Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Se ocorresse hoje seria mais um número na estatística, porém, há mais de 30 anos, o fato causou grande comoção em Campina Grande. Estamos falando do crime do Monstro do 40, um assunto que não queríamos abordar, mas sem dúvida nenhuma tornou-se uma parte de nossa história, muito triste por sinal.

Era outubro de 1983, a criança de 7 anos Izabel Cristina Barbosa Dias, a “Belinha”, foi morta por Manuel Guimarães Dias, crime ocorrido em Campina Grande e que alcançou mídia nacional.

Manuel Guimarães Dias, o "Monstro do 40"

O delito ocorreu no dia 17 daquele mês, quando Izabel saiu do grupo escolar Melo Leitão no Bairro do Jardim Quarenta, local de seu estudo. Manuel que à época tinha 32 anos viu a criança sozinha indo para casa e a abordou, convencendo-a a segui-lo até uma rua pouco habitada naquele ano de 1983 (Rua Américo Carneiro). 

A Rua Américo Carneiro, no Quarenta, local da morte de "Belinha"

Lá, seguiram para uma casa em construção e Manuel estuprou e matou Belinha com 13 facadas.

A casa em construção em 1983, local da tragédia

O maníaco foi preso quase imediatamente após o crime, pelos soldados Georgetown e Teixeira. Ele foi denunciado por um pedreiro que fazia uma obra em local próximo ao ocorrido e viu que o criminoso estava ensanguentado e com a faca do homicídio em punho. Em depoimento, o bandido revelou algo tenebroso e triste: “Vou dizer a mamãe, vou dizer a mamãe”, era o que gritava Izabel a cada facada que recebia.

“Belinha” foi sepultada no dia 18 de outubro no Cemitério do Cruzeiro, com grande multidão acompanhando seu enterro, revoltados e gritando palavras de ordem contra o “Monstro do 40”, como o criminoso ficou conhecido a partir de então.

Após sua prisão em flagrante, Manuel Guimarães passou por um rigoroso exame de faculdades mentais, realizado no Instituto de Psiquiatria Forense de João Pessoa, a pedido de um advogado e que revelou que o “Monstro do 40” era completamente normal, ou seja um “assassino de mente sã, frio e calculista”, segundo a constatação do Psiquiatra responsável pelo exame. 

Foi julgado e condenado em 1984, quando por insistência do Juiz de Direito, Luciano Gadelha, o advogado Francisco Maria resolveu defendê-lo. A insistência foi pelo fato de nenhum advogado querer defender o maníaco, em face da forte comoção contra o criminoso.

Em dezembro de 1984, uma grande multidão acompanhou o julgamento no Fórum Afonso Campos, que naquele ano ainda localizava-se na Avenida Floriano Peixoto. Para surpresa de todos os presentes no Fórum, Manuel negou a autoria do crime, o que foi ignorado pelos jurados: resultado 7x0. Foi condenado a 30 anos de prisão.

O "Monstro do 40" chegando para seu julgamento

Manuel Guimarães Dias cumpriu 19 anos de pena e segundo reportagem da TV Borborema de 2012, seguiu para São Paulo quando assassinou um irmão. Poucos dias depois o “Monstro do 40” foi encontrado morto. Assista a reportagem:


Após a morte de “Belinha”, vários casos de milagres foram atribuídos a menina, chegando-se a tentar a construção de uma Capela no local de sua morte, o que não ocorreu. Hoje o local do crime é uma casa residencial. 

Altar improvisado no local do assassinato em 1983

Sem dúvida, um crime que jamais será esquecido pela população campinense.


Fontes Pesquisadas:

-DA VIOLÊNCIA A SANTIDADE: UMA LEITURA DO CASO IZABEL CRISTINA – EDUARDO LEMOS PORTO (Trabalho de Conclusão do Curso de História da Universidade Estadual da Paraíba) 
-REPORTAGEM DA TV BORBOREMA EM 2012
-DIÁRIO DA BORBOREMA (ACERVO)
-JORNAL DA PARAÍBA (ACERVO)

19 comentários

  1. Leide Silva on 22 de junho de 2015 08:41

    parabens ,por relatar esse fato a nossa sociedade ,cresci ouvindo minha mae falar sobre isto tinha apenas 2 anos de idade quando isso aconteceu e sempre que ,visito o semiterio vou a o tumulo de isabel cristina ,, muito obg Retalhos Históricos de Campina Grande parabens por esse trabalho

     
  2. Rosenilda Silva Bezerra on 22 de junho de 2015 09:59

    Lembro muito bem esse dia foi muito triste campina grande ficou em choque , nessa época campina grande ainda era uma cidade pacata um fato como esse era coisa que a população não estava acostumada vê..se fosse hoje em dia o povo não ficaria tão chocada por que a criminalidade ta muito grande..

