Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
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Com destaque de capa para as Eleições de 1982 e à morte do ex-governador Argemiro de Figueiredo, o Anuário Campina Grande 1982, editado por Evaldo Cruz, trouxe em seu conteúdo um excelente acervo de matérias que nos remetia aos aspectos gerais de como era nossa cidade no início da Década de 80.

A edição, publicada pela "Anuários da Paráiba Ltda" contou em seu suporte técnico com Ademar Martins Leite (Diretor Secretário), Conselho Editorial composto por Eurípedes Oliveira, José Gil Gonçalves, J. Leite Sobrinho, Severino Machado e Williams Ramos Tejo. Contou, ainda, com artigos escritos por Frei Matias Gonzaga de Albuquerque, Humberto Melo, José Bolívar Vieira da Rocha, José Elias Barbosa Borges, Luiz Nunes Alves e Maria de Lourdes Nunes Ramalho.

As pesquisas estatísticas foram responsabilidade de Antonio Gláucio Souza Gomes.

Abaixo, a íntegra da edição "Anuário Campina Grande 1982"


por Rau Ferreira

Christiano Lauritzen
O prolongamento da ferrovia Conde d’Eu deve-se ao empenho de Christiano Lauritzen, na época Chefe da Intendência Municipal de Campina. O dinamarquês viajou à Capital Federal (Rio de Janeiro) para viabilizar o ramal que ligaria esta cidade à Alagoa Grande.

A comissão de estudos retornou em julho daquele ano, e firmou a primeira balisa no final da rua do Oriente, também conhecida como dos Mulungús, aquém do açude das Piabas. Estava esta primeira estaca apontava na direção do Riachão de Ingá, permeando as fraldas do elevado morro do Araçá e Oity, segundo sugestão de Irineu Jóffily.

O jornal A PROVÍNCIA de Recife republicou uma carta em que o velho intendente de Campina fizera publicar n’O Commercio da Parahyba. 

Christiano Lauritzen sobre a sua viagem e o esforço que empreendeu para a construção da via férrea de Campina. Em sua opinião o prologamento de Mulungú à Campina – em vez de Pilar à Campina, como era o traçado do projeto primitivo – era mais favorável às rendas públicas.

Para evitar discussões e divergências, aceitou as modificações e retornou no dia 10 de julho de 1890, acompanhado de dois engenheiros, o Dr. Crockratt de Sá e Corte Real, assim noticiado pela Gazeta do Sertão: 
“Última hora – Chegou ontem às 6 horas da tarde de volta de sua viagem à capital federal, o cidadão Christiano Lauritzen; acompanhado de dois engenheiros Drs. Crockratt de Sá, chefe da comissão que vai, segundo nos informam, fazer os estudos da estrada de ferro deta cidade à Mulungú, e o Dr. Corte Real.
Os três distintos Cidadãos foram encontrados por mais de cem cavalheiros.(...)” (Gazeta do Sertão: 11/07/1890).
Christiano sugeriu que a escolha recaísse entre Alagoa Grande e Campina, pois a serra que liga os municípios apresentava uma elevação gradual, evitando-se assim o terreno montanhoso dos contrafortes da Borborema.

O quilômetro do traçado estava orçado em 70,000$000, valor este que duplicava em face do cambio, muito aquém do orçamento público. Diante dessas complicações, considerava o dinamarquês as dificuldades da estrada de ferro, porquanto as companhias pouco se interessavam na sua construção, e explica-se:
“Sempre pensei que sem a garantia de juros, ou construção administrativa, seria difícil fazer-se uma estrada aqui no estado; portanto, negados estes dois meios, perdi a esperança de ver a estrada em Campina. Entretanto, entendi-me com o superintendente da Conde d’Eu, para saber se a companhia poderia contratar o trecho de Pilar a Itabaiana, por que parecia-me contratado o trecho de Timbaúba a Itabaiana pela Companhia Great Western, poderia estabelecer-se para o prolongamento de Campina um acordo ou competência”.
Na época, o superintendente da companhia – Mr. Sumner, informara que, em virtude de continuados prejuízos, a firma não poderia levantar capitais para este empreendimento, e com muita dificuldade realizava o contrato de Alagoa Grande.

Neste ponto da carta, desabafa o intendente municipal:
“Se eu estivesse na administração das rendas municipais aqui, teria ainda tentado como último recurso preparar o leito da estrada até os limites do município, embora tivesse de consumir durante uns 5 anos as rendas e meu trabalho na tentativa, que parecerá a muitos irrealizável, mas que não me intimidaria (...)”.
Com efeito, Lauritzen que estava a frente da intendência, em pouco menos de dois anos, e com uma renda inferior a 5:000$000, construiu um prédio para a instrução pública, edifício este que em 1901 estava avaliado em 15,000$000. E ainda na sua gestão, encomendou um “regulador” (relógio) para a igreja Matriz, este no valor de 1:500$000.Registre-se que a renda do município era pouco superior a 20,000$. 

