Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

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A Wallig Nordeste tinha como acionista maior, o industrial paulista Werner Wallig, que aceitou o convite do prefeito de Campina Grande , Newton Rique, para instalar aqui uma filial de sua indústria de fogões domésticos em 1967. A empresa pertencente ao Grupo Wallig do Rio Grande do Sul (surgida em Porto Alegre em 1904), possuía uma das mais modernas fábricas do Nordeste, que era localizada na Rua João Wallig, 1979, no Distrito Industrial de Campina Grande. Ocupava uma área de 23.000 metros quadrados.
Arthur Costa e Silva, presidente da República, inaugurando a Wallig em 10 de agosto de 1967
 
O então governador João Agripino examinando a linha de montagens dos fogões Wallig
 
O presidente Costa e Silva e demais autoridades, observam os operários produzindo fogões na Wallig
 
Durante sua existência em Campina Grande, fruto de excelentes incentivos fiscais, a Wallig Nordeste chegou a ter uma fabricação de 22.500 unidades por mês, chegando a gozar de alto conceito por parte dos revendedores e inclusive com exportações para o continente africano. Cabe aqui salientar, que a empresa em sua versão nordestina, era altamente rentável.
 
Em 1972, a indústria de fogões “Cosmopolita” entrou em processo de falência no Estado de São Paulo. Fabricando os mesmos modelos de fogões da Wallig Nordeste, a empresa paulista conseguiu recursos do Governo Federal, tendo como subsidiária a Wallig, que a partir de então, teve de destinar os seus recursos para a Cosmopolita, perdendo assim seu capital de giro.
 
Desta forma, a Wallig assumiu todos os débitos da Cosmopolita. Mesmo assim, ainda conseguiria recursos para uma expansão da empresa de Campina Grande, através da SUDENE. Todavia, os recursos seriam desviados para a sede de São Paulo, para arcar com os débitos que cresciam assustadoramente. Some-se a isso, o fim dos incentivos fiscais que o governo estadual concedera a Indústria.
 
 Um chaveiro da antiga Wallig
 
Ainda ocorreriam tentativas por parte do Banco do Estado da Paraíba, do Banco do Nordeste e do Banco do Brasil, de facilitar empréstimos para que assim, a empresa tivesse certo alívio financeiro. Até a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba tentou de todas as formas, ajudas governamentais para a Wallig.
 
A empresa acabou encerrando suas atividades em 17 de setembro de 1979, trazendo um alto índice de desempregados a nossa cidade, quando cerca de 1.500 empregos diretos e indiretos foram perdidos. A própria Wallig sul encerraria suas atividades em 1980.

Wallig quando ainda estava em pleno funcionamento
 
Em visita a Campina Grande, o presidente João Figueiredo chegou a prometer a reabertura da fábrica, fato que nunca ocorreu. O industrial cearense Edson Queiroz (fogões Jangada) tentou algumas investidas para comprar a Wallig Nordeste. Percebendo a grave situação financeira da organização (tinha um passivo de 1 bilhão de cruzeiros), desistiria de seu intento.
 
No ano de 1982, o Ministro Delfim Netto afirmou o seguinte: “nós fizemos tudo para manter aquilo funcionando. Tudo, tudo, tudo. Simplesmente ela não é rentável. Não fomos nós, não, foram os empresários que fizeram aquilo. Eles fizeram tudo. A Wallig recebeu recursos a custo zero; recursos a menos 125; a menos 284; recebeu tudo o que era possível. Simplesmente, ela não pode prosseguir na sua atividade; ela não é viável. A Wallig era uma grande empresa no Brasil todo. Começou no Rio Grande do Sul e depois se estendeu por todo o Brasil. Ela não teve condições de se sustentar. E, no caso particular da Wallig Nordeste, foi feito um empenho especial”.
 
A partir de então, durante boa parte das décadas de 80 e 90 do século passado, a Wallig seria alvo de promessas de quase todos os candidatos a prefeitos de Campina Grande, que insistiam que se caso eleitos, reabririam a empresa.

