Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Açude Velho em uma das suas fotos mais antigas (data indefinida)

Há controvérsias a cerca da fundação de Campina Grande. Contudo, a maioria indica que esta se deva a um aldeamento dos Índios Ariús, trazidos por Teodósio de Oliveira Ledo (1697). Esta povoação integrava o litoral ao sertão, pela sua estrada que era a principal ligação com o oeste paraibano, freqüentada por viajantes, tropeiros e caixeiros, que foram os desbravadores destas terras.

As descobertas do Capitão-mór Teodósio foram relatadas em 1699,  ao Rei de Portugal pelo Governador da Província da Parahyba, Manoel Soares de Albergaria. Nestes termos:

Theodósio de O. Ledo
“Senhor: No princípio do ano de 97 veio a esta cidade o Capitão-mor do Piranhas e Piancó, Theodósio de Oliveira Ledo, e me informou o estado em que se achavam os sertões daquele distrito despovoados das invasões e destrago que os anos passados fizeram neles o gentio bárbaro Tapuia e que era muito conveniente, que estes se tornassem a povoar com gados e currais, assim pela utilidade que resultava a real fazenda de V. Majestade pelo crescimento dos dízimos, como pela conveniência de toda esta Capitania, pela muita quantidade de gados, que naqueles sertões se apresentam, e a abundância de pastos que neles há, para o que lhes era necessário que eu o ajudasse dando-lhe alguma gente e monições para nas ditas piranhas fazer arraial dar calor para se irem povoando; trouxe consigo Senhor uma nação de Tapuias chamados Ariús, que estão aldeados juntos aos Cariris, aonde chama Campina Grande, e querem viver como vassalos de V. Majestade e reduzirem-se a nossa fé Católica, dos quais é principal um Tapuia de muito boa raça e muito fiel, segundo o que até o presente tem mostrado chamado Cavalcanti, os quais foram com o dito Capitão-mor e quarenta carirys e dezesseis índios, que tirei das aldeias e dez soldados desta praça. Mandei-lhe concentrar as armas e dar-lhe quatro arrobas de pólvora e balas, a esse respeito, e quarenta alqueires de farinha e algumas carnes para viagem. Partiram nos primeiros de janeiro de 98: foi o dito Capitão-mór um religioso de Santo Antônio, a quem encomendei, muito particularmente, a conversão daquele gentio e o muito que se devia, em ganhar aquelas almas. Pela carta que o Capitão-mór me escreveu, que com esta vai, verá V. Majestade o bom sucesso, que Deus Nosso Senhor foi servido dar-lhe. Estou esperando pelo Capitão-mor para fazer outra entrada e me constar se vão ajuntando muitos gados para ir povoar o Piranhas, aonde se deve fazer o arraial para segurança daqueles povoadores e confusão do gentio. As quatro presas mandei entregar ao Provedor da Fazenda, que mandou rematar por quarenta mil réis. A Católica e Real pessoa de V. Majestade, guarde Deus muitos anos. Parahyba, 14 de maio de 1699. Manoel Soares de Albergaria”.

Segundo consta, os índios Ariús fixaram-se no lugar onde hoje é a rua Vila Nova da Rainha, nas proximidades do Riacho das Piabas (antiga rua do Oriente).

Theodósio retornou àquela campina um anos depois, onde construiu uma casa de taipa e uma igreja, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.

Não se tem ao certo o destino dos índios aldeados, mas acredita-se que houve uma miscigenação com os portugueses donde provém o nosso aspecto cultural e histórico.

Rau Ferreira
Fonte:

- ALMEIDA, Antônio Pereira de. Os Oliveira Lêdo... De Teodósio de Oliveira Lêdo – fundador de Campina Grande – a Agassiz Almeida – Constituinte de 1988. Brasília: CEGRAF, 1989.
- ALMEIDA, Elpídio. História de Campina Grande. João Pessoa: Editora Universitária/UFPB, 1978.
- ASSUNÇÃO, Luiz. O reino dos mestres: a tradição da jurema na umbanda nordestina. Pallas. Rio de Janeiro: 2006.
- CÂMARA, Epaminondas. Datas Campinenses. Campina Grande: RG Editora e Gráfica, 1998.
- CEARÁ, Revista do Instituto. Publicação Trimestral. Volume XVI. Ceará: 1902.
- JOFFILY, Irineu. Notas sobre a Parahyba: fac-símile da primeira edição (1892). Prefácio de Capistrano de Abreu. Editora Thesaurus: 1977.
- MEDEIROS, Tarcízio Dinoá. Freguesia do Cariri de Fora. S. Paulo: Gráfica Editora Camargo Soares, 1990.
- CÂMARA, Epaminondas. Os Alicerces de Campina Grande: Esboço Histórico-Social do Povoado e da Vila (1697 a 1864). Campina Grande: Edições Caravela, 1999.

7 comentários

  1. Rau Ferreira on 16 de novembro de 2011 12:11

    Caros amigos do RHCG,
    Adriano e Emmanuel.

    Agradeço a publicação do texto "Os Ariús de Campina" neste importante veículo.

    É com grande satisfação que leio sempre o blog, e mais quando posso dar a minha singela contribuição.

    Att.

    Rau Ferreira
    Blog HE

     
  2. Paulo Gomes on 16 de novembro de 2011 16:55

    É na persistência e resistência destes poucos e heróicos lutadores pela nossa cultura, que reside nossa única esperança de voltarmos a existir cultural e econômicamente. Parabéns e obrigado Sr.Rau Ferreia.

     
  3. Anônimo on 18 de novembro de 2011 08:00

    Prezados

    Este retrato de Teodósio de Oliveira Ledo é inédito.
    Qual a fonte dêle?

    Atenciosamente
    Alberto Cavalcanti

     
  4. Adriano on 18 de novembro de 2011 09:34

    Capturei direto do documentário postado neste tópico: http://cgretalhos.blogspot.com/2009/09/documentario-o-patrimonio-cultura-de.html

     
  5. Anônimo on 18 de novembro de 2011 21:00

    Prezado Adriano

    No ducumentario aparece uma gravura para ilustrar a narrativa da fundação de Campina Grande. Evidentemente é uma idealização, não se trata da figura de Teodosio de Oliveira Ledo.

    Atenciosamente

    Alberto Cavalcanti

     
  6. Adriano on 19 de novembro de 2011 07:53

    Caro amigo Alberto, olhe esse tópico: http://cgretalhos.blogspot.com/2011/06/reportagens-do-passado-em-1985.html . Na gravura, Theodósio de Oliveira Ledo é retratado de forma quase idêntica a imagem do documentário de professor Romulo Azevedo.

     
  7. Anônimo on 19 de novembro de 2011 19:40

    Caro amigo Adriano

    Nos dois casos o pintor imaginou como seria a aparencia fisica de Teodosio. E diferente de pintar um retrato olhando para o modelo.
    A imagem comumente atribuida a Tiradentes tambem é uma idealização.

    Atenciosamente

    Alberto

     


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