Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Antigo Casarão Manoel Chaves (Ano 2004) Foto: Acervo Walmir Chaves

Nos tempos passados, um holandês, em Pernambuco, cativou a uma jovem india e depois de “domestica-la” casou-se com ela. Essa é a referência mais antiga que eu tenho dos meus antecedentes familiares: Meus tataravós.

Descender de “Conquistadores” e “Conquistados” me dá uma rara tranquilidade mental. É como haver partipado em tudo. É ser um produto de uma fusão entre “ força e debilidade”, poder e submissão, opostos que se atraem e que criam outra realidade. Um realidade histórica que caracteriza  a uma grande quantidade dos cidadãos brasileiros:  A miscigenação!

Acho que meus bisavós chegaram a Campina Grande lá por 1860/70, pois meu avô dizia que a seca de 1877 foi devastadora. Que morreu muita gente de fome... Meus bisavós foram criadores e tinham uma escrava negra (não sei se tinha outros) que eu conheci quando era menino. Se chamava Manuela e nunca aprendeu a falar bem o Português. Não sei mais nada sobre meus tataravós. Só que morreram e foram enterrados em Campina Grande. Minha mãe contava que eu me parecia tanto a ele que até quando desenterraram o seus ossos, vendo o seu crânio pensou que era idêntico ao meu.

Não falavámos muito do passado na nossa casa,  porque no ano 1938,  meus avós se separaram e a familha se dividiu em duas.

Meu avô, Manoel, em 1907 havia se casado com uma pernambucana: A avó  Amélia e moravam  onde existiu o Curtume São José. No casarão em frente do curtume nasceu a minha mãe, em 1911, e ali conheceu meu pai que veio de Caruarú,  trabalhar com seus primos no curtume.

Minha mãe, mocinha bonita olhando na janela... E meu pai, olhando quando saia do trabalho... Em 1930, meu pai “ roubou” a minha mãe e ela se deixou “roubar”. Se casaram na Catedral e  tiveram 10 filhos... (A casa dos meus avós permanecia ali, resistindo ao tempo entre edificios, no ano 2004 quando visitei Campina Grande) 

Meu avô vendeu uma parte do terreno aos MOTTA quando estes vieram de Caruarú. E eles construiram o curtume e umas casas onde moraram bastante tempo. Os irmãos Motta (João, Manoel, Luis, Severino, Maria e Etelvina, quando se casavam, contruiam uma casa a mais ao lado do curtume... Assim ia formando uma rua.

Meu avô contava que as familhas em Campina se conheciam quase todas naquela época e que aos domingos se banhavam no Açude Velho como se fôsse uma praia. Ele  tinha uma parte cercada no açude onde se banhava somente a sua familha...(muito engraçado isso!)

Meu avô viveu “a noite” campinense daquela época com suas festas e jogos.  Jogava muito ao “baralho” e gastava muito dinheiro nas apostas.  Reuniam-se muitos senhores conhecidos, no centro da cidade,  para jogar.  Não me lembro de nomes. Só lembro do parceiro do meu avô: Dr. Elpidio de Almeida , quando era jóvem...

Meu avô , nas noites em que perdia todo o dinheiro,  mandava um emissário buscar mais em casa. E minha avó, obviamente, se zangava muito.  Isso foi o principal motivo da separação.

Em 1938 , repartiram tudo o que tinham e minha avó foi morar em João Pessôa com seu filhos pequenos,  dispersando para sempre a familha...

Meu avô foi um grande folião dos carnavais de Campina, antes e depois de Neco Belo, pois “brincou”  até o final dos anos 50. Foi Rei Momo várias vêzes. Nessa época havia uma comissão que organizava o carnaval e elegiam os Reis Mômo a cada ano. Lembro-me , uma vêz que fomos esperá-lo na Estação Velha. Havia ido uma comissão nos carros até Galante:  Rei, princesa, vassalos etc. e vinham no trem das 19hs. Na Estação Velha estava esperando uma banda de música e subiam para o centro da cidade e começava o carnaval...

Minha mãe viveu quase toda sua vida em Campina e conhecia muito as grandes familhas (que procediam quase todas de fazendas da região) com  seus valores, nobrezas,  intrigas, e segredos e que formavam  o grupo impulsor da nossa terra.  Desde menina tinha muitas amigas e amigos e conhecidos na cidade. Lembro-me que conheceu bem de perto a familha de Capiba quando viveu em Campina. Eu sou afilhado de uma irmã desse grande compositor e acho que ele mereceria ser mais reconhecido em Campina Grande.

