Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Em 2006, Campina Grande dava adeus ao polêmico jornalista esportivo Humberto de Campos. O “Moça Velha”, como os amigos o chamavam, era leitura obrigatória para todos aqueles que acompanhavam o futebol paraibano. Sua coluna no Diário da Borborema, intitulada “Jogo Duro”, marcou toda uma geração de “boleiros”, tendo até, uma versão sonora na Rádio Borborema.

Sua definição para o Campeonato Paraibano, era chamá-lo de “O Extra”, seguido do ano da edição do torneio, sempre lembrando que o campeonato era “nivelado por baixo”, em suas próprias e ferinas palavras. Com referência a Campina Grande, uma frase sua ficou famosa. Ele se referia a “Rainha da Borborema”, debochadamente como “Centro de Irradiação do Universo”.

Humberto também se envolveu em polêmicas nacionais. Certa vez, entrou em conflito com nada mais, nada menos, que João Saldanha. Quem souber o motivo de tal confusão, deixem um comentário aqui no tópico, que publicaremos nesse espaço.

Era de conhecimento que sua preferência local era o Campinense Clube. Esse fato, talvez, explique a desconfiança de boa parte da torcida do Treze com relação as suas colunas. Em 1983, por exemplo, após o Treze comemorar uma vitória que daria o título estadual, a FPF voltou atrás em sua decisão e marcou uma melhor de três contra o Campinense. Humberto disse então, que o Treze teria de fazer uma passeata de ré, já que o clube ainda não era o campeão. Ao final da melhor de três, ao obter finalmente o título estadual, boa parte da torcida do Treze saiu do Estádio Amigão de costas, gozando o cronista e a torcida do Campinense.

O “Mais Discutido”, também trabalhou na CELB e seu último emprego foi no jornal “A União”. A seguir, a última coluna publicada no site do jornal, datada de 2006:

Coluna de Humberto de Campos      

12 de janeiro de 2006
Não à violência

O editorial deste jornal, publicado na última terça-feira, foi dos mais oportunos ao abordar a violência que grassa que se propaga e que se alastra na Paraíba. O que deveria apenas ser uma diversão virou guerra entre as famigeradas torcidas organizadas, essa praga que hoje assola o futebol brasileiro.
O editorial diz que o estádio de futebol, a priori, foi concebido como ponto de diversão para a maioria das pessoas que procura gastar seu tempo torcendo por sua equipe querida. Só que, segundo o editorial, a paixão tem dado espaço a exacerbação de ânimos, provocações e brigas.
É verdade que muitos vão aos estádios para se divertir, mas os membros das "organizadas" vão aos estádios como se fossem para uma guerra, munidos de fogos e armas para a batalha anunciada. E agora está sendo anunciada via Internet, o que não deixa de ser o fim da picada.
As novas gerações não contemplam mais uma partida de futebol como um momento de lazer e de diversão, mas para "exercitar sua parte animal, escolhendo as presas para abatê-las na primeira oportunidade e pretexto" – como bem observou o articulista.
A Polícia Militar da Paraíba, conforme revelou meu querido amigo coronel Lima Irmão, vai adotar um esquema de segurança visando impedir a perpetuação dessa violência, no que faz muito bem diga-se de passagem.
O grande teste será o Campeonato Paraibano deste ano, que já não é grande coisa, imaginem só se essa violência continuar.
Portanto, vamos esperar que esse plano preventivo da nossa briosa Polícia Militar alcance o êxito desejado para evitar a evolução da violência entre os torcedores das chamadas Torcidas Organizadas, que na verdade são os principais responsáveis por tudo.
Diz a matéria publicada por este jornal que existem equipes treinadas em nível nacional para tratar com o problema, e que reuniões têm sido feitas com os chamados chefes de torcida para que a paz volte a reinar nos estádios. Que assim seja, amém.


Um pouco antes de morrer, Humberto de Campos deu essa interessante entrevista a jornalistas da Rádio Caturité. Nela, o velho “decano” dos jornalistas da Paraíba, conta boa parte de sua carreira profissional:


Também disponibilizaremos uma edição do programa “Jogo Duro” da Rádio Borborema, quando ele fala sobre um jogo de Treze e Campinense e sobre a Micarande. É hilário esse áudio:


Finalizando esse tributo a Humberto, vídeos que relatam a sua morte ocorrida em 2006:



Sem dúvida, o futebol de Campina Grande ficou mais triste após a morte de Humberto de Campos.

Anexo:

Reportagem da Gazeta de Sertão de 07 de Agosto de 1981, quando Humberto de Campos recebeu o título de cidadão campinense:



Fontes Pesquisadas:

Jornal "Gazeta do Sertão" - Acervo
www.agoraesportes.com.br
www.paraibaonline.com.br
http://www.auniao.pb.gov.br/
www.trezegalo.110mb.com
Rádio Caturité
Rádio Borborema
TV Borborema

13 comentários

  1. Anônimo on 26 de fevereiro de 2010 13:27

    Que áudios fantásticos. Estou arrepiado até agora. Grande Humberto!!!

     
  2. Philemon on 16 de abril de 2010 21:11

    Humberto não só foi um grande comentarista esportivo. Ele fazia um programa semanal chamado: Falando de cinema, que tinha uma audiência fantástica.
    Gostaria de sugerir aos estimados historiadores deste blog que publiquem mais registros sobre a atuação radiofônica de Humberto de Campos. No meu entender, o melhor cronista da Paraíba.
    Abs.,
    Philemon

     
  3. Adriano on 26 de abril de 2010 09:20

    Infelizmente Philemon, não temos mais nada sobre Humberto. Se você tiver algo e queira nos ceder, estaremos a sua inteira disposição.

