(por Adriano Araújo)
“Grande festa nordestina
Forró a cada segundo
Nós fazemos em Campina
O Maior São João do Mundo”
(Ronaldo Cunha Lima)
Iremos contar aqui, neste pequeno especial, algumas curiosidades do período de 1983 a 1986, que fez com que a festa de Campina Grande mudasse o calendário turístico do Estado.
Em que pese a importância do Parque do Povo na construção do evento, Campina Grande sempre teve um São João forte, chegando Luiz Gonzaga a afirmar em entrevista a TV Borborema, que o forró tinha nascido aqui em Campina Grande (utilizem nosso mecanismo de busca para escutar a entrevista).
Clubes como Caçadores, Gresse, Campestre, Campinense Clube e até mesmo o velho Ypiranga, fizeram eventos juninos antológicos, além é claro, do São João de rua, das Quadrilhas juninas e dos movimentos culturais em geral, que traziam uma grande animação a cidade.
Todavia, o evento São João em Campina tomou um novo rumo a partir de 1983, aproveitando-se o espaço de um "Palhoção", criado pelo ex-prefeito Enivaldo Ribeiro, no local em que hoje se encontra o Parque do Povo. No vídeo abaixo, feito pela TV Itararé e apresentado por Pollyane Mendes, Eraldo César e Margarida Motta Rocha, narram esses primeiros eventos pré-parque do povo:
A festa seria denominada “Maior São João do Mundo”, caindo logo na graça popular. Desta forma, acabaria sendo escrita no calendário da Embratur em 1984.
Ronaldo Cunha Lima abrindo o festejo de 1984
No ano de 1985, com a criação da casa de shows “Forrock”, Campina Grande teve a oportunidade de receber grandes shows. Por outro lado, o Palhoção do Centro Cultural era amplamente utilizado pela prefeitura, como pode ser visto abaixo em fotos do Diário da Borborema:
O Palhoção
É dessa época também, a famosa música do artista Capilé, que se tornou uma espécie de hino do evento “Maior São João do Mundo”, lançado em compacto:
Cliquem abaixo e escutem os temas do disco:
Seria necessário agora, um local aberto para que o “povão” se aproximasse da festa, ou seja, o foco do evento seria o de atingir todas as classes sociais. Foi então que surgiu a Pirâmide e o próprio Parque do Povo, projetado pelo arquiteto Carlos Alberto de Almeida, que na época recebeu o nome de “Forródromo”.
Etapas da Construção da Pirâmide:
“Campinenses, declaro aberto o festejo junino do ‘Maior São João do Mundo’, que fazemos em Campina Grande. Declaro inaugurado o Parque do Povo, obra monumental e multifuncional, construído com recursos próprios do município”, disse o prefeito Ronaldo Cunha Lima em 1986, quando inaugurava o “Quartel General do Forró”.
Imagens da Inauguração do Parque do Povo:
Não é preciso dizer, que o evento se tornou um sucesso, além de servir de exemplo para as várias festas juninas do país, que procuraram imitar o modelo campinense. Em 1986, diversas redes de televisão se interessaram, talvez atraídas pela curiosidade, em mostrar reportagens sobre o acontecimento fazendo com que a festa de Campina Grande ficasse conhecida em todo o Brasil, sendo este fato, um dos motivos que consolidaram o evento como a maior festa junina do país.
Parque do Povo em 1986
Fontes Utilizadas:
-Diário da Borborema (fotos-preto e branco)
-TV Itararé (vídeo-reportagem)
-www.forroemvinil.com (Áudio de Capilé)
-Acervo de Welton Souto Fontes (foto do Parque do Povo em 1986-cor)
-Comunidade de Campina Grande no Orkut (foto da placa-cor)
Disponibilizamos no RHCG, o programa exibido na Rádio Cariri e produzido pelo blog, denominado: "Retalhos de Campina", que falou sobre um dos maiores políticos da história da Paraíba: Ronaldo Cunha Lima. O áudio, que faz parte do programa "Cariri em Destaque" (12:30 às 14:00 horas, diariamente), pode ser escutado clicando-se abaixo:
A morte do poeta Ronaldo Cunha Lima ainda repercute na Paraíba. Em virtude deste fato, recebemos de Rainere Rodrigues de Farias a propaganda (santinho) da campanha de Ronaldo para vereador de Campina Grande, que pode ser vista abaixo:
A TV Senado também disponibilizou algumas preciosidades sobre Ronaldo. Entrevistas realizadas durante o final dos anos 90, quando o poeta ainda era Senador. Na primeira, o "Senador Cunha Lima" fala sobre o problema da seca no Nordeste:
A TV Senado também fez uma entrevista especial sobre a faceta de Ronaldo como poeta:
Finalizando esta reminiscência sobre o poeta, o Conexão Arapuan (TV Arapuan) em homenagem a Ronaldo Cunha Lima:
"Quando Eu For Pra Eternidade
Onde Só Deus Me Alcança
Eu Não Quero Ser Saudade
Já Me Basta Ser Lembrança"
(Ronaldo Cunha Lima)
O "RHCG" recebeu do fotógrafo Diego Cantilino, uma série de fotos que retratam os últimos momentos do Poeta Ronaldo Cunha Lima:
A sequencia de fotos completa, pode ser acessada
AQUI.
