Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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Fernando Silveira na Tribuna
Ele foi Dramaturgo, Professor, Escritor e Poeta, um completo multimídia, se tivesse vivo nos dias de hoje. Estamos falando de Fernando Silveira, um dos grandes nomes da história campinense, mesmo não sendo filho da terra, pois nasceu em 1º de fevereiro de 1920 em Fortaleza no Ceará. 

De família tradicional, era o quinto dos 14 filhos de José Silveira e Carmem Abreu Silveira. Dr. Silveira como era tratado seu pai, era poliglota e Bacharel em Direito; Professor de Ciências Jurídicas e Sociais; Tradutor Público em Fortaleza. Sua Mãe era educadora primária e tocava piano.

Os primeiros estudos de Fernando foram no Colégio São Luís e no Liceu do Ceará em Fortaleza.

Logo cedo se interessou pela cultura, prova disso foi que em 1939, fundou o “Conjunto de Cultura Teatral e a Revista Ilustrada”; sendo também sócio fundador da Associação Cearense de Cinema.

Também era assíduo no teatro e com uma trupe mambembe, percorreu o Brasil. As peças mais encenadas foram: “O único Defeito e Tudo é nada”, bastante elogiadas pela crítica da época e que foram encenadas por mais de cem vezes, que o levaram a filiar-se a SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais).

Casou-se em 1943 e no ano seguinte, escreveu seu primeiro livro: “A lenda da Aldeia Perdida”, romance em forma de novela.

Assim, para trabalhar no rádio foi um pulo, o que ocorreu no período de 1947-1949 quando começou a trabalhar na Ceará Rádio Clube, como redator e posteriormente no núcleo de rádio teatro daquela emissora.

CAMPINA GRANDE

Sua história com Campina Grande iniciou-se em 1949,  quando assumiu a Direção do Núcleo Artístico, da Rádio Borborema, convidado por Dr. João Calmon e Assis Chateaubriand.

Programas que criou, dirigiu e atuou: Serapião e Faustina; Programas de auditório com cantores de renome nacional e internacional: Orlando Silva, Ângela Maria, Nelson Gonçalves, As Irmãs Batista, Marlene, Emilinha Borba, Araci de Almeida, entre outros; “Bom dia pra você”, de crônicas e fatos da cidade, entre tantos outros. Porém o mais famoso e de indiscutível sucesso foram as novelas: Maria Alaô; O Anjo Negro; Meu Filho descansa em paz; Os Miseráveis (baseada na obra de Victor Hugo) sendo mais de 14, tendo sido disponibilizadas as rádios co-irmãs Tupy do Rio de Janeiro e Rádio Clube de Pernambuco, transmitidas todas ao vivo e que alcançavam os mais distantes lugares do Brasil.

Toda essa dedicação às artes o fez reconhecido pelos ouvintes e personalidades do meio jornalístico e artístico de modo que no ano de 1956, foi condecorado com a medalha “La Fontaine”, em bronze, acompanhada das obras completas de Racine, como oferta do Governo Frances, por seu amor ao teatro e ao rádio.

Em 1965 ingressou na Faculdade Católica de Filosofia de Campina Grande, onde se bacharelou e se licenciou em Letras Neolatinas.

Formatura no Curso de Letras

No período de 1959-1963 foi eleito vereador por Campina Grande, onde o seu único objetivo como tal era o de elevar a cidade que o elegeu a alcançar status de cidade cultural. Todos os projetos por ele criados e apresentados naquela casa demonstravam isso. Como primeira atividade parlamentar, foi uma emenda Orçamentária, destinada à instalação da Faculdade de Ciências Econômicas de Campina Grande, projeto do ex-prefeito Plínio Lemos, mas que permanecera oito anos engavetados, e que por insistentes idas e vindas ao gabinete do executivo a época, Severino Cabral, foi sancionada a sua emenda e Campina ganhou a sua escola de ensino superior, entre tantos outros desse nível.

Fernando Silveira na Tribuna

Como educador, ensinou nos colégios: Estadual da Prata; Colégio das Damas (da Imaculada Conceição); Professor de Língua Espanhola do Colégio Diocesano PIO XI, Professor Catedrático de Português da Escola Agrícola Assis Chateaubriand, da Universidade Regional do Nordeste de Campina Grande, Diretor da Escola Normal de Campina Grande, além de ter fundado o próprio estabelecimento de ensino; o Educandário José Silveira e Colégio Moderno Carmem Silveira (seus pais).

