Postagem Original: "
Açude de Bodocongó":
Escrevi um artigo intitulado "A tal “urbanização” do açude de Bodocongó" para ajudar no debate (ou na falta dele!!!). Há muita "divulgação" de um projeto concretista e pouca ou nenhuma ação com relação a revitalização do Açude de Bodocongó ... enquanto isto vai se transformando num penico como o Açude Velho ou tenderá a desaparecer como o Açude Novo que foi aterrado ... quem se interessar em ler o artigo completo acesse nosso blog Memórias de um ambientalista ...
http://ramiromanoel.blogspot.com.br/2012/11/a-tal-urbanizacao-do-acude-de-bodocongo.html#more ...
Finalizo o texto dizendo: "Por que não fazer o correto? Por que não cumprir a lei ambiental? Por que não tratar os esgotos antes de voltar aos nossos rios, açudes e riachos, já que pagamos mensalmente a taxa para tratamento de esgoto a Companhia de Águas e Esgotos do Estado da Paraíba – CAGEPA? Por que não recuperar a mata ciliar do açude de Bodocongó? Por que cometer os mesmos erros do açude velho e do açude novo (que foi aterrado!)?"
"Se este projeto concretista for efetivado, iremos testemunhar mais uma vez a agressão a Lei Ambiental do Brasil, a mutilação de mais um importante açude no semiárido, o descaso com a cidade de Campina Grande, a falta de sensibilidade para utilização do meio ambiente em favor da saúde e lazer da população, só nos resta cantar a letra da música de Humberto Teixeira e Cícero Nunes … “Eu fui feliz lá no Bodocongó. Com meu barquinho de um remo só. Quando era lua. Com meu bem. Remava à toa. Ai ai ai que coisa boa. Lá no meu Bodocongó ...”
Um abraço a tod@s,
Ramiro Manoel Pinto Gomes Pereira
ambientalista, professor, pesquisador, doutor em Recursos Naturais
A Taça Campina Grande de Futebol era uma competição festiva, que encerrava as temporadas do futebol campinense. Geralmente disputada por Treze e Campinense, em alguns momentos a rivalidade chegou as vias de fato. A competição, se fosse melhor organizada, seria um grande evento de abertura de temporada.
Lista Extra-Oficial de Vencedores da Taça Campina Grande
1926 - Treze
1927 - Treze
1928 - Treze
1930 - Ypiranga
1931 - Paulistano
1932 - Centro Atlético Campinense (C.A.C.)
1933 - Ypiranga
1934 - Paulistano
1935 - Paulistano
1936 - Centro Atlético Campinense (C.A.C.)
1937 - Paulistano
1938 - Paulistano
1939 - Treze
1940 - Treze
1941 - Treze
1942 - Treze
1944 - Tabajaras
1945 - Treze
1947 - Treze
1948 - Treze
1949 - Treze
1956 - Treze
1957 - Treze
1967 - Campinense
1976 - Treze
1977 - Treze
1978 - Treze
1979 - Treze
1985 - Campinense
1988 - Treze
1989 - Treze
1996 - Campinense
1999 - Treze
2000 - Serrano
Em 1999, Treze e Campinense disputaram a Taça, vejam os jogos em imagens da TV Borborema:
Em 2000, um "zebraço". O Treze perdeu a Taça para a equipe do Serrano, de Serra Redonda, mas que durante alguns anos se radicou em Campina Grande. Imagens da TV Paraíba:
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| Maquete: Terminal Rodoviário Cristiano Lauritzen (1958 - Acervo: Diário da Borborema) |
Através de contrato firmado com a empresa ENAC - Empresa Naiconal de Mercados Ltda, em maio de 1958, deveria ser construído em uma área de 4.307m² uma plataforma de embarque aliada a 140 boxes comerciais que, para os padrões da época, seria considerado um dos maiores centros comerciais do país!
Segundo a ideia original, previa-se a construção de dois edifícios anexos: um supermercado e um hotel de "linha internacional" (!!!) que, por dificuldades encontradas na desapropriação do terreno destinado a construção do hotel, a ENAC desistiu dessa parte da obra.
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| Obras de Construção da 'Rodoviária Velha' - Acervo Elpídio de Almeida |
Podemos citar como curiosidade da obra, um dado comentado pelo Prof. Dr. Josemir Camilo que o
antigo terminal rodoviário possui a maior marquise sem colunas DO
MUNDO. De fato, se percebermos é uma construção bastante peculiar, pois
não existem colunas, e de acordo com o próprio professor, engenheiros de
vários países já visitaram a cidade para presenciar e estudar o ponto de
equilíbrio de sua arquitetura.
