Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?

Por Equipe RHCG

Graças a colaboração de Marconi Alves de Melo, o blog RHCG teve acesso a mais uma grande raridade: o registro em vídeo do que restou do antigo cinema Apollo, que posteriormente passou a se chamar Cine Paratodos.

As imagens foram feitas em 1993, no fundo do imóvel onde funcionava à época a agência da VASP na Rua Maciel Pinheiro, e mostram a parte do cinema onde ficava a tela, que dividia a sala de exibição em duas partes: a que continha as cadeiras, a parte da frente; e a outra, que ficava por trás da sala.

O vídeo pode ser assistido clicando-se abaixo:




Segundo os que frequentaram aquele cinema, as pessoas mais humildes presenciavam os filmes em pé, na parte de trás da tela, pagavam menos por isso.

"Outro ponto importante, para mim, é que o meu pai, Pedro Alves de Melo, trabalhou naquele cinema como pintor, inicialmente, e depois passou a vender ingresso. No começo da década de 40 foi trabalhar no Cine Capitólio, a convite do Sr. Getúlio Cavalcante. 'Seu Getúlio' foi gerente do Cine Apollo, posteriormente foi gerenciar o Capitólio", contou Marconi Alves ao RHCG.
Por Adriano Araujo

Graças ao colaborador Alirio Souza, conseguimos o raro vídeo, que disponibilizamos abaixo. Trata-se de um documentário realizado pela TV Paraíba no ano de 1991, contando a história dos 127 anos de Emancipação Política de nossa cidade:


 

Em 21 de Agosto de 2009, de forma despretensiosa, lançávamos a primeira postagem de uma ideia surgida por dois apaixonados pela história política e esportiva de Campina Grande.

'A Chegada do Trem' não só marcou o início do projeto Retalhos Históricos de Campina Grande, como deu início a uma nova forma de apresentar a narrativa dos fatos pretéritos da nossa cidade aos seus próprios habitantes!

Logo no início cativamos o público que (ainda) tinha como leitura diária sites de notícias, blogs jornalísticos e portais, a partir do compromisso de entregar postagens cotidianas e, acima de tudo, contextualizadas; não eram simplesmente fotos, eram informações curiosamente ilustradas!

Ao longo de todo esse tempo, além da fidelidade do público leitor, estreitamos relações com a imprensa, com a Academia, com o Poder Público e nos transformamos em um grande compêndio informativo sobre a História de Campina Grande! 

Utilidade Pública, Honra ao Mérito, Moções de Aplausos, Prêmio Nacional, TCCs, entre tantas homenagens que nos envaidece, precisamos comemorar esta marca com todas as pessoas que nos ajudaram a manter esse trabalho em atividade, ainda que não tenhamos mais a rotina diária que um dia tivemos... Em momento nenhum fomos monetarizados mas, em todos os momentos, fomos munidos de confiança e boa vontade de uma grande rede de colaboradores que fizeram da história de Campina Grande um grande retalho de fatos.

A todos vocês, nosso muito obrigado.

EMMANUEL SOUSA e
ADRIANO ARAÚJO
Criadores e Editores

Por Emmanuel Sousa


O clima de acirramento político em Campina Grande comumente presente nos anos de campanha eleitoral está intrínseco no DNA de cada cidadão da nossa urbe. A bipolarização de correntes ideológicas em nosso Município já promoveu a maior tragédia já registrada em termos políticos, até hoje.

Naquele mesmo 09 de Julho, do ano de 1950, Campina Grande receberia figuras ilustres da política local para inauguração do suntuoso novo prédio dos Correios e Telégrafos (o atual), que seria 'entregue' em plena campanha eleitoral, em um show-mício com palanque montado na Praça da Bandeira.

A tensão começou ainda à luz do dia, quando entusiastas e correligionários da UDN (União Democrática Nacional), liderados por Argemiro de Figueiredo iniciaram uma passeata pelas ruas campinenses, à partir da entrada da cidade, em Santa Terezinha. A marcha coletiva percorreu à partir da Av. Paulo de Frontin várias ruas do Centro da cidade até a Praça da Bandeira, local onde se realizara, naquela feita, uma das maiores concentrações políticas de Campina Grande, em toda sua História.

Segundo a narrativa de Josué Silvestre era uma "tarde inspirada de belos e aplaudidos discursos: Joacil de Brito, Ivandro Cunha Lima, Álvaro Gaudêncio, Hiaty Leal, Ernani Sátiro, João Agripino, Pereira Lima e, finalmente(...)Argemiro de Figueiredo".


Como peculiaridade, o evento político foi encerrado com a apresentação de vários artistas da música popular, consagrados nacionalmente, como Emilinha Borba e Luiz Gonzaga, conceituados artistas do período áureo da Rádio Nacional do Rio de Janeiro!

Como não poderia ser diferente, ao final do espetáculo, a multidão antes aglomerada dispersou-se em pequenos grupos ao longo do epicentro geográfico da festa, encontrando pelo caminho grupos políticos rivais que se reuniam em outros pequenos grupos que já demonstravam clima de confronto.

