Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Pouca gente sabe, mas o tradicional bairro José Pinheiro teve origem diretamente ligada à figura simples e popular de um homem que acabou dando nome à localidade.

Segundo antiga reportagem do Diário da Borborema, publicada no final da década de 1960, José Pinheiro chegou à região muito antes do crescimento urbano de Campina Grande, no ano de 1927. Instalou-se na área vendendo produtos populares, remédios caseiros, animais, esteiras, realizava pastoris, o que o tornou uma figura bastante conhecida entre os moradores da época.

A matéria relata que ele era tão popular que, quando alguém queria procurar diversão, encontros ou resolver algum problema naquela área ainda afastada da cidade, dizia-se: Vamos lá para o José Pinheiro”.

Com o passar dos anos, a expressão acabou identificando toda a localidade e o nome do homem transformou-se definitivamente no nome do bairro.

A reportagem também destaca Manoel Sales, apontado como o verdadeiro fundador das primeiras casas do bairro. Chegou à região antes do ano 1900 e teria construído as duas primeiras residências da principal artéria da comunidade, em frente à budega do José Pinheiro, ajudando a iniciar a ocupação urbana da região.

Hoje, décadas depois, essas imagens restauradas e colorizadas nos permitem enxergar com nitidez os rostos de dois personagens fundamentais da história campinense: Manoel Sales e o próprio José Pinheiro.

Mais do que fotografias raras, são memórias vivas de um dos bairros mais tradicionais e populares de Campina Grande.

Fonte: Diário da Borborema (Década de 1960)

Por Emmanuel Sousa


Após inserirmos o assunto "Miss" em um dos posts anteriores do nosso Blog, devemos enaltecer a figura do ilustre cronista social campinense Josildo Albuquerque, o "Jô", que caracterizou-se por ser o grande incentivador dos concursos de misses na Rainha da Borborema, além das badaladas "Festas das Debutantes" que reunia todas as garotas que, durante o ano, debutaram em glamourosos Bailes de 15 Anos.

Durante as décadas de 1980/1990, Josildo Albuquerque ilustrava a Coluna Social do Jornal da Paraíba com os campinenses que se destacavam no cenário social. Na foto acima, em um dos seus característicos eventos realizados em Campina Grande, o colunista aparece ladeado por um dos símbolos sexuais brasileiros dos anos 80, a modelo Márcia Gabrielli, além do ator global Lauro Corona, falecido em 1989.

A vida de Josildo Albuquerque foi encerrada por iniciativa própria, durante os anos 90, quando o mesmo se lançou ao vazio do último andar do Hotel Serrano, pondo um fim na evidência do brilho dos socialites da Serra da Borborema, o "crème de la crème",  como diria com suas próprias palavras.

O também colunista Edson Félix, falecido em 2006, desenvolvia um trabalho biográfico sobre Josildo, porém, a obra ficou inconclusa.

P.S.#01: Comentário Enviado por Gustavo Ribeiro:
"Josildo antes de ser colunista social foi atleta e professor de natação. A depressão por conta do diagnóstico recebido, motivou o salto para a morte. Por ironia do destino, o ator Lauro Corona, que aparece ao seu lado na foto, contraiu o mesmo vírus.
É bom lembrar que Josildo Albuquerque foi o primeiro colunista social de Campina Grande a fazer sucesso também na Capital, monopolizando o setor de grandes festas e concursos.
Era um batalhador."


P.S.#02: Comentário Enviado por Clotilde Tavares:
"Eu conheci Josildo quando ambos éramos adolescentes. Tínhamos 15, 16 anos. Ele dançava muito bem, com aquelas pernonas compridas, muito magro, o cabelo na testa bem antes da moda lançada pelos Beatles. Era um garoto diferente dos outros e como sempre gostei dos diferentes vivia colada com ele, uma espécie de namoro inocente e bobo. Dançávamos a noite toda nas festas do Gresse, Caçadores... Por causa do cabelo na testa e do rosto miúdo, Mamãe o chamava de "Macaquinho", e é assim que ele está mencionado nos meus diários daquela época. Fui muitas vezes à piscina do Clube dos Caçadores torcer por ele. Em 1964 ele ganhou um campeonato de natação naquele clube, lembro bem porque era o ano do Centenário de Campina, e saímos da área da piscina abraçados, ele todo molhado... Depois que ele ficou adulto e se tornou cronista social, nunca nos distanciamos e sempre eu o via nas festas em Natal. Josildo Albuquerque, "Macaquinho": uma das mais doces recordações da minha adolescência." 


Cléa Cordeiro, Ivan Gomes e Josildo Albuquerque - Club Campestre


Hoje, 30 de janeiro, é comemorado o Dia da HQ Nacional. Somos um país com uma diversidade enorme de profissionais consagrados nesta área, à exemplo do quadrinista Maurício de Sousa.

Um orgulho nosso, da terra, mais precisamente de Campina Grande, é o desenhista Mike Deodato, filho do saudoso Deodato Borges, que fez carreira na área dos quadrinhos e é um dos mais conhecidos em todo o mundo pela sua arte. 

Atualmente é contratado da Marvel Comics, dos EUA, empresa hoje pertencente a Disney.

Em comemoração à data, postamos abaixo a entrevista concedida por Mike Deodato à Adriano Araújo, com exclusividade para o Blog Retalhos Históricos de Campina Grande.

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Por Adriano Araújo

Um dos dois desenhistas brasileiros mais conhecidos internacionalmente (o outro é Mauricio de Souza), já foi o responsável pela arte de heróis como Homem-Aranha, Batman, Thor, Vingadores e Mulher Maravilha. É filho de uma lenda do rádio campinense, Deodato Borges o criador do Flama, que infelizmente faleceu no ano de 2014. O Retalhos Históricos de Campina Grande tem a honra de bater um papo com o desenhista e quadrinista Mike Deodato, gente da terra que faz sucesso lá fora.

