Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
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Na semana passada fomos agraciados com o lançamento virtual do livro "Coração Parahybano - Crônica, Literatura e Memória" da Professora Clotilde Tavares.

Paraibana de Campina Grande, mora em Natal-RN, compõs o corpo docente do curso de Medicina da URFN até 2002 quando aposentou-se e, desde então, dedica-se a produção textual na área cultural, escrevendo para jornais e propagando cultura na blogosfera ainda desenvolvendo estudos sobre cultura popular sobre cantoria de viola e literatura de cordel.

Clotilde é filha do saudoso Nilo Tavares, que aportou em Campina Grande 1946, "onde ele trabalhou como tipógrafo na Livraria Pedrosa, e depois redator das Rádios Borborema e Cariri e posteriormente do Diário da Borborema. (...) militou intensamente nos meios esportivos locais, não apenas como comentarista esportivo de rádio e jornal, mas também como admirador e eventual membro de diretoria do Paulistano Esporte Clube e Treze Futebol Clube", segundo conta a própria Clotilde em seu Blog "Umas e Outras", que pode ser acessado através do link:  http://clotildetavares.wordpress.com/.


“Coração Parahybano” tem 60 crônicas escolhidas entre as que foram publicadas no jornal A União, periódico oficial de circulação estadual. A seleção dos textos teve como temática principal a história da Paraíba,  memórias da infância passada em Campina Grande e comentários sobre livros e autores paraibanos. São 132 páginas, com 60 textos.

Os editores deste blog recomendam essa prazerosa viagem pelas memórias de quem viveu a História de Campina Grande.

O download da obra, fornecida pela própria autora pode ser efetuado, clicando em  http://www.clotildetavares.com.br/cp .
Outra imagem datada de 1946. Trata-se da vista da Praça Clementino Procópio. Ao fundo, novamente, podemos visualizar os prédios da Prefeitura Municipal e o do "Grande Hotel".



Fontes Utilizadas:

"Cadastro Comercial e Industrial Brasileiro de 1946"
Cortesia do Arquiteto e Professor da UFBA, Francisco de Assis Costa (Chico Costa)
Um raro registro da Avenida Floriano Peixoto em imagem de 1946. A foto foi tirada no prédio da Catedral de Campina Grande e nela, podemos visualizar ao fundo, os prédios do "Grande Hotel" e da então prefeitura da cidade.



Fonte Utilizada:

"Cadastro Comercial e Industrial Brasileiro de 1946"
Com a colaboração de Francisco de Assis Costa, Arquiteto, Professor da UFBA"


Mais um resgate fotográfico do final dos anos 20, início da década de 30, que mostra a Feira Livre municipal que expandia-se pelas principais ruas do nosso atual Centro da cidade.

Acima, a foto mostra a Rua Venâncio Neiva, área de livre comércio, esquina com a Av. Floriano Peixoto, podendo-se identificar o área onde viria ser, hoje, o Posto de Saúde Francisco Pinto e Recebedoria de Rendas, sendo possível também visualizar a Igreja Batista, ao fundo da imagem.
A rua "Venâncio Neiva" foi em homenagem a Venâncio Augusto Magalhães Neiva, que foi governador da Paraíba entre 16 de novembro de 1889 a 27 de novembro de 1891. Também seria senador da República. Abaixo, duas fotos do passado e uma atual, retratando as mudanças ocorridas ao longo do tempo:





Fontes Utilizadas:

Wikipedia
Fotos da Comunidade de Campina Grande no Orkut
Alguns campinenses que visitavam a Bahia, no começo dos anos oitenta, ficavam encantados com o carnaval de Salvador e também, com um evento realizado na cidade de Feira de Santana chamada “Micareta”, um carnaval fora de época, que contava com toda a estrutura de “blocos, bandas e mortalhas” (roupas que eram os ingressos de acesso ao bloco) de Salvador.

A Micarande surgiu de uma idéia do então prefeito de Campina Grande, Cássio Cunha Lima, que resolveu apostar no conselho do publicitário Luca Sales, que participou do evento de Feira de Santana. Era o ano de 1989, quando Cássio resolveu importar o evento baiano. No primeiro ano, o evento foi realizado em apenas um dia. A “Turma do Pingüim” seria a grande atração da “extra-oficial” Micarande de 1989. Todavia, é bom frisar, que durante o São João de 1988 o “Demtur” promoveu o “Arrastão do Turista”, com Capilé e o Asas da América, evento realizado em 24 de junho com saída da Cavesa, passando pelo centro da cidade, até chegar ao Parque do Povo.