Estes pequenos grupos de pressão assumiram o tom de provocação e formaram, espontaneamente, um novo movimento que percorreu as ruas centrais da cidade, em forma de passeata, onde apenas as vozes ardorosas dos entusiastas davam força e empolgação aos partícipes.

Após circular várias vias centrais, o movimento retornou à Praça da Bandeira onde os líderes da passeata invadiram o palanque montado para o comício da oposição, ainda decorado com os motivos 'Udeenistas'. Como se bastasse o atrevimento, começaram os discursos fervorosos onde, não muito tempo depois, inicia-se a desordem, seguida de pancadaria e, pasmem, disparos de armas de fogo.

Uma verdadeira bordoeira generalizada se instalou na Praça da Bandeira, com a participação de populares e da polícia militar. Em poucos minutos de contenda fora registrado um saldo de 03 mortos e cerca de 20 feridos graves e dezenas de feridos com escoriações leves.



As vítimas fatais foram o bancário Rubens de Souza Costa, espancado por policiais; o mecânico José Ferreira dos Santos; e Oscar Coutinho, mecânico da empresa pernambucana que instalava os elevadores do prédio dos Correios.

Acerca de tamanha tragédia testemunhada, o escritor Josué Silvestre transcreveu o que registrara o advogado Aluísio Campos, então presidente do PSB local: "Jamais sofri tamanho desapontamento. Nunca testemunhara facínoras fardados investirem de modo tão selvagem sobre o povo para matá-lo friamente."

Testemunhas alegaram que policiais fardados se ajoelhavam e faziam pontaria em direção à multidão.

Fonte: "Lutas de Vida e de Morte", Josué Silvestre, 1982

Em 2010 uma das indústrias mais antigas de Campina Grande, a Indústria Nordestina de Cordas, encerrou suas atividades. O motivo do fechamento da "ISA" como era mais conhecida, não foi falência, aquisição por uma empresa mais forte ou outro motivo qualquer e sim, uma decisão do "Grupo Mottin" que decidiu encerrar a sua produção na área de produção de cordas. Uma das funcionárias do Grupo, Ana Santino, nos enviou para a publicação no "RHCG", o seguinte artigo e um documentário caseiro, realizado por Franklin Moreira, da Movesa (uma das empresas do grupo), do Departamento de Marketing, residente em Feira de Santana na Bahia.

Na imagem, podemos visualizar a Indústria ISA (lado direito ao centro)
e o local onde anos depois seria construído o Shopping Iguatemy.


O FIM DA ISA

Por Ana Santino



Ainda me lembro que fiz uma enorme e demorada caminhada pelas dependências da empresa olhando para os seus galpões que, agora vazios, pareciam ainda maiores, mas que durante muitos anos alojavam dezenas de suas máquinas mais tradicionais que passaram décadas no mesmo lugar, em pleno processo produtivo. Contemplei pela ultima vez seu pátio principal e percebi a velha quadra nos fundos da fábrica e de cima da sua balança de chão, acostumada a pesar vários caminhões por mês, avistei sua velha caixa de água daqueles modelos antigos que costumavam ser construídas com vários metros de altura e pintadas com a logomarca da empresa, de forma que pudéssemos identificar a fábrica há vários pontos da sua proximidade.


Despedi-me também dos coqueiros, plantados há mais de cinqüenta anos e imaginei que pena seria retirá-los dali. No seu antigo escritório o tempo havia parado, os cofres antigos ainda de cimento e aço maciço davam um charme especial e uma nostalgia do tempo em que dinheiro se guardava na empresa (que hoje nem nos bancos é seguro). Os móveis impecáveis me reportavam ao passado e as dezenas de armários de aço e de madeira guardavam toda documentação da empresa e me reportavam à época que não tínhamos computadores para digitalizar nossos arquivos e éramos obrigados a arquivar cada pasta, cada livro, cada documento ali pertinho, porque nada estaria ao alcance de um clic como fazemos hoje. Em cada mesa havia uma máquina datilográfica e uma calculadora Olivetti, me lembrando que naqueles anos, os testes para admissão de um funcionário em uma vaga mais graduada, ficava para aquele que tinha melhor desempenho e mais praticidade na datilografia, porque tudo era datilografado e, detalhe, tinha que datilografar de forma rápida, vigorosa e precisa, porque nem corretivo tinha naquela época.


Achei escritas fiscais do tempo em que utilizavam o sistema de prensa, para registrar as entradas e saídas. Encontrei uma planta baixa da cidade de Campina Grande, datada de 1959, quando a cidade finalizava no bairro do Centenário – que era conhecido pela “Fundição Centenário” e ao extremo só havia o bairro José Pinheiro, como referencia aos limites da cidade para a saída a João Pessoa. Contemplei a planta da fábrica desenhada com grafite em “papel manteiga” porque nem tenho certeza se naquela época já existia o papel milimetrado e o Auto Cad estaria a anos luz de ser criado.


Toda essa despedida se refere à ISA Indústria Nordestina de Cordas LTDA, empresa localizada na Avenida Prefeito Severino Bezerra Cabral (Avenida Brasília), fundada em 1959, há quase 52 anos, na época denominava-se CIA Mercantil CASA FRACALANZA. Depois de mais de cinco décadas de existência, encerrou suas atividades no ultimo dia 13 de Dezembro de 2010 e seu terreno foi vendido para uma conhecida rede de supermercados que estará, possivelmente em 2011, construindo outra empresa nas suas antigas instalações.