Uma noite,  do ano 1969 meu avô  deitou-se para dormir e até hoje dorme tranquilamente.  Seu nome segue em Campina Grande, na rua Manoel Chaves, no bairro Vila Cabral, distinção que lhe concedeu a Cámara de Vereadores, nos anos 70!
Local onde havia o Casarão Manoel Chaves, hoje. Foto: Google



WALMIR CHAVES 
Nascido ( detrás da Catedral) em Campina Grande -Pb.
Sociólogo (UFPB);
Curso de Arte Dramático na Universidade de Teatro de Paris;
Curso de Formação e Pesquisas Teatrais no C.U.I:F.E.R.D, Nancy-França;
Cursinhos de Teatro com eméritos diretôres do Teatro Europeo ;
Professôr na Escola Superior de Teatro de Barcelona ;
Atôr e Diretor de Teatro ( Havendo trabalhado na França, Suissa e Espanha) ;
Radialista
Atualmente: Aposentado - Reside em Barcelona -Espanha.

7 comentários

  1. Maria Ida Steinmuller on 3 de janeiro de 2013 09:25

    Parabéns Walmir Chaves; lindas reminiscências. Incentivo para todo campinense fazer o mesmo por sua própria história familiar. o Instituto Histórico de Campina Grande tem essa proposta: registrar a vida dos cidadãos como patrimônio da cidade.

     
  2. Juliana Vital on 3 de janeiro de 2013 09:26

    Adorei o texto e a história, me fascino com as lembranças da minha amada Campina!

     
  3. rômulo azevêdo on 3 de janeiro de 2013 21:44

    Walmir, pelo ano que voce esteve aqui em Campina -2004-creio que fiz uma matéria para a Tv Paraíba(quando trabalhava por lá)com um rapaz que voce acompanhava(acho que era Bongiovani o nome dele)que trazia no corpo(mãos principalmente)estranhos estigmas que ele dizia ser os estigmas de Jesus.
    Depois ele esteve no "Jô Soares" e outros programas de em,issoras do sul.
    Estou certo?
    Outra coisa: concordo com voce,Capiba merece melhores homenagens da rainha do borborema.
    Em uma entrevista que fiz com ele em 1991(por ocasião da -hoje finada-primeira Micarande)ele me disse que o primeiro frevo que compos na vida foi aqui em Campina.
    A música se chamava "Vela Branca no frevo". "Vela branca" era um amigo de Capiba que tinha esse apelido porque era magro,branco e comprido.
    Para encerrar: porque voce não escreve contando os bastidores das gravações de "As aventuras do Flama"? Os improvisos, os capí´tulos escritos em cima da hora etc etc
    Deve ter coisa muito interessante.
    Um abraço.

     
  4. Walmir Chaves on 4 de janeiro de 2013 06:37

    Está certo, caro Rômulo, estivemos filmando no Teatro Municipal, porém foi no ano 1994 quando acompanhei a Giorgio pela Bahia, Rio e São Paulo. Aliás, voltando para Europa nos "afastamos" muito...Até hoje!
    No ano 2004 fui mostrar Campina ao meu filho.

    Minha mãe dizia que Capiba, seu pai e outros músicos iam por Campina tocando en las festinhas e nos blocos carnavalêscos quando ele era um rapazinho!

    Obrigado pela sugestão sobre "O Flama". Removerei minha memória procurado fatos narráveis da minha época na Radio Borborema. Nem tudo se pode ou se deve contar... Não é? ha ha

    Recordo com prazer nossa entrevista!

    Um cordial abraço.

     
  5. Walmir Chaves on 4 de janeiro de 2013 08:17

    Nessa foto a casa já está um pouco destruida. Antes havia terraço nos dois lados e um grande jardim com árvores imensas como Manqueiras ou Jaqueiras, onde os meninos brincavam. A rua era na frente do Curtume e não como está nessa foto!

     
  6. Adriano / RHCG on 4 de janeiro de 2013 09:40

    Estamos a sua disposição Walmir Chaves para publicar suas histórias.

     
  7. Elvis "Wolvie" on 3 de fevereiro de 2013 16:29

    Eu gostaria de fazer uma árvore genealógica da Família Chaves, à qual pertenço (apesar de não ter o sobrenome), mas nossas informações ficaram muito perdidas.
    Ainda assim, é um prazer ler essas narrativas sobre meu bisavô, com alguns fatos que eu já conhecia e outros inéditos.

     


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