Local da antiga Wallig em imagens de 1986
 
Em 2006, através do “Condomínio Industrial Wallig”, utilizando os antigos galpões da empresa no Distrito Industrial, 16 empresas de vários setores fabricariam móveis e colchões; mangueiras de PVC; peças de plástico e computadores.
 
 O então governador Cássio Cunha Lima na inauguração de 2006

Fontes Utilizadas: 
Gazeta do Sertão (Coleção)
Diário da Borborema (Coleção)
Revista Veja (Coleção)
Anuário de Campina Grande – 1980 – Grafset Ltda
Anuário de Campina Grande – 1982 – Grafset Ltda

7 comentários

  1. Jobedis Magno de Brito Neves on 25 de julho de 2010 20:46

    A Wallig era uma indústria que fabricava fogões que fechou suas portas deixando um equipamento fantástico e super bem localizado em ruínas. O fechamento foi uma grande causada por falencia da empresas. Já se tinha rumores do fechamento da unidade em Campina Grande na época. Com a crise econômica eles se aproveitaram para dar férias coletivas para os trabalhadores e fazer a transferência da produção na surdina para o seu estado de origem o Rio Grande do Sul. O fechamento não teve nada haver com a crise econômica. Eles simplesmente aproveitaram a crise para demitir os trabalhadores e causar um caos em Campina. Eles estavam aqui a pelo menos 10 anos com isenções fiscais e quando acabou eles resolveram fechar. No governo de Cassio Cunha Lima o mesmo transformou o predio da antiga Wallig em um condomínio industrial com 16 empresas (foi todo reformado e após a ocupação do lugar). O condomínio de empresas beneficiadas pelo local passaram a fazer sua autogestão..

     
  2. Edmilson Rodrigues do Ó on 24 de outubro de 2013 22:00

    Eu fui integrante do corpo funcional da Wallig Nordeste desde a sua implantação em 1967 como titular da Secretaria Geral da Superintendencia que na época era exercida pelo gaúcho Dr. Paulo José Berta Becker. Posteriormente, fui transferido para o Departamento de Acionistas a quem competia processar a distribuição de dividendos em forma de ações a todos os aplicantes de recursos fiscais na forma dos Artigos 34/18 regulamentados pela SUDENE. Foi exatamente naquela oportunidade quando eu pude me inteirar do grande desvio de recursos da Wallig Nordeste em favor da sua congênere em Porto Alegre, a Metalúrgica Wallig. Não obstante a sua grandeza e o respeito do qual era merecedora, no entanto o seu desempenho mostrava visivelmente uma curva decrescente. Em 1972 solicitei desligamento e pouco tempo depois ela encerraria suas atividades, deixando, dentre outras, o rastro de um plano fracassado que tinha como meta o desenvolvimento do nordeste mediante a aplicação de recursos ficais na forma estabelecida nos Art. 34/18 regulamentado pela SUDENE em parceria com o Banco do Nordeste. Tudo não passou de um arrojado projeto fracassado.

     
  3. neusa rolim on 23 de janeiro de 2015 18:40

    Fui funcionária dessa empresa e perdi minha carteira profissional, alguem sabe onde estão os depositados os registros ou arquivos? Tenho saldo FGTS e não consigo receber. E-mail: rolyn_neusa@yahoo.com.br. obrigada.

     
  4. eliomar batista de lima on 19 de junho de 2015 09:51

    fui funcionaria dessa empresa de 1974 a 1976 fui atleta na empresa.





















     
  5. Anônimo on 19 de julho de 2015 13:51

    Fui funcionaria do depto de compras e pedi demissão em 1974,trabalhei com Antonio Carlos de Abreu, Neusa, Oscar...pessoas magníficas. Marcaram minha vida.
    Célia

     
  6. neusa rolim on 23 de julho de 2015 11:09

    Estou tentando receber fundo de garantia, mas, perdi a carteira profissional, se alguem souber quem é o depositário da empresa em São Paulo, por favor me informar. Obrigada.

     
  7. Marcelo on 25 de agosto de 2016 01:57

    Minha mãe possui ações da empresa Wallig Nordeste SA. Essas ações ainda valem algo? Alguém poderia me ajudar com essa informação?

     


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