Questiono-me como um homem, que entrou exatamente em 1959, ainda menino vindo do SENAI, que foi o primeiro funcionário da ISA Nordestina e, hoje Administrador da empresa, quis o destino também ser o ultimo, sentiu-se ao chegar à hora em que teve que entregar a chave daquela que foi, creio eu, sua primeira casa e parte da sua vida ao longo desses 52 anos de contribuição. Refiro-me ao Senhor Orlando Cavalcante de Araújo, que entrou na “Casa Francalanza” ainda menor, pois teve uma concessão especial para ser admitido naquela época uma vez que nem tinha os 18 anos completos e que no próximo dia 05 de Maio de 2011 estaria completando exatos 52 anos de empresa. Um homem tão tradicional que na época que chefiava a manutenção da Fracalanza era capaz de tornear qualquer peça de reposição para não utilizar as peças originais vindas a muito custo e tempo do fabricante das máquinas, na Europa, via importação e matinha, até hoje, as caixas com as peças originais adquiridas naquela época.

Foi quando o idealizador da Fracalanza – “Dr. Gilberto Mottin” – na época um jovem engenheiro radicado em São Paulo na década de 50, enxergou no nordeste e, especialmente em Campina Grande, o potencial para instalar uma fábrica de cordas e artefatos de sisal e mais ainda, enxergou no menino Orlando, um funcionário dedicado e capaz de tornar-se seu homem de confiança para manter a fábrica a pleno vapor, funcionando em 03 turnos e gerando centenas de empregos, responsável por aposentar várias pessoas que trabalharam anos na fábrica e diferente de tradicionais indústrias como a SAMBRA, CRISPIM, BRASCORDA (em João Pessoa), a ISA NORDESTINA encerrou suas atividades dignamente e em pleno processo produtivo, honrando seus compromissos com seus funcionários, colaboradores, clientes e fornecedores, meramente pela intenção dos sócios em vender o terreno encerrando assim sua história no ramo de Sisal.

No auge dos seus 60 e poucos anos, Senhor Orlando, não se cansou de trabalhar e nem pensa em aposentadoria tão cedo. Continua firme e forte nos seus conceitos empreendedores, adquiriu parte do maquinário da ISA e instalou, nas proximidades do município de Lagoa Seca, em seu sitio, sua fábrica de cordas que leva o nome da antiga casa: “FRACALANZA CORDAS”, mantendo viva sua historia e apostando no mercado da cultura renovável do sisal e de seus produtos, suas cordas, para continuar atendendo uma parte dos clientes da antiga fábrica e fazer o que aprendeu e sempre fez a vida inteira: colocar as máquinas para produzir e transformar o “agave em corda”,

Num pensamento que ele mesmo costuma se inspirar: “No fim tudo dá certo, se não deu certo, é porque ainda não chegou ao fim”.



Documentário caseiro sobre a história da Indústria "ISA":





No dia 29 de Maio de 2011, em matéria assinada pelo jornalista Márcio Rangel, o Diário da Borborema nos trouxe uma curiosa e interessante história do homem responsável pelo transporte das gigantescas estátuas componentes do Monumento "Pioneiros da Borborema", localizada às margens do Açude Velho, erguido em homenagem ao Centenário de Campina Grande.

O cidadão em questão é o caminhoneiro aposentado José Firmino dos Santos, de 74 anos, que no ano de 1964 foi contratado para transportar do Rio de Janeiro para Campina Grande, as três peças que pesam, em média, 1.500kg cada uma, utilizando um caminhão Chevrolet 1963!

José Firmino dos Santos (Foto Márcio Rangel/DB)
"Eu estava no Rio de Janeiro, aguardando a chegada de algum serviço para retornar à Paraíba. Me lembro quando o meu patrão me informou que a minha missão seria transportar três estátuas de pedra que foram adquiridas pela prefeitura para serem instaladas no Açude Velho. A recomendação e o cuidado com a carga era imensa. Para vocês terem ideia, apenas para colocar as três peças em cima do caminhão foi necessário um dia inteiro de atividades com o auxílio de um guincho."

Vários foram os fatores que obstacularam o trajeto até seu destino. A viagem durou 10 dias no mês de maio daquele ano. Porém, a recomendação era de que houvesse o maior cuidado possível com a carga, nem que o percurso fosse feito o mais lento possível, para que nenhum dano fosse provocado às peças.

Ao chegar em Campina Grande, outro entrave fora o descarrego das peças, uma vez que não havia estrutura adequada na cidade, tendo sido necessário alugar o maquinário para para fazê-lo.

"Demoramos mais tempo aqui pra descarregar. Aqui nesta área do açude velho não existia nem calçamento, nem asfalto, tudo era barro. Naquela época, o Açude Velho não era tão poluído e as pessoas lavavam até carros aqui dentro"  

O jornalista  Márcio Rangel, além de prestar um excelente serviço de resgate histórico, prestou uma homenagem à esse bravo ex-caminhoneiro, hoje morador do bairro Vila Castelo Branco, na Zona Leste, que se emociona toda vez que contempla o Monumento, com suas lembranças e, claro, com todo orgulho que seu feito pode lhe conferir.

