Sem dúvida nenhuma, a morte de Félix Araújo está entre os três maiores acontecimentos da história de Campina Grande. Não iremos ter a audácia de querer citar os outros dois, fica por conta dos historiadores, mas se elencarem os três maiores acontecimentos, pelo menos a morte de Félix será uma unanimidade.
Retratando ao fato, o antigo “Jornal de Campina”, que tinha como diretor William Tejo, comprou a briga com o então prefeito de Campina Grande, Plínio Lemos, que segundo este jornal foi o mandante do crime ocorrido no mês de julho de 1953! Confira, abaixo, a primeira página da edição n.º 19 do 'Jornal de Campina', um dia após o tiro, com a repercussão e posicionamento do editorial.
Cliquem para ampliar:
Félix Araújo passou 15 dias lutando pela sua vida, internado no Hospital Dr. Brasileiro quando, em 27 de Julho de 1953, lamentavelmente veio a óbito. Novamente, o 'Jornal de Campina' noticiou a fatídica manchete no dia seguinte (cliquem para ampliar):
Nos dias que se seguiram, o Jornal de Campina fez férrea campanha contra Plínio Lemos. O assassino de Félix Araújo, João Madeira, fora preso e, dias mais tarde, terminou por ser assassinado na prisão.
A comoção que tomou conta de todos os campinenses pelo ocorrido provocou um ato de generosidade em amparo à viúva do tribuno, D.Maria de Félix. No ano 2011, no programa 'Mesa de Bar' da extinta Rádio Cariri, o entrevistado era Celino Neto, que vem a ser neto de Félix Araújo por parte de sua mãe, Tamar, contou que a casa de D.Maria, localizada na Feira Central, foi 'dada' pelo povo de Campina Grande para que ela morasse com seus filhos.Celino revelou também, que até hoje consta no boleto de IPTU a denominação “Viúva de Félix”.
Para saber mais sobre a vida de Félix Araújo, cliquem
AQUI e
AQUI.
Um dos acontecimentos mais importantes da história de nossa cidade, foi alvo de uma série de reportagens do jornal "Estado de São Paulo":
A morte de Félix Araújo parou Campina Grande durante meses, alcançando assim a mídia nacional:
Reproduzimos a seguir (cliquem para ampliar), as diversas reportagens publicadas durante aquele ano de 1953:
15-07-1953
17-07-1953
18-07-1953
22-07-1953
23-07-1953
29-07-1953
29-07-1953
O Rebate foi um dos jornais mais duradouros da história campinense. Surgiu em 04 de outubro de 1932 pelas mãos de Luiz Gil, Pedro d’Aragão e Eurípides Oliveira, e permaneceu ativo até a década de 1960.
Afrânio Aragão – em discurso perante a Academia Paraibana de Letras Maçônicas – disse: “O REBATE circulou ininterruptamente por mais de 20 anos, até que, morrendo o Professor Luiz Gil, papai resolver encerrar essa atividade jornalística”.
Acrescentou, ainda, o acadêmico que, "foi um centro não somente de formação, mas de meio de expressão de idéias e posições políticas de dezenas de campinenses e paraibanos de destaque como Abel Correia, Adauto Rocha, Antonio Mangabeira, Carlos Agra, Cristino Pimentel, Egídio Lima, Elísio Nepomuceno, Elpídio de Almeida, Epaminondas Câmara, Epitácio Soares, Eurípedes de Oliveira, Evaldo Cruz, Everaldo Luna, Felix Araújo, Gilberto Leite, Hortêncio Ribeiro, José Leite Sobrinho, José Lopes de Andrade, Lino Gomes, Luiz Gil de Figueiredo, Mauro Luna, Nilo Tavares, Osmário Lacet, Pedro d’Aragão, Otávio Amorim, Severino Procópio ou William Tejo, entre outros".
N'O Rebate, também chegaram a atuar Wallace Figueiredo (filho do Prof. Gil) e Gonzaga Rodrigues (Notas do meu lugar: Crônicas, 1978).
