Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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Faleceu, na noite desta quarta-feira 24 de fevereiro de 2016, em Campina Grande, o empresário Fernando Marques de Almeida, aos 93 anos.

'Seu Fernando', como era conhecido, nasceu em 15 de fevereiro de 1923, filho de Dyonisio Marques de Almeida. Era uma figura ímpar; simpático, carismático, ético e solícito. Apesar da idade, não se entregava ao enfado e mantinha-se em constante movimento, incluindo o tradicional almoço de domingo em família no Restaurante La Costa.

A família Marques de Almeida representa uma História de grandes investimentos no setor industrial da Campina Grande de outrora, tendo na Indústria Têxtil Marques de Almeida e a Fábrica de Sabão Pernambucana, dois desses exemplos, fundadas pelos irmãos Dyonísio Marques de Almeida (seu pai) João Marques de Almeida (tio) . 

Fernando Marques de Almeida integrou o Conselho Diretor da FIEP até o ano de 2014 quando, por sua contribuição à Federação, recebeu Medalha de Honra ao Mérito e recebeu do atual Presidente, Francisco Buega Gadelha, a seguinte declaração, em seu discurso:

 “Devo a Fernando Marques a oportunidade de chegar nesta Casa (FIEP), ainda como estagiário. Com ele aprendi muito e por isso lhe serei sempre grato. O que Fernando Marques fez pela indústria em nosso Estado será memorizado e contemplado por muitos anos. Um exemplo é a conclusão deste prédio sede da nossa Federação das Indústrias entregue em suas mãos apenas com a concretagem armada, porque a empresa potiguar que conduzia a obra faliu. E ele com toda a sua competência que sempre lhe foi peculiar, deu sequência aos trabalhados até o fim com muita maestria. Posteriormente, foi confiada a ele a construção do Centro de Atividades Dionísio Marques de Almeida, no município de Patos, onde ele também mostrou a sua expertise administrativa”.


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Indústrias Marques de Almeida, em Campina Grande:

Fachada voltada para as Boninas (Anos 50)

Vista aérea da Indústria Marques de Almeida: Boninas, Rua Getulio Vargas (ao fundo),
vendo-se também parte do interior do Colégio das Damas e o famoso Bar Ferro de Engomar, 
no início da Rua Rui Barbosa.

Fotos: Livro "Memorial Fiep"

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Encontrada em edição da Revista "O Cruzeiro" de 1938, um comercial da firma "Marques de Almeida & Cia". Colaboração de Edival Toscano Varandas:


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Fábrica de Sabão Pernambucana

A Indústria Marques de Almeida & Cia, que detinha entre seus negócios a Fábrica de Sabão Pernambucana, em Campina Grande, era dirigida pelos irmãos João Marques de Almeida e Dionysio Marques de Almeida, e foi inaugurada no dia 7 de setembro de 1925.

A fábrica tinha três grandes divisões em suas instalações, ocupava 2.700 metros quadrados, e estava localizada na atual Rua Getúlio Vargas.

Os irmãos João e Dionysio Marques de Almeida

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Série: "Annuário de Campina Grande 1925" (Parte 7/RHCG)
Gentilmente cedido pelo colaborador Jônatas Rodrigues
Por Jonatas Rodrigues

Fachada da Fábrica: Rua Getúlio Vargas

A primeira indústria têxtil criada em Campina Grande localizada na Rua Félix Araújo, centro da cidade, foi a Comércio e Indústria Marques de Almeida S/A. Indústria essa especializada em fiação e tecelagem. 

Segundo algumas fontes que pesquisei, a empresa foi fundada em 1922, com seu primeiro "apito" acontecendo em 5 de outubro de 1925, outras fontes mencionam 1923. Mas, segundo uma data gravada no fronte no alto do prédio de acordo com fotos antigas, está registrado 1933, hoje esta data não existe mais. (Gostaria que alguém tivesse a certeza de sua inauguração)

Fundada pelo Indústrial Dionísio Marques de Almeida (1891-1974), pernambucano que aqui chegou proveniente da Patos. Sua primeira indústria fundada foi a Fábrica de Sabão "A Pernambucana", localizada também no mesmo largo das Boninas, junto com seu irmão, João Marques de Almeida, em 7 de setembro de 1925.

