Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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Abaixo, um dos momentos mais dramáticos da história de Campina Grande, a cassação do prefeito Newton Rique em 1964:

Newton Rique foi prefeito de Campina Grande entre 30 de novembro de 1963 a 15 de junho de 1964. Ex-presidente da Associação Comercial, ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, dirigiu ao lado do irmão o Banco Industrial de Campina Grande, que se situava no Edifício Rique, edificação que já foi mostrada aqui no blog.

Em 1963, ele seria eleito prefeito ao derrotar Langstein Almeida, com cerca de 20.883 votos, o que representava 70,6% dos votos válidos. Vale salientar, que o eleitorado da cidade ainda era de “apenas” 45.672 eleitores.

Como já é de conhecimento de nossos visitantes, 1964 foi o ano do centenário da cidade, todavia, outro acontecimento marcante, dessa vez a nível nacional, mudaria os rumos da política brasileira. Foi o advento da Ditadura Militar (31 de março), fato este, que atingiria em cheio Campina Grande, culminando com a cassação do prefeito Newton Rique.

O registro sonoro a seguir é uma das raridades de nosso acervo. Trata-se do discurso de Newton Rique proferido após sua cassação, ocorrido no dia anterior (15 de junho de 1964). Esse registro foi gravado pela Rádio Borborema, cujo livro de Josué Sylvestre, “Nacionalismo e Coronelismo”, relatou a história em suas páginas e de onde as fotos que ilustram esse tópico, foram retiradas.

Após sua saída de Campina, Newton Rique voltou ao seu ramo empresarial, sendo o fundador da Rede de Shoppings “Iguatemi”. Seu filho, Ricardo Rique, deu continuidade a história política da família, sendo deputado federal pela Paraíba, durante alguns mandatos.

 

 

 

 

Áudio da Rádio Borborema:



Saibam mais sobre a eleição de Newton Rique, clicando abaixo, em documento feito por William Tejo no antigo "Gazeta do Sertão":



Seguindo nosso tópico, uma raridade sem precedentes. Em vídeo, o exato momento em que Newton Rique deixava Campina Grande. Tal registro faz parte do acervo de José Cacho e William Cacho, que se preocuparam em manter viva a história de nossa cidade:

5 comentários

  1. gustavo ribeiro on 24 de agosto de 2010 17:57

    Na foto onde Newton Rique recebe o abraço de Ronaldo Cunha Lima, aparece ao lado, aplaudindo o gesto, o meu querido tio-avô, então secretário de Agricultura, Zacarias Ribeiro.
    Entre outros cargos públicos que exerceu em Campina, Zacarias foi Vereador e Presidente da Cia de Luz (Que depois viria a se tornar CELB).
    Irmão de César, Hildebrando (Dedé), Pedro (Sindô), Paulo, Severino (Macambira), Manoel (Ribeirinho), Adélia e Antônio (Tota). Zacarias fazia parte dos "Soldados de Argemiro", denominação dada aos irmãos Ribeiro, por sua lealdade ao primo legítimo e correligionário, Argemiro de Figueirêdo.

