Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?

Por: Severino Lopes (Transcrito do Diário da Borborema), 
com inserções feitas pelos editores do RHCG



De longe, é possível ver uma imensa cortina de fumaça formada nos céus da cidade. As chamas atingem mais de 300 metros de altura. Minutos depois, dezenas de viaturas partem em alta velocidade e atravessam as ruas que dão acesso ao aeroporto Presidente João Suassuna, em Campina Grande, com as sirenes ligadas. A pista tem que ficar livre para não atrapalhar o socorro das vítimas. Tudo parece real. As equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros, PRF, polícias Civil e Militar correm contra o tempo para realizar o resgate das vítimas de uma tragédia aérea. Os feridos, alguns com fraturas expostas, são transportados para os hospitais da cidade. Os "mortos" são levados para UML.

Felizmente, tudo não passa de um exercício de emergência aeronáutica Completo realizado pela Infraero para aferir o plano de emergência do aeroporto. No exercício feito com o máximo de realismo e o emprego de técnicas usadas nas das produções cinematográficas, é simulado a queda de uma aeronave com 15 passageiros a bordo. Ao cair na pista do João Suassuna, o avião explode, provocando um grande incêndio, essa é a idéia.

Ficção e realidade fazem parte da história do aeroporto Presidente João Suassuna. Há 50 anos, aconteceu o maior acidente com a aeronave na cidade. A tragédia aconteceu em uma noite sombria de sexta-feira, 5 de setembro de 1958.

O avião de prefixo LDX do Lóide Aéreo Brasileiro caiu nas proximidades do Serrotão, a dez quilômetros do centro da cidade, matando 13 pessoas e deixando vários passageiros feridos. Entre os sobreviventes do maior acidente aéreo registrado em Campina Grande, estava o comediante cearense Renato Aragão, o Didi. Na época, Renato Aragão não era famoso. Ele era apenas um estudante de Direito que morava em Fortaleza e estudava em Recife.

O avião com 40 passageiros a bordo partiu do Rio de Janeiro. A chuva forte, neblina densa e iluminação precária foram apontados como fatores que contribuíram para a tragédia. Segundo apuraram as autoridades da época, o avião caiu após o piloto ter feito, sem sucesso, várias tentativas de pouso na pista do aeroporto João Suassuna.

Como estava chovendo, a pouca visibilidade atrapalhou o piloto. Após realizar algumas evoluções, a aeronave perdeu a altura, caindo sobre um roçado à margem esquerda da BR-230, no Serrotão. Entre os mortos, estavam o comandante e a telegrafista do avião, um médico, um arquiteto e um gerente do Banco do Brasil.

Resgate

O resgate das vítimas foi feito por policiais do Corpo de Bombeiros para os hospitais Pedro I, Pronto Socorro e Ipase. "Eu lembro que foi grande a correria na redação do jornal. As fotos eram terríveis", recordou o jornalista Joel Carlos, que na época trabalhava como repórter do Diário da Borborema.

Testemunha do acidente ajudou no socorro às vítimas


Aos 82 anos, o agricultor Francisco Basílio da Cunha, provavelmente a única testemunha viva do acidente com o LDX do Lóide Aéreo Brasileiro, revelou que no final tarde e começo da noite de 5 de setembro de 1958, ajudou os bombeiros a juntar os pedaços das vítimas da tragédia aérea. "Seu Chico" como é chamado o agricultor, tinha 32 anos no dia do acidente. Ele disse que naquele sombrio final de tarde, começo de noite, estava na roça com enxada na mão limpando mato, quando ouviu um forte estrondo.

O agricultor, que morava na fazenda Edson do Ó, localizada no Serrotão, saiu correndo e se deparou com os estragos. O avião, segundo ele, havia se partido em três partes com o impacto. Os passageiros atirados para fora, alguns despedaçados. Francisco foi uma das primeiras pessoas a se aproximar do local onde ocorreu a tragédia. Ao ver o avião despedaçado e os mortos e feridos, Francisco Basílio saiu correndo e foi chamar o seu pai, José Ribeiro da Cunha.

Minutos depois, chegou a guarnição do Corpo de Bombeiros, comandada pelo sargento José Rulfino. A cena era muito forte. Mesmo com a memória falhando devido o tempo, Francisco relembra as horas de horror. Francisco disse que ajudou os bombeiros a juntar os mortos. O pai dele também ajudou os bombeiros no trabalho de resgate.

Os feridos foram levados para os hospitais de Campina Grande em estado grave. Como o local era de difícil acesso, os bombeiros tiveram muita dificuldade para fazer o resgate.