BLOG RHCG: Você nasceu em Campina Grande, nos conte como era sua vida na Rainha da Borborema, bairro que morava e o que você lembra de sua infância na cidade?

MIKE DEODATO: Brincadeiras no meio da rua, sem preocupação com trânsito, assaltos ou violência. Um tempo lindo que não volta mais.

Mike Deodato, último da esquerda para a direita, brincando com seu irmão Deni (segundo da esquerda para a direita)
 e suas irmãs: Delba e Denize   (primeira e terceira na foto, da esquerda para a direita)
(ACERVO PESSOAL FAMILIA DEODATO)

Obs: Segundo Mike, "a foto em preto e branco deve ser de 1968. De acordo com minha mãe, era um conjunto habitacional no bairro de Santa Rosa, perto de uma linha de trem e perto de um empresa chamada Fumetil- Fumetal Fundicao e Metalurgica SA", disse ao RHCG.

BLOG RHCG: Existe um vídeo no Youtube, em que você fala que a sua lembrança mais clara de Campina é o edifício "Abdallah", que se localiza no Centro de Campina Grande. Qual o motivo? 

Edifício ABDALLAH,  na esquina da rua Padre Ibiapina no Centro de Campina Grande
(FOTO: Adriano Araujo)

MIKE DEODATO: O tempo que morei no Edifício Abdallah foi o que mais me marcou. Havia uma pracinha no topo que era nosso canto mágico. Lá brincávamos de bola, pega, esconder, bicicleta. Visitei-o recentemente e a emoção foi fantástica. 

NOTA DO RHCG: As fotos da visita ao edifício podem ser visualizadas a seguir, fotos do acervo de Mike Deodato.




BLOG RHCG: O seu pai, Deodato Borges, fez a primeira revista em Quadrinhos do Nordeste, “As Aventuras do Flama”, editada pela gráfica de Júlio Costa de Campina Grande, e que acabou saindo pelo Diário da Borborema. Existe projeto para uma futura reedição da revista?

MIKE DEODATO: Estou produzindo, junto com a Fundação Espaço Cultural uma reedição da revista exatamente como foi publicada 51 anos atrás. Deve sair muito em breve.

A REVISTA FLAMA
(FOTO DIVULGAÇÃO)

Para a alegria dos fãs dos quadrinhos, a Revista Flama em breve será reeditada
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Já que falamos em Deodato Borges, não podemos deixar de mencionar que ele é um verdadeiro ícone do Rádio de Campina Grande. Suas “Aventuras do Flama” começou na Rádio Borborema e depois foi transmitida também pela Rádio Caturité. Quais suas lembranças deste período?

MIKE DEODATO: Lembro de ficar em frente do rádio imaginando os cenários fantásticos descritos pelo narrador. Era tudo muito excitante e, as vezes, assustador, dependendo do tema.

BLOG RHCG: Nosso colaborador, o professor universitário Mario Vinicius Carneiro Medeiros, autor do livro que conta a história do Treze FC e profundo conhecedor das “Coisas de Campina”, nos enviou uma pergunta: “Gostaria de saber se Mike Deodato recorda de um programa da TV Borborema, em que o seu pai iniciava assim: E agora, vamos ver o que acontece nesta cidade de quase duzentos mil habitantes...”?

MIKE DEODATO: Eu confesso ter muito pouca memória da época. Quando ouvi um dos poucos episódios do Flama depois de grande, me vieram pedaços de lembranças ao ouvir os comerciais de bicicleta e chocolate, mas, infelizmente, tudo muito vago. Forte ficou a sensação de uma infância feliz.

BLOG RHCG: Qual o motivo que fez sua família se mudar para João Pessoa?

MIKE DEODATO: Acredito que Painho veio para trabalhar no Jornal O Norte, isso em 1972/73.

BLOG RHCG: Infelizmente, Deodato Borges faleceu este ano (2014) e pelas suas entrevistas, observamos que você era um grande admirador dele. Você pretende nos próximos anos fazer alguma homenagem, a exemplo de uma história atual do Flama?

MIKE DEODATO: Tenho uma história escrita por Rodrigo Salem com uma releitura do Flama em andamento e também estamos tentando recursos para um filme dirigido por Sílvio Toledo.

O Flama na arte de Mike Deodato
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: O seu interesse pelos quadrinhos, sabemos que veio de seu pai, porém, como você percebeu que tinha talento e como é seu processo de criação?

MIKE DEODATO: Foi à partir dos treze anos que decidi que seria um desenhista de quadrinhos. Meu processo é muito instintivo: eu dou uma primeira lida no roteiro pra “sentí-lo”, depois faço pequenos rabiscos nas margens durante a segunda leitura. Depois disso passo pros esboços. Depois que estou satisfeito com eles, faço os lápis usando uma mesa de luz pra então fazer a arte-final em nanquim. O mesmo processo ocorre digitalmente, mas com ferramentas digitais

Hulk e Mulher Maravilha desenhados por Mike Deodato
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Como você já disse em entrevistas, seu primeiro projeto pago foi “A História da Paraíba em Quadrinhos” nos anos 80. O material artístico desta produção, hoje uma grande raridade de colecionadores, em nossa opinião é de primeira linha. Foi à única parceria entre você e seu pai?

MIKE DEODATO: De maneira nenhuma. Fizemos dezenas de outras histórias juntos, de diversos temas.

O "História da Paraíba em Quadrinhos" patrocinado pelo Governo do Estado nos anos 80. Mike ainda era "Deodato Filho"
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: O seu nome é Deodato Taumaturgo Borges Filho. Porque a mudança para “Mike Deodato Jr.”?

