O Estádio Governador Ernani Sátyro, ou o “Amigão” como é mais conhecido, foi uma obra do governo do patoense Ernani Sátyro, o “amigo velho”. Construído entre 1974 e 1975, foram necessários 14 meses desde o desmatamento do local, até a situação de se poder sediar jogos. Situa-se na Avenida Chesf, s/nº.
(O Amigão sendo construído)
O ex-presidente do Campinense Clube,
Germano Cruz, contou no programa de rádio “Debate da Caturité” fatos inéditos sobre a construção do “Colosso da Borborema”, apelido dado pelo narrador esportivo Joselito Lucena. Germano disse que em 1973, ocorreu uma reunião de prefeitos em Fortaleza, no Ceará. Dorgival Terceiro Neto representou João Pessoa e Evaldo Cruz, Campina Grande.
Evaldo estava decidido a construir um Estádio em Campina Grande, já que na época, essa era a grande vontade do município. Políticos, Imprensa e Sociedade estavam imanados nesse sentido, ou seja, da construção de um campo de futebol de grandes dimensões, para uma cidade que sempre respirou futebol.
Em Fortaleza, Evaldo Cruz após uma conversa com o prefeito da capital cearense, que construiu um grande estádio por lá, procurou o húngaro Janos Tatray, para que esse fosse a Belo Horizonte procurar o arquiteto do Mineirão e que esse fizesse uma maquete para o Estádio de Campina Grande.
O governador da Paraíba na época Ernani Sátyro, em visita a Prefeitura de Campina Grande, viu a maquete que tinha vindo de Recife e perguntou ao prefeito de Campina Grande com qual recurso iria ser financiado tal projeto. Evaldo Cruz disse que seria com a ajuda do Governo do Estado. Como sempre ocorreu em nossa histórica Paraíba, para que algum local tenha de ser beneficiado, primeiro tem de se fazer na capital. Assim foi feito, o prefeito de João Pessoa cedeu um terreno para a construção do Almeidão e o de Campina Grande, o local do Amigão.
No local onde hoje se localiza o Amigão, antes só existiam plantações das mais variadas. Com cerca de 15.000 metros cúbicos de concreto, a escavação da obra foi feita com explosivos, com aproximadamente 800 homens trabalhando dia a dia. O estádio infelizmente não chegou a ser concluído, tendo apenas a metade sul da marquise terminada. Aquilo que era pra ser uma réplica do Estádio do Mineirão em Belo Horizonte ficou mais parecendo um canteiro de obras. O mesmo ocorreu com o Almeidão em João Pessoa. Talvez o dinheiro destinado às obras, que daria para se construir um Estádio de verdade, foi desviado para que interesses fossem atendidos, ou seja, acabou em cada cidade se destinando a construção da metade de um estádio, infelizmente.
(Operários nas obras do Estádio Amigão)
Com dimensões do gramado de 110m x 75m, o Estádio felizmente é ótimo para grandes jogos de futebol. Por muitos anos, seu gramado foi considerado o melhor do Brasil, chegando a ser mencionado na Revista Placar, pelo ex-craque do Botafogo do Rio, Paulinho Criciúma.
(O Amigão ainda em obras)
O Estádio foi inaugurado em 08 de março de 1975, com um jogo entre Botafogo do Rio de Janeiro, time do então governador do Estado e o Campinense, clube local. Segundo o ex-presidente do Treze em 1975, Zé Agra, o Treze foi preterido por este (Agra) fazer algumas exigências ao governador, que foram consideradas desaforo por Ivan Bichara, o mandatário da Paraíba na época.
Em 16 de março de 1975, o primeiro clássico dos maiorais no Amigão, com um empate em 1 a 1. Pedrinho Cangula, o pai de Marcelinho Paraíba, foi o autor do primeiro gol do Ernani Sátyro.
(O time do Botafogo do Rio que enfrentou o Campinense)
A capacidade máxima de público atingida foi no encontro entre Treze e Flamengo, no dia 07 de fevereiro de 1982, com 42.149 torcedores. Esse público talvez, poderá ser nunca mais superado, devido as colocação de assentos no estádio, que diminuiu consideravelmente sua capacidade.
(O Amigão terminado ???)
Esperamos que nos próximos anos, grandes reformas sejam implantadas no Estádio, pois se o mesmo não for emergencialmente observado, o campo infelizmente poderá mudar seu objeto principal: o de dar alegrias, para um local de uma grande tragédia.
