Quando eu era aluno do Colégio Alfredo Dantas, lá pelos idos dos anos 80, uma lenda urbana nos tornava apavorados por "sabermos" que o prédio do educandário fora construído sobre um antigo cemitério.
Na verdade, anos mais tarde, estudando a História do nosso município, veio à tona a verdadeira versão sobre o terreno "macabro".
O fato é que a "lenda", era verdadeira.
Em 1856, ainda quando éramos a Vila Nova da Rainha e nossa população somava, aproximadamente, 17.900 pessoas, contando-se cidadãos livres e escravos (lembremos que a Lei Áurea somente fora publicada em 1889), uma epidemia de cólera-morbo dizimou cerca de 1.550 habitantes da Vila.
Quase 10% da população pereceu.
Então, foram improvisados vários terrenos para acolher as centenas de habitantes que foram à óbito.
Entre esses locais, estava a área onde está edificado o CAD atual e os demais estabelecimentos comerciais, conhecida como Boninas.
Essa região tornou-se o Cemitério Velho, sendo inutilizado a partir de 1867, após a construção do Cemitério Nsa. Sra. do Carmo em 1895, no alto da Rua da Areia (hoje Rua João Pessoa).
Entrada do cemitério das Boninas. Foi interditado em 1923 e demolido em 1931
(Acervo de Professor Mario Vinicius Carneiro)
Por Emmanuel Sousa
Um dos maiores sortimentos de instrumentos musicais, discos (LPs) e fitas K-7 de Campina Grande foi a loja MUSIDISCO, de propriedade do Eng. Elétrico Edilson Morais.
A MUSIDISCO foi inaugurada no ano de 1980 e, ao longo de 24 anos de atuação marcou época no mercado fonográfico antes do 'boom' das mídias digitais, provendo o consumidor campinense dos grandes lançamentos da música nacional e internacional, bem como oferecendo aos músicos locais uma grande variedade de instrumentos e equipamentos de som.
A loja era localizada na Rua Semeão Leal, em frente à Feirinha de Frutas (Praça Lauritzen), e encerrou suas atividades no ano de 2004.
O leitor Valfrêdo Farias, em comentário juntado à postagem, atualiza com o seguinte texto:
"Muito antes de ser Musidisco, esse endereço dava lugar à Discotape que também era de Edilson. Essa primeira configuração era o verdadeiro refúgio dos amantes do rock e do pop na cidade. Muitas tardes no início dos 80's na loja ouvindo as coleções das grandes figuras da música. Lá, se encontrava basicamente tudo o que se quisesse e montávamos nossos arsenais - Beatles, Queen, Led Zeppelin, Black Sabbath, Iron Maiden, AC/DC... Os progressivos do Yes, Pink Floyd, Triumvirat, ELP, Jethro Tull... Os primeiros discos do Genesis, Marillion... Lembro quando chegou lá o album Jazz do Queen, dificílimo de se achar por essas bandas.
A Discotape era uma espécie de loja Lado B... De lugar alternativo, underground em meio ao popularesco que já começava a dar as caras. Muita saudade daquele lugar, era difícil ir lá e não voltar pra casa com uma bolacha embaixo do braço. Consegui nas minhas visitas os exemplares da coleção Atlantic Jazz. Saudades dos encontros com os amigos Otávio Neiva, Leonel Medeiros, Pedro Jácome, Emílio Honório... Simplesmente pra ouvir música encostados naquele balcão. Sem falar que muitos se iniciaram como músicos comprando instrumentos por lá. De fato a Discotape tem um lugar em nossas lembranças."
Fotos: Acervo Pessoal Edilson Morais (por Edson Vasconcelos)
No dia 29 de Maio de 2011, em matéria assinada pelo jornalista Márcio Rangel, o Diário da Borborema nos trouxe uma curiosa e interessante história do homem responsável pelo transporte das gigantescas estátuas componentes do Monumento "Pioneiros da Borborema", localizada às margens do Açude Velho, erguido em homenagem ao Centenário de Campina Grande.
O cidadão em questão é o caminhoneiro aposentado José Firmino dos Santos, de 74 anos, que no ano de 1964 foi contratado para transportar do Rio de Janeiro para Campina Grande, as três peças que pesam, em média, 1.500kg cada uma, utilizando um caminhão Chevrolet 1963!
