboração do fotógrafo campinense Júlio Vasconcelos que nos enviou as imagens utilizadas na postagem que se segue.

Aspecto original da Igreja do Rosário (Anos 40)
O ano era 1956 quando o 'novo' templo da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, localizada no Bairro da Prata, fora acometido de um incêndio, de grande proporção, dito criminoso. 

A igreja, que havia iniciado suas atividades litúrgicas no ano de 1949, sob a direção do Padre Cristóvão Ribeiro da Fonseca, segundo pároco nomeado para a paróquia, envolveu-se em chamas de forma que foi impossível a sua contenção, tendo o fogo consumido tudo que se encontrava acomodado na Capela-Mor e na Sacristia.


Segundo o relato exposto no site oficial da Igreja do Rosário "O fogo devorou tudo [...] cômodas, armários, paramentos, missais, alfaias, etc. O forro e o teto da Capela-Mor vieram abaixo. [...] Escapou, por milagre, a imagem de Nossa Senhora do Rosário no altar-mor."


 
Ato criminoso, haja visto a profanação de peças sacras, como o arrombamento do Sacrário, confeccionado em mármore com portas de metal, além do sumiço das âmbulas que acomodavam as hóstias consagradas, a polícia deteve o indenciário que assumiu sozinho a autoria do delito em função de furto.


Cidadão que Provocou o Incêndio na Igreja do Rosário (não identificado)
Após a destruição da igreja, teve início uma grande mobilização popular entre os fiéis paroquianos para soerguer o templo e recuperar o que fora destruído pelas chamas, sendo concluídas as obras de reforma no ano de 1959, inclusive com a modificação da torre fronto-central tendo recebido um relógio, doado pelos irmãos Roldão Mangueira e José de Medeiros Camboim, abençoado por Dom Manuel Pereira da Costa, o terceiro bispo de Campina Grande.


Para os frequentadores da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, é possível identificar os nomes das famílias que participaram dessa empreitada pela reforma da igreja através dos belíssimos vitrais que ornam todo o entorno do templo.



Fotos Históricas Enviadas por Júlio Vasconcelos
Fotos Vitrais: Acervo Blog RHCG
Fonte Pesquisada: Site da Paróquia do Rosário: http://rosario.org.br
Residência Rua Peregrino de Carvalho
Foto: Acervo Walter Tavares

Walter Tavares, exímio memorialista, guardião de grandes vivências da história de Campina Grande, há alguns dias postou em seu perfil do Facebook a notícia de que uma das residências mais antigas do Centro da cidade estaria para ser demolida.

Dentre incontáveis comentários, claro que lamentando o possível fato, destacou-se o relato de memória enviado pela médica campinense Vânia Barbosa, filha do casal Manoel Barbosa e Maria Lopes Barbosa, de grandes e valorosos serviços prestados à Rainha da Borborema.

Em um espetacular exercício de memória, Vânia nos brinda com uma magnífica e saudosa descrição da Rua Peregrino de Carvalho e seus moradores, nos áureos tempos de sua infância.

A seguir, a íntegra postada por Walter Tavares:

"TEXTO DA MÉDICA VÂNIA BARBOSA enviado de Rheinfelden, na Suiça, onde ela mora. - Um Importante depoimento da querida amiga sobre a casa histórica da rua Peregrino de Carvalho:

"Acordei agora e vi esse compartilhamento do meu querido irmão Renan Barbosa, que me trouxe imediatamente um livro de memórias aos olhos.

Queridos Walter Tavares e Maria Ida Steinmuller nós moramos muitos anos vizinho a essa casa! Essa casa era habitada pelas irmãs Iracema e Ivan Agra nos anos 60, quando o Posto de Enfermagem Manoel Barbosa era a casa do lado. Elas ainda permaneceram ali por muitos anos. A nossa casa acho que foi demolida e transformada numa lanchonete ainda cedo.

Eu quando pequena subi nessa muralhinha da frente, mostrada nesta foto, e um dos colegas de rua empurrou minha cabeça na direção dessas pontas de ferro, o que me rendeu um ferimento na região submandibular que foi prontamente sanado com uma sutura rápida feita por papai. Tenho a pequena cicatriz até hoje.