"É a primeira vez, em 46 anos, que alguém lembra de mim. Certo que meu serviço não foi tão relevante, mas foi fundamental para a chegada dessa obra aqui na cidade. Todas as vezes que passo aqui, olho, contemplo e lembro de muita coisa." (José Firmino dos Santos)





Hoje, 30 de janeiro, é comemorado o Dia da HQ Nacional. Somos um país com uma diversidade enorme de profissionais consagrados nesta área, à exemplo do quadrinista Maurício de Sousa.

Um orgulho nosso, da terra, mais precisamente de Campina Grande, é o desenhista Mike Deodato, filho do saudoso Deodato Borges, que fez carreira na área dos quadrinhos e é um dos mais conhecidos em todo o mundo pela sua arte. 

Atualmente é contratado da Marvel Comics, dos EUA, empresa hoje pertencente a Disney.

Em comemoração à data, postamos abaixo a entrevista concedida por Mike Deodato à Adriano Araújo, com exclusividade para o Blog Retalhos Históricos de Campina Grande.

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Por Adriano Araújo

Um dos dois desenhistas brasileiros mais conhecidos internacionalmente (o outro é Mauricio de Souza), já foi o responsável pela arte de heróis como Homem-Aranha, Batman, Thor, Vingadores e Mulher Maravilha. É filho de uma lenda do rádio campinense, Deodato Borges o criador do Flama, que infelizmente faleceu no ano de 2014. O Retalhos Históricos de Campina Grande tem a honra de bater um papo com o desenhista e quadrinista Mike Deodato, gente da terra que faz sucesso lá fora.

BLOG RHCG: Você nasceu em Campina Grande, nos conte como era sua vida na Rainha da Borborema, bairro que morava e o que você lembra de sua infância na cidade?

MIKE DEODATO: Brincadeiras no meio da rua, sem preocupação com trânsito, assaltos ou violência. Um tempo lindo que não volta mais.

Mike Deodato, último da esquerda para a direita, brincando com seu irmão Deni (segundo da esquerda para a direita)
 e suas irmãs: Delba e Denize   (primeira e terceira na foto, da esquerda para a direita)
(ACERVO PESSOAL FAMILIA DEODATO)

Obs: Segundo Mike, "a foto em preto e branco deve ser de 1968. De acordo com minha mãe, era um conjunto habitacional no bairro de Santa Rosa, perto de uma linha de trem e perto de um empresa chamada Fumetil- Fumetal Fundicao e Metalurgica SA", disse ao RHCG.

BLOG RHCG: Existe um vídeo no Youtube, em que você fala que a sua lembrança mais clara de Campina é o edifício "Abdallah", que se localiza no Centro de Campina Grande. Qual o motivo? 

Edifício ABDALLAH,  na esquina da rua Padre Ibiapina no Centro de Campina Grande
(FOTO: Adriano Araujo)

MIKE DEODATO: O tempo que morei no Edifício Abdallah foi o que mais me marcou. Havia uma pracinha no topo que era nosso canto mágico. Lá brincávamos de bola, pega, esconder, bicicleta. Visitei-o recentemente e a emoção foi fantástica. 

NOTA DO RHCG: As fotos da visita ao edifício podem ser visualizadas a seguir, fotos do acervo de Mike Deodato.




BLOG RHCG: O seu pai, Deodato Borges, fez a primeira revista em Quadrinhos do Nordeste, “As Aventuras do Flama”, editada pela gráfica de Júlio Costa de Campina Grande, e que acabou saindo pelo Diário da Borborema. Existe projeto para uma futura reedição da revista?

MIKE DEODATO: Estou produzindo, junto com a Fundação Espaço Cultural uma reedição da revista exatamente como foi publicada 51 anos atrás. Deve sair muito em breve.

A REVISTA FLAMA
(FOTO DIVULGAÇÃO)

Para a alegria dos fãs dos quadrinhos, a Revista Flama em breve será reeditada
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Já que falamos em Deodato Borges, não podemos deixar de mencionar que ele é um verdadeiro ícone do Rádio de Campina Grande. Suas “Aventuras do Flama” começou na Rádio Borborema e depois foi transmitida também pela Rádio Caturité. Quais suas lembranças deste período?

MIKE DEODATO: Lembro de ficar em frente do rádio imaginando os cenários fantásticos descritos pelo narrador. Era tudo muito excitante e, as vezes, assustador, dependendo do tema.

BLOG RHCG: Nosso colaborador, o professor universitário Mario Vinicius Carneiro Medeiros, autor do livro que conta a história do Treze FC e profundo conhecedor das “Coisas de Campina”, nos enviou uma pergunta: “Gostaria de saber se Mike Deodato recorda de um programa da TV Borborema, em que o seu pai iniciava assim: E agora, vamos ver o que acontece nesta cidade de quase duzentos mil habitantes...”?

