Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?

Mostrando postagens com marcador AÇUDES. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador AÇUDES. Mostrar todas as postagens


Campina Grande possui lugares  fascinantes, mas  nenhum  supera o  Açude Velho  como  a mais bonita imagem ou  cartão  postal  desta cidade.  O Açude  Velho  localiza-se  na  região central do município e possui uma área de aproximadamente 47 mil m².

Antes que adentremos nos pormenores históricos deste símbolo da cidade, mergulharemos no imaginário de muitos campinenses, que “apreciam” por demais este espaço urbano e também turístico. Este local é fonte inspiradora de muitas circunstâncias, desde uma caminhada simples (da qual este autor é adepto quase que cotidianamente), passeios informais, corridas, pedaladas e até começos e continuações dos encontros românticos ali estabelecidos. Suas águas, histórias e panoramas inspiram artistas, cantores, pintores, fotógrafos e cidadãos comuns, bem como “crônicas” atinentes a um local arrebatador.

Naquele local público e aprazível, encontramos dois museus:

1.    Museu de Arte Popular da Paraíba (Museu dos Três Pandeiros), projetado pelo célebre Oscar Niemeyer.

2.    SESI Museu Digital, que proporciona uma viagem interativa pela história de Campina Grande, com tecnologia, realidade virtual e simuladores, onde também se encontra o belo monumento comemorativo aos 150 anos da cidade.

Existem mais dois monumentos às margens do açude: "Os Pioneiros da Borborema" e as estátuas de “Jackson do Pandeiro” e “Luiz Gonzaga”, que estão ali posicionados como ponto de visitação, onde os registros fotográficos se acentuam. Não esquecendo do “Memorial à Bíblia”, que é um espaço dedicado à fé cristã.

O Açude Velho é um lugar adequado para passar um tempo de maneira agradável e, por conseguinte, conhecer muito da história e cultura da cidade, e ainda por cima, saborear petiscos saborosos encontrados em bares, lanchonetes e restaurantes ali localizados.

Mas, vamos lá: e o início do Açude Velho?

Este açude foi idealizado e construído em razão da seca que assolou o Nordeste brasileiro, entre os anos de 1824 e 1828, tendo sido inaugurado em 1830.  Erguido no leito do antigo "riacho das piabas", o açude serviu durante anos ao povo de Campina e da região do Compartimento da Borborema, que usava de suas águas para diversos fins.

Em face de Campina Grande começar a ser abastecida diretamente do Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão – PB), a finalidade inicial do Açude Velho se desfez e, como já mencionado, hoje é um cartão postal e patrimônio da cidade. Naturalmente, com o crescimento urbano, teve que passar por transformações, ganhando calçadão, ciclovia, iluminação pública e esculturas.

Com mais de 195 anos de história, não poderia faltar um caso pitoresco e emblemático em relação ao referido açude, que é o “Famoso Jacaré”, o qual povoa o imaginário popular, quando muitos afirmavam que um jacaré estava acolhido nas águas do açude. Pois bem, segundo registros históricos, um jacaré-de-papo-amarelo realmente habitou ali nos anos 80, e em 2004 foi resgatado e passou aos cuidados do “Museu Vivo dos Répteis da Caatinga”.*

Quantas lembranças me traz o Açude Velho! Ele mexe no meu interior de maneira diferenciada, pois me incita até a pensar em circunstâncias não vivenciadas ali e que, na graça de Deus, espero contemplar a realização.

Cuidem desta obra fantástica, pois ela se encarregará de exalar o bom perfume de uma história nostálgica, ao mesmo tempo em que adequará a trajetória rumo ao futuro, repleta dos bons ares de uma grandiosidade permanente. E que este espaço encantador seja mantido adequadamente, com o devido engajamento da sociedade, bem como do poder público. 

Cabe a todos, em uma conexão vitoriosa, fazer com que esta paisagem não seja prejudicada por falta de amparo.