(O Estádio atualmente)
Abaixo, nossos visitantes podem acessar mais algumas informações referentes ao Amigão. Do acervo de professor Mario Vinicius, registros da época da inauguração do Estádio. São recortes de jornais, com fotos e textos:
Do acervo de Joselito Lucena, que apresenta o programa “Reminiscências” na Rádio Caturité, momentos da inauguração do Amigão, entrevistas, curiosidades e diversas informações sobre o “Colosso da Borborema”, como por exemplo, uma entrevista com João Havelange, o primeiro gol do Estádio e outros interessantes registros:
Fontes Utilizadas:
Wikipedia
Livro dos 50 anos do Treze Futebol Clube
Programa “Debate na Caturité” – Rádio Caturité
Arquivos Pessoais
Acervo Pessoal de Professor Mario Vinicius Carneiro
Programa “Reminiscências” – Rádio Caturité
Comunidade de Campina Grande no Orkut - Fotos
Em novembro de 2015 fomos surpreendidos por um intenso vandalismo em um importante patrimônio histórico da cidade de Campina Grande-PB que, infelizmente, tem perdido muito de sua arquitetura histórica. Marcos paisagísticos estão sendo perdidos, mutilados, destruídos e tudo isso às vistas das autoridades. Desta vez, foi alvo de depredação o prédio da chamada "Estação Ferroviária Nova" de Campina Grande. O prédio foi invadido, arrombado e vem até hoje sendo "depenado". Tudo o que pode ser rentável economicamente vem sendo retirado paulatinamente por vândalos. Recentemente foram retirados o madeiramento e telhas dos galpões anexos.
O prédio foi construído em 1957 – momento em que se comemorava o cinquentenário da chegada do trem à Campina Grande, fato que foi expressivo para seu desenvolvimento – e inaugurado em 26 de janeiro de 1961 pela Rede Ferroviária do Nordeste - RFN (depois Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA). Sua construção buscava em linhas gerais a melhoria dos serviços ferroviários na região pois havia a necessidade de espaço para manobras e uma melhor estrutura para passageiros e o trato com as cargas, além, claro, de ter o intuito de ser a interligação entre a Rede Ferroviária Nacional e a Rede Viação Cearense, num projeto de nacionalização das linhas incluídas na malha da RFFSA pelo plano nacional desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubistchek.
A Estação Nova, como se tornou conhecida, possui traços arquitetônicos em art déco e também proto-moderno, em destaque no seu frontispício temos um belíssimo painel em azulejo pintado; seu formato possui alguma semelhança com o prédio do Liceu Paraibano e é o que o estudioso Walter Tavares chama de inspiração em navios à vapor. Para o Professor Josemir Camilo: “Pode-se interpretar a construção como um conjunto, com seus armazéns e um prédio administrativo, em linha reta, ao longo dos trilhos, como se a Estação fosse a locomotiva, o prédio, o tender, e os armazéns, em ambas as extremidades, seus vagões”. Seu porte de grandeza o torna um dos mais destacados patrimônios arquitetônicos e históricos da cidade.
Quanto ao saque, ao vandalismo, acreditamos que pode ter sido iniciado por vândalos, mas, em seguida, a ação provavelmente teve um caráter profissional, visto que os relógios da torre foram RETIRADOS e objetos grandes como carros de manutenção e peças de grandes dimensões foram levadas. Tudo começou entre outubro e início de novembro de 2015. A ausência dos relógios e as portas e portões arrombados podem ser vistos por quem passa cotidianamente pela avenida Professor Almeida Barreto, entre os bairros São José e Jardim Quarenta.
Na época, nos prontificamos a fazer uma denúncia ao Ministério Público Federal para que averiguasse o dano ao patrimônio, também comunicarmos a algumas instituições culturais além do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba, o IPHAEP e também o congênere nacional, o IPHAN. Ao que se sabe, o referido patrimônio é da União e sua guarda, que estava a cargo do IPHAN após o fim da RFFSA foi repassada para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT no entanto, até o momento, não temos nenhum posicionamento do Ministério Público nem de nenhuma outra autoridade. O prédio poderia muito bem ser abraçado pela municipalidade, com vistas ao transporte público, por que não? Um VLT ali interligando a cidade, desafogando o terminal de integração, seria de grande valia. Há alguns anos, propus em conjunto com o amigo memorialista José Edmilson Rodrigues que se fizesse um Museu que expressasse a memória ferroviária do interior do Nordeste.
Quase cinco anos depois da denúncia nada foi feito. Continuamos aguardando uma averiguação do caso e a pronta reparação do dano patrimonial, além da punição aos responsáveis pela destruição.
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por Vanderley de Brito.
O Instituto Histórico de Campina Grande (IHCG) é uma sociedade civil, sem fins lucrativos e de Utilidade Pública municipal, tendo como receita apenas a contribuição dos sócios, a título de anuidade, além de doações e convênios, para promover, fomentar e desenvolver estudos sobre Campina Grande, bem como, na condição de casa de memória, reunir documentos, livros e peças museológicas que remontem a História da cidade.