MIKE DEODATO: Foi sugestão de meus agentes na época em que comecei que acharam que haveria menos resistência ao meu nome por parte de editores e leitores.

Assinatura de Mike Deodato Jr.
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Gostaríamos que você nos contasse um pouco, sobre seu começo no mercado internacional de quadrinhos e como é hoje trabalhar para uma Editora tão grande quanto a Marvel?

MIKE DEODATO: Foi bem parecido com meu começo no Brasil, em pequenas editoras e, vagarosamente, abrindo caminho para editoras maiores. Eu tenho uma excelente relação com a Marvel depois de trabalhar por tanto tempo por lá. Existe um respeito e admiração mútua.

BLOG RHCG: Você tem acesso as mais diversas celebridades, seja do Brasil, sejam internacionais. Como é para um campinense, ser tão reconhecido neste meio?

MIKE DEODATO: Eu nunca penso muito sobre isso. Eu faço o que gosto e me sinto muito sortudo por todo este reconhecimento.

Mike Deodato ao lado da lenda dos quadrinhos, o norte-americano Stan Lee, criador dos grandes heróis da Marvel
(FOTO DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Queremos que você nos conte de sua relação atual com Campina Grande. Você visita a Rainha da Borborema? Acha que merecia ou não, um maior reconhecimento na cidade?

MIKE DEODATO: Eu sou Campinense, como muitos outros. Feliz de ter nascido eu um lugar tão lindo e acolhedor e isso me basta. 

BLOG RHCG: Pretende no futuro fazer alguma obra em homenagem a Campina Grande?

MIKE DEODATO: Um dia, sobre minha infância no Abdallah.

O "ABDALLAH" poderá ser eternizado em história em quadrinhos por Mike Deodato
(FOTO: Adriano Araújo)

BLOG RHCG: Campina Grande fez 150 anos em 2014. Gostaríamos que você deixasse alguma mensagem para a cidade, que tem tanto orgulho de você, filho da terra:

MIKE DEODATO: Saudades!! Um dia eu volto!

Homenagem de Mike ao aniversário de Campina Grande
(DIVULGAÇÃO)

BLOG RHCG: Agradecemos sua entrevista, nos sentimos honrados e finalizando gostaríamos que você deixasse sua opinião sobre o resgate que o Retalhos Históricos de Campina Grande vem fazendo?

MIKE DEODATO: Incrível! Parabéns!


Os resultados obtidos nas Eleições Municipais ocorridas no último domingo proporcionou à Campina Grande a eleição de sete mulheres para compôr a próxima legislatura da Câmara Municipal de vereadores. Dentre as sete eleitas, destaque para Jô Oliveira, primeira mulher negra eleita vereadora na cidade.


Ao longo da sua história, nosso Poder Legislativo deteve pouca representatividade feminina. Em homenagem às novas representantes do outrora sexo frágil, apresentamos às novas gerações a figura de D. Dulce Barbosa, a primeira mulher eleita vereadora em Campina Grande.

Maria Dulce Barbosa representava o Distrito de Queimadas, antes daquela localidade ser emancipada. Nasceu em 11 de Agosto de 1915 e era descendente direta dos primeiros habitantes daquela região. Iniciou sua carreira política sendo candidata no ano de 1935, não obtendo êxito. Foi eleita a primeira vez no ano de 1947, fato que se repetiu em 1951, 1955 e em 1959, mesmo na suplência, assumiu algumas vezes ao longo daquela legislatura.

Em 1962, outro feito histórico para D. Dulce; foi eleita a primeira prefeita do, agora, Município de Queimadas, tendo derrotado nas urnas o adversário Veneziano Vital.

Dulce Barbosa era professora e bacharel em Direito, formada pela antiga FURNe. Era uma mulher à frente do seu tempo e faleceu em uma data bastante peculiar; no Dia Internacional da Mulher, 08 de Março, do ano de 2013!

Agradecimentos: Blog Tataguaçu


As décadas de 1960 e 1970 foram de bastante efervescência cultural em Campina Grande, principalmente nos seguimentos musical e teatral. A banda "Os Peraltas" foi fundada em 1966, com a formação dos irmãos Pedro Flávio (solo),  Paulo Ricardo (baixo) e Flávio Eduardo (Fuba) na bateria; Maroja Ribeiro  e Giovanny Costa Barros (ritmo). No ano seguinte juntou-se ao grupo Valério Moura Cruz (escaleta). 

Naquela época, "Os Peraltas" animavam os 'assustados' e festinhas nas residências das famílias campinenses. Houve, portanto, um período onde passaram a uma produção mais profissional, quando se apresentaram em diversas cidades da Paraíba, além  de cidades nos estados vizinhos.

Abaixo, uma cópia do modelo de contrato da banda, com destaque para seu empresário: Josildo Albuquerque! O mesmo Jô, que tanto contribuiu com o colunismo social em Campina Grande nas décadas seguintes.


A banda durou até meados dos anos 1970, quando os três irmãos - Pedro, Paulo e Flávio - foram morar em João Pessoa onde Flávio Eduardo, o Fuba, fez carreira no cenário cultural da Capital, sobretudo no bloco  carnavalesco 'Muriçocas do Miramar'. 



 Colaboração: Gustavo Ribeiro


Um dos motivos que orgulha à Campina Grande são as figuras que lhe representam mundo afora. Um desses 'filhos', é Walmir Chaves, sociólogo por formação intelectual na UFPB, porém ator e professor de artes cênicas radicado em Barcelona, na Espanha, desde o final da década de 1960. 