Que o Açude Velho, apesar do nome, possa se tornar, a cada dia que passa, mais NOVO e se perpetuar no coração daqueles que, como eu, defendem intransigentemente a importância do local, bem como contemplam a sua beleza inquestionável.

 ____________

 

*midialegal.com.br

 

Colaboração de MEDEIROS JR, autor do blog Linhas Edificantes (www.linhasedificantes.com.br)



Uma tomada aérea espetacular. Nela, vemos um cenário muito, mas muito diferente do atual, com a ausência total de construções verticais no entorno do açude, como também nos bairros de José Pinheiro, Monte Castelo, parte do Catolé, ou até na parte do Centro vista à esquerda da foto!

Outras presenças marcam o visual da foto, em sentido horário: o prédio da FIEP em construção, o Curtume São José, o Instituto São Vicente, o SESC, a Caranguejo, o prédio da antiga Bolsa de Mercadorias de Campina Grande, os armazéns da antiga estação (Boite Maria Fumaça), o Bompreço, os fundos da Wharton Pedrosa, o Posto Berro D'água...

Enfim, uma imagem repleta de beleza e de saudade!
Imagem histórica extraída da extinta Revista Manchete de 1990:





Da série "uma das maiores raridades já postadas", a imagem acima mostra o Açude Novo, manancial construído por volta de 1830 para suprir a necessidade de água da população campinense, quando o Açude Velho se mostrava insuficiente para atender a demanda.

As nomenclaturas surgiram, justamente, após sua construção quando passou a fazer sentido a conotação de antigo e novo.

Enquanto reservatório d'água, o Açude Novo marcou época em nossa cidade; era um local de lazer da população campinense. As jovens desta foto ficaram eternizadas na história, assim como essa paisagem, de um passado muito distante. Segundo comentário postado por Marconi Alves, "Nesse local, onde as pessoas estão sentadas, era um pluviômetro. Ficava ao lado da casa de dr. Bonald Filho."

A foto, que ainda mostra parte do Convento das Clarissas ao fundo, pertence ao acervo pessoal de Leonice Arruda Alcântara, cedida ao BlogRHCG por intermédio da Colaboradora Soahd Arruda.

O baú de memórias de Walter Tavares é algo espetacular e surpreendente. Não só pelas imagens que ele nos traz, como pela descrição que lhes contextualiza.

A foto acima é da lateral do Açude Novo, o sangradouro, na Rua Lino Gomes, onde hoje se encontra a placa em alvenaria do Parque do Povo.

"Em abril de 1963 o Açude Novo, já sem o seu espelho d'água, com serviços de drenagem e colocação de galerias para o escoamento das águas no governo do prefeito Newton Rique. A foto mostra exatamente onde hoje começa o Parque do Povo, e a parte de cima com a rua que hoje divide o Parque do Povo com o Parque Evaldo Cruz, em direção à rua Treze de Maio. Toda essa área era popularmente como conhecida como "as Imbiras", no bairro de São José." (Walter Tavares)

Abaixo, uma panorâmica do local, quando o Açude Novo ainda tinha água, visto pelo ângulo da Rua Treze de Maio:


Década de 1960: Acervo pessoal de Maria de Lourdes Soares
Na Década de 50, o Bairro de Bodocongó era considerado o ‘Distrito Industrial’ de Campina Grande, onde estavam instaladas as grandes fábricas locais, à exemplo das indústrias têxteis, de sabão e dos curtumes.

Nesse entorno econômico, surgia às margens do Açude de Bodocongó, fruto da ideia do industrial José Pimentel, o Clube Aquático Campinense; lugar aprazível à diversão das famílias mais abastadas da cidade, onde curtia-se o lazer oferecido no salão de festas do Clube, bem como possibilitava passeis de barcos e lanchas aos seus associados nas águas do manancial.

De acordo com a pesquisa efetuada por Juliana Nóbrega de Almeida, apresentada em seu TCC para o grau de mestrado na UFPB, o Clube Aquático era um espaço elitizado, não era frequentado pelos moradores ou trabalhadores fabris mas,  sim, pelas famílias  abastadas  que representavam  a  burguesia  industrial  do  bairro. Ocorriam no clube festas de carnaval com orquestras, bandas e também matinês.

