Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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por José Edmilson Rodrigues

Hoje: Rua Sgt. Hermes Pereira, bem no final, numa curva estreita com a Rua Silva Barbosa) – Bela Vista/Bodocongó/Universitário - Foto Google



A denominação “Volta de Zé Leal” se deve ao Sr. José Leal, proprietário de uma mercearia, (era a última casa da Av. Rio Branco) com um grande salão, onde vendia todo tipo de cereais e outras mercadorias (secos e molhados); inclusive, funcionava como bar, lá pelos idos de 1930. Segundo informações, ele era admirador e apologista da arte da cantoria. Sempre aos finais de semana juntava uma plateia para ouvir as pelejas dos cantadores e onde se passava a bandeja para se arrecadar seus cachês. Quem batizou o local de A Volta de Zé Leal foi o cantador Josué da Cruz. Na década de 1940, Zé Leal (José Batista Leal) foi morar em Timbaúba dos Mocós, Pernambuco. A Volta de Zé Leal tornou-se ponto de referência para as pessoas e marinetes na época.

A Volta de Zé Leal localiza-se nas mediações que beiram o final da Rua Arrojado Lisboa (a Rodagem; depois sgt. Hermes Pereira) e a que dá para a Rua Aprígio Veloso. Por sua vez, as Ruas Dom Pedro II, Idelfonso Aires e Rio Branco, descendo do Bairro da Bela Vista em direção ao Bairro de Bodocongó, todas desembocam para a Volta de Zé Leal. Lá, na Volta de Zé Leal, havia o caldo de mocotó de “Zé Carroceiro”, muito frequentado na época, o caldo de mocotó de seu Nere, a bodega de seu Lau, o sósia do garoto propaganda Gillete Azul, depois vendida ao Sr. Geraldo Rosa, e por sua vez vendeu também a Mané da Paciência, a bodega de seu Eloi Leal e repassada para seu filho Arquimedes Leal (Médio), a bodega, de Neco Rosa (Manoel Pereira), proprietário também de padaria e algumas casa na localização da Volta, o bar de Maria de Babú, a bodega de seu Arthur (tinha uma perna de pau), posteriormente adquirida por José Miguel (Zé de Beta) ainda existente no final da Rua Idelfonso Aires.

A fábrica de mosaicos de Waldemar e a Rodoviária Estrela do Norte, as oficinas de sapateiros de Antonio Bossinha, Zé Simão, e Neide de Antonio ‘Bossinha,’ o Sapateiro Esporte Clube, (desde 1962) e Cícero Miguel da Silva um dos seus fundadores, seu diretor, o Clube de Mães, o Milionário Esporte Clube do goleador Betinho, e o Humaitá Futebol Clube, (tendo como fundador, Geraldo Lisboa), os encontros dos artistas na casa de Duduta do Cavaquinho, aos sábados à noite e aos domingos pela manhã, frequentada por Zito Borborema, Genival Lacerda, Biliu de Campina, Abdoral, Valfrido, Miquirito do Pandeiro, Valdir com seu violão de doze cordas, entre outros artistas. O Xangô de Maria de Lourdes, uma transversal da Volta, na Rua Silva Barbosa.



E ainda, os barreiros de Chico Calixto, de Roldão Mangueira, e o açude de seu Belinho, onde íamos tomar banhos e aprendermos a nadar.

Zé Limeira, poeta do absurdo (por Orlando Tejo) em sua transgressão poético-surrealista, nos diz:

“[...] Pedro Álvares Cabral / Inventor do telefone / Começou a tocar trombone / Na volta de Zé Leal / Mas como tocava mal / Arranjou dois instrumento / Daí chegou um sargento / querendo enrabar os três / Que tem razão é o freguês / Diz o novo testamento [...] “

A Volta, tem um caminhar cultural, musical, desportista, pois lembrando a composição musical de Zito Borborema e José Pereira, em Minha Campina Grande: “Eu Vou deixar minha Campina Grande, Levo muita saudade no meu coração, levo saudade do banho de Bodocongó, do caldo de mocotó da Volta de Zé Leal [...]”

A primeira barbearia da Volta pertencia a seu Antonio Roque, pai do poeta Palmeira Guimarães, do jornalista Zildo e de Milton Aleijado, grande contador de piadas. Nego Isaias, proprietário do Chevrolet 53, pegador de frete, pai do jornalista Clóvis Lourenço de Isaias, que na primeira metade do decênio de 1970 fundou o bar “A Cocheira”, onde eram servidas batidas com nomes originais, tais como: Sangue Latino e Barreira do Inferno. O nome “A Cocheira” foi escolhido provavelmente pelo fato de o piso do bar ser recoberto com estrume de vaca.

Localizada na Rua Pedro II, nas imediações da Volta, funcionava a difusora “A Voz do Guarani de Zé de Holanda,” sob a locução de Xavier, filho de dona Rita, conhecida como “Pipa,” e Sinforosa, sua irmã cega. Ambas tomavam muita cachaça. Com vasta programação musical, rádio novela e postal sonoro, a Difusora cumpria o seu lado social de prestar serviço de utilidade pública, no caso de obituários, das pessoas carentes para arrecadar recursos para aquisições de ataúdes. Também na Volta de Zé Leal havia O Beco de Chico Rosa, pai de Paulo Gordo, feirante no Mercado Central.

