Campina Grande possui lugares fascinantes, mas nenhum supera o Açude Velho como a mais bonita imagem ou cartão postal desta cidade. O Açude Velho localiza-se na região central do município e possui uma área de aproximadamente 47 mil m².
Antes que adentremos nos pormenores históricos deste símbolo da cidade, mergulharemos no imaginário de muitos campinenses, que “apreciam” por demais este espaço urbano e também turístico. Este local é fonte inspiradora de muitas circunstâncias, desde uma caminhada simples (da qual este autor é adepto quase que cotidianamente), passeios informais, corridas, pedaladas e até começos e continuações dos encontros românticos ali estabelecidos. Suas águas, histórias e panoramas inspiram artistas, cantores, pintores, fotógrafos e cidadãos comuns, bem como “crônicas” atinentes a um local arrebatador.
Naquele local público e aprazível, encontramos dois museus:
1. Museu de Arte Popular da Paraíba (Museu dos Três Pandeiros), projetado pelo célebre Oscar Niemeyer.
2. SESI Museu Digital, que proporciona uma viagem interativa pela história de Campina Grande, com tecnologia, realidade virtual e simuladores, onde também se encontra o belo monumento comemorativo aos 150 anos da cidade.
Existem mais dois monumentos às margens do açude: "Os Pioneiros da Borborema" e as estátuas de “Jackson do Pandeiro” e “Luiz Gonzaga”, que estão ali posicionados como ponto de visitação, onde os registros fotográficos se acentuam. Não esquecendo do “Memorial à Bíblia”, que é um espaço dedicado à fé cristã.
O Açude Velho é um lugar adequado para passar um tempo de maneira agradável e, por conseguinte, conhecer muito da história e cultura da cidade, e ainda por cima, saborear petiscos saborosos encontrados em bares, lanchonetes e restaurantes ali localizados.
Mas, vamos lá: e o início do Açude Velho?
Este açude foi idealizado e construído em razão da seca que assolou o Nordeste brasileiro, entre os anos de 1824 e 1828, tendo sido inaugurado em 1830. Erguido no leito do antigo "riacho das piabas", o açude serviu durante anos ao povo de Campina e da região do Compartimento da Borborema, que usava de suas águas para diversos fins.
Em face de Campina Grande começar a ser abastecida diretamente do Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão – PB), a finalidade inicial do Açude Velho se desfez e, como já mencionado, hoje é um cartão postal e patrimônio da cidade. Naturalmente, com o crescimento urbano, teve que passar por transformações, ganhando calçadão, ciclovia, iluminação pública e esculturas.
Com mais de 195 anos de história, não poderia faltar um caso pitoresco e emblemático em relação ao referido açude, que é o “Famoso Jacaré”, o qual povoa o imaginário popular, quando muitos afirmavam que um jacaré estava acolhido nas águas do açude. Pois bem, segundo registros históricos, um jacaré-de-papo-amarelo realmente habitou ali nos anos 80, e em 2004 foi resgatado e passou aos cuidados do “Museu Vivo dos Répteis da Caatinga”.*
Quantas lembranças me traz o Açude Velho! Ele mexe no meu interior de maneira diferenciada, pois me incita até a pensar em circunstâncias não vivenciadas ali e que, na graça de Deus, espero contemplar a realização.
Cuidem desta obra fantástica, pois ela se encarregará de exalar o bom perfume de uma história nostálgica, ao mesmo tempo em que adequará a trajetória rumo ao futuro, repleta dos bons ares de uma grandiosidade permanente. E que este espaço encantador seja mantido adequadamente, com o devido engajamento da sociedade, bem como do poder público.
Cabe a todos, em uma conexão vitoriosa, fazer com que esta paisagem não seja prejudicada por falta de amparo.
Que o Açude Velho, apesar do nome, possa se tornar, a cada dia que passa, mais NOVO e se perpetuar no coração daqueles que, como eu, defendem intransigentemente a importância do local, bem como contemplam a sua beleza inquestionável.
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*midialegal.com.br
Colaboração de MEDEIROS JR, autor do blog Linhas Edificantes (www.linhasedificantes.com.br)