Em pouco tempo atuando em Campina Grande, destacou-se na radiofonia em produções da Rádio Borborema como radioator, tendo atuado ao lado de nomes como Hilton Mota, Rosil Cavalcante, Eraldo César, Silvinha de Alencar, entre outros.

O destaque que postamos é sua presença no acervo de imagens do Centro de Documentação do Instituto de Teatro do MAE - Museu de les Arts Escèniques, de Barcelona, quando atuou na peçe "Los Cantos de Maldoror" de Isidore Ducase, no ano de 1973!



O Museu de les Arts Escèniques (MAE) e o Centro de Documentação do Instituto do Teatre são serviços de informações sobre documentos especializados em teatros, dança, teatro, sarsuela, varietats, máfia, circuitos parateatrais. Inclui uma das fontes bibliográficas e documentais mais importantes da Europa, especialmente sobre a cena catalã e a língua espanhola, detentor de notáveis ​​coleções (pôsteres e programas de fotografia, fotografias, teatrins, esbossos, cenas e figurinos) disponibilizadas em exposições temporárias e através do seu site.

Vale o registro desse ilustre campinense, não só pelo mérito do fato, mas também pelo currículo de atuações artísticas na Espanha, na França, na Suíca, e pela sua atuação como professor na Escola Superior de Teatro de Barcelona. Ainda hoje morador de Barcelona, que tem no Blog Retalhos Históricos de Campina Grande um reencontro com suas raízes desde o princípio das nossas atividades, em 2009, tendo sido um recorrente colaborador com várias postagens ao longo desses anos em nossas publicações.

Segue link do MAE para publicação citada: https://cutt.ly/OySE40B


Outras postagens de Walmir Chaves no BlogRHCG:



'O FLAMA': HERÓI GENUINAMENTE CAMPINENSE!

No dia 30 de janeiro comemora-se o Dia do Quadrinho Nacional. O BlogRHCG celebra o fato destacando os quadrinistas Deodato Borges e Mike Deodato Jr, grandes expoentes do gênero no cenário da "9ª Arte". 

Deodato Borges, por ter criado o herói Flama, na Década de 1960, que rendeu muita audiência às rádios locais com suas aventuras no formato de seriado radiofônico, bem como promoveu grandes tiragens nos exemplares ilustrados e vendidos pelo Diário da Borborema. 

O quadrinista campinense Mike Deodato @mikedeodato , filho do Deodato Borges, por ser internacionalmente reverenciado por sua arte, exercendo seu dom nas maiores editoras de quadrinhos do Mundo: Marvel Enterteinment e DC Comics.
Nas páginas d’O Rebate repousa um belíssimo poema de Raimundo Yasbeck Asfora. Campinense por adoção, Asfora ocupou a tribuna, militou na política e participou da noite boemia desta cidade.

O tribuno era um defensor incansável da Paraíba e de Campina, que eternizou o seu amor no poema/canção “Tropeiros da Borborema”.

"A morte está enganada / Eu vou viver depois dela!”, assim escrevera. De fato, a memória de Asfora é cultivada pelos intelectuais e, se pode observar deste poema que ora resgatamos das páginas do velho jornal do professor Luiz Gil de Figueiredo:

ÚLTIMO ADEUS
Tenho bem viva, na lembrança, aquela
tarde estival do derradeiro adeus,
o sol poente, com frágil vela,
cedia à noite as amplidões dos céus.
Pálida e triste, mas de face bela,
tendo o crepúsculo nos olhares seus,
por entre as brumas da distância, ela,
partiu saudosa entre um saudoso adeus.
E, a relembrá-la, estou no meu caminho,
arquitetando, em sonho, o nosso ninho
na frondosa palmeira da ilusão.
Mas ela, ingrata, não voltou mais nunca...
E o pesadelo que o meu sonho trunca,
É atroz ironia da desilusão.
Raimundo Asfora

O poema foi publicado n’O Rebate, em 04 de outubro de 1949. À época, Asfora, o filho de Elias Hissa Asfora e de Orminda Iasbeck Asfora contava apenas 19 anos de idade.

Formado em Direito pela UFPE, ingressou na política em 1954, assumindo uma cadeira na Câmara Municipal; quatro anos depois, elegeu-se deputado estadual pelo PSB, seguindo-se, a partir deste momento, inúmeras vitórias nas urnas.

Faleceu aos 56 anos, na Granja Uirapuru, em Campina Grande, aos 06 de março de 1987.

Rau Ferreira
Poeta e Escritor

Academia Campinense de Letras
Instituto Histórico e Geográfico de Esperança
Instituto Histórico e Geográfico de Areia
Instituto Histórico de Campina Grande
http://www.historiaesperancense.blogspot.com.br/
http://rauferreira.wix.com/escritor
Foto: Josué Cardoso

A imprensa fotográfica da Paraíba perde um de seus ilustres integrantes, estamos falando do amigo William Pereira Bezerra Cacho, muito conhecido na região de Campina Grande. Cacho, como era comumente chamado, respira o mundo da fotografia desde a infância, quando via o seu pai José Bezerra Cacho marcar época em Campina Grande com seu studio, revelando e imortalizando passagens históricas da cidade.

Extremamente orgulhoso da história do seu pai, sempre me contava com emoção algumas passagens de sua vida e seus feitos memoráveis, fotógrafo oficial do então Prefeito Severino Bezerra Cabral, o memorial ao ex-prefeito exibe hoje suas fotografias.

