Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Ele foi uma das figuras mais conhecidas da história da cidade de Campina Grande. Severino Bezerra Cabral, nascido em Umbuzeiro na Paraíba em 04 de dezembro de 1897, era filho de Salustiano Bezerra Cabral e dona Joaquina Bezerra Cabral.

Após transferir-se para a cidade que o consagraria politicamente, Campina Grande, logo enveredaria pelo caminho do comércio, chegando a dirigir uma firma, chamada “Oliveira Ferreira”.

Mesmo sem grande estudo, não foi impedido de ser pioneiro em algumas áreas, a exemplo da exploração do leite, ao fundar uma indústria chamada “Leiteria Celeste”. Também foi proprietário de uma indústria de beneficiamento de caroá e sisal, além de uma fábrica de tecelagem, chamada “Caruá”. Também atuaria no ramo automobilístico, com a agência de automóveis “Chevrolet S.B. Cabral e Cia”.

Foi fundador do “Banco Auxiliar do Povo”, sendo presidente desse órgão. Também participaria da “Associação Comercial”, igualmente presidindo-a. Sendo assim, sua ida para a política seria algo normal.


Cabral com Getúlio Vargas

Em 1959, seria eleito prefeito de Campina Grande. Nessa eleição em especial, receberia do tribuno Raymundo Ásfora, o apelido que levaria para o resto da vida: “Pé de Chumbo”. Num comício realizado na cidade, Ásfora queria dizer que “Seu Cabral” era um ignorante, um atraso, um PESO para Campina Grande. Entretanto, o apelido foi usado na campanha através de peças publicitárias, que traziam o “Pé de Chumbo” esmagando seus adversários. Resultado: uma vitória absoluta em cima de Newton Rique.

Na sua administração como prefeito, sem dúvida, o marco maior foi à construção do teatro da cidade. O jornalista José Nêumanne Pinto em seu site (www.neumanne.com), contou a engraçada história:

“... em visita a Salvador, ficou encantado com as linhas arquitetônicas do Teatro Castro Alves. Contratou um arquiteto, mandou que ele fosse à Bahia e copiasse o prédio, só que em dimensões reduzidas. Daí nasceu o Teatro Municipal de Campina Grande. Na hora de lhe dar nome, chamou o assessor especial para teatro, radialista Wilson Maux, e lhe encomendou uma lista de denominações. Este espremeu os miolos e listou os literatos mais famosos da cidade e do Estado, mas isso não satisfez o chefe.
        — Oh, seu Wilson, já vi que o senhor não entende nada de teatro. Nome de teatro tem de ter rima, rapaz.
        — Como rima seu Cabral?
        — Rima, ora essa. Não sabe rimar? Teatro Municipal patati patatal.
        — Sim, mas que nome rimaria?
        — Teatro Municipal Severino Cabral, seu idiota.
       — Mas, seu Cabral, o senhor nunca escreveu, dirigiu nem atuou em teatro nenhum. Por isso, não pode dar nome a um teatro.
        — Que besteira, esse menino! E Plínio Lemos jogava bola?
        É que o Estádio Municipal da cidade tem o nome do ex-prefeito Plínio Lemos.”


Construção do Teatro

Outras obras marcariam sua administração: Faculdade de Ciências Econômicas, Ginásio Municipal, a Padaria Municipal, o Sindicato das Indústrias, ampliou a rede Municipal de Ensino, pavimentou numerosas ruas, construiu os cemitérios de José Pinheiro (São José) e o do Cruzeiro (São Roque) e várias outras melhorias em nossa cidade, até o fim de seu mandato, ocorrido em 30/11/1963.

Cabral com Jânio Quadros

Em 1965, seria eleito vice-governador do Estado, que seria conduzido nos anos seguintes por João Agripino Filho. Por não ter se desvinculado de suas empresas em tempo hábil, não assumiu o honrado e importante cargo.