Parte de trás da Fábrica: Rua Félix Araújo - Boninas

A fábrica convergiu grande parte da população pobre da cidade, tomando seu corpo de operários. Com o crescimento rápido da empresa adquiriu através da White Martins S/A, representante da Plattes Brothers, uma fiação completa, propiciando então o fabrico de fios de algodão para redes. Com esta nova maquinaria importada, a Empresa ampliou sua produção. Entre o maquinário vale salientar que além de adquirir a Plattes Brothers daquela fiação, o Sr. Dionísio da Empresa norte-americana General Electric e a S.K.F. parte da maquinaria e um motor Ruston de 150 HP, tudo pelo custo de 200 contos de réis. Na década de quarenta a empresa adquiriu um motor mais potente um Fairbanks Morse com 200 HP. 

Alentado pelos sucessivos lucros obtidos na indústria e no comércio, de vez que a indústria já constituía tradição exemplo de tradição e honradez de segurança em seus empreendimentos a indústria campinense.

A empresa como mencionado antes, localizava-se na rua Félix Araújo, ocupando um espaço físico de cerca de meio Km, o Sr. Dionísio não precisou de uma equipe técnica de engenharia para que fosse edificado o referido prédio. O próprio industrial Dionísio Marques de Almeida, arquitetou e foi construtor desta esplêndida obra, imaginando que ia erguer o prédio de sua base até seu andar superior, com uma infra-estrutura própria para a fábrica. 



Este edifício com frontal de linhas retas simples em estilo eclético, comportava no largo espaço do andar superior um alinhamento de janelões ornados de esquadrias salientes. Janelas que facilitavam a entrada de luz e ar, refrescando o local, e dava-lhe uma aparência suntuosa. No andar térreo encontra-se janelões idênticas ao andar superior e portas em arcos, completando a bela estrutura arquitetônica.

Também o Sr. Dionísio construiu duas grandes cisternas para o abastecimento d'água da empresa, já que  Campina Grande não dispunha de um sistema eficaz de abastecimento, para o pleno funcionamento da indústria.

Anos se passaram, e infelizmente a grandiosa empresa cerrou suas portas em abril/maio de 1983, vítima de uma política mal planejada pelos tecnocratas que serviam ao governo federal da época. É triste afirmar que indústrias de nossa cidade cerraram as portas em piores condições devido a falta de subsídios do governo Federal da época, desempregando um grande número de trabalhadores. Uma indústria com a importância da Comércio e Indústria Marques de Almeida S/A, não poderia deixar de ter sua história contada neste blog.  

Fonte de vários trechos do texto: Marques de Almeida: A Primeira Indústria Têxtil de Campina Grande, Emília Nogueira da Silva. Especialização em Teoria da História e Metodologia do Ensino da História. Centro de Educação - CEDUC. Campina Grande - 2003. 




Mais uma arte gráfica produzida pelo Colaborador Jônatas Rodrigues, que através do Google Sketchup 8 'restaurou' um dos prédios Históricos ainda de pé em Campina Grande.

"Trata-se da saudosa e imemorial "Comércio e Indústria Marques de Almeida S/A". A arte gráfica se baseou na época em que o prédio foi concluído, ou seja, em 1933, como atesta a data no alto de seu frontispício (a partir de fontes de fotografias da época). Belíssimo prédio, construído e idealizado pelo seu dono o Sr. Dionízio Marques de Almeida, com frontal de linhas retas simples em estilo eclético, comuns nos prédios industriais em início do século XX. Comportava no largo espaço do andar superior um alinhamento de janelões ornados de esquadrias salientes. Janelas que facilitavam a entrada de luz e ar, refrescando o local, e dava-lhe uma aparência suntuosa. No andar térreo encontra-se janelões idênticas ao andar superior e portas em arcos, completando a bela estrutura arquitetônica.

Nos anos quarenta foi acrescido uma parte alpendrada, voltada para a Rua Getúlio Vargas, um "puxadinho", para melhor compartar novos maquinários e parte comercial do prédio. A indústria cerrou suas portas em maio de 1983, deixando saudades a todos que trabalharam nela e uma imensa lacuna na economia e história campinense."

Leiam mais sobre a Indústria Marques de Almeida CLICANDO AQUI e AQUI TAMBÉM!

Fábrica de Sabão Pernambucana

A Indústria Marques de Almeida & Cia, que detinha entre seus negócios a Fábrica de Sabão Pernambucana, em Campina Grande, era dirigida pelos irmãos João Marques de Almeida e Dionysio Marques de Almeida, e foi inaugurada no dia 7 de setembro de 1925.

A fábrica tinha três grandes divisões em suas instalações, ocupava 2.700 metros quadrados, e estava localizada na atual Rua Getúlio Vargas.