Nos cálculos de Christiano, 16:000$000 seriam suficientes para contratar 50 homens com ferramentas, e havendo serviço diligente, haveria de se fazer o leito da estrada de ferro, desde que concorressem o auxílio do Estado e da União, porém faz critica a intervenção estadual, nestes termos:
“embora sem as obras de arte, e teríamos mais probabilidade de serem concluídos os trabalhos sem as exigências de garantia, porém para desconto dos meus pecados, e descrédito de um presidente do Estado que procura moralizar a sua administração, as rendas municipais de Campina constituem o patrimônio da família donataria d’esta aldeia colonial”.
Ainda havia uma esperança, se a companhia arrendataria, nos seus próprios interesses, enfrentasse o empreendimento. E ao que parece, o “gringo” demonstrava certo conhecimento de engenharia, quando escreve:
“Para isto poderá concorrer a discussão sobre a preferência de traçados, quando um d’estes é quase irrealizável pela dificuldade imensa que o terreno oferece? Parece-me que não, por muito fácil que seja o traçado do sul, por muitas vantagens que ofereça, ainda assim tenho dúvidas em ser realizado, quanto mais o traçado do norte. Uma das vantagens que se oferece à companhia, que só pode ser aproveitada no prolongamento do sul, é a condução do gado para o consumo de Pernambuco, o que é infalível, embora mais dispendioso, porque basta ser tentado por um marchante para os outros serem obrigados a imitá-lo, porque a superioridade da carne do gado conduzido no trem será suficiente para determinar esta modificação. (...). Quanto a ponto de partida do prolongamento, não tendo a companhia interesse em ser da estação ‘Rosa e Silva’, e pelo contrário haverá mais uns 12 kilômetros de estrada a contruir-se, estou certo que resolvido o prolongamento não haverá dificuldade em ser o ponto de partida Itabaiana(...)”.
A construção da via férrea de Campina foi uma verdadeira luta de Christiano Lauritzem, que empenhou-se pessoalmente:
“Para consegui-la, fiz sacrifícios até da minha segurança e tranqüilidade, aceitando as lutas políticas que só poderia prejudicar-me; no dia, porém, em que ouvir (embora mal) o apito estridente da locomotiva no planalto da Borborema, hão de testemunhar as loucuras que um gringo pode fazer, não pela destruição do seu Cartago, mas sim pela construção do maior e mais potente fator da civilização moderna”.
Ao final venceu o bom senso, e com o operoso esforço do dinamarquês o trem chegou a Campina em 02 de outubro de 1907. Fora recepcionado pelo então prefeito Christiano Lauritzen. O médico Assis Chateaubriand Bandeira de Melo fez a oratória, inaugurando uma onda de progresso e Campina nunca mais parou de ser grande.

Referências:
- A PROVÍNCIA, Jornal. Edição de 14 de novembro. Ano XXIV. Recife/PE: 1901.
- JOFFILY, Irineu. Notas sobre a Paraíba. Edição fac-similar de 1892. Thesaurus: 1977.
- JOFFILY, José. Entre a monarquia e a república. Livraria Kosmos Editora: 1982.
- SERTÃO, Gazeta do. Edições de 06/06, 11, 18 e 25/07. Campina Grande/PB: 1890.

Para celebrar o ápice do "Maior São João do Mundo", nada melhor do que assistir a este documentário de Machado Bittencourt, gravado nas dependências do "Clube dos Caçadores" em 1980. Agradecimentos a Mario Vinicius Carneiro Medeiros, por nos ceder esta raridade:


Ficha Completa (www.cinemateca.com.br)

FESTAS JUNINAS
Categorias
Curta-metragem / Sonoro / Não ficção

Material original
16mm, COR, 8min, 88m, 24q


Data e local de produção
Ano: 1980
País: BR
Cidade: Campina Grande
Estado: PB


Sinopse

    "Uma das mais tradicionais festas populares do Nordeste Brasileiro sob a ótica do cineasta. Com a participação dos alunos do curso de comunicação social da URNE, o filme flagra uma festa junina realizada num arraial montado no Clube dos Caçadores. Um trabalho de caráter informativo e didático." (ECJP/SMB)

Gênero

    Documentário

Dados de produção

Companhia(s) produtora(s): Cinética Filmes Ltda.
Produção: Bitencourt, Machado
Direção: Bitencourt, Machado
Direção de fotografia: Bitencourt, Machado
Identidades/elenco:
Alunos da URNE

A ditadura instalada durante o Governo Vargas em 1937, conhecida como 'Estado Novo' trouxe para os brasileiros a obrigatoriedade  do uso de um documento chamado "Salvo Conduto", que era uma espécie de "permissão para viajar", algo muito próximo do cerceamento da liberdade do ir e vir, conforme publicação em jornal da época:


Como curiosidade, recebemos uma colaboração do senhor Tadeu Floresta, que nos envia o Salvo Conduto N.º 2140, emitido em 11 de Novembro de 1937, pelo Delegado do 2º Distrito da Capital, de Ordem Política e Social, concedendo livre trânsito ao senhor  para Eurípedes Floresta de Oliveira morador da Rua Miguel Couto, 456 em Campina Grande. 




Documento enviado por: Tadeu Floresta
https://www.facebook.com/tadeufloresta.deoliveira
Por Rau Ferreira


                               Em diversos documentos há referências à lei que denominou oficialmente a cidade Rainha da Borborema, atiçando-me a curiosidade de conhecer o seu conteúdo. E para a minha surpresa – diferente do que está disposto em sites de pesquisas e livros – havia um equívoco na numeração.
Acreditava até este momento – como muitos ainda pensam assim – que a lei que elevara Campina à categoria de cidade recebera o tombamento Nº. 137. Ledo engano! Na verdade, trata-se da Lei Provincial Nº 127, de 11 de outubro de 1864, que passo a transcrever-lhe o inteiro teor ipsi litteris com a grafia original da época:

LEGISLAÇÃO PROVINCIAL
LEI N. 127, de 11 de outubro de 1864.

Sinval Odorico de Moura, bacharel formado em sciencias jurídicas e sociaes pela academia de Olinda, official da imperial ordem da rosa, e presidente da província da Parahyba do Norte:

Faço saber a todos os reus habitantes que a assembléa legislativa provincial resolveu, e eu sanccionei a lei seguinte:

Artigo único. A villa de Campina Grande fica elevada à cathegoria de cidade, conservando a mesma denominação, e revogadas as disposições em contrário.
Mando portanto à todas as autoridades, a quem o conhecimento e a execução da presente resolução pertencer que a cumprão e fação cumprir e guardar tão inteiramente como nélla se contém.

O secretário desta província a faça imprimir, publicar e correr.
Palacio do governo da Parahyba, em 11 de outubro de 1864, quadragésimo terceiro da independência e do império.
L. S.
Sinval Odorico de Moura”

Encontramos ainda no órgão oficial a carta de sua publicação, do teor seguinte:

“Carta de lei pela qual V. Exc. manda publicar a resolução d’assembléa legislativa provincial, que sanccionou, elevando á cathegoria de cidade a villa de Campina Grande, conservando a mesma denominação.
Para V. Exc. ver
Joaquim Gonsalves Chaves Filho, a fez.

Foi sellada e publicada a presente resolução nesta secretaria do governo da Parahyba, em 11 de outubro de 1864.

Joaquim Maria Serra Sobrinho”

A referida lei provincial foi registrada no livro competente, junto à Secretaria do governo da Parahyba, em 14 de outubro daquele ano pelo Sr. Joaquim Gonsalves Chaves Filho, 2º Oficial do Governo Provincial.


Referência:
- O PUBLICADOR, Jornal. Ano III, Nº. 641. ed. José Rodrigues da Costa. Edição de sexta-feira, 21 de outubro. Parahyba do Norte: 1864.
Cumprindo, mais uma vez, um dos propósitos basilares deste espaço de mídia virtual, recebemos uma das grandes raridades documentais de Valério Andrade Porto: trata-se de cópia fotográfica da Carta Patente original que nomeou João Lourenço Porto como Coronel Comandante da Guarda Nacional de Campina Grande, em 24 de Maio de 1895.

Há 121 anos, o então Presidente da República Prudente de Morais, assim decretou:

"O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil:
Faz saber aos que esta Carta Patente virem, que por decreto de dois de Abril deste ano, foi nomeado o Tenente Coronel João Lourenço Porto, para o posto de Coronel Comandante da 14ª Brigada de Infantaria da Guarda Nacional da comarca de Campina Grande, Estado da Parahyba, e como tal gozará de todas as honras e direitos inherentes ao posto.
(...)

Palácio da Presidência no Rio de Janeiro, em 24 de Maio de 1895, sétimo da República

Prudente J. Morais Barros"

Valério Andrade Porto, que nos cedeu esta espetacular colaboração, divide com Campina Grande o conhecimento deste documento que, segundo ele, "passou mais de 50 anos desaparecido, o por graça divina, chegou às mãos do saudoso Hélio Soares, que gentilmente o entregou ao meu já falecido Pai Aníbal Agra Porto, neto de João Lourenço, que confiou a mim a sua guarda."

De acordo com a genealogia, o Cel. João Lourenço Porto era pentaneto de Theodósio de Oliveira Ledo, fazendo de Valério, octaneto do 'fundador' de Campina Grande.





A senhora Helena Nóbrega, através de nossa colaboradora Soahd Arruda, nos enviou o importante documento abaixo, relatando a constituição em nossa cidade do "ROTARY CLUB DE CAMPINA GRANDE - SUL" no dia 12 de março de 1965. Helena é filha de um dos fundadores, o Sr. Eufrasio Alves da Nobrega.


Como visto no documento, a fundação do importante órgão em nossa cidade, se deu em 15 de março de 1965. Segundo o site da organização: "O Rotary Club, é um Clube de Profissionais, que congrega líderes das comunidades em que vivem ou atuam, fomentando um elevado padrão de ética ajudando a estabelecer a  paz  e  a   boa   vontade  no  mundo,  e  que prestam serviços  voluntários não remunerados em favor da sociedade como  um  todo ou  beneficiando  em casos específicos,    pessoas  necessitadas ou  entidades que atuam também   em  favor de desamparados. Foi fundado por Paul Harris, em Chicago, nos Estados Unidos,  em  23/02/1905,  tem hoje representação em 207 países". Mais informações no site: http://www.rotarycgrandesul.com/

Imaginem a cena: um profissional, do ofício de "chaveiro", é contratado para abrir um cofre antigo, outrora utilizado por um velho comerciante local já falecido e, ao abri-lo, depara-se com uma grande quantidade de material de valor sentimental e, entre eles, uma coleção de antigos cheques e cédulas.

Pois bem, esta cena aconteceu com o conhecido chaveiro local "Burú Jr." que, de pronto cedeu o valioso achado para que nosso prestimoso colaborador, o foto-jornalista Cláudio Góes, pudesse nos repassar e promover mais uma postagem neste espaço virtual de resgate e preservação da História de Campina Grande.

Abaixo uma série de cheques, documentos datados de diversas épocas do nosso pretérito, de antigas instituições bancárias nacionais com agências locais, além do Banco do Comércio de Campina Grande S.A.








Gostou? Veja mais cheques de antigas instituições financeiras de Campina Grande CLICANDO AQUI.

Agradecimentos:
Jornalista Cláudio Góes
Buru Chaveiro

O colaborador Jônatas Rodrigues nos trás dados preciosos colhidos dos célebres e raros "Annuarios Estatísticos da Parahyba" dos anos de 1916 e 1930: Trata-se de antigos proprietários de máquinas de descaroçar algodão presentes no município de Campina Grande. 

O algodão era o principal produto agrícola da Paraíba no início do século XX, e vários produtores e comerciantes passaram a beneficiá-las de forma rudimentar ou a partir de máquinas mais avançadas, como as de vapor, comum no início do século XX.  





O ano de 2013 vem despertando a preocupação da sociedade civil acerca de um possível colapso no abastecimento d'água em Campina Grande, em virtude da rápida e constante diminuição do volume do reservatório Epitácio Pessoa, o popular Açude de Boqueirão.

De acordo com a ANA - Agência Nacional das Águas, em seus estudos, o Açude Epitácio Pessoa diminui sua capacidade perdendo aproximadamente 1% de água por dia! Atualmente (Setembro/2013), o Boqueirão encontra-se com seu nível marcando pouco mais de 40% de sua capacidade total.

Nossa cidade é refém da rede de abastecimento capitaneada pelas águas do Boqueirão. Com os baixos índices pluviométricos registrados nas regiões que abastecem o manancial, a previsão dos ambientalistas é que brevemente o açude não mais conseguirá suprir a necessidade do consumo local.

Dentre tantos projetos já apresentados ao longo da História para evitar que Campina Grande sofresse o drama que ora advém, em 1993 a Prefeitura Municipal, durante a Gestão Félix Araújo Filho, através da Secretaria de Planejamento apresentava o Projeto Multilagos, que visava a criação de um cinturão d'água em torno da cidade. 

Seriam 15 (quinze) açudes de grande porte, objetivando formar uma grande reserva d'água (100 milhões de m³), aproveitando e armazenando as águas pluviais que aqui caíssem, buscando amenizar a aridez e ainda incentivar o desenvolvimento produtivo e o lazer.

Agradecemos, mais uma vez, a Saulo Pereira pelo envio desse conteúdo.



Em mais uma ilustre colaboração de Jônatas Rodrigues, publicamos os dados raros sobre o Comércio, Profissões, Indústrias, Repartições públicas, Colégios, Sociedades, Propagandas, e entre outros, constantes do Almanaque de Campina Grande para o ano de 1934, produzido pelo Poeta e Fotógrafo Euclides Vilar (*1893 + 1953).

Traz o mesmo formato do almanaque do ano anterior, acrescentando pouquíssimas novidades. O material novamente foi impresso em papel jornal na maioria das páginas, com tamanho de 19x13 cm.

Este almanaque, escrito em 1933 para o ano seguinte, já traz em sua escrita a nova reforma ortográfica empregada no Brasil no início da década de 1930. 

Infelizmente, só existiram dois Almanaques lançados: em 1933 e 1934, ambos disponibilizados aqui no BlogRHCG!



Em mais uma contribuição valiosa, enviada por Saulo Pereira, nos deparamos com um trecho do Diccionário Geográfico do Brasil, publicado no Rio de Janeiro, no ano de 1894.

Em suas páginas, encontrado no formato digital no site da Universidade de Flórida, EUA, as páginas 401, 402 e 403 disserta sobre "Campina Grande", passando pela sua gênese, alguns fatos Históricos marcados até aquele longínquo ano.

Boletim Geográfico, IBGE, de 1952, vol 10 núm 111; (original Diário de Notícias, edição de 22-6-1952).

Além de enumerar fatos históricos e dados populacionais ao comparar as duas cidades, o autor discute a proposta de Campina Grande como capital, face ao ritmo incessante de seu progresso. Conclui que não há problemas no fato do centro comercial e industrial do estado ficar fora de sua capital, por sua vez, amena, acolhedora e tranquila. 

Outra curiosidade do texto é a afirmação de que boa parte da área entre Santa Rita e o rio Sanhauá teria sido edificada por pessoenses abastados para passar os finais de semana. 

Material gentilmente enviado por Saulo Pereira.
Recebemos uma contribuição valiosíssima do Colaborador Saulo Pereira, que nos enviou o trecho que trata de Campina Grande na Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, publicada pelo IBGE no ano de 1958.

Além de um 'retrato' sociológico daquela época sobre nossa cidade, é possível ainda conferir algumas fotos de locais radicalmente modificados, obviamente, em seu cenário, ao longo desses 55 anos.

Um verdadeiro deleite informativo e estatístico para professores, pesquisadores e aficionados leitores, curiosos por conhecer um pouco mais sobre o pretérito da Rainha da Borborema. 

Interessante cópia de documento emitido em 1974 pela Chefia da Turma de Censura de Diversões Públicas, Posto de Campina Grande da Polícia Federal, quando durante os Anos de Chumbo, haviam os censores que emitiam parecer favorável, ou não, à exibição de produções culturais como, no caso em questão, uma peça teatral. 

O censor, neste caso, se chamava Marcelo Macedo, o qual autorizou a apresentação da peça "O Mundo Louco do Poeta Zé Limeira", de José Bezerra Filho, apresentada pelo Grupo Cactus no I FENAT - Teatro Severino Cabral. 

O 'fac-símile' foi disponibilizado pelo professor José Edmilson Rodrigues e gentilmente concedida a sua utilização pelo BlogRHCG.

Dois anos após a realização do evento abordado em Fevereiro de 2011, neste Blog, quando o Seminário Diocesano São João Maria Vianney em Campina Grande realizou o 1º encontro de ex-alunos da instituição, Anselmo Costa nos envia a Folha Filatélica com o Selo Comemorativo ao evento, lançada pela Associação Brasileira de Filatelia Maçônica, com sede em Brasília-DF.






Ao passo em que o Colaborador Jônatas Rodrigues nos parabeniza pelo importante intento conquistado junto ao Concurso Top Blog 2012, nos brinda com mais um tesouro das publicações pretéritas sobre Campina Grande: O Almanaque de Campina Grande, para o ano de 1933, lançado em 1932, contendo todo o perfil comercial da nossa cidade àquela época.

Segue o corpo do e-mail enviado por Jônatas, descrevendo a obra:

"Venho aqui trazer fotografia do histórico livro "Almanach de Campina Grande para o anno de 1933". (Almanaque de Campina Grande). Sendo criado pelo poeta e fotógrafo Euclides Vilar (1893-1953). Trata‐se, portanto, de um documento direcionado “ao mundo litterario, charadístico e commercial” de acordo com o próprio almanaque sobre Campina Grande do ano anterior, 1932, editado com a colaboração de diversos escritores e poetas, a exemplo de Epaminondas Câmara, reconhecido escritor campinense. Observamos, a partir de evidências apresentadas no próprio Almanach, que se refere à primeira publicação do gênero para o ano de 1933. A segunda edição seria "Almanaque de Campina Grande" para o ano de 1934. 

O almanaque é pequeno com 19x13 cm, editado em folhas de papel jornal na maioria das páginas. Nas primeiras páginas do almanaque, traz um apanhando completo de todas as casas comerciais, indústrias, serviços, centro sociais, religiosos e desportivos, entre outros. O livro traz ainda a história e informações importantes do Campinense Clube e do Grêmio Renascença. Este almanaque é uma verdadeira preciosidade que com toda a certeza os visitantes deste blog conhecerão partes importantes deste livro, e encontra-se nos arquivos do Museu Histórico de Campina Grande, em frente a Catedral Nossa Senhora da Conceição, na Avenida Floriano Peixoto."

Fonte: ALMANACH DE CAMPINA GRANDE. Diretor: Euclydes Villar. Livraria: Campinense, Ano I, 1932.



por Rau Ferreira

A série que hoje se inicia, em quatro partes, trata-se do levantamento de material histórico acerca da criação da Vila Nova da Rainha – Paupina – ou Campina Grande, segundo preferiram os moradores do lugar. A importância desses documentos para a memória campinense, não só como registro daqueles acontecimentos, mas, e principalmente, pelo resgate desses papeis que há muito se ocultaram é indiscutível.

Nesse aspecto, o laureado IRINEU JÓFFILY – o pai da historiografia parahybana – transcreveu parte do antigo arquivo da Câmara Municipal desse Município em suas obras, preservando assim a sua autenticidade como se vê adiante na sua grafia original:

“Documentos extraídos de um livro do archivo da camara municipal com o seguinte termo de abertura: Livro que há de servir para nelle se lançarem os termos de creação desta villa e ordens porque foi creada, e que há de ficar servindo de registro nesta Camara, e vai por mim numerado e rubricado com a rubrica Andrª – de que uso, e por constar fiz este termo.
Villa Nova da Rainha 21 de Abril de 1790”.

Ora, tendo sido aquela povoação constituída em paróquia com sede no Julgado de São João do Cariry de Fóra no ano de 1769, houve um interesse maior em erigi-la à condição de vila. 

Campina naquele tempo reunia os requisitos necessários para esta elevação: subsistência própria com inúmeras casas de farinha, uma feira semanal bastante concorrida, caminhos carroçáveis que se dirigiam aos sertões e, pessoas dotadas de capacidade para ocuparem os principais cargos da segurança e administração públicas a serviço do império. 

Com isto seria dotada de certa autonomia podendo constituir Câmara, pelourinho e cadeia pública assim como baixar posturas, cobrar impostos e administrar os negócios da feira, dependendo apenas do Julgado do Cariry para as coisas da justiça.

De imediato cuidaram os moradores da região de escrever cartas de solicitação ao Corregedor Geral da Comarca da Parahyba, para que se iniciassem os procedimentos legais que foi assim formalizado:

“Dizem Paulo de Araújo Soares, José de Araújo Soares, Pedro Francisco de Macêdo; João Baptista Guedes Pereira e ao mais moradores da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Campina Grande do sertão do Cariry de Fóra da comarca da Parahyba do Norte que tendo notícia que vossa senhoria pretendia crear nova vila n’aquelle logar do Cariry, requererão à vossa senhoria fosse servido creal-a n’aquelle logar da Campina Grande, por ser o mais útil que tem naquelle sertão por serem as terras de lavouras e de bôa produção junto aos melhores Brejos d’aquella freguizia, com abundancia de farinhas não só para sustentação dos moradores, como ainda para os logares mais remotos que para lá correm, inda quando tem bastantes matas para as obras de casas e mais edifícios de que precisa a villa para seu augmento; em segundo logar por ficar a mesma na estrada geral que vai destas praças para os mais sertõns, commercio este que serve de muita utilidade as villas e povoaçõns, por cujo motivo foi vossa  senhoria  servido  determinar  que  os s upplicantes  apromptassem o preciso para patrimônio e mais despesas da dita villa para no regresso da correição erigir a referida villá, o que se não conseguio por vossa senhoria se retirar por diverso caminho e com esta demora Domingos da Costa Romen, Ignacio de Barros Leira, José Francisco Alvares Pequeno e outros moradores da freguezia de Nossa Senhora dos Milagres, tendo notícia que vossa senhoria determinava fazer a villa no logar da Campina Grande, fizerão requerimento ao Illustrissimo e Excellentissimo Senhor General para que mandasse erigir n’aquelle logar com o fundamento de ter já nello o novo julgado, occultando a incapacidade que tem o logar para villa, do que tendo os supplicantes notícia fizeram ao mesmo Senhor General o requerimento incluso, no qual foi o mesmo senhor servido no seu venerando despacho por nas mãons de vossa senhoria a creação da villa no logar mais útil aos povos e porque os supplicantes estão apromoptados para creação da dita villa, pretendem que vossa senhoria lhes determine tempo certo ir ao logar, a fundação da mesma para os supplicantes estarem promptos no dito tempo, para o que pedem à vossa senhoria seja servido determinar o tempo em que se a fundar a mencionada villa para que os supplicantes estejam promptos para creação da mesma pelo que receberão mercê”.