E no espaço da Volta, a figura de “Angelita,” a iniciadora da “função social” com os adolescentes.

Tinha ainda, a figura dos flandeiros/flandileiros, como João Ventura, Raimundo, Abel, que faziam e consertavam panelas, bacias, candeeiros, bicas, entre outros artefatos de zinco, do lado da Rua Dom Pedro II.

O local do Posto Cristina, pertencente à empresa Cabral, terreno que pertencera ao Sr. Joaquim Bernardino, foi comprado por Romildo Paiva e que montou o referido posto.

Alí morava seu Antônio Calixto, fazendeiro e proprietário de cerca de dezenas casas e casebres, beirando a Volta, também, localizava-se a antiga Casa dos Arcos de seu (Belinho) Bento Figueiredo, ex-Prefeito de Campina Grande, no período de 12/09/1935 a 18/12/1935 e pela segunda vez depois do golpe de 1937, como interventor, de 04/01/1938 a 20/08/1940. As Caieiras de Neco Rosa, (fábricas de tijolos) e em sua administração a figura de Luiz Pezão, sua esposa Zefa, a filha Fubana e o filho Zé Buchudo seus assistentes.

Na época, havia (associado à figura de seu Belinho) a lenda do Papa-Figo, pois a meninada muitas vezes gazeava (faltava) as aulas, e outras vezes voltava do meio do caminho, pois tinha a figura do Papa-Figo para espantar. Dava um medo danado.

A Volta foi ambiente de figuras folclóricas como Gilberto “doido;”filho de Maria Coragem, corta-jaca dos romances de homens casados, Zequinha “doido,” que cunhava moeda da época com folha de zinco; Carlinhos da Volta, (Carlos Alberto da Silva), líder estudantil, o eterno estudante, e seu primo Zé Pereira, filho de Neco Rosa, cineasta, falecido em Brasília.

Cantadores que frequentavam a bodega de Zé Leal foram: Josué da Cruz, Manoel Raimundo de Barros, Manoel Serrador, Arthur Aires Cavalcanti, José Alves Sobrinho, quando tinha 17 anos, Canhotinho, Zé Gonçalves e Estrelinha, entre outros. Lá ainda mora, beirando a Volta, o poeta popular Manoel Soares com cerca de 90 anos.


Referências:
RODRIGUES, José Edmilson. GAUDÊNCIO, Edmundo de Oliveira. ALMEIDA FILHO, Silvestre. Memorial Urbano de Campina Grande. João Pessoa – PB, A União, 1996.
TEJO, Orlando. Zé Limeira – Poeta do Absurdo. Rio de Janeiro-RJ. Caliban, 11 edição. 2008.

5 comentários

  1. Edmilson Rodrigues do Ó on 10 de abril de 2013 08:31

    Parabens pela postagem; valeu a pena! Eu sou conhecedor do local focalizado, A Volta de José Leal (Como diziam os nativos: A Vorta de Zé Liá) desde os idos de 1952. Naquela época, partindo-se de onde se localiza hoje o Colégio Estadual da Prata até a UFCG e a Embrapa, não era zona habitada era apenas um matagal. Por outro lado, também não existia a Rua Silva Barbosa. Desta forma, o transito para retomada da estrada para o sertão, atual BR-130 era então feito exclusivamente pela Volta de Zé Leal. No vértice da curva existia uma grande depressão à qual os moradores nonominaram de "O Vulcão". Lembro-me muito bem quando antes da intalação da Universidade funcionava no local o velho Horto Florestal que foi substituido posteriormente pelo Aviário e finalmente pela UFPb atual UFCG.
    Conhecí e conviví com muitas pessoas citadas na postagem. Parabens pelas reminiscências...!

     
  2. Anônimo on 10 de abril de 2013 14:00

    Para complementar o texto, lembro que a "Volta de Zé leal" também foi citada na música "Forró de Zé Lagoa" de Rosil Cavalcante no trecho que diz: ...tem nêga boa da "rodagem" e Zé Pinheiro, tem os cabras do Ligeiro tudo armado de "punhá".

     
  3. Edmilson Rodrigues do Ó on 10 de abril de 2013 17:20

    Leia-se corretamente, BR-230.

     
  4. Petró.´. on 19 de abril de 2013 17:30

    Maria de Babu, dona do bar, era esposa de Babu, um motorista de Catolé do Rocha que foi morar em Campinha Grande. Enquanto Maria tocava o bar ele era caminhoneiro.

     
  5. Anônimo on 25 de maio de 2014 17:50

    Fiquei curiosa com relação a uma passagem: ( "Na época, havia (associado a figura de seu Belinho) a lenda do Papa-Figo...") e gostaria de saber se se as ditas crianças acreditavam que o o Sr. Belinho era o Papa-Figos.
    Daniella Alves

     


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