Edmilson Rodrigues nos acrescenta uma curiosidade sobre o uso das suas dependências pelo Clube de Radioamadores:

"Foi fundado por volta de 1954 e 1955, pois não posso precisar a data exata. Sei que o frequentei desde 1957. O CLUBE DE RADIOAMADORES DE CAMPINA GRANDE foi fundado no dia 1º de maio de 1963. Como naquela época não possuia sua sede própria e, como vários sócios do Clube Aquático eram também radioamadores, foi gentilmente cedida uma de suas salas que serviu de séde social provisória onde o Clube de Radioamadores realizava suas reuniões semanais das quais eu participava assiduamente.Hoje, o local onde singravam as lanchas daquela saudosa época, está totalmente aterrado." 

A professora Clotilde Tavares, em seu livro “Coração Parahybano” tece um comentário saudosista sobre o Clube: 

“Havia outro clube que eu adorava: era o Clube Aquático, com sua simpática sede construída às margens do açude de Bodocongó, e de cujo ancoradouro partiam as lanchas que no domingo de manhã riscavam as águas, em piruetas e curvas, sempre com gente alegre e barulhenta a bordo, muitas vezes trazendo algum audacioso a reboque, empoleirado em esquis. O Aquático, com suas matinais repletas de gente jovem, era um clube pequeno mas muito agradável. Na sede banhada de sol dançávamos das 10 às 15 horas, nos domingos, alternando as danças com passeios de lancha, numa das lembranças mais agradáveis dos meus verdes anos.” (Clotilde Tavares)
Outro cronista que lembra o Clube em seu livro "Campina Grande Ontem e Hoje" é Ronaldo Dinoá, que diz:

"Com a criação do Clube Aquático, um esporte bem desconhecido da comunidade passou a ser a tração turística dos sábados e domingos. Lanchas de todos os tipos navegavam nas águas do velho açude (...) Campina Grande não dava muita bola para as praias da capital. Nessa época o carnaval de Campina Grande começava no Clube Aquático. os acontecimentos sociais, quase todos, eram celebrados nas dependências do velho clube."
Após uma chuva torrencial no ano de 1970, parte da sua estrutura foi destruída e o Clube Aquático deixou de existir já que seus responsáveis, não quiseram reconstruí-lo. Com o tempo, suas  paredes  e telhados foram  derrubadas a ponto de não existir mais vestígios da sua existência no local.

“O Clube Aquático deixou de existir, mas as populações de Campina Grande, dos mais diversos bairros, lembram que o lazer dos campinenses aos domingos era passear no açude  de  Bodocongó,  ficando  apenas  as  lembranças  dos  moradores  mais  antigos  que vivenciaram este período.” (Juliana Nóbrega)
Década de 1990: Acervo pessoal de Maria de Lourdes Soares

(c) Google Maps: Aspecto Atual do Local onde fora o Clube Aquático Campinense

Referências Consultadas:

ALMEIDA, Juliana Nóbrega de.
"DA ESCOLA NEGADA AO TRABALHO NECESSÁRIO: 
UM OLHAR SOBRE A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS  NO BAIRRO DE BODOCONGÓ EM CAMPINA GRANDE-PB"
. João Pessoa, 2010.

TAVARES, Clotilde.
"Coração Parahybano". João Pessoa, 2008.