Fernando Silveira como Diretor da Escola Normal

Dividia-se entre inúmeras atividades, para poder sustentar a numerosa família. Em 1969 participou do 1º festival de teatros para colégios como autor e diretor, tendo alçado o 1º lugar com a peça “Acalanto de Joana, a louca”.

Em 1972, bacharela-se em Direito pela Faculdade de Direito de João Pessoa.

Formatura em Direito

Em 1975, concorreu ao prêmio do Hino Oficial de Campina Grande, onde se inscreveu e venceu como autor da letra-poema, demonstrando assim mais uma vez o quanto amava esta cidade que escolheu como sua. (PARA SABER SOBRE A HISTÓRIA DE NOSSO HINO CLIQUE AQUI).

Publicou em 1975 o romance “O chamado da terra”, além deste livro, publicou outros como: “Falenas” de poemas; ” Vidas Paraibanas” pequena história de vultos paraibanos - 1981; além do romance “A cabeça de João Batista - 1979”, deixando inédito, um romance (de título provisório) aos moldes do “Chamado da terra”.

Fernando Silveira também foi redator na sucursal do Jornal Correio da Paraíba em Campina Grande. Como editor e redator do jornal, escreveu inúmeros reportagens, poemas etc. No Sistema Correio, também seria Diretor da Rádio Correio da Paraíba em João Pessoa.

Posteriormente, esteve como Assessor Jurídico da Secretaria da Administração do Município de João Pessoa.

Ainda nesta época, Fernando escreveu: “A flor de abacate” comedia teatral inédita, e “Guerra dos Orixás” comédia em três atos, além de vários poemas.

Confessara certa vez que tinha muito que escrever, pois sua cabeça era um turbilhão de ideias. Porém a doença não permitia que ele tivesse uma caneta às mãos por causa do Mal de Parkinson, doença degenerativa.

No dia 30 de março de 1990, morreu Fernando Silveira, aos 70 anos, serenamente. 

FOTOS DO ACERVO FAMILIAR DE FERNANDO SILVEIRA:









ANEXOS (CLIQUEM PARA AMPLIAR):












Agradecimentos as filhas de Fernando Silveira:

-Socorro Darlene Câmara Silveira de Jesus;
-Domenica Silveira.

12 comentários

  1. Soahd on 17 de novembro de 2014 11:33

    Muito boa coletânea de fotos e informações, ahh, e todos nossas personalidades tivessem este trabalho de resgate pela familia, o blog teria um incremento de história muito bom, pois é a partir da familia campinense é que pode fazer a história de CG consolidar.Adorei e parabéns ao Blog por mais esta pesquisa concluída.

     
  2. walmir chaves on 17 de novembro de 2014 16:49

    Excelente! Uma alegría para mim conhecer datos sobre a vida dêle antes da Radio Borborema e posterior a minha vinda para Europa. Interessante saber que fez dois cursos superiores depois dos 40 anos...

     
  3. Maria Leuza on 17 de novembro de 2014 19:54

    Grande homenagem feita a Fernando Silveira. Eu era fã dele. Ele trabalhou em uma peça de Telenovela , Paixão de Cristo. Foi um. Sucesso. Obrigada Retalhos Históricos por essa Grande Homenagem , muito merecida, eu era fã dele . Mesmo quase uma criança.

     
  4. Lucínio Oliveira on 17 de novembro de 2014 21:27

    Pelo que percebi no relato, Fernando Silveira foi um gênio e, como tal, é cogente que sua memória se torne imorredoura. Parabéns à iniciativa de colocar esses relatos nas redes sociais, pois um país que se preze tem que publicizar homens, como esse, que dedicaram a sua inteligência à criação e às ações em prol das artes, das ciências, da política ou de quaisquer outros segmentos da economia humana. Espetacular esse relato. A família e os amigos que tiveram o privilégio de conhecer esse GÊNIO (com letras garrafais, mesmo) têm que estar de parabéns.

