Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

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"A sala parece um santuário. Fica a maior parte do tempo fechada, ninguém entra ali, parece que ela é envolvida por aquela atmosfera de pesado respeito que rodeia as pessoas importantes. Está sempre limpa, mas tem ar de abandonada, sem a costumeira papelada em cima da mesa e cinzeiros cheios. É simples e funcional: um jogo de sofá e poltronas em vermelho discreto, estantes e paredes revestidas de madeira. Ao centro, uma mesinha redonda de mármore, para reuniões. Ao fundo há um abajur em suave meia-luz para descansar o ambiente. Na mesa principal uma plaquinha solitária: Edson Arantes do Nascimento — Diretor."

O que a reportagem da edição 1017 da Revista Manchete, no ano de 1971, revelou, longe do folclore e do marketing fácil, é a institucionalização de uma exceção. Edson Arantes do Nascimento não era apenas um nome simbólico no organograma do Banco Industrial de Campina Grande: era um diretor que existia à margem da burocracia comum, protegido dela e acionado somente em situações consideradas estratégicas.

Seu gabinete, discreto e quase sempre fechado, funcionava mais como um espaço de representação do que de expediente. Pelé comparecia raramente, em média uma vez por semana, e mesmo assim sob uma lógica própria: entrava pelos fundos, evitava exposição e tinha suas atividades filtradas por uma secretária que atuava como verdadeiro anteparo institucional. Não se tratava de ausência, mas de preservação.

A matéria deixa claro que sua função não se submetia às rotinas administrativas. Pelo contrário: o banco o poupava deliberadamente de tarefas ordinárias, reservando-o como “trunfo para grandes cartadas”. Seu vínculo profissional obedecia a uma cláusula absoluta — o futebol vinha sempre em primeiro lugar. Qualquer compromisso podia ser anulado diante de um jogo do Santos, sem constrangimento, sem sanção e sem explicação adicional.

Essa condição excepcional não era um privilégio informal, mas uma estratégia assumida pela alta direção do banco, que supervisionava diretamente sua atuação a partir do Rio de Janeiro. Consultado com formalidade, Pelé podia simplesmente dizer “não”, e isso era aceito como parte do arranjo. Ainda assim, o retorno institucional era evidente: a presença de Pelé projetou o Banco Industrial de Campina Grande para além dos limites regionais, transformando-o em um nome conhecido nacionalmente, apesar de não figurar entre os maiores do sistema financeiro.

É nesse ponto que Campina Grande entra na história não como cenário secundário, mas como base simbólica dessa relação. O banco que levava o nome da cidade foi o elo que conectou o maior jogador de futebol do mundo a uma função executiva singular, onde imagem, prestígio e estratégia institucional se sobrepunham à burocracia tradicional.

Pelé, ali, não era mito nem funcionário comum. Era uma exceção consciente — e, para o Banco Industrial de Campina Grande, uma exceção que valeu a pena.



Campina Grande possui lugares  fascinantes, mas  nenhum  supera o  Açude Velho  como  a mais bonita imagem ou  cartão  postal  desta cidade.  O Açude  Velho  localiza-se  na  região central do município e possui uma área de aproximadamente 47 mil m².

Antes que adentremos nos pormenores históricos deste símbolo da cidade, mergulharemos no imaginário de muitos campinenses, que “apreciam” por demais este espaço urbano e também turístico. Este local é fonte inspiradora de muitas circunstâncias, desde uma caminhada simples (da qual este autor é adepto quase que cotidianamente), passeios informais, corridas, pedaladas e até começos e continuações dos encontros românticos ali estabelecidos. Suas águas, histórias e panoramas inspiram artistas, cantores, pintores, fotógrafos e cidadãos comuns, bem como “crônicas” atinentes a um local arrebatador.

Naquele local público e aprazível, encontramos dois museus:

1.    Museu de Arte Popular da Paraíba (Museu dos Três Pandeiros), projetado pelo célebre Oscar Niemeyer.

2.    SESI Museu Digital, que proporciona uma viagem interativa pela história de Campina Grande, com tecnologia, realidade virtual e simuladores, onde também se encontra o belo monumento comemorativo aos 150 anos da cidade.

Existem mais dois monumentos às margens do açude: "Os Pioneiros da Borborema" e as estátuas de “Jackson do Pandeiro” e “Luiz Gonzaga”, que estão ali posicionados como ponto de visitação, onde os registros fotográficos se acentuam. Não esquecendo do “Memorial à Bíblia”, que é um espaço dedicado à fé cristã.

O Açude Velho é um lugar adequado para passar um tempo de maneira agradável e, por conseguinte, conhecer muito da história e cultura da cidade, e ainda por cima, saborear petiscos saborosos encontrados em bares, lanchonetes e restaurantes ali localizados.

Mas, vamos lá: e o início do Açude Velho?

Este açude foi idealizado e construído em razão da seca que assolou o Nordeste brasileiro, entre os anos de 1824 e 1828, tendo sido inaugurado em 1830.  Erguido no leito do antigo "riacho das piabas", o açude serviu durante anos ao povo de Campina e da região do Compartimento da Borborema, que usava de suas águas para diversos fins.

Em face de Campina Grande começar a ser abastecida diretamente do Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão – PB), a finalidade inicial do Açude Velho se desfez e, como já mencionado, hoje é um cartão postal e patrimônio da cidade. Naturalmente, com o crescimento urbano, teve que passar por transformações, ganhando calçadão, ciclovia, iluminação pública e esculturas.

Com mais de 195 anos de história, não poderia faltar um caso pitoresco e emblemático em relação ao referido açude, que é o “Famoso Jacaré”, o qual povoa o imaginário popular, quando muitos afirmavam que um jacaré estava acolhido nas águas do açude. Pois bem, segundo registros históricos, um jacaré-de-papo-amarelo realmente habitou ali nos anos 80, e em 2004 foi resgatado e passou aos cuidados do “Museu Vivo dos Répteis da Caatinga”.*

Quantas lembranças me traz o Açude Velho! Ele mexe no meu interior de maneira diferenciada, pois me incita até a pensar em circunstâncias não vivenciadas ali e que, na graça de Deus, espero contemplar a realização.

Cuidem desta obra fantástica, pois ela se encarregará de exalar o bom perfume de uma história nostálgica, ao mesmo tempo em que adequará a trajetória rumo ao futuro, repleta dos bons ares de uma grandiosidade permanente. E que este espaço encantador seja mantido adequadamente, com o devido engajamento da sociedade, bem como do poder público. 

Cabe a todos, em uma conexão vitoriosa, fazer com que esta paisagem não seja prejudicada por falta de amparo.

Que o Açude Velho, apesar do nome, possa se tornar, a cada dia que passa, mais NOVO e se perpetuar no coração daqueles que, como eu, defendem intransigentemente a importância do local, bem como contemplam a sua beleza inquestionável.

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*midialegal.com.br

 

Colaboração de MEDEIROS JR, autor do blog Linhas Edificantes (www.linhasedificantes.com.br)


 
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