Nas edições que tivemos acesso, fornecidas em arquivo digital pelo ilustre pesquisador Jônatas Pereira, e também pelo adido cultural Walter Tavares, podemos ver a variedade de anúncios promovida por aquele jornal, a exemplo do Escritório de Engenharia de Austro França Costa, na rua Rui Barbosa nº 136; a Indústria de Laticínios Vitória, na rua 13 de maio nº 327; a Farmácia Confiança, na Praça Epitácio Pessoa; e da Sucata Campinense, na rua Pres. João Pessoa nº 336.
Luiz Gil é patrono da Associação Campinense de Imprensa, professor, escritor, jornalista e poeta (Raízes ibéricas, mouras e judaicas do nordeste: 2002). Nasceu em Santa Luzia/PB, em 17 de setembro de 1895. E teria chegado em Esperança por volta dos anos 30, nomeado que fora como Adjunto da Cadeira do Sexo Masculino, em maio de 1931.
Ainda naquela década, organizou o bloco “Coronel nas ondas”, ao lado de personalidades como Silvino Olavo, Teotônio Costa, Manuel Rodrigues, Teotônio Rocha e Juvino Brandão. Há notícias de que tenha auxiliado no jornal “O Tempo”, órgão que era dirigido por José de Andrade, com gerência de Teófilo Almeida. Esta experiência talvez tenha ajudado a fundar, em Campina Grande, o semanário “O Rebate”.
Também em Campina, onde se radicou após deixar Esperança, participou da “Sociedade Beneficente dos Artistas”, exerceu o magistério e se tornou conhecido como orador e poeta.
Pedro d'Aragão nasceu em 01 de julho de 1900, em S. José do Egite/PE, filho de André Alvino Correia de Aragão e Alexandrina Maria do Espírito Santo. Sua mãe era doméstica e deficiente, o genitor era funileiro. Residiu em Umbuzeiro/PB, onde conheceu Umbelina, de cujo consórcio resultou sete filhos. Radicou-se em Campina Grande, onde começou a fabricar malas para vender nas feiras, trabalho no recenseamento (1940), foi funcionário da prefeitura e também professor de música. Dedicando-se ao comércio, instalou a “Livraria Modelo”, primeiro estabelecimento a vender instrumentos musicais.
Como sindicalista, atuou em várias associações, sendo vice-presidente da Federação do Comércio Varejista, presidente do Conselho do SESC e SENAC na Paraíba e co-fundador do Sindicato do Comércio Atacadista da Paraíba. Como jornalista, participou não apenas d'O Rebate, mas também d'A Metralha, que circulava nas festividades de natal e ano novo em Campina, que era composto ainda pelo Prof. Luiz Gil, Nilo Tavares e Epitácio Soares.
Acerca de Eurípides de Oliveira não encontramos maiores informações, a não ser que foi jornalista e construtor de açudes, ex-aluno de Clementino Procópio.
(*) Rau Ferreira é escritor e poeta, autor dos livros Silvino Olavo (2010), João Benedito: o cantador de Esperança (2011) e Banaboé Cariá (2015). Sócio do IHCG e colaborador do IHGP.Referências:- ANPUH –PB, Anais Eletrônicos do XVI Encontro Estadual de História. ISSN: 2359-2796. 25 a 29 de agosto. Campina Grande/PB: 2014.- ARAGÃO, Afrânio. Discurso de posse. Academia Paraibana de Letras Maçônicas, em 03 de- CAMPINENSE, Coletânea de Autores. Comissão Cultural do Centenário. Prefeitura de Campina Grande. Campina Grande/PB: 1964.- O REBATE, Jornal. Edição de 04 de outubro. Campina Grande/PB: 1943.- RHCG, Blog. Editor Emmanuel Souza. Disponível em: http://cgretalhos.blogspot.com.br/2009/10/o-professor-clementino-procopio.html#.WFB-UPkrK00, acesso em 13/12/2016.- RODRIGUES, Gonzaga. Notas do meu lugar: Crônicas. Editora Acauã: 1978. outubro de 2009, por ocasião de sua investidura na cadeira cujo patrono é seu pai, Pedro d’Aragão. Disponível em: http://aplm.xpg.uol.com.br/pedrodaragao.htm, acesso em 13/12/2016.
