Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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O Algodão tem fator decisivo na história de Campina Grande. Através do chamado “Ouro Branco”, a cidade tornou-se conhecida nacionalmente, a ponto de rivalizar até com grandes cidades internacionais.

Homem segurando o Sisal - Foto em Campina Grande nos anos 60

Com a chegada do Trem a cidade, Campina Grande sofreu um grande crescimento habitacional. Exemplo disso é que em 1907, existiam 600 casas e depois do Trem, 1800. Dessa forma, com a facilidade do transporte de cargas que até então eram feitas através de jumentos, o comércio foi impulsionado e em conseqüência disso, o progresso da cidade.

Conhecida como a “Liverpool” brasileira, a cidade era o segundo pólo de comércio de algodão do planeta e é de consenso histórico, que se a Paraíba tivesse a época um porto do tamanho do de Recife, Campina Grande seria a primeira no ranking mundial do comércio de Algodão e até poderia ser uma das maiores cidades do Nordeste.

A SANBRA era uma firma especializada em produtos como o agave, óleo e artigos comestíveis, além de trabalhar com o próprio algodão. Instalou-se em Campina Grande em 1935, sendo filial da empresa argentina “Bunge Y Born”, criada em 1884. 

Registro histórico da Sanbra

A empresa argentina começou seus negócios no Brasil, primeiramente em Santos, no Estado de São Paulo. Em 1923, adquiriu a empresa pernambucana “Cavalcanti & Cia.”, que originou a “Sanbra”, a “Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S.A.”.

Comercial de um dos vários produtos da Sanbra

Logo que a empresa se instalou em Campina Grande, ocorreu um grande desenvolvimento local, pois próximo à indústria foram sendo criados vários comércios, gerando riqueza para uma cidade que não parava de crescer. O local era uma verdadeira cidade, gerando vários empregos diretos e indiretos.

Fábrica de óleos da SANBRA em Campina Grande em 1957

"Evidentemente que ao chegar aqui, a Sanbra representou um marco na vida econômica da cidade. A Sanbra investiu não só no setor de comercialização do algodão, mas no setor de transformação trabalhando com a fabricação de óleo de caroço de algodão e pasta para gado. Ela não era apenas um depósito. Era uma grande empresa que ofereceu muitos empregos. De todas as Sanbras da rede distribuída por todo Nordeste, a maior era a de Campina Grande”, disse o historiador Gervásio Batista Aranha em reportagem do Diário da Borborema.

Escritório e depósito da SANBRA em Campina Grande em 1957

Ainda segundo essa reportagem do Diário da Borborema, realizada pelo jornalista Severino Lopes, “outra multinacional, a Anderson Clayton, aportou na cidade na época causando impacto na economia local e atraindo comerciantes e grandes firmas exportadoras. Todas foram obrigadas a se modernizar e investir para não correr o risco de ser engolida dentro do processo de competição”.

Uma das principais teorias para o declínio do comércio do algodão em Campina Grande, foi o fato que após a quebra da bolsa em 1929, os grandes produtores de café de São Paulo optaram por outros tipos de lavouras, entre elas o cultivo do algodão. A concorrência foi fatal para uma cidade que não tinha como aumentar sua produção, em virtude de não ter como exportar em larga escala, em virtude dos problemas portuários aqui já citados.

A praga do Bicudo, até hoje muito mal explicada, foi o “tiro definitivo” no outrora grande comércio de algodão em Campina Grande. A Bunge resolveu deixar a cidade em definitivo, trazendo um grande prejuízo para a região. Reconhecidamente, Campina Grande nunca mais conseguiu substituir a força impulsionadora do “ouro branco” e seus governantes não conseguiram obter um sucesso satisfatório nas várias tentativas de se ter uma alternativa econômica. Entre 1983 e 1990, até que o “Maior São João do Mundo” através do turismo de eventos, pareceu ser a solução, todavia, não chegou nem perto da força do Algodão da primeira metade do século XX.

A Bunge completou em 2005, 100 anos de Brasil, sendo hoje uma verdadeira potência, pois atua em várias divisões como processamento de soja, fertilizantes, mineração e vários outros ramos, inclusive em instalações portuárias. No Brasil controla a Bunge Alimentos, a Bunge Fertilizantes e a Fertimport e mantém a Fundação Bunge.

