Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Campina Grande ao longo de sua história vivenciou grandes períodos de seca. Encontramos no jornal "Gazeta do Sertão" de 03 de abril de 1891, um desses momentos desesperadores de nossa história. Transcrevemos a seguir o texto publicado no lendário jornal de nossa cidade, tentando adaptá-lo a linguagem atual.

A Seca

Vai se tornando insuportável o sofrimento da população desta cidade.

Há muito que está esgotada a fonte Louzeiro; e a do Sousa, onde se abastece as pessoas, que dispõe de qualquer recurso, está a secar. São as únicas que existem aqui, de água verdadeiramente potáveis e ambas pertencentes a particulares.

Nem mesmo temos em quantidade suficiente a água salobra do riacho das Piabas. A população pobre, de noite e de dia, a toda hora, não deixa de um só momento as cacimbas, que apenas destilam gota a gota um líquido insalubre, que mal sacia a sede.

Em 1877, o ano terrível, que ainda está na memória de todos, Campina não sofreu a sede, mais agora está passando.

Passou o mês de Março e entrou o Abril sem que até hoje (2), caísse uma chuva que viesse mitigar esse sofrimento do povo e da criação em geral. O desanimo vai se tornando geral, não somente pela falta de água, como também pelas notícias aterradoras que chegam do alto sertão.

Em data de 22 do mês passado de Março, escreveu-nos da Vila Misericórdia, o tenente Ciriaco Ferreira de Sousa: "Estamos em frente de uma horrível seca. Já é passado o tempo das chuvas; os açudes estão secos; as nossas criações estão morrendo e parece que se acabarão. Os gêneros alimentícios estão subindo de preço às carreiras e já há bastante fome".

Na verdade se o flagelo que em 1791 assolou esta parte do norte do Brasil fizer o seu centenário, como fez a seca de 1777, muito mais horrorosas serão as cenas que se há de presenciar; porque a Paraíba é hoje dez vezes mais populosa, sem possuir mais recursos do que outrora.

É fúnebre o futuro que se aproxima.

Acautele-se o povo e cumpra o governo o seu dever que nunca soube cumprir.


O que nos causou uma espécie de espanto ao se ler esta crônica foi o fato do Açude Velho que foi construído em 1830, aparentemente não servir para saciar a sede dos campinenses daquela época. Sabemos que durante as secas de 1845 e 1877 ele resistiu bravamente, retendo águas suficientes para acudir às urgências da calamidade. Porém, não temos informações do que ocorreu em 1891.

Uma das fotos mais antigas do Açude Velho

O jornal “Correio de Campina” em 1824 recuperou a importância do manancial, hoje ponto turístico da cidade: “O Açude Velho torna-se mais e mais digno da solicitude dos poderes públicos. Nossas prensas hidráulicas, nossa iluminação elétrica, nossos trens, nossas indústrias, tudo depende de sua existência. É sua água, realmente, que satisfaz tamanhas necessidades, possibilitando esses largos surtos de progresso, de que justamente nos orgulhamos. Se uma de suas paredes se partisse, inutilizando-o estaríamos com a vida do nosso meio social pertubadíssima, quase aniquilada”.

O Anuário de Campina Grande do ano de 1982, também se preocupava com a grave poluição do Açude Velho, conforme se pode visualizar nos “scans” abaixo (cliquem para ampliar):


Que legal seria um projeto de revitalização do Açude Velho. Com a palavra, os poderes públicos.

1 Comment

  1. Rau Ferreira on 31 de outubro de 2011 10:25

    Excelente reportagem de cunho histórico, escrita à época pelo desbravador do Sertão, Dr. Irineu Ceciliano Pereira Jóffily.
    Creio ter lido neste periódico (Gazeta do Sertão), que a água do açude precisava ser saneada. Aqui, ficou bem mais esclarecido.
    parabéns, inclusive pelo título de Utilidade Pública conquistado recentemente pelo RHCG.

    Att.

    Rau Ferreira
    Blog HISTÓRIA ESPERANCENSE

     


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