O conheci há 13 anos no bar Ferro D’Engomar, sempre trajado de calça social preta e camisa social branca (com bolsa à tira colo), era interessadíssimo pela história de Campina, sempre tratávamos inúmeras conversas, sobretudo no tocante a preservação do patrimônio da cidade. Se havia uma mudança em algum prédio, em algum lugar, ele fotografava e me ligava para fazer o mesmo. Certa vez, na demolição de um casarão na Av. Rio Branco, ele recolheu um tijolo manual inteiro e me deu de presente: – Já que não conseguimos impedir a demolição, vamos ficar com uma lembrança! Era passar na calçada do Ferro e ser chamado por ele: – Professor, venha aqui conhecer fulano de tal. E assim conheci uma série de pessoas longevas, figuras históricas de nossa cidade.

Trezeano apaixonado, íntegro, simpático, emotivo, de fino trato, Catchô (É assim que se lê seu sobrenome italiano: – Rapaz, até hoje só você professor me chamou da maneira correta) era uma figura extremamente simples e amiga, e seu escritório; o Ferro D’Engomar. Todas as fotos que estão nas paredes do bar foram de sua lavra, em todas as festas e no Bloco carnavalesco Ferro Folia (do qual ele e eu estamos entre os fundadores) as fotos oficiais eram dele.

Recentemente, já com sintomas de uma doença obscura e indomável, Cacho me entrega uma caixinha de doce tic-tac com um cartão de memória dentro, e disse: – Guarde Professor... Olhei pra ele e, em um diálogo mudo, só de olhares e acenos, pus em minha bolsa. Após uma notícia que se espalhava como rastilho de pólvora nas redes sociais, entrei em contato com seu sobrinho Diego Alves Cacho, que me confirmou a partida do amigo, que esteve internado algumas vezes nos últimos meses. No último domingo, houve a confraternização de Natal do Ferro D’Engomar e ele foi homenageado não só na camisa como também não houve foto oficial em respeito à sua ausência. Parece até que estávamos adivinhando o que viria ocorrer dois dias depois...

A escritora Susan Sontag é brilhante quando afirma que fotografar é atribuir importância, era exatamente o papel que Cacho desempenhava na cidade, para além do lado profissional, dedicava-se ao registro de instantes da cidade, sem preocupações comerciais, herança de seu pai.

Olhando o cartão de memória que ele me entregou, me deparo com uma série de fotos de eventos e as últimas são exatamente do monumento Os Pioneiros localizado no Açude Velho, mas não aquelas fotos tradicionais, são fotos que mostram sua base sendo desfigurada por formigueiros e outras mostrando partes quebradas e ausentes. Nesse momento entendi o que meu querido amigo disse com o seu olhar e um gesto labial, apaixonado por sua cidade como sempre foi, me denunciara o triste estado daquele que é um dos mais importantes monumentos da cidade.

Que Deus dê o céu ao amigo Cacho, seus 56 anos o imortalizaram, na mente ficará sem sorriso 
largo. Vá em paz, meu amigo, o fotógrafo da cidade. 

(William Cacho faleceu em 19 de dezembro de 2017)





Em sua edição do dia 10 de março de 1888, o jornal "A Pronvíncia de São Paulo" que, mais tarde, viria se tornar "O Estado de São Paulo", o popular 'Estadão', publicava em nota a criação do Club Abolicionista de Campina Grande, que lutaria em defesa da libertação de escravos no Município.

A nota atenta para a figura do dr. Chateaubriand Bandeira de Mello, médico local, como o presidente do club.

Abaixo, a transcrição da nota:

"Na cidade de Campina Grande (Parahyba) foi instalado um club abolicionista afim de promover a libertação de pouco mais de 300 escravos que conta o município.
A reunião acclamou presidente do club o dr. Chateaubriand Bandeira de Mello, distincto clínico da localidade e dedicado abolicionista.
Foram libertados 39 escravos no acto da instalação do club e houve grandes demonstrações de regosijo da população."

Dr. Chateaubriand era médico, natural de Cabaceiras-PB, serviu a sociedade de Campina Grande, sendo considerado o mais antigo profissional a exercer a medicina em nossa cidade, segundo o Anuário de Campina Grande 1925.





Quando lemos ‘Genival Cassiano dos Santos’... Nos indagamos: “Um homem, um nome... mais um?!”

“Mais um”, não! Esse tal ‘Cassiano’ é um dos maiores nomes da MPB; cantado, reconhecido e reverenciado por grandes nomes do cenário musical nacional, um dos fundadores da moderna música negra brasileira.

Genival Cassiano, ou simplesmente Cassiano, como ficou conhecido no meio artístico, é cantor, compositor e guitarrista, e para surpresa de muitos, nasceu em Campina Grande em 16 de Setembro de 1943.

Morou pouco tempo na Rainha da Borborema. No final da Década de 1940, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro - mas das poucas lembranças dessa época, é marcante a amizade que havia entre seu pai e o ritmista Jackson do Pandeiro.

Foi seu pai quem lhe ensinou as primeiras noções de violão e bandolim.

Já na Cidade Maravilhosa lutou pela sobrevivência junto à sua família, tendo trabalhado como servente de pedreiro. Mas, as aulas recebidas do seu pai lhe abriram as portas para iniciar sua carreira artística na Década de 1960.

Aos 21 anos, fundou o grupo ‘Bossa Trio’, tocando pelas noites do Rio de Janeiro e São Paulo. Mais tarde, no entanto, o ‘Bossa Trio’ deu origem ao grupo vocal “Os Diagonais”, que passou a acompanhar o cantor Tim Maia desde o início. O estilo vocal marcante do grupo lhe permitiu gravar alguns LPs pela gravadora RCA.

Influenciado tanto pela ‘soul-music’ norte-americana de Otis Redding e Stevie Wonder bem como pelo samba-canção de Lupicínio Rodrigues, foi um dos precursores do gênero ‘soul’ no Brasil, a moderna música negra brasileira, que ficou conhecida como ‘Black Rio’.

