Serviço de Utilidade Pública - Lei Municipal nº 5096/2011 de 24 de Novembro de 2011
Criado por Adriano Araújo e Emmanuel Sousa

QUAL ASSUNTO VOCÊ ESTÁ PROCURANDO?

Carregando...
Antonio Silvino (foto da prisão)

Nascido no dia 02 de Setembro de 1875, em Afogados da Ingazeira-PE, filho de Francisco Batista de Morais e Balbina Pereira de Morais, Manoel Batista de Morais, mais conhecido como "Né Batista", era irmão de Higino, Zeferino e Francisco Batista de Morais.

Foi a partir da morte do seu pai, conhecido como "Batistão do Pajeú" que, em companhia do irmão Zeferino, enveredou pelos caminhos do cangaço, no ano de 1896.

Movido pelo sentimento de vingança, mata Desidério, o assassino do seu pai, adota o nome de Antonio Silvino e se torna um dos mais temidos cangaceiros que precederam Lampião, liderando o bando do seu finado tio Silvino Ayres.

No auge da sua vida como bandoleiro, atuou em cidades do Compartimento da Borborema. Agiu em cidades como Fagundes, Esperança, Monteiro, Alagoa Grande e, tendo Campina Grande como centro das suas investidas, haja visto a presença de coiteiros na região e pela amizade que detinha com fazendeiros locais, dentre ele, o Coronel Eufrásio Câmara, adversário do prefeito Cristiano Lauritzen.

No ano de 1907, a sociedade de Campina Grande vivia a expectativa da chegada do trem da Great Western pela primeira vez, em meio a ansiedade gerada com a promessa de Antonio Silvino de tombar o trem no dia da sua inauguração. Silvino já havia arrancado trilhos, prendido funcionários e sequestrado engenheiros da compahia ao longo da implantação do sistema ferroviário no Estado da Paraíba. 

Segundo o 'fac-simile' da reportagem da chegada do trem em Campina Grande, publicado no Diário de Pernambuco em 06 de Outubro de 1907, "[...]No dia da inauguração da estrada de Campina, Antonio Silvino, esteve no Alto Branco, onde soltou diversas girândolas, naturalmente festejando aquelle dia. Nesse logar declarou que o trem de Campina correria sómente três vezes, o numero necessário para as moças da referida cidade conhecerem-no. Ainda esteve no Geraldo e no Areial de Alagoa Nova, a 15 kilometros de Campina Grande, roubando, trucidando, matando animais e comettendo os maiores desatinos. Ante-hontem, à noite, chegou em Campina Grande uma força federal que anda em perseguição do bandido."
Silvino é o segundo de pé, da esquerda p/direita

Na Paraíba teve no Major Joaquim Henriques seu principal perseguidor. Porém, fora preso em Pernambuco no ano de 1914, pelo delegado do município de Taquaritinga, o Alferes Teófanes Ferraz Torres. Nesta época, o governador do vizinho estado era o General Dantas Barreto, ex-Ministro da Guerra do governo Hermes da Fonseca.

Levado para cumprir pena, era o preso 1122, ocupando a cela 35 da antiga Casa de Detenção do Recife.

Dotando-se de comportamento exemplar, após 22 anos de pena, foi libertado em 1937 após receber um indulto do então presidente Getúlio Vargas.

Como homem livre, adota a residência da prima Teodolina Aires Cavalcanti, localizada na esquina da Rua João Pessoa com a Arrojado Lisboa, onde hoje se localiza uma agência de veículos, em frente à Praça Félix Araújo.

Em Campina Grande viveu de 1937 a 1944, quando enterrou sua alcunha, e dividia a vida caseira com a frequência à Igreja Congregacional da Rua 13 de Maio; embaixo do braço, não mais o rifle e, sim, a Bíblia Sagrada.



Manoel Batista de Moraes, ou melhor, Antonio Silvino faleceu por volta das 19:00hs do dia 28 de Julho de 1944, na casinha de taipa que lhe acolheu em Campina Grande, sete anos após sua saída da prisão.

O cangaceiro teve oito filhos gerados com várias mulheres. Sua última esposa lhe deu quatro filhos.