A Rádio Panorâmica FM 97.3 de forma exclusiva, documentou ao vivo através do repórter Clinton Medeiros, o enterro de Ronaldo Cunha Lima. O áudio, hoje histórico, pode ser escutado a seguir:
* 18 de Março de 1936
+ 07 de Julho de 2012
O Estado da Paraíba, em especial a cidade de Campina Grande, recebeu com profunda tristeza a notícia do desaparecimento de um dos maiores líderes políticos que esta região já teve nas últimas décadas.
O poeta Ronaldo Cunha Lima faleceu na manhã deste sábado, 07 de Julho de 2012, em sua residência na Capital paraibana, onde já se mantinha sob cuidados intensivos há algum tempo em companhia dos familiares que lhe assistia.
Nascido na cidade Guarabira, em 18 de Março de 1936, filho de Demóstenes Cunha Lima e Francisca (Nenzinha) Bandeira da Cunha, Ronaldo José da Cunha Lima teve sua vida radicada em Campina Grande desde criança, quando exerceu a célebre função de jornaleiro quando, diz a lenda, confidenciava à sua mãe que naquele momento lia as manchetes mas, que um dia estaria nelas!
Teve em sua vida escolar a presença do antigo Colégio Pio XI e do Colégio Estadual da Prata, responsável pela formação de grandes intelectuais campinenses ao longo da sua História.
Participante ativo das atividades políticas desde os tradicionais Grêmios Estudantis, demonstrou habilidade ímpar para o ingresso na vida política. Foi eleito vereador em 1959, participando da chapa encabeçada por Newton Rique e, em 1962 foi eleito deputado estadual. Em 1968 elege-se prefeito de Campina Grande, donde só exercera o mandato por pouco mais de dois meses, tendo seus direitos políticos suspensos por dez anos, em face do disposto no art. 4 do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, expedido pelo Decreto de 13 de março de 1969, do Governo Militar.
Impedido de administrar Campina Grande, reclusou-se no sudeste do país, mais precisamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, exercendo atividades advocatícias quando, em 1982, beneficiado pela Lei da Anistia, é lançado candidato à Prefeito novamente, sendo eleito pelo voto popular para cumprir mandato de 1983 a 1988.
Dentre inúmeras obras de infra-estrutura realizada nos diversos bairros da cidade, teve sua administração marcada pela construção do Parque do Povo, inaugurado em 1985 o que consolidou a festa junina local, agora intitulada “O Maior São João do Mundo”, projetando a Rainha da Borborema nacionalmente.
Em paralelo à vida política, Ronaldo sempre se destacou socialmente exercendo seu dom na construção das rimas, famosas por ilustrar seus discursos em comícios e solenidades institucionais.
Sempre foi um consumidor e multiplicador da obra de Augusto dos Anjos, fato que o levou a participar do programa “Sem Limites” da extinta TV Manchete, respondendo brilhantemente, em versos, sobre a vida do poeta parnasiano, autor de “Eu”, sua obra definitiva.
Seu talento o levou a assumir cadeiras nas Academias Campinense e Paraibana de Letras. Dentre sua produção literária, um dos seus poemas mais famosos - em todo o Brasil - é o “Habeas Pinho”, uma petição judicial feita em forma de verso, para que fosse liberado um violão apreendido pelo polícia, tomado de um grupo de seresteiros em Campina Grande, no ano de 1955.
No ano de 1988, lança o filho Cássio como candidato à sua sucessão, enquanto semeia o estado da Paraíba nos dois anos seguintes para colher sua candidatura e eleição para o cargo de Governador, em 1990.
Antes de encerrar seu mandato de Governador, no ano de 1993, firma-se uma nódoa na sua profícua carreira política e, claro, em sua vida social, o incidente conhecido como Caso Gülliver, onde atentara contra a vida do ex-governador e ex-aliado político Tarcísio Burity, proferindo-lhe um tiro no rosto. Este evento além do prejuízo moral, nunca lhe trouxe punição, haja visto o foro privilegiado que o acompanhou junto aos cargos federais que ocupou e as constantes recorrências jurídicas do caso.
Apesar da repercussão do caso, Ronaldo foi eleito Senador da República no ano seguinte, cumprindo oito anos de mandato.
No ano de 1998, após os acontecimentos ocorridos no chamado Caso Clube Campestre, rompeu com o então governador José Maranhão e lança-se pre-candidato à sua sucessão, vindo a perder a disputa interna na Convenção do PMDB onde José Maranhão sagra-se como vitorioso, levando-o inclusive, à re-eleição naquele mesmo ano.
Em 2002 disputou uma cadeira na Câmara Federal de Deputados, tendo sido eleito e re-eleito em 2006. Porém, este se tornou seu último mandato eletivo, já que em 31 de outubro de 2007 renunciou ao cargo, às véspera do julgamento do caso Gulliver pelo STF, fazendo com que todo o processo voltasse à Justiça comum, livrando-o de responder pelo atentado à época.
ANEXO 1:
Áudio da cobertura da Rádio Campina FM 93.1 sobre a morte do poeta:
ANEXO 2:
Arquivo enviado pelo professor Mário Vinicius Carneiro Medeiros, com o registro de batismo de Ronaldo Cunha Lima (Cliquem para ampliar):
ANEXO 3:
Arquivos enviados por José Ezequiel do blog "Tataguaçu":