Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa

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Reminiscências do Pio XI

Nos desfiles do Dia Sete
nenhuma banda compete
com nossa banda marcial.
Chovendo ou fazendo sol,
com ladinha no tarol
era um show especial!

(Ronaldo Cunha Lima)


Uma instituição de ensino em que ícones da história de Campina Grande estudaram, como por exemplo, Félix Araújo, Evaldo Cruz, Evaldo Gonçalves, Ronaldo Cunha Lima, Austro França, Amaury Vasconcelos, Chico Maria, dentre outros notáveis. Claro que estamos falando do Pio XI.


O “Externato Pio XI” foi fundado em 07 de abril de 1931 pelo vigário José Medeiros Delgado, situando-se em salões anexos da Igreja Matriz (Catedral). Seu primeiro diretor foi o Padre Antônio Costa e pelo fato de seu patrono ser o Papa Pio XI, que aniversariava no dia 31 de maio, a data ficou homologada como a data festiva do colégio.

José Medeiros Delgado
O Pio XI funcionou na Catedral da Avenida Floriano Peixoto até o ano de 1932, transferindo-se para um prédio em construção na Rua João Pessoa, que foi doado por José Joaquim da Costa Leite (José Padre).

O Colégio Pio XI funcionou na Catedral
Entre 1931 e 32, o Pio XI manteve o curso infantil, primário e admissão, quando a partir de 06 de fevereiro de 1934, obteve a equiparação ao Pedro II, instituição do Rio de Janeiro. Agora, seria permitida ao colégio a inspeção federal para efeito de validade dos exames relativos às disciplinas do curso secundário.

"A 6 de fevereiro de 1934, o Colégio Diocesano Pio XI foi equiparado ao Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro. Foi sua Exa Revma. Senhor Dom Adauto Henriques que, secundado pela cooperação do ilustre paraibano Dr. Alcides Carneiro junto à Divisão do Ensino Secundário, que a conseguiu. Nessa época, foi nomeado, também, Primeiro Inspetor Federal do referido Colégio Pio XI, o Padre José de Medeiros Delgado" (UCHÔA, 1964, p. 385).

No ano de 1934 assumiu o segundo diretor do Pio XI, o padre Francisco Lima, que teve como vice-diretor o diácono José Barros e como secretário o professor Severino Loureiro. Professores da época: padre Álvaro Gabino, padre Francisco Lima, padre Odilon Pedrosa, Ariel Tavares, Dr. Inácio Mayer, Severino Loureiro e sargento Heráclito Rios.

Padre Francisco Lima

Tempos depois, o padre Francisco Lima transferiu-se para João Pessoa e foi à vez do Padre Odilon Pedrosa assumir a diretoria da agremiação estudantil.

Padre Odilon Pedrosa, ao centro. Ao seu lado direito está o professor Antônio de Oliveira.
Os demais são alunos do Colégio Pio XI devidamente fardados
Foram concluintes da primeira turma do Pio XI: Genival Torreão, Vinicius Agra Porto, Degmar Fernandes, Galileu F. de Carvalho, dentre outros.

Em 09 de abril de 1942, o decreto-lei federal número 4244 determinou que as escolas do país, que mantivessem cursos ginasiais, receberiam a denominação “Ginásios”.

Em 1946, após as diretorias de Francisco Lima e Dr. Odilon Pedrosa, foi à vez de Emídio Viana assumir a direção do Ginásio Pio XI. Chico Viana em seu texto intitulado “Lembranças do velho Pio XI” (www.chicoviana.com), fez importantes revelações sobre seu parente, o padre Emídio: “Graças a uma carta de minha avó, mulher religiosa e que se correspondia com várias autoridades da igreja, Emídio conseguiu, da diocese, autorização para explorar o ensino naquele colégio. Ele dirigia e o restante da família, inclusive o meu avô, o completava na administração ou no magistério”.
Padre Emídio Viana Correa

Ainda segundo Viana: “O velho Pio XI funcionava num prédio imenso, com um primeiro andar semi-abandonado cujo piso era revestido de madeira. Numa das alas desse primeiro andar morava o padre, sozinho. O restante era composto de espaços mortos, com restos de carteiras, birôs, quadros-negros – lembranças de cursos que não existiam mais. Um desses espaços era ocupado por uma biblioteca esparramada e quase desfeita, com títulos atraentes como Os três mosqueteiros, Os miseráveis, O Corcunda de Notre-Dame".