O projeto estrutural da marquise é do arquiteto Renato Perylo Borba.
Fonte:
ALMEIDA, Adriana de. "Modernização e Modernidade-Uma Leitura
sobre a Arquitetura de C. Grande (1940-1970)
Mais uma imagem espetacular do Centro de Campina Grande, em data não definida, porém com aspectos urbanísticos bem identificados!
A rua em diagonal é a Treze de Maio, onde à esquerda vê-se a esquina da Rua 04 de Outubro, com um terreno baldio como referência.
O casarão que vemos de frente ao terreno ainda existe; trata-se da antiga reisdência do Sr. Lívio Wanderley, o proprietário da Cinema Capitólio, que também é mostrado na foto, do lado direito... com um pequeno esforço na vista podemos ler o letreiro "CAPITOLIO" escrito na fachada do prédio do cinema.
A fachada do Cine Capitólio era voltada para a Praça Clementino Procópio, que está na foto em seu antigo formato triangular, onde vemos uma série de palmeiras. A praça ficava por trás do antigo conjunto de casas, que vemos do lado direito da foto, onde identificamos os prédios que compunham a antiga usina de luz e força (onde está a palavra "PANORAMA" na foto).
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| Açude de Bodocongó - Anos 50 |
Na sua origem, as terras que hoje compõe o
Açude de Bodocongó foram instituídas pela Coroa Imperial por doação a Antônio
de Oliveira Ledo e sua mulher Izabel Pereira “em remuneração dos serviços que fez a dita Corte, metendo o gentio
bárbaro, daquela, e mais ribeira” por ter logrado êxito na “guerra aos bárbaros” – com a ajuda de Antonomaria Cavalcnaty.
Esta mesma concessão, com a morte dos sesmeiros
originais, foi solicitada pelo seu filho João Pereira de Oliveira ao rei D.
José I, que mandou “demarcar a terra da
aldeia da Campina Grande, para a parte dos Bultrins, terra que os índios sempre
dominaram como deles, para que possa, com os rendimentos da mesma, dar cumprimento
à instituição”.
A Carta escrita em 17 de Fevereiro de 1767, denomina
a região de “Bodo Congo” segundo o idioma Dezebucuá Cariry, cuja tradução enseja
algumas dúvidas. Para os pesquisadores o termo tem origem Cariry e não Tupy,
traduzindo-se por “águas que queimam”
(bo-dó-congó), embora ÁGUA naquela língua mãe seja DZU.
O açude – cujas coordenadas geográficas são 07°13’11”S,
e 35°52’31”W - distante 6 Km de Campina Grande, tem uma profundidade que varia
entre quatro a seis metros, podendo alcançar nos pontos mais fundos até sete
metros.
Coube ao prefeito Christiano Lauritzen proceder
a barragem de um pequeno riacho afluente do Rio Paraíba, preocupado com as
secas iminentes na região e a necessidade de armazenar água potável para os
campinenses. O pequeno córrego era conhecido desde 1762, citado na Sesmaria
concedida ao Padre Domingos da Cunha Figueiredo.
Os estudos haviam sido iniciados no ano
anterior, atendendo solicitação do Conselho Municipal que oficiou nestes termos
ao governo federal:
“O Conselho agradece em nome da populaçãodo
Município a solicitude com que V.S. mandou fazer os estudos do Açude de
Bodocongó, promoveu perante o governo a sua aprovação. Com este açude não fica
resolvido o problema d`água potavel para uma população que, apesar das secas
contínuas, aumenta admiravelmente. A população vive sobre a ameaça continua do
desaparecimento gradual do elemento mais essencial a vida... (a água)".
O engenheiro Miguel Arrojado Lisboa ficou
responsável pela construção, com o apoio do Presidente Hermes da Fonseca e da
municipalidade campinense.
As obras iniciaram em 1911 e foram concluídas
em 1916, todavia o reservatório não serviu ao seu fim imediato, devido ao alto
grau de alcalinidade da água. Com capacidade estimada em 1 milhão de metros
cúbicos, seu pH médio em 1934 oscilava em 7,75.
Tempos depois, as águas daquele manancial serviram
para a indústria têxtil e de curtição de couros (curtume).
(por Rau Ferreira)
Referências:
-
AHU-ACL-N-Paraiba. Documentos Ultramarinhos. Catálogo Nº 1812. Disponível em: http://www.cmd.unb.br. Acesso em 11/11/2012.
-
ALMEIDA, Elpídio. História de Campina
Grande. Ed. Livraria Pedrosa.