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No dia 02 de Outubro de 1969, a Feira Central de Campina Grande foi destaque no Jornal O Globo, em matéria produzida pelos enviados especiais Merval Pereira e Jorge Peter, que compararam para a imprensa carioca (e nacional) as maiores feiras do Nordeste, Campina Grande e Caruarú.
Acima, o recorte da matéria publicada com as considerações acerca da nossa histórica e tradicional Feira Central (Cliquem na imagem para ampliá-la).
Recorte do antigo jornal local chamado "
A Voz da Borborema" reportando, no dia 18 de Maio de 1938, à inauguração da Biblioteca instalada nas dependências da sede do Treze Futebol Clube, denominada "Biblioteca Olívio Barreto", em homenagem a um dos 13 fundadores do Galo da Borborema.
Ainda nas comemorações alusivas aos 88 anos de fundação do Treze FC, calha a presente postagem, sugerida por
Danielly Inô, através da rede social Facebook.
ANEXO:
O professor Mario Vinicius Carneiro Medeiros nos manda o seguinte arquivo, encontrado no site
https://familysearch.org, onde pode ser visualizado a Certidão de Óbito de Olivio Barreto, que reproduzimos a seguir (Clique no arquivo para ampliar, o texto é o que está dentro do quadro):
Por Rau Ferreira
A “Gazeta do Sertão” casualmente publicava logogrifos enviados pelos seus leitores, que também se punham a decifrar e trocavam charadas entre si naquele periódico. Os mais freqüentes eram de autoria de Cândido Filho, de Campina Grande, e Joviniano Sobreira, de Banabuyé (Esperança).
Esta espécie de enigma é composta por letras disposta em uma palavra ou frase em ordem aleatória (conceito), e uma palavra-chave que indica o caminho que se pretende desvendar. Não é tão fácil quanto parece e requer uma técnica apurada. Observe os versos a seguir:
“Com este feche, ou molho, 11, 4, 14
A maçã grande, comi; 8, 7, 3, 9, 14
E esta espécie de junco, 13, 10, 6, 8, 14
Tumor ósseo, que eu vi. 8, 14, 9, 14
Tem nós, 8, 14, 9, 14, 12, 14
O logar alto, 6, 10, 9, 14, 14
Machina, temos; 1, 14, 3, 11, 2
É excessivo, 16, 4, 6, 4, 14
Na orelha do homem, 15, 2, 11, 4, 5
Moeda vemos 5, 2, 11, 4, 6
Conceito:
Celebre compositor hamburguês
Compoz o sonho d’uma noite de verão
A primeira orchestra do mundo;
Foi debaixo de sua direcção.
Esperança, 25 de setembro de 1888.
Por Juviniano Augusto de Araújo Sobreira”.
A resposta é FELIX MENDELSSOHN.
Do mesmo autor, temos o seguinte desafio:
“Folha e signal, 8, 4, 3, 7
Oleoso liquor; 3, 2, 6, 10
Este é cruel, 1, 9, 6, 4
De pouco valor. 5, 7, 8, 4
Conceito:
Governo popular;
O conceito, vá estudar.
Banabuyé, 13 de Abril de 1889
Joviniano Sobreira”
Para esta charada a decifração é DEMOCRACIA!
A Gazeta de Irineu e Retumba além do material histórico e geográfico, crônicas, denúncias e notícias campinenses, trazia muita variedade para o deleite de seus leitores.
por Rau Ferreira
Escrevemos em outra oportunidade sobre a imprensa campinense e os principais folhetins que se publicaram nesta cidade de 1888 a 1983. Hoje nos detemos em três dos principais veículos de comunicação escrita que circularam em Campina Grande nos idos de 1889 a 1895, são eles: A Gazetinha, A Gazeta dos Artistas e O Echo.
