Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?

Recebemos da colaboradora Mônica Torres emocionado email:

“De volta no tempo, cujo transporte exige apenas pequeno passe, ora de saudade, ora de curiosidade, adentro ávida portões como a entrevista de Mário Araújo sobre a "Chacina da Praça da Bandeira" em 1950.

Entre um café e uma torrada, divago pela conversa com minha mãe no final de tarde, a conhecer detalhes contemporâneos à época ainda áurea do algodão, cujo tecido outrora colorido e agora sépia, também teve seus retalhos puídos, rasgados e dias nada gloriosos.

No então outubro de 1951, onde políticos tinham sua importância ostentada nos ternos brancos de diagonal e o farfalhar das saias das senhoras eram música misturada às audições da rádio Borborema, também vivia a louca "Rainha Joana", tão bem desenhada aqui, pelo escritor Cristino Pimentel em seu livro de crônicas ‘Pedaços da História de Campina Grande’ publicado em 1958 pela Livraria Pedrosa”.


Na Íntegra:

"Por muito tempo presenciamos um caso de abandono que angustiou o nosso coração: o da Rainha Joana... Vemo-la sempre pelas ruas da cidade, deixando ver que foi bonita, que sonhou com um noivo no verdor da mocidade, que só encontrou os espinhos da desilusão e, por fim, o terrível mal que lhe tirou o juízo... Estira a mão em súplica para o que comer. Dorme pelos terraços escuros, aonde chega sutil qual cão furtivo e de onde é expulsa às vezes quando o céu vai se dourando com os raios da madrugada. E a infeliz deixa o pouso arranjado na hora do silêncio da noite, como uma proscrita.
Houve um tempo em que Joana pensou em casar... Seu amor, porém, foi um amor impossível, apaixonou-se por um moço rico e de linhagem, que lhe afagava os sonhos, amor inatingível, mais inatingível do que o de Juca Mulato, do poema de Menotti.
Seu sonho foi um pesadelo que lhe trouxe fraqueza mental. Hoje velha, anda louca, a dizer que é rainha e vai casar de rei. As suas vestes são mantos de ouro. Toda Campina Grande lhe pertence e são suas todas as lojas. Tem palácios e bonitas igrejas.
Com toda loucura, Joana canta modinhas do tempo de moça e recita quadrinhas que recordam as folhas murchas do seu coração e do seu passado de moça cortejada... Canta as marchas carnavalescas dos clubes do seu tempo de jovem: Regador, Cana verde, Caiadores, Chaleiras e Beija Flor. Recita com gestos engraçados as quadrinhas que trás na memória:

Minha açucena adorada,
És a flor que mais venero;
Vejo o sol e vejo a lua,
E vejo o bem que te quero.
Alvíçaras, meu pensamento,
Cá chegou o meu amado,
Pra maior contentamento
Chegou sem ser esperado..."

Campina Grande, Outubro de 1951. (Cristino Pimentel)
 
***

Agradecemos a Mônica Torres, mais esta colaboração sobre o curioso passado campinense.

1 Comment

  1. David Duarte on 18 de julho de 2012 09:57

    Simplesmente espetacular!

     


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