NOTA.: A ilustração visual desse caso só nos foi possível através da colaboração do fotógrafo campinense Júlio Vasconcelos que nos enviou as imagens utilizadas na postagem que se segue.
Aspecto original da Igreja do Rosário (Anos 40)
O ano era 1956 quando o 'novo' templo da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, localizada no Bairro da Prata, fora acometido de um incêndio, de grande proporção, dito criminoso.
A igreja, que havia iniciado suas atividades litúrgicas no ano de 1949, sob a direção do Padre Cristóvão Ribeiro da Fonseca, segundo pároco nomeado para a paróquia, envolveu-se em chamas de forma que foi impossível a sua contenção, tendo o fogo consumido tudo que se encontrava acomodado na Capela-Mor e na Sacristia.
Segundo o relato exposto no site oficial da Igreja do Rosário "O fogo devorou tudo [...] cômodas, armários, paramentos, missais, alfaias, etc. O forro e o teto da Capela-Mor vieram abaixo. [...] Escapou, por milagre, a imagem de Nossa Senhora do Rosário no altar-mor."
Ato criminoso, haja visto a profanação de peças sacras, como o arrombamento do Sacrário, confeccionado em mármore com portas de metal, além do sumiço das âmbulas que acomodavam as hóstias consagradas, a polícia deteve o indenciário que assumiu sozinho a autoria do delito em função de furto.
Cidadão que Provocou o Incêndio na Igreja do Rosário (não identificado)
Após a destruição da igreja, teve início uma grande mobilização popular entre os fiéis paroquianos para soerguer o templo e recuperar o que fora destruído pelas chamas, sendo concluídas as obras de reforma no ano de 1959, inclusive com a modificação da torre fronto-central tendo recebido um relógio, doado pelos irmãos Roldão Mangueira e José de Medeiros Camboim, abençoado por Dom Manuel Pereira da Costa, o terceiro bispo de Campina Grande.
Para os frequentadores da Matriz de Nossa Senhora do Rosário, é possível identificar os nomes das famílias que participaram dessa empreitada pela reforma da igreja através dos belíssimos vitrais que ornam todo o entorno do templo.
Fotos Históricas Enviadas por Júlio Vasconcelos
Fotos Vitrais: Acervo Blog RHCG
Fonte Pesquisada: Site da Paróquia do Rosário: http://rosario.org.br
Egresso da capital cearense, Fortaleza, em 1942, Raymundo Yasbeck Asfora aporta em Campina Grande aos 12 anos de idade em companhia dos pais libaneses. Aos 18 anos já militava nos movimentos estudantis, atuando bravamente na restauração de um dos maiores instrumentos de defesa da classe discente, o Grêmio Estudantil Campinense.
Foi luta sua o início da construção da Casa do Estudante, mais tarde nomeada de Casa Félix Araújo.
Aos 18 anos, parte para cursar a Faculdade de Direito na cidade de Recife, em Pernambuco, retornando a Campina Grande no ano de 1952 para assumir a Secretaria de Serviço Social na gestão do prefeito Severino Cabral. Sua colaboração na administração municipal lhe confere a oportunidade de ser eleito vereador pelo PTB, em 1955, tornando-se líder da oposição ao prefeito eleito Elpídio Josué de Almeida, com mandato findo em 1959.
Aliando sua atuação como legislador à prática forense, Asfora, um dos maiores tribunos que Campina Grande já contemplou, foi aclamado o mais popular advogado em 1957 pela realização de grandes júris populares.
Foi eleito deputado estadual em 1958, agora pelo PSB, quando em projeto de sua autoria nomeou aquela Casa Legislativa de Casa Presidente Epitácio Pessoa.
Na década de 60, foi Assessor do Ministro João Agripino, quando do governo do presidente João Goulart, em 1961, procurador da Fazenda Estadual-PB, em 1962 e em 1964 assumiu, como suplente, mandato na Câmara Federal de Deputados, para onde voltaria em 1982, desda feita pelo PMDB.
Compondo a chapa majoritária, em 1976, elege-se vice-prefeito de Campina Grande pela ARENA, ao lado de Enivaldo Ribeiro, cumprindo mandato de 1977 a 1982.
No ano de 1986, durante a escolha da chapa que disputaria as eleições daquele ano, aceitou a indicação do seu nome para vice-governador, neste mesmo ínterin, surge a figura, quase que infante de Cássio Cunha Lima herdando seus votos, como representante do povo paraibano no Congresso Nacional.