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| José Firmino dos Santos (Foto Márcio Rangel/DB) |
"Eu estava no Rio de Janeiro, aguardando a chegada de algum serviço para retornar à Paraíba. Me lembro quando o meu patrão me informou que a minha missão seria transportar três estátuas de pedra que foram adquiridas pela prefeitura para serem instaladas no Açude Velho. A recomendação e o cuidado com a carga era imensa. Para vocês terem ideia, apenas para colocar as três peças em cima do caminhão foi necessário um dia inteiro de atividades com o auxílio de um guincho."
Vários foram os fatores que obstacularam o trajeto até seu destino. A viagem durou 10 dias no mês de maio daquele ano. Porém, a recomendação era de que houvesse o maior cuidado possível com a carga, nem que o percurso fosse feito o mais lento possível, para que nenhum dano fosse provocado às peças.
Ao chegar em Campina Grande, outro entrave fora o descarrego das peças, uma vez que não havia estrutura adequada na cidade, tendo sido necessário alugar o maquinário para para fazê-lo.
"Demoramos mais tempo aqui pra descarregar. Aqui nesta área do açude velho não existia nem calçamento, nem asfalto, tudo era barro. Naquela época, o Açude Velho não era tão poluído e as pessoas lavavam até carros aqui dentro"
O jornalista Márcio Rangel, além de prestar um excelente serviço de resgate histórico, prestou uma homenagem à esse bravo ex-caminhoneiro, hoje morador do bairro Vila Castelo Branco, na Zona Leste, que se emociona toda vez que contempla o Monumento, com suas lembranças e, claro, com todo orgulho que seu feito pode lhe conferir.
"É a primeira vez, em 46 anos, que alguém lembra de mim. Certo que meu serviço não foi tão relevante, mas foi fundamental para a chegada dessa obra aqui na cidade. Todas as vezes que passo aqui, olho, contemplo e lembro de muita coisa." (José Firmino dos Santos)
O grande marco da primeira gestão do médico Elpídio de Almeida na prefeitura de Campina Grande foi, com certeza, a construção da Maternidade Municipal, denominada, desde 1992, de ISEA (Instituto de Saúde da Mulher Infância e Adolescência Elpídio de Almeida).
A obra teve início em março do ano de 1949, fruto advindo do convênio firmado entre o Ministério da Educação e Saúde com o Governo do Estado da Paraíba, tendo como objeto do convênio a construção de uma maternidade em Campina Grande. Assim sendo, Governo Estadual e Prefeitura Municipal foram as instituições responsáveis pelas obras.
A empresa contratada para realizar o projeto fora a Construtora G. Gioia & Cia, e a Prefeitura Municipal contava, ainda, com a digna presença do Engenheiro Austro de França Costa como Secretário de Obras do Município.
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| Terreno antes da construção da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida |
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| Início das obras da construção da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida
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| Obras da construção da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida
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Fonte:
ALMEIDA, Adriana de. "Modernização e Modernidade-Uma Leitura
sobre a Arquitetura de C. Grande (1940-1970)
A construção da Maternidade Municipal foi uma das obras que marcou a edificação urbana em seu característico estilo art-déco, tão presente no passado e, absurdamente, sendo substituído nas obras atuais realizadas no Centro da cidade.
Por outro lado, representou também a modernização do serviço de atendimento público no setor de saúde no Município, um dos pilares da gestão Elpídio de Almeida, que tinha na Educação seu segundo foco administrativo.
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| Obras da construção da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida
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| Obras da construção da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida
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| Obras da construção da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida
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| Obras da construção da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida
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Fonte:
ALMEIDA, Adriana de. "Modernização e Modernidade-Uma Leitura
sobre a Arquitetura de C. Grande (1940-1970)
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| Aspecto da Maternidade - Concluída (Antes da Inauguração) - Acervo Elpídio de Almeida |
A população de Campina Grande participou efetivamente com grande parte dos seus habitantes na cerimônia de inauguração da Maternidade Municipal, em 05 de Agosto de 1951.