DINOÁ, Ronaldo.
"Campina Grande Ontem e Hoje". Campina Grande, 2004

                                                       O Açude de Bodocongó em 1921


Recebi das mãos da bacharel em História, e funcionária do Ministério da Saúde (em Campina Grande), Gilvanete Rocha do Bu, uma cópia do importante documento, “Açúde Bodocongó”, sobre a construção daquele açude, documento este que fará parte do acervo do Instituto Histórico de Campina Grande. E como se fez premente sua divulgação devido ao centenário da data de ‘inauguração’, vai aqui um comentário, além da excelente descrição proporcionada por Elpídio de Almeida, em seu História de Campina Grande.Tudo teria começado em 1911, quando se vivia uma seca, quando o Inspetoria de Obras Contra a Seca (IOCS), criada, em 1909, no governo de Nilo Peçanha, sob a direção do engenheiro, Miguel Arrojado Lisboa projetou a construção do açude, 6 km acima da cidade. O lugar escolhido, o sítio Catirina (ou Santa Catarina), a 5 km de distância de Bodocongó, logo se revelaria impróprio, devido à água ser salobre e o recinto, pequeno. Só, em 1915, com a seca de novo à porta, é que retornaram os estudos e o local escolhido para a barragem foi o riacho de Bodocongó.

Segundo Elpídio foi fundamental a eleição de Epitácio Pessoa, como senador em fins de 1912 e, em 1915, “o ano do flagelo”, o senador visitou Campina Grande. Cristiano Lauritzen falava em aproveitar a mão de obra dos ‘flagelados’, que chegavam à cidade. Até que veio o engenheiro Júlio Barcelos e se decidiu pelo “lugar chamado Ramada, na confluência do riacho Bodocongó com o Caracóis” (que passa perto da FAP e Redentorista). Diz mais o historiador: “Além de ficar muito mais perto da cidade, dispensando a canalização e a caixa d’água, iria o coroamento da barragem servir de leito à estrada em construção, ligando Campina Grande aos sertões”.

A obra durou todo o ano de 1916, de intenso trabalho na remoção de pedras, com explosão de outras, usando-se 150 trabalhadores, em que mais da metade era de ‘flagelados’ (não concordo com este termo; pois seca não é castigo, flagelo, discurso religioso). O documento (hoje, do acervo DNOCS) traz toda descrição da construção, das obras de engenharia, plantas baixas, a demarcação da bacia hidrográfica e hidráulica (calculava-se em 90.000 m²), constituída, então de nove córregos e dois riachos. Preços/custos, diárias, e a economia que se fizera usando material local, para não se gastar cimento, já que era importado; o Brasil, praticamente, não o produzia. E o que é também importante, traz a cartografia (em tamanho reduzido) do sítios desapropriados por 10 contos de réis e os nomes de seus proprietários: Franklin Clemente de Araújo, Salvino Gonçalves de Souza Figueiredo, José Baptista Flor, Manoel Ildefonso de Oliveira Azevedo, José Ferreira de Queiroga (Queiroz, na planta), Joaquim Monteiro da Silva, Joaquim Gomes da Silva e as irmãs, Carlota, Ângela, Maria e Joana Rozalino de Araújo.

Em março de 1917, foi inaugurado pelo Mestre Inverno com uma bela sangria. Se nãos serviu para o abastecimento da cidade, devido à água ser, também, salobre, teve, segundo analistas locais, estudiosos universitários, grande importância, para os estudos de limnologia e serviria para a introdução da piscicultura no Nordeste, através do pesquisador Rudolf Von Ihering, na década de 1930, que morou em Campina. Sua barragem também foi utilizada como ponte/rodagem para a estrada do sertão. Nos anos 50, atrairia os trilhos da Reder Ferroviária do Nordeste, além da pioneira (fora do perímetro urbano) fábrica têxtil, e curtume. Como deixou registrado o prefeito-historiador: “Não diminuiria a crise da água potável. Mas o trabalho não se perdeu. Se não prestou os serviços desejados, veio mais tarde a impulsionar a formação de um novo bairro, um industrial, que tanto está concorrendo para a expansão e o desenvolvimento econômico de Campina Grande.

Portanto, em 10 de fevereiro de 1917, diz o documento, o engenheiro civil, Dr. José Pires do Rio (que se tornaria Ministro da Viação e Obras Públicas de Epitácio Pessoa) veio inspecionar a obra acabada. Podemos dar esta data como a inauguração? Então, viva Bodocongó-Congó!

