Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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por Rau Ferreira

José Elias Borges Barbosa revolucionou a etnogeografia paraibana. A sua classificação – definindo nações, etnias e tribos – é aceita pela maioria dos arqueólogos e suas pesquisas dizem muito a respeito da Missão dos Índios Cariris em Campina Grande.

Natural de Triunfo/PE nasceu no dia 08 de dezembro de 1932 e veio residir em Campina aos 15 anos. Estudou nos colégios Pio X, Alfredo Dantas e Pio XI. Bacharelou-se em Letras Anglo-Germânicas pela Faculdade Católica de Campina Grande, com Especialização em Letras pela FURNE e Doutorado em Lingüística pela UFPB, tendo cursado Proficiência em Língua Inglesa na University of Michigan – Ann Arbor, nos Estados Unidos.

O seu interesse etno-lingüístico surgiu no final da década de 50, quando despertou a curiosidade pela origem do termo “Bodocongó” e promoveu estudos sobre os Ariús aldeados em Campina:

“Em 1948 fui para Campina Grande e lá fiquei preocupado com o nome Bodocongó. O nome era estranho, porque não parecia uma palavra tupi. Então fui procurar alguma coisa a respeito de Bodocongó. Quanto mais procurava, não encontrava nada. Alguns diziam que era uma palavra cariri.
Resolvi fazer uma pesquisa profunda. Passei 30 anos juntando material sobre os indígenas e particularmente sobre os cariris, principalmente os cariris da Paraíba” (A Paraíba nos 500 anos do Brasil: 2000)."

Concluiu Elias que os Arius eram totalmente diferentes dos Cariris e pertenciam à família Tarairiú. Estes quando foram trazidos por Teodósio para Campina já eram catequizados e batizados. Eram liderados pelo Cacique CAVALCANTI, que deu igualmente nome a esta tribo. Os Cariris, por sua vez, ficaram na região de Esperança e foram denominados de Banabuyés.

Defendia, entre outras teses, nunca haver existido uma tribo indígena chamada “Bruxaxá” em Areia, pois o correto era “Bru-há-há”, do francês “confusão” e que estaria ligado ao nome de Pedro Bruhaha, um dos fundadores daquele município.

Participou de seminários, exposições e congressos, dentro e fora do Brasil. Dominava o latim, português e espanhol, italiano, inglês, alemão, holandês e russo, além do que restou das línguas tupi e cariri. E foi membro de diversos institutos e associações, dentre os quais: IHGP (Cadeira 40); IHGC (Cadeira 60); SBPL – Seção Paraíba; Aliança Francesa, de Campina Grande; IHCG; Associação Universal de Esperanto; fez parte da comissão histórica do centenário de Campina Grande e era colaborador da SPA – Sociedade Paraibana de Arqueologia.

E produziu os seguintes trabalhos: Campina já foi Paupina; Badzé – Vocabulário Cariri incorporado ao Português do Brasil; A fundação de Campina Grande; Serra de Bodopitá: Considerações histórico-geográficas; O problema da classificação dos indígenas paraibanos; Os Ariús e a fundação de Campina Grande; Os Cariris e a origem do homem americano; Roteiro dramático dos Cariris; O que restou da mitologia Cariri; Bodocongó: História da palavra; Síntese histórica dos Ariús; O afamado Índio Piragibe dentre outros.

Faleceu em 20 de agosto de 2010, foi velado e sepultado no Cemitério das Acácias. Era casado com a professora Francisca Neuma Fechine Borges e pai de três filhos: Francisco, Eduardo e Guilherme.


Referência:
- BARBOSA, José Elias Borges. As nações indígenas da Paraíba. A Paraíba nos 500 anos de Brasil. Secretaria de Educação e Cultura do Estado. João Pessoa/PB: 2000.
- NÓBREGA, Evandro. Vem aí o “Merá Buyé” de José Elias Borges”. Disponível em http://druzz.blogspot.com.br, post de 23 de dezembro de 2010.
- SPA, Sociedade Paraibana de Arqueologia. O etnólogo José Elias Borges. Boletim N° 52, edição especial de outubro. Campina Grande/PB: 2010

2 comentários

  1. Walmir Chaves on 12 de janeiro de 2013 08:54

    Que surpresa e emoção ver a Zé Elias aqui!!!
    Primero foi meu prof. de Inglês um ano, no ginasial. Era ótimo...(me botou quase sempre 10! he he)
    Depois fomos amigos. Se não me engano havia sido seminarista. Daí vem o Latim! Era uma pessoa extraordinária! A simplicidade feito homem! Culto educado e discretissimo. Participava de todos os atos culturais e artisticos de Campina. Estava relacionado com algumas revistas culturais que sairam nos anos 60. Uma vez me pediu para conduzir a parte de psicologia de uma revista e recusei por não considerar-me suficientemente preparado para isso. Era estudante de Sociologia. Outra vez me pediu umas poesias para outra revista...Sempre que lhe encontrava estava com alguma tarefa nova, buscando colaboradores.
    Era muito querido e admirado nos ambientes culturais e artísticos da época.
    Uma honra contar com a sua amizade.

     
  2. Walmir Chaves on 12 de janeiro de 2013 09:11

    Obs: O correto seria: Brouhaha que es algazarra em Françês antigo. Acho que já nem se usa.

     


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