“O padre Emídio era gordo, avermelhado, e ostentava na voz e no porte essa qualidade preciosa num educador, e sobretudo num diretor de escola, chamada força moral. Os alunos queriam tudo, menos ouvir aquele chamado característico: ‘Caboclo!’ – e ter que se explicar na diretoria. Ali, diante da batina inflexível, ninguém ousava sequer gemer. O padre impunha respeito e silêncio. Um dos pavores da gurizada era, por mau comportamento, ficar em pé, de castigo, numa saleta anexa ao gabinete do diretor. A expectativa de que Emídio, passando por ela, olhasse e visse o rosto do indisciplinado, atemorizava mais do que o esqueleto que ali se guardava para as aulas de anatomia”, relembrou Viana. 

Foi na época de padre Emídio, que as salas de aula da escola se tornaram “mistas”. Até então, mulheres estudavam nos períodos diurnos e os homens à noite.

Nesta foto pode-se ver o Pio XI e sua bela estrutura (Acervo Mario Vinicius Carneiro Medeiros)

Em 1951, o acesso ao Colégio pela Rua João Pessoa foi definitivamente fechado, ficando a partir de então, apenas o acesso pela Rua Getúlio Vargas, conforme esclarecimento do pai do historiador Mario Vinicius Carneiro Medeiros (colaborador do RHCG), Mário Carneiro da Costa, que foi ex-estudante do colégio: “Não é que o Pio XI funcionasse na Rua João Pessoa. Havia um portão de entrada ali, mas as instalações já eram aquelas que conhecemos. No que tange à data, segundo ele (pai do historiador), foi no ano de 1951, uma vez que ele ainda era estudante ali quando houve a mudança. Foi fechado o acesso pela Rua João Pessoa e aberto o da Getúlio Vargas”, relatou professor Mário ao blog “RHCG”.


Alunos do Colégio Pio XI nas aulas de educação física (Acervo de Mario Vinicius Carneiro Medeiros)

Itan Pereira
O quinto diretor da instituição seria o ex-reitor da Universidade Estadual da Paraíba, o polivalente Itan Pereira. "O colégio representou um papel fundamentalíssimo na história de Campina. Era uma verdadeira universidade, juntamente com o Colégio Alfredo Dantas e o Colégio das Damas", contou Itan em entrevista a Arimatéia Souza do Jornal da Paraíba.

Coube a Itan a missão de modernizar o “velho Pio XI”. Porém, os graves problemas financeiros já preocupavam a instituição, cabendo a Rádio Caturité, algumas vezes, injetar dividendos monetários no Educandário. Para os que não sabem, a Rádio Caturité é de propriedade da Igreja Católica.

Foi na época de Itan Pereira ainda, a implantação de uma unidade no bairro do Catolé, que algum tempo depois seria fechado.

Turma Infantil do Pio XI em 1971 (Acervo de Soahd Arruda Rached Farias)

Logo após seria a vez da gestão do padre Genival Saraiva (1975 a 1978), que segundo Arimatéia Sousa: “facultou a utilização de parte do prédio para o funcionamento do Curso de Comunicação Social da extinta Universidade Regional do Nordeste (atual UEPB). Ainda nessa época, o professor Jacques Milfont, chegou a dirigir o Colégio, rapidamente.

No começo dos anos 80, a diretoria do Pio XI era composta da seguinte maneira: diretor-presidente: bispo diocesano de Campina Grande; secretário: Padre Lourildo Soares da Silva; tesoureiro: Severino Rodrigues e Silva; diretoria executiva: diretora Adelzira Sobreira Cariry; vice-diretor: Euclides Gomes da Costa; secretária: Cleide Ribeiro Pereira; tesoureira: Rosa Pastora; coordenadora do segundo grau: Áurea Santiago Costa; coordenador do Departamento de Educação Física: Francisco das Chagas; e coordenadora do primeiro grau e relações públicas: Teresa Maria Madalena de Lira Vieira Braga.