Os irmãos João e Dionysio Marques de Almeida

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Série: "Annuário de Campina Grande 1925" (Parte 7/RHCG)
Gentilmente cedido pelo colaborador Jônatas Rodrigues

Nos entremeios da história empreendedora campinense se destacam personagens que ousaram na capacidade de tecer fios, alargar horizontes que transcenderam a acumulação econômica e engendraram contribuições sociais, políticas e culturais ao cosmopolitismo da Rainha da Borborema.

Luiz Soares de Araújo é um desses personagens. Nascido no Sítio Alto em Boa Vista, munícipio de Campina Grande-PB, no dia 27 de novembro de 1893, filho de Lindolfo Soares de Araújo e Sebastiana Augusta Pereira de Araújo; sendo o sétimo de oito filhos do casal. Descendente, na oitava geração, do fundador de Campina Grande, Teodósio de Oliveira Lêdo. Fez suas primeiras letras e o curso primário em Boa Vista, trabalhando de dia na roça (cultivando a terra) e estudando à noite.

Veio para Campina Grande com 15 anos, com o propósito de melhorar de vida. De início, empregou-se na loja de tecidos de Horácio Cavalcanti. Depois, foi trabalhar na loja de Francisco Afonso.

Casou-se em 07 de julho de 1916 com Maria Stella Gomes de Araújo, sua prima, tiveram seis filhos, sobrevivendo três: Fleury, Fleurysa e Fleunylda.

Após casar-se, abriu uma loja de tecidos (Loja Estrela) na antiga Rua dr. João Leite, Rua das Areias, atual Rua João Pessoa, que ficava onde anos adiante funcionaria a Movelaria Pernambucana, hoje os Bancos Itaú e HSBC. Logo a seguir tentou negociar com algodão, na cidade de Soledade e proximidades, que era o seu grande desejo. Como não deu certo, resolveu voltar em 1917, para continuar com a loja de tecidos, que manteve até 1925.

Em 1926, resolveu partir de vez para o ramo do algodão, passando a receber e estocar o produto que vinha do Sertão no lombo de burros, num armazém que construíra junto à sua residência, na Trav. Luiz Soares, nome dado por existir apenas essas duas construções, e que também se chamara de Rua Santos Dumont e, atualmente Rua Miguel Barreto, viela que passou a ser assim denominada, devido a ser só mato, com apenas as duas citadas construções. A venda do algodão lhe rendia bons dividendos, após sua classificação.

Negociou durante 20 anos. Aposentou-se aos 46 anos por recomendação médica. Comercializou em uma das melhores fases do algodão, em Campina Grande. Seus maiores fregueses foram, dentre outros: os irmãos José e Zabilo Gadelha; Sebastião Medeiros; João Agripino (pai do ex-governador da Paraíba, de mesmo nome), o japonês Yegi Kumamoto; Firmino Faustino; Benedito Venâncio, tantos outros.

Irrequieto, desobedeceu ao médico e passou a exercer atividades agropecuárias, ingressando, simultaneamente, na construção civil. A vida social de Luiz Soares foi intensa, além de manter seu grande número de amigos, estava permanentemente conquistando outros com seu espírito alegre, acolhedor, expansivo. Gostava de eventos festivos, principalmente do carnaval. Frequentava assiduamente o Campinense Clube (do qual foi um dos fundadores em 1915) e o Clube 31.

Em 1915, juntamente com o poeta e professor Mauro Luna e Fábio Barreto, fundou o jornal ‘A Renascença’, de vida breve. Autodidata, estudou português com o professor Anésio Leão, e inglês e francês com professores nativos dos países de tais idiomas. Era assinante da revista americana The National Geographic Magazine. Valorizava muito os artistas locais, notadamente do teatro – como o grupo ‘os comediantes’ – dando-lhes incentivo financeiro. Possuía o dom da oratória e era sempre convocado a proferir seus discursos. Ocupou a vice-presidência da Associação Comercial de Campina Grande. Foram seus amigos e contemporâneos: Acácio Figueiredo, Elpídio de Almeida, Hermínio Soares, João Uchôa, seu filho Oton Uchôa, Arthur Freire, Emídio Gomes, José Carlos Cirino, Francisco Roza Filho, Claudino Colaço, José Noujaim Habib, João Rique Ferreira, Epitácio Soares, entre outros.
A participação política de Luiz Soares foi discreta, porém decisiva. Apesar de sua neutralidade, era filiado ao PSD - Partido Social Democrático. Quando da criação da Coligação Democrática Nacional (que reunia o PSD e a UDN – União Democrática Nacional), a cúpula de mencionados partidos sugeriu, por unanimidade, seu nome para candidatura a prefeito. Por se achar sem vocação para a atividade política, indicou o nome de Elpídio de Almeida. Independentemente da cor partidária, ele foi amigo de vários políticos, a exemplo de Argemiro de Figueiredo, Rui Carneiro, Samuel Duarte, Plínio Lemos, Renato Ribeiro Coutinho, Severino Bezerra Cabral e Félix Araújo, dentre outros. Tinha predileção por corridas de cavalo e por vaquejada; também era cinéfilo, ia ao cinema quase que diariamente. Ademais, a leitura e a música faziam parte do seu cotidiano. Apesar de ter sido um dos fundadores do Campinense Clube, no futebol se tornou trezeano, visto que tal esporte só se firmou no Clube Cartola a partir dos anos de 1960.