Voltando a Campina Grande, infelizmente, hoje o antigo prédio da Sanbra está à deriva. Leiam o que disse o jornalista Severino Lopes: “o prédio da Sanbra em ruínas esconde um passado glorioso. Depredado e enfeando a cidade, ele já foi símbolo de poder e de prosperidade tendo se instalado aqui na época
em que Campina Grande era um império do algodão. Quem passa por ele todos os dias na Avenida Assis Chateaubriand, na Liberdade, e conhece um pouco da importância histórica e cultural da empresa não se conforma. As paredes sujas e depredadas, o mato alto que o cobre e o teto com estrutura velha comprometem a história de um período próspero que reinava na Serra da Borborema”.

Ruínas do que restou da outrora poderosa Sanbra

Fontes Utilizadas:

-Livro do Município de Campina Grande – 1984 - Unigraf
-http://famiglia.barone.nom.br
-http://www.bunge.com.br
-Diário da Borborema
-http://www.flickr.com/photos/lucianaurtiga/



8 comentários

  1. rômulo azevêdo on 6 de março de 2012 21:42

    A legenda da primeira foto é equivocada.
    Na verdade o homem está segurando fios de sisal, e não de algodão.

     
  2. Paulo Gomes on 7 de março de 2012 17:10

    Este "post" colocou o dedo na ferida que procuramos esconder e que nos nossos piores pesadelos, ainda e sempre nos amedronta. Volta o velho fantasma do "já foi". Já fomos isso, aquilo, aquilo outro, etc, etc.... Mas o que somos hoje? e o que seremos amanhã? Ruinas melancólicas como estas e tantas outras? Hoje não temos mais o "ouro branco", o que temos então? ou que teremos ou precisamos ter? Será esta a nossa sina? "Estala arreio marvado. Recordar hoje é teu lema...."

     
  3. Anônimo on 8 de março de 2012 18:27

    Hoje não temos mais o Ouro Branco, temos o Onigrat(rs rs rs)

     
  4. Anônimo on 23 de dezembro de 2012 17:01

    Sou do Rio Grande do Sul, arquiteto e construtor. Ao fazer a demolição de um prédio antigo em Porto Alegre, encontrei algumas unidades de Óleo de Caroço de Algodão YaYá produzido pela Sambra e distribuído pelo Frigorífico Wilson do Brasil. Gostaria de algum contato para saber qual a importância do produto visto que não encontrei nada na internet a respeito. Me coloco a disposição. Márcio. marciosander@terra.com.br

     
  5. domingos rodrigues martinez on 6 de julho de 2014 13:43

    Meu pai francisco rodrigues martinez ja falecido trabalhou na sanbra 1950 a 1960.na cidade de adamantina sp.

     
  6. Leoni Soares on 9 de janeiro de 2016 12:02

    Bem interessante a história. Comentando sobre a SANBRA com minha esposa acabamos por descobrir que o avô dela, de sobrenome Carr, americano sulista (confederado) que saiu no pós guerra da secessão americana, vindo a se instalar em Santa Barbara d'Oeste em São Paulo, foi participar da implantação da empresa em Campina Grande. Retornando a São Paulo, casado e com filhos pequenos que se instalaram novamente no interior Paulista.

     
  7. Anônimo on 15 de abril de 2016 19:15

    Fui funcionario da Sanbra em C. Grande de 1961 a 1965.

     
  8. Conceição Rodriguez Guisande on 31 de julho de 2016 17:00

    Senhores meu pai foi um dos responsáveis pela montagem da SANBRA em Campina Grande. Ramon Rodriguez Solla, espanhol, casado com Olga Guisande, também espanhola, falecido em 2014. Chegou na SANBRA em 1958 e ficou até 1969. Em 1959 sofreu na SANBRA um acidente de trabalho que resultou na perda de um braço que nunca foi indenizado pelo grupo. Este ano estou lançando o seu livro de memórias, ditado por ele.Assim sendo, gostaria se possível localizar pessoas da época para colher informações para adicionar ao livro. Ele cita alguns amigos da época Sr. Dias,Sr. Filadelfo. Agradeço a Todos por nos dar o prazer de reviver essa época que nos deixou tantas saudades. Conchita Rodriguez Guisande

     


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