O Pio XI no começo dos anos 80

Após a primeira mulher que dirigiu o colégio, Adelzira Cariry, foi a vez do professor Cipriano Martins tomar as rédeas da instituição.
A ex-aluna da instituição Soahd Arruda Rached Farias com o pavilhão do Pio XI em 1983

A tradicional escola campinense atravessou boa parte dos anos 80 e 90, sem a força de outrora, mas conseguiu chegar ao novo milênio que se iniciou para alguns em 2000, tentando resgatar o sucesso do passado na gestão do diretor Manoel Félix Neto. Exemplo disso foi o jornal que o Colégio editou na época e que destacamos abaixo (cliquem para ampliá-los):








Contribuição de André Rufino Santino

Em 2001, quando a escola completou seus 70 anos, patrocinou um folder bem moderno:


Contribuição de André Rufino Santino

Porém, o fim estava próximo, devido principalmente a grave crise financeira que estava assolando a instituição. Observem um dos últimos registros da escola funcionando abaixo:


O Pio XI encerrou suas atividades em 2004. Um triste e melancólico fim para uma instituição de ensino que formou líderes da história campinense, deixando um legado inigualável para a educação paraibana.

Prédio do Pio XI em 2010

Em 2011, se ainda estivesse ativo, seriam comemorados os 80 anos da instituição.

OBSERVAÇÃO:

Nos próximos dias, ainda retornaremos ao assunto “Pio XI”, com depoimentos e fotos de ex-alunos da instituição.


Fontes Utilizadas:

-Arquivos de André Rufino Santino, ex-aluno do Pio XI
-Diário da Borborema (Arquivo)
-Jornal da Paraíba (Arquivo)
-www.chicoviana.com
- www.colegiodaprata.xpg.com.br
-UCHÔA, Boulanger de Albuquerque. Subsídios para a história eclesiástica de Campina Grande (Paraíba). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1964.
-Depoimento do historiador Mario Vinicius Carneiro Medeiros
-Suplemento Fragmentos Históricos -William Tejo (Painel-Jornal da Paraíba)
-Arquivos de Soahd Arruda Rached Farias, ex-aluna do Pio XI
-Anuário de Campina Grande 1982

13 comentários

  1. Ludy on 27 de agosto de 2011 22:58

    O fechamento desta grandiosa escola foi de uma perda, incalculável!

     
  2. gustavo ribeiro on 29 de agosto de 2011 17:57

    Também sou ex aluno do PIO XI. Na época, 1976, a professora Yara Macêdo, atavés de fusão com seu cursinho pré vestibular EPUC, dividia a direção do Pio XI com Padre Genival. Yara administrava todo o científico do colégio. Existiam duas áreas específicas: Saúde e Engenharia. Depois, no final da década de 70, seria fundado pela mesma educadora, o CEPUC, em prédio próprio na rua Floriano Peixoto. Saudades do velho Pio XI.

     
  3. Honório Pedrosa on 30 de agosto de 2011 16:30

    Fui aluno do PI XI do Admissão(fazia-se prova para entrar) ao Pre-vestibular, 1ª turma do EPUC(de Yara. Fiz grandes amigos que até hoje tenho o prazer de conviver e alguns que já se foram e outros que moram e trabalham nos recantos do Brasil.
    Me lembro de Padre Emidio, Padre Geroncio, Crispim e outro que me falha a memória, que eram fiscais, Dona Odete, Dona Teresa Madalenas Braga, etc.
    GRANDES LEMBRANÇAS E SAUDADES.
    Abçs. Honório Pedrosa

     
  4. Anônimo on 14 de dezembro de 2011 20:28

    Fui Professor da Instituição por mais de 13 anos (1987 - 2002),durante esse tempo, ensinei e aprendi. Entre as lições aprendidas, duas não esqueço: a da verdade e a da justiça. Em relação aos últimos anos de funcionamento de nossa Escola (PIO XI), a verdade é que as "colunas" que ainda sustentava essa tão importante casa de Educação estavam representadas na pessoa de Prof. Célia Loureiro, que muitas vezes abdicou de seus proventos de Professora Universitária aposentada para que não ficássemos sem salário. A prova dessa realidade foi a decadência da Escola após sua morte. Nada do que seja dito contrário ao meu depoimento faz sentido, ela sim, tinha compromisso com a Educação e não fazia da Escola cabide de emprego, fato que levou o Colégio à ruína. Seria eu, injusto, se concordasse com o esquecimento de Prof. Célia, Prof.Dário, e outros Professores e Funcionários que não abandonaram o barco como Paulinho, Saly, Geny e a equipe docente da época entre 1987 e 2002. Atenciosamente, Admirador do Blog.