Lopes de Andrade em seu artigo ‘A Fatalidade Biológica da Morte’, publicado no Diário da Borborema, no dia 12 de abril de 1960. Relata-nos o ser humano representativo de ideias, dos bons costumes, de sua versatilidade, de sua habilidade, de sua organização em fluir negócios, um dos promotores do desenvolvimento econômico e social da cidade.

[...]
“Luiz Soares era um homem que apreciava a vida em toda a sua tessitura dionisíaca, como diria Nietzsche. Amava um charuto bem perfumado, as roupas de linho branco impecável, o bom whisky escocês, a conversa alegre e ilustrada, e onde ele se encontrava, ninguém tinha o direito de estar macambúzio ou sorumbático. Cunhou uma expressão que se incorporou ao vocabulário campinense como sinônimo de sua própria maneira de ser e viver: “garoto”. E criou um estilo de vida, na cidade, serrana, que será lembrado por muitos depois de sua morte.

Da geração de homens de negócios a que pertencia, Campina Grande recebeu o impulso definitivo para o progresso. Era da mesma estirpe dos José de Brito, Dionísio Marques de Almeida, João Rique Ferreira ou Alberto Saldanha, homens que sustentaram o comércio de algodão em nossa cidade, ao lado de tantos outros, a ponto de fazê-la na época um dos maiores empórios da América e do mundo.” [...]
Luiz Soares faleceu no dia 10 de abril de 1960, aos 66 anos, vitima de um aneurisma: no dia do enterro, não houve expediente bancário, em sua homenagem. Os amigos fizeram questão de levá-lo a pé ao Cemitério do Monte Santo, inclusive o então governador Pedro Gondim. À beira do túmulo, falaram Stênio Lopes e Newton Rique. Ele mesmo escolhera seu epitáfio, extraído do livro Espumas Flutuantes de Castro Alves, do poema, Quando eu morrer: [...] Emigrantes sombrios que se embarcam / Para as plagas sem fim do outro mundo [...] E nas trevas, esbarram-se as ossadas.

Na data seguinte ao sepultamento, a Câmara Municipal aprovou, em sessão extraordinária, propositura (de iniciativa dos vereadores Augusto Ramos e Mário Araújo) denominando uma rua com o nome de “Luiz Soares”. Houve grande repercussão nos órgãos de imprensa e a família recebeu condolências, tanto do país quanto do exterior. Luiz Soares foi um homem amigo, prático e de visão empreendedora.

Referências:
DINOÁ, Ronaldo. Memórias de Campina Grande. João Pessoa: A União. 1993.
MARINHEIRO, Elisabeth. (Org). Dicionário Biobibliográfico da Microrregião do Agreste da Borborema. Núcleo de Estudos Linguísticos e Literários- NELL. Campina Grande: CNPq/UFPB. 1982.
Depoimentos:
Ricardo Soares, em 25 de janeiro de 2013.
Luiz Soares, em 25 de janeiro de 2013.
Chico Maria, em 31 de janeiro de 2013.

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JOSÉ EDMILSON RODRIGUES
Advogado/Mestre em Literatura e Interculturalidade/Ensaísta
Texto Publicado em sua Coluna no Portal www.paraibaonline.com.br

Este prédio, sediou os primeiros cursos de Engenharia Civil e Elétrica.
Esta fachada, é aquela hoje voltada para o estacionamento interior e à ATECEL.
Foto1: Stúdio Siqueira (Anos 60). 

A Escola Politécnica da Campina Grande foi à primeira instituição de ensino superior de Campina Grande, através da criação do curso de Engenharia Civil. Ela foi à base da Universidade Federal de Campina Grande.

A fundação ocorreu em 06 de outubro de 1952, em reunião presidida pelo General Oliveira Leite, amparada pela Lei nº. 792 do governo José Américo de Almeida.