Uma multidão se fez presente para receber das autoridades políticas o marco no atendimento público à saúde que sempre prestou serviços à população de Campina Grande e das regiões circunvizinhas, característica presente até os dias atuais naquela instituição.
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| Palanque Montado para Autoridades - Inauguração da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida |
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| Multidão Presente na Inauguração da Maternidade Municipal - Acervo Elpídio de Almeida
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| Interior da Maternidade e Sala de Cirurgias |
Fonte:
ALMEIDA, Adriana de. "Modernização e Modernidade-Uma Leitura
sobre a Arquitetura de C. Grande (1940-1970)
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Foto Acervo Elpídio de Almeida
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Encerrando a série de postagens sobre a construção da Maternidade Municipal, hoje ISEA, de Campina Grande, com esta belíssima foto aérea do local pouco antes da sua inauguração, onde, curiosamente, podemos observar as ruas Quebra-Quilos e Vila Nova da Rainha/João da Mata formando uma cruz na parte superior da imagem.
Interessante também notar a ausência de urbanização em parte da Rua Vila-Nova da Rainha, bem como nas Margens do Açude Velho, hoje a Rua Dr Severino Cruz.
Ainda localizamos na foto o antigo casarão presente no canto superior esquerdo, que mais tarde viria a ser o Colégio Anita Cabral e hoje é a Faculdade de Direito da UEPB.
Fonte:
ALMEIDA, Adriana de. "Modernização e Modernidade-Uma Leitura
sobre a Arquitetura de C. Grande (1940-1970)
Uma bela enquadrada da Agência dos Correios e Telégrafos de Campina Grande, enviada por Edival Toscano Varandas. Infelizmente não há precisão da data em que a tomada foi fotografada mas, ficam os pesquisadores da História a vontade para analisar os fatos visíveis como pontos de partida para o 'encaixe cronológico' da imagem.
Esta foto, que também nos mostra uma pequena parte da Praça da Bandeira, foi originalmente postada por Toinho Viégas, a partir de arquivos do seu pai, no grupo 'Paraíba Fotos e Fatos antigos' do Facebook.
Em virtude das medidas de distanciamento social adotadas para contenção da pandemia do Coronavírus, em todo o mundo, uma modalidade de diversão que jazia no ramo do entretenimento soergueu: o 'drive-in' está de volta!
A modalidade 'drive-in' de cinema foi criada nos Estados Unidos na Década de 1930 e se popularizou nas Décadas de 50 e 60. Porém, encontrou seu ocaso com o crescimento urbano das cidades onde haviam os estabelecimentos, bem como, de forma definitiva, com a popularização das vídeo-locadoras à partir da Década de 1980.
No cenário atual, não mais se limitando ao cinema, vários eventos estão adotando o formato 'drive-in' para a realização de shows artísticos, eventos religiosos ou esportivos, até formaturas já aconteceram nesse formato!
Como curiosidade, Campina Grande já teve um 'drive-in'. Uma ideia do vídeo produtor Nobertson Oliveira instalou em nossa cidade, no ano de 1991, um cinema localizado na Av. Argemiro de Figueiredo, nas proximidades do Spazzio, local atualmente vizinho à UNIFACISA.
As ruas da cidade são janelas que nos mostram diversas histórias, cada lugar descortina seu passado através do cotidiano dos seus habitantes, dos usos que se fizeram e se fazem dos espaços públicos ou privados. Atualmente as novas ruas de uma cidade são antecipadamente nominadas com uma numeração ou ganham o indistinto nome de ‘rua projetada’, até serem oficialmente batizadas, geralmente por projetos de lei na câmara de vereadores. Até nisso os antigos eram mais charmosos e práticos, denominavam de ‘Rua Nova’ aqueles novos logradouros, também temos outros epítetos comuns de cidades antigas como rua direita, oitão da Matriz... Entre o fim do século XIX e início do XX, Campina Grande teve uma Rua Nova, atualmente a conhecemos com o nome do revolucionário de 1817 ‘Peregrino de Carvalho’. Desse passado nos restam, além do traçado, duas casas defronte a Feirinha de Frutas em estilo eclético, as únicas que restaram. Uma delas está bem próxima de não mais existir.