No ano de 1969, participou como guitarrista no primeiro disco lançado por Tim Maia. Nesta mesma obra, Tim Maia cantou dois dos maiores sucessos da ‘hit parede’ nacional não só daquele ano, como de toda a História da MPB, as músicas “Eu Amo Você” e “Primavera” – É aquela mesma; “Quando o inverno chegar, eu quero estar junto à ti...”, composições de autoria de Cassiano, junto à Sílvio Roachel!

Ainda que tenha gravado o LP “Apresentamos o Nosso Cassiano”, em 1973, pela gravadora Odeon, foi em 1976 que alcançou o ápice como cantor e compositor, quando interpretou seus maiores sucessos (letra em parceria com Paulo Zdanowski), as músicas “A Lua e Eu” (1976)”, tema da novela “O Grito” e, no ano seguinte com “Coleção”, incluída na trilha sonora da novela “Locomotivas”, ambas da Rede Globo de Televisão.

Como intérprete em carreira solo, lançou os LPs: “Cassiano, Imagem e Som” (1971, RCA), “Apresentamos Nosso Cassiano” (1973, Odeon) e “Cuban Soul — 18 quilates” (1976, Polydor).

Em 1978 interrompeu a carreira de intérprete por motivos de saúde, mas continuou compondo sucessos como  “Mister Samba”, gravado por Alcione, e “Morena”, por Gilberto Gil. Voltou a gravar em 1991, quando participou do ‘songbook’ da editora Lumiar dedicado a Noel Rosa e lançou o LP “Cedo ou Tarde” (Columbia), com participação de Ed Motta, Sandra de Sá, Marisa Monte, Djavan entre outros, que mesclou antigos sucessos e composições inéditas como “Know-how”.

De acordo com os amigos, Cassiano – hoje - mora em um modesto apartamento no bairro carioca do Flamengo e vive dos direitos autorais de suas canções. Já que as músicas de sua autoria nunca deixaram de ser sucesso. Recentemente o grupo de pagode Pixote regravou “A Lua e Eu” e a cantora Ivete Sangalo incluiu a música “Postal” em um dos seus novos CDs.

Este ilustre campinense pouco conhecido por sua origem, mas muito reverenciado pela classe artística nacional, sonha com uma volta aos discos, mesmo sabendo que é difícil competir com a banalidade dos gêneros “comercialmente viáveis” que hoje imperam no mercado musical brasileiro.

"Se Tim Maia é a voz dessa nova escola (Black Rio), a sua grande cabeça é o compositor Cassiano!" (Nelson Motta, Produtor Musical)

Apresentamos nosso Cassiano - Odeon 1973

http://veja.abril.com.br/251000/p_180.html;

Contando com a dica do leitor Sandro Sousa, que nos enviou por e-mail o link para o vídeo abaixo, que corresponde à Coluna de Nelson Motta do dia 04 de Dezembro de 2009, homenageando o precursor da soul music no Brasil, o grande letrista Genival Cassiano, Gente da Gente!



(*)por Gilson Souto Maior

Natural de Campina Grande, nascido como ele gosta de afirmar, na Rua Afonso Campos, por trás da Catedral, no centro da cidade, Walmir Chaves viveu o dia a dia da Rádio Borborema e os primeiros momentos da TV Borborema, tendo sido um dos seus mais representativos valores.

Walmir viveu os bons momentos do radioteatro da Borborema, lembrando com muita saudade, nomes como Fernando Silveira e Deodato Borges, grandes produtores, que projetaram o rádio de Campina Grande nacionalmente. No seriado ‘Aventuras do Flama’, ele viveu o engraçado e atrapalhado ‘Bolão’, ao lado de Deodato Borges (o Flama), Benjamin Blay (o jovem Zito), Dora Guimarães, Silvinha de Alencar (a mulher do Flama), Ari Rodrigues (quem primeiro representou o bandido Cicatriz – interpretado posteriormente por mim, Gilson Souto Maior, já na época da Rádio Caturité), Enildo e Edileuza Siqueira, entre outros. Ele foi do tempo da novela ‘O Anjo Negro’, do querido e saudoso Fernando Silveira, que foi apresentada até na Tupi do Rio de Janeiro.

Graduado em Sociologia pela UFPB, esse apaixonado pelo teatro e rádio, ganhou uma bolsa de estudos e resolveu fixar residência na Europa. Trabalhou como ator e diretor de teatro, na França, Suíça e Espanha. A partir de 1968 estudou numa escola vanguardista, em Paris, trabalhando o método de Grotowski, que incluía a expressão corporal no teatro. Obteve o primeiro lugar no final do curso, que teve duração de dois anos. Mas, seu amor pelo teatro o levou a cursar ‘Arte Dramática’, na Universidade de Teatro de Paris, somando-se a isso, a sua participação em vários cursos de formação e pesquisa na área teatral, na cidade de Nancy, na França. Esse campinense, esse brasileiro, esse nordestino arretado, foi capaz de montar um grupo teatral, em Paris, com pessoas de várias nacionalidades, durante vários anos, chegando a representar a França na Bienal de Paris, em 1971 e na Bienal de Teatro de Veneza, na Itália. Fez cinema em Paris e trabalhou em rádio e televisão. Um paraibano, que é um motivo de orgulho para nós, campinenses e paraibanos. 


No ano de 1973, Walmir Chaves, já como professor de teatro da Escola Nacional de Teatro de Barcelona, trabalhou num monólogo, que foi o maior sucesso profissional desse teatrólogo paraibano, com cobertura elogiosa de toda mídia espanhola, e grande destaque em diversos periódicos e revistas de teatro de toda a Europa, especialmente da Espanha. Montou a sua própria companhia e trabalhou durante muitos anos em palcos europeus. 