Sua sede deve servir à sociedade campinense interessada em desenvolver ou conhecer a História local.
No conceito de institutos históricos, o IHCG foi criado em 24 de janeiro de 1948, portanto está completado 72 anos neste mês e ano.
Os fundadores foram os historiadores Elpídio de Almeida, Epaminondas Câmara e Hostensio Ribeiro, que reuniram um grupo de intelectuais da época em torno desse projeto. Todos já são falecidos, com exceção de Leônia Leão, que hoje é nonagenária e, infelizmente, sofre do Mal de Alzheimer.
Desde sua fundação, a cada década o IHCG vem agregando ao seu quadro de sócios os militantes da geração em curso, e, ao longo destes mais de setenta anos, importantes historiadores, estudiosos e jornalistas de nossa cidade estiveram envolvidos com este projeto.
De todo modo, o IHCG só teve sede uma vez, em meados da década de 70, quando o prefeito Evaldo Cruz lhe cedeu o prédio onde hoje funciona o Museu Histórico da cidade.
A propósito, o museu foi criado e montado pelo IHCG e servia como museu e sede do Instituto, porém com a morte de João Tavares, que era o presidente e Dom Quixote da época, o IHCG entrou em inatividade, perdendo sua referência de sede, e só veio a ser reestruturado nominalmente entre 1997 e 2000, por iniciativa de Amaury Vasconcelos, e depois, a partir de 2012, a administradora Ida Steinmüller reavivou o projeto, que é este que existe até hoje.
Durante os últimos sete anos em que o IHCG vem reestruturado em sua quarta versão, andou desalojado, mas em luta constante para adquirir um edifício sede, porque uma casa de memória, o nome já está dizendo, “casa”, precisa de um teto para funcionar.
Entre inúmeros, ordinários e variados entraves, com a continuidade do trabalho abnegado e apaixonado de nossos dirigentes, em fins do ano passado (2019), finalmente conseguimos o comodato do terceiro andar do Edifício Vereador Anézio Leão, que estava sem utilização há anos e se enquadra nos parâmetros de importância do IHCG, em termos de localização, imponência e historicidade, pois havíamos recusado outras ofertas que diminuíam a relevância do projeto.
Desde então, de modo sistemático, estamos em processo de instalar o Instituto neste espaço.
Primeiro instalamos uma porta para segurança do andar, depois encomendamos o letreiro para identificar o Instituto no seu novo endereço e agora estamos determinando a setorização dos espaços e também iniciando o trabalho de higienização e encaixotamento do acervo para trazer e acomodar na sede.
Portanto, está em curso uma das maiores mudanças que o IHCG já experimentou ao longo de seus 72 anos.
Para fazer apenas um breviário do quanto ainda é necessário para que a sede possa funcionar nos padrões técnicos de Instituto Histórico; tem de se fazer a lavagem e dedetização do andar, o Corpo de Bombeiro e o CREA devem ser acionados para emitirem seus respectivos laudos, o processo de comodato tem de ser acompanhado até sua conclusão, o auditório precisa ser adaptado para as sessões e eventos, necessita-se contratar um contador para a realização da transferência de domicílio junto a Receita Federal, o acervo mobiliário e documental deve ainda ser transferido, alojado, tombado, e um catálogo do acervo ainda precisa ser elaborado para orientar visitantes e pesquisadores.
Todo esse trabalho não pode ser feito de qualquer modo, é preciso metodologia e um cronograma.
Aliás, mesmo antes de adquirirmos a sede já vínhamos metodicamente trabalhando com este objetivo.
Partindo do princípio de que era preciso primeiro sensibilizar a sociedade para com o projeto, intensificamos nossa participação nas redes sociais e eventos da cidade para a promoção do Instituto, sua importância e o caráter memorialista que o rege.
Com esse trabalho intenso, de transparência e demonstração de compromisso para com a memória da cidade, conseguimos a simpatia e reconhecimento de boa parcela da sociedade, que nos oferecem apoio e confiança, mas essa credibilidade é mais pela abnegação e dinâmica de nossas atividades do que propriamente pelo projeto IHCG.
Pois, a bem da verdade, poucos sabem essencialmente o que é e para quê serve um instituto histórico.
Culturalmente, Campina Grande é uma cidade pragmática que não se importa com sua memória, está sempre em frenético desenvolvimento sem tempo para olhar para trás ou se prender a conservadorismos, de modo que a proposta de nosso Instituto Histórico pareceu ser novidade dos tempos atuais, o que não é.