Através do Decreto Federal de número 33.286, do dia 14 de julho de 1953, foi autorizada o funcionamento da Escola pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas.


Foto dos Anos 80. 
O estacionamento já estava devidamente calçado. Nota-se, também o Laboratório de Computação à direita.
Foto2: Arquivo da Associação dos Aposentados.

O primeiro vestibular para Engenharia Civil ocorreu em 1954 e o reconhecimento do curso em 1958, quando se formou a primeira turma da instituição.

A escola funcionou na antiga Escola Estadual de Ensino Médio, Dr. Elpídio de Almeida, sendo transferida em 1957, para o prédio do Colégio Sólon de Lucena, onde anos depois seria a reitoria da UEPB.

Seus professores, fundadores, foram:

Antônio da Silva Morais
Adelmar Xavier de Andrade
Austro de França Costa
Edvaldo de Souza do Ó
Guiseppe Gióia
José Dias Fernandes
José Marques de A. Júnior
Josemir Vasconcelos de Castro
Kleber Cruz Marques
Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque
Max Hans Karl Liebig
Otávio Santiago
Pedro Bento Collier

Sendo seus primeiros alunos diplomados do curso:

José Cavalcanti de Figueiredo
João Celestino de Souza
João Ferreira da Silva
Luiz Timótio de Morais
Luiz Carlos de Oliveira
Luiz Adolpho Rey Fachinetti
Mário Cartoxo
Roberto Palomo
Sandoval de Sá 

Só em 1961 foi construída a sede definitiva, no bairro de Bodocongó, atual Universidade Federal de Campina Grande. Abaixo, uma foto histórica do período de construção:


O prédio seria concluído em definitivo no ano de 1964, o do centenário da cidade. Nos anos seguintes, a Escola seria incorporada primeiro pela UFPB em 1970 e finalmente, no ano de 2002, se tornaria a Universidade Federal de Campina Grande.

Agradecimentos:
Direto: Gisélia, através da Comunidade "Campina Grande", do Orkut; 
Indireto: Marcos Aurélio, Presidente da Associação dso Aposentados da UFCG - ASAP



Findava o ano de 1936 e Campina crescia, seguindo a sua vocação de ser Grande. Por esse tempo, já possuía 15 indústrias, estabelecimentos bancários e cinemas que lhe dava ares de capital metropolitana dos sertões.
No último dia daquele ano (31/12), resolvera o Sr. João Marques de Almeida realizar uma cantoria em sua residência, convidando para tal desiderato os trovadores Agostinho Lopes dos Santos (1906/1972) e Josué Alves da Cruz (1904/1968). João foi co-fundador, juntamente com seu irmão Dionísio, da fabrica de sabão “A Pernambucana”(1925), localizada no largo das boninas.
Muitas pessoas acorreram ao seu palacete, ansiosos por ouvirem os dois rapsodos populares, que se empenhavam na justa e eram aplaudidos com seus magníficos versos de repente. A sociedade campinense se fizera presente, não apenas pela distinção do anfitrião João Marques, como era de praxis naqueles dias áureos, se ouvir o torneio dos cantadores, hábeis em versejar e inspirados na poesia.
Na ocasião, se faziam presentes o ex-prefeito Ernane Lauritzen (1924-1928) e o renomado poeta Mauro Luna (1897/1943), este autor de “Horas de Enlevo” (1924) quando, a certa altura da cantoria, Ernane pediu que Mauro fizesse um mote para que os dois repentistas glosassem.
Todos sabem da importância do mote para o repente, ele é quem dá o tema a ser desenvolvido pelos cantadores perante a plateia. Mauro querendo elevar as qualidades de sua terra natal fez com que os menestreis rimassem em torno do dístico: “A Paraíba do norte/ É o coração do Brasil”.
Não é demais falar que o país saía de uma “revolução”, cujo espoenta maior era a Paraíba e que eclodiu com a morte do governador João Pessoa Cavalcanti, ascendendo Getúlio Vargas a presidência naquele momento de efervecência política.
Ciosos de sua responsabilidade, Josué (J) e Agostinho (A) iniciaram a cantoria que foi registrada pelo folclorista Francisco Coutinho Filho (1891/1976), cujos versos transcrevo a seguir:

J. – Não é pegando o ensejo
De desacatos nem guerra...
De gloriar minha terra
É o meu sumo desejo!
Procuro porém não vejo
Outra, formosa e gentil
Que lhe convide sutil
Para igualar o seu porte!...
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

A.    – Sou de Pernambuco, o forte...
Mas, neste verso eu escrevo
Pelos favores que devo
À Paraíba do Norte!
Estado de boa sorte,
Terra das quadras de Abril!...
Um homem, mesmo imbecil,
Mas tendo regra de fé,
Diz e jura que ela é:
O coração do Brasil!