Hoje aposentado, tem residência fixa em Barcelona. É pai dois filhos, Adriano Bruno e Raquel, fruto de um casamento com a famosa atriz de cinema e teatro, Mercè Molina, que foi sua aluna, e, com quem foi casado durante muitos anos.

Diz o jornal espanhol no recorte, no subtítulo: EL ACTOR BRASILEÑO HA OFERECIDO EL MAS INTERESSANTE EXPERIMENTO ESCENICO DEL AÑO - O ATOR BRASILEIRO ESTÁ OFERECENDO ( ou apresentando) A MAIS INTERESSANTE EXPERIÊNCIA CÊNICA DO ANO (ou o mais interessante espetáculo do ano).

Walmir Chaves, que passou pelo rádio e teatro da Paraíba, hoje bem mais espanhol do que brasileiro, não esquece as suas origens, sendo um dos amigos com quem conversamos, diariamente, pelo FACE, sempre colocando em dia a história do rádio, do teatro e televisão. A ele, devemos muitas das informações contidas em nossos trabalhos de pesquisa, esperando, é claro, poder continuar contando com esse grande colaborador, um dos mais importantes representantes da cultura paraibana, radicado em terras espanholas. 

Walmir Chaves, radicado desde 1968 na Europa, hoje um cidadão espanhol, é um paraibano, sim senhor!

Walmir Chaves

Tereza Braga - Acervo: DB

Que falta nos faz um acervo digitalizado do Diário da Borborema! A imprensa imediatista dos Blogs e Portais não se dispõem a realizar buscas em acervos físicos e um banco de dados digitalizado é imprenscindível nos dias de hoje!

Esta semana faleceu em Natal-RN a advogada campinense Tereza Braga, suplente de vereadora que assumiu período Legislativo durante a 9ª Legislatura da CMCG, na Década de 1980 e nenhum dos sites de notícias conseguiu ilustrar suas notícias do fato com uma foto sequer da combativa advogada.

Tereza Braga teve atuação digna de nota com suas denúncias durante o processo de apuração dos fatos relacionados ao grupo de extermínio 'Mão Branca', em Campina Grande, quando fez parte da Comissão de Justiça e Paz, indicada pela Diocese na pessoa do Bispo Dom Manoel Pereira.

A advogada Tereza Braga lutava contra um câncer e faleceu aos 77 anos, seu corpo fora cremado na ultima quinta-feira, 16/02, no Cemitério Morada da Paz, em Natal-RN.

Seu falecimento foi noticiado e levado ao plenário da Câmara Municipal de Campina Grande, que prestou-lhe uma breve homenagem com um minuto de silêncio na Sessão Ordinária dessa quinta-feira, 16/02.

Tereza Braga - Acervo DB

Leonel Medeiros
Leonel Medeiros foi um dos mais importantes nomes da radiodifusão paraibana. Passou por todas as emissoras de rádio de Campina Grande. Foi um dos primeiros nomes da Rádio Borborema, ao lado de Hilton Motta, Gil Gonçalves, Cascudo Rodrigues, Juracy Palhano. 

Foi, ainda, companheiro de outros nomes famosos da Borborema: Fernando Silveira Nelson Amaral, Luismar Resende, Ary Rodrigues, Joel Carlos, Enildo Siqueira, Gilson Reis, Genival Lacerda, Elisa César, Geisa Reis, Cirilo Rodrigues, Joselito Lucena, Walmir Chves, Ademar Martins, Ariosto Sales, Josusmá Viana e o querido e inesquecível Rosil Cavalcanti. São muitos nomes, que deverão aparecer nos nossos próximos livros sobre a história do rádio na Paraíba. 

Na televisão de Campina Grande, mais precisamente na TV Borborema, comandou o primeiro programa de auditório da emissora, o LM Show, que era transmitido diretamente do Teatro Severino Cabral. 

LM Show - Teatro Municipal

Trabalhei com ele na Rádio Caturité, quando do seu retorno de Brasília, onde trabalhou no Senado Federal, e atuou na Rádio Nacional, além de ter sido um dos apresentadores do programa 'A VOZ DO BRASIL." 

Leonel foi um dos deputados constituintes da Paraíba, eleito pelo povo campinense, terra que tanto ele amou. 

Faleceu no dia 23 de fevereiro de 2008, aos 79 anos de idade. LEONEL AMARO DE MEDEIROS, um nomes que jamais poderá ser esquecido. Ele fez história no rádio e televisão campinenses.




Em novembro de 2003, o jornalista Rômulo Azevedo dirigiu um documentário sobre os 40 anos do Teatro Municipal, com o título "Memórias do Municipal", produzido por Saulo Queiroz.

Segundo o próprio Rômulo, "(...)Neste documentário entrevistei Leonel Medeiros e ele contou a história do "LM -SHOW" que era apresentado, ao vivo, nas noites de sábado pela Tv Borborema. Aliás, a imagem colorida que ilustra a postagem do grande Gilson, foi retirada do documentário. Eu vi o programa no teatro e em casa pela televisão. No teatro era casa cheia todo sábado."

Segue abaixo a matéria para visualização:



Certo dia, entrou na Casa Indiana, Wilhelm Gustav Steinmuller (Willy), um cidadão, para nós alemão, como ficou conhecido, porém era austríaco, trazendo dois cestos com carnes em conserva. Tinha salame, paio, linguiça, presunto e mortadela. Sua preocupação inicial não era vender, mas fazer as pessoas experimentarem o que fabricava. 

Meu pai logo deu sua nota: “desse jeito ele vai quebrar daqui para o fim o dia, ele dá mais produto do que vende”. Ele comprou, para minha alegria e de meus irmãos, uns quilos de mortadela. Aquilo era uma iguaria que só se tinha em casa nos dia de festa e era trazida do Recife. 