     
  4. Jobedis Magno de Brito Neves on 19 de julho de 2010 19:15

    Ainda adolescente, 15 anos de idade, cheguei para jogar no Treze de futebol de salão. Para mim, foi uma surpresa ser chamado muito novo ainda e uma alegria incomensurável: jogar no mesmo time de grandes jogadores da epoca, Hermani, Leucio, Bolinha, Tonheca, e o Humberto de Campos (Grande comentarista da rádio Borborema, pessoa que eu havia me acostumado a escutar e admirar nas transmissões de jogos. Nas peladas jogavamos em equipes diferentes e que na [epoca tinha grande rivalidade eu pelo Everton e ele pelo grande time do estudante.
    Espírito muito lúcido, vivo, inteligente, sabia falar e dominar o microfone magnificamente com a ironia e com muito humorismo. Sempre tinha uma anedota ou historia para contar. Tinha sempre um fato semelhante ao que lhe estavam contando. Era estimadíssimo de amigos e requentadores dos Restaurantes Miura e Manoel da Carne de Sol. Como cronista esportivo tinha sua predileção por determinado time que nunca disse a ninguem qual era. Pois jogou futebol de salão tanto no Treze quanto no Campinense mas em tempo algum fez injustiça a outros em benefício do clube do seu “coração”. Também gostava de comentar cinema e muito bem por sinal. Foi um bom amigo e leal companheiro. Brincalhão, impenitente fazedor de trocadilhos, para tudo tinha uma frase de bom humor, como bom e leal desportista que era.Deixou um vazio na cronica esportiva de Campina Grande

     
  5. Fabiano on 16 de fevereiro de 2011 20:21

    Alguém sabe o nome da música ou compositor que passava no inicio do programa dele, uma de Faroeste??????

     
  6. Fabiano on 18 de fevereiro de 2011 08:36

    Ninguem responde ñ eh?

     
  7. romulo azevedo on 2 de janeiro de 2012 18:40

    Alô Fabiano, a música usada como prefixo do "Jogo Duro" era o tema do filme "Da terra nascem os homens" um western dirigido por Robert Wise com Gregory Peck E Charlton Heston.
    A composição é do grande Elmer Bernstein.
    Aproveitando a deixa do post, lembro que Humberto deu grande contribuição a cultura cinematografica local através do programa "Falando de Cinema" apresentado aos domingos na Borborema(e depois na Caturité).
    O programa rivalizava com o "Sétima Arte" apresentado por Aldo Porto na Caturité.
    Humberto pendia mais para o lado do cinema americano, e Aldo era ardoroso defensor do cinema europeu.
    Bons tempos!

     
  8. Paulo Gomes on 2 de janeiro de 2012 19:49

    Estamos aguardando alguma coisa sobre o Falando de Cinema de saudosíssima memória. Não perdíamos nenhuma edição, sempre aos Domingos.
    O velho Humberto deixava transparecer ser um fã do grande Fellini.

     
  9. Adriano on 3 de janeiro de 2012 12:57

    Fabiano...

    A música pode ser baixada neste link:

    http://www.4shared.com/mp3/E4olbnAm/10_The_Big_Country__Main_Theme.htm

     
  10. rômulo azevêdo on 3 de janeiro de 2012 17:34

    Paulo, na verdade Humberto era fã de John Wayne e James Bond.
    O cinema europeu ele via com reservas.
    Aproveito para citar a maior façanha cinematografica de Humberto,ele foi o narrador do filme "A paixão de cristo"(cópia nova,explicada em português!).Luciano Wanderley tinha comprado uma cópia do filme e contratou Humberto para fazer a narração(gravada no estúdio da Promosom).
    Ele também fez uma ponta(interpretando um integrante do "esquadrão da morte")em um Super-8 dirigido por meu irmão Romero(isto em 1980).

     
  11. Paulo Gomes on 3 de janeiro de 2012 23:25

    Romulo lembro sim das citaҫoes frequentes de Wayne e Connery, mas lembro tambem de diversas citaҫoes de La Dolce Vitta e Ammarcord. O velho cronista era na verdade muito ecletico. Agradeҫo e peҫo desculpas por alguma falha, ja que estou teclando por celular neste eterno e parado transito aqui do Recife, abraҫos a todos e que bom que estamos de volta.

     
  12. Adriano on 4 de janeiro de 2012 07:35

    Os comentários de professor Rômulo são demais. Quando quiser publicar algo no blog professor é só mandar um email com qualquer história, que publicaremos. Email: retalhoscg@hotmail.com

     
  13. Juliana Campos on 4 de abril de 2014 10:23

    As casualidades da vida ...tive curiosidade de buscar por meu pai em Google e me deparei com semelhante demonstração de carinho e respeito pelo homem que ele foi: um amante incondicional do esporte ...mas com uma paixão incomensurável pelo Cinema.
    É bem conhecido o fanatismo pelo gênero Western (tanto que foi um clássico de este estilo a música escolhida para seu programa diário), mas dou fé que meu pai era um admirador de Felini. Compartimos a mesma paixão pelo cinema, mas confesso que fui obrigada muitas vezes a "suportar" os filmes deste diretor italiano, que ele vira e mexe alugada na também saudosa "Tela Vídeo".
    Posso escrever horas e horas sobre meu pai e seus filmes favoritos, das noites de sexta-feira que passávamos no Babilônia e das lágrimas que dançavam por seu rosto todas as vezes que assistia a "Cinema Paradiso".
    Um grande abraço a todos que, como eu, aprenderam a admirar o "gaiato" que existia por trás daquele vozeirão tão grave.

     


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