Os ipês enfeitavam Campina Grande em plena primavera de 2016, numa manhã preciosamente ensolarada, tive o peito carregado de coragem pelo calor e ofuscamento de um sol que parecia descer para a altura de cruzeiro. Saí de casa às sete achando que já eram onze, coisas de quem está no alto da Borborema. Visitei um amigo marceneiro que me prestou um grande serviço em adaptar uma prancha de madeira que precisava de um certo reparo. Sabendo de minha predileção pela história da cidade, me confidenciou: “– Sabes aquela casinha antiga bem bonitinha de frente a feirinha de frutas? Vai ser vendida! Acho que vão derrubar”. Mas o que? Impossível! Respondi. A rua Peregrino de Carvalho está exatamente no perímetro do cadastramento do Centro Histórico de Campina Grande (Decreto 25.139 de 28 de junho de 2004) e nada nessa área pode ser modificado. Estava me valendo da operosa desenvoltura do Iphaep (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba) que há pelo menos cinco anos vinha realizando um admirável trabalho sob a direção de Cassandra Figueiredo Dias. Ele retrucou: “– A dona disse que estão negociando e pode ser vendida para uma farmácia, se for vendida você acha que vão botar uma farmácia do jeito que tá? Vão nada, derruba tudo, faz um prédio alto e moderno cheio de mármore”.

Detalhe dos dois prédios que ainda existem - Retalhos Históricos CG
O tempo passou e entre julho e agosto de 2018, iniciou uma reforma que retirou uma “latada” lateral. De imediato denunciamos o fato ao Iphaep, soubemos também que outras denúncias também chegaram ao órgão, que prontamente acionou o proprietário, foi aí que se descobriu que o número 370 da Rua Peregrino de Carvalho havia sido comprado por uma rede de farmácias e que pretendia abrir no local mais uma filial. O Iphaep esclareceu o que significava o tombamento e fui informado que o proprietário garantiu que ia preservar o contexto histórico do prédio e do lugar. A obra foi embargada em 29 de agosto. Na semana seguinte, o prédio aparece com as portas e janelas abertas, tendo início ao saque de seus materiais “mais nobres”, telhas, fiação, apetrechos internos, passaram a ser “levados” por “vândalos”, modus operandi bastante conhecido na cidade. O abandono atrai o saque e joga a opinião pública contra o lugar que vira antro de bandidos e consumidores de droga, enquanto isso, uma demolição pontual segue e o objetivo do proprietário se faz. No dia cinco de setembro de 2018 houve um protesto contra a destruição do patrimônio do município justamente defronte ao prédio, o momento de comoção nacional em torno dos bens históricos se deu devido ao incêndio que destruiu o Museu Nacional três dias antes no Rio de Janeiro.

Professores, estudantes e ativistas culturais protestando contra a destruição do nosso patrimônio
Construída em 1925 compondo a ‘Rua Nova’, a edificação de um pavimento em estilo eclético com elementos decorativos na fachada e detalhes na platibanda testemunhou páginas sensíveis da história de Campina, de suas janelas era possível ver a passagem de animais tangidos que iam na direção de um pátio (onde hoje é a Rodoviária Velha) e eram comercializados, dando àquela rua o singelo nome de ‘Emboca’. Suas cercanias foram habitadas por damas da noite, baixo meretrício informado pelo historiador Fábio Gutemberg. Ao longo de sua história foi residência dos Agra e era ladeada pela conhecidíssima enfermaria de Seu Manoel Barbosa, o enfermeiro do povo. Testemunhou a partir de 1958/59 a construção do Terminal Rodoviário de Passageiros Cristiano Lauritzen, conhecido como Rodoviária Velha após a edificação da ‘Nova’ no Catolé na década de 1980.
Durante esse impactante momento de pandemia que vivemos, com comércio fechado e distanciamento social, ocorre o que eu temia. Na última quarta (6/mai) um tapume alto de zinco foi instalado encostado à fachada, usando-a como suporte e ferindo os detalhes com buracos, obstrução essa que vai de fato esconder a completa demolição da construção, ferindo brutalmente a história do Emboca e da cidade, atitude criminosa feita sorrateiramente em um momento tão sensível. Essa destruição se junta a outras e marca sensivelmente de forma negativa o Centro Histórico da cidade, o que deixaremos para a posteridade?