No outro dia ele já passou acompanhado de um ajudante. Subia a Rua João Pessoa várias vezes por dia. Depois trouxe sua esposa Margareth e foi apresentando-a aos clientes e a elogiava dizendo que ela era quem produzia aqueles produtos. Aquele homem que surgiu do nada, fez história em Campina Grande, mostrou a todos o valor do trabalho e da perseverança na vida. Em pouco tempo, todo mundo dava notícias deles e os elogiavam. Foi um exemplo que veio do outro mundo.

Aos poucos a cidade foi conhecendo sua prole: Renate, Viktor, Helga, Maria Ida e Otto.



Após inserirmos o assunto "Miss" em um dos posts anteriores do nosso Blog, devemos enaltecer a figura do ilustre cronista social campinense Josildo Albuquerque, o "Jô", que caracterizou-se por ser o grande incentivador dos concursos de misses na Rainha da Borborema, além das badaladas "Festas das Debutantes" que reunia todas as garotas que, durante o ano, debutaram em glamourosos Bailes de 15 Anos.

Durante as décadas de 1980/1990, Josildo Albuquerque ilustrava a coluna social do Jornal da Paraíba com os campinenses que se destacavam no cenário social. Na foto acima, em um dos seus característicos eventos realizados em Campina Grande, o colunista aparece ladeado por um dos símbolos sexuais brasileiros dos anos 80, a modelo Márcia Gabrielli, além do ator global Lauro Corona, falecido em 1989.

A vida de Josildo Albuquerque foi encerrada por iniciativa própria, quando  no ano de 1994 o mesmo se lançou ao vazio do último andar do Hotel Serrano, pondo um fim na evidência do brilho dos socialites da Serra da Borborema, o "crème de la crème",  como diria com suas próprias palavras.

O também colunista Edson Félix, falecido em 2006, desenvolvia um trabalho biográfico sobre Josildo, porém, a obra ficou inconclusa.

P.S.#01: Comentário Enviado por Gustavo Ribeiro:
"Josildo antes de ser colunista social foi atleta e professor de natação. A depressão por conta do diagnóstico recebido, motivou o salto para a morte. Por ironia do destino, o ator Lauro Corona, que aparece ao seu lado na foto, contraiu o mesmo vírus.
É bom lembrar que Josildo Albuquerque foi o primeiro colunista social de Campina Grande a fazer sucesso também na Capital, monopolizando o setor de grandes festas e concursos.
Era um batalhador."


P.S.#02: Comentário Enviado por Clotilde Tavares:
"Eu conheci Josildo quando ambos éramos adolescentes. Tínhamos 15, 16 anos. Ele dançava muito bem, com aquelas pernonas compridas, muito magro, o cabelo na testa bem antes da moda lançada pelos Beatles. Era um garoto diferente dos outros e como sempre gostei dos diferentes vivia colada com ele, uma espécie de namoro inocente e bobo. Dançávamos a noite toda nas festas do Gresse, Caçadores... Por causa do cabelo na testa e do rosto miúdo, Mamãe o chamava de "Macaquinho", e é assim que ele está mencionado nos meus diários daquela época. Fui muitas vezes à piscina do Clube dos Caçadores torcer por ele. Em 1964 ele ganhou um campeonato de natação naquele clube, lembro bem porque era o ano do Centenário de Campina, e saímos da área da piscina abraçados, ele todo molhado... Depois que ele ficou adulto e se tornou cronista social, nunca nos distanciamos e sempre eu o via nas festas em Natal. Josildo Albuquerque, "Macaquinho": uma das mais doces recordações da minha adolescência." 


Cléa Cordeiro, Ivan Gomes e Josildo Albuquerque - Club Campestre

O Cassino Eldorado foi o templo da boemia e da luxúria dos senhores do algodão inaugurado em 1º de julho de 1937, em estilo art déco, em plena feira central de Campina Grande. 


Em meio a orquestra fixa da casa, as mesas de Bacará e a animação feérica do salão, mulheres lindas, bem vestidas e perfumadas 'faziam a vida' atendendo aos coronéis do algodão - ou iniciando seus filhos na arte do amor. 

Entre estas, uma tornou-se símbolo da era de ouro dos prazeres campinenses: MARIA DO CARMO BARBOSA, que entrou para a história boêmia-sentimental de Campina Grande como MARIA GARRAFADA; a nossa mais famosa prostituta de todos os tempos. 

Conheceu dias de muitas glórias disputada por homens importantes no Cassino Eldorado e a sua fama virou lenda a ponto de ser, nos anos 80, já idosa e "aposentada" convidada pelo escritor Jorge Amado em visita à cidade, que queria conhecer a sua história, num elegante jantar de intelectuais em homenagem ao escritor. 

Maria Garrafada virou personagem cult de Campina Grande: inspiração de poetas, letra de forrós de sucesso, nome de bar de artistas e até citação em trabalhos de mestrado. Viveu e morreu no famoso Beco da Pororoca, e certa vez em entrevista a um jornalista olhou-se no espelho da sala e perguntou: "em que espelho ficou perdida a minha face?", referindo-se à beleza dos anos em que encantou gerações. 

Gostava de dizer que a sua maior recordação era o Cassino Eldorado no tempo do Carnaval que era muito animado. Usava quatro fantasias, saía de casa no sábado e só voltava na quarta-feira de cinzas.

MARIA GARRAFADA, o Cassino Eldorado, o ciclo do algodão, os antigos carnavais... são símbolos imortais de uma era onde o barato era outro e bem melhor.

http://cgretalhos.blogspot.com.br/2011/06/no-dia-da-prostituta-cordel-maria.html
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