Ivan e Iracema eram nossas vizinhas do lado esquerdo, em direção à estação rodoviária. Do lado direito em direção a Floriano Peixoto moravam D. Laura, seu esposo o fazendeiro Sr. Zezinho Agra e seus brilhantes filhos. Uma das netas Semiramis Agra conheci lá ainda bebê e guardamos uma relação de amizade até hoje. Vizinhos maravilhosos!

Tempos de infância incomparáveis naquela rua.

No início só tínhamos rádio, mas sem intenet e redes sociais, conhecíamos todos os vizinhos de uma ponta a outra da rua e das ruas vizinhas também. Lembro de quase todos.

Na esquina da rodoviária morava o renomado dentista Dr. José Gregório, com uma enorme descendência de respeitados profissionais em C. Grande, Recife, etc.

Os pais de Glória Cunha Lima moravam também na Peregrino de Carvalho, muito próximo a essa casa, do mesmo lado. Adorava ver Ronaldinho, o filho do saudosos Ronaldo Cunha Lima, quando vinham de férias do Rio de Janeiro.

Daquele lado havia Leo, uma senhora bela, além de sua época, que tinha locadora de filmes de cinema, aqueles grandes rolos. Tudo lá era decorado com imensos posters de filmes. Acho que bem vizinho a Leo havia a loja do cortume dos Motta, onde conheci Rossana Motta Mota e a admirava por sua beleza. Ela ia ali quase todos os dias e ficava ali ao lado de seu pai. Desse lado ainda o legendário Alonso, sapateiro, que depois mudou-se para o outro lado. Do mesmo lado o escritor e professor de português Fernandinho, com sua mãe D. Eulália.

Eu me lembro que o escritor Josué Silvestre se hospedava em casa de parentes do outro lado da rua. Na esquina do outro lado também morava o ex-vereador Souza da Pipoca que nos presenteava com bacias gigantescas de pipocas hoje chamadas caritó. Fritávamos as pipocas na manteiga naquelas gigantes panelas e fazíamos uma festa com as crianças da rua.

Tínhamos uma verdadeira trupe de rua.

Mais perto da feirinha de frutas morava Marconi Mota, com sua mãe D. Lucila e sua irmã, pessoas muito queridas. Poderia falar horas sobre essa rua enorme, suas lindas casas no estilo dessa da foto, e sobre quase todos os seus moradores: no fundo éramos uma grande família com todos seus ingredientes: intrigas, brigas, festas, amores, risos, amizade, brincadeiras, solidariedade etc.. Ali conhecemos muitos outros vizinhos, todos maravilhosos: Isabella Figueirêdo Fernandes Jatobá, Ednamai Nóbrega, Edilton Rodrigues Nobrega, dentre outros.

Ah, como poderia esquecer da sede da Rádio Caturité? Lembra Gilson Souto Maior? À noite subíamos uma escada mágica para irmos ouvir programas com cantores ao vivo: Marinês, uma loira chamada Madalena? (esqueci o resto do nome), e trios de forró.

Tinha um famoso ator da globo, cuja mãe se não me engano também morava lá. Médicos, escritores, dentistas, professores, intelectuais, comerciantes, cabelereiros (o grande e querido Gomes, Raquel).

Pena papai não estar mais entre nós porque escreveria um tratado sobre essa rua na qual morou por mais de 3 décadas.

Romulo Barbosa, Roberto Barbosa, Valéria Barbosa Lima Sousa, Renan Barbosa, Vitoria Maria Barbosa Widmer vocês todos nasceram nessa rua. Sérgio Maestro Aracaju e Bezinha Teles vocês vieram depois mas também devem ter lindas memórias dessa rua. Eu não nasci lá, mas foi onde cresci, pulei corda na calçada, pulei amarelinha, chamada por nós de "cademia" e me apaixonei pela primeira vez, coisas que a gente não esquece. "Se essa rua fosse minha eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhantes... " E por isso o meu protesto: Restaurar a casa sim, preservando a fachada, como se faz aqui no primeiro mundo, demolir jamais!"

Vânia ladeada por D.Maria Barbosa e S.Manoel Barbosa
Foto: acervo Vânia Barbosa (Facebook)

 
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