A GAZETINHA surgiu em 1889, era impresso e redigido pelo pernambucano Eleutério Edáclio Escobar que também foi responsável pela Gazeta dos Artistas (1894). Era dirigida por Tito E. Silva e publicava-se aos domingos. A primeira edição circulou em 1º de setembro de 1889. Denominando-se “Periódico Recretivo”, custava 500 rs a assinatura mensal e 200 rs o número avulso, cobrando-se 80 rs por linha divulgada.
A redação e tipografia funcionava na Praça Municipal Nº 24, ou seja, no mesmo parque tipográfico da Gazeta do Sertão (Joffily/Retumba). Possuía vários agentes, que distribuíam o jornalzinho, em Campina: Joaquim Azevedo de Farias, Antonio Dias de Araújo, Antonio Joaquim Candeas e Candido Fabrício Filho; em Banabuyé (atual Esperança): Joviniano Sobreira; em Areia o Sr. Antonio M. de Areia; e na povoação de Pocinhos Joaquim Francisco de Araújo Pedrosa.
Dividia-se nas seguintes partes: Colaboração, destinada a publicação de participantes; Transcrições, publicações científicas e curiosidades; Parte Literária, com poemas e contos de autores nacionais; Parte Recreativa, poesias e anedotas; Seção Livre, cultura e charadas; e finalmente, a Gazetilha, com a crônica social.
O professor Joviniano Sobreira, progenitor do patrono da PMPB Coronel Elysio Sobreira, além de agente autorizado da Gazetinha participava enviando logogrifos. Esta espécie de enigma é composta por letras disposta em uma palavra ou frase em ordem aleatória (conceito), e uma palavra-chave que indica o caminho que se pretende desvendar, como a que se publicou neste jornal em 29 de setembro de 1889:
“Varão illustre 4, 5, 7, 8, 5
Patria, morada; 3, 2, 3, 4, 8
Premio e castigo, 1, 6, 3, 8
Mulher demandada, 7; 5
Conceito
Meu santo; eu vos peço,
Que não vos aparteis de mim;
Pois, sem vós neste mundo,
Nada posso ser, enfim.
Banabuyé, 25 de setembro de 1889
Joviniano Sobreira”.
Preservamos a grafia original da época já que se alteramos alguma das letras a charada ficará sem resposta, caso o leitor queira-o decifrar.
José Pereira Brandão, que também era professor de instrução pública e possuía uma venda de molhados, igualmente publicava as suas charadas na Gazetinha e também na Gazeta do Sertão.
A edição de número cinco trazia os seguintes anúncios:
Photographia Alemã – de B. Max Bourgard. De passagem por esta cidade, o retratista anunciava que iria demorar-se nesta cidade de 15 a 20 dias e oferecia os seus trabalhos, garantido um serviço de qualidade. Atendia na rua Conde D’eu, Nº. 04.
Ourives – Antonio Joaquim Candeas, com fabricação e concerto de obras em ouro e prata, garantindo seriedade e modicidade em seus presços. Funcionava na Praça da Independência, Nº. 20.
A GAZETA DOS ARTISTAS publicava-se aos domingos, com colaboração franca e anúncios por ajuste. Destinada aos artistas (antigos operários e artesões), sua assinatura anual custava 1$000, com pagamento adiantado. Sua primeira edição foi a de 1º de Julho de 1894, e estava assim dividida: Editorial, Revista, Passatempo, Literatura e Folhetim.
A edição de número dois trazia um texto de Lino Gomes da Silva, notícias sobre a Sociedade Artística Beneficente de Campina Grande, e sua aula noturna que iniciaria com a participação de Eleutério Edáclio Escobar, além do restabelecimento da saúde de Jesuíno Correia. Na parte literária, um conto de Pedro Emílio (Clarice) e poesia de L. Silva (Chronos).