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Duas fotos de encher os olhos de qualquer saudosista...
A protagonista é Íris França de Oliveira, aluna do Colégio das Damas na época aos 16 anos, que posou, ao final dos Anos 30, em um cenário inexistente do nosso presente.
Sentada nos bancos da Praça Clementino Procópio, àquela época, o enquadramento nos mostra o aspecto urbano e predial que o tempo, digo, a insensibilidade de alguns gestores, os fez sumir e, consequentemente, surgir uma Campina Grande totalmente nova!
Suas fotos nos mostra parte da lateral da antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário e os fundos da antiga sede dos Correios e Telégrafos.
Situando: A Igreja foi demolida para o prolongamento da Av. Floriano Peixoto e os Correios, também demolido, após a conclusão da nova sede, deu lugar à Praça da Bandeira!
Agradecemos a cessão das fotos à Íris Diana França de Oliveira.
A Casa da Criança foi fundada com o nome de "Casa Maternal", no ano de 1947, pelas irmãs do médico Dr. João Virgínio de Moura. O nome 'Casa da Criança' foi dado após a posse da casa pelas Irmãs Franciscanas Hospitaleiras, no ano de 1954.
A casa tem como missão acolher crianças carentes das principais comunidades carentes de Campina Grande , e tem como objetivo dar-lhes assistência social em regime abrigo semi-aberto.
Atualmente, são acolhidas mais de 200 crianças pela instituição!
Uma das instituições de ensino mais antigas de Campina Grande, localizada no Bairro da Liberdade. Atualmente tem o nome de Escola Estadual de Ensino Fundamental Murilo Braga, e seu aspecto arquitetônico é o da pequena imagem em detalhe.
Mais uma colaboração de Arthur Franklin Lopes, em foto do acervo do seu avô, do ano de 1968!
A imagem curiosa, em preto e branco, nos mostra o aspecto NOTURNO de parte da Rua Marquês do Herval, em processo de modificações em seu 'layout' urbanístico, bem como em obras de asfaltamento.
Notemos o antigo canteiro, antes de se tornar o abrigo da PM, já delimitando o formato triangular com os cones e o local de estacionamento ao fundo que foi incorporado à Praça da Bandeira, além do antigo Edfício Esial, ao fundo, demolido para dar lugar às Lojas Brasileiras, no princípio dos anos 80.
A colaboração de Arthur Franklin Lopes nos trouxe esta espetacular imagem captada da Av. Brasília, no ano de 1968, nos dando uma bela panorâmica de parte do Centro de Campina Grande naquele ano.
CURIOSIDADE: Esta foto representava muito bem uma grande piada que todo campinense se utilizava, ao mostrar a mão em forma de "ok" que Campina Grande só tinha três prédios, o Açude Velho e a saída pra João Pessoa.
Eis, lá atrás, os três prédios, alguns outros de menor porte; a parte de trás da Catedral de Nossa Senhora da Conceição e, em destaque ao centro, o antigo Colégio Anita Cabral, hoje Centro de Ciências Jurídicas da UEPB, a Faculdade de Direito.
Este e outras duas fotos são acervo familiar de Arthur, tendo pertencido ao seu avô, guardadas com muito zelo até os dias de hoje, quando compartilhamos mais este Retalho fotográfico da nossa História.
O Inesquecível Posto Esso foi inaugurado mais precisamente na manhã de 15 de fevereiro de 1949. Constituía em um dos mais belos e importantes postos de combustíveis e serviços da cidade e de todo o Estado. Localizado em frente a Praça Clementino Procópio, nos cruzamentos entre a Rua Vidal de Negreiros, Avenida Floriano Peixoto e Rua Afonso Campos. Pertencia a firma T. Alves de Souza.
No dia 15 de fevereiro de 1949 foi a data escolhida para sua sua inauguração oficial. A importância deste posto foi tal, até uma nota no renomado jornal Diário de Pernambuco foi publicado no dia de sua inauguração.
