Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Quem acompanhou as missas do Convento de São Francisco, localizado no bairro da Conceição em Campina Grande, isso entre a segunda metade dos anos 80 até o fim dos anos 90, sempre se deparou com um Frei estilo bonachão, às vezes duro, às vezes simpático, mas que sem dúvida nenhuma marcou aqueles que tiveram o privilégio de assistir as suas missas, principalmente aos domingos.

Convento de São Francisco – Imagem do Acervo de William Tejo

Era Frei Lauro Schwarte, cujo nome de Batismo era Johann e que nasceu em Drolshagen, na Alemanha em 04 de dezembro de 1935.

Frei Lauro

Como se pode notar, Frei Lauro nasceu na época do Nazismo. Vivenciou, portanto em sua infância, o auge e decadência do nefasto regime implantado por Adolf Hitler. O blog “Zezito” (http://jrzezitopb.blogspot.com.br/) relatou algumas das memórias do Frei da sua Alemanha nazista: “Apesar de contar naquela época com apenas sete anos de idade, Frei Lauro guardava com ele em sua memória todos os fatos degradantes da Segunda Guerra Mundial, vendo parentes, vizinhos e amigos que se foram para lutar na guerra e não mais voltaram e notícias diárias de mortes e desaparecimentos na pequena cidade de Drolshagen, cuja tragédia final o mundo conhece. Foi forçado muitas vezes a deixar a sala de aula e correr para os abrigos a fim de se proteger dos bombardeios. Também nessa época, o Governo Alemão confiscou para fins militares todas as instalações escolares...”

No ano de 1945, Frei Lauro interrompeu seus estudos e começou a trabalhar no campo. Eram tempos de fome e pobreza.

Após o fim da Guerra, conseguiu retomar seus estudos, completando o equivalente no Brasil ao ensino médio.

Em 1959 entrou para a Ordem Franciscana na Alemanha e no ano seguinte, após realizar algumas atividades franciscanas por alguns países, acabou desembarcando em Recife, quando iniciou seus ensinos superiores na cidade de Olinda.

No ano de 1964 recebeu o Diaconato. Em 65 foi ordenado Sacerdote e em 66, escreveu o livro “Cristo Amigo” em parceria com Frei Boaventura Goldstein e Frei Vito Carneiro constituído de reflexões e orações dirigidas à juventude. 

Entre os anos de 1967 a 1975 foi vigário em Fortaleza, até ser transferido para Sergipe, quando iniciou uma de suas paixões, o Radioamadorismo sob prefixo PP6ABR.

“Cartão QSL confirmando o primeiro contacto que mantive com o Frei Lauro Schwarte no dia 11 de março de 1985 quando ele ainda operava de Aracajú, Sergipe, com o então prefixo PP6ABR”
(Por Edmilson Rodrigues do Ó, Rádioamador PR7CPK)

Em 1985 finalmente chegou a Campina Grande, para ser pároco do Convento de São Francisco. Na Paraíba, Frei Lauro fez inúmeros amigos, sobretudo com a colônia Radioamadores local já operando com o prefixo paraibano PR7OFM.

Foi eleito presidente do CLUBE DE RADIOAMADORES DE CAMPINA GRANDE – CRCG o qual foi por ele administrado durante quase toda a década de 1990 tendo inclusive reformado a sede.

As Missas de Frei Lauro no Convento de São Francisco foram inesquecíveis, sobretudo por seus duros sermões, em que criticava alguns programas da televisão, que segundo ele, provocava o desvirtuamento da família, citando-se nesse panorama o programa de Hebe Camargo, que era duramente criticado pelo Frei.

Em 1999, foi passar férias na sua Alemanha. Sua saúde estava debilitada, quis voltar ao Brasil, mas os médicos não deixaram. Em 03 de novembro desse ano, veio a falecer e foi sepultado no Convento de Bardel, na Alemanha. A sua morte comoveu o povo campinense, sobretudo os seus paroquianos e a comunidade radioamadorística do planalto da Borborema. 

Em Campina Grande recebeu algumas homenagens: Foi “Cidadão Campinense” e foi distinguido com a Medalha de Honra, concedida pelo Clube dos Dirigentes Lojistas (CDL) de nossa cidade; também foi honrado com o nome de uma escola de formação técnica e profissional em Campina Grande, por ele criada. Postumamente, foi reverenciado com a denominação de uma Rua em Campina Grande.

Quis o destino que Frei Lauro não voltasse ao seu amado Brasil e ao Convento de São Francisco, que ele tanto gostava. Porém, sem dúvida nenhuma, FREI LAURO é mais um “retalho” da história de Campina Grande.