MIKE DEODATO: Eu confesso ter muito pouca memória da época. Quando ouvi um dos poucos episódios do Flama depois de grande, me vieram pedaços de lembranças ao ouvir os comerciais de bicicleta e chocolate, mas, infelizmente, tudo muito vago. Forte ficou a sensação de uma infância feliz.

BLOG RHCG: Qual o motivo que fez sua família se mudar para João Pessoa?

MIKE DEODATO: Acredito que Painho veio para trabalhar no Jornal O Norte, isso em 1972/73.

BLOG RHCG: Infelizmente, Deodato Borges faleceu este ano (2014) e pelas suas entrevistas, observamos que você era um grande admirador dele. Você pretende nos próximos anos fazer alguma homenagem, a exemplo de uma história atual do Flama?

MIKE DEODATO: Tenho uma história escrita por Rodrigo Salem com uma releitura do Flama em andamento e também estamos tentando recursos para um filme dirigido por Sílvio Toledo.

O Flama na arte de Mike Deodato
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: O seu interesse pelos quadrinhos, sabemos que veio de seu pai, porém, como você percebeu que tinha talento e como é seu processo de criação?

MIKE DEODATO: Foi à partir dos treze anos que decidi que seria um desenhista de quadrinhos. Meu processo é muito instintivo: eu dou uma primeira lida no roteiro pra “sentí-lo”, depois faço pequenos rabiscos nas margens durante a segunda leitura. Depois disso passo pros esboços. Depois que estou satisfeito com eles, faço os lápis usando uma mesa de luz pra então fazer a arte-final em nanquim. O mesmo processo ocorre digitalmente, mas com ferramentas digitais

Hulk e Mulher Maravilha desenhados por Mike Deodato
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Como você já disse em entrevistas, seu primeiro projeto pago foi “A História da Paraíba em Quadrinhos” nos anos 80. O material artístico desta produção, hoje uma grande raridade de colecionadores, em nossa opinião é de primeira linha. Foi à única parceria entre você e seu pai?

MIKE DEODATO: De maneira nenhuma. Fizemos dezenas de outras histórias juntos, de diversos temas.

O "História da Paraíba em Quadrinhos" patrocinado pelo Governo do Estado nos anos 80. Mike ainda era "Deodato Filho"
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: O seu nome é Deodato Taumaturgo Borges Filho. Porque a mudança para “Mike Deodato Jr.”?

MIKE DEODATO: Foi sugestão de meus agentes na época em que comecei que acharam que haveria menos resistência ao meu nome por parte de editores e leitores.

Assinatura de Mike Deodato Jr.
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Gostaríamos que você nos contasse um pouco, sobre seu começo no mercado internacional de quadrinhos e como é hoje trabalhar para uma Editora tão grande quanto a Marvel?

MIKE DEODATO: Foi bem parecido com meu começo no Brasil, em pequenas editoras e, vagarosamente, abrindo caminho para editoras maiores. Eu tenho uma excelente relação com a Marvel depois de trabalhar por tanto tempo por lá. Existe um respeito e admiração mútua.

BLOG RHCG: Você tem acesso as mais diversas celebridades, seja do Brasil, sejam internacionais. Como é para um campinense, ser tão reconhecido neste meio?

MIKE DEODATO: Eu nunca penso muito sobre isso. Eu faço o que gosto e me sinto muito sortudo por todo este reconhecimento.

Mike Deodato ao lado da lenda dos quadrinhos, o norte-americano Stan Lee, criador dos grandes heróis da Marvel
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Queremos que você nos conte de sua relação atual com Campina Grande. Você visita a Rainha da Borborema? Acha que merecia ou não, um maior reconhecimento na cidade?

MIKE DEODATO: Eu sou Campinense, como muitos outros. Feliz de ter nascido eu um lugar tão lindo e acolhedor e isso me basta. 

BLOG RHCG: Pretende no futuro fazer alguma obra em homenagem a Campina Grande?

MIKE DEODATO: Um dia, sobre minha infância no Abdallah.

O "ABDALLAH" poderá ser eternizado em história em quadrinhos por Mike Deodato
(FOTO: Adriano Araújo)

BLOG RHCG: Campina Grande fez 150 anos em 2014. Gostaríamos que você deixasse alguma mensagem para a cidade, que tem tanto orgulho de você, filho da terra:

MIKE DEODATO: Saudades!! Um dia eu volto!

Homenagem de Mike ao aniversário de Campina Grande
(DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Agradecemos sua entrevista, nos sentimos honrados e finalizando gostaríamos que você deixasse sua opinião sobre o resgate que o Retalhos Históricos de Campina Grande vem fazendo?

MIKE DEODATO: Incrível! Parabéns!

Recebemos a indicação do texto abaixo de André Luís Simões Andrade que, em pesquisa sobre o tema 'aviação', encontrou a curiosa história de Severino Nogueira, paraibano de Juazeirinho que, no ano de 1933, realizou a façanha de decolar seu teco-teco de Campina Grande, até o Rio de Janeiro.