O evento de inauguração na manhã daquele dia histórico, foi presidida pelo então Prefeito na época, o Dr. Elpídio de Almeida e o representante da companhia Standard Oil Company of Brazil, o Sr. Harold Cecil Morrissy, gerente da região Norte dessa empresa norte-americana e funcionários da mesma. Realmente foi uma bela celebração.
Na década de 1970 foi vendido e o prédio passou por reformas em sua estrutura, alterando completamente do belo padrão em Art Decó original para um em estilo moderno sem maiores destaques, com o nome de Posto Futurama. Fechou suas portas por volta de 1999 e em seguida demolido. Resta apenas a cobertura no local, este transformado em estacionamento.
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Matéria do jornal Diário de Pernambuco de 14 de fevereiro de 1949. |
Com a reforma da Praça Clementino Procópio empreendida em meados dos anos 80, durante a administração do prefeito Ronaldo Cunha Lima, a parede do Cine Capitólio que "olha" para a praça ganhou as cores de um trabalho artístico em um belíssimo painel expressando e rememorando as divertidas brincadeiras infantis que, àquela época, já se encontravam em desuso como bolas de gude, pião e pipa.
A arte em questão é creditada ao artista plástico Pedro Corrêa. Em comentário anexado nesta mesma postagem, uma filha sua nos descreve o seguinte:
"Pedro Correa era um pintor campinense que viveu 40 anos no Rio de Janeiro, onde era respeitado como artista plástico.
Foi o então prefeito Ronaldo Cunha Lima quem convidou o pintor para pintar o mural.
Uma curiosidade: Pedro Correa contou certa vez que quando estava pintando o mural, foi advertido pelo conhecido lavador de carros "Pontaria"(que lavava carros no estacionamento do Capitólio)para que pintasse na cena uma criança negra.
O artista atendeu ao "pedido" e pintou uma criança negra correndo em segundo plano na bela cena retratada.
Dá pena verificar hoje, que não se preocuparam em restaurar e preservar a pintura,para as novas gerações conhecerem o trabalho do pintor."
Mais uma vez, contando com a colaboração de Welton Souto Pontes, recebemos uma foto da citada arte, com a "tinta ainda fresca", da vista lateral do prédio do Cine Capitólio em sua visibilidade plena.
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| Cine Capitólio - Vista Lateral - Anos 80 (Acervo: Welton Souto Pontes) |
No dia 23 de março o Conjunto Álvaro Gaudêncio em Campina Grande, mais conhecido como Bairro Malvinas, comemora o seu 35º Aniversário de "fundação", quando teve a ocupação das suas residências no episódio narrado como "A invasão das Malvinas".
Segue abaixo o texto descritivo postado no Wikipedia, acrescido dos vídeos que ilustram o assunto discutido, inclusive com dois vídeo-documentários com imagens registradas durante o processo de 'tomada' das residências, no ano de 1982.
Wikipedia:
As Malvinas é um bairro brasileiro localizado na zona oeste da cidade de Campina Grande, na Paraíba.
O Bairro divide-se por zonas populacionais, Dinamérica, Novo Cruzeiro, Conj. Mariz, Conj. Humberto Lucena, Cinza, Conj. Rocha Cavalcanti, Conj. Ana Amélia, Conj. Raimundo Asfora, Conj. Bárbara, Conj. Grande Campina, Conj. Alto das Malvinas.
As Malvinas é o bairro mais populoso de Campina Grande. Sua população é superior a 80 mil moradores, número semelhante à população de cidades como Guarabira, Souza, Cajazeira, Bayeux e, pequenas ilhas e países do Caribe.
História
No início da década de 1980, as casas do conjunto habitacional Bodocongó II, intitulado por Conjunto Álvaro Gaudêncio, começavam a ser construídas pela CEHAP (Companhia Estadual de Habitação Popular), seguindo ordens do então Governador Wilson Braga, que na ocasião havia conseguido verbas do governo federal para este fim.
Ao término das construções, no início de 1983, o Conjunto não apresentava infra-estrutura (água, luz, esgoto sanitário) para que fossem entregues as casas, por meio de sorteio, aos servidores estaduais devidamente cadastrados.