(*) Professor, historiador

Açude de Bodocongó - Anos 1950
Aspecto Atual de parte do Açude


Matéria exibida na TV Borborema, afiliada do SBT em Campina Grande - PB. 
Repórter: Carla Amorim; Imagens e edição: Elthon Dantez. 






"Até a década de 1990, o Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, era um lugar de lazer e divertimento para os campinenses e moradores da região. Em um local de difícil acesso próximo ao manancial, dois canos imensos jorravam água a torto e a direito para o deleite dos que se banhavam nas piscinas artificiais que se formavam. As fotografias abaixo são de 1997 e eu contava então 11 anos de idade. 

Hoje, em meio à vivência da passagem de mais um racionamento de água em Campina Grande, ficamos pensando quando vamos nos deparar mais uma vez com a bonança no Açude de Boqueirão. Isto é, quando ele irá sangrar mais uma vez deixando-nos confortados quanto a segurança hídrica da cidade."

Bráulio Nóbrega
  
Foto Acervo Familiar: Cedido por Aldo Gaudêncio
A foto acima seria somente mais um registro familiar, se o seu cenário não se tratasse do secular Açude Velho, no longínquo ano de 1938! O advogado Aldo Gaudêncio nos presenteou com esta belíssima imagem que, de antemão, já entra para o acervo de fotos raras disponibilizadas neste Blog.

Segundo a descrição informada por Aldo,
"(...) o registro no açude velho, no dia 02 de fevereiro de 1938, com a presença de duas Senhoras, que, da esquerda para direita são: Nilda Brito e Zilda Brito. Ambas são irmãs e naturais de Serra Branca/PB, filhas de Alexandrino Correia de Queiroz e Inácia Brito. Nilda Brito é a mãe de Jobedis Magno, colaborador do blog.

Perceba que na foto há escrito a data e o local, o que não deixa dúvida para mim desta informação.

Perceba também burros a beira d`agua, haja vista que à época Campina Grande vivia o apogeu do comércio algodoeiro, e estes animais eram comuns em nossa cidade trazendo os fardos de algodão."



Aldo Gaudêncio
Advogado e Professor Universitário
Twitter: @aldogaudencio

A foto acima é parte de uma panorâmica da área de 46.875 m² do (antigo) Açude Novo, já seco e aterrado!

O Açude Novo foi construído em 1830 com o objetivo de abastecer a população de Campina de água potável. Em 1976, foi transformado em parque pelo então Prefeito Evaldo Cruz, que lhe deu o nome de Parque do Açude Novo. Após a sua morte, em 1985, a área de lazer passou a ser chamada de Parque Evaldo Cruz, uma homenagem póstuma a seu idealizador. No entanto, ele continua sendo mais conhecido pelo antigo nome.

No plano central, além do grande descampado chamado "bacião" pelos jogadores de 'pelada' da época, está as costas do Teatro Municipal Severino Cabral - ainda não possuía a arte no painel posterior, creditado ao artista pernambucano Aluízio Magalhães.



A imagem nos mostra uma perspectiva do Açude Novo, no ano de 1955, visto do lado oposto, onde hoje se encontram os 'trailers' de lanches.

Olhando para a direção do Centro da cidade, facilmente identificamos a Igreja Congregacional da Rua Treze de Maio, bem como as costas e torre da Capela do Colégio das Damas, à esquerda.

Foto relacionada ao artigo do escritor Ascendino Leite, intitulado: Porta do Sertão, encontrada na Revista "Coletânea" Ano IV - n 45 - Junho de 1955, postada pelo Professor José Edmilson Rodrigues.
Açude de Bodocongó - Anos 50

Na sua origem, as terras que hoje compõe o Açude de Bodocongó foram instituídas pela Coroa Imperial por doação a Antônio de Oliveira Ledo e sua mulher Izabel Pereira “em remuneração dos serviços que fez a dita Corte, metendo o gentio bárbaro, daquela, e mais ribeira” por ter logrado êxito na “guerra aos bárbaros” – com a ajuda de Antonomaria Cavalcnaty