Segue transcrição da matéria postada no Blog Iedo Ferreira, de autoria de Hilton Gouveia:


Severino Nogueira, Paraibano da cidade de Juazeirinho-Pb, aos 23 anos, sonhava em ser aviador. Em 1933, aos 27 anos, viajou para o Rio de Janeiro a fim de estudar num curso de piloto,  embora, naquela época, a aviação civil brasileira praticamente não existisse. E as poucas aeronaves em movimento comercial pertenciam a Panair do Brasil, Air France e à Condor. Estas Companhias aéreas, formavam seus pilotos no exterior, mas isso não foi empecilho para este arrojado paraibano, que jurou realizar seu sonho a qualquer risco, fazendo o perigoso vôo pioneiro entre Campina Grande e o Rio de Janeiro, conquistando as manchetes dos jornais em 2 de janeiro de 1939.

 

Segundo Geraldo Vital, um dos biógrafos do piloto, Nogueira empreendeu esta odisséia aérea com uma namorada. Já no Rio, procurou fazer seu curso de piloto e apelou para a interferência de um conterrâneo famoso, o Doutor José Américo de Almeida, na época Ministro da Viação. Este apresentou Severino ao então Comandante da Escola de Pilotos Militares da FAB – Força Aérea Brasileira -, o Major da Aeronáutica Henrique Fontinelli, a quem solicitou que seu candidato frequentasse a escola, naqueles tempos já funcionando com excelente referência no Brasil e na América do Sul.

  No biênio 1933/35, Severino seguiu com destino a São Paulo, para cumprir o estágio de final do curso. Assim, se tornou o primeiro paraibano a  adquirir o brevet de Piloto Civil, carimbado com o número 94. Isto equivalia a receber uma carta de piloto de aeronaves de recreio e desporto. Severino voltou satisfeito para Campina Grande, mas ainda com um estratégico problema a resolver: piloto sem aeronave não dava sentido à concretização de seu sonho. Insistente, ele passou a se corresponder com vendedores norte-americanos de aeronaves. E acabou fechando negócio, efetuando a compra de uma avioneta por US$ 1.850,00 equivalentes, na época, a trinta e quatro contos de réis – ou, a dinheiro de hoje, aproximadamente R$ 15 mil. A encomenda foi enviada para Recife e ele mesmo fez a montagem do avião, na praia de Boa Viagem.

  Esclareça-se que o pai de Severino, o empresário          José Felismino Nogueira, na época era farmacêutico, e proprietário de uma Usina de Beneficiamento de Algodão e exportação para Campina Grande-Pb. Também possuía o prestígio genealógico e histórico de ser  um dos fundadores de Juazeirinho, um homem que, sem sombra de dúvida, era economicamente realizado.

   Em Boa Viagem, Severino criou o hábito de decolar no aviãozinho Taylor – esta era a marca da aeronave -, e sobrevoar esta parte do litoral pernambucano.Testava os equipamentos e certificava-se da velocidade e da autonomia de vôo do aparelho. Ao sentir- se apto para viagens mais longas, realizou uma decolagem com destino à sua cidade natal, Juazeirinho, onde construiu um pequeno campo de pouso. Depois retornava  a João Pessoa, para novos testes.

   Numa dessas viagens ao Cariri paraibano,  Severino sempre levava um convidado, Boanerges Barreto. Até que um dia, sobrevoando a cidade de Soledade, Severino notou que o combustível estava no fim. O recurso que encontrou, raciocinando o mais rápido possível, foi pousar no meio da rua principal de Soledade, bastante larga para aquele tipo de emergência. 

   Surgiu outro problema: Onde conseguir o combustível para prosseguir a viagem por mais 40 Km, até Juazeirinho? Quem surgiu como anjo salvador desta situação foi Joca Mota, dono de um caminhão na cidade de Tapero/á que estava ali  de passagem. Joca cedeu o combustível e, momentos depois, Severino decolava no rumo de Juazeirinho onde foi festivamente recebido.

  O piloto ainda implantou algumas adaptações na aeronave, como o sistema de carburação, o tanque auxiliar de combustível, o sistema de velas, entre outras de natureza mecânica. Isto modificou a originalidade da aeronave. Já com certa experiência acumulada em vários vôos e apoiado na   confiança que obtivera com a prática, Severino idealizou uma viagem ao Rio de Janeiro, para tratar de negócios particulares.

  Em 25 de dezembro de 1938, Partia de Campina Grande o aviador Severino Nogueira em um avião teco-teco, prefixo Pptck, modelo Taylor, com destino ao Rio. Ele programou escalas em João Pessoa e, no dia 26 – 24 horas após o dia do Natal -, Severino decolou para Recife, onde pousou no campo de Tigipió. Após uma revisão completa no aparelho, estava tudo pronto para decolagem com destino ao Rio. No momento surgiu um impasse: a Polícia Marítima do Recife impediu o vôo, por suspeitar de algum plano político, que tramasse contra a Ditadura de Getúlio Vargas.

   O pessoal do Exército, que conhecia o aviador, solucionou a questão com a presença de Doutor Jacy Toscano –Assessor de Getúlio -, junto à Aeronáutica. No dia seguinte, 27 de dezembro, a viagem histórica para o Rio de Janeiro foi reiniciada, com escala em Maceió. Severino e seu Taylor voavam sobre o litoral numa altitude entre um mil e 1.200 metros. Como não tinha pressa de chegar ao destino, ele decolou rumo à capital alagoana, daí em diante pernoitando em Maraú, nos arredores de Salvador (BA).

