Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Alguns campinenses que visitavam a Bahia, no começo dos anos oitenta, ficavam encantados com o carnaval de Salvador e também, com um evento realizado na cidade de Feira de Santana chamada “Micareta”, um carnaval fora de época, que contava com toda a estrutura de “blocos, bandas e mortalhas” (roupas que eram os ingressos de acesso ao bloco) de Salvador.

A Micarande surgiu de uma idéia do então prefeito de Campina Grande, Cássio Cunha Lima, que resolveu apostar no conselho do publicitário Luca Sales, que participou do evento de Feira de Santana. Era o ano de 1989, quando Cássio resolveu importar o evento baiano. No primeiro ano, o evento foi realizado em apenas um dia. A “Turma do Pingüim” seria a grande atração da “extra-oficial” Micarande de 1989. Todavia, é bom frisar, que durante o São João de 1988 o “Demtur” promoveu o “Arrastão do Turista”, com Capilé e o Asas da América, evento realizado em 24 de junho com saída da Cavesa, passando pelo centro da cidade, até chegar ao Parque do Povo.

Oficialmente, a Micarande começou em 1990, quando ocorreu uma espécie de padronização do evento através dos blocos. Era a época das “agremiações de amigos” sem fins lucrativos, fazendo com que a população se identificasse mais diretamente com a festa. O mês escolhido para o evento, segundo algumas fontes, foi em virtude de ser o mês de aniversário de Cássio Cunha Lima.

Exatamente em 21 de abril de 1990, perto do antigo “Cave”, localizado as margens do Açude Velho, um grupo de foliões vestindo as mortalhas com um Galo de Campina estampado no material, saiu em direção ao Parque do Povo puxado pelo forrozeiro Biliu de Campina, acompanhado por uma orquestra de frevo.


No Açude Velho, nasceu a Micarande

O hino do Galo, de autoria de Bráulio Tavares, era cantado efusivamente por Biliu:

"O meu nome é trupizupi,
Sou o Galo de campina,
O meu nome trupizupi,
O raio da Silibrina..."

No Parque do Povo, o Galo de Campina se encontraria com o Bloco da Saudade, formado por foliões vestindo fantasias tradicionais do carnaval.

O Parque do Povo era o epicentro da festa

Nesse primeiro ano, além do Galo, o “Balanço do Amor” era o outro bloco oficial, que contava com a participação de Capilé. O Balanço do Amor era uma parceria de Capilé com Saulo Florindo, da quadrilha “Virgens da Seca”, que ficaria famoso na cidade nos anos seguintes, ao ser um dos sócios do “Bloco Batata”, com a banda “Asa de Águia”.

No Galo de Campina, era fácil de encontrar entre os foliões, políticos e artistas do Estado. Cássio Cunha Lima, por exemplo, participaria junto com seu pai Ronaldo, além de artistas do quilate de Elba Ramalho.


Cássio Cunha Lima no Galo de Campina em 1990

Em 1991, Cássio definiu a festa da seguinte maneira: “Essa exitosa promoção... foi lançada nas ruas da cidade com outro objetivo, de caráter econômico: fortalecer os segmentos produtivos e de serviços de Campina. E atingiu plenamente sua finalidade”. E era verdade, pois a partir de 1991, o evento seria consolidado e teria seu sucesso aumentado durante a década de 90, servindo de modelo para várias micaretas no Brasil, até atingir seu auge em 1999. Mas essa é outra história, e ainda abordaremos mais sobre esse evento ao longo dos próximos meses.

Abaixo, um vídeo da TV Paraíba sobre o início da Micarande:


Fontes Utilizadas:

-Dissertação “Micarande: Festa do Povo?” – Autor: Sebastião Faustino Pereira Filho.
-www.micarande.com.br
-Comunidades do Orkut, que falam em Campina Grande.

3 comentários

  1. Wagner on 11 de novembro de 2009 14:56

    Ô saudade grande!

     
  2. Anônimo on 21 de novembro de 2009 10:30

    Lendo esses artigos e observando a forma criativa como vocês expõe a memória local surgiram várias idéias para inclusão no meu blog "História Esperancense", ressaltando os principais eventos culturais da cidade de Esperança/PB. Muito obrigado!

    Rau Ferreira
    Blog: "História Esperancense"
    http://historiaesperancense.blogspot.com

     
  3. paulo cesar fernandes de oliveira on 10 de maio de 2015 20:58

    eu gostava daquele pessoal mais antigo que lembrava os carnavais de rua.

     


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