Financiavam aquela publicação JOÃO TITO & IRMÃO, firma de secos e molhados sediada na Praça da Independência, Nº 34; ARISTIDES COTÓ, na Rua da Uraguayanna, com a venda de loterias nacionais cujos prêmios alcançavam a cifra de 36:000$000; e a CASA SERTENEJA de Manoel Benício de Oliveira Carvalho, estabelecimento de molhados com sortimento variado, com venda e fabricação de cigarros e salão de cabeleireiro, na Praça da Independência, Nº. 39.
O ECHO circulava somente aos sábados e aparece em 1895, com direção de Aguiar Botto de Menezes, então Juiz de Direito Campinense, com a colaboração do advogado João Antônio Francisco de Sá. Sua primeira edição data de 15 de julho de 1895. Funcionava na rua Major Belmiro, com oficina tipográfica e custava 160 réis o número avulso. O jornal manifestava apoio a Christiano Lauritzen e tinha os seguintes anunciantes:
CASA BRAZILEIRA, de Cruz & Oliveira. Casa de fazendas (tecidos) com sortimento nacional e estrangeiro, funcionava na Rua da Uraguayanna, Nº. 53.
O VESÚVIO, de Jovino do Ó & Irmão. Casa de Fazendas, ferragens, miudezas, perfumarias, calçados, chapéus e etc. Funcionava na Praça da Independência, Nº. 13.
BASAR DO TRIUMPHO DE S. JOSÉ, de Lino Gomes da Silva. Casa de molhados, com venda de chapéus, miudezas, armas para caçadores, e materiais para funileiros, ferreiro, sapateiro, fogueteiro e outras químicas. Funcionava no Largo da Capela de S. José.
TOMAZ BEZERRA CAVALCANTE, anunciava a venda de brandões e velas, folhas de madeira imitando a cor natural da cera, como se usava na Europa, Rio e “ultimamente na Matriz de Campina Grande”, com estabelecimento na Praça da Independência na venda das Estampas.
SINDULPHO CABRAL DE ALBUQUERQUE, senhor de Engenho com a venda de alambique com 40 canadas por dia de aguardente, na Praça da Independência.
JOÃO LOPES DE ANDRADE, com estabelecimento de miudezas e molhados na povoação de Queimadas.
CAPITÃO JOÃO ANTONIO FRANCISCO DE SÁ, advogado com escritório na Praça Municipal de Campina, com atendimento nas Comarcas de Itabaiana, Areia, S. João e Patos.
FRANCISCO DIOGO ALVES VIANNA, advogado com escritório no pátio da Matriz e atuação em diversas causas.
Esses são os pioneiros do jornalismo escrito em Campina Grande, que ao lado da GAZETA DO SERTÃO de Irineu Jóffily e Francisco Retumba, fazem parte da história das comunicações da cidade Rainha da Borborema.
Rau Ferreira
Referências:
- ARAÚJO, Maria de Fátima. Paraíba, imprensa e vida: jornalismo impresso 1826 a 1986. 2ª. Edição. Editora e Jornal da Paraíba: 1986.
- IPANEMA, Marcello & Cibelle. A Comunicação em Campina Grande. R.IHGB, Vol. 326. Janeiro/Março. Rio de Janeiro: 1980.
- RIBEIRO, Hortênsio de Souza. A imprensa em Campina Grande. R.IHGP, Vol. 11. João Pessoa/PB: 1948.
Uma das grandes raridades jornalísticas já postadas neste Blog: íntegras escaneadas de três edições do "Jornal de Campina", dos anos de 1953 e 1954, periódico que tinha como diretor o saudoso William Ramos Tejo e, entre seus colaboradores, Noaldo Dantas.
O curioso conteúdo impresso nas edições disponibilizadas nos foi enviado com a seguinte recomendação:
"As edições em anexo do Jornal de William Tejo são interessantes pois retratam Campina pós-assassinato de Félix Araújo, inclusive com uma carta aberta para Felix Araújo Filho, por ocasião do seu 2º Aniversário, e uma entrevista com o Sr. José Pinheiro, fundador do bairro com o mesmo nome. Espero que atraiam o interesse dos visitantes desse belo site.