No dia 23 de março de 1983, iniciou-se a invasão das casas por pessoas não cadastradas na CEHAP, que alegavam abandono das casas e que portanto estariam naquele momento apossando-se das mesmas. Na tentativa de impedir a invasão, foi formado um cerco policial que não obteve resultados positivos. Naquele instante, o então governador do estado Wilson Braga, ordenou que as forças policiais impedissem que mais pessoas entrassem no conjunto, que até então ainda estava cercado (com arame farpado) e só existia uma única entrada (por meio de uma espécie de "porteira").
Logo após, pensou-se numa forma de retirar os invasores da seguinte maneira: seria proibido que alguém saísse ou entrasse do conjunto, fazendo com que os invasores ficassem isolados, sem alimento e água, e, assim, desistissem das casas recém invadidas. Na época, o governo municipal impediu que esse plano fosse concretizado, e enviou alimentos e água através de carros-pipa para os invasores.
Alguns meses depois, a CEHAP viu que não haveria outra maneira a não ser cadastrar os invasores e fazer com que eles pagassem as prestações das casas. Foi feito então o cadastro de cada morador num posto de atendimento instalado nas proximidades, mais precisamente na Escola Estadual Alceu do Amoroso Lima. Funcionários passaram de casa em casa avisando aos moradores que fizessem o cadastramento e assim regularizassem sua situação junto à CEHAP.
Em seguida, por reivindicação dos moradores, foi instalada a rede elétrica, seguida da rede de água e esgotos, fazendo com que o Conjunto tivesse a infra-estrutura mínima para que pudesse atender os moradores.
Na mesma época da invasão (1983) estava acontecendo um conflito militar nas Ilhas Falkland, popularmente conhecidas como Ilhas Malvinas, localizadas ao extremo sul da América Latina, daí a origem do nome do bairro: Malvinas.
Durante os últimos anos desde a invasão, o bairro das Malvinas obteve grande crescimento populacional além da grande quantidade de novas construções nos arredores do bairro, fazendo com que o mesmo se tornasse ainda maior. Com todos esses acontecimentos, surgiu a necessidade de melhorias na infra-estrutura do bairro, como pavimentação das ruas e recuperação da rede de drenagem pluvial (bueiros coletores das águas de chuva). Durante anos foram feitos pedidos junto ao governo municipal para que a rede de canais construídos no bairro fossem cobertos. Depois de muitas tentativas, finalmente, foi feita a obra de cobertura dos canais, que fez com que o bairro ficasse mais limpo, proporcionando aos moradores mais um ponto de lazer, onde podem ser feitas caminhadas e outras atividades.
Abaixo, uma excelente reportagem do Programa Diversidade da TV Itararé, com imagens históricas da época da invasão:
Documentário sobre a história das Malvinas:
1ª Parte:
2ª Parte:
(Texto originalmente postado no Portal A Palavra)
No ano de 1953 a Áustria era um país em escombros, dividido e ocupado pelas tropas dos aliados desde o fim da Segunda Guerra Mundial, pois pertencia ao Reich Alemão de Adolf Hitler. A incerteza, o desemprego e a fome compunha o cenário vienense quando o jovem Wilhelm Gustav Steinmüller, já casado a pouco mais de três anos e com três filhos pequenos, decidiu deixar sua terra natal e tentar a sorte no Brasil, que era considerado na época uma terra de oportunidades.
Somente com a cara e a coragem o jovem austríaco desembarcou no Recife. Imaginem o que é estar em terra estranha e sem saber se comunicar. Mas, felizmente, Willy (como ficou conhecido) arranjou emprego num frigorífico e logo que teve a documentação de permanência regularizada, mandou buscar a família para junto de si. Assim, em 01 de novembro de 1953, sua esposa Margareth Straznicky reuniu filhinhos Renate, Helga e Viktor, e embarcou no navio Toscanelli, numa penosa viagem de doze dias rumo ao Brasil.
Foi um recomeço difícil para o casal austríaco na capital pernambucana, até que Willy ouviu falar de Campina Grande, cidade em desenvolvimento que oferecia oportunidades para negócios, e então, com o pouco dinheiro que ainda lhe restava da venda de sua casa em Viena e a indenização do frigorífico onde trabalhava, resolveu ousar e mudou-se para Campina Grande com a família, chegando em 14 de maio de 1954, no intuito de começar um negócio de conservas e frios na cidade.