Os institutos Históricos são mais que centenários e estão presentes em quase todos os estados do Brasil.
O Instituto Histórico Brasileiro, por exemplo, foi criado em 1838, e ainda no período de Império foram criados o de Pernambuco, o de Alagoas e o do Ceará.
Ainda no século XIX foram criados o da Bahia, de São Paulo e de Santa Catarina.
O Instituto Histórico Paraibano, que funciona em João Pessoa, foi fundado em 1905 e funciona até hoje, bem como os inúmeros outros criados em tempos do século XX por todas as regiões do país.
A maioria deles desamparados pelos poderes públicos, a quem deveria caber o dever de preservar a história e a memória local.
Portanto, os institutos históricos não são modismos de momento, para que se possa ter uma ideia, o Instituto de Campina Grande foi o segundo instituto municipal criado no Brasil, só perdendo para o de Petrópolis, fundado dez anos antes, em 1938. Mas mesmo assim poucos campinenses tomaram ciência da existência e funcionamento do IHCG e, exatamente por conta dessa desinformação, o mesmo teve tanta dificuldade em se firmar na cidade.
Assim, não é exagero afirmar que essa nossa aquisição de sede para o IHCG é um marco histórico para a cidade, pois, apesar de septuagenário, somente agora o Instituto de Campina Grande poderá ter perpetuidade assegurada e funcionamento condigno.
Devo dizer, porém, que não é vexame desconhecer a função dos institutos históricos, pois a desinformação e desinteresse por esse tipo confraria é notória até entre as autoridades acadêmicas.
Em Campina Grande, o pragmatismo cultural impede à compreensão para com o idealismo, especialmente o idealismo rememorativo, que, insurreto, segue na contramão da tendência futurista, modernista e desenvolvimentista da cidade.
O que faz e para que serve um Instituto histórico? Essa é a questão que pretendemos elucidar aqui. Porém, devo salientar que é mais fácil dizer o que não faz e para quê não serve esse tipo de organização civil.
Pois, um Instituto Histórico é uma casa que tem livros, mas não é biblioteca; tem peças museológicas, mas não é museu; tem documentos, mas não é um arquivo, ao passo que é tudo isso simultaneamente. Para sintetizar, o Instituto Histórico de Campina Grande é um centro de estudos, memória e pesquisas sobre nossa municipalidade.
Um núcleo que deve reunir fontes para estudos históricos, geográficos, genealógicos, sociológicos, antropológicos, arqueológicos, urbanísticos, arquitetônicos, econômicos, cartográficos, tecnológicos, naturalistas, culturais e tudo de interesse para se conhecer os fundamentos, tendências e projeções de nosso município como um todo.
Diferentemente de uma biblioteca, que atende as necessidades de alunos dos ensinos fundamental, médio e concorrentes de exames de ENEM e concursos, o centro documental do IHCG deve atender ao pesquisador de terceiro grau, com biblioteca, hemeroteca e arquivo para promover o desenvolvimento e ampliação de estudos da história local através de novas monografias, teses e artigos científicos, bem como de estudiosos avulsos que venham desenvolver livros, matérias jornalísticas, crônicas, maquetes, ensaios, roteiros, apontamentos ou qualquer meio informativo para ampliar e instigar novos conhecimentos de interesse local.
Por exemplo, estudar as funções do Açude Velho em cada período do desenvolvimento da cidade ou as famílias que dominaram o cenário político ou econômico local em tempos distintos, ou seja, dissecar temas específicos ou gerais que venham desconstruir erros históricos, com novas teorias em fundamentos documentais ou trazer à tona novas perspectivas interpretativas para nossa história colonial, imperial e republicana.
Outras funções do IHCG são: recolher doações de documentos diversos da cidade, para guarda, zelo e disponibilização, e fomentar o interesse pela historicidade local, promovendo discussões mais profundas através de encontros, palestras, cursos, seminários, exposições, mesas redondas, comemorações cívicas, celebração de vultos e publicações sobre temas da cidade.
De um modo geral, o propósito do Instituto Histórico de Campina Grande é edificar a identidade histórica local, reunindo biblioteca e documentos para se pesquisar, escrever e propagar.
Como afirma Gustavo Sobral, não se faz história sem fontes bibliográficas e documentos, não se escreve história sem pesquisa e não se propaga o resultado de pesquisas sem publicações.
Enfim, o Instituto Histórico de Campina Grande é um grupo de minorias ativas, todos voluntários, consoantes no ideal de produzir matérias-primas duradouras para o desenvolvimento e manutenção da memória local, que, apolíticos e sem fins lucrativos, põem sua capacidade intelectual a serviço de uma causa coletiva.