Marcus Vinícius Barros de Azevedo
Major da PMPB."
por Rau Ferreira
O “Campinense” data de 1892. Era uma publicação do Partido Republicano realizada na tipografia da Gazeta de Irineu Jóffily.
O jornal que surgiu em abril daquele ano era dirigido por José Martins, um jovem de apenas 31 anos. Sua publicação era semanal e cobrava 100 rs por linha comercial. Estava sediado na rua Conde d’Eu e a assinatura custava: 5$000 anual, 3$000 semestral e 120 Rs o número avulso.
Em sua 31ª edição, que tivemos acesso, apresentava como matéria de capa um capítulo de IRACEMA, de José de Alencar.
Na seção “Gazetilha”, noticiava o fato de um arrebatamento que fora vítima o Escrivão, tendo-lhe sido tomado de oito a nove processos que o Juiz Municipal lhe confiara na saída. Segundo uma criada do servidor, estes foram tomados por uma “pessoa interessada”.
Apresentava ainda o folhetim uma receita contra a “Cholera”, a base de ácido cítrico. Recomendava aspergir a solução sobre o assoalho, esfregando-a com um pão que em seguida seria queimado!
Noticiava a exposição de Chicaco e também os benefícios da eletricidade, publicando nota sobre a chegada de um ilustre campinense, a seguir reproduzida:
“Chegou ontem em sua Fazenda Socego o nosso amigo tenente-coronel Honorato da Costa Agra, vindo do Recife, onde foi procurar tratar de sua saúde bastante agravada.
Secenta cavalheiros acompanhavam o venerável ancião inclusive os seus dignos filhos e genros, entre os quais o nosso ilustre collega o Dr. José Agra, juiz municipal deste termo.
Felicitamos cordialmente o nosso velho amigo tenete-coronel Agra pelo feliz resultado que obteve da operação em si praticada pelo ilustre clínico do Recife Dr. Malachias, e à sua Exm. família pelo restabelecimento do seu idolatrado chefe”.
Publicava na íntegra o Decreto 113, de 21 do corrente, acerca da aposentadoria de dois juízes federais. E noticiava o falecimento de José Antonio Farias Capoeiro, falecido no último dia 07 de novembro de 1892. O agricultor, de 72 anos, veio a óbito em razão de uma hemorragia pulmonar.
Financiava aquela publicação a Loja da Estrela, de João da Silva Pimentel, sediada na Praça da Independência. A recente obra Notas sobre a Parahyba, de Jóffily. A firma comercial Bell & Cia e a Farmácia Moura, instaladas na Capital. O ourives Antônio Joaquim Candéa. O Tônico Juá-mutamba, que podia ser adquirido na Farmácia Martins, em Pernambuco. Os advogados João Francisco de Sá, com escritório em Campina na Praça Municipal, e Jovino Limeira Dinoá, da Comarca de Alagoa Grande. E a Emulsão de Scott.
Rau Ferreira
Referências:
- ARAÚJO, Maria de Fátima. Paraíba, imprensa e vida: jornalismo impresso 1826 a 1986. 2ª. Edição. Editora e Jornal da Paraíba: 1986.
- CAMPINENSE, Jornal. Ano I, Nº. 31. Edição de 12 de novembro. Campina Grande/PB: 1892.
- IPANEMA, Marcello & Cibelle. A Comunicação em Campina Grande. R.IHGB, Vol. 326. Janeiro/Março. Rio de Janeiro: 1980.
- RIBEIRO, Hortênsio de Souza. A imprensa em Campina Grande. R.IHGP, Vol. 11. João Pessoa/PB: 1948.
por Jônatas Rodrigues
Acima, cópia da matéria que foi publicada no extinto jornal Diário da Borborema de 21 de maio de 1988 com o título de capa: "Vagões descarrilham carregados com álcool", e o título de corpo "Trem descarrilha e interdita avenida".