Na seqüência, a solicitação ao Ouvidor Geral da Parahyba para a criação da vila.


Referências:
- CÂMARA, Epaminondas. Os alicerces de Campina Grande: esboço hitórico-social do povoado e da vida, 1697-1864. Prefeitura Municipal. Secretaria de Educação. Edições Caravela. Campina Grande/PB: 1999.
- CASAL, Manuel Ayres de. Corografia Brazílica, ou Relação Histórico-geográfica do Reino do Brasil. Tomo II. Rio de Janeiro/RJ. Imprensa Régia: 1817.
- FILHO, Lino Gomes da Silva. Síntese histórica de Campina Grande, 1670-1963. Editora Grafset: 2005.
- GAZETA DO SERTÃO, Jornal. F. Retumba & I. Jóffily. Edições diversas. Campina Grande/PB: 1888 à 1891.
- JOFFILY, Irineu. Notas sobre a Parahyba: fac-símile da primeira edição publicada no Rio de Janeiro em 1892. Prefácio de Capistrano de Abreu. Thesaurus Editora: 1977.
- JOFFILY, Irineu. Synopsis das Sesmarias da Capitania da Paraíba. Typ. e Lth. a vapor M. Henriques: 1894.


No ano de 1846, o 2º Tenente Francisco Pereira da Silva, por ordem de Frederico Carneiro de Campos, Tenente Coronel do Imperial Corpo de Engenheiros, percorreu a Província da Parahyba descrevendo-lhes alguns aspectos com vistas à melhoria dos serviços públicos.
O texto a seguir é o seu memorial “contendo a indicação dos lugares mais asados para a construção de açudes, e fontes públicas, e concluindo com hum projecto para o estabelecimento de celleiros”.
A sua viagem teve início no dia 24 de dezembro daquele ano, partindo da Cidade da Parahyba [atual João Pessoa] até o Município de S. João. Percorreu as vilas de Santa Rita, Pilar e Ingá, até chegar à Vila Nova da Rainha que assim descreve:

Distante do Ingá dez léguas está situada a vila de Campina Grande sobre huma collina da serra da Burburema. Tem huma igreja matriz dedicada a N. S. da Conceição, bastante grande, porém não acabada; huma igreja da invocação de N. S. do Rosario; huma cadea muito arruinada, e huma cada de camara que serve também para a reunião do tribunal do jury; tem dous açudes, hum denominado Velho, e outro Novo, o primeiro está no sul da villa, no qual desagoa o riacho das Piabas que nasce na lagoa Genipapinho, e corre a leste, e torna-se no tempo do inverno huma concha de água capaz de resistir a quatro ou cinco annos de secca, não obstante ser combatido pelas boiadas que passão do centro, não só desta província, como da de Pernambuco, Ceará e Piahui.
O açude Novo he mais pequeno que o Velho, porém a água nelle depositada he mais saudável, e por isso a população faz uso della com freqüência para beber. A matriz tem as seguintes capellas filiaes: Boa Vista, dez leguas no poente pela estrada de Espinhara; a de Poucinhos seis leguas distante pela estrada do Siridó ao sul, na distancia de cinco leguas; na serra Fagundes está a de S. João, onde antigamente foi hospício dos religiosos da Penha de Pernambuco, e a leste, pela estrada da capital, está a de Bacamarte. A maior parte das fazendas de criação e agricultura estão abandonadas, e as que existem estão em decadência causada pela rigorosa secca que por muitas vezes tem flagelado a província. As matas estão destruídas, talvez mais pelos fogos dos roçados de alguns agricultores imprudentes, do que pelo calorio do sol; com tudo ainda se encontra alguma madeira para construcção.
O terreno he fértil nos annos invernosos, e próprio para agricultura no lado leste, porque he mais humido; porem no geral he todo secco e muito calcário, por isso pouco conveniente para qualquer construção que se pretende fazer com o fim de obter água nascida; e se alguma contem ou he filtrada pela area, que esposta ao ar, cuja temperatura he sempre acima de setenta grãos de thermometro centrigrado, evaporiza-se com muita rapidez, ou está em grande profundidade, onde existe, segundo me parece, huma camada de sal.
Os açudes e seus arredores, para conservarem água de hum para outro inverno, porem infelizmente os que tem não estão perfeitos, pois que os bardos não tem a precisa solidez para resistir às ondulações do líquido que podem conter, principalmente no inverno, quando sopra o vente leste.
Parece-me que tenho demonstrado a absoluta necessidade de se construir os açudes desta villa com perfeição; esta obra pode importar em 3:000,000 réis, no máximo.
Levantei a planta desta villa (Planta nº 1), fiz melhoramentos nas cacimbas existentes, e mandei abrir outras que servirão para o povo flagellado pela sede, alem disto indiquei dez ou doze lugares nas margens do riacho das Piabas, onde se apresentão alguns signaes de água filtrada pela area; esta água he pouco duradoura. (...)Parahiba do Norte, 31 de janeiro de 1847. (as) Francisco Pereira da Silva – segundo tenente do Império do Corpo de Engenheiros”.