Antônio Silvino (de chapéu), em frente a Casa de Detenção
Foto:Antonio Silvino, o cangaceiro o homem o mito/Reproducao

Foi enterrado no Cemitério do Monte Santo, de onde, dois anos e meio depois, seus restos mortais foram transferidos para outro local desconhecido no campo santo, pelo fato de ninguém nunca ter reclamado os ossos do bandoleiro.

Seu local de sepultamento, hoje, possui um marco com uma placa de cimento, erguido pelo historiador João Dantas que junto ao pesquisador Olavo Rodrigues intentam a implantação de uma placa de bronze em referência ao cangaceiro.

 Prof. Mário Vinicius Carneiro ao lado do marco erguido sob o local onde
fora sepultado Antônio Silvino o Cemitério do Monte Santo

"Antonio Silvino é um dos principais cangaceiros, morreu e está enterrado em Campina Grande, mas praticamente não existe referência de sua passagem por essa cidade" (pesquisador Olavo Rodrigues para o Diário da Borborema, em matéria do jornalista Severino Lopes)

Teodulina Cavalcante (Prima) - Fonte (*)

Casa de Teodulina Cavalcante, era localizada na Rua Arrojado Lisboa, em Campina Grande - Fonte (*)

Fontes Pesquisadas:
Diário da Borborema (http://www.diariodaborborema.com.br/2010/08/01/cotidiano2_0.php)
Diário de Pernambuco (http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/08/01/brasil2_0.asp)
Jornal O Norte (http://www.jornalonorte.com.br/2010/08/01/diaadia5_2.php)
Blog Lampião Aceso (http://lampiaoaceso.blogspot.com/2009/11/um-cangaceiro-na-detencao.html)
Vitrine do Cariri (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Silvino)
Wikipédia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Silvino)
(*) BARBOSA, Severino. "Antonio Silvino: O Rifle de Ouro - Vidas, Combates, Prisão e Morte do 
Mais Famoso Cangaceiro do Sertão". 2ª Edição - CEPE, Recife. 1979.

Agradecimentos ao professor Mario Vinicius Carneiro Medeiros pela foto do túmulo de Antônio Silvino

22 comentários

  1. Jobedis Magno de Brito Neves on 25 de agosto de 2010 16:45

    O cangaço é um assunto que nunca me fascinou. Na verdade a maioria dos nordestinos de uma forma ou de outra já ouviram falar de nomes como: Antônio Silvino, Lampião e Maria, Bonita, Corisco entre outros menos famosos, mesmo que a partir de filmes com versões romantizadas de suas vidas. O cangaço foi um assunto muito divulgado no nordeste e em nosso país. Algumas historias são “lendas”, narradas oralmente, por meio de literatura de cordel ou por meio de pequenas biografias. Os antigos diziam que os cangaceiros eram “bandidos” e que não tinham quaisquer interesses ou vínculos com projetos de mudanças sociais. Eles lutavam, na verdade, por seus “próprios” interesses. E isso significava, inclusive, fazer alianças com vários “coronéis”, políticos e até militares. Seu objetivo básico era obter ganhos econômicos com a suas atividades criminosas.

     
  2. Hebert on 26 de agosto de 2010 09:58

    Grande História

     
  3. José Roberto Guedes on 29 de agosto de 2010 20:35

    Acho legal que o povo nordestino esteja se preocupando mais em preservar a história de seus antepassados, antes que ela se perca no tempo, principalmente, devido a nossa tradição oral.
    parabéns aos historiadores e escritores deste artigo, não só pela divulgação do nome de Campina, mas principalmente,de um assunto tão importante para o povo nordestino como o do cangaço.

     
  4. Getúlio on 6 de junho de 2011 22:11

    Antonio Silvino vivia no engenho do meu bisavô aqui em Alagoa Nova, no sítio Queira Deus.