Campina Grande/PB: 1962.
-
DNOCS. 2ª Coletânea de trabalhos técnicos. Ministério do Interior. Brasília/DF:
1981.
-
DO Ó, Edmilson Rodrigues. Açude de
Bodocongó: dragagem, revitalização, urbanismo... (artigo). Disponível em http://cgretalhos.blogspot.com.br.
Acesso em 11/11/2012.
-
FILHO, Severino Barbosa da Silva. Marranos
na Ribeira do Paraiba do Norte. Ed. Agenda: 2005.
-
IBSP. Arquivos do Instituto Biológico de São Paulo, Volume V. São Paulo/SP:
1934.
-
IFOCS. Relatório dos Trabalhos Realizados pela Inspectoria Federal de Obras
contra as Seccas. Brasil: 1938.
-
Mineração metalurgia. Vol. XVII, Edição 98 -Volume 18. Brasil: 1952.
-
TAVARES, João de Lyra. Apontamentos para a História Territorial da Paraíba,
Vol. I, Imp. Of., Pb., 1910.
Foto dos primórdios do Colégio Estadual da Prata nos anos 50, do acervo de Lêda Santos de Andrade e cedida ao RHCG por
Júlio César Oliveira:
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| Foto: Diário da Borborema 27-12-1959 |
A imagem acima corresponde ao projeto original para a Escola Politécnica de Campina Grande (hoje UFCG), idealizado pelo Arquiteto Heitor Maia Neto, para construção do prédio próprio da escola em terreno doado pela FUNDACT - Fundação para o Desenvolvimento da Ciência e da Técnica, no bairro de Bodocongó.
Elaborado em 1959, o cenário proposto pelo autor lembrava a Faculdade Católica de Pernambuco, também de sua autoria e tinha um custo estimado em mais de dois milhões de cruzeiros, a ser cumprido em duas etapas.
Do projeto original aprovado, somente o edifício destinado ao setor administrativo foi construído.
Fonte:
ALMEIDA, Adriana de. "Modernização e Modernidade-Uma Leitura
sobre a Arquitetura de C. Grande (1940-1970)
Fazendo o papel de "Utilidade Pública" de nossa cidade, divulgamos a obra "Retratos de Campina Grande - Um Século de Imagens Urbanas" dos autores Jônatas Lacerda e Agostinho Nunes, professores da UFCG, que passaram 10 anos coletando material para esta obra, inclusive, servindo-se também do acervo de nosso blog.
O livro é um verdadeiro tesouro sobre Campina Grande, com fotos do passado e do presente, mostrando as mudanças ocorridas, tudo impresso em material de alta qualidade.
O livro está custando R$ 150,00 e pode ser adquirido através do contato com Elaine de Souza pelo telefone (83) 9921.9879 ou pelo email:
elaine.fe.souza@gmail.com . O preço de 150 reais é para obra adquirida diretamente com Elaine. Se tiver envio por correios, os custos adicionais serão cobrados.
No ano de 1846, o 2º Tenente Francisco Pereira da Silva, por ordem de Frederico Carneiro de Campos, Tenente Coronel do Imperial Corpo de Engenheiros, percorreu a Província da Parahyba descrevendo-lhes alguns aspectos com vistas à melhoria dos serviços públicos.
O texto a seguir é o seu memorial “contendo a indicação dos lugares mais asados para a construção de açudes, e fontes públicas, e concluindo com hum projecto para o estabelecimento de celleiros”.
A sua viagem teve início no dia 24 de dezembro daquele ano, partindo da Cidade da Parahyba [atual João Pessoa] até o Município de S. João. Percorreu as vilas de Santa Rita, Pilar e Ingá, até chegar à Vila Nova da Rainha que assim descreve:
“Distante do Ingá dez léguas está situada a vila de Campina Grande sobre huma collina da serra da Burburema. Tem huma igreja matriz dedicada a N. S. da Conceição, bastante grande, porém não acabada; huma igreja da invocação de N. S. do Rosario; huma cadea muito arruinada, e huma cada de camara que serve também para a reunião do tribunal do jury; tem dous açudes, hum denominado Velho, e outro Novo, o primeiro está no sul da villa, no qual desagoa o riacho das Piabas que nasce na lagoa Genipapinho, e corre a leste, e torna-se no tempo do inverno huma concha de água capaz de resistir a quatro ou cinco annos de secca, não obstante ser combatido pelas boiadas que passão do centro, não só desta província, como da de Pernambuco, Ceará e Piahui.