A aliança de grandes nomes peemedebistas elege Tarcísio Burity governador e Raymundo Asfora seu vice em 15 de Novembro de 1986.
Sob clima de muito mistério, Raymundo Asfora é encontrado morto em sua residência, à Granja Uirapurú (Antiga Biblioteca Central Campus I-UEPB), no Bairro de Bodocongó no dia 06 de Março de 1987, à nove dias da sua posse, tendo sido lhe atribuído suicídio.
Até hoje existem duas correntes entre os campinenses acerca dessa tese: suicídio, ou assassinato.
Entre suas admirações estavam Argemiro de Figueiredo como político, o Treze FC como time de futebol , o Restaurante Manoel da Carne de Sol, nas Boninas, e o Clube Ipiranga, ás margens da Av. Canal.
Raymundo Asfora é co-autor de uma das maiores composições musicais da região, em parceira com Rosil Cavalcante, na música "Tropeiros da Borborema" uma verdadeira ode às origens da nossa querida Campina Grande, considerada hino extra-oficial da nossa terra.
"A morte está enganada, eu vou viver depois dela" (Raymundo Asfora)
Fontes Pesquisadas:
Discurso proferido pelo Dep. Fed. Rômulo Gouveia na Câmara dos Deputados
em 06.03.2007 - 15:58hs (www.camara.gov.br)
Fotos: SILVESTRE, Josué. "Nacionalismo e Coronelismo"
Vejam Mais:
Em 11 de fevereiro de 1988, o Diário da Borborema publicou as seguintes matérias sobre a morte do tribuno (Cliquem para ampliar):
Um encarte de um evento em homenagem ao saudoso Asfora em 1986, evento organizado pela Prefeitura na administração de Ronaldo Cunha Lima (Cortesia de Prof. Thomas Bruno Oliveira):
(Cliquem para ampliar as imagens)
Reportagem da TV Borborema sobre a história do tribuno:
O vídeo a seguir é uma das maiores raridades do acervo do blog “RHCG”. Trata-se do Programa televisivo "Linha Direta" que retratou a morte do tribuno Raymundo Asfora.
O programa foi ao ar pela Rede Globo em 10 de junho de 1990, causando muita polêmica à época, pois o jornalista, ex-governador de Minas Gerais e ex-ministro, Hélio Costa, claramente afirmava que Asfora fora assassinado!
O arquivo em vídeo deste raro documento nos foi cedido gentilmente pelo colaborador Manoel Leite, o “Leitinho”, a quem agradecemos.
Importante: Queremos registrar que o Blog RHCG não está emitindo nenhuma opinião sobre o evento ocorrido na Granja Uirapuru mas sim, como sempre, relatando uma história, desta vez rememorando um dos momentos mais traumáticos da História de Campina Grande, em reportagem feita pela maior Rede de Televisão do país.
Pedimos aos nossos internautas, precaução nos possíveis comentários sobre este vídeo, pois não queremos ser a voz de censura, desabilitando nosso democrático mural.
Se ocorresse hoje seria mais um número na estatística, porém, há mais de 30 anos, o fato causou grande comoção em Campina Grande. Estamos falando do crime do Monstro do 40, um assunto que não queríamos abordar, mas sem dúvida nenhuma tornou-se uma parte de nossa história, muito triste por sinal.
Era outubro de 1983, a criança de 7 anos Izabel Cristina Barbosa Dias, a “Belinha”, foi morta por Manuel Guimarães Dias, crime ocorrido em Campina Grande e que alcançou mídia nacional.
Manuel Guimarães Dias, o "Monstro do 40"
O delito ocorreu no dia 17 daquele mês, quando Izabel saiu do grupo escolar Melo Leitão no Bairro do Jardim Quarenta, local de seu estudo. Manuel que à época tinha 32 anos viu a criança sozinha indo para casa e a abordou, convencendo-a a segui-lo até uma rua pouco habitada naquele ano de 1983 (Rua Américo Carneiro).
A Rua Américo Carneiro, no Quarenta, local da morte de "Belinha"
Lá, seguiram para uma casa em construção e Manuel estuprou e matou Belinha com 13 facadas.