Esta mesma concessão, com a morte dos sesmeiros originais, foi solicitada pelo seu filho João Pereira de Oliveira ao rei D. José I, que mandou “demarcar a terra da aldeia da Campina Grande, para a parte dos Bultrins, terra que os índios sempre dominaram como deles, para que possa, com os rendimentos da mesma, dar cumprimento à instituição”

A Carta escrita em 17 de Fevereiro de 1767, denomina a região de “Bodo Congo” segundo o idioma Dezebucuá Cariry, cuja tradução enseja algumas dúvidas. Para os pesquisadores o termo tem origem Cariry e não Tupy, traduzindo-se por “águas que queimam” (bo-dó-congó), embora ÁGUA naquela língua mãe seja DZU.

O açude – cujas coordenadas geográficas são 07°13’11”S, e 35°52’31”W - distante 6 Km de Campina Grande, tem uma profundidade que varia entre quatro a seis metros, podendo alcançar nos pontos mais fundos até sete metros.

Coube ao prefeito Christiano Lauritzen proceder a barragem de um pequeno riacho afluente do Rio Paraíba, preocupado com as secas iminentes na região e a necessidade de armazenar água potável para os campinenses. O pequeno córrego era conhecido desde 1762, citado na Sesmaria concedida ao Padre Domingos da Cunha Figueiredo.

Os estudos haviam sido iniciados no ano anterior, atendendo solicitação do Conselho Municipal que oficiou nestes termos ao governo federal:

O Conselho agradece em nome da populaçãodo Município a solicitude com que V.S. mandou fazer os estudos do Açude de Bodocongó, promoveu perante o governo a sua aprovação. Com este açude não fica resolvido o problema d`água potavel para uma população que, apesar das secas contínuas, aumenta admiravelmente. A população vive sobre a ameaça continua do desaparecimento gradual do elemento mais essencial a vida... (a água)".

O engenheiro Miguel Arrojado Lisboa ficou responsável pela construção, com o apoio do Presidente Hermes da Fonseca e da municipalidade campinense.

As obras iniciaram em 1911 e foram concluídas em 1916, todavia o reservatório não serviu ao seu fim imediato, devido ao alto grau de alcalinidade da água. Com capacidade estimada em 1 milhão de metros cúbicos, seu pH médio em 1934 oscilava em 7,75. 

Tempos depois, as águas daquele manancial serviram para a indústria têxtil e de curtição de couros (curtume).
(por Rau Ferreira)

 
Referências:
- AHU-ACL-N-Paraiba. Documentos Ultramarinhos. Catálogo Nº 1812. Disponível em: http://www.cmd.unb.br. Acesso em 11/11/2012.
- ALMEIDA, Elpídio. História de Campina Grande. Ed. Livraria Pedrosa. Campina Grande/PB: 1962.
- DNOCS. 2ª Coletânea de trabalhos técnicos. Ministério do Interior. Brasília/DF: 1981.
- DO Ó, Edmilson Rodrigues. Açude de Bodocongó: dragagem, revitalização, urbanismo... (artigo). Disponível em http://cgretalhos.blogspot.com.br. Acesso em 11/11/2012.
- FILHO, Severino Barbosa da Silva. Marranos na Ribeira do Paraiba do Norte. Ed. Agenda: 2005.
- IBSP. Arquivos do Instituto Biológico de São Paulo, Volume V. São Paulo/SP: 1934.
- IFOCS. Relatório dos Trabalhos Realizados pela Inspectoria Federal de Obras contra as Seccas. Brasil: 1938.
- Mineração metalurgia. Vol. XVII, Edição 98 -Volume 18. Brasil: 1952.
- NASCIMENTO, Luis Carlos Costa. Impactos ambientais no Açude de Bodocongó. Disponível em http://opovonalutafazhistoria.blogspot.com.br. Acesso 11/11/2011.
- TAVARES, João de Lyra. Apontamentos para a História Territorial da Paraíba, Vol. I, Imp. Of., Pb., 1910.
 
BlogBlogs.Com.Br