     
  3. Soahd Arruda on 22 de junho de 2015 09:59

    Ruim, sempre ruim...tinha matado a esposa antes e depois de 19 de prisão ainda mata o irmão em SP, para só depois alguém resolver e dá como liquidado esta saga..(acho que foi morto)...fico pensando como ele sobreviveu na prisão..normalmente estes casos não duram muito sem liquidar pessoas desta natureza.

     
  4. Ludy on 22 de junho de 2015 10:16

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  5. Ludy on 22 de junho de 2015 10:21

    Se as Penas fossem cumpridas integralmente sem privilégio algum. Ele não teria cometido novo crime. Especialmente, em crimes dessa espécie.

    Sabem de quem é a culpa? Dos nossos LEGISLADORES, com a anuência da autoridade que à sanciona . Nesse "CASO" Presidente(a) da Republica.

     
  6. Mônica Soares on 22 de junho de 2015 15:14

    Parabéns Retalhos Histórico, acabei de ler essa triste história do ( monstro do 40 ) e fiquei passada com esse caso , pois estudei a muitos anos atrás neste grupo escolar . E como moro fora de C Grande a muitos anos mesmo com meus irmãos morando ai nunca fiquei sabendo deste triste episódio , ou não lembrava . Muito triste .

     
  7. Anônimo on 22 de junho de 2015 17:30

    nessa epoca eu queria ter sido dos "direitos dezhumanos' para poder fazer um "carinho" um "acalento" nessa peça boa com um maçarico de oficina, estilete, faca, barras de ferro, barrotes com pregos, acidos, alicates cortantes e dilacerantes, trinchas, machado, brocas cirurgicas, e tantos outros objetos para fazer carinho

     
  8. o broco on 22 de junho de 2015 17:34

    que monstro se eu pegasse esse cara o inferno seria uma colônia de ferias pra ele depois de passar por mim

     
  9. Ana Santino on 22 de junho de 2015 21:58

    Lembro que na minha infância esse crime marcou bastante pela barbárie e porque naquela época não tínhamos tantas ocorrências de crimes ediondos como hoje. Nossos pais tinham receio de nos deixar brincar na rua, desacompanhados de um adulto por medo do que ocorreu com Isabel Cristina e o "mostro do quarenta". Durante muito tempo o túmulo da garota era palco de visitações no cemitério fo cruzeiro...lamentável história. Parabéns pela matéria

     
  10. Luciano Guedes on 23 de junho de 2015 08:20

    FOI UM ATO DEMONIACO DESTE HOMEM

     
  11. Socorro Marques Almeida on 23 de junho de 2015 08:20

    Ave Maria, lembro me demais, até porque a irmã dela vivia lá em casa nos ajudando.

     
  12. FRASES DA FANPAGE DO RHCG on 23 de junho de 2015 08:22

    Rogerio Da Silva Sabia Ato de covardia, isso sim...

    M.s. Cardoso Xavier crueldade sem par.

    Ivson Ribeiro Agra Foi um ato de covardia e monstruoso, esse verme deve estar nos quintos do Inferno.

     
  13. Gilson SOusa on 23 de junho de 2015 08:23

    Foi triste pois nossa cdade ja tinha isto de tudo menos um ato como este. Foi feliz a reportagem relembra este fato

     
  14. Leide Silva on 23 de junho de 2015 08:24

    parabens ,por relatar esse fato a nossa sociedade ,cresci ouvindo minha mae falar sobre isto tinha apenas 2 anos de idade quando isso aconteceu e sempre que ,visito o semiterio vou a o tumulo de isabel cristina ,, muito obg Retalhos Históricos de Campina Grande parabens por esse trabalho

     
  15. Ana Paula do Ó on 23 de junho de 2015 08:25

    Estudei nessa escola, e durante anos fui atormentada por esta história. Parabéns pela divulgação. Excelente reportagem.

     
  16. Gilma Dias on 23 de junho de 2015 08:26

    Lembro demais essa triste história,Campina Grande foi abalada.

     
  17. Bráulio Nóbrega on 26 de junho de 2015 11:58

    Quando criança, sempre era advertido com o "Cuidado com o Monstro do 40!".
    Apesar dos pesares, esse foi um ótimo registro do RHCG.

     
  18. Elvia on 29 de outubro de 2015 06:27

    Também cresci ouvindo o caso de Isabel Cristina. Tinha 2 anos na época... meus pais sempre alertando para não andar sozinha por aquela redondeza. Ali era muito descampado. Muitos terrenos baldios, cheios de mato. Era tudo muito esquisito até para adulto.

     
  19. wison júnior on 25 de maio de 2016 15:57

    Trabalhei na construção da máxima dentro do Serrotão e o tal "monstro do 40" trabalhava como servente na obra, os presos diziam que ele foi o homem que mais sofreu em toda história do presídio, ele realmente era muito calado, cheguei a trabalhar uma semana com ele e nunca ouvi sua voz, realmente sentia muita coisa ruim deste homem, não queria ter conhecido, isso foi por volta de 2001.

     


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