Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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Por Jonatas Rodrigues

Fachada da Fábrica: Rua Getúlio Vargas

A primeira indústria têxtil criada em Campina Grande localizada na Rua Félix Araújo, centro da cidade, foi a Comércio e Indústria Marques de Almeida S/A. Indústria essa especializada em fiação e tecelagem. 

Segundo algumas fontes que pesquisei, a empresa foi fundada em 1922, com seu primeiro "apito" acontecendo em 5 de outubro de 1925, outras fontes mencionam 1923. Mas, segundo uma data gravada no fronte no alto do prédio de acordo com fotos antigas, está registrado 1933, hoje esta data não existe mais. (Gostaria que alguém tivesse a certeza de sua inauguração)

Fundada pelo Indústrial Dionísio Marques de Almeida (1891-1974), pernambucano que aqui chegou proveniente da Patos. Sua primeira indústria fundada foi a Fábrica de Sabão "A Pernambucana", localizada também no mesmo largo das Boninas, junto com seu irmão, João Marques de Almeida, em 7 de setembro de 1925.

Parte de trás da Fábrica: Rua Félix Araújo - Boninas

A fábrica convergiu grande parte da população pobre da cidade, tomando seu corpo de operários. Com o crescimento rápido da empresa adquiriu através da White Martins S/A, representante da Plattes Brothers, uma fiação completa, propiciando então o fabrico de fios de algodão para redes. Com esta nova maquinaria importada, a Empresa ampliou sua produção. Entre o maquinário vale salientar que além de adquirir a Plattes Brothers daquela fiação, o Sr. Dionísio da Empresa norte-americana General Electric e a S.K.F. parte da maquinaria e um motor Ruston de 150 HP, tudo pelo custo de 200 contos de réis. Na década de quarenta a empresa adquiriu um motor mais potente um Fairbanks Morse com 200 HP. 

Alentado pelos sucessivos lucros obtidos na indústria e no comércio, de vez que a indústria já constituía tradição exemplo de tradição e honradez de segurança em seus empreendimentos a indústria campinense.

A empresa como mencionado antes, localizava-se na rua Félix Araújo, ocupando um espaço físico de cerca de meio Km, o Sr. Dionísio não precisou de uma equipe técnica de engenharia para que fosse edificado o referido prédio. O próprio industrial Dionísio Marques de Almeida, arquitetou e foi construtor desta esplêndida obra, imaginando que ia erguer o prédio de sua base até seu andar superior, com uma infra-estrutura própria para a fábrica. 



Este edifício com frontal de linhas retas simples em estilo eclético, comportava no largo espaço do andar superior um alinhamento de janelões ornados de esquadrias salientes. Janelas que facilitavam a entrada de luz e ar, refrescando o local, e dava-lhe uma aparência suntuosa. No andar térreo encontra-se janelões idênticas ao andar superior e portas em arcos, completando a bela estrutura arquitetônica.

Também o Sr. Dionísio construiu duas grandes cisternas para o abastecimento d'água da empresa, já que  Campina Grande não dispunha de um sistema eficaz de abastecimento, para o pleno funcionamento da indústria.

Anos se passaram, e infelizmente a grandiosa empresa cerrou suas portas em abril/maio de 1983, vítima de uma política mal planejada pelos tecnocratas que serviam ao governo federal da época. É triste afirmar que indústrias de nossa cidade cerraram as portas em piores condições devido a falta de subsídios do governo Federal da época, desempregando um grande número de trabalhadores. Uma indústria com a importância da Comércio e Indústria Marques de Almeida S/A, não poderia deixar de ter sua história contada neste blog.  

Fonte de vários trechos do texto: Marques de Almeida: A Primeira Indústria Têxtil de Campina Grande, Emília Nogueira da Silva. Especialização em Teoria da História e Metodologia do Ensino da História. Centro de Educação - CEDUC. Campina Grande - 2003. 



8 comentários

  1. Rau Ferreira on 5 de fevereiro de 2013 11:17

    Parabenizo o colaborador Jônatas Rodrigues por resgatar a memória desta importante indústria têxtil de Campina Grande, com textos e fotos excelentes.

    Att.

    Rau Ferreira

     
  2. Rau Ferreira on 5 de fevereiro de 2013 11:21

    Parabenizo o colaborador Jônatas Rodrigues por resgatar a memória desta importante indústria têxtil de Campina Grande, com textos e fotos excelentes.

    Att.

    Rau Ferreira

     
  3. Walmir Chaves on 5 de fevereiro de 2013 13:14

    Não conhecia a história desse edificio. Se não me engano, no inicio dos anos 60s funcionava uma fábrica de macarrões...
    E quantas vezes pisei a sua calçada na rua Getúlio Vargas. Em frente inicia a rua Cel. José André e as duas primeiras casas eram dos irmãos Marques de Almeida. Numa delas morava uma das minhas melhores amigas da faculdade: Teresa Cristina Marques de Almeida, filha e sobrinha dos irmãos Marques de Almeida.

     
  4. Edmilson Rodrigues do Ó on 5 de fevereiro de 2013 18:59

    A Comércio e Indústria Marques de Almeida S. A., também popularmente conhecida como a Fábrica Dionísio Campos, me foi muito familiar. Durante os anos de 1957 a 1962, há mais de meio século portanto, eu trabalhava com a concessionária Mercedes-Benz na Paraiba, Alvino Pimentel Comércio e Representações S. A. que se localizava na Rua Industrial - 216 (Atual Rua Felix Araújo) esquina com a Rua Bartolomeu de Gumão, nas Boninas.Distando apenas pouquíssimos metros daquela tradicional emprêsa de tecelagem de fios de algodão quando ainda se encontrava no seu grande esplendor. Infelizmente, com o fim do ciclo do algodão a histórica Marques de Almeida encerrou suas atividades, acontecendo igualmente com a sua congênere Indústria Têxtil de Bodocongó.
    A fábrica de macarrão à qual se referiu o nobre Walmir creio que ele confundiu com a CIMAL - Comércio e Indústria de Massas Alimentícias Ltda. que funcionou também naquela mesma época e se localizava na Rua Antenor Navarro e ocupava quase todo quarteirão entre as Ruas João Pessoa e João Suassuna. Curioso era o slogan da CIMAL: "Come-se bem, comendo CIMAL". Parabéns pela postagem.

     
  5. Jônatas Rodrigues Pereira on 9 de julho de 2013 09:45

    A velha e saudosa Indústria e Comércia Têxtil Marques de Almeida, deveria ser vista com mais carinho pelos poderes públicos, o prédio boa parte dela está em péssimo estado, com telhado desabando e paredes bastante deterioradas. Uma grande reforma e restauração no prédio já que é uma área nobre do centro campinense daria um glamur ao local, com museu (Museu da Indústria Campinense), área cultural, dentre outros. Infelizmente os poderes públicos desta cidade estão mais preocupados em agradar os turistas de fora do que a população local.

     
  6. Anônimo on 2 de fevereiro de 2015 22:08

    Concordo com o Jônatas, acho que se deve recuperar este edifício e magnificar o passado campinense com mais arte e cultura. Um museu sempre é essencial. Menos forró e mais cultura.

     
  7. cleudo on 14 de abril de 2015 22:25

    Concordo com Jonatas e walmir e todos que colaboram com este blog,eu particurmente morei na rua pres. vargas, e sei que o predio do ferro de engomar,a casa do saudoso Severino cabral foram reformados e são testemunhas de um passado de progresso que alavancou esta cidade.Fica a responsabilidade do poder publico de olhar com mais carinho,para perpetuar a historia da arquiitetura dos anos dourados campinense

     
  8. Kaki Afonso on 22 de julho de 2015 22:54

    Parabenizo o excelente material divulgado para todos aqueles que investigam a cidade, sua arquitetura e sua história.

     


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