A casa em construção em 1983, local da tragédia
O maníaco foi preso quase imediatamente após o crime, pelos soldados Georgetown e Teixeira. Ele foi denunciado por um pedreiro que fazia uma obra em local próximo ao ocorrido e viu que o criminoso estava ensanguentado e com a faca do homicídio em punho. Em depoimento, o bandido revelou algo tenebroso e triste: “Vou dizer a mamãe, vou dizer a mamãe”, era o que gritava Izabel a cada facada que recebia.
“Belinha” foi sepultada no dia 18 de outubro no Cemitério do Cruzeiro, com grande multidão acompanhando seu enterro, revoltados e gritando palavras de ordem contra o “Monstro do 40”, como o criminoso ficou conhecido a partir de então.
Após sua prisão em flagrante, Manuel Guimarães passou por um rigoroso exame de faculdades mentais, realizado no Instituto de Psiquiatria Forense de João Pessoa, a pedido de um advogado e que revelou que o “Monstro do 40” era completamente normal, ou seja um “assassino de mente sã, frio e calculista”, segundo a constatação do Psiquiatra responsável pelo exame.
Foi julgado e condenado em 1984, quando por insistência do Juiz de Direito, Luciano Gadelha, o advogado Francisco Maria resolveu defendê-lo. A insistência foi pelo fato de nenhum advogado querer defender o maníaco, em face da forte comoção contra o criminoso.
Em dezembro de 1984, uma grande multidão acompanhou o julgamento no Fórum Afonso Campos, que naquele ano ainda localizava-se na Avenida Floriano Peixoto. Para surpresa de todos os presentes no Fórum, Manuel negou a autoria do crime, o que foi ignorado pelos jurados: resultado 7x0. Foi condenado a 30 anos de prisão.
O "Monstro do 40" chegando para seu julgamento
Manuel Guimarães Dias cumpriu 19 anos de pena e segundo reportagem da TV Borborema de 2012, seguiu para São Paulo quando assassinou um irmão. Poucos dias depois o “Monstro do 40” foi encontrado morto. Assista a reportagem:
Após a morte de “Belinha”, vários casos de milagres foram atribuídos a menina, chegando-se a tentar a construção de uma Capela no local de sua morte, o que não ocorreu. Hoje o local do crime é uma casa residencial.
Altar improvisado no local do assassinato em 1983
Sem dúvida, um crime que jamais será esquecido pela população campinense.
Fontes Pesquisadas:
-DA VIOLÊNCIA A SANTIDADE: UMA LEITURA DO CASO IZABEL CRISTINA – EDUARDO LEMOS PORTO (Trabalho de Conclusão do Curso de História da Universidade Estadual da Paraíba)
Ao longo da história de Campina Grande tivemos notícias de vários grupos religiosos, que acabaram virando verdadeiras seitas. Algumas ficaram bem famosas a exemplo dos “Borboletas Azuis”, que já foi amplamente divulgado neste blog.
Em 1923, ocorreu uma tragédia numa localidade chamada “Catoamba” em nossa cidade, que infelizmente não sabemos o local exato. Contamos com a ajuda dos colaboradores para a identificação.
A tragédia relatada foi a morte de uma jovem por um grupo envolvido em magia-negra. A revista “Era Nova”, publicação da capital do Estado, contou em suas páginas o ocorrido e que pode ser lido a seguir:
A TRAGÉDIA DE CATOAMBA
(Revista Era Nova, 1923)
Catoamba é um miserável lugarejo, situado no municipio de Campina Grande. Quem, por ali passa, sente uma impressão de desoladora tristeza, diante daqueles casebres baixos e arruinados, daqueles campos ressequidos por um sol ardente. Catoamba foi teatro de uma sinistra tragédia, de que resultou a morte de uma infeliz moça, vítima do fanatismo de um grupo de catimbozeiros, entre os quais se encontravam pessoas da própria família da sacrificada.
Insuflados sentimentos de perversidade no ânimo ingênuo daquela gente, superexcitada pelas libações alcoólicas, lançou-se toda ela contra a vítima, matando-a, em seguida, ao som das horripilantes cantilenas da magia-negra.
Os jornais narraram nos seus horrendos detalhes, esse acontecimento bárbaro e revoltante, que nos envergonha e surpreende ao mesmo tempo. É inacreditável que ainda haja quem confie nas bruxarias e sortilégios de uns tantos nojentos charlatães, que avisadamente se instalam nos lugares menos civilizados, para explorar a credulidade e a bolsa da população.