Em um segundo momento, prossegue o viajante relatando a fauna existente nas matas campinenses, registrando a presença dos seguintes animais: veados, onças, porcos, raposas, macacos, preguiças, pacas, quatis, mocós e preás. E entre as aves: emas, sariemas, jacus, zabelês, codornizes, papagaios, rolas, aza brancas, torquazes, canários, cardeais, marrecas e socós, além de uma diversidade de gaviões. Entre os répteis, grande número de cascavéis.
Destaca ainda a mineralogia da região:

“Encontrei em differentes lugares camadas de pedra calcaria, grande quantidade de quartzo, o ferro, camadas de salitre, e signaes que indicão a existência de veias de ouro (grifei).

Esta observação em particular, me chamou a atenção, pois foi a primeira vez que me ocorreu a existência deste minério precioso em nossas terras.
Ressaltou ainda o engenheiro a fitologia do Município, citando nessas matas a existência de Pau Ferro, Violeta, Arueira, Pereira, Batinga, Amarelo e Jurema, Sucupira, Pau D’arco, Coração Negro, Angelim e grande quantidade de Baraúna. A curiosidade fica por parte da “Jurema”, cuja madeira fornecia o carvão para os ferreiros.
Conclui a sua descrição indicando como solução para o flagelo das secas a construção de açudes; o cultivo da mandioca – “que produz e conserva-se muito tempo no terreno secco”; plantar o Capim Angola para alimentar o gado; diminuir o corte das árvores e as queimadas; evitar o plantio de roçado entre 1º de janeiro e fim de março – “porque sendo este o tempo em que a chuva está mais próxima da superfície da terra desta província, o calorio desenvolvido por estas queimadas a faz evaporar”; e, finalmente, proibir a criação de gado nos terrenos de agricultura.


Referências:
- BRAZI, Annuario Político, Histórico e Estatístico. Segundo Anno. Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro/RJ: 1847


Campina – “a capital econômica da Paraíba” – comemorou com muito entusiasmo o dia da pátria de ’57, ano que provocou grandes mudanças em nosso município. Primeiro, cogitava-se acerca da federalização da Escola Politécnica que havia sido instalada, inicialmente, no Colégio da Prata e que se concretizou através da Lei nº 3.835, de 13 de dezembro de 1960.
A iniciativa cívica partira do CENTRO ESTUDANTIL CAMPINENSE, do GRÊMIO LITERÁRIO MACHADO DE ASSIS, do DIRETÓRIO ESTUDANTIL 21 DE ABRIL e da ESCOLA TÉCNICA DO COMÉRCIO.
A essas comemorações, aderiu o Prefeito Elpídio de Almeida – contrariando a emissora de rádio de Assis Chateaubriand – que recebeu os manifestantes em sua residência, pronunciando naquela oportunidade, uma vigorosa profissão de fé nacionalista.
Acusado pela oposição de querer vender o lendário GRANDE HOTEL para construir um teatro, o prefeito campinense usou da palavra com grande emoção, enquanto carros alegóricos rendiam homenagens aos mártires da Inconfidência Mineira e demais heróis da pátria.
Os campinenses, tendo os estudantes à frente, desfilaram pelas ruas principais carregando faixas com dísticos alusivos à PETROBRÁS, PELA PÁTRIA E PELO POVO. Uma imitação da torre de petróleo de Volta Redonda chegou a circular na cidade, denotando o empreendedorismo brasileiro que ficou deveras conhecido através da famosa frase: “O Petróleo é nosso!”.

 Referências:
- ANNAES. Congresso Nacional. Câmara dos Deputados. Vol. VI. Impr. Nacional: 1959.
- O SEMANÁRIO, Jornal. Ano II, Nº 75. Edição de 3 à 10 de outubro. Rio de Janeiro/RJ: 1957
 
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