J. – Junto ao Leão coroado (1)
Banha-lhe o rico Oceano,
Belo espelho soberano
Em que ela se tem olhado!...
Paraíba nos tem dado
Eminências, mais de mil...
Se não é para o fuzil,
É adevogado forte...
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

A. – Dá a vida pela morte,
Enfrenta qualquer coluna,
(Assim disse Mauro Luna)
A Paraíba do Norte!
Negar, não há quem suporte,
O seu poder varonil!
No ferrolho do fuzil
Tem defendido o país,
Por isto o poeta diz:
É o coração do Brasil!

J. – Dela, os seus cavaleiros,
São como os pares de França!
Basta que eu traga à lembrança
André Vidal de Negreiros!
Como chefe de guerreiros,
Foi temeroso adaíl...
Como perfeito guazil,
Era audacioso e forte!...
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

A. – Seu valor inesgotável...
Há poucos anos passados, (2)
Para remir os flagelados,
Foi ela a mais favorável!
Tornou-se a mais agradável
Debaixo dum céu de anil...
Lutava o pobre, sutil,
Exaltando a sua sorte:
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

J. – Tem ela infinda saudade...
Tombou, ficou quasiatôa,
Quando perdeu João Pessoa,
O tipo da lealdade!
Por ele a humanidade
Vingou o inimigo hostil...
Pela boca do fuzil
Mostrou bravura, foi forte! (3)
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

A. – A Paraíba perdeu
Seu querido Interventor!
O bravo e grande Antenor (4)
Tragicamente morreu!
Seu berço ele defendeu
Vencendo perigos mil!
Naquela hora febril,
Dissera antes da morte:
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

J. – Bananeiras já chorou
Igualmente à Madalena,
Pelo Solon de Lucena, (5)
O filho que a levantou!...
E quem foi que melhorou
Serraria quando hastil?...
Nesse estado pueril,
Lima (6) deu-lhe fama e sorte!
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

A. – Num estado cadavérico
A Paraíba chorou...
Pra defende-la chegou
O doutor José Américo! (7)
Por seu instinto genérico,
Com um poder varonil,
Aquele gênio febril
Melhorou tudo de sorte!
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

J. – Areia, ninguém deprima!
No cimo da cordilheira
Onde plantou-se a limeira
E nunca mais faltará lima! (8)
A haste de mais estima
Tombou ao solo fértil!
Não era, o Cunha, (9) servil!
Disse ele, às portas da morte:
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

A. – Josué, com segurança
Encerrarei minha glosa...
Com a canção maviosa
Vou fazer esta aliança...
No salão fica a lembrança
Da nossa rima subtil!...
Só a pedra do esmeril
Ao meu ferro dará corte!...
A Paraíba do Norte
É o coração do Brasil!

Assim concluiram os poetas matutos o seu intento, versejando sobre o mote dado, a relevância do nosso Estado, e seu passasdo vestuto que todos os convivas assistiram.

Rau Ferreira

*   *   *
___________
Notas: (1) O Estado de Pernambuco. (2) A seca de 1931/1932. (3) A Revolução de 1930. (4) Interventor Federal no Estado de 1930 à 1932. (5) Governador do Estado de 1920 à 1924. (6) Francisco Duarte Lima, Senador pela Paraíba (1936/1937) e Procurador do Estado de Pernambuco (1938), natural de Serraria (PB). (7) Autor de “A Bagaceira”, no período em que este foi Ministro da Viação. (8) Refere-se à família “Cunha Lima” de Areia. (9) Chefe de polícia da Paraíba, foi também Deputado Estadual e Federal.

*   *   *

Referências:
- BASTOS, Sevastião de Azevedo. No roteiro dos Azevêdo e outras famílias do Nordeste. EditoraGráfica Comercial. João Pessoa/PB: 1954.
- FILHO, F. Coutinho. Repentistas e Glosadores. A. Sartorio & Bertoli. São Paulo/SP: 1937.
- MOTA, Leonardo. Cantadores: poesia e linguagem do sertão cearense. Livraria Castilho. Rio de Janeiro/RJ: 1921.

Por Mário Carneiro da Costa *

                O prédio onde funcionava a Escola Politécnica, na época em que ali estudara o autor, situava-se no centro urbano de Campina Grande. Era um prédio de construção sólida e linhas arquitetônicas requintadas, edificado em 1924 pelo então governador do Estado, Dr. Solon de Lucena, com o propósito de ali instalar-se um grupo escolar.

