Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?


O Edificio São Luis, na época,  propriedade de Luis Motta, foi o lugar eleito para a instalação da Radio Borborema,  acontecimento que marcou um ponto importante na sociedade campinense no ano 1949, estabelecendo uma forte concorrência com a Radio Cariri que tinha apenas um ano de vida. Era, talvez, o mais bonito e moderno prédio da cidade. Com dois andares, que eram quase todos ocupados  pela Radio. No primeiro andar funcionavam os escritórios e no segundo um pequeno estúdio,  uma  sala de controles e um grande auditório para os programas dirigidos ao público.

Lembro-me que no inicio dos anos 50 um aparelho de Radio era um objeto de luxo e desconhecido para a maioria da população e que era comum que muitos fizessem silêncio nas suas casas para escutar as rádios dos seus vizinhos. E na hora da novela às 20hs, depois da famosa “Hora do Brasil”   ( que era transmitida desde o Distrito Federal para todo o pais,  com as noticias do Govêrno Federal e que somente escutavam os homens interessados pela política)   se reuniam muitos vizinhos nas casas, enchendo as salas e outros pelas  janelas,  para escutar as novelas. Era um encontro diário, onde se escutava o capitulo do dia e no fim se analisava e se faziam as suposições sobre como resolveriam os personagens seus problemas, já que os capitulos acabavam sempre com um suspense...Era realmente divertido e um exemplo de fraternidade entre vizinhos...Aconteceu o mesmo quando chegaram os aparelhos de televisão no  ano 1963...

Freqüentar o auditório da Radio Borborema para ouvir os cantores locais e os famosos cantores do Rio que nos visitavam passou a ser algo comun para a sociedade da época e  senhoras elegantes e bem vestidas, mostrando suas jóias e seus maridos aplaudiam, discretamente, aos artistas.  Cantores e locutores também  bem vestidos, algumas vezes “a rigor” davam um aspecto de solenidade, bom gôsto e categoria ao show... Ou eu sentia  assim, pois era um garoto e só acompanhava meus pais porque insistia muito porque “eu  queria ser artista” !   

Foi assim a  “Epoca de Ouro” da Radio Borborema que durou apenas uns poucos anos. Porém foi o alicerce da formação de  muitos bons profissionais dos quais alguns foram trabalhar no Recife e no Rio de Janeiro.

Nos seus primeiros anos a Radio Borborema tinha uma programação artistica bastante variada. Começava desde às 8 da manhã no auditório com o programa “Luar do Sertão” com Rosil Cavalcante,  violeiros e repentistas e continuava de 10 a 12 hs com “Linea de Frente” programa humoristico dirigido e apresentado por Fernando Silveira e o cast de radiatores que faziam rir ao público com suas histórias de viúvas desesperadas, cruzes de linhas telefônicas, maridos enganados e etc. Na tarde haviam  programas  musicais e os programas que atendiam aos pedidos dos ouvintes,  com dedicatórias musicais,  eram os preferidos.   As 20hs a novela que duravam só meia hora e  seguiam os  programas de auditório com cantores e radiatores,  três vezes por semana...Lembro-me que me impressionava muito a beleza e elegancia da cantora Dina de Almeida quando cantava na penumbra e  iluminada somente por um foco, com seu vestido comprido suas luvas três-quartos  pretas e com um decote enorme...Minha mente infantil voava e voava...

Passados uns anos, aprovei um teste para radiator, dirigido por Fernando Silveira, realizando assim um sonho da infância e comecei a fazer  pequenos papeis nas novelas, algumas escritas pelo próprio Fernando e com  um sucesso impressionante,  como foi “O Anjo Negro” que contava as tristes vivencias dos escravos nordestinos.

Lembro-me que guardei em segrêdo para a famillia e amigos que estava trabalhando na Rádio e só descobriram  quando acabou a novela , porque houve uma apresentação no auditório de todos os intérpretes... Não sei bem porque atuei assim. Talvez fosse por temer o fracasso...

Nos primeiros meses me sentia feliz e orgulhoso convivendo com os artistas que admirava. Algumas dessas personalidades merecem ser destacadas: (Continuará na Parte II)



WALMIR CHAVES 
Nascido ( detrás da Catedral) em Campina Grande -Pb.
Sociólogo (UFPB);
Curso de Arte Dramático na Universidade de Teatro de Paris;
Curso de Formação e Pesquisas Teatrais no C.U.I:F.E.R.D, Nancy-França;
Cursinhos de Teatro com eméritos diretôres do Teatro Europeo ;
Professôr na Escola Superior de Teatro de Barcelona ;
Atôr e Diretor de Teatro ( Havendo trabalhado na França, Suissa e Espanha) ;
Radialista
Atualmente: Aposentado - Reside em Barcelona -Espanha.