Falando com dificuldade, Francisco Basílio, hoje aposentado, relembra que no dia da tragédia muitas pessoas se aproveitaram para saquear o avião carregando objetos pertencentes aos passageiros.

O agricultor, que tem cinco irmãos, sendo que apenas dois estão vivo, disse que passou toda a sua vida lembrando da tragédia. Casado pela segunda vez, pai de seis filhos, todos morando em São Paulo, Francisco Basílio não tem dúvida de que ele é uma das poucas testemunhas vivas do maior acidente aéreo ocorrido em Campina Grande. "Muitas pessoas que viram o acidente já morreram. Eu estou aqui, até quando Deus quiser", brincou.

A agricultora Maria José Gomes da Silva era criança no ano da tragédia. Ela conheceu Francisco Basílio anos depois e cresceu ouvindo as histórias de heroísmo do agricultor.

No local exato em que aconteceu o acidente foi construído um oratório e uma cruz onde muitas pessoas rezam e pagam promessa. O local foi batizado de "capela do avião". A agricultora Maria José dos Santos Oliveira, uma das mais antigas moradoras do Serrotão, é uma das pessoas que costuma rezar na capelinha construída no local da tragédia aérea.

Reportagem da TV Itararé sobre o acidente:







No dia 26/12/2010 a Rede Globo de televisão exibiu o especial "Nosso Querido Trapalhão", no qual fora contada a trajetória da vida do comediante Renato Aragão. Abaixo, o vídeo do inédito depoimento de Aragão sobre o acidente::


6 comentários

  1. Unknown on 30 de novembro de 2016 09:21

    Retoques da notícia: Devo esclarecer, para O bem da História, que o avião que caiu no Serrotão, dia 5 de Setembro, foi da VARIG e não do Loide Aéreo... E quem está na Foto é o empresário campinense Dr. Otto Muniz, Diretor Presidente da Caranguejo, que viajava no avião e graças a Deus saiu ileso.... Face ao acidente, nesse ano foi cancelado o Desfile de 7 de Setembro (Por sinal, o Avisão sinistrado) trazia em sua carga vários instrumentos para a Banda do Colégio Estadual da Prata... A maioria dos acidentados foram levados para o Pronto Socorro e Hospital do IPASE...

     
  2. BlogRHCG on 30 de novembro de 2016 09:28

    Agradecendo, sempre, aos comentários que enriquecem nossas postagens mas, segue outro link com recortes que tratam da reportagem original, remetendo a aeronave PP-LDX à Loide Aéreo Brasileira. Otto Muniz estava sim, entre os 40 passageiros, e seu depoimento no vídeo postado é emocionante.

    http://cgretalhos.blogspot.com.br/2014/09/recorte-o-globo-desastre-aereo-em.html

     
  3. BlogRHCG on 30 de novembro de 2016 09:39

    LÓIDE AÉREO INFORMA: aPENAS DOZE MORTOS NO DESASTRE COM SEU AVIÃO
    https://4.bp.blogspot.com/-RTOEtf9sWyE/VCVbDtJhs6I/AAAAAAAAEyI/Jo5Not2o1yY/s1600/Loide1958a.jpg

     
  4. Marshal lion on 2 de dezembro de 2016 21:29

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  5. Marshal lion on 2 de dezembro de 2016 21:32

    Meu falecido Avô, na época com 12 anos de idade, saiu do bairro Jeremias até o local do acidente, acompanhando uma multidão que seguia para bodocongó. Em meio ao tumulto ele disse ter encontrado um revólver, possivelmente de algum policial, ao desfilar com ele na mão, foi rebatido por alguém do exército, assim disse ele. O mesmo havia saído para comprar farinha e carne, voltando apenas no outro dia, ao chegar na mercearia encontrou o dinheiro dentro da lata no balcão onde havia deixado no dia anterior, o fato le rendeu uma boa surra do meu bisavô. Meu Avô que foi o único pai que conheci, me contava sempre essas histórias. Morreu aos 65 anos em 2012, foi uma das testemunhas desse acidente!

     
  6. Anônimo on 3 de dezembro de 2016 18:15

    Tenho um irmão que na época tinha 11 anos e era coroinha da igreja Nossa Senhora do Perpetuo Socorro que junto com meu pai foram um dos primeiros a chegar ao local. Ele disse que chovia muuuuuito e já era quase 7hs da noite. Ele disse que foi escalado junto com outro coroinha a ajudar o padre a dar extrema unção aos que estavam morrendo. Ele conhece muito desse triste episódio.

     


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