O açude Novo he mais pequeno que o Velho, porém a água nelle depositada he mais saudável, e por isso a população faz uso della com freqüência para beber. A matriz tem as seguintes capellas filiaes: Boa Vista, dez leguas no poente pela estrada de Espinhara; a de Poucinhos seis leguas distante pela estrada do Siridó ao sul, na distancia de cinco leguas; na serra Fagundes está a de S. João, onde antigamente foi hospício dos religiosos da Penha de Pernambuco, e a leste, pela estrada da capital, está a de Bacamarte. A maior parte das fazendas de criação e agricultura estão abandonadas, e as que existem estão em decadência causada pela rigorosa secca que por muitas vezes tem flagelado a província. As matas estão destruídas, talvez mais pelos fogos dos roçados de alguns agricultores imprudentes, do que pelo calorio do sol; com tudo ainda se encontra alguma madeira para construcção.
O terreno he fértil nos annos invernosos, e próprio para agricultura no lado leste, porque he mais humido; porem no geral he todo secco e muito calcário, por isso pouco conveniente para qualquer construção que se pretende fazer com o fim de obter água nascida; e se alguma contem ou he filtrada pela area, que esposta ao ar, cuja temperatura he sempre acima de setenta grãos de thermometro centrigrado, evaporiza-se com muita rapidez, ou está em grande profundidade, onde existe, segundo me parece, huma camada de sal.
Os açudes e seus arredores, para conservarem água de hum para outro inverno, porem infelizmente os que tem não estão perfeitos, pois que os bardos não tem a precisa solidez para resistir às ondulações do líquido que podem conter, principalmente no inverno, quando sopra o vente leste.
Parece-me que tenho demonstrado a absoluta necessidade de se construir os açudes desta villa com perfeição; esta obra pode importar em 3:000,000 réis, no máximo.
Levantei a planta desta villa (Planta nº 1), fiz melhoramentos nas cacimbas existentes, e mandei abrir outras que servirão para o povo flagellado pela sede, alem disto indiquei dez ou doze lugares nas margens do riacho das Piabas, onde se apresentão alguns signaes de água filtrada pela area; esta água he pouco duradoura. (...)Parahiba do Norte, 31 de janeiro de 1847. (as) Francisco Pereira da Silva – segundo tenente do Império do Corpo de Engenheiros”.
Em um segundo momento, prossegue o viajante relatando a fauna existente nas matas campinenses, registrando a presença dos seguintes animais: veados, onças, porcos, raposas, macacos, preguiças, pacas, quatis, mocós e preás. E entre as aves: emas, sariemas, jacus, zabelês, codornizes, papagaios, rolas, aza brancas, torquazes, canários, cardeais, marrecas e socós, além de uma diversidade de gaviões. Entre os répteis, grande número de cascavéis.
Destaca ainda a mineralogia da região:
“Encontrei em differentes lugares camadas de pedra calcaria, grande quantidade de quartzo, o ferro, camadas de salitre, e signaes que indicão a existência de veias de ouro” (grifei).
Esta observação em particular, me chamou a atenção, pois foi a primeira vez que me ocorreu a existência deste minério precioso em nossas terras.
Ressaltou ainda o engenheiro a fitologia do Município, citando nessas matas a existência de Pau Ferro, Violeta, Arueira, Pereira, Batinga, Amarelo e Jurema, Sucupira, Pau D’arco, Coração Negro, Angelim e grande quantidade de Baraúna. A curiosidade fica por parte da “Jurema”, cuja madeira fornecia o carvão para os ferreiros.
Conclui a sua descrição indicando como solução para o flagelo das secas a construção de açudes; o cultivo da mandioca – “que produz e conserva-se muito tempo no terreno secco”; plantar o Capim Angola para alimentar o gado; diminuir o corte das árvores e as queimadas; evitar o plantio de roçado entre 1º de janeiro e fim de março – “porque sendo este o tempo em que a chuva está mais próxima da superfície da terra desta província, o calorio desenvolvido por estas queimadas a faz evaporar”; e, finalmente, proibir a criação de gado nos terrenos de agricultura.
Referências:
- BRAZI, Annuario Político, Histórico e Estatístico. Segundo Anno. Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro/RJ: 1847
Continuando nossa série de postagens, com áudios históricos do acervo do Congresso Nacional, hoje disponibilizamos a fala do então Deputado Federal, Cássio Cunha Lima no dia 06 de abril de 1987, quando o parlamentar de Campina Grande discorreu sobre o tribuno Raymundo Ásfora. Os visitantes do Retalhos Históricos de Campina Grande podem escutar o áudio, clicando no link abaixo:
Fonte:
Acervo do Congresso Nacional