10 comentários

  1. Edmilson Rodrigues do Ó on 3 de fevereiro de 2013 09:32

    Parabéns Walmir pelo seu belíssimo artigo sobre a nossa saudosa Radio Borborema a nossa ZYO7 e ZYJ21.
    Faço minhas as suas palavras e nada mais tenho a acrescentar. Voce descreveu tudo aquilo que eu, como contemporâneo, tive o privilégio de assistir ao vivo. Sempre fui um eterno admirador da AM. Naquele tempo éramos todos felizes e não sabíamos...!

     
  2. Paulo Gomes on 3 de fevereiro de 2013 11:03

    Excelente postagem. Mostra a força que tinha o rádio na época, dita de ouro. O rádio, a meu ver, foi a mais importante invenção da era moderna. Dele derivaram todas as outras modalidades de comunicação, que nem é preciso mencionar. Quando falo de rádio comercial,o famoso "broadcast", me refiro sempre às transmissões em AM,ou no máximo em SSB em épocas mais modernas. Naqueles tempos, as rádios eram ouvidas em locais muito distantes (DX) "na raça", sem auxílio de satélites, internet e outras "ajudas". Isso era muito prazeroso. Hoje,infelizmente, vemos os serviços internacionais em ondas curtas de quase todas as emissoras sendo desativados. No capítulo "FM", acho que, o que se prenunciava como radio recepção de qualidade (HI-FI), se configurou depois como uma grande decepção. Hoje, além da proliferação indiscriminada, a qualidade dos programas e, acima de tudo,a qualidade técnica de áudio de algumas emissoras, é simplesmente ridícula. Ainda sou ouvinte da velha e boa transmissão em Amplitude Modulada (AM), onde com um pouco de paciência, um bom receptor, uma boa antena e muita sorte, ainda encontramos vida inteligente neste verdadeiro caos que se tornou o espectro radiomagnético. Parabenizo o colaborador, pela postagem e esperemos por novas pérolas no futuro.

     
  3. Anônimo on 3 de fevereiro de 2013 11:31

    Eu gosto dessas lembranças, eu viajo no tempo! Por favor se possível coloque os anos.

     
  4. Anônimo on 3 de fevereiro de 2013 15:22

    PARABÉNS WALMIR CHAVES
    EU TE CONHEC EI NESTA ÉPOCA,POIS MEU PAI MIGUEL CARNEIRO ERA O CHEFE DOS RECURSOS HUMANOS DOS ASSOCIADOS EM CAMPINA GRANDE!!!!
    BOAS RECORDAÇÕES COMO A MISSA ANUAL NA CATEDRAL E A VIAGEM PARA O CHURRASCO NA FAZENDA AMAZONAS!!!!
    ENTRE EM CONTATO CONOSCO.
    marcotuliohu@gmail.com

     
  5. Walmir Chaves on 5 de fevereiro de 2013 06:03

    Caro anônimo:
    O relato abrange um período de 15 anos. De 1949 a 1964. Eu situaria a "época de ouro" da Radio Borborema entre 1950 e 1956. A partir daí havia poucos programas ao vivo e com o inicio da televisão em 1963 a radio passou a emitir somente os programas de stúdio.

     
  6. rômulo azevêdo on 5 de fevereiro de 2013 21:55

    Bravo Walmir! Muito bom o relato, e como nas antigas novelas radiofônicas aguardo com expectativa os próximos capítulos.

     
  7. Adriano e Emmanuel on 6 de fevereiro de 2013 09:03

    Rômulo Azevedo, gostariamos de um contato com o senhor, para gravarmos alguns audios. Nos mande um email ou telefone se possivel.

     
  8. Elias Leal on 16 de setembro de 2013 12:18

    Sou neto de "Elisa cezar" grande atriz da radio novela na epoca e"José maria" grande violonista da radio na epoca tambem e q inclusive aparece na foto em cima, o terceiro da esquerda pra direita. Sou de recife e queria saber se vc tem algo guardado relacionado aos meus avós?? Desde já agradeço. Elias cezar

     
  9. Sandra Borges on 26 de maio de 2015 00:20

    Olá Walmir!

    Meus pais fizeram parter do elenco da Rádio Borborema, mas não foram citados nesta reportagem. Meu pai era locutor, Antônio Borges e minha mãe era a estrelinha da Rádio Borborema, Dinalva França. É uma pena não terem registro de suas apresentações nos programas de auditório da Rádio. Hoje minha mãe reside em Brasília e o meu pai em João pessoa. Leonel foi um grande amigo e colega do meu pai na Rádio e no Senado federal, quando trabalharam juntos na radiofusão do Senado, fazendo A Voz do Brasil nos anos 60.

     
  10. walmir chaves on 26 de maio de 2015 11:04

    Olá Sandra:

    Para escrever esta matéria usei somente a minha memória concentrando-me nos anos em que eu trabalhei na Radio Borborema. Eu resido no exterior do Brasil e não tinha onde investigar sobre detalhes daquela época. Lembro-me de ouvir os nomes de Dinalva França e Leonel Medeiros quando era criança mas não os conheci... Lamento muito!

     


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