     
  5. Anônimo on 9 de outubro de 2011 20:24

    Ele é meu tataravo fiquei sabendo hj, minha bisa casou-se com um filho dele incrivel ^^, e sua geração ta espalhada pelo Brasil...eu sou DE CURITIBA -PR

     
  6. Anônimo on 14 de outubro de 2011 11:02

    Engraçado tem a história dele que matou, roubou etc, mas não tem a história do meu tataravô que prendeu tantos tipos iguais (severino silvestre de albuquerque)que foi um dos que levou ele a prisão.
    Triste história brasileira, só imortaliza criminosos.

     
  7. Adriano on 14 de outubro de 2011 15:24

    Antes de sua crítica, pq você não contactou o blog para que pudesse enviar arquivos referentes ao seu familiar. O blog é pra isso, para os leitores publicarem sua história, que tenham a ver com Campina Grande. Mas é assim mesmo, criticar é mais fácil.

     
  8. Anônimo on 25 de outubro de 2011 14:21

    É cada uma! Não é asim que se consegue notoriedade. Porque você que se esconde no anonimato não envia material para um artigo? e arrota uma besteira desta. O mérito para a prisão de Silvino até então é de Theophanes Torres, não encontrei uma foto sequer do teu bisavô. Faça tua parte nos apresente.

     
  9. |Nelson on 6 de novembro de 2011 10:34

    O pai do meu sogro conviveu com Silvino, no bairro Turiaçu no Rio de Janeiro no ano de 1938.

     
  10. Adalberto on 15 de janeiro de 2012 16:20

    Ao nosso crítico anônimo, é fácil criticar o Blog, por trazer uma discussão sobre Antônio Silvino, que foi grande e teve seu nome relevado pela impressa e pelos sertanejos. Difícil é convencer os espaços de discussão do cangaço a emitirem discussão sobre o Sr. Severino Silvestre de Albuquerque, de quém nunca ouvimos falar no episódio da prisão de Antônio Silvino, atribuída ao Major Theóphanes Torres.

    Sr. ou Dr. Jobedis Magno de Brito Neves, o senhor não gosta do assunto. Tá certo. É um gosto seu. Tem todo direito. Entretanto, não é porque o senhor não gosta que o cangaceiro era errado e a Polícia e os "Coronéis" eram certos. Nós nordestinos, conhecemos suas histórias romantizadas e as reais. E sabemos muito bem que naquela época só havia polícia e "coronéis" para defender os ricos e violentar a população humilde, de tal forma que muitos nordestinos torciam pela chegada dos cangaceiros a uma cidade, enquanto viviam assustados, pois não sabiam se eram piores os cangaceiros ou os policiais. Que por sinal, se vestiam de forma idêntica aos cangaceiros e praticavam atrocidades piores que estes. E onde foi que o senhor leu ou ouviu falar que as volantes e os "Coronéis" tinham projetos sociais para o povo daquela época ? Os cangaceiros ainda entravam no gangaço para vingar uma morte ou cobrar uma dívida, enquanto os policiais, só para estar no poder e enrricar.

     
  11. Adalberto on 15 de janeiro de 2012 16:25

    Meus parabéns ao autor do Blog Retalhos Históricos de Campina Grande.

    Adalberto

    Riacho das Almas - PE.

     
  12. Adalberto on 15 de janeiro de 2012 16:43

    Gostaria de saber se o autor do Blog conheceu alguma história do enterro de Antônio Silvino, relacionada ao pagamento das despesas funerárias, pois em Recife ouvi um historiador falar que apareceu uma mulher muito elegante, pagou as despesas e retirou-se. Fica a curiosidade, pois seria interessante saber se era uma pessoa da família ou a filha de algum fazendeiro (coiteiro) que guardou uma soma vultosa para lhe devolver quando saisse da prisão. Pelo que sabemos, somente um senhor residente no Rio Grande do Norte foi lhe devolver certa quantia a ele confiada pelo cangaceiro. E que angústia me dá não saber o nome dessa relíquia de potiguar.

    Adalberto

    Riacho das Almas-PE.

     
  13. Anônimo on 21 de fevereiro de 2012 22:52

    boa noite, eu fiquei feliz em saber desse blog. eu poderia te pedir um grande favor, se for possível, teria como mapear todos ou alguns dos primos de batista(o antonio silvino) pq minha avó era prima dele, e a foto dessa senhora que postaram aqui a pessoa parece demais com ela, eu tento rever esse material, mas é muito difícil. obrigada eu aguardo voces.lourdes alves - meu email. literaturadecordel@hotmail.com

     
  14. Ascléppios on 5 de julho de 2012 10:47

    Este comentário foi removido pelo autor.

     
  15. Ascléppios on 5 de julho de 2012 10:51

    Excelente o trabalho de pesquisa do Autor do Blog.

    Agradeço, também, ao colega Darks Kehrle Junior, paraibano da gema, com origens em Campina Grande, que me proporcionou e indicou esta leitura.

    O tema tem a essencial propriedade de resgatar e preservar a História do Cangaço no NE do Brasil e a História de nossos antepassados.

    Assunto relevante para a História da Paraíba e de Campina Grande. Congratulo-me com o autor do BLOG!

     
  16. Biagio Grisi on 2 de junho de 2013 06:46

    Equanto houver pessoas que se escondem atrás do manto do anonimato, não haverá verdade em suas afirmações.
    L A M E N T Á V E L !!!
    Não por ser de Campina, mas, por entender que a história deve ser passada à frente através de pesquisa apurada, me congratulo com o autor do blog e coloco à margem, quaisquer comentários mesquinhos, que não tenham fundamento através de documentos.

     
  17. Biagio Grisi on 2 de junho de 2013 06:57

    O Cangaço me fascina não pela truculência, mas, pela coragem de buscar justiça custasse o que custasse.
    Pelo o pouco que sei, não vi ainda um homem ter entrado no cangaço, com o intuito apenas de saquear,matar etc.
    O maior clamor sempre foi por JUSTIÇA de uma forma geral.
    A mim me parece que a justiça era feita "com a morte", diferentemente dos dias atuais, que dando-se a chance do julgamento, o réu é preso, após anos de um "excelente" comportamento é solto e volta à barbárie.
    Seifando vidas de inocentes adultos ou crianças.

     
  18. Ricardo torres on 25 de junho de 2013 11:21

    O CANGAÇO FOI UMA FORMA QUE O POBRE ABANDONADO PELO ESTADO,(JÁ NAQUELA ÉPOCA)ACHOU PARA LUTAR POR JUSTIÇA,HOJE FAZEMOS PASSEATA!!.Trabalhei muitos anos com Manoel morais filho,agronomo e funcionario publico federal( DA antiga sudepe)aqui em Pirassununga interior de São paulo,ele era filho legitimo de Antonio silvino,aqui tambem viveu outro filho dele,em vila sta fé, major Morais( tambem falecido)Sei um pouco da vida de Antonio silvino, por meu pai Antonio Torres,que viveu no Ceara e pode ver de perto tudo isso.

     
  19. Mota on 7 de julho de 2013 23:39

    Contam os antigos daqui de Serra Branca - PB, que em uma de suas passagens, Silvino engravidou uma moça que ficou por aqui mesmo... Essa, andava armada com um punhal nas mangas das blusas que vestia. Não me recordo do nome da moça nem do filho, mas esta mulher existiu, bem como seu filho. A história ficou na lingua do povo, que se lembra nos mínimos detalhes!

     
  20. José Márcio da Silva Vieira on 15 de agosto de 2013 11:08

    Após ser solto, Antonio Silvino chegou a ir a cidade de Cuité, no Curimataú, provavelmente apenas a passeio, como atesta o senhor José de Luzia, homem de 96 anos, extremamente lúcido,um dos últimos contadores orais vivos da história do município. Seu Zé de Luzia me disse que andou pelas ruas de Cuité, acompanhando amigavelmente o ex cangaceiro.

    José Márcio da Silva Vieira
    Cuiteense
    Professor de Sociologia

     
  21. Anônimo on 18 de setembro de 2013 15:53

    Minha bisavó era prima legítima de Antonio Silvino.

    Bandido ou Justiceiro?

    Sei não.... Mas a história é top. =D

     
  22. Anônimo on 18 de janeiro de 2014 07:06

    A DATE DE NASCIMENTO É 02 DE NOVEMBRO.

     


 
BlogBlogs.Com.Br