O caso está entregue a polícia, da qual devemos esperar a punição dos culpados e o esclarecimento da sombria tragédia.
A fotografia que ilustra esta notícia apresenta os criminosos que trucidaram a desventurada louca e em destaque, o feiticeiro-chefe.
AGRADECIMENTOS:
A José Ezequiel do blog “Tataguaçu” pelo envio do material
No primeiro semestre do ano de 1980, vários crimes ocorrem em seqüência na cidade de Campina Grande. Marginais de certa periculosidade eram os escolhidos pela organização chamada “Mão Branca”.
Segundo o Diário da Borborema, tudo surgiu em virtude de uma “brincadeira” do agente Lidinaldo Motta, que ao ser transferido para Campina Grande, sugeriu 115 nomes de supostos marginais que deveriam morrer.
Alguém levou a brincadeira a sério e uma lista chegou às mãos de Cícero Tomé, Supervisor Policial, na Central de Polícia de Campina Grande.
Cícero Tomé
O nome “Mão Branca” foi em virtude de um crime cometido pelo famoso “Esquadrão da Morte” do Rio de Janeiro. Ao assassinar um marginal, a polícia carioca deixou um pano branco sobre o corpo, que se assemelhava a uma luva. Surgiu daí o apelido do grupo de extermínio que virou legenda nacional.
O primeiro crime ocorrido foi à morte de Roberto Galdino do Nascimento, o “Beto Fuscão”, crivado de balas próximo ao Estádio Ernani Sátiro.
A atuação do grupo se deu praticamente apenas em Campina Grande, apesar de ter assassinado “Bermuda”, que era um foragido da Serra da Borborema, que fugira para a capital com medo de morrer. Quem ousasse tripudiar da organização, não escapava da ira do Mão Branca, a exemplo de “Mocotó”, um marginal que ousou zombar do grupo de extermínio: morreu crivado de balas, num terreno abandonado. Assim, Campina Grande novamente voltaria às manchetes nacionais, após o episódio “Borboletas Azuis”, alvo de um tópico aqui nesse blog.
O “Esquadrão da Morte Paraibano”, não se limitou apenas a matar e ameaçar marginais. Políticos, advogados entre outros, também sofreram ameaças da organização. Foi o que aconteceu com o ex-prefeito de Campina Grande, William Arruda, que era tio de Ataliba Arruda, acusado de diversos homicídios. William na época era representante do Governo Estadual em Campina Grande. A carta, abaixo escaneada, também fazia uma ameaça a Agnello Amorim.
Todavia, Arruda não se intimidou e através do governador Tarcisio Burity, formou uma Comissão de Justiça e Paz na cidade, na tentativa de apurar os crimes do Mão Branca. A Comissão de Justiça e Paz era formada pelos advogados Tereza Braga e Hermano Nepomuceno e os padres Cristiano Joosten e Carlos Beylier. Todos foram alvos de ameaças do grupo. O bispo D. Manuel Pereira, preocupado com as ameaças, chegando ele próprio a receber algumas, procurou William Arruda para que o mesmo tomasse conhecimento das ameaças ocorridas.
Segundo o Diário da Borborema de 1997, o policial Humberto Tomé da Silva, filho de Cícero Tomé, ainda acreditava que seu pai fora vítima de perseguição política. “Ele era filiado ao PMDB, na época um partido de Oposição. Inventaram essa história do Mão Branca para abalar o prestígio de meu pai”, opinou. “A imprensa contribuiu muito para criar o mito do Mão Branca”.
Alguns acusados pelos crimes chegaram a ser julgados, a exemplo de Carlos José de Queiroz, o “Zé Cacau”, ex-agente policial e José Bazílio Ferreira (Zezé Bazílio). O processo constava de cinco volumes, com pelo menos 1.140 páginas. O julgamento praticamente parou a cidade, com ampla cobertura da imprensa local. Os réus chegaram a contratar os serviços do conceituado criminalista na época, Dalmo Dallari.
Zé Cacau
Zezé Basílio
Zezé Bazílio seria condenado a mais de meio século de detenção, enquanto Zé Cacau seria absolvido pelo júri. Nos “scans” a seguir, reportagens do Diário da Borborema sobre o julgamento. Cliquem para ampliar:
O grupo de extermínio que atuou em Campina Grande, com o nome de Mão Branca, nasceu de uma brincadeira, mas foi levado a sério por policiais dotados do instinto de matar, que visavam à notoriedade. Oficialmente foram oito mortes - seis delas em uma semana.