Convento de São Francisco em 2012

Fontes Utilizadas:

-Acervo de Edmilson Rodrigues do Ó, PR7CPK
-Acervo Pessoal
-Blog de Marcelo Gurgel (http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com.br/)
-Blog de Zezito (http://jrzezitopb.blogspot.com.br/)

13 comentários

  1. Mônica Torres on 7 de julho de 2013 12:22

    Que bela foto. Essa construção é majestosa apesar da simplicidade franciscana.

     
  2. Anônimo on 7 de julho de 2013 16:38

    Frei Lauro era engraçado

     
  3. Anônimo on 7 de julho de 2013 20:18

    Me lembro demais! Nas missas quando algum fiel insistia a conversar em voz alta, o mesmo parava seu sermão e dava uma bronca daquelas, as crianças morriam de medo de Frei Lauro, mas ele era gente boa! Ele fez muito pela paróquia do São Francisco, que Deus o guarde em um bom lugar!

     
  4. Anônimo on 8 de julho de 2013 14:51

    O Frei criticava duramente Hebe e o engraçado que a mesma era muita religiosa mais precisamente muio católica.

     
  5. walmir chaves on 9 de julho de 2013 11:27

    Não acho nada edificante que um frade assute as crianças e critique duramente aos seus país!!!rsrs

     
  6. Anônimo on 11 de julho de 2013 07:49

    é meu amigo a verdade não é bonita não

     
  7. Rafael Gomes de Sousa Rolim on 27 de dezembro de 2014 18:46

    Tenho fotografias de Frei Lauro e com Frei Lauro ( na epoca morava no bairro da conceiçao). Apesar de pequeno, ainda recordo das duras reclamações direcionadas as pessoas que conversavam durante a celebraçao rsrs.

     
  8. Marcelo Gurgel on 31 de outubro de 2015 21:27

    Caro colega blogueiro,
    Sou Marcelo Gurgel Carlos da Silva e venho tentando entrar em contato como você há tempos.
    Organizei o livro "Frei Lauro Schwarte e os anos iluminados do Otávio Bonfim", que foi lançado com excelente repercussão em Campina Grande.
    Agora, para celebrar os 80 anos do nascimento de Frei Lauro estou organizando um novo livro, que será lançado em Fortaleza, em 4/12/2015.
    Eu gostaria de incluir na obra a sua presente postagem e peço a sua autorização e os seus créditos (nome e profissão).
    Aguardo resposta para o e-mail: marcelo.gurgel@uece.br
    Abraços.
    Marcelo Gurgel

     
  9. Valfrêdo Farias on 4 de outubro de 2016 21:48

    Grande Frei Lauro!!! Ele que realizou nosso casamento em 1993 e na sua fala destacou os cuidados que deveríamos ter com as crianças e "o caixa do bruxa", numa alusão à televisão e seus perigos, principalmente no programa de Hebe Camargo. Figuraça!!!

     
  10. Valfrêdo Farias on 4 de outubro de 2016 21:49

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  11. Flavio Felix on 5 de outubro de 2016 17:58

    Convivi quase que diariamente com uma das pessoas mais caridosas que já conheci, tão grande era o seu coração, passei os melhores dias de minha mocidade ouvindo seus conselhos. Mesmo quando saí de Campina Grande no final do ano de 1990, sempre que visitava Recife, passava no quartel onde servia e junto aos demais coroinhas. Lembro como se fosse hoje, uma das datas mais tristes da minha vida, o momento em que tomei conhecimento da sua partida.

     
  12. Flavio Felix on 5 de outubro de 2016 17:58

    Convivi quase que diariamente com uma das pessoas mais caridosas que já conheci, tão grande era o seu coração, passei os melhores dias de minha mocidade ouvindo seus conselhos. Mesmo quando saí de Campina Grande no final do ano de 1990, sempre que visitava Recife, passava no quartel onde servia e junto aos demais coroinhas. Lembro como se fosse hoje, uma das datas mais tristes da minha vida, o momento em que tomei conhecimento da sua partida.

     
  13. Aparecida Souto on 5 de outubro de 2016 20:31

    Fui leitora no Convento São Francisco entre os anos de 1990 e 1993, sempr tinhamos medo de perguntar qual seria a leitua (acredito que muitos lembrem que raramente eram lidas as duas leituras no domingo),certa vez me botaram para perguntar, entrei na sala dos coroinhas e perguntei: Frei Lauro hoje é a primeira ou segunda leitura? Ele me respondeu com um sonoro Bom dia menina, poracaso dormiu comigo ? Já que eu não havia dado Bom dia, nunca esqueci e desde então não entro sem dar um Bom dia em lugar nenhum. Fiquei muito triste quando tive de vir morar em Natal,

     


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