Oficialmente, a Micarande começou em 1990, quando ocorreu uma espécie de padronização do evento através dos blocos. Era a época das “agremiações de amigos” sem fins lucrativos, fazendo com que a população se identificasse mais diretamente com a festa. O mês escolhido para o evento, segundo algumas fontes, foi em virtude de ser o mês de aniversário de Cássio Cunha Lima.

Exatamente em 21 de abril de 1990, perto do antigo “Cave”, localizado as margens do Açude Velho, um grupo de foliões vestindo as mortalhas com um Galo de Campina estampado no material, saiu em direção ao Parque do Povo puxado pelo forrozeiro Biliu de Campina, acompanhado por uma orquestra de frevo.


No Açude Velho, nasceu a Micarande

O hino do Galo, de autoria de Bráulio Tavares, era cantado efusivamente por Biliu:

"O meu nome é trupizupi,
Sou o Galo de campina,
O meu nome trupizupi,
O raio da Silibrina..."

No Parque do Povo, o Galo de Campina se encontraria com o Bloco da Saudade, formado por foliões vestindo fantasias tradicionais do carnaval.

O Parque do Povo era o epicentro da festa

Nesse primeiro ano, além do Galo, o “Balanço do Amor” era o outro bloco oficial, que contava com a participação de Capilé. O Balanço do Amor era uma parceria de Capilé com Saulo Florindo, da quadrilha “Virgens da Seca”, que ficaria famoso na cidade nos anos seguintes, ao ser um dos sócios do “Bloco Batata”, com a banda “Asa de Águia”.

No Galo de Campina, era fácil de encontrar entre os foliões, políticos e artistas do Estado. Cássio Cunha Lima, por exemplo, participaria junto com seu pai Ronaldo, além de artistas do quilate de Elba Ramalho.


Cássio Cunha Lima no Galo de Campina em 1990

Em 1991, Cássio definiu a festa da seguinte maneira: “Essa exitosa promoção... foi lançada nas ruas da cidade com outro objetivo, de caráter econômico: fortalecer os segmentos produtivos e de serviços de Campina. E atingiu plenamente sua finalidade”. E era verdade, pois a partir de 1991, o evento seria consolidado e teria seu sucesso aumentado durante a década de 90, servindo de modelo para várias micaretas no Brasil, até atingir seu auge em 1999. Mas essa é outra história, e ainda abordaremos mais sobre esse evento ao longo dos próximos meses.

Abaixo, um vídeo da TV Paraíba sobre o início da Micarande:


Fontes Utilizadas:

-Dissertação “Micarande: Festa do Povo?” – Autor: Sebastião Faustino Pereira Filho.
-www.micarande.com.br
-Comunidades do Orkut, que falam em Campina Grande.
As matérias a seguir, fruto de reportagem do Diário da Borborema em 2007, relatava os 50 anos da Estação Ferroviária de Campina Grande, localizada no Centenário. Cliquem para ampliar.





Um dos registros raríssimos da época em que a feira livre de Campina Grande ocorria no Centro da cidade.

Os comerciantes ocupavam as Ruas Maciel Pinheiro, Venâncio Neiva, Marquês do Herval e parte da Alexandrino Cavalcante (Rodoviária Velha).

É possível notar o detalhe estampado à parede de uma das casas comerciais o letreiro com o nome "...LUNDGREN", sobrenome famoso em nossa região paraibana, família sueca comerciante do ramo de tecidos, fundadores da cidade de Rio Tinto-PB e, posteriormente, sob o comando de Arthur Lundgren, a fundação das Casas Pernambucanas.

Em primeiro plano também nota-se a existência da "Casa Pernambucana" de Manoel Joaquim de Araújo, ex-prefeito de Itabaiana-PB (1919/1922).
O Corpo de Bombeiros de Campina Grande foi inaugurado em 07 de setembro de 1953, tendo como Comandante o 2º tenente PM Manoel Brás. Seu lema era “VIDA ALHEIA E RIQUEZAS A SALVAR”. Tudo começou a partir da Lei nº. 31 de 10 de novembro de 1947 do Governo do Estado, publicada no Diário Oficial de 11 de novembro de 1947, na gestão do então governador Osvaldo Trigueiro e Albuquerque Melo, criando uma secção na cidade, sendo subordinada a sede da capital do Estado.


Flagrante dos anos 50. Visita do Cel. Elias Fernandes ao Quartel do
Corpo de Bombeiros de Campina Grande

José Américo de Almeida foi o responsável pela construção da primeira sede do Quartel, em edifício anexo ao 2º Batalhão da Polícia Militar.