Fernando Moura Cunha Lima nasceu na cidade de Guarabira-PB, em 26 de Julho de 1934. Era filho de Demóstenes da Cunha Lima e Francisca (Nenzinha) Bandeira da Cunha.
Iniciou seus estudos em Campina Grande e João Pessoa. Era irmão de Ronaldo, Roberto, Renato e Ivandro.
Destacou-se como líder estudantil; foi presidente eleito e re-eleito do CEC – Centro Estudantal Campinense, tendo participado de movimentos de repercussão no Município, como pela construção da Casa do Estudante e pela inauguração do Colégio Estadual da Prata. Era presidente do CEC à época da morte do tribuno Félix Araújo em 1953.
Em Campina Grande foi aluno “fundador” da Escola Politécnica, onde cursou Engenharia Civil, até o 3º ano. Ingressou na Escola de Administração da antiga FURNe.
Empreendedor, era o presidente da ITN Trading do Brasil, terceira maior empresa de trading do país, grande exportadora de soja, amendoim e pimenta.
Na década de 70 Fernando era considerado o mais próspero dos ‘Cunha Lima’. Dispunha de avião particular, um jato Navajo, importava gado Nelore em grande quantidade, possuía uma capacidade ímpar de negociar, inclusive com países da Ásia ou África, com agilidade e eficiência, numa época em que os limites geográficos ainda não haviam sido vencidos pela internet.
No ano de 1978, dentro das suas ambições políticas, lançou-se candidato a Deputado Federal pela Paraíba, pelo antigo MDB e era considerado um dos favoritos à eleição, inclusive contando com apoio na capital e mantendo bases no interior do estado.
Fernando teve no ex-deputado federal paraibano Abelardo Jurema o seu braço direito nos negócios. Foi Jurema quem identificou seu corpo no IML do Rio de Janeiro quando o encontraram, depois de dois dias desaparecido, assassinado dentro de um carro na região da Prainha, em Grumari, a 50Km do Rio de Janeiro.
Segundo Jason Tércio, no livro “A Espada e a Balança: Crime e Política no Banco dos Réus”, o cenário do crime fora descrito da seguinte forma: “Dois tiros no peito haviam perfurado o paletó Pierre Cardin (marca mais chique da época) e a camisa rosa com etiqueta de Paris, elegância complementada por abotoaduras de aço inoxidável e gravata de seda. Tinha sinais de muita violência física sofrida antes dos tiros: queimaduras de cigarros, hematomas no pescoço, rótulas quebradas.”
Foi um recibo de depósito bancário encontrado em seu bolso que permitiu sua identificação.
Contradizendo-se em seus depoimentos e demonstrando traços de lesões físicas nas mãos e nos dedos (Fernando fora enforcado com um fio de nylon), José Carlos Succar Farah, seu sócio na ITN Treding foi indiciado como autor do delito que vitimou o próspero empresário paraibano.
Seu cúmplice foi o vendedor de automóveis José Abreu Ferraz, o primeiro a confessar o crime.
De acordo com Abelardo Jurema Filho, em seu Blog pessoal, Farah foi preso, mas morreu antes de cumprir a pena.
Fernando Cunha Lima (Foto Enviada por Edval Toscano de Freitas)
Fontes Pesquisadas:
SILVESTRE, Josué. "Lutas de Vida e de Morte";
Portal Abelardo ( http://www.abelardo.com.br );
TÉRCIO, Jason. "A espada e a balança: crime e política no banco dos réus"
Exatamente no dia de hoje, 09 de Julho de 2010, completam-se 60 anos dos fatos ocorridos no dia da inauguração do atual prédio dos Correios em Campina Grande, onde correntes políticas opositoras se "degladiaram" na Praça da Bandeira, tendo se registrado na História como "A Chacina da Praça da Bandeira".
A seguir, republicamos o discorrer dos fatos, originalmente postado no Blog RHCG em 26/10/2009:
09 de Julho de 1950: A Chacina da Praça da Bandeira
O clima de acirramento político em Campina Grande comumente presente nos anos de campanha eleitoral está intrínseco no DNA de cada cidadão da nossa urbe.