                A construção tem forma de “u” maiúsculo, com a base voltada para a Rua Floriano Peixoto. É composta por oito salas nas laterais, um hall após a área de entrada onde se acham duas das salas, e alpendre contornando a área livre central. As duas salas de frente eram ocupadas pela secretaria e gabinete do diretor.  Das restantes, uma se destinava à biblioteca e as demais às salas de aula.

               Dada a localização do prédio, a Escola adquiriu a condição de permanecer, diuturnamente, com as portas abertas e com o fato curioso de que sempre ali era encontrado um aluno estudando sozinho ou com um ou dois colegas. Dada a forma arquitetônica e localização, era ali que os alunos se encontravam para baterem papo na área externa de acesso, ou mesmo na parte interna e, em dias feriados ou altas madrugadas, tirarem um bom cochilo, deitados nos bancos existentes nos alpendres. 

               Curioso é que em qualquer destas circunstâncias, o colega recebia o respeito dos demais, mesmo daqueles bagunceiros, a exemplo do “Salomão Bascuio”, posteriormente Dr. Salomão Anselmo, internacionalmente conhecido na área de saneamento. Figuras espirituosas e irreverentes, como Zé Pereira, Fernando Uchoa, Costa Filho, Adauto Medeiros e outras respeitavam o colega estudando. 

               A Escola era o local também para as anedotas, para os acertos de farras e, porque não dizer, de curtir ressacas também. As brincadeiras eram na maioria sadias, não se registrando agressões ou ocorrências que denegrissem a imagem do colega.  

         Um coronel com idade no entorno de 50 anos, chegou para comandar um batalhão do Exército da arma de engenharia, aquartelado em Campina Grande. Embora com alguns fios de cabelos brancos, buscou informação de como estudar engenharia civil e submeteu-se ao vestibular, juntamente com outros oficiais, do que resultaram algumas aprovações, entre as quais a dele, de um major seu subcomandante, e uns poucos outros oficiais. 

           Tivera início o ano letivo e as aulas de algumas cadeiras foram programadas de forma tal que aqueles alunos pudessem assisti-las. De uma boa quantidade de cadeiras estavam dispensados, pois foram cursadas na Escola Militar. O comandante, simpático e bonachão, e também os seus comandados, logo se ajustaram aos colegas civis e viviam num clima de harmonia e amizade, participando dos gracejos, anedotas e gozações levadas a efeito por aqueles mais jocosos, onde se destacavam os já citados acima e outros mais. O coronel, esquecendo-se do posto, misturava-se no contexto dos colegas sem farda. 

                No centro de Campina Grande, ocupando dois andares superiores de um prédio de três pavimentos, funcionava uma “casa noturna”, freqüentada pela classe média alta da cidade e era conhecida por “Cabaré de Baiana”. Ali eram apresentados bailarinos ou bailarinas, rumbeiras, transformistas e outros artistas do gênero. A casa era cheia e Baiana impunha a mais rigorosa ordem. 

                 Numa certa madrugada de domingo do ano de 1958, a turma concluinte, num total de oito alunos, aproximava-se da casa de Baiana, quando deu com um dócil cavalo arrastando uma corda. Logo veio a idéia de apresentar o animal no salão do cabaré e as providências para tanto foram tomadas: uma parte puxava o bucéfalo pela corda escada acima e a outra o empurrava.

          A resistência do animal fora enorme e não subia de forma alguma. Um dos estudantes fumava charuto e teve a iniciativa de levantar a cauda do cavalo e tocar com a brasa naquela parte. Resultou um enorme salto para cima e, com tal expediente, chegaram ao topo da escadaria e deram entrada no salão daquela casa noturna.

         Baiana ficou possessa e logo chegou a polícia, que levou todos presos. Um dos integrantes do grupo era oficial do CPOR e, na delegacia, ficou de fora. Veio-lhe o pensamento de chamar o major para intervir no caso e assim procedeu. Decorrido certo tempo sem que o grupo fosse liberado, entendeu que o subcomandante também ficara preso e resolveu chamar o coronel, a quem narrou o fato. Este, atordoado, sequer trocou de roupa e, no se próprio veículo foi a delegacia, lá chegando no instante em que todos estavam sendo liberados. O fato tornou-se jocoso para o coronel e o delegado, que nenhum registro fez do ocorrido, que também não foi explorado nas notícias policiais.       
                   
