Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

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Matéria obrigatória no estudo acerca dos movimentos e revoltas, o quebra-quilos ainda esconde muitas nuances. A sedição que teve origem numa povoação de Campina Grande, alastrou-se por outras vilas sendo necessária a intervenção governamental para a sua erradicação.

O assunto é tratado em diversos jornais da época, onde se menciona o levante do Quebra-quilos.

Em Campina Grande, os sediciosos, “praticaram actos de verdadeira selvageria”, dizia o jornal. Invadiram as casas da Câmara e Coletoria, queimaram os arquivos no meio da praça, enquanto o povo conservava-se indiferente. Faltavam armas e munições, soldados e um chefe militar que os detivesse em sua marcha. E no interior, não havia forças para fazer-lhes frente. As feiras estavam em constante apreensão. A qualquer momento poderia irromper-se um novo movimento.

As nossas pesquisas foram neste sentido, mostrar a posição da imprensa e as notas que foram ao seu tempo publicado. Segundo a nossa coleta, restou esclarecido que:

“(...) a primeira batalha, ferida na feira de Campina Grande, na qual teve o governo o general das forças fora de combate, de cabeça lascada, e alguns soldados moídos à pau. Contou a catástrofe o general Aranha, e o que lhe succedeu na fuga, sendo que além da perda do dinheiro, houve mais alguma cousa que o secretário ao referir tapava o nariz, e cuspia fora da escarradeira.
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Além disso a quebradeira é geral, os patoteiros, como se sabe, tem devassado tudo, nada mais resta para os amigos que se vão chegando; exército e esquadras, ainda que para repelir pedradas, devem deixar alguma cousa em que os patoteiros não poderam meter o bico”.

E acentuou “A União” que em Campina Grande: “o povo não tinha outras armas senão pedras”.
Enquanto isso declarava “A Província” de Pernambuco:

“A cidade de Campina Grande já foi três vezes accommetida. Ahi já não existe mais nenhuma autoridade, estando nesta capital o juiz de direito, o juiz municipal, o promotor publico, o escrivão e diversas pessoas da mesma localidade, que, ameaçadas de perderem a vida, para aqui correrem por caminhos desconhecidos.
As malas de um correio que seguia para o sertão, foram ahi arrebatadas pelos sediciosos”.

E em dias de dezembro, acrescia o periódico:

“Daquela Villa passaram-se os sediciosos para a de Pedras de Fogo, na Parahyba, e quebraram os moveis da casa da camara e os pesos e medidas das tavernas”.

Já um telegrama dirigido ao Recife, dava conta das desordens e da participação religiosa na questão dos pesos:

“Recife, 25 de novembro, 2 hs. da tarde. Recebem-se aqui a notícia de se haverem manifestado desordens na villa do Ingá e na cidade de Campina Grande. (...) O missionário Dr. Ibiapina anda por ahi e pelos sertões proclamando ao povo. O motivo que allegam os sediciosos, cujo número eleva-se a 1.000, é a questão religiosa e os novos pesos e medidas”.

Adiante outro diário comentava:

“Os grupos armados, no começo em pequeno número, augmentam rapidamente, e mais de 2.000 sediciosos já tinha invadido, além de Campina Grande e Ingá, as villas de Alagoa-Grande, Alagoa Nova, Independência, Pedras de Fogo, Pilar, as povoações de Salgado e Guenta e a cidade de Areas”

Mas a certo momento, parece que o levante tomava outro rumo, incerto, ao menos, na sua objetividade:

“Escrevem-nos da Parahyba em data de 4 do corrente:
Entretanto, cumpre-me dizer que actualmente estes acontecimentos irão tomando outra face, visto como, não sómente as agglomerações de povo tem-se reduzido muito, como também os desordeiros são em boa parte criminosos que se tem reunido para fazer depreciações e levar a effeito vindictas pessoais.
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Em Campina Grande arrombaram a cadeia e soltaram da primeira vez todos os presos em número de 17 sentenciados, sendo 10 criminosos de morte. Da segunda vez soltaram 9 sentenciados que se encontravam, sendo 2 criminos de homicídio e 1 de ferimentos graves.
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Conto que o presidente da província, graças às providências tomadas, poderá em breve comunicar ao governo o completo restabelecimento da ordem e da captura dos criminosos...”

Há muito custo o governo conseguiu conter o movimento. Na Parahyba, os órgãos governamentais se abstinham de tratar do ocorrido. Somente as folhas de Pernambuco e do Rio se atreviam a fazer oposição, imprimindo o que de fato acontecera, dito pelos seus correspondente ou voluntários que escreviam para os jornais.

A princípio, estas foram as nossas anotações. Mas as edições que cuidam do levante não se esgotam nessas poucas páginas e serão, a seu tempo, igualmente transcritas.

Referências:
- A NAÇÃO, Jornal político e comercial. Publicação da tarde de 19 de dezembro. Ano III. N. 281. Rio de Janeiro/RJ:1874
- A NAÇÃO, Jornal político e comercial. Publicação da tarde de 22 de dezembro. Ano III. Rio de Janeiro/RJ:1874.
- A PROVÍNCIA, Jornal. Órgão do Partido Liberal. Ano III, Nº 459. Edição de sexta-feira, 04 de dezembro. Recife/PE: 1874.
- A PROVÍNCIA, Jornal. Órgão do Partido Liberal. Ano III, Nº 461. Edição de domingo, 06 de dezembro. Recife/PE: 1874.
- A PROVÍNCIA, Jornal. Órgão do Partido Liberal. Ano III, Nº 463. Edição de quinta-feira, 10 de dezembro. Recife/PE: 1874

1 Comment

  1. Anônimo on 6 de setembro de 2012 07:54

    A primera nota escrita bem parece uma sequência de um filme cômico Francês: "Rififi(Bagunça) na Feira". kkk

     


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