Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

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Conteúdo padrão em qualquer exame de vestibular, as Revoltas ocorridas no Brasil Colonial são destacadas, cada uma, pela sua peculiaridade tal, porém inseridas, todas, no contexto de movimentos de repúdio ao Império Brasileiro.

Uma dentre essas Revoltas foi a Revolta de Quebra-Quilos.

No dia 14 de Novembro de 1874 foi deflagrado, na feira de Fagundes, como era chamada a feira livre de Campina Grande, o movimento popular contra a adoção do novo sistema métrico implantado na Colônia, através da Lei Imperial nº 1157, de 1862, somente entrando em vigor em 1872, com a promulgação do Decreto Imperial de 18 de setembro. O sistema tratava-se do modelo métrico decimal francês, até hoje em uso no nosso cotidiano: quilo, metro, litro...

Os comerciantes da época detiam-se de métodos rústicos no sistema tradicional de medidas expressas em palmos, jardas, polegadas ou côvados, e o peso das mercadorias calculado em libras, "cuias" e arrobas. E a nova determinação impunha uma convergência drástica desse método até certo ponto empírico, para um padrão internacional de pesos e medidas que, além da dificuldade natural da adaptação, os consumidores e comercianes, já penalizados por uma crise econômica e social, desconfiavam que estavam sendo enganados, pois não conseguiam conferir as quantidades nem os preços das mercadorias, que se elevaram pela inclusão do custo do aluguel ou compra dos pesos utilizados nas balanças e dos novos impostos adotados.Um dos impostos que provocaram a ira dos revoltosos foi o chamado "imposto do chão", cobrado àqueles que expunham suas mercadorias no chão da feira.

No dia em que se realizava a tradicional feira livre semanal em Campina Grande, uma orda de revoltosos desceu a Serra de Bodopitá (região onde hoje estão Galante e Fagundes) e invadiu o comécio quebrando as novas ferramentas fornecidas para prática métrica.

Em meio ao tumulto que se instalara, a polícia tentava em vão conter a inssurreição quando o delegado local fora atingido por um “tijolo” de rapadura, arremessado pelo comerciante popular João Vieira, o Carga D’água, considerado um dos líderes do movimento. A partir daí, fora tumulto generalizado à base de pauladas e pedradas.

O povo dominou os policiais e rumou por entre a feira quebrando os novos utensílios de métrica, como os quilos, as balanças, litros, jogando-os às águas do Açude Velho, por onde se extendia a feira livre.

A multidão, liderada por Manoel de Barros Souza, conhecido como Neco de Barros, e também por Alexandre de Viveiros,  subiu a Rua Vila Nova da Rainha em direção ao “centro”, onde arrombaram a cadeia pública, soltando os presos, em seguida invadiram a Câmara Municipais e os cartórios locais, queimaram livros e arquivos públicos (um dos objetivos de Alexandre de Viveiros era se livrar das provas de crime que lhe denunciava).

Este fato levou o então presidente da Câmara, Bento Gomes Luna a reunir toda sua família e se refugiar em sua propriedade rural, o sítio Timbaúba.

O movimento expandiu-se aos municípios vizinhos, onde o ‘modus operandi’ fora repetido provocando pânico e desordem em Cabaceiras, Pilar, Areia, Alagoa Grande, Alagoa Nova, Bananeiras, Guarabira, São João do Cariri e outros lugares onde se realizavam as feiras.

Passaram-se alguns dias até que movimento fosse sufocado pelo auxílio da guarda do Governo Imperial, solicitada pelo Barão do Abiahy, presidente da Província da Paraíba, durante a época da revolta.

Em Campina Grande, a Rua Augusto Severo já foi a Rua João Carga D’água mas, no final dos anos 40, um alemão que lá morava arrancou a placa com o argumento de que “...não morava em uma rua com nome de um negro.”

4 comentários

  1. Anônimo on 21 de novembro de 2009 10:21

    Devido a proximidade, será que existem registros de que a Revolução do "Quebra-quilos" tenha chegado até Esperança?

    Rau Ferreira
    Blog: "História Esperancense"
    http://historiaesperancense.blogspot.com

     
  2. mario3at on 6 de dezembro de 2009 16:10

    João Carga D'água está sepultado no cemitério do Monte Santo, na alameda principal, do lado esquerdo, antes do cruzeiro existente naquele cemitério. Há uma placa que faz referência à sua participação no "Quebra Quilos".

     
  3. Augusto Henrique on 18 de maio de 2011 12:07

    A revolta do quebra quilo não pode ser chamada de revolução, pois não almejava tomar o poder e não era de caráter separatista.


    Corrigindo aquele comentario de cima!

     
  4. ProRural Consultoria e Reprodução Animal on 24 de fevereiro de 2017 14:13

    Boa tarde, gostaria de saber se conheceu o grego, que tinha um bar em João Pessoa, na rua Barão do Abiahy. Chamavam-no de Lui e à esposa Léo.
    Fico aguardando seu contato.
    Grata.

     


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