     
  5. Anônimo on 17 de novembro de 2014 23:46

    É isso mesmo, Fernando Silveira foi o "gênio da raça" que revolucionou a radiofonia local. Era "um turbilhão de idéias", uma mente pródiga e fértil.
    Para que as gerações de hoje compreendam melhor o belo texto sobre ele é mister duas observações; 1) O titulo da novela era "Maria Laô"; 2)Os "scripts"(textos) das novelas dele foram disponibilizados para encenação na Tupi do Rio e Rádio Clube de Recife, mas não quer dizer que eram apresentados "ao vivo" simultaneamente (como acontece com as novelas de TV hoje). O que era "ao vivo" era a encenação no estúdio de cada emissora.
    Outra novela de estrondoso êxito e que não foi citada foi "Ódio que mata", nela tinha um crime misterioso e a pergunta "Quem matou Odin ?"permaneceu por semanas aguçando a curiosidade dos ouvintes.
    Em 1966, já no ocaso do rádio por causa da ascensão vertiginosa da TV, Fernando Silveira lançou sua última novela "Os Miseráveis", baseada na obra homônima de Victor Hugo.Além do primoroso trabalho de adaptação das duas mil páginas do romance,foi também uma verdadeira jogada de mestre em plena vigência da ditadura militar. Como se sabe, o pano de fundo do clássico romance francês é a insurreição democrática dos estudantes republicanos contra o regime do rei Luis Filipe I. Fernando Silveira transformou esse fato numa metáfora contra o regime militar que ferira de morte a democracia brasileira ao impedir a realização das prometidas eleições presidenciais em 1965. Na novela, o próprio Silveira, que era um excelente ator, interpretou o injustiçado Jean Valjean.
    Ainda no teatro, a peça religiosa "O Gólgota" foi um tremendo sucesso no Teatro Municipal durante a semana santa de 1968/1969.
    O cara era genial mesmo.

     
  6. Darlene de Jesus on 18 de novembro de 2014 09:44

    Estamos bastante gratas a esse Blog, e ao inteiro dispor daqueles que como nós nos orgulhamos de pessoas inteligentes e cultas que contribuíram e contribuem com o progresso da cidade de Campina Grande, uma dessas pessoas foi o nosso pai Fernando Silveira, por isso disponibilizamos todo esse acervo.

     
  7. Maria Leuza on 18 de novembro de 2014 09:52

    Grande homenagem feita a Fernando Silveira. Eu era fã dele. Ele trabalhou em uma peça de Telenovela , Paixão de Cristo. Foi um. Sucesso. Obrigada Retalhos Históricos por essa Grande Homenagem , muito merecida, eu era fã dele . Mesmo quase uma criança.

     
  8. Domenica Silveira on 18 de novembro de 2014 11:53

    Eu como filha de Fernando Silveira não me canso de lembrar as vezes que ele ficava em casa decorando textos e falando comigo em italiano curso que fez com o amigo e professor Perazzo. Por amar a lingua me deu o nome de Domenica( Domingas). Considero o meu pai um verdadeiro intelectual pois , escrever , atuar , escreveu muitos discursos para candidatos e prefeitos em Campina Grande,lecionar, dirigir atores era para ele como respirar. Um homem que amava as artes, até curso para desenhar fez! Ele foi fantástico e sou e serei sua fã numero 1! O vi muitas vezes chegando do trabalho e rapidamente depois de um dia exaustivo ficar até a madrugada escrevendo a maquina seu romance " o Chamado da terra " e as vezes me chamava para ditar, eu com sono, mas não me negava ,pois sempre tive verdadeira adoração por meu pai. Quero agradecer ao Blog pelo carinho e atenção dispensada .

     
  9. Anônimo on 18 de novembro de 2014 21:26

    Muito bom esse material.
    Fernando Silveira era um redator inteligente e homem de muitos instrumentos.
    Lembro dele nas primeiras transmissões da Tv Borborema(1964)encenando o monólogo de Pedro Bloch, "Esta noite choveu prata" onde ele interpretava(ao vivo!)3 personagens.
    Um grande talento que faz falta.

     
  10. Egberto Araújo on 19 de novembro de 2014 21:18

    Fui seu aluno nas aulas de História, em 1963, no segundo ano ginasial no Colégio Estadual da Prata. E como era agradável assistir as aulas doprofessor Fernando Silveira!

     
  11. Maria Conceição Araújo on 19 de novembro de 2014 21:22

    tINHA UM TOM DE VOZ BELÍSSIMO E, EU ADORAVA AS NOVELAS PRODUZIDAS POR ELE!!BJS!

     
  12. Johan c silveira on 20 de agosto de 2016 23:01

    Sou suspeito em falar dêste homem de verdade: pai, filho e esposo amoroso. É um privilégio ser um dos seus 10 filhos, sendo eu o mais velho. Meu primeiro emprego foi êle que me deu na Rádio Borborema, onde aprendi a atuar em novelas e outros tipos de trabalhos, como redigir os scripts dos atores, etc. Sua morte foi um trauma enorme para tôda família. Seus últimos suspiros foram em meus braços e de minha mãe. Suas últimas palavras foram: "Filho, cuide de sua mãe". Morreu esquecido e pobre, deixando apenas uma casa para a minha mãe e nada mais.

     


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