Corpo de Bombeiros nos anos 80

Em 6 de março de 2006, uma nova instalação localizada na Avenida Almeida Barreto nº. 428, no Bairro de São José, foi inaugurada. No ano seguinte, através da Lei nº. 8.444, O Corpo de Bombeiros de Campina Grande mudaria sua denominação para “2º Batalhão de Bombeiros Militar”.


A nova sede

Segundo registros históricos, os maiores incêndios combatidos pelo 2º Batalhão foram: O ocasionado em outubro de 1954 na antiga SANBRA, com duração de 30 dias e outro na cidade de Barra de Santa Rosa em novembro de 1983, com duração de 15 dias.

Recentemente, no ano de 2008, um grave incêndio no centro de Campina Grande teve o controle do Corpo de Bombeiros. Vejam a cobertura da TV Borborema:


Fontes Utilizadas:

Site dos Bombeiros (http://www.bombeiroamigo.org/)
Anuário de Campina Grande (anos 80)
http://www.pm.pb.gov.br/ (Foto da sede atual)
TVBorborema (Vídeo)

O clima de acirramento político em Campina Grande comumente presente nos anos de campanha eleitoral está intrínseco no DNA de cada cidadão da nossa urbe.

A bipolarização de correntes ideológicas em nosso Município promoveu a maior tragédia já registrada em termos políticos, até hoje.

Campina Grande receberia figuras ilustres da política local para inauguração do sutuoso novo prédio dos Correios e Telégrafos (o atual), em plena campanha eleitoral, em um show-mício com palanque montado na Praça da Bandeira.

Tudo começou ainda à luz do dia, quando entusiastas e correligionários da UDN (União Democrática Nacional), liderados por Argemiro de Figueiredo iniciaram uma passeata pelas ruas campinenses, à partir da entrada da cidade, em Santa Terezinha.

A marcha coletiva percorreu à partir da Av. Paulo de Frontin várias ruas até a Praça da Bandeira, local onde se realizara uma das maiores concentrações políticas de Campina Grande, em toda sua História.

Segundo Josué Silvestre era uma "tarde inspirada de belos e aplaudidos discursos: Joacil de Brito, Ivandro Cunha Lima, Álvaro Gaudêncio, Hiaty Leal, Ernani Sátiro, João Agripino, Pereira Lima e, finalmente(...)Argemiro de Figueiredo".


O fato peculiar fora o fechamento do evento político com a apresentação de vários artistas da música, popular, consagrados nacionalmente, como Emilinha Borba, Luiz Gonzaga, conceituados artistas da áurea Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Como não poderia ser diferente, ao final do espetáculo, a multidão dispersa aglomera-se em pequenos grupos ao longo do epicentro da festa, encontrando pelo caminho grupos políticos rivais que se reuniam em outros pequenos grupos que já demonstravam clima de confronto.

Estes pequenos grupos de pressão assumiram o tom de provocação e formaram, expontaneamente, um novo movimento que percorreu as ruas centrais da cidade, em forma de passeata, onde apenas as vozes ardorosas dos entusiastas deram força aos partícipes.

Após circular estas vias, o movimento retornou à Praça da Bandeira onde, os líderes da passeata invadiram o palanque montado para o comício da oposição, ainda decorado com os motivos Udeenistas. Diante de tamanho atrevimento, começaram os discursos fervorosos onde, não muito tempo depois, inicia-se a desordem, seguida de pancadaria ao som de disparos de armas de fogo.

Uma pancadaria generealizada se instalou na Praça da Bandeira, com a participação popular e da polícia militar; em poucos minutos de contenda fora registrado um saldo de 03 mortos e cerca de 20 feridos graves e dezenas de feridos com escoriações leves.


As vítimas fatais foram o bancário Rubens de Souza Costa, espancado por policiais; o mecânico José Ferreira dos Santos; e Oscar Coutinho, mecânico da empresa pernambucana que instalava os elevadores do prédio dos Correios.

Acerca de tamanha tragédia testemunhada, o escritor Josué Silvestre transcreveu o que registrara o advogado Aluísio Campos, então presidente do PSB local: "Jamais sofri tamanho desapontamento. Nunca testemunhara facínoras fardados investirem de modo tão selvagem sobre o povo para matá-lo friamente."

Testemunhas alegaram que policiais fardados se ajoelhavam e faziam pontaria em direção à multidão.

Fonte: "Lutas de Vida e de Morte", Josué Silvestre, 1982

 
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