Num prédio de propriedade da senhora Maria Cunha, Willy se fez inquilino e adaptou o imóvel para iniciar sua fabricação de salsicha, linguiça, mortadela, salame e presunto, que produzia por meio quase artesanal, e assim nascia a Salsicharia Vienense.
Carismático e muito ativo, em pouco tempo Willy fez amizades, conseguiu empréstimo junto ao Banco do Nordeste para adquirir os primeiros maquinários e gerir o empreendimento. Todavia, embora o casal tivesse feito muitos amigos, o negócio não prosperava porque os produtos embutidos causavam estranheza, pois ainda não faziam parte dos hábitos alimentares dos campinenses.

Mas Willy era perspicaz, não aceitou o fato de ter apostado todas suas economias e esperanças num negócio estéril. Observou o povo, conversou aqui, proseou ali, e percebeu que os campinenses gostavam mesmo era de beber, e, já que Maomé não vinha à montanha, lhe veio à ideia de levar a montanha a Maomé. Foi ao Recife, comprou um barril de chopp, que gelava na época com uma serpentina, reorganizou o ambiente com mesas e cadeiras simples e no dia 12 de novembro de 1955 inaugurava a primeira choperia da cidade, o Chopp do Alemão, como ficou conhecido porque os campinenses não sabiam diferenciar um austríaco de um alemão, afinal eram todos galegos e falavam a mesma língua.
Sem dúvidas Willy foi genial, pois seu objetivo de transformar a salsicharia em lugar também de encontros alegres para consumo de chopp, tinha a estratagema de habituar os campinenses a comer seus embutidos, que entravam a pretexto de aperitivo. Com chapéu de feltro com uma peninha verde, típico de tirolês, o chopp servido com espuma e em canecas de vidro e numa arquitetura interna semelhante as tabernas, com arcos e tijolinhos à mostra (em branco e vermelho para representarem as cores da Áustria), Willy criou um ambiente da tradicional cultura dos povos germânicos em Campina Grande, uma novidade exótica e atraente que logo cativou os boêmios, poetas, bancários, advogados, jornalistas, radialistas, médicos e estudantes, nomes de destaque como Ramalho Filho, William Tejo, Félix Araújo, Ronaldo Cunha Lima, José Pedrosa, Déa Cruz e, noutros tempos, Chico Maria, Firmino e Virgílio Brasileiro, Arlindo Almeida, Stenio Lopes, Flamarion Leite, Gilson Souto Maior, Bráulio Tavares, Carlos Alberto Azevedo e mais uma infinidade de pessoas que se tornaram frequentadores assíduos desta choperia que entrou para a história da cidade.
Desse modo, há 64 anos a família Steinmüller se estabeleceu em definitivo na Rainha da Borborema, onde nasceram mais cinco filhos do casal: Ida, Otto, Roberto, Elisabeth e Franz, e até hoje o Chopp do Alemão permanece em funcionamento num prédio em estilo de arquitetura enxaimel no centro da cidade, à Rua Barão do Abiaí, 158, atualmente sob a gerência dos filhos do casal Otto e Roberto Steinmüller, que pretendem criar nos salões do Chopp um memorial fotográfico registrando todos os frequentadores do lugar desde sua fundação até os dias atuais e vindouros.
Lembrança somente possível, realmente, por fotos: antes da Farmácia Pague Menos localizada na esquina das Ruas João da Mata com Vila Nova da Rainha, havia a residência do Sr. Severino da Costa Ribeiro, belíssima estrutura arquitetônica projetada por Geraldino Duda e executada pelo engenheiro João Ferreira da Silva, no ano de 1961.
Abaixo, uma foto registrando um momento em família, na bela residência, publicada na Revista 'O Cruzeiro', em 20 de Junho de 1964:
Fonte Pesquisada:
FREIRE, Adriana Leal de Almeida.
Difusão da Arquitetura Moderna em Campina Grande-PB: necessidades
e desafios para preservação de um patrimônio ameaçado