A bipolarização de correntes ideológicas em nosso Município promoveu a maior tragédia já registrada em termos políticos, até hoje.
Campina Grande receberia figuras ilustres da política local para inauguração do sutuoso novo prédio dos Correios e Telégrafos (o atual), em plena campanha eleitoral, em um show-mício com palanque montado na Praça da Bandeira.
Tudo começou ainda à luz do dia, quando entusiastas e correligionários da UDN (União Democrática Nacional), liderados por Argemiro de Figueiredo iniciaram uma passeata pelas ruas campinenses, à partir da entrada da cidade, em Santa Terezinha.
A marcha coletiva percorreu à partir da Av. Paulo de Frontin várias ruas até a Praça da Bandeira, local onde se realizara uma das maiores concentrações políticas de Campina Grande, em toda sua História.
Segundo Josué Silvestre era uma "tarde inspirada de belos e aplaudidos discursos: Joacil de Brito, Ivandro Cunha Lima, Álvaro Gaudêncio, Hiaty Leal, Ernani Sátiro, João Agripino, Pereira Lima e, finalmente(...)Argemiro de Figueiredo".
O fato peculiar fora o fechamento do evento político com a apresentação de vários artistas da música, popular, consagrados nacionalmente, como Emilinha Borba, Luiz Gonzaga, conceituados artistas da áurea Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Como não poderia ser diferente, ao final do espetáculo, a multidão dispersa aglomera-se em pequenos grupos ao longo do epicentro da festa, encontrando pelo caminho grupos políticos rivais que se reuniam em outros pequenos grupos que já demonstravam clima de confronto.
Estes pequenos grupos de pressão assumiram o tom de provocação e formaram, expontaneamente, um novo movimento que percorreu as ruas centrais da cidade, em forma de passeata, onde apenas as vozes ardorosas dos entusiastas deram força aos partícipes.
Após circular estas vias, o movimento retornou à Praça da Bandeira onde, os líderes da passeata invadiram o palanque montado para o comício da oposição, ainda decorado com os motivos Udeenistas. Diante de tamanho atrevimento, começaram os discursos fervorosos onde, não muito tempo depois, inicia-se a desordem, seguida de pancadaria ao som de disparos de armas de fogo.
Uma pancadaria generealizada se instalou na Praça da Bandeira, com a participação popular e da polícia militar; em poucos minutos de contenda fora registrado um saldo de 03 mortos e cerca de 20 feridos graves e dezenas de feridos com escoriações leves.
As vítimas fatais foram o bancário Rubens de Souza Costa, espancado por policiais; o mecânico José Ferreira dos Santos; e Oscar Coutinho, mecânico da empresa pernambucana que instalava os elevadores do prédio dos Correios.
Acerca de tamanha tragédia testemunhada, o escritor Josué Silvestre transcreveu o que registrara o advogado Aluísio Campos, então presidente do PSB local: "Jamais sofri tamanho desapontamento. Nunca testemunhara facínoras fardados investirem de modo tão selvagem sobre o povo para matá-lo friamente."
Testemunhas alegaram que policiais fardados se ajoelhavam e faziam pontaria em direção à multidão.
Fonte: "Lutas de Vida e de Morte", Josué Silvestre, 1982
Um dos nossos mais assíduos colaboradores, o Prof. Mário Vinicius ilustrou nossa postagem com o seguinte comentário, o qual achamos pertinente fazer parte do texto:
"Sobre isso que você relatou, um conhecido meu narrou este fato:
Certa feita, o pai dele foi a uma cidade do eixo Rio-São Paulo. Em certo momento, no centro da cidade, avistou uma pessoa. Esta pessoa reconheceu o viajante.
"-Seu Fulano ! Que prazer reencontrá-lo. O senhor está lembrado de mim ?"
O homem se mostrou impassível. Olhou bem dentro dos olhos e disse:
"-Lembro, e muito bem ! Nunca esqueci da cena: você ajoelhado atirando contra a multidão no comício da Praça da Bandeira".
O homem não quis escutar mais nada... Sumiu na multidão.
Omiti os nomes de quem me contou e do pai dele por motivos óbvios."
A História é Feita de Registros e Memórias! Colabore com nosso resgate nos enviando fotos, áudios, vídeos, etc... Fatos que remetam ao pretérito campinense. Teremos prazer em citar quem nos enviar. (retalhoscg@hotmail.com)
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