               Por aqueles anos, chegaram para fazer vestibular dois jovens de fina educação e gestos sinuosos. Mesmo com aquele hábito de não denegrir a imagem de qualquer colega, os colegas mais espirituosos não demoraram em apelidá-los de Piedosa e Melindrosa. Foram aprovados, estudaram alguns anos e ficaram para os colegas de outrora com os nomes que receberam na Escola e que perduram até hoje. 

            O sábado era um dia de muitas aulas, após o que os alunos ficavam rotineiramente brincando no mais salutar bate-papo. O professor de eletrotécnica, a título de aula prática, construíra um pequeno e portátil rádio transmissor, que depois ficara em poder da turma. Os seus integrantes, através dele, fizeram toda espécie de brincadeira, inclusive a de entrar clandestinamente na freqüência de determinada emissora local e, depois de dado o prefixo, informar que “Por motivo superior, hoje não vai ao ar o capítulo da rádio-novela Maria La-ô”, que alcançava incrível audiência para os padrões locais.    

           O coroamento de tais brincadeiras, porém, aconteceu noutra oportunidade. Na Escola estudavam dois irmãos cearenses, que não eram os únicos na condição de irmãos. A comunicação usada por eles para Fortaleza era feita através da Rádio Meridional. Certo dia, por volta das 16 horas, o telefone toca e alguém procura saber se Aquino (o “Cara D’Alma”) e seu irmão estão na Escola. Respondido afirmativamente, foi dito que era uma comunicação da capital cearense através da Meridional, e que, por favor, chamassem o Aquino, o que foi providenciado de imediato. 

                 “É o serviço da Meridional” disse a voz ao telefone. “Aqui é Aquino, pode falar”. E a voz continuou: “Venha urgente. Papai inventou de ser veado” (naquele tempo, o “bicha” de hoje, era chamado “veado”). “Como?” – indagou Aquino. “Como eu não sei, mas é um escândalo!”, concluiu a voz pelo telefone.  E a comunicação pifou. Os dois irmãos estavam comprando as passagens no Lóide Aéreo para logo mais viajarem, quando chegaram àquela agência os responsáveis pelo trote. Dr. Morais, o diretor, ao tomar conhecimento das brincadeiras, recolheu o rádio ao laboratório da Escola.

                 Não seria justo concluir esses relatos sem fazer registro aos abnegados mestres, Antônio da Silva Morais, Giuseppe Gióia, Austro de França Costa, Max Hans Karl Liebig, José Marques de Almeida Júnior,  Edvaldo do Ó e Josemir de Castro, que coesos no objetivo comum tornariam realidade aquilo que parecia  impossível  aos olhos de muitos.

                  É mister observar que, para a concretização daquele ideal, não havia qualquer disponibilidade financeira e os gastos eram cobertos com recursos obtidos entre os componentes do grupo, resultando para alguns deles  dificuldades econômicas. Mesmo assim, o empenho do tenaz conjunto idealizador resultou que a Escola Politécnica já iniciasse o funcionamento com uma boa estrutura. Assim, a instituição contava com salas providas de boas cadeiras para os alunos, anfiteatro, laboratório de química e de física. Dispunha, também, de modelos de certos motores e máquinas, projetores, instrumentos topográficos, pantógrafo, pranchetas, sofisticado tecnígrafo, rico e importante mostruário de pedras (indispensável na cadeira de geologia econômica) e uma biblioteca com mais de dois mil e quinhentos títulos técnicos à disposição de alunos e professores.

               Dado a escassez de livros em nosso idioma, estes eram encontrados predominantemente em espanhol, francês e inglês, o que se constituía certa dificuldade do aluno de então. O ensino era absolutamente gratuito, assim como era todo o material, tal como papel para provas, lápis de grafite com durezas diferentes para desenho, borrachas apropriadas, tinta para desenho, normógrafos que, quando solicitados, eram fornecidos na secretaria. Tudo era utilizado, conscientemente, pelo aluno, que o devolvia após o seu uso.   

               Inúmeras foram as viagens do Dr. Antônio Morais ao Rio de Janeiro, à época Capital da República, e, ali permanecer dias após dias, palmilhando Departamentos e Secretarias,  na busca de tornar aquele ideal em algo concreto e, em anos futuros,  realizar o sonho de  muitos jovens, entre os quais  figurava este autor.

               Assim nasceu a Escola Politécnica da Paraíba, hoje, Centro de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal de Campina Grande. Escola cujo conceito envaidece hoje os velhos engenheiros que nela se graduaram.



*Capítulo do livro: “Trajetória de um sonho – Passos do sonhador”, de Mário Carneiro da Costa, engenheiro civil da turma de 1960.

 
 
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