     
  5. Anônimo on 16 de fevereiro de 2012 00:42

    Falou tudo, professor! Oro a Deus pra que um dia uma boa alma tenha coragem e condições financeiras de reerguer essa linda instituição de ensino que tanto me orgulho de ter estudado. Sonho ainda em dar a oportunidade e o privilégio aos meus futuros filhos de estudarem na instituição de ensino que eu tive a rica oportunidade de conhecer e fazer parte como presidente do grêmio, da rádio interna, das bagunças nas feiras de ciências, dos lindos e disputadíssimos jogos internos... Pra Deus nada é impossível! Deus abençoe a todos.

     
  6. Grace Ribeiro on 31 de março de 2012 22:28

    Uma saudade enorme revendo essas fotos e essa história! Dá pra reviver um pouco os 11 anos da minha vida nesse maravilhoso colégio, onde aprendi toda a base da minha educação e da minha vida. Só tenho a agradecer por todos que fizeram parte desta história.

     
  7. ERICA MONTENEGRO - Professora e Cordelista on 1 de abril de 2012 20:24

    Fui professora do Pio XI durante quatro anos, já no fim de sua existência e posso dizer que lutamos contra o fechamento da Instituição, mas, para nosso desespero e tristeza, isso não foi possível. Tenho vontade de chorar quando passo pela frente do prédio e ainda vejo os corações nas janelas do 1º andar, pois lembro-me como se fosse hoje, do dia em que os coloquei lá... Muitas saudades! E muita revolta por ver esse pedaço da história de Campina Grande e também da minha história, desaparecer, ruir com o tempo!

     
  8. lahyaoliveira on 1 de abril de 2012 20:43

    Engraçado ler o comentário da Érica Montenegro, hoje minha colega de trabalho na Prefeitura do Recife e descobri que, de alguma forma, temos um passado em comum.
    Cresci entre os muros do Pio XI, literalmente porque minha mãe foi funcionária de lá, e grande parte do que aprendi de valores, fora do ambiente familiar, aprendi lá.
    Hoje sindicalista, foi assistindo as aulas do professsor Adoniran que comecei a prestar atenção nas questões políticas que fazem parte da nossa vida.
    Saudades, imensas, de todos os professores que fizeram parte deste meu crescimento pessoal.(Elaine Oliveira)

     
  9. Katharina Pech (Alemanha) on 2 de abril de 2012 04:39

    Foi uma das mais boas experiencias da minha vida estudar naquele colegio com o pessoal muito legal. Beijos da Alemanha

     
  10. Anônimo on 30 de novembro de 2012 21:35

    Criei um pagina no facebook para juntar os ex-alunos e funcionarios do *finado* Pio XI, todos estao convidados a se juntar ao grupo. Espero voces la:
    http://www.facebook.com/colegiodiocesanopioxi

     
  11. Anônimo on 10 de janeiro de 2013 14:23

    O PIO XI era um colégio que tinha tudo para dar certo, embora seu fim tenha sido o resultado de um longo processo, não posso deixar de ver como responsáveis algumas pessoas. Inclusive um "ditador" que hoje parasita outros estabelecimentos de ensino nessa cidade.

     
  12. Anônimo on 18 de junho de 2013 16:35

    12.Anônimo on 18 de Junho de 2013 16:34
    É profundamente lamentável o fim de um colégio tão tradicional como o PIO XI.

     
  13. Anônimo on 1 de dezembro de 2013 06:05

    Nao se esqueça de demonstrar seu carinho pelo Pio Xi na nossa pagina no face: https://www.facebook.com/colegiodiocesanopioxi

     


 
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