No ano de 1968, tentaria voltar a ser prefeito de Campina Grande. Em campanha histórica, foi derrotado por Ronaldo Cunha Lima. Existem várias passagens dessa eleição, que vez ou outra são contadas pela imprensa. Por exemplo, Júnior Gurgel do site www.noticiaspb.com.br, relatou a seguinte:

“A última campanha disputada pelo líder populista Severino Cabral, foram às eleições municipais de Campina Grande, ano 1968. Chamado de “pé de chumbo”, Cabral tinha uma tarefa difícil: enfrentar dois jovens candidatos. Um representando o Argemirismo, o Tribuno Vital do Rego, sobrinho do Senador Argemiro de Figueiredo. O outro, a juventude e os movimentos estudantis, Ronaldo cunha Lima. Destemido, Seu Cabral foi à luta. Visitou quase todas as casas, dos bairros populares de Campina Grande. Sempre espertos, os eleitores aguardam esta oportunidade, para fazerem seus “pequenos” pedidos. Telhas, tijolos, cimento, roupas, óculos e dentaduras representavam a demanda dos candidatos. Não se falava em dinheiro naquele tempo. O eleitor era “agradado” com coisas simples e materiais. Fechadas as urnas, indiciaram-se as apurações. Quatro longos dias, de ansiedade e angústia. No segundo dia, Seu Cabral sempre na frente na marcha das apurações (porém perdeu no final), estava trancado em casa, analisando a evolução dos mapas, ao lado do seu Vice, o saudoso Raimundo Ásfora. Bateram insistentemente na porta. Atenderam. Era uma mulher. Seu Cabral? Não está. Quase meia noite, abriu a porta, para que todos saíssem. A mulher ainda estava lá. Seu Cabral atendeu. “O senhor lembra-se de mim... Esteve lá em casa e me prometeu um milheiro de telhas...” Sei Vou atender. A Semana vindoura... “Mas Seu Cabral, sou pobre como o Senhor viu, três filhos, o marido paralítico em cima de uma cama, que só mexe com o pescoço...” Seu Cabral olhou bem para a mulher, e percebeu que ela estava grávida. “E este buchinho? “Indagou Cabral” À mulher respondeu: “Foi uma melhorazinha que o pobre teve”. Fato testemunhado e narrado pelo ex-Deputado Antônio Augusto Arroxelas.”

Outro “causo” sobre 1968 foi contado por Neumânne Pinto:

“Certa vez, seu principal adversário em Campina Grande, o senador Argemiro de Figueiredo, resolveu lançar contra ele numa campanha para a prefeitura um jovem deputado estadual pelo PTB, conhecido pela habilidade no uso das palavras. A sensação da campanha do rapaz, advogado em começo de carreira, eram seus discursos, todos metrificados e rimados, nos moldes dos repentes da poesia popular. Severino Cabral, que havia inovado ao contratar um marqueteiro profissional para a própria campanha e por consultar as intenções do eleitor em pesquisas, tomou conhecimento da preocupação da assessoria com o crescimento surpreendente e rápido do outro candidato.
       — O rapaz é poeta, seu Cabral — justificou seu marqueteiro.
       — Ora, então, o problema é fazer versos? Eu também sei fazer.
     E foi anunciado aos quatro cantos da cidade que “Pé de chumbo” versejaria no palanque do distrito de São José da Mata no domingo seguinte. Ele foi, subiu ao palanque e sapecou para a multidão emudecida:
       — Povo de São José da Mata,
       Mata de São José: ou São José me mata
       Ou eu mato São José.
     O silêncio de perplexidade prenunciou a derrota. O vencedor, Ronaldo Cunha Lima, seria deputado federal, senador e governador do Estado.”


Severino Cabral viria a morrer em 21 de março de 1970. Era casado com Anita de Assis Cabral, tendo com ela, três filhos. A cidade parou para acompanhar os últimos momentos de “Seu Cabral”. Um de seus filhos, Milton Cabral, chegaria a ser governador da Paraíba em 1986. Abaixo, uma reportagem do Diário de Pernambuco na época:



Abaixo, vejam um vídeo com imagens raras de Severino Cabral, que são do acervo de William Cacho:



ATUALIZAÇÃO EM 04/01/2017:

A leitora Raquel Medeiros gentilmente nos enviou os 'scans' abaixo, se tratando de uma das tradicionais lembrancinhas distribuídas em Missas de 7º Dia, neste caso do ex-prefeito campinense Severino Bezerra Cabral, tendo sido registrado seu falecimento em 21 de março de 1970.

"Minha mãe tem 93 anos e era na época comadre desse ilustre político da nossa cidade, organizando seus pertences encontro esse convite, que acredito ser de uma missa de sétimo dia, segue pra vcs imagem, abs Raquel"


 


Fontes Utilizadas:

Vultos Paraibanos – Moacir Andrade – EG Editora e Gráfica
Wikipédia
www.teatroseverinocabral.com.br
www.paraibaonline.com.br
www.noticiaspb.com.br
www.neumanne.com (Fotos e Causos)
www.diariodepernambuco.com.br
Documentário sobre Campina Grande – TV Borborema (Vídeo)

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