   Após atravessar o Rio São Francisco, houve  pane na aeronave, provocada por uma vela que se desprendera do motor. Sorte que a peça ficou enganchada nas engrenagens, enquanto o piloto habilmente pousava à beira-mar. Alí, Severino  recolocou a vela, fez os testes de costume e decolou sem problemas. Voava a 100 km por hora, e, com  a autonomia reduzida, seguiu para Caravelas (BA), Vitória (ES) e Campos (RJ).

  O aviador, que  era excelente mecânico, criou um tanque auxiliar com uma lata de gasolina adaptada ao interior da aeronave”,  diz Geraldo Vital. “Ligado por uma mangueira ao motor, o tanque auxiliar passava a funcionar através de uma torneira, quando o reservatório principal dava sinais de esvaziamento”.  Essa operação era levada a termo em pleno vôo _ Nessa época, nem aviões militares ou de passageiros conseguiam esta proeza. Sem falar que a sua Carta de Navegação de bordo, não passava de um simples Atlas Escolar. Mais: Severino voava com a porta da cabine aberta, para enxergar o solo.

  Todos os jornais do Rio de Janeiro abriram manchetes para registrar “o arrojo de um aviador maluco” (assim diziam eles), que pilotava um teco-teco, repleto de arranjos e emendas, que acabava de efetuar um vôo histórico. A imprensa americana também deu destaque ao feito de Severino Nogueira. O Correio da Manhã (RJ) noticiou que o Departamento de Aviação Civil, avistou, por volta de 11 horas do dia, um objeto em direção ao campo,de  pouso, que parecia um urubu; “lá vem ele se aproximando”, dizia a platéia, quando o aviãozinho tomou a cabeceira da pista e posou suavemente em direção ao hangar.

  Os presentes se indagavam: “quem é esse doido que vem aí dentro”? Do interior da nave desceu um homem moreno, jovem, alegre, seguido de uma mulher morena vestida de preto. O piloto cumprimentou a todos que o aguardavam. O Diretor do DAC perguntou-lhe:

– De onde vem o Senhor?

–  Estou chegando da Paraiba. 

 -Mas, veio voando nisso aí? 

 -Sim senhor. 

 -Não é possível. O senhor está brincando. Deve ter vindo de Manguinhos.

 – Que nada, senhor. Eu sou da Paraiba e vim de lá. Sou aviador há seis anos, pouso esse bichinho há mais de dois anos e nunca me aconteceu nada.

  No Rio, Nogueira, o Aviador, não teve sossego: levaram-no ao Aeroclube do Brasil onde foi muito bem recebido pela Diretoria e os sócios. Cada explicação do piloto virava uma notícia. Severino informou ter gastado 300 litros de gasolina e quatro litros de óleo. Adiantou que fez um trajeto de tempo de 18 horas, levando oito dias para conhecer as cidades do percurso e proporcionar descanso ao motor  da aeronave.

  Nogueira pretendia voltar à Paraíba na mesma aeronave, mas, foi convencido a não voar antes de uma revisão que lhe custaria muito caro. E, como homem de negócios, vendeu o avião por 154 contos de reis (Moeda circulante na época). Nogueira não imaginava que fossem noticiar a presença da companheira de viagem que, para todos os efeitos  se chamaria Julieta Alves Nogueira, com quem mantinha laços amorosos. Este impasse gerou protestos, anos depois, por parte da sua legítima esposa, Maria Barros Nogueira, com desmentidos através de telegramas. 

  Nogueira passou a residir no Estado da Bahia, onde foi proprietário da Fazenda Barro Alto. Morreu lá, com mais de 70 anos.

 



Um dos assuntos que mais cativa o público saudosista é a memória do rádio, seja em qual esfera geográfica. Um dos mais conhecidos DJ de Campina Grande, Johan van Haandel, que teve memorável passagem nas boates Marrom Café, Aldebaran, Rush, One e Lennon Bar, bem como foi radialista, com passagem pela 98 FM, nos presenteia com um excelente trabalho de pesquisa, lançado em 2021: Um livro digital sobre a História do rádio FM comercial em Campina Grande.

A obra digital, publicada pela Editora Casa Flutuante de São Paulo pode ser obtido pelo seguinte link abaixo:

https://www.academia.edu/72278890/Hist%C3%B3ria_do_r%C3%A1dio_comercial_em_FM_de_Campina_Grande

Johan ainda disponibiliza, em seu canal no You Tube, alguns áudios que ajudaram na pesquisa (alguns ele mesmo produziu, como os spots do Arquivo 98 e a chamada de sucessos pop de 2007 da 98 FM).

Eles podem ser conferidos em:

https://www.youtube.com/watch?v=49H1bovR5eQ

https://www.youtube.com/watch?v=2IGTTROO_QA

Ao passo em que agradecemos pela disponibilização do conteúdo, parabenizamos van Haandel pelo trabalho.

 

A poesia como gênero literário se apresenta como um texto em versos que na sua estética se expressa de forma lírica, épica e dramática. Na Paraíba são muitos os poetas e poetisas que se destacam, dos quais o seu maior expoente tem um Augusto nome, e sobrenome dos Anjos (1884/1941).

Campina tem grandes poetas, a exemplo de Mauro Luna (1897/1943), autor d’O Pau D’arco Amarelo, onde se lê na sua segunda estrofe: “Emblema da ansiedade e da beleza emblema,/ Árvore secular, de flores recobertas,/ Embora ante a intempérie, algumas vezes trema,/ Tem nas flores gentis, uma divina oferta!...”.

E entre os seus menestréis não podemos nos esquecer do professor Anézio Ferreira Leão (1909/1971), campinense de admirável cultura, fundador do Instituto São Sebastião e autor dos livros “Gritos d’Alma” (1935) e “Aulas de Português” (1958), fazendo-lhe uma homenagem com dois de seus poemas.

O primeiro nos é fornecido pela escritora Viviam Galdino de Andrade, em seu belíssimo trabalho, fruto de intensa pesquisa para a sua tese de doutorado pela UFPB:

 

ALFREDO DANTAS. 1919-1969

No Dia da Bandeira, nesse dia

Do ano de dezenove, aqui fundava

Alfredo Dantas um colégio. Dava

à nossa terra o tudo que podia.

 

Era uma estrela nova, que surgia

No céu das nossas letras. Nele estava

Fadada a fulgurar aquela flava

Legião de sóis, que o novo sol trazia.

 

Alfredo Dantas fecha os olhos, mudo!

Ainda cedo nos deixou. Contudo,

Nunca o brilho de um sol se apagará:

 

Severino Loureiro uniu àquela

o fulgor de sua alma. Imensa e bela

a estrela DANTAS não se extinguirá.

 

É a própria Viviam que comenta essa poesia:

O texto do professor Anézio Leão traz a legitimidade daquele que conhece a educação e luta pelas letras em Campina Grande. Em reconhecimento às ações de Alfredo Dantas, o educador atesta em suas palavras o prestígio devotado ao diretor-tenente e à escola que ele conduziu com mãos fortes na cidade” (in: Alfabetizando os ‘filhos da Rainha’ para a civilidade/modernidade).

 

Por algum tempo, em termos de escola particular em Campina, existia apenas o Instituto Pedagógico fundado por Alfredo Dantas em 1919 e o Instituto São Sebastião (1920) de Anézio Leão, os quais eram rivais nas bandas de música.

*

*   *

 

O segundo poema acompanha a publicação de Roniere Leite Soares, em sua coluna no jornal “A União”, com o título “Anézio Leão: um bardo fora de série(s)”, que se pode ler pelo QR Code anexo ao artigo. Transcrevo-o:

 

A CRASE

 

Urge, para lidar com Dona Crase

Saber o que ela é, devidamente;

Sem isto, ao certo, nunca pode a gente

Sentir quando ela tem lugar na frase.

 

É a fusão de dois aa. Já tens a base:

Se o termo anterior (antecedente)

Exigir o primeiro, e o consequente

Aceitar o segundo, dá-se a crase.

 

João vai (eis um exemplo). Ora, que vai,

Vai a... de trem, de carro, de avião,

E leva, se quiser, mãe, o pai...

 

Vai à Bahia. O acento no a se deita,

Pois há o casório do a - preposição

Com o a - artigo, que Bahia aceita.

 

Este poema nos ensina o difícil acento gramatical que se origina da fusão ou contração das vogais inicial e final do vocábulo antecedente, quando unidas pelo sentido da escrita.

Moacyr de Andrade relata em seu livro “Vultos Paraibanos” a destreza do velho professor:

Nunca vi consultar livros durante suas aulas. Seus exemplos eram colhidos no ambiente ou nos episódios cotidianos, todos seus alunos eram seus fãs e adoravam a sua intuitiva arte didática” (in: Vultos Paraibanos).

Anézio lecionou Teoria Musical e Português e fundou a banda de música do Instituto São José em Patos-PB; foi vereador em Feira de Santana-BA e em Campina Grande-PB. É patrono da Cadeira nº 03 da Academia de Letras de Campina Grande e da Cadeira nº 26 do Instituto Histórico e Geográfico de Campina Grande.

 

Rau Ferreira

 

Referências:

- ANDRADE, Moacyr. Vultos Paraibanos. RG Editora e Gráfica. Campina Grande/PB: 1999.

- ANDRADE, Viviam Galdino (de). Alfabetizando os ‘filhos da Rainha’ para a civilidade/modernidade: o Instituto Pedagógico em Campina Grande – PB (1919-1942). eManuscrito. ePUB. ISBN 978-65.86723-04.5. São Paulo/SP: 2020.

- ASSIS, Maria José (de). Poetas paraibanos: do erudito ao popular. Universidade Federal da Paraíba. Editora Realize. Anais. Enlije: 2014.

- SOARES, Roniere Leite. Anézio Leão: um bardo fora de série(s). Coluna do Jornal “A União”. Edição de 10 de agosto. João Pessoa/PB: 2022.

 
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