Tratava-se de um descarrilhamento de uma composição com vários vagões que estava sendo transportada de Maceió até Fortaleza, na altura de Campina Grande mais precisamente no largo da estação da RFFSA uma falha da agulha de desvio, o que ocasionou o descarrilhamento, principalmente de vagões carregados com álcool combustível, mas felizmente não teve risco de vazamento, o que poderia causar uma tragédia de proporções grandiosas.
Este descarrilhamento ocasionou um grande engarrafamento na Avenida Almirante Barroso, já que a composição atravessava a referida avenida no momento do descarrilhamento e vários vagões a interditaram. Apesar do descarrilhamento nenhum vagão tombou, apenas seus eixos ficaram avariados.
Me lembro deste descarrilhamento quando criança, e estudava a 2º série do ensino fundamental no Educandário Crianças do Brasil, no bairro de São José, quando atravessava a linha vi o grande número de vagões descarrilhados, na época tinha 7 anos de idade, estes vagões ficaram descarilhados da entrada do largo da estação da RFFSA (estação nova) até próxima a Avenida Assis Chateaubriand. Passou cerca de três dias para retirarem todos os vagões descarrilhados, já que a composição era muito grande, e foram nessessário vários técnicos e trabalhadores da companhia para efetuarem tal operação.
Em pesquisas no periódico "A Província", de Pernambuco, foi encontrada a seguinte nota de jornal, dando conta do nascimento de um jornal político em Campina Grande para o ano de 1917:
"A RAZÃO
Com este título, deverá apparecer brevemente na florescente cidade de Campina Grande, na Parahyba, um jornal político, que será órgão da arregimentada opposição dalli.
É seu director o coronel Salvino de Figueiredo.
São seus redactores os intelligentes moços drs. Severino Procópio e Acacio de Figueiredo e pharmaceutico Ageu de Castro.
Auguramosá 'A Razão' uma vida longa e prospera."
Com efeito, nessa época as forças políticas da situação eram compostas pelo dinamarquês Christiano Lauritzen e seu sogro, que permaneceu no poder até novembro de 1923.
A oposição - liderada por Severino Gomes Procópio - só viria a assumir a gestão municipal em abril de 1945.
No dia 09 de Março de 1985 o jornal Diário da Borborema trazia uma reportagem assinada por Germano Ramalho, sobre os 10 anos desde a inauguração do Estádio Ernani Sátyro (O Amigão) e sua situação de obra inacabada até aquela data, passado já uma década desde sua instalação em 08 de março de 1975, como principal praça de esportes de Campina Grande.
Mais uma vez agradecemos a colaboração de Jônatas Rodrigues que nos envio os valiosos recortes do extinto periódico local, que já tratava do descuido com o qual o Estádio se encontrava em 1985: "O estádio que foi inaugurado no dia 8 de março de 1975, jamais foi totalmente concluído e naquela época já tinha os corriqueiros problemas que se verifica até hoje, como alagamento de alguns setores do estádio, fiação com problemas de curto, enfim um quadro que conhecemos nos dias atuais. Na reportagem de capa a matéria traz o seguinte: "Desprovidos de grandes jogos e sem reunir compacto e colorido público, o "Amigão" é hoje um princípio de ruína, apresentando rachaduras, cadeiras quebradas e estruturas ameaçando seu futuro. O gigante está abandonado pela Sudepar, que daqui tanto levou cotas de generosas rendas de um futebol que se foi".


O Colosso da Borborema (como era chamado pelo cronista Humberto de Campos) nunca foi efetivamente concluído. Apesar de ter contado com alguns consertos ao longo dos seus 37 anos de 'vida', o Amigão ainda padece dos mesmos problemas elencados na reportagem do DB de 1985.
Recentemente, o Governo do Estado apresentou uma série de maquetes eletrônicas de obras que pretende realizar em Campina Grande e, uma grande modificação urbanística está prometida ao Amigão: