Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa
retalhoscg@hotmail.com

QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?


A empresa S. Freire & Cia, que fabricava em 1937 a aguardente Canna Vita, desenvolvia o 'marketing' do seu produto através de um concurso de Quadras na cidade de Campina Grande, publicadas no Jornal "Voz da Borborema".

O anúncio abaixo, extraído do mesmo periódico, apresentava o Concurso, ditava as regras e estipulava a premição que oferecia aos três primeiros colocados: 50$000 (Cinquenta Mil Réis), 12 garrafas da Canna Vita e 3 garrafas do mesmo produto, respectivamente.

Já 'de cara', apresentavam-se como concorrentes no anúncio original alguns 'socialites' locais, à exemplo do então prefeito Vergniaud Wanderley, o advogado Acacio Figueiredo, os médicos Severino Cruz e Francisco Pinto, o politico Belinho Figueiredo e o empreendedor João Rique.

Mais uma garimpagem cedida pelo Historiador Bruno Gaudêncio. 

Recorte Jornal "Voz da Borborema" (1937)


Arte: Flaw Mendes

Arte: Flaw Mendes
As ilustrações acima fazem parte de um projeto editorial do ilustrador campinense Flaw Mendes, que adaptou um texto disposto na internet no Blog DeAcordo.com, da jornalista Valdívia Costa, e transformou a crônica em uma belíssima Graphic Novel, que tem como tema o nosso Cassino Eldorado.

Ao passo em que nos cedeu estas que são as duas primeira páginas da HQ, Flaw nos diz que o projeto é para uma série, e lamenta que o mesmo esteja engavetado por falta de verba para sua produção, mesmo já tendo buscado as vias através de Editais Culturais, não logrando êxito nas etapas finais.

O Blog RHCG agradece a cessão da arte e conclama o Poder Público, as Academias locais e a iniciativa privada para que possam abraçar este projeto que alia História, Preservação e Arte, tendo como cenário nosso próprio entorno urbano.


Recorte "Voz da Borborema": 31/07/1937
Este recorte remete diretamente às páginas do Jornal "Voz da Borborema", de 31 de Julho de 1937, Anno I, nº 05, p.8. e traz o comentário proferido pelo editor acerca do convite recebido para fazer-se presente à inauguração do famoso Casino Eldorado.

Agradecemos por mais uma garimpagem cedida pelo Historiador Bruno Gaudêncio.


CASINO ELDORADO:

"O Eldorado foi um importante espaço de glamour, palco para o exibicionismo e a teatralização dos valores burgueses, presentes em uma elite agrária que se concentrava em Campina Grande entre os anos de 1937 a 1941. Além de figurar como um significativo “espaço de sociabilidade” para os chamados “barões do ouro branco”, de importância reconhecida até pelo historiador/sociólogo/antropólogo pernambucano, o “vitoriano dos trópicos” Gilberto Freyre, em sua obra Casa Grande & Senzala, o Eldorado ganhou fama e repercussão que ultrapassaram as barreiras geográficas e simbólicas de uma Campina Grande antiga, hoje saudosa, ambientada na primeira metade do século XX." (Fabiano Badú de Souza)
Projeto de Construção do Cassino
Projeto Casino Eldorado: Planta Baixa
Leia mais e confira outros scans do projeto de construção do Casino Eldorado através da contribuição de Fabiano Badú,  CLICANDO AQUI.


Caju
No já longínquo ano de 1976, o futebol paraibano era mais forte, mais competitivo e consequentemente mais importante no cenário nacional. Naquele ano, o Treze estava representando a cidade de Campina Grande no Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão. A equipe galista, contudo, não estava fazendo boa campanha e esperava no jogo contra o Fluminense do Rio de Janeiro, marcado para o dia 19 de setembro no Estádio Amigão, realizar grande partida e conquistar a vitória contra a chamada “Máquina Tricolor”.

Entretanto, no dia 17 de setembro de 1976, o campeão mundial da Copa de 70, Paulo César Lima (Caju), envolveu-se em confusão com um garoto, no Hotel Magestic (proximidades do antigo posto Futurama). Para entender melhor o assunto, pedimos a devida licença ao professor Mario Vinicius Carneiro Medeiros e transcreveremos o trecho de seu livro sobre a história do Treze, que relembrou o assunto: “Após um amistoso contra o Sergipe, o alvinegro enfrentaria o Fluminense do Rio de Janeiro. Este jogo foi cercado de expectativas, não por uma possível recuperação do quadro trezeano diante da “máquina tricolor”, mas pela agressão cometida pelo jogador Paulo César a um garoto próximo ao Posto Futurama. O campeão mundial defender-se-ia das acusações dizendo que rebatera insultos de algumas pessoas, que tentaram agredi-lo com pontapés. ‘Tentando proteger-me das pancadas, desferi alguns chutes nos agressores. Por azar, atingi um garoto que passava no local’.
Paulo César seria preso, passaria a noite no II Batalhão de Polícia Militar, sendo posto em liberdade na manhã seguinte, após o pagamento de fiança. O Fluminense arcaria com as despesas médicas com o tratamento do menor agredido e Paulo César responderia ao processo em liberdade, por ser réu primário, tendo voltado em 1977 à cidade para a audiência processual. No final, receberia sursis da justiça, por ter sido a pena inferior a dois anos.”


Paulo César Caju nas dependências do II Batalhão da Polícia Militar (Acervo Major Marcus Vinicius)
Após a polêmica, o jogo foi realizado no dia 19 de setembro de 1976 com o Fluminense vencendo por 2 a 0.

Cena do Amigão no dia do jogo do Treze x Fluminense em 1976
(Foto extraída da comunidade do Orkut “Campina Grande – Velha Guarda”)
Ficha Técnica:

Treze 0x2 Fluminense-RJ
Data:
19/09/1976
Local: Estádio Amigão - Campina Grande-PB
Árbitro: Romualdo Arppi Filho-SP
Público: 29.119 pagantes
Renda: Cr$ 466.705,00
Treze: Renato; Luís Eduardo, Som, Giovani e Dodô; Gil Marques e Ronaldo; Peres, Zair (Adelino), João Paulo e Tiquinho (Soares). Técnico: Laerte Dória
Fluminense: Renato; Carlos Alberto, Miguel, Edinho e Rodrigues Neto; Paulo César Caju (Rubens Galaxe) e Pintinho; Gil, Doval, Erivelto e Dirceu. Técnico: Mario Travaglini
Marcador: Doval (2)

O episódio da agressão de Paulo César Caju ao garoto campinense ganhou as páginas das publicações nacionais. A seguir, “scans” de alguns destes periódicos (cliquem para ampliar):

Notícia do Jornal do Brasil (Clique para ampliar)
Notícia da
Folha de São Paulo
(Clique para ampliar)
Notícia da Revista Veja
(Clique para ampliar)

ATUALIZAÇÃO - 18/10/2012

Recebemos da professora Soahd Arruda, o material abaixo referente a uma reportagem da "Revista Placar" da Editora Abril. Os nossos visitantes podem ler abaixo (Cliquem para ampliar):



Fontes Utilizadas:

-TREZE FUTEBOL CLUBE: 80 ANOS DE HISTÓRIA-MARIO VINICIUS CARNEIRO MEDEIROS – EDITORA UNIÃO
-REVISTA PLACAR – EDITORA ABRIL (ACERVO)
-ACERVO DO MAJOR MARCUS VINICIUS (FOTO DE PAULO CÉSAR CAJU NAS DEPENDÊNCIAS DO II BATALHÃO)
-JORNAL DO BRASIL (ACERVO)
-FOLHA DE SÃO PAULO (ACERVO)
-REVISTA VEJA – EDITORA ABRIL (ACERVO)
 

Imagem belíssima do Açude Velho, com destaque para o girador onde hoje se encontram as estátuas de Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga ao centro, com a tradicional residência de Ivandro Cunha Lima à direita e, ao fundo o Residencial Porto Bello.
 
À esquerda está parte da Sociedade Médica e, mais curioso, é a presença do antigo Restaurante Monreale Piano Bar, onde hoje está edificado o Edifício Monalisa.
 
Foto disponibilizada via Facebook, no perfil de Bruno Cunha Lima.
Por Mário Carneiro da Costa 

Levado pela fama de excelente educandário e ademais pela falta de  unidades de ensino equivalente no interior do Estado ou mesmo na região,  no Pio XI estudavam alunos dos mais diversificados recantos.

Aqueles jovens nem sempre eram  educados, pacatos ou  disciplinados. Por vezes, em  face a decantada austeridade do diretor, o então Padre Emídio Viana, o colégio fora  visto  por alguns  pais, como uma espécie de escola de correção, onde fosse possível ajustar seus  jovens  filhos,  que praticavam  atos desabonadores, como fossem embriaguês, furtos, agressões,  violências e outros. Tais condutas ocorriam ali  e o  diretor, com sua fisionomia austera e disciplinadora, antepunha-se aos procedimentos condenáveis daquelas  espécies de aluno  
Padre Emídio

O Padre era corpulento, de estatura mediana,  avermelhado e sisudo,  atributos  bastante para  intimidar  o estudante a quem tratava por “CABOCO” (corruptela de “caboclo”).  Pouco ou quase nunca ficava muito tempo no seu gabinete. Costumava caminhar lentamente no alpendre anexo  às salas de aula e, de braço estendido sobre o peito e a mão  dentro da batina, mantinha a outra mão no bolso. Dali ele não somente via os alunos como escutava os professores.

A presença dele nos corredores impunha silêncio e respeito, mesmo em se tratando de alunos bagunceiros, a  exemplo  daqueles de uma  família  com sobrenome de uma espécie de animal e da qual em uma só classe estudavam três irmãos.

Na  hora da chamada,  na aula de dona Jacinta, uma  fina e competente professora não muito jovem, não estando o padre por perto,  aqueles alunos  respondiam  autodenominando-se  Camelinho, Camelo  e  Camelão.  Um pernambucano, baixinho e gordo, cujo nome o tempo apagou da memória deste autor, ao ouvir a chamada, confirmava a presença respondendo: “em classe, o  inconfundível  Barrica”.  A gozação era  geral e isto  levava o diretor a se posicionar de imediato diante da porta da classe, do que resultava um silencio sepulcral.

Na turma da qual fazia parte este autor, havia alunos das famílias  Carneiro, Coelho, Camelo, Leão,  Raposo  e outros. Barrica, ao confirmar a   presença, acrescentava  à sua resposta:  “o encarregado  da ração  para o   zoológico da  classe”, sob as gargalhadas de todos. Ele e os colegas  da   família Camelo  foram  tidos  como  indisciplinados,  nocivos,  e transferidos  compulsoriamente do Colégio.

Um aluno sertanejo, forte, rosado, tido como brabo e habituado a pegar boi, certo dia escreveu bem visível na túnica da farda e à altura do peito as iniciais “ T. T. T. T.”.  O diretor, que dado ao comportamento do aluno não o   via com bons olhos, indagou que novidade era aquela. A resposta veio de imediato: “ ‘Topo tudo todo tempo’, Padre”.  Ante a resposta, o diretor corou mais que o normal,  arregaçou  as mangas da batina e fez o desafio: “ então  'caboco', vamos disputar no boxe, sem luvas, quem é o diretor deste Colégio”.  “’Vá para a diretoria para  uma outra conversa”. A valentia acabou-se  e  o valentão mudou de Colégio.
                 
Era comum no Colégio alunos de famílias orientais. Um deles, tido como brabo, entendeu numa prova  final oral  ser examinado antes dos demais colegas.  Por este fato, se atritou com a banca examinadora  presidida por uma  bonita e jovem professora que,  chorando, saiu da classe e foi até o diretor a quem narrou o ocorrido. Este se deslocou imediatamente  e, embora advertido de que o aluno era violento  e quase sempre estava armado chegou  até  ele e sem maiores delongas,  deixou o apressado aluno para ser o último dos alunos a serem examinados.

No Colégio, de quando em quando, havia o surgimento de alunos que  atemorizavam professores, apesar da rígida disciplina mantida pelo diretor. Certo dia, na sala de aula, um aluno integrante de uma família tida como valente sacou de uma arma  e ameaçou atirar no professor. Coincidentemente o Padre vinha passando na sua caminhada costumeira ao lado da classe.

Ao perceber o fato,  entra na sala com o passo na dimensão maior que a batina permitia e se dirige para o aluno que, apontando a arma para ele,  disse: “Não venha,  padre, que eu atiro!”. Este respondeu,  já  com a mão sustentando por cima do tambor do revólver 38,  solavancando-o,   tomando-o  do  aluno   e  dizendo  concomitantemente: “você atira com esta merda em ninguém”.  A confusão foi  geral e o valente transferido do Colégio, sem que fosse denunciado pelo crime..

Ali estudara nos anos de 1940  um moço de família tida como violenta. Seu maior prazer era contar os feitos de seus parentes no mundo do crime. O diretor via aquilo com certo espanto, mas não se intimidava para  punir o jovem aluno, que não era dos mais bem comportados. No auge da  adolescência, ele dizia que enquanto os colegas  X , Y,  Z  iriam  ser  isto, aquilo ou aquilo outro, ele iria ser PISTOLEIRO. De fato, enveredou por este caminho e nele praticou inúmeros crimes na Paraíba e noutros estados,  pelos quais jamais foi condenado, embora  levado a júri diversas vezes.

Era um tipo bonito, alto, forte e amigo  deste autor,  pois que com ele estudara na mesma  classe no Pio XI   e, quando  se   encontravam, surgia     uma boa prosa, por mais  das  vezes incômoda, oportunidade em  que o    pistoleiro  oferecia   seus TRABALHOS.  Em um daqueles contactos,  ele  relembrara os tempos do PIO XI e dissera que também oferecera   recentemente, seus SERVIÇOS ao velho diretor.  Aquele ex -colega,   pistoleiro    por escolha, foi assassinado no  Rio  Grande  do  Norte,  quando numa rede, no alpendre de uma fazenda,  planejava mais um crime de morte.

Outros tantos curiosos fatos,  foram vividos pelo autor durante os  longos 15 anos em que no PIO XI fora aluno/professor, tendo o padre Emídio    como diretor de comprovada coragem. Todavia, malgrado toda aquela  intrepidez , foi  traiçoeiramente  apanhado pela morte, que ceifou sua vida  com pouco mais de cinqüenta anos.

Observem bem esta foto:


A imagem acima estava jogada no chão, esperando o carro do lixo passar. No dia 13 de outubro de 2012, ao passarmos na Rua Epitácio Pessoa no Centro, nos deparamos com esta e outras fotos numa casa próxima ao antigo colégio de Juracy Palhano. Não pensamos duas vezes e literalmente, a catamos da rua. Feito isso, limpamos a imagem, escaneamos e resolvemos colocar em nossa página do Facebook, para que a identificação fosse feita. Tivemos alguns comentários que reproduzimos a seguir:


"Isso deve ser do domingos sávio. Acho Seja dona terezinha( a mais alta) a morena tia glória." (Júlia Gomes Quirino)

"Segundo Lêdinha Quirino: Edifício Palomo, ao fundo; Dona Terezinha e Glória com uma turma da Escola Domingos Sávio, o fardamento é muito antigo". (Bráulio Tavares)

"Foto de alguma turma do Instituto Domingos Sávio, reconheço: Dona Terezinha( diretora) Glória e Mª Gaudêncio" ( professoras). (Luzinete Machado)

"Podem colocar na Memória Educacional!!! Trata-se de uma turma do Instituto Domingos Sávio!!! Um dos educandários mais tradicionais da cidade e responsável pela formação educacional de gerações e gerações de campinenses. A foto deve ter sido tirada na época da construção do prédio do Instituto no bairro da Conceição onde hoje funciona a Casa Luciana Brasil, podemos avistar ao fundo o edifício Lucas." (Hélder Racine)


Assim, sem dúvida é a foto de uma turma do Instituto Domingos Sávio, que se localizava no Bairro da Conceição, mais precisamente na Rua João da Silva Pimentel:

Prédio em que se localizava o Instituto Domingos Sávio (Imagem: Google View)

A tradicional escola que formou gerações, foi fundada no início dos anos 60 pela professora Terezinha Leite, que faleceu no ano de 2007. Foi um marco na educação campinense.

Dona Terezinha com um aluno
(Acervo de Wilson Mendonça Furtado Júnior)


Vencemos o primeiro desafio! 

Contando com os votos de todos vocês, leitores e visitantes pontuais, o Blog Retalhos Históricos de Campina Grande está entre os 100 Blog mais votados, em todo Brasil, na categoria Arte e Cultura, no Prêmio Top Blog.

Imaginar quantos milhares de blogs existem em nosso país, e constatar que figuramos entre os 100 mais populares, já nos envaidece e nos faz sobejar de orgulho.

Porém, como a regra do jogo prevê mais uma etapa, estamos encarando a segunda etapa da Votação Prêmio TopBlog2012 com o compromisso de levar o nome da nossa cidade para os lugares mais altos desta classificação final.

Portanto, pedimos que todos que votaram no primeiro turno, repitam seus votos e, sendo possível, conquiste mais um voto para conseguirmos este intento primordial de medir a potencialidade desse serviço de utilidade pública municipal, que tem por missão resgatar os fatos históricos da nossa Rainha da Borborema.

O procedimento é o mesmo: CLIQUEM NO SELO LATERAL DO TOP BLOG E VOTEM!!

Pelo primeiro turno, muito obrigado!

Equipe Blog RHCG
Clementino Gomes Procópio foi um dos grandes baluartes da educação campinense, mesmo não sendo natural da cidade. Oriundo de Bom Jardim, Pernambuco, Professor Clementino Procópio como ficou conhecido, nasceu em 06 de março de 1855. Seu pai era Lourenço Gomes Procópio e sua mãe, Maria Francisco de Brito.

Uma raridade: Foto de Clementino Procópio

Fez Seminário em 1874, porém, não seguiu na Igreja. Morando em Taperoá-PB, veio para Campina Grande no ano de 1877, após uma grande seca ocorrida na Paraíba.

Em Campina, fundou a 05 de julho de 1878, o Colégio São José, localizado a Rua Dom Pedro I, onde hoje se localiza o Quartel de Polícia no Bairro de São José. Como disse Epaminondas Câmara em seu livro Datas Campinenses, “o colégio funcionava sem conforto, fora da cidade”, demonstrando como Campina Grande ainda não era tão grande assim.

Todavia, o estabelecimento de ensino marcou época durante mais de 30 anos, sendo alicerce de educação para vários alunos de peso da sociedade paraibana, a exemplo de Argemiro de Figueiredo, Mauro Luna, dentre outros. O jornalista Eurípedes de Oliveira, ex-aluno de Clementino Procópio, relatou em crônica ao Jornal da Paraíba cujo texto, André de Sena transcreveu no livro “Eurípedes Oliveira, jornalista e construtor de Açudes”:

“O mobiliário escolar se compunha de uns bancos de madeira para grupos de cinco ou mais alunos conforme a freqüência. Num dos cantos lá do fundo estava uma jarra com água e alguns copos de flandres. A classe mais adiantada ficava sentada diante de uma mesa larga e comprida onde fazíamos nossos trabalhos de escrita logo que chegávamos. O professor sentava a sua cabeceira, pondo diante de si a palmatória.
Poucas semanas depois eu recebi, cheio de orgulho, o lugar de decurião. Era o premio ao aluno mais cuidadoso e tinha o privilégio de ficar respondendo pelo professor nas suas raras ausências da sala... Começamos as aulas fazendo a escrita ditada ou copiada e nela mesma fazíamos a análise gramatical dum trecho marcado. Depois, enquanto o professor corrigia as escritas, ficávamos estudando as lições do dia... Terminada a correção da escrita ele fazia a chamada. Um a um, íamos receber as notas. Se fosse má, estirávamos a mão e recebíamos dois bolos de palmatória; péssima, receberíamos quatro a teríamos que refazer tudo de novo. Se estivesse certa, ele marcava outra para o dia seguinte. Depois da escrita era a vez das lições decoradas. Entregávamos o livro com a lição marcada do dia anterior e ficávamos diante dele (Clementino Procópio), de pé, com os braços caídos ao longo do corpo e recitávamos todas as palavras ali impressas, sem esquecer pontuação, notas ou exemplos. Terminada a prova, os bolos de palmatória, dois ou quatro, conforme a nota recebida e voltávamos a estudar até saber recitar tudo na ponta da língua; ás vezes ele voltava às páginas e apenas dizia as primeiras palavras do trecho que nós teríamos de continuar recitando para provar que não tínhamos esquecido as lições anteriores.
Aos sábados havia a sabatina. A classe formava um círculo, ele ao centro, com a palmatória nos joelhos, contava salteado, ora para um, ora para o outro lado, a fim de nos manter atentos a perguntava: o que é verbo? Ou, quantos são os pontos cardeais? Diga a regra para extrair uma raiz quadrada. Onde fica o Cabo da Boa Esperança? Qual é maior, um ângulo agudo ou um ângulo obtuso? Se o aluno titubeava, ele apontava para outro dizendo: ‘ adiante, adiante, adiante, adiante!’, até encontrar quem desse a resposta certa. Então ele entregava a palmatória e o acertador corria a fila e dava um bolo em cada um dos que estivessem errados. Ai dele, se por descuido ou camaradagem desse um bolo pequeno; ele [o professor] tomava a palmatória e lhe dava um bolo exemplar para não dar mais bolo de compadre. O esforço era grande, pois ninguém gostava de apanhar e era preferível estar preparado para dar em vez de sofrer. Nas nossas reuniões, fazíamos as contas e os que mais davam apontados como bons alunos (...)” (SENA,1999, p.39/40)”

Antes de adentrar ao Século 20, Clementino Procópio se envolveria em confusão com o Presidente do Estado da Paraíba. Cliquem abaixo para ampliar a imagem, e leiam a história contada pelo jornalista William Tejo:


Clementino Procópio também se envolveria com a política, sendo membro do Partido Conservador e exercendo também o jornalismo político. Este fato inclusive, influenciou seu filho Severino Procópio, que seria prefeito de Campina Grande por duas ocasiões.



O dia 27 de maio de 1935 marcou o falecimento de Clementino Procópio. Foi alvo de várias homenagens na cidade, inclusive de Argemiro Figueiredo seu ex-aluno, que na época era o Governador do Estado. Mauro Luna, outro aluno, no dia do enterro disse a seguinte frase: “Clementino preparou espíritos capazes de conviver com o futuro”.

Segundo Moacir Andrade em seu livro Vultos Paraibanos, “a banda de música posta em frente ao Cine Fox, tocou uma marcha fúnebre, e dois mil escolares formados, receberam o velho mestre inanimado com silêncio profundo”. Clementino Procópio foi sepultado no cemitério do Monte Santo, com todas as honras merecidas.

Atualmente, uma das principais praças de Campina Grande se chama “Clementino Procópio”. Fica entre a Avenida Floriano Peixoto, Rua 13 de Maio, Rua Irineu Joffily e Rua Vidal de Negreiros.

Praça Clementino Procópio: Monumento a Teodósio de Oliveira Ledo

Praça Clementino Procópio: Estátua e Coreto

Uma outra homenagem foi prestada ao professor. Foi dado seu nome a Escola “E.E.E.F. CLEMENTINO PROCOPIO”, localizada a Rua Felipe Camarão, no bairro de (adivinhem o nome?) São José.

Fontes Utilizadas:

- Wikipédia (Fotos da Praça)
- Fundação Joaquim Nabuco (Foto de Clementino Procópio)
- Texto “Imagens Literárias da Educação de Campina Grande (1907-1957) de Bruno Rafael de Albuquerque Gaudêncio (Texto de Eurípedes Oliveira)
-Anuário de Campina Grande 1982 (Foto da família e scan do conto de William Tejo)
-Vultos Campinenses – Moacir Andrade
-Datas Campinenses – Epaminondas Câmara

Mauro da Cunha Luna foi um dos homens de maiores culturas da cidade de Campina Grande. Nascido na “Rainha da Borborema” em 27 de julho de 1897, seus poemas ficariam famosos nas diversas publicações de nossa cidade.

De estatura pequena, era filho de Baltazar Gomes Pereira Luna e de Maria Santana da Cunha. Casou-se com Augusta de Almeida Luna.

Foi aluno do célebre Colégio São José e do professor Clementino Procópio, de quem recebeu os primeiros ensinamentos, que inclusive, o ajudaram aos quinze anos, a ser redator do jornal “A Voz da Borborema”.


Em 05 de setembro de 1915, editou um jornal chamado “Renascença”, que teve apenas três meses de vida. Em seu último número, o jornal foi publicado com 12 páginas, com oito sonetos de Mauro Luna.

No ano seguinte, fundaria o semanário “A Razão”, que circulou até 1918, trazendo problemas políticos a Mauro Luna, pelo fato do jornal ser de oposição ao governo local.

No ano de 1921, fundaria o Colégio Olavo Bilac, que funcionaria até 1932.

Em 10 de maio de 1924, lançou o livro “Horas de Enlevo”, a única publicação de Mauro Luna em livro. As poesias constantes nessa edição, foram alvos de elogios por parte de José Américo de Almeida, João Ribeiro, Afonso Celso e Raul Machado.

Trabalharia também como contador, além de ter sido diretor da Biblioteca Pública de nossa cidade.

Foi professor dos colégios Pio XI e Imaculada Conceição (Damas). Do colégio das Damas, teve a honra de compor o hino desse histórico educandário de nossa cidade.


Em 31 de outubro de 1942, foi eleito membro da Academia Paraibana de Letras para a cadeira de Irinêo Joffily, tendo-se empossado por procuração a 10 de julho de 1943, através da presença do padre Mathias Freire.

Faleceu em 23 de novembro de 1943, segundo algumas publicações, muito pobre. Em homenagem a Mauro Luna, reproduzimos aqui um texto de Antonio Mangabeira, publicado em uma edição do Diário da Borborema de 1966:

Mauro Luna

Por Antônio Mangabeira

Há homens sempre presentes, a despeito de não estarem mais ao nosso lado, compartilhando das nossas alegrias e dos nossos dissabores. São os que trouxeram, do berço, corações repletos de bondade ou espíritos a irradiar cintilações de saber e de talento criador. Ninguém, ao percorrer a curta e sinuosa estrada da existência, ficará sem haver sido bom, sem haver construído obras de utilidade, perfeição e beleza.

Vou enviar ao meu nobre amigo Epitácio Soares, esta colaboração, pedindo-lhe a fidalguia de publicá-la na edição festiva do seu simpático jornal, o Diário da Borborema, fazendo-o num preito de admiração à memória de um grande filho desta imensa cidade:

Mauro Luna, o Professor Mauro, era fisicamente de pequeno porte. Poucos músculos cobriam-lhe os ossos; ombros desnivelados; rosto sem sangue; olhos sem brilho. Homem assim, não podia ser dado às expansões de alegria; e ele havia renunciado a todas. A gente, ao vê-lo, logo concluía que, dentro de si, sem intervalos, estavam se desenrolando longas e acabrunhadoras tragédias. Obrigado a sair diariamente de casa, impelido pelo dever de dar pão à querida prole, quando no isolamento do seu lar, é que seu espírito agastadiço e seu corpo combalido encontrariam o ambiente propício. Mauro Luna passava nas ruas de Campina Grande, conservando a visão para baixo, indiferente aos fatos que se encenam nas artérias públicas, sobretudo nas de uma cidade agitada e cosmopolita, como a em que o poeta vivia.

Quem, não o conhecendo pessoalmente, não sentia o desejo de se aproximar dele, vendo-o como o poeta mais completo desta cidade, como o espírito mais fascinante da terra campinense? Mauro Luna não tinha, é certo, risos nos lábios. Tinha, em maravilhosa retribuição, uma alma cheia de afetos e de comunicabilidade. As árvores, mesmo comosas, nem parecem deixar, à distância, sem sol e sem chuva, os caminhoneiros que lhes orlam o tronco. Mauro Luna era árvore providencial. Embora privada de rica fronde, servia de magnífico consolo as pessoas que se aproximavam de seu cerne. Falava de hábito, muito baixo, revelando-se cuidadoso ao uso dos termos e na composição das frases. Era, sempre, a fidalguia dos gestos, aliada à dignidade de mestre do vernáculo. Escreveu “Horas de Enlevo”, lindo repositório de versos, cujos méritos foram proclamados pelos críticos de maior evidência da época. Integrou a Academia Paraibana de Letras.

Há quase dezesseis anos, horizontou o corpo no leito. Terrível moléstia queria roubá-lo, como roubou, do amado convívio dos seus, do honroso ambiente dos seus alunos. Fui visitá-lo, duas vezes. Da primeira, encontrei-o, sumindo-se no lençol. A doença a devorar as carnes de um homem acamado, o qual, em plena atividade, nunca poderia servir de alimentação a nenhum carnívoro. Quando entrei no quarto do enfermo, sua filhinha, em posição angelical, oferecia-lhe uma xícara, onde havia qualquer lenitivo às suas dores. Lembrei-lhe, dada à analogia dos fatos, o adorável Cromo, de B. Lopes. É a história de um homem doente, reclinando a cabeça no colo da esposa.  Aparece a filhinha, oferecendo-lhe um remédio. E o poeta encerra assim:

´Vem uma loira figura
Com uma colher de tintura
Que ele recusa num ai!

Mas o solicito anjinho
Diz-lhe, com riso e carinho:
- Bebe, que é doce, papai´.

Quando o procurei pela segunda vez, não o vi mais. Fiquei na sala contígua, ouvindo os fracos gemidos de um homem que, mais algumas horas, deixaria de viver. O seu coração deixou de pulsar no dia 23 de novembro de 1943.

Campina Grande conserva-o na galeria dos seus filhos imortais.


Como homenagem ao poeta Mauro Luna, foi dado seu nome a uma escola e a uma rua, esta última localizada no Bairro da Conceição. Abaixo, podemos visualizar algumas imagens dessa rua:

 

Gostaríamos muito de acrescentar a esse tópico de homenagem ao professor Mauro Luna, a letra ou até mesmo o áudio do hino do Colégio das Damas. Quem puder colaborar conosco, faça isso através do email do blog.

Fontes Utilizadas:

-Vultos Paraibanos – Moacir Andrade – RG Editora e Gráfica
-Diário da Borborema – Coleção
-http://www.aplpb.com.br/
-Datas Campinenses – Epaminondas Câmara – RG Editora e Gráfica.
-Acervo Pessoal

 
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