     
  2. Jobedis Magno de Brito Neves on 25 de agosto de 2010 07:42

    Quando houve o 31 de março, eu tinha exatamente 13 anos de idade. Estudava no Colegio Estadual da Prata - o Gigantão. Quando houve o golpe a gente escutava algumas pessoas mais velhas no nosso colégio e em nosso bairro comentarem: Agora vai dar certo. Agora vão consertar o Brasil, agora vão acabar com o comunismo, agora vai não sei mais o quê. Era essa a idéia. Era essa a visão que nós ainda criança tínhamos na época sobre o golpe militar. Na minha casa, meu pai escutava o rádio e dizia: O Exército vai consertar o Brasil. Agora nós vamos melhorar. Era essa a visão. Pelo menos em boa parte da população de Campina Grande. Hoje depois dos 50 anos eu vejo de forma diferente o que aconteceu no país. Eu acho que a gente tem que dividir o Regime Militar entre a intenção dos militares que deram o golpe em 1964 e aquilo em que se transformou depois do golpe, pois eu acho que houve uma deformação. Agora, com toda a deformação, se você tirar fora as questões políticas, as perseguições tal como aconteceu aqui na Paraiba com alguns politicos entre os quais, Newton Rique, Vital do Rego, Pedro Gondim, Ronaldo Cunha Lima entre outros, do ponto de vista da classe trabalhadora o Regime Militar impulsionou a economia do Brasil de forma extraordinária. Naquela época, se tivesse eleições diretas, o Médici ganhava de lavada. O Brasil depois de muitos anos se sagra Tricampeão Mundial e foi no auge da repressão política mesmo, o que muita gente chama de período mais duro do Regime Militar. A popularidade dos generais no meio da classe trabalhadora era muito grande. Ora, por quê? Porque era uma época de pleno emprego. Era um tempo em que os trabalhadores trocava de emprego na hora que quisessem. Era uma época de muita facilidade os trabalhadores. Se houvessem eleições livres e diretas, o Médici ganhava de lavada. Teria uns 70% dos votos. Era o tempo do - Eu te amo meu Brasil, - Brasil: ame-o ou deixe-o ou Brasil grande potência etc.
    Se eles tivessem feito a coisa certa hoje não existiriam parasitas tentando e muitos conseguindo roubar, assaltar o erário público, usurpando o imposto dos brsileiros trabalhadores. Alguns hoje, tornaram-se os atuais ladrões de colarinho branco, até quando nós o povo, vamos deixar essa corja de direita e esquerda de mentirinha assaltar o país quando estão no poder, acorda BRASIL

     
  3. pedrocordeirodemelo on 8 de março de 2011 23:55

    Contextualizando...
    Desde o golpe de 31/3/64, vivíamos um período de caças e de cassações. Foi um dos métodos que a Ditadura Militar usou para intimidar e calar a oposição. Dois prefeitos de Campina foram guilhotinados no início de suas respectivas administrações: Rique e Ronaldo. O mais revoltante é que as duas cassações não foram perpetradas por causa de um pretenso “perigo vermelho”, não. Militar algum chegou a cogitar serem esses dois campineneses uma ameaça à Segurança Nacional. E nenhum deles tinha ligações com movimentos internos ou externos que justificassem os brutais atos contra nossos prefeitos. Na verdade, elas foram “indicadas” por inimigos políticos locais.
    Essa aprovação ao golpe de 64, a que Jobedis se refere, é verdadeira. Segundo a Fundação Getúlio Vargas:
    …”o golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais, da Igreja católica, vários governadores (C. Lacerda, M. Pinto e A.de Barros)... e amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica.”
    O pensamento prevalecente era que o Brasil estava um caos ( greves, descontrole, baderna, corrupção, inflação...) e correndo sério risco de se tornar uma Grande Cuba. Isso se explica: Havia uma propaganda institucional intensa. O IPES, o IBAD e muitas outras instituições eram responsáveis por uma incessante “lavagem cerebral anticomunista”. A maioria da imprensa ( ex: O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Diário de Notícia) apoiava um golpe contra Jango.
    É por isso que o golpe foi comemorado como a salvação o Brasil.
    De fato, houve um surto de crescimento econômico logo depois do golpe (às custas de emprétimos externos): a modernização industrial e as grandes obras de infra-estrutura eleveram os níveis de emprego. Mas, tudo não passou de um surto: a crise do petróleo de 73, a saída do capital especulativo, a extinção de juros internacionais baratos, fez o crescimento diminuir e levou o Brasil a dificuldades de caixa e de liquidez. Várias obras pararam, a inflação acalerou-se. Todos passaram a culpar a Ditadura, que se viu pressionada a iniciar a abertura.

     
  4. Anônimo on 5 de maio de 2012 08:38

    Que histórico!!!

     
  5. Anônimo on 3 de fevereiro de 2014 12:53

    Só um detalhe: o Brasil ganhou o "Bi" em 62, perdeu em 66 na Inglaterra e foi Tri em 70 no México. Quer dizer, não foram "anos depois", só o intervalo de UMA Copa.
    Outra: pelo que consta, o técnico do Tri era Zagalo( com base formada por João Saldanha) e não o ditador Médici.

     


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