Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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Texto do Pe. Luciano Guedes, publicado originalmente no site http://diocesecg.org/  



A obra do Padre Ibiapina fez surgir em Campina Grande a Casa de Caridade em 25 de agosto de 1868. Como observa-nos Câmara Cascudo, em todo século XIX estes mensageiros da fé católica pregaram a Palavra de Deus e socorreram os desertados da seca e da fome nos interiores mais isolados da Província,  gente  que estava privada  da assistência direta do poder público.

Desta maneira, os missionários itinerantes conquistaram o respeito e a admiração das populações nordestinas, “enchendo com os sinais da sandália humilde os caminhos do sertão bravio”. Na Paraíba existiram dez Casas de Caridade, situadas em nossos distritos e cidades. Em Campina, esta tomou lugar na atual Avenida Assis Chateaubriand, onde se instalou mais tarde o Parque Industrial da SANBRA (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro).

Ali havia um conjunto construído no modelo de casa grande em forma retangular, contendo capela, salas, refeitório e dormitórios. Tudo providenciado para o acolhimento das moças órfãs que recebiam o devido cuidado humano, social e religioso. Faziam trabalhos manuais, aprendiam a tecer, ler e contar.

Com o desparecimento do Padre Mestre Ibiapina a partir de 1883, coube ao Monsenhor Sales, recém-designado para a Paróquia de Campina Grande, a tarefa de grande defensor e incentivador da obra caritativa e espiritual. O vigário trouxe para a Casa instrutores encarregados da profissionalização das beatas, capacitando-as para o artesanato, costura e confecção dos materiais destinados ao culto sagrado.

O número de beatas atingiu trinta residentes, além das órfãs e jovens abandonadas. O externato matriculou mais de trezentas alunas entre 1918-1920 com o curso primário, aulas de corte e costura, canto, religião e arte culinária. Uma espécie de escola doméstica feminina.

No período do seu paroquiato, as beatas exerceram um relevante papel e apostolado na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.  Foram elas que aos sábados ornamentavam com zelo e delicadeza o altar da padroeira e dos santos, com as flores recolhidas do próprio jardim da igreja.

Confeccionavam as toalhas, vestes, hábitos, paramentos sacerdotais e as demais alfaias relacionadas à celebração da Eucaristia e dos sacramentos. Recebiam encomenda de outras paróquias e das redondezas que, por sua vez, contavam com os seus serviços, ao tempo em que se obrigavam com o sustento, apoio e manutenção da Casa de Caridade.

Outra participação das beatas a ser lembrada diz respeito ao canto coral na Santa Missa por elas executado. Conta-se que até homens indiferentes às coisas sacras, adentravam a Matriz para atentamente ouvi-las cantar aos domingos. Na realidade, parece-nos que o oficio delas espalhava na cidade um frescor de leveza e de bondade, capaz de tocar as almas mais arredias e resistentes.

Neste ano em curso – momento em que celebramos 250 da Igreja Matriz – é importante recordar o seu significado histórico na defesa da vida e da dignidade humana.  Oportuno também é conceber que se faz história não para alimentar saudosismos ou para tecer a simplista glorificação de um passado distante. Não é esta a sua necessidade e tarefa.

A história se conta para compreender os dinamismos humanos dos quais somos resultado e partindo disto olhar novas possibilidades. Narra-se o passado para colocar o homem sempre responsável pelo seu presente. História é compreensão da temporalidade, do tempo vivido que não é estático, porque se renova continuamente.

Neste sentido, a Igreja de Campina Grande tem um bonito caminho feito e por fazer.   Hoje existe em nossa Diocese, doze Casas que são obras de caridade e dezoito pastorais ditas de fronteira e de promoção da vida, acompanhadas pelo Vicariato Episcopal da Caridade, Justiça e Paz.

Essencialmente, a obra de tornar o evangelho próximo dos pobres, sofredores e desvalidos continua sendo a mesma que estava na intuição dos curas de almas Ibiapina e Sales, naturalmente, respondendo às demandas impostas pelo nosso tempo, como por exemplo, as situações de rua, os dependentes químicos, o acesso à justiça, a sobriedade, as pessoas idosas, os cadeirantes, os hospitais, etc.

As beatas da Casa de Caridade em Campina Grande anunciaram no seu contexto a força transformadora do evangelho pelo testemunho da misericórdia e da doação.  Inspiração e exemplo para nossa pastoral de saída no encontro com o rosto sofredor de Cristo na carne dos irmãos fragilizados.

No aniversário jubilar da Igreja Matriz, porta que testemunhou tamanha entrega, mova-nos o Espírito Santo de Deus para socorrer os corações atribulados da nossa época. E novas vozes entoem o divino canto que se concluirá um dia no Céu!


(Por Pe. Luciano Guedes, texto originalmente publicado em http://diocesecg.org )

Contar a história da Igreja Catedral de Nossa Senhora da Conceição que caminha para a celebração dos seus 250 anos no próximo dia 08 de dezembro deste ano em curso, confunde-se com o fazer a narrativa da própria cidade de Campina Grande em suas origens, evolução e contemporaneidade.

Até 1769, ano de fundação da Matriz, a povoação nascida pelo aldeamento dos tapuias trazidos do sertão de Piranhas pelo capitão-mor Teodósio de Oliveira Ledo e aqui denominados de ariús, continha um pequenino templo dedicado à Nossa Senhora da Conceição e construído em taipa no alto da colina, virado para o noroeste. Somente em 1791-93 com a grande seca que assolou a região da Borborema, avivando o sentimento religioso dos habitantes locais, a igrejinha primitiva recebeu melhoramentos de alvenaria em tijolos, fabricados no sítio do Lozeiro, onde não faltava a água.

A Igreja Matriz de Campina Grande aí instalada pelo Bispado de Olinda, permaneceu com esta modesta estrutura física até o ano de 1887, quando o Monsenhor Luís Francisco de Sales Pessoa  reuniu esforços para dotar a acanhada construção – na expressão do próprio vigário – de uma remodelação capaz de dignificá-la ao ritmo da habitação e do estatuto de Vila elevada à condição de Cidade.

Herdamos desse momento a atual fachada externa em linhas neoclássicas; as duas torres, uma com agulha direcionada ao infinito e a outra sem agulha para o hasteamento da bandeira da padroeira e dos demais santos de devoção confome fossem reservados no calendário anual; o relógio, marcador das horas; os corredores laterais e a abertura do corpo da igreja em arcos. A este conjunto adicionou-se o altar-mor construído em mármore Carrara, com seus três nichos na parte superior, dedicados à Imaculada Conceição, São Luís Gonzaga e São Francisco de Assis. Além do altar principal, mais dezesseis altares laterais foram construídos para o culto dos santos, entre eles destaque para o da Sagrada família, onde se abençoava os casamentos e do Mártir São Sebastião, posto nesse lugar para agradecer-lhe a superação do surto de cólera, drama vivido pelos habitantes da vila no século XIX.

Com este conjunto patrimonial e simbólico, a Igreja Matriz, adentrou ao século XX, testemunhando os tempos modernos, com o seu processo de urbanização e de reconfiguração do centro urbano. O apogeu do algodão, a linha férrea, os veículos automotores, o telégrafo, a luz elétrica e a avenida aberta pela reforma urbanística da década de 1940, indicaram o programa do progresso e da higienização pela qual atravessava a cidade em plena expansão e desenvolvimento. Contudo, permaneceu no mesmo lugar o templo católico primeiro, nascido ali, desde os tempos da colonização portuguesa.

A terceira fase da configuração do templo data de 1969, quando já sede do Bispado campinense, o recinto sagrado passou por adaptações à Reforma Litúrgica empreendida no Brasil pela realização e recepção do Sagrado Concílio Vaticano II, momento em que se instalou o novo altar ao centro do presbitério, direcionando o culto e a comunicação da Palavra divina para a assembleia dos fiéis.

Podemos falar de uma quarta e última etapa que nos traz aos dias atuais. Por ocasião do Jubileu áureo dos cinquenta anos de fundação da Diocese de Campina Grande, celebrado em 1999 pela presidência de Dom Luís Gonzaga Fernandes (4º Bispo diocesano), construiu-se nova Capela do Santíssimo Sacramento e nova Pia Batismal, belas obras artísticas do Frei Dimas Marleno e sua equipe.

Celebrar 250 da Matriz será uma oportunidade histórica para reconhecer através do templo a fisionomia humana e espiritual do querido povo campinense. Visitar o passado do nosso marco primeiro, viajando pela Capela da aldeia, Matriz da Vila Nova e finalmente a Catedral na cidade moderna, conduz-nos à compreensão das pessoas, dos seus sentimentos, afetos, cotidiano e o testemunho de fé que fez existir Campina Grande até os nossos dias. Como nos conta o texto sagrado nas Escrituras: “Não se pode esconder uma cidade situada sobre o monte” (Mt 5,14). Cidade esta que guarda um templo santo, casa de oração – lugar de renovação e de saudade – porta pela qual a Virgem Santíssima abençoa os seus filhos.


O dia 03 de fevereiro de 1917 ficara marcada na vida de Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, para graça da Paróquia de N. S. da Conceição de Campina Grande. 

Entrava o trem do Recife na estação do Entroncamento, quando os passageiros foram surpreendidos por sinal alarmante de perigo: um trem de carga que a toda força vinha em sentido contrário. O prelado não se fez alterar, invocando a interseção da Virgem da Guia cuja imagem era conduzida nesse mesmo comboio.

O choque das máquinas foi enorme, ficando avariados e completamente desarticulados os vagões de carga, porém nenhum desgaste sofreu o que levava a imagem, assim como o vagão de passageiros, cujos ocupantes saíram ilesos, atribuindo aquela ação milagrosa a N. S. da Guia. 

Devoto da Virgem Medianeira, o Arcebispo da Paraíba com o coração ainda mais cheio de confiança, atribuiu à santa aquele livramento. Já estava em seus planos erigir um santuário, e por essa razão a imagem, depois de alguma demora no Palácio Arquiepiscopal, seguia para Campina Grande, onde lhe seria construído o santuário sob a direção do Monsenhor Luiz Francisco de Sales Pessoa.

A precariedade de recursos fizera que se lhe construísse um santuário provisória e, em novembro daquele ano, já se erguia aquele edifício sem suntuosidade ou originalidade de estilo, no mesmo lugar onde se acha hoje a Igreja da Guia.

O terreno havia sido doado pelo major Lino Gomes da Silva e dona Minervina Gomes da Silva no largo de uma praça no São José.

 Campina já naquele tempo era a “hinterland”, a metrópole do Sertão, e sob esse título, poderia desviar do Juazeiro as levas de romeiros. Um dos seus objetivos era desarraigar a ignorância religiosa, circundada nas superstições consagradas ao Padre Cícero, mas também aos devotos de Antônio Conselheiro, Bento Milagroso e outros religiosos.

Assim noticiava o órgão católico:
“O projeto do santuário terá ademais o ótimo efeito de satisfazer à natural inclinação dos fiéis às romarias, desviando-os de penosas viagens para cultos proibidos ou duvidosos” (A Imprensa: 1917).
A benção eclesial foi concedida em 18 de novembro de 1917, inaugurando Dom Adauto o pequeno órego no dia seguinte. A imagem foi conduzida em veículo aberto, acolhendo o povo campinense em grande multidão os Reverendos Luiz Sales, José Cabral e Zeferino Ataíde. À noite, pelas seis e meia, celebrou-se a missa em preparação para a inauguração. 

No dia 19, pelas sete horas, nova celebração da vida, apresentando o Arcebispo a imagem copiosa da Virgem, pregando o Cônego Manuel Maria de Almeida belo e piedoso sermão em praça pública. Às quatro e meia da tarde, em préstito se dirigiram ao bairro de S. José conduzindo a imagem, procissão essa que foi calculada entre 10 e 15 mil pessoas.

Permaneceu Dom Adauto em visita pastoral por quatro dias em Campina Grande onde, entre os dias 18 a 23 de novembro de 1917, crismou 5.175 cristãos (2.421 homens e 2.754 mulheres), distribuiu 7.400 comunhões e realizou 40 casamentos e 48 batizados.

Participaram dos trabalhos espirituais: Monsenhor Sales, Pe. Manuel de Almeida, Cônego Antônio Galdino, Padres José Paulino Duarte, Francisco Coelho, Joel Fialho, José Vital Ribeiro Bessa, Firmino Cavalcanti, Manuel Tobias, José Tribueiro de Brito, José Alves, Luiz Gonzaga de Araújo, Padres João Borges e João Batista e os seminaristas Severino Miranda e Oscar Cavalcanti. 


Referências:
- A IMPRENSA, Órgão católico. Ed. 08 de fevereiro. Parahyba do Norte: 1917.
- A IMPRENSA, Órgão católico. Ed. 26 de novembro. Parahyba do Norte: 1917.
- FILHO, Lino Gomes da Silva. Síntese histórica de Campina Grande, 1670-1963. Ed.
- LIMA, Francisco. D. Adauto: subsídios biográficos (1915/1935). 2ª ed. Unipê. João Pessoa/PB: 2007.
Grafset: 2005.

Foto: Arquivo Ricardo Souto
A imagem acima é uma produção do tradicional Foto Vilar, em homenagem a D. Anselmo Pietrulla, 1º Bispo de Campina Grande, que esteve à frente da Diocese de 13 de Novembro de 1949, um dia após sua instalação, até 1955.

Hoje, calha esta postagem, pelo fato de toda comunidade católica local estar convidada à recepção e posse do seu 8º Bispo Diocesano, Dom Dulcênio Fontes, egresso do vizinho estado de Alagoas, onde passou 11 anos como Bispo da Diocese de Palmeira dos Índios.

De acordo com a PASCOM - Pastoral da Comunicação da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, os eventos dedicados a acolhida do novo Bisco de Campina Grande seguirá o seguinte roteiro:

Chegada à Campina Grande:

Previsão de horário: 15:00h
Carreata: Dom Dulcênio chegará na Avenida Assis Chateaubriand, em Campina Grande, às 15h [em frente à empresa Alpargatas], onde será recebido pelos fiéis católicos, e em seguida, participa de uma carreata percorrendo as Ruas José do Patrocínio, Lino Gomes da Silva [passando pela frente da AABB], e Treze de Maio com destino à Praça da Bandeira.

Entrevista coletiva: Ao chegar na Praça da Bandeira, Dom Dulcênio caminhará até o Colégio Damas, onde concederá entrevista coletiva à imprensa, às 15h45.

Solenidade aberta: Após conceder entrevista à imprensa, o novo Bispo participa na Praça da Bandeira, de uma solenidade aberta, programada para às 16h, onde será recebido pelas autoridades religiosas, civis e militares. Um palco será montado no local. Dom Dulcênio vai receber a bandeira de Campina Grande e a chave simbólica da cidade.

Missa e posse canônica: Na sequência, Dom Dulcênio seguirá a pé até a Catedral de Nossa Senhora da Conceição, seguido por um grande cortejo de religiosos e fiéis. A celebração da missa e a posse canônica do novo Bispo acontece às 17h. Dom Dulcênio tomará posse como 8º Bispo da Diocese de Campina Grande.

Primeira celebração: A primeira celebração religiosa a ser presidida pelo Bispo Dom Dulcênio acontecerá no domingo (3), às 10h também na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, no Centro.



DIOCESE DE CAMPINA GRANDE, BREVE HISTÓRICO:

Criada a 14 de Maio de 1949, a Diocese de Campina Grande foi desmembrada da Arquidiocese da Paraíba, pertencendo ao Regional Nordeste 2 da CNBB, através de um documento Papal chamado Bula, com o título “Supremum Universi” do Papa Pio XII.

O 1º Bispo de nossa Diocese foi Dom Frei Anselmo Pietrulla OFM. 
Período:13/11/1949 até 1955.

2º Bispo: Dom Otávio Barbosa Aguiar. 
Período: 19 de maio de 1956 até 08/07/1962.

3º Bispo: Dom Manuel Pereira da Costa. 
Período: 30/09/1962, ficando no pastoreio até 1981.

4º Bispo: Dom Luís Gonzaga Fernandes. 
Período: 17/10/1981 até 29/08/2001.

5º Bispo: Dom Matias Patrício de Macêdo. 
Período: 22/09/2000 até 26/11/2003.

6º Bispo: Dom Jaime Vieira Rocha.
Período: 16/02/2005 a 21/12/2011

7º Bispo: Dom Manoel Delson.
Período: 2012 a 2017

Dom Dulcênio Fontes


Encerrando a sequência de fotografias cedidas pelo Pe. Márcio Henrique, as três imagens abaixo, creditadas ao 'Studio Silva', nos remete ao passado não tão distante de Campina Grande; 

  1. A foto 1 apresenta o Edifício São Luís, famosa sede da Rádio Borborema, situado na esquina da Rua Venâncio Neiva com a Rua Cardoso Vieira (detalhe para a nítida visualização do letreiro da Rádio no topo da fachada do prédio);  
  2. Na foto nº 02, um cenário bastante fotografado, parte da Avenida Floriano Peixoto, mostrando os fundos do Grande Hotel, hoje Secretaria de Administração e Finanças da PMCG, sendo visto ainda, parte da torre da Catedral de Nossa Senhora da Conceição; 
  3. Finalmente, a foto n.º 03 foi captada pelo ângulo da Rua Manoel Sérgio Oliveira, no Bairro da Conceição, sendo visto as costas do Convento São Francisco.


Foto 1: Edifício São Luís - Rádio Borborema

Foto 2: Grande Hotel - Av. Floriano Peixoto




Belíssima imagem de parte do Largo da Matriz, em 1930, com a presença do Paço Municipal, vizinho à Catedral de Nossa Senhora da Conceição, prédio demolido na administração Vergniaud Wanderley, onde hoje funciona o estacionamento da Igreja.

Foto cedida pelo Padre Márcio Henrique, Pároco da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Campina Grande.


Há alguns dias, recebemos um valoroso conjunto de fotos históricas advindas do Pe. Márcio Henrique, atual Pároco da Igreja de Nossa Senhora do Rosário. Neste acervo, encontram-se as fotos abaixo, registro de uma tradicional cerimônia Católica, de 1ª Eucaristia, realizada na Catedral de Nossa Senhora da Conceição. Aliás, a Catedral apresentando características arquitetônicas internas um tanto quanto diferentes de como a conhecemos hoje.

O fato a lamentar, que também não retira o fascínio pelas imagens, é a ausência das referências ao ano das fotos, bem como ao celebrante da cerimônia.

De certo, algum dos leitores mais vividos, pode ter a identificação do Padre nas fotos. No mais, eis os registros:



Interior da Catedral de Nsa. Sra. da Conceição
Em frente à Casa Paroquial, Rua Bento Viana



Findo os festejos momescos, hoje, 1º de Março de 2017, é a 'Quarta-Feira de Cinzas', onde tem-se início o período litúrgico de preparação para a Páscoa dos Católicos, denominado 'Quaresma'; tempo de reflexão, de oração e, acima de tudo, de penitência e de conversão!

Iniciemos este importante Tempo da Igreja Católica postando uma das mais raras imagens da História Eclesiástica de Campina Grande; o antigo Altar-Mor da Catedral de Nossa Senhora da Conceição.


Em meados de 1890 a Matriz de Nossa Senhora da Conceição passou por uma imensa reforma, concluída por volta de 1892, sob o comando do Padre Francisco Luiz de Sales Pessoa, o Monsenhor Sales, que nos deu o aspecto arquitetônico como a conhecemos hoje!

A foto nos foi remetida pelo Padre Márcio Henrique, atual pároco da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, no bairro da Prata, a quem agradecemos pela contribuição através de várias outras fotos a serem postadas sobre o pretérito campinense.

Sabemos, no entanto, que outras reformas posteriores descaracterizaram o Altar Mor, já não apresentando-se como nesta bela e imponente imagem, infelizmente não datada!

A foto é de 1949, conforme a descrição no seu rodapé, mais precisamente do mês de Setembro, daquele ano... portanto lá se vão 66 anos do momento da captura desta imagem!

A majestosa obra retratada é a construção da capela definitiva anexa ao Colégio Imaculada Conceição, tradicional Colégio das Damas, ocupando uma área muito maior que a ocupada pela Capela original, conforme fotos abaixo, estando o educandário bem próximo à esquina da extinta Rua do Progresso, na Década de 1930:





O Colégio Imaculada Conceição foi fundado, em Campina Grande, no dia 1º de março de 1931, por solicitação do Arcebispo D. Adauto de Miranda Henriques. O nome foi uma homenagem à santa padroeira da nossa cidade, Nossa Senhora da Conceição. As fundadoras foram as irmãs  Dominique, Alice, Livine e Martina, da Congregação das Damas da Instrução Cristã. A casa onde ficaram instaladas (a casinha lateral à escola, melhor retratada nesta foto aqui: CLIQUE), “era pobre, de biqueira, sem água e sem luz. Um antigo depósito de algodão ao lado, foi dividido com tabiques onde funcionaram as primeiras salas de aula”.

Aspecto da obra em Outubro de 1950

Fonte Consultada:
http://www.cicdamas.com.br/

No dia 15 de Agosto de 2015 a Igreja do Rosário, em sua localização no Bairro do Prata, completa 75 anos!

Sempre lembrando que a História da Igreja de Nossa Senhora do Rosário começou bem antes em Campina Grande com a presença da Irmandade do Rosário desde 1793 que, em 1831 quando recebeu autorização para construção (sic!) já possuía seu templo edificado no Centro da cidade, bem em frente ao antigo Cine-Theatro Capitólio.

"Esta igreja foi erguida “fora de portas”, ao poente da Matriz, à margem da estrada, tendo, neste particular, a mesma sorte do mercado. Ficou por muitos anos sozinha, como que abandonada da vila. O terreno que a separava do mercado ainda estava coberto por densa capoeira e rasteiras plantações. E, em meio, um pequeno riacho que corria de norte a sul para a bacia do Açude Velho."

Antiga Igreja do Rosário, Centro de Campina Grande
Década de 1930

Em tempo, a Igreja do Rosário foi elevada à condição de Paróquia  em 15 de agosto de 1940  pelo arcebispo da Paraíba, criando a segunda paróquia da cidade, quando a igreja já estava vendida para ser demolida.

A Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, padroeira dos negros, manteve-se solene até 18 de Outubro do ano de 1940, quando a necessidade da expansão da Av. Floriano Peixoto, para implementação da reforma urbanística da gestão do prefeito Vergniaud Wanderley a pôs abaixo, mediante indenização monetária, que permitiu o início das obras da nova Igreja, a ser edificada no Bairro da Prata, em terreno doado por Raimundo Vianna, o mesmo que doou o terreno para construção do Colégio Estadual (da Prata).

O primeiro vigário nomeado somente no ano de 1942, foi o Pe. José Trigueiro e, durante o período em que durou as obras, as celebrações foram sediadas provisoriamente no antigo Santuário de Nossa Senhora da Guia, a Igreja de Nsa. Sra. da Guia hoje sentada na Praça do Trabalho, no Bairro do São José. 

Santuário de Nossa Senhora da Guia, hoje Igreja de Nossa
Senhora da Guia - Praça do Trabalho - São José

A nova igreja foi construída com muito empenho e força de vontade dos paroquianos. Conta-se que muitos, além de donativos, davam a própria mão-de-obra para os serviços.

Construção da Igreja do Rosário - Bairro da Prata
Foto Acervo Família Arruda


Paróquia de Nossa Senhora do Rosário - Bairro da Prata
Década de 1940

No ano de 1956 o templo fora acometido de um incêndio, dito criminoso, donde o responsável fora detido e confessou a intenção da prática de roubo no local. Vários itens sacros foram consumidos pelo fogo.

Mais uma vez a comunidade se juntou no empenho de recuperar a Igreja de Nossa Senhora do Rosário. A mobilização obteve seu pleno êxito no ano 1959 com a conclusão da recuperação, além da instalação do relógio na torre, fruto de doação dos irmãos Roldão Mangueira e José de Medeiros Camboim.

Curiosamente, cada família que participou das doações dos vitrais têm seus nomes gravados nas peças, podendo ser conferidas até hoje.

Detalhes do interior da Igreja, após o incêndio, em 1956

Após a destruição da igreja, teve início uma grande mobilização popular entre os fiéis paroquianos para soerguer o templo e recuperar o que fora destruído pelas chamas, sendo concluídas as obras de reforma no ano de 1959, inclusive com a modificação da torre fronto-central tendo recebido um relógio, doado pelos irmãos Roldão Mangueira e José de Medeiros Camboim, abençoado por Dom Manuel Pereira da Costa, o terceiro bispo de Campina Grande.

Aspecto definitivo da Igreja do Rosário
após a reforma (incêndio) - Década de 1950

Ao completar 75 anos, a (atual) Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, tem à frente o Pe. Márcio Henrique Mendes Fernandes, oitavo pároco nomeado a partir de 25 de maio de 2014, e como padres auxiliares o Mons. Antonio Apolinário e o Pe. Eugênio Vital Pereira.

Para conhecer mais a História da Igreja do Rosário, de Campina Grande, através de postagens anteriores do BlogRHCG, clique nos links abaixo:

Foto da construção da Igreja no Bairro da Prata:
http://cgretalhos.blogspot.com/2010/01/igreja-do-rosario-atual.html

Foto Igreja do Rosário - Ano 1961:
http://cgretalhos.blogspot.com/2013/09/igreja-do-rosario-1961.html

Incêndio Criminoso na Igreja do Rosário - Ano 1956:
http://cgretalhos.blogspot.com/2011/01/fato-historico-incendio-na-igreja-do.html

Foto: Antiga Igreja do Rosário, no Centro da Cidade (Década de 1930)
http://cgretalhos.blogspot.com/2009/09/memoria-fotografia-antiga-igreja-do.html

Foto: Antigo Largo do Rosário, Centro da Cidade (Década de 1930)
http://cgretalhos.blogspot.com/2012/07/largo-do-rosario-anos-30.html

Foto: Domingo de Ramos - Igreja do Rosário - Década de 1930
http://cgretalhos.blogspot.com/2011/06/memoria-fotografica-antiga-igreja-do.html

Fotos: Igreja do Rosário, em frente ao Cine Capitólio - Rua Irineu Joffily
http://cgretalhos.blogspot.com/2011/05/memoria-fotografica-antiga-igreja-do.html

Convite para Vaquejada 'beneficente' para construção da Igreja do Rosário
http://cgretalhos.blogspot.com/2015/03/propaganda-de-vaquejada-para-construcao.html



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Com certeza uma das imagens mais raras do pretérito campinense: a antiga Igreja de Nossa Senhora do Rosário, localizada em frente ao Cine Capitólio, demolida para implantação do projeto urbanístico do prefeito Vergniaud Wanderley no final da Década de 30, do Século passado.

A aglomeração de pessoas em frente ao templo, todas voltadas à torre do lado direito, ornado na forma de parlatório e a julgar pela presença de galhos e folhas de palmeira, podemos estar diante de uma das tradicionais Procissões de Ramos, evento característico na Semana Santa Católica.

À direita da igreja está a Rua Irineu Joffily e à sua esquerda, ao fundo, é possível visualizar parte da antiga formatação da Praça Clementino Procópio, também conhecida como 'Praça da Luz'.

A foto está creditada ao acervo particular de Lêda Santos Andrade, utilizada no TCC de Júlio César Melo de Oliveira, no Curso de Bacharelado em Geografia da UFPB, 2007.

Acerca do crédito autoral da foto, segundo comentário recebido de "Comunidade do Orkut "Profs. de História CG/PB", ao qual agradecemos: "A partir da logomarcar (Photo Siqueira), podemos deduzir que a foto foi tirada por "Seu" Siqueira. Ignácio Siqueira Silver, nascido em 3 de dezembro de 1880 em Pesqueira PE, chegou em Campina Grande por volta de 1932, abrindo seu comércio em 1933 ou 1934. Considerado o primeiro desse ramo na cidade, coercializava material fotográfico de origem alemã, mas com a II Guerra e os problemas ocasionados passou a ser revendedor da Kodak. Faleceu em 1973.

Fonte:
FIGUEIREDO JR. Paulo Matias. Fotografia em Campina Grande: os fotógrafos e suas produções imagéticas no processo de desenvolvimento do município (1910-1960). 2000. Dissertação (Mestrado Interdisciplinar em Ciências da Sociedade) – Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, 2002. Campus I - Campina Grande - Biblioteca Central – SeCE / 770 - F457f"

Mais um registro fotográfico da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em sua localização no Bairro da Prata, no ano de 1961, guardado pela senhora Fleuriza Andrade, e nos repassado pela sua neta Mariana Clara, a qual agradecemos a gentileza do envio, no resgate e propagação da memória de Campina Grande.

Lembrando que a Igreja do Rosário só assumiu este formato arquitetônico após a reforma concluída no ano de 1959, para recuperar o templo após o incêndio criminoso ocorrido no ano de 1956.

Abaixo o registro de como era a Igreja antes